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domingo, 6 de outubro de 2019

SESSÃO NOSTALGIA - Tania Verstak, a mais internacional das misses


Daslan Melo Lima

Tania Verstak, Miss Austrália 1961, eleita  Miss Beleza Internacional 1962, filha de russos nascida na China e criada na Austrália, a mais internacional das misses.
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      Notícia postada recentemente no  New York Daily News, causou muita repercussão. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, revelou a Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, que uma ucraniana já havia sido eleita Miss Universo. Ele se referiu a Justine Pasek, Miss Panamá 2003, Vice-Miss Universo 2003, filha de pais panamenhos descendentes de poloneses, nascida na Ucrânia. Justine PaseK assumiu a coroa quando a titular Oxana  Fedorova, Miss Rússia, foi destituída do título. Eis a notícia:  

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Trump não estava completamente errado ao dizer que a Ucrânia produziu uma Miss Universo, mas é improvável que ele tenha uma pista

Por BRIAN NIEMIETZ
NOTÍCIAS DIÁRIAS DE NOVA YORK |
27 DE SETEMBRO DE 2019 | 17:36

Miss Universo Justine Pasek posa para uma foto na Cidade do Panamá em 2003. (ARNULFO FRANCO / ASSOCIATED PRESS)

Não foi o maior escândalo na Ucrânia por Donald Trump nesta semana, mas o presidente pode não estar tecnicamente errado quando disse ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky que o concurso Miss Universo que sua empresa possuía de 1996 a 2015 uma vez coroou uma vencedora "da" Ucrânia.

Em uma entrevista coletiva na quarta-feira com Zelensky, Trump se gabou de "Tivemos uma vencedora da Ucrânia e realmente conhecemos o país de várias maneiras".

Embora tenha sido rapidamente apontado pelos meios de comunicação em todos os lugares que uma Miss Ucrânia nunca venceu um Miss Universo, a vice-campeã de 2002 Justine Pasek , também conhecida como Miss Panamá, nasceu na Ucrânia antes de se mudar para a América Central quando criança.

Pasek, de descendência panamiana e polonesa, recebeu a coroa em 2003, depois que a vencedora Oxana Federova, da Rússia, foi destronada após 119 dias do seu reinado por desentendimentos contratuais. Trump presenteou Pasek com o título em um evento de imprensa em Nova York quatro meses depois que ela terminou em segundo com Federova no concurso em Porto Rico. A língua nativa de Pasek é o espanhol, embora ela também seja fluente em inglês, de acordo com o Sydney Morning Herald .

Robert Macedo, que publica o site brasileiro de concursos Miss News , notou pela primeira vez o tecnicismo, que argumenta que o presidente não estava tecnicamente errado. Se Pasek foi uma “vencedora” e até que ponto ela é “da ​​Ucrânia” é discutível. Também não está claro por que Trump teria “conhecido bem o país de várias maneiras” com essa experiência.

Macedo conta ao Daily News que o pai de Pasek trabalhava como engenheiro hidráulico de esteiras e estava estacionado na Ucrânia quando a futura Miss Panamá nasceu. Sua estadia foi breve.

O presidente Trump se tornou o foco de uma investigação de impeachment no Congresso nesta semana, depois que um denunciante o acusou de pressionar o governo ucraniano a ajudar a desenterrar o candidato democrata Joe Biden. O ex-vice-presidente Biden é o principal candidato a desafiar Trump nas eleições presidenciais de 2020.
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Seria Justine Pasek a mais internacional das misses? 
Não!   
A mais internacional  das misses até o momento, continua sendo Tânia Verstak, a quem dediquei a Sessão Nostalgia de 10/06/2009, abaixo reeditada.
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quarta-feira, 10 de junho de 2009


SESSÃO NOSTALGIA - Tania Verstak, a mais internacional das misses

Daslan Melo Lima


Tania Verstak, Miss Austrália 1961
 Miss  Beleza Internacional 1962 
Foto: www.portrait.gov.au


Uma morena linda chamada Tania Verstak, de olhos grandes cor de avelã, Miss Austrália 1961, foi eleita Miss Beleza Internacional 1962, em Long Beach, Estados Unidos. No entanto, Tania não era australiana de nascimento. A jovem de 22 anos era filha de russos, nascida em Shangai (Xangai), China, cujos pais tinham ido morar na Austrália quando ela ainda era criança. Tania falava inglês e russo, trabalhava como secretária e fazia planos de um dia cuidar de refugiados oriundos do regime comunista.

          Foi descoberta para o concurso Miss Austrália quando fazia biscates vendendo um tipo de azeite espanhol nas imediações do Royal Show Sydney, a fim de ajudar no orçamento doméstico.
Tania levou a senhora que a descobriu até sua casa para escutar a opinião da mãe. Esta incentivou-a por entender que um concurso de beleza seria uma ótima experiência para a filha superar a timidez. O certame tinha uma proposta beneficente, com renda destinada a crianças portadoras de deficiências físicas, e isso foi fator decisivo para Tania se entusiasmar a disputar o Miss Austrália.
      Quando embarcou para Long Beach chegou a ouvir frases do tipo
"...não esperamos que você ganhe, mas faça o seu melhor",  conforme confessou em 2003 durante uma entrevista a George Negus.


Tania Verstak 
Foto: www.elanecdotario.com

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Três títulos em Long Beach

          Tania Verstak acumulou três títulos em Long Beach: Miss Fotogenia, Melhor Vestido de Baile (uma criação de Zara Holt) e Miss Beleza Internacional.  Foi companheira de quarto de Julieta Strauss, Miss São Paulo, Vice-Miss Brasil 1962.
Numa época em que as misses competiam naquele importante concurso usando saiotes no lugar de maiôs, Tania Verstak teve uma atitude ousada: ...causou escândalo ao mostrar fotos suas, em trajes sumários, a outras candidatas. O assunto chegou aos jornais, mas não impediu a conquista do título, conforme escreveu Ubiratan de Lemos, na revista O Cruzeiro, de 1°/09/1962.


Tania Verstak fotografada por Indalécio Wanderley para a revista O Cruzeiro, de 1º/09/1962.
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       Ela não quis tentar carreira artística nos Estados Unidos. Preferiu voltar para a Austrália e utilizar o dinheiro que ganhou para ajudar o pai e para cursar uma universidade. Paralelo a isso, encontrava grande satisfação em percorrer o país e sentir que, embora fosse uma imigrante, uma nova australiana, tinha se tornado um dos maiores orgulhos da Austrália.
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Uma rosa para Tania

O seu nome foi dado a uma planta híbrida. As folhas são utilizadas para fazer chá e as lindas flores - a Rosa Tania Verstak - na decoração. (Foto: www.vierlaender-rosenhof.de)


Tania Verstak em julho de 1963. 
 Revista Manchete, 03/08/1963.
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Nina Young, a filha atriz de Tania

          Muitos anos depois de ter conquistado um dos mais importantes títulos de beleza do mundo, o nome de Tania Verstak voltou com força à mídia quando sua filha Nina Young, fruto do seu casamento com o empresário Peter Young, abraçou a carreira cinematográfica.  Os dados biográficos de Nina Young revelam o passado histórico da sua mãe, a primeira Miss Austrália a conquistar um título de beleza internacional.
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A atriz de cinema Nina Young, filha de Tania Verstak, em foto extraída do www.imdb.de.

          Nina Young, nascida em 1966, já atuou em vários filmes de destaque, como: 007, O Amanhã Nunca Morre (Tomorrow Never Dies), 1997; De Caso com o Acaso (Sliding Doors), 1998; Harry Porter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Sorcerer's Stone), 2001; O Sabor da Magia (The Mistress of Spices), 2005, onde teve como companheira de elenco a indiana Aishwarya Raí, Miss Mundo 1994.
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Tania Verstak em foto de 2003, extraída do www.abc.net.au.


       Tania Verstak, pelas circunstâncias da sua vida, pode ser considerada a mais internacional das Misses. Assim como foi eleita Miss Austrália, poderia ter sido Miss Rússia ou Miss China, caso a realidade sociopolítica da época fosse outra. A linda morena filha dos russos Vladimir e Valentina Verstak, dissidentes do comunismo soviético, que poderia ter nascido na Rússia, mas veio ao mundo na China e encontrou a glória na Austrália, é uma Miss que honra a galeria da nossa Sessão Nostalgia.

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Vídeo sobre a trajetória da mais internacional das misses
https://www.youtube.com/watch?v=v8n3mKAzsYA
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sábado, 26 de julho de 2008

SESSÃO NOSTALGIA- JULIETA STRAUSS, MISS BRASIL-BELEZA INTERNACIONAL 1962

 Daslan Melo Lima

      Julieta Strauss, uma loura linda de olhos azuis, formada em Secretariado, inteligente, culta, poliglota e cheia de personalidade, só tinha um sonho em 1962 : ser um dia capa de revista. Carioca de nascimento, nascida no Posto 2-Rio, paulista de coração, descendente de húngaros, Julieta Strauss tinha 1,67 de altura, 56 quilos, 93 cm de busto e quadris, 61 cm de cintura , 56 de coxa e 21 de tornozelo. Vestia-se com as peças elegantes e cheias de glamour de Madame Boriska e foi eleita Miss São Paulo representando o Círculo Israelita.


      Com um rosto que lembrava o da atriz Romy Schneider,a Sissi do cinema (foto em tom sépia de Ronaldo Moraes, O CRUZEIRO, 16/08/1962), Julieta Strauss pisou na passarela do Maracanãzinho naquele sábado frio de 16 de junho , véspera da final da Copa do Mundo,como uma das favoritas ao título de Miss Brasil 1962. Trinta mil pessoas viram Miss São Paulo - a mais animada de todas as concorrentes, escolhida Miss Fotogenia pelos fotógrafos - ficar com o segundo lugar, perdendo apenas para a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti. Naquela época, as segundas e terceiras colocadas recebiam a denominação de Miss Brasil nº 2 e representava o Brasil no Miss Beleza Internacional,enquanto a terceira colocada era chamada de Miss Brasil nº 3 e representava o Brasil no Miss Mundo,em Londres.

      Julieta Strauss estudou dois anos na Suíça e se comunicava em inglês tão bem com em português. Adorava colecionar peixinhos em aquários e tinha três paixões : teatro,literatura e ballet, que dançava muito bem. Adorava sorvete de chocolate, sua cor preferida era o preto e seus bichos de estimação eram um cachorro Skindô e o periquito Pancho. Quando o assunto era amor e casamento, ela dizia que amor era o do pai,da mãe e da irmã Irene, e alegava que casar era fácil, casar bem e por amor era difícil.


Uma coisa Julieta não queria: ser chamada de falsa baiana. Quando ela obteve o segundo lugar no concurso de Miss Brasil, contraindo a obrigação de representar nosso país no certame de beleza de Long Beach, ficou preocupada com a fantasia que levaria aos Estados Unidos.
Tenho a impressão - dizia – de que a baiana estilizada, superluxuosa e superenfeitada, já não atrai a atenção do público. Assim falou Julieta e, sem dúvida, com muita razão. Cismada, foi conversar com Márcio Paulete, organizador do concurso em São Paulo. Após horas de confabulações, surgiu a luminosa idéia: como ela era a miss paulista, nada mais lógico do que desfilar na passarela de Long Beach com um original traje de colhedora de café.
Da idéia à execução, foi um pulo. O costureiro Amalfi inspirou-se em gravuras de Debret e criou uma belíssima fantasia, com noventa metros de renda, oito metros de tecido branco e oito metros de surah em tonalidades café e amarela. A linda Julieta Strauss, por seu turno, bolou o toque final da roupa: usará colares e brincos feitos de grão de café.Novidade.
(Regina Helena, MANCHETE, 04/08/1962).


      Julieta Strauss chegou aos Estados Unidos como uma das favoritas ao título de Miss Beleza Internacional. Voluntariamente, atuou como intérprete das concorrentes e por isso ganhou o título de Miss Dinamismo. Dulce Damasceno de Brito, a famosa correspondente dos Diários Associados em Hollyood, que acompanhou todos os certames de beleza de Long Beach, de 1954 a 1962, conta no livro Hollywood Nua e Crua (Edições O Cruzeiro-1968, reeditado anos depois pela Edições Símbolo) que os americanos ficaram encantados com o seu inglês. Sempre alegre e simpática, ela adorou a comida doce da Califórnia, muito embora tenha passado pelo constrangimento de se engasgar com um talo de alface.

      Ninguém entendeu a sua não inclusão entre as 15 semifinalistas, inclusive Vincent Trotta, um dos membros do júri. Deão dos juizes internacionais dos concursos de beleza, ele tinha feito parte da comissão julgadora do Miss Brasil e achou Julieta Strauss com o perfil ideal para Long Beach, tanto que tinha dado a ela o segundo lugar. Para ele, os juizes latino-americanos e orientais prejudicaram Miss Brasil : Jorge Sueldo Pineyro, da Argentina: Alberto Varga,do Peru; Dirma Pardo de Carugatti, do Paraguai; Chang Key-Young,da Coréia, e a atriz japonesa Miiko Taka, que trabalhou no filme Sayonara ao lado de Marlon Brando. O título de Miss Beleza Internacional ficou com Tânia Verstak, Miss Austrália,companheira de quarto de Miss Brasil.



Decepcionada com o resultado, Julieta Strauss chegou a fugir dos repórteres brasileiros, evitou dar entrevistas e precisou de muita conversa da mãe para esquecer a ideia de não voltar ao Brasil.

      Julieta Strauss tinha um sonho naquele distante 1962 : ser um dia capa de revista. E a realidade superou seu sonho. Foi capa não apenas de uma revista, porém das mais importantes revistas brasileiras da época: MANCHETE e O CRUZEIRO. Em MANCHETE, pronta para viajar a Long Beach, posou ao lado do seu cachorrinho Skindô, em foto de Sérgio Jorge. Na revista O CRUZEIRO, de 18/08/1962, foi capa vestindo um saiote e fazendo pose de bailarina, em foto de Ronaldo Moraes. E a mesma O CRUZEIRO, de 1º/09/1962, em foto de Indalécio Wanderley, mostrou na capa Julieta Strauss e Tânia Verstak em trajes típicos.

      No ano seguinte, em São Paulo, ao dirigir seu próprio carro, foi vítima de um acidente ao bater em uma árvore. Sua beleza não foi atingida, conforme o noticiário. Há uns três anos, soube que ela tinha ficado com uma discreta seqüela e por isso claudicava um pouco. Mesmo assim, ao entrar no seu restaurante preferido acompanhada do esposo, chamava a atenção de todos pela classe, elegância e beleza, atributos que fizeram de Julieta Strauss, Miss Brasil beleza Internacional 1962, capa das mais importantes revistas brasileiras e ícone eterno dos anos 60, um mágico tempo que se foi, para sempre se foi.

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