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sábado, 7 de setembro de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - Quando as Misses voavam pela Varig

Daslan Melo Lima

          Houve um tempo em que viajar de avião não era uma coisa comum. Subir ou descer a escada de uma aeronave e acenar para as pessoas presentes ao embarque ou desembarque era uma das coisas mais chiques do mundo.  A sempre lembrada empresa Varig foi parceira de vários concursos de Miss Brasil. 
      Através de imagens que pesquisei na Internet, vamos para o  túnel do tempo, viajar com as misses ou entrar com elas no escritório da Varig em New York.

 
Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954.
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Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil, vice-Miss universo 1957.
Teresinha Morango, a atriz Ilka Soares e o apresentador Jota Silvestre (1922-2000) num programa de televisão.
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Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1958.
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Luz Marina Zuluaga, Miss Colômbia, Miss Universo 1958
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Vera Ribeiro, Miss Distrito Federal, Miss Brasil, quinta colocada no Miss Universo 1959.
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Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil 1960.
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Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963, ao lado de Carmem Teresinha Lucca, vice-Miss Rio Grande do Sul, Miss Objetiva do Brasil, Miss Objetiva Internacional 1963.
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Telegrama da gerência da Varig em Aracaju, SE, colocando à disposição de Jerusa Farias, Miss Pernambuco 1969, passagens aéreas com direito à acompanhante para uma festa a ser realizada no Iate Clube de Aracaju. ***** Imagem: Acervo de Jerusa Farias/Miss PE 1969.
Túnel do tempo 1969 - Maria do Socorro Costa, Miss Paraíba; Maria Carmen Gentil Barreto, Miss Sergipe; Yara Lúcia Bezerra, Miss Rio Grande do Norte, e Maria Jerusa Freitas  Farias, Miss Pernambuco, depois da festa realizada no Iate Club Aracaju. Momento em que a anfitriã Miss Sergipe acompanhava suas colegas ao aeroporto onde as mesmas retornariam para os seus Estados de origem via Varig. ***** Foto: Acervo de Jerusa Farias/Miss PE 1969.
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        Quando vejo as instalações modernas do Aeroporto Internacional dos Guararapes Gilberto Freyre, no Recife, fico admirado com tudo aquilo, mas acho o ambiente “frio”. Sinto saudade daquele tempo onde víamos as pessoas subindo ou descendo as escadas dos aviões. Havia mais romantismo e poesia.  


     Dedico esta crônica a minha amiga Adelucia Pereira de Melo, acima, ex-funcionária da Varig, que se emociona muito quando escuta “Esperando Aviões”, de Vander Lee. Detalhe:  Adelucia teve um namorado que nutria uma grande paixão platônica por uma das misses focalizadas nesta Sessão Nostalgia. O nome da Miss? Não direi. Melhor conservar o mistério, a fim de combinar com um tempo que se foi, para sempre se foi.

Esperando aviões

Meus olhos te viram triste  olhando pro infinito 
 Tentando ouvir o som do próprio grito. 
E o louco que ainda me resta   quis te levar pra festa. 
Você me amou de um jeito tão aflito,
que eu queria poder te dizer sem palavras.
Eu queria poder te cantar sem canções.
Eu queria viver morrendo em sua teia,
 seu sangue correndo em minha veia, 
seu cheiro morando em meus pulmões. 

Cada dia que passo sem sua presença,
sou um presidiário cumprindo sentença, 
sou um velho diário perdido na areia,
esperando que você me leia.
Sou pista vazia esperando aviões.
Sou o lamento no canto da sereia, 
esperando o naufrágio das embarcações. 
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Letra e música de Vander Lee

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sábado, 8 de junho de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - MIRIAM STEVENSON, MISS UNIVERSO 1954, UM DOCE DE CRIATURA

Daslan Melo Lima

      

         A baiana Martha Rocha perdeu o título de Miss Universo 1954 por causa de duas polegadas a mais nos quadris. Essa história já foi contada em verso e prosa milhares de vezes. Mas quem era  a jovem que ganhou de Martha Rocha?  Um doce de criatura, conforme reportagem de fevereiro de 1955, quando Miriam Stevenson esteve no Brasil e a revista O Cruzeiro enalteceu sua beleza e personalidade.
      Nesta noite do segundo sábado de junho de 2013, enquanto chove lá fora, nada melhor para combinar com o clima do que resgatar mágicas histórias de um tempo que se foi.  A foto ao lado é da revista Mundo Ilustrado, copiada da Internet, mas as imagens abaixo foram reproduzidas da citada O Cruzeiro, uma das relíquias do meu acervo que ora compartilho com os saudosistas.
     A qualidade das imagens reproduzidas não ficou boa, mas prometo reverter o problema nos próximos dias.
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A MOÇA QUE VENCEU EM LONG BEACH – MIRIAM STEVENSON SOB O SOL CARIOCA (Texto e fotos de João Martins, revista O Cruzeiro, 05 de março de 1955)
         


 
Passeando de barco a motor, pela Guanabara, ela viveu algumas horas tranquilas e pode apreciar a beleza do Rio de Janeiro. Miriam é uma moça simples. As multidões a constrangem. Não se acostumou à notoriedade.  Miriam esteve em Copacabana, mas em pouco tempo foi reconhecida e teve de fugir aos caçadores de autógrafos. Na verdade, ela gostaria de ficar incógnita e tomar o seu banho de mar em paz, como todo mundo.

      Miriam Stevenson, a Miss Universo 1954, vencedora no ano passado, em Long Beach, do título de “a moça mais bela do mundo”, é uma flor de criatura. Não vamos debater aqui se ela mereceu ou não mereceu a vitória. Os juízes decidiram e não adianta chorar, o que além de contraproducente, é feio e antiesportivo.  Ainda mais sendo ela agora nossa hóspede, seria o cúmulo da estupidez querer aproveitar a ocasião e estabelecer paralelos com a nossa candidata e fazer um julgamentozinho à base do sentimento nacionalista: isso seria uma atitude não só inútil como, principalmente, inferior e incivil. Mesmo porque, aqueles que teimam em levantar comparações entre Miriam e Martha Rocha estão perdendo o tempo e o latim. As duas são de dois tipos inteiramente diferentes. Martha tem a flamante beleza selvagem de uma onça pintada, enquanto Miriam tem a plácida beleza cândida de um cordeirinho de presépio. Pode-se gostar mais de uma ou de outra, assim como há quem prefira o vinho tinto ao vinho branco. Mas quem pode afirmar que um é melhor do que o outro, a não ser na base do seu paladar pessoal? Ninguém é mais do que eu, que assisti ao concurso nos Estados Unidos e tanto escrevi sobre a brilhante campanha e os encantos da nossa baianinha loura, poderá se sentir com mais autoridade para condenar qualquer choro ou qualquer indelicadeza com essa moça que agora nos veio visitar.
      Pessoalmente, Miriam tem um arzinho ingênuo de quem ensina catecismo: vai-se ver, e ela ensina mesmo, na igreja da universidade em que estuda. Aliás, a Miss Universo é um exemplo feminino no qual estão reunidos vários atributos que dificilmente se reúnem numa só mulher. Basta dizer que o título que conquistou não a abalou em nada: continua a mesma mocinha simples, sem máscara, que conheci na Califórnia ainda sem coroa. Depois de ficar seis semanas nos estúdios da Universal, conseguiu a suspensão do contrato a que tem direito a fim de terminar o seu curso de Economia Doméstica na Universidade Lander, em Greenwood. E depois, voltara à carreira cinematográfica? Na verdade, sei que ela gostaria mais de casar e ter uma vida normal, com o marido e alguns filhos.

      Ela foi trazida para o Rio por Fábio Ramos, um dos organizadores do concurso anterior, no Brasil. Finalidades da viagem: assistir ao carnaval e, naturalmente, dar início ao certame de 1955. Com ela, veio também a Sra. Jean Salomon, que é assim, como uma guardiã da virtude e, nessa qualidade, não a abandona um só instante. A Sra. Salomon foi a acompanhante de Martha Rocha em Long Beach, no ano passado.


      As perguntas mais frequentes a Miriam, segundo observei, foram o que achava do Brasil e se havia gostado de carnaval. Naturalmente, as respostas não deixaram de ser aquelas de sempre: “lindo” e “formidável”.  Mas, na verdade, nos poucos dias que passou entre nós, ela não teve nenhuma chance de conhecer as cidades em que esteve nem de saber o que era mesmo carnaval. Basta dizer que nem sequer pode fazer algumas compras e, do carnaval, só deve ter levado a impressão de confusão e barulho.
       Consegui arrancá-la, uma certa tarde, do hotel e dos compromissos e levei-a a Copacabana, Leblon e a uma volta de barco pela Guanabara: e assim foram feitas as fotos que os leitores vêem nesta reportagem. Há muita gente que gostaria de saber, também, o que ela pensa de Martha e vice-versa. Aparentemente, para efeito de fotografia, as duas se dão muito bem. Mas creio que a pergunta, a qualquer das duas, seria uma ingenuidade. Isso, embora Miriam me tenha dito, quando lhe perguntei o que era a felicidade, na sua concepção: “– Acho que ser feliz é procurar viver dentro dos princípios que Cristo nos ensinou...”
      A rainha da beleza universal é uma jovem simpática e despretensiosa. Miriam usa pouca maquliagem. Simples pó facial, que não dá para esconder as sardas. Quanto ao batom, porém, ela cararega um pouco mais. Seus lábios são bem finos. A cabeleireira loura é natural e não requer muitos cuidados. Ela mesmo se penteia.  No Hotel Glória, onde ficou hospedada, ela ocupou o mesmo quarto da turbulenta Ava Gardner. Mas Miriam é o oposto de Ava. É moça pacata, que não quebra nada e não bebe. Com uma pequena câmara, levou algumas paisagens de lembrança para o seu país. Esportiva, adora o mar. O seu esporte predileto é a natação. Não faz dieta nem ginástica especial. No Rio, deu muitos autógrafos. E a todos encantou com a sua simpatia e delicadeza. Gosta também de dançar, ela é, na verdade, uma típica moça norte-americana. Os seus vestidos são simples, mas elegantes. “Gosto de me vestir sem exagero”, disse ela. E se vê que é mesmo.  De maiô, pode-se verificar que a sua plástica é realmente harmoniosa. Medidas perfeitas. Corpo de proporções ideais.

DUAS BELEZAS SE ENCONTRAM – Sob as luz dos refletores encontraram-se, no baile realizado no Hotel Glória, Martha Rocha e Miriam Stevenson, duas grandes rivais em beleza. A brasileira e a norte-americana confraternizaram para os fotógrafos e cinegrafistas. Mas que pensaram, realmente, uma da outra? Dois tipos de beleza inteiramente diferentes, tornando quase impossível uma comparação. Um mar revolto e um plácido lago. Não acham?
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                  O tom sépia da revista O Cruzeiro transmite nostalgia, um sentimento que se acentua anda mais nesta noite fria de sábado,  quando chove lá fora. Mergulho no túnel do tempo e me deleito com os termos usados pelo jornalista,  enquanto lá fora a chuva cai, copiosamente cai.
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Martha tem a flamante beleza selvagem de uma onça pintada, enquanto Miriam tem a plácida beleza cândida de um cordeirinho de presépio. Pode-se gostar mais de uma ou de outra, assim como há quem prefira o vinho tinto ao vinho branco. Mas quem pode afirmar que um é melhor do que o outro, a não ser na base do seu paladar pessoal?
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A brasileira e a norte-americana confraternizaram para os fotógrafos e cinegrafistas. Mas que pensaram, realmente, uma da outra? Dois tipos de beleza inteiramente diferentes, tornando quase impossível uma comparação. Um mar revolto e um plácido lago. Não acham?
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...Isso, embora Miriam me tenha dito, quando lhe perguntei o que era a felicidade, na sua concepção: “– Acho que ser feliz é procurar viver dentro dos princípios que Cristo nos ensinou...”
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - CAFÉ DA MANHÃ COM MARTHA ROCHA

Daslan Melo Lima

        - “Eu quero um quilo de Martha Rocha”, pedia um dos meus vizinhos no balcão da padaria do Sr. Manoel Lins d’Emery, o Seu Neco Emery. Eu ficava com água na boca vendo Seu Neco colocar na balança aquelas bolachas bonitas, redondas, grandes e apetitosas. 

         Naquelas manhãs da minha infância, Mamãe pedia para eu ir comprar apenas três pães do tipo “francês”, chamados popularmente de “pães aguados”, e dois do tipo “doce”. Esse era o nosso costumeiro café da manhã. E eu ficava imaginando que sabor teria aquelas bolachas bonitas, redondas, grandes e apetitosas. Como eu sonhava tomar um café da manhã com "Martha Rocha" !


            
          Depois que conheci a famosa baiana Marta Rocha através das páginas da revista O CRUZEIRO, entendi o porquê do visual daquelas bolachas que se destacavam dos outros produtos da padaria do Seu Neco. Era uma homenagem à Miss Brasil que perdeu o título de Miss Universo 1954 por causa das lendárias duas polegadas a mais nos quadris.

          Estive recentemente em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci, e passei na rua da minha infância. Na esquina onde ficava a padaria,  agradeci a DEUS por ter dinheiro no bolso para comprar quilos e quilos de “Martha Rocha”. Mas como o Seu Neco Emery há muito tempo morreu e o estabelecimento comercial está desativado, o homem que sou consolou o menino carente que um dia fui e prosseguiu seu roteiro sentimental até a Igreja Matriz, tentando em vão decifrar os mistérios da vida e da morte.
                             
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