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sábado, 18 de outubro de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964

Daslan Melo Lima          

      Recebi ontem do meu amigo Roberto Macêdo, jornalista baiano, o link do site http://blogs.diariodepernambuco.com.br/, cuja matéria em destaque focaliza a visita da grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, ao Recife, http://blogs.diariodepernambuco.com.br/diretodaredacao/2014/10/17/a-foto-do-dia-a-miss-em-boa-viagem .


Uma rainha da beleza deu o ar da graça em Pernambuco e depois na capa do Diario. Foi no dia 14 de novembro de 1964, quando um Elektra da Varig, que trazia a bordo a Miss Universo Kiriaki Tsopei, aterrissou no Aeroporto dos Guararapes. Do turbohélice desceu a grega de 20 anos de idade, considerada a mulher mais bela do mundo naquele ano, com vestido tubinho de cor clara, coroa e faixa. Ela desfilou em carro aberto (um Cadillac cedido por um empresário) até a Praia de Boa Viagem. Com 1,70 m de altura, 91 cm de busto e 53 cm de cintura, Kiriaki trocou de roupa em um apartamento emprestado e desceu para a areia em maiô de peça única. A foto dela rindo, tocando com as mãos a quase espuma das ondas, ganhou a capa do Diario de domingo, dia 15.
      


Depois de nova troca de roupa – agora um traje esporte – Kiriaki rumou para o Pina, onde posou novamente para a imprensa. Às 18h, seguiu para a Malharia Imperatriz, onde “teve oportunidade de adquirir novidades para seu guarda-roupa”. Às 19h, A Miss Universo rumou para o Hotel  4 de Outubro, no bairro de São José, onde se hospedou em “apartamento de luxo”. Descansou até as 22h, quando saiu para participar de um programa de TV e à meia-noite foi levada para o Náutico, onde recebeu homenagens dos colunáveis locais e da comunidade grega.
No dia seguinte, Kiriaki embarcou para Natal e depois para o Rio de Janeiro. Deixou seus súditos pernambucanos divididos. Segundo o texto do Diario, muitos esperavam “coisa melhor”, outros a acharam mais bonita e talentosa. Quem realmente não gostou nada da Miss Universo foi o dono de uma jangada usada para poses da beldade em Boa Viagem. Ele reclamou que todos queriam “sambar” na sua embarcação recém-consertada. Outra curiosidade é que a grega foi recebida no aeroporto por Iolanda Pereira, a primeira brasileira a ser eleita Miss Universo, em 1930, que morava no Recife em 1964 como esposa do brigadeiro Homero Souto, comandante da 2ª Zona Aérea.

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A fim de facilitar as tarefas dos missólogos e pesquisadores que buscam no Google informações sobre Kiriaki Tsopei (que sempre preferiu ser chamada de Corinna Tsopei), disponibilizo abaixo os textos de  três SESSÃO NOSTALGIA a ela dedicadas. 
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SESSÃO NOSTALGIA, 24/01/2009

Kallos Irsate ! Kiriaki, um domingo no Brasil

Daslan Melo Lima

      A grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, sucessora da brasileiraIeda Maria Vargas no trono de mulher mais bela do mundo, esteve no Brasil poucas semanas após ter sido coroada Miss Universo.
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Kiriaki, que em bom brasileiro quer dizer domingo, chegou a São Paulo numa sexta-feira, e deu início ao programa de pouco descanso desta sua visita ao Brasil, primeira que faz como Miss Universo1964 a um país fora dos Estados Unidos.
A sua frase, por assim dizer, de prefácio às declarações que viriam a seguir, foi a de que “os brasileiros são um povo muito gentil”.
Ela sabia disso desde os seus contatos com os conterrâneos de Miss U-63 ainda no país que lhe dera a faixa, a coroa e o título de “a mulher mais bela do mundo”. E, já no Aeroporto de Congonhas, Kiriaki Tsopei encontrou a prova dessa gentileza, com gente muita à sua espera e aplauso muito pela sua chegada.

Miss Universo 1964 veio ao Brasil especialmente para desfilar (Kiriaki é modelo profissional) na VII Feira Nacional da Indústria Têxtil, o que fez com Ieda Maria Vargas, Ângela Vasconcelos e as Misses Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. O programa, mais do que exaustivo, começou com uma visita ao Governador Adhemar de Barros que interrompeu um almoço com o cônsul da Alemanha.(Kiriaki chegou com três horas de atraso) para receber a bela visitante.

Depois, sempre na companhia de Ieda e Ângela, enfrentou coquetel e entrevista coletiva, com resposta às perguntas tradicionais de “que acha do Brasil?”, “já tem noivo?” etc. Disse que, antes do concurso, só sabia do Brasil coisas como Pelé, Corcovado e café. O resto do conhecimento viera dos contatos com as misses que tinha o país presente em Miami.

      Além dos desfiles da FENIT, que foram cinco, Kiriaki teve que cumprir inúmeros compromissos, entre os quais posar para fotos de publicidade e comparecer a coquetéis promocionais. No sábado à tarde, entre um coquetel e um desfile, ela dormiu durante quinze minutos num divã da administração da Feira. Como não tivera tempo para o cabeleireiro, providenciaram-se retoques rápidos em seu penteado, com os grandes olhos da moça refletindo-se, cansados, no espelho de um banheiro. Minutos a seguir, Kiriaki sorria, como rainha, para os convidados de um coquetel.
      Parte do programa de domingo (Kiriaki em grego) teve de ser sacrificada, pois ela não perde missa nesse dia, se no lugar onde estiver houver uma igreja ortodoxa. Em São Paulo havia. E Kiriaki foi ao Brás, com atraso suficiente para fazê-la chegar à igreja depois de terminada a missa.

O Padre Papadakis, entretanto, a recebeu com uma benção especial, em meio ao alvoroço dos fiéis, que gritavam “Kallos irsate!” (Seja bem-vinda!), enquanto o sacerdote dizia que abençoava não o seu corpo, mas a eternidade de seu espírito.
      Na entrevista coletiva, Kiriaki disse que não gosta de se chamar Kiriaki. “Gostaria mesmo era de me chamar Korina”, explicou, embora sem acrescentar o motivo.A um repórter que perguntou se ela pretendia “restaurar” o domínio da beleza clássica grega durante o seu reinado como Miss Universo, limitou-se a uma palavra: “Certamente”.
      Estetas presentes, entretanto, consideraram que nenhuma mulher que tivesse as linhas clássicas ganharia o concurso que deu o título a Kiriaki Tsopei.
_______Reportagem de George Torok e Ronaldo Moraes - Revista O CRUZEIRO, 12/09/1964)

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SESSÃO NOSTALGIA, 12/03/2011

Pelé e Kiriaki Tsopei, um encontro de majestades


Daslan Melo Lima


          Durante muitos anos, um evento paulista atraiu a atenção de todo o Brasil, a Fenit, Feira Nacional da Indústria Têxtil.
FENIT – Recorde de visitantes na maravilhosa feira da moda e do tecido. Extraordinário sucesso está obtendo, em São Paulo, a VII Fenit – Feira Nacional da Indústria Têxtil, reunindo numa maravilhosa exposição o que há de melhor, em todo o Brasil, na indústria de tecidos. Promovida pelo dinâmico  Caio de Alcântara Machado, a VII Fenit tem recebido tão grande número de visitantes que, este ano, baterá todos os recordes assinalados anteriormente, passando da casa de um milhão de pessoas. Uma de suas atrações é o fabuloso auditório, para três mil pessoas, onde desfila a seleção há pouco levada pela Companhia Brasileira Rhodiaceta,  MANCHETE e Air France ao Japão. Ali também pode ser apreciada uma piscina na qual se movimentam enormes golfinhos.  (Revista Manchete, 05/09/1964)
 
           Misses famosas,  como as beldades acima, em pose ao lado de Pelé, desfilaram na passarela da Fenit. Da esquerda para direita: Ângela Vasconcelos (Miss Paraná, Miss Brasil 1964), Kiriaki Tsopei (Miss Grécia e Miss Universo 1964, depois atriz de cinema com o nome de Corinna Tsopei) e Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963). *****  (Capa da Manchete, 05/09/1964).
 
 O rei driblou todo o mundo e deu um beijo em Miss Universo. Um beijo selou a amizade do rei da bola com a rainha universal da beleza. (Manchete, 05/09/1964)
São Paulo presenciou, na última semana,  um encontro de majestades, quando o Rei Pelé e Miss Universo se defrontaram numa das dependências da VII Fenit. Pelé vinha do Pacaembu, onde fizera um gol contra o Palmeiras. “Fiz aquele gol em sua homenagem”, disse ele a Kiriaki Tsopei. A belíssima grega respondeu: “Oh, Pelé, você é muito gentil! Já em Atenas, antes de ir a Miami, eu ouvia falar muito em você, e sempre desejei conhecê-lo pessoalmente.” Em retribuição ao gol, ela permitiu que Pelé lhe beijasse a testa, após o que o rei comentou: “Aqui, estou mais nervoso do que no campo, quando varava a defesa do Palmeiras.” E, ao saber que Kiriaki, em grego, significa domingo, o maior jogador do mundo disse: “Então, precisamos mudar o nome daquele filme para “Sempre aos Domingos...” Miss Universo ficou ruborizada. ("O Maior Gol de Pelé", Salomão Schwartzmann, Manchete, 05/09/1964).
 
Pelé confirmou o veredicto de Miami, coroando Kiriaki Tsopei pela segunda vez.  (Manchete, 05/09/1964).

          Todos os anos, na época do SPW-São Paulo Fashion Week, lembro-me das  famosas revistas O Cruzeiro, Fatos & Fotos e Manchete, com suas capas e páginas dedicadas à Fenit, onde as Misses eram as estrelas das passarelas e o mais famoso jogador do mundo fazia questão de beijar respeitosamente a testa de uma ruborizada Miss Universo. 
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SESSÃO NOSTALGIA, 24/02/2012

As canções de Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964, e Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964

Daslan Melo Lima

          Na foto oficial em conjunto das candidatas ao título de Miss Universo 1964, onde todas as concorrentes posaram com maiôs Catalina, o destino fez com que duas mulheres maravilhosas ficassem lado a lado, Ângela Vasconcelos, Miss Brasil, eKiriaki Tsopei, Miss Grécia,numa ensolarada manhã de julho, em Miami Beach, Flórida, Estados Unidos.  

Em Miami, Kiriaki Tsopei e Ângela Vasconcelos tornaram-se boas amigas. Kiriaki perguntou sobre Pelé e pediu a Ângela para cantar algumas músicas daquele filme bonito, Orfeu Negro. A paranaense atendeu e quis troco: “Agora cante algo de Nunca aos Domingos, mas em grego mesmo.” Seu pedido foi satisfeito. (RevistaMANCHETE, 15/08/1964)
 ORFEU NEGRO
           Orfeu Negro, drama ítalo-franco-brasileiro de 1959, dirigido por Marcel Camus (1912-1982), inspirado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicíus de Moraes(1913-1980), ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro de 1960. A adaptação da peça, que por sua vez foi inspirada nas figuras da mitologia grega, Orfeu e Eurídice, ambientou a obra no Brasil, tendo como fundo uma comunidade carente do Rio de Janeiro, no período carnavalesco. No papel de Orfeu, o jogador de futebol brasileiro Breno Mello (1931-2008), e no de Eurídice, a atriz norte-americana Marpessa Dawn (1934-2008). No enredo, Eurídice fugiu do interior com medo de um homem que queria matá-la e  apaixonou-se por Orfeu. 
          Acredito que Ângela Vasconcelos tenha cantado para Kiriaki Tsopei a música A Felicidade, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim (1927-1994), uma das mais belas canções de Orfeu Negro.

Tristeza não tem fim, felicidade sim.
A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor.
 Brilha tranqüila, depois de leve oscila 
e cai como uma lágrima de amor.

A felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval.
A gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho pra fazer a fantasia 
de rei ou de pirata ou jardineira, 
e tudo se acabar na quarta feira.

Tristeza não tem fim, felicidade sim.
A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar. 
oa tão leve, mas tem a vida breve 
precisa que haja vento sem parar.

A minha felicidade está sonhando nos olhos da minha namorada. 
É como esta noite passando, passando, em busca da madrugada.
Falem baixo, por favor, pra que ela acorde alegre como o dia,
 oferecendo beijos de amor.
Tristeza não tem fim, felicidade sim.

NUNCA AOS DOMINGOS

         Nunca aos Domingos, comédia-dramática dirigida por Jules Dassin (1911-2008),  em 1960, protagonizada por sua esposa Melina Mercouri (1920-1994), enfoca a amizade entre Ilya, uma prostituta grega,  e Homer Thrace, um escritor americano, vivido por Jules Dassin, que tenta mudar a maneira dela encarar a vida. Ilya é feliz do seu jeito, pois não há uma fórmula para a felicidade, e nos braços de Tonio, personagem de George Foundas (1924-2010), ela recupera sua alegria de viver. O filme deu a Melina Mercouri a satisfação de ver seu nome indicado ao Oscarde Melhor Atriz e a emoção de ser premiada como Melhor Atriz do Festival de Cannes de 1960. Nunca aos Domingos, canção-tema do filme, letra e música de Manos Hadjidakis (1925-1994) ganhou o Oscar de Melhor Canção de 1961.

          Acredito que Kiriaki Tsopei, que foi eleita Miss Universo e adotou o nome artístico de Corinna Tsopei,  tenha cantado para Ângela Vasconcelos exatamente a linda canção Nunca aos Domingos, abaixo na versão em português, como aparece nas legendas do filme.

Desde minha janela, envio beijos. 
Um e dois e três e quatro.
E ao porto vêm uma e duas e três e quatro aves.

Quero ter um e dois e três e quatro filhos. 
Quando se converterem em homens serão o orgulho de Piraeus.

Embora procure em todo mundo,
não acharei outro porto que tenha a magia de meu porto de Piraeus.
Quando chega o crepúsculo, o porto me encanta.
E os homens jovens e os ecos das canções enchem meu porto de Piraeus.

Não há ninguém que passe à porta  por quem não tenha sentido amor. 
E aqueles que vêm de manhã  encherão meus sonhos de noite. 
E às jóias que adornam meu pescoço acrescento um amuleto de boa sorte. 
E agora estou preparada para receber o estranho que vem do porto.

Embora procure em todo mundo, 
não acharei outro porto que tenha a magia de meu Porto de Piraeus. 
Quando chega o crepúsculo, o porto me encanta. 
E os homens jovens e os ecos das canções enchem meu porto de Piraeus.

EPÍLOGO

         Na noite do domingo de Carnaval, desliguei-me totalmente da folia para recordar  o Miss Universo 1964,  através dos meus álbuns de recortes,  e para assistir mais uma vez Orfeu Negro e Nunca aos Domingos.  Entrei no Túnel doTempo ao lado da Poesia, da Cultura e da Nostalgia,  tomei um banho de inspiração e aqui estou, nesta quarta-feira de cinzas de 2012, concluindo mais uma  Sessão Nostalgia.  
      Concordo que  “A felicidade é como a gota / De orvalho numa pétala de flor / Brilha tranqüila / Depois de leve oscila / E cai como uma lágrima de amor.” E parodiando um trecho de Nunca aos Domingos, embora procure em todo mundo,  não acharei outra inspiração  que tenha a magia do meu acervo sobre  concursos de Misses.
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sábado, 11 de agosto de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - UM PROGRAMA DE ELEIÇÃO DE MISS BRASIL EM MINHAS MÃOS


Daslan Melo Lima

     Em minhas mãos, na tarde deste segundo sábado de agosto de 2012, um pequeno e precioso documento da época de ouro do concurso Miss Brasil, adquirido recentemente durante um leilão pela Internet.  Trata-se do Programa de Eleição de Miss Brasil,  referente ao concurso Miss Brasil 1964, realizado no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, em 04/07/1964, promovido pelo Diários Associados e patrocinado por Helena Rubinstein, “a maior autoridade mundial em assuntos de beleza.” 

     Na capa, as informações sobre o roteiro: apresentação e desfile em traje de baile; apresentação em traje típico, canção das misses; intervalo;despedidas de Miss Brasil-Miss Universo; apresentação e desfile de maiô; julgamento (escolha das finalistas – colocação final) e coroação de Miss Brasil. Também: informação do baile de coroação, dia 5, às 22 horas, no Santapaula Quitandinha Clube, e a letra da "Canção das Misses", composição de Lourival Faissal.

Os Estados brasileiros se apresentam
nesta festa de alegria e esplendor.
Jovens misses seus Estados representam
seus costumes, seus encantos, seu valor.

Em desfile, nossa terra, nossa gente,
pela glória do auriverde em céu de anil,
sempre unidos leste, oeste, norte, e sul,
na beleza das mulheres do Brasil.
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     Em seguida, a página dupla com os nomes das 24 candidatas ao título máximo da beleza brasileira. Embora o documento cite que as candidatas estão por ordem de estados, tal não acontece. Por exemplo, logo no início da lista, depois de Miss Acre e Amazonas vem Miss Pará. Outro detalhe, talvez lapso na   impressão, o nome de Neli, Miss RN, saiu como Heli. As medidas das misses e a cor dos seus cabelos e olhos são citadas e o critério para votação recomenda: "8 pontos para o 1º lugar; 7 pontos para o 2º; 6 pontos para o 3º; e assim sucessivamente." Os quesitos são quatro: "A-Beleza de Rosto; B-Harmonia de Linhas; C-Graça; D-Desembaraço". O ex-proprietário desse programa deve ter ficado confuso para seguir tais recomendações, pois o que se vê são campos vazios e notas que vão de 0 a 2.
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Na capa 2, a relação das novas cores da maquillage “Miss Brasil”: base coverfluid, pó facial silk, rouge compacto, silk fashion pó compacto, sombra stick e o baton em cinco cores “Miss Brasil”.
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      Em minhas mãos, na tarde deste segundo sábado de agosto de 2012, exemplares de revistas com reportagens da eleição da Miss Brasil 1964, dos quais extraí três imagens significativas.

A gaúcha Ieda Maria Vargas, Miss Brasil e Miss Universo 1963.
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O Top 5 do Miss Brasil 1964. Da esquerda para a direita, Neli Cavalcanti Padilha, Miss Rio Grande do Norte, 5º lugar; Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, 2º; Ângela Teresa Pereira Reis Neto Vasconcelos, Miss Paraná, 1º lugar; Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, 3º; e Ana Maria Costa Caldas, Miss Pernambuco, 4º lugar.
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Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964, em foto da propaganda dos produtos de beleza de Helena Rubinstein.
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      Em minhas mãos, na tarde deste segundo sábado de agosto de 2012, relíquias dos mágicos anos 60, que ora  compartilho com todos os saudosistas e missólogos deste imenso país-continente chamado Brasil, berço de dezenas de Misses maravilhosas que continuam rainhas em nossos corações.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - As canções de Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964, e Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964

Daslan Melo Lima


          Na foto oficial em conjunto das candidatas ao título de Miss Universo 1964, onde todas as concorrentes posaram com maiôs Catalina, o destino fez com que duas mulheres maravilhosas ficassem lado a lado, Ângela Vasconcelos, Miss Brasil, e Kiriaki Tsopei, Miss Grécia,numa ensolarada manhã de julho, em Miami Beach, Flórida, Estados Unidos.  

Em Miami, Kiriaki Tsopei e Ângela Vasconcelos tornaram-se boas amigas. Kiriaki perguntou sobre Pelé e pediu a Ângela para cantar algumas músicas daquele filme bonito, Orfeu Negro. A paranaense atendeu e quis troco: “Agora cante algo de Nunca aos Domingos, mas em grego mesmo.” Seu pedido foi satisfeito. (Revista Manchete, 15/08/1964)

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 ORFEU NEGRO
           Orfeu Negro, drama ítalo-franco-brasileiro de 1959, dirigido por Marcel Camus (1912-1982), inspirado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicíus de Moraes (1913-1980), ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro de 1960. A adaptação da peça, que por sua vez foi inspirada nas figuras da mitologia grega, Orfeu e Eurídice, ambientou a obra no Brasil, tendo como fundo uma comunidade carente do Rio de Janeiro, no período carnavalesco. No papel de Orfeu, o jogador de futebol brasileiro Breno Mello (1931-2008), e no de Eurídice, a atriz norte-americana Marpessa Dawn (1934-2008). No enredo, Eurídice fugiu do interior com medo de um homem que queria matá-la e  apaixonou-se por Orfeu. 


          Acredito que Ângela Vasconcelos tenha cantado para Kiriaki Tsopei a música A Felicidade, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim (1927-1994), uma das mais belas canções de Orfeu Negro.


Tristeza não tem fim, / Felicidade sim.
A felicidade é como a gota / de orvalho numa pétala de flor. / Brilha tranqüila, / depois de leve oscila / e cai como uma lágrima de amor.
A felicidade do pobre parece / a grande ilusão do carnaval. / A gente trabalha o ano inteiro / por um momento de sonho / pra fazer a fantasia / de rei ou de pirata ou jardineira, / e tudo se acabar na quarta feira.
Tristeza não tem fim, / Felicidade sim.
A felicidade é como a pluma / que o vento vai levando pelo ar. / Voa tão leve, / mas tem a vida breve / precisa que haja vento sem parar.
A minha felicidade está sonhando / nos olhos da minha namorada. / É como esta noite / passando, passando,/ em busca da madrugada. / Falem baixo, por favor , / pra que ela acorde alegre como o dia, / oferecendo beijos de amor.
Tristeza não tem fim, / Felicidade sim.

NUNCA AOS DOMINGOS

         Nunca aos Domingos, comédia-dramática dirigida por Jules Dassin (1911-2008),  em 1960, protagonizada por sua esposa Melina Mercouri (1920-1994), enfoca a amizade entre Ilya, uma prostituta grega,  e Homer Thrace, um escritor americano, vivido por Jules Dassin, que tenta mudar a maneira dela encarar a vida. Ilya é feliz do seu jeito, pois não há uma fórmula para a felicidade, e nos braços de Tonio, personagem de George Foundas (1924-2010), ela recupera sua alegria de viver. O filme deu a Melina Mercouri a satisfação de ver seu nome indicado ao Oscar de Melhor Atriz e a emoção de ser premiada como Melhor Atriz do Festival de Cannes de 1960. Nunca aos Domingos, canção-tema do filme, letra e música de Manos Hadjidakis (1925-1994) ganhou o Oscar de Melhor Canção de 1961.

          Acredito que Kiriaki Tsopei, que foi eleita Miss Universo e adotou o nome artístico de Corinna Tsopei,  tenha cantado para Ângela Vasconcelos exatamente a linda canção Nunca aos Domingos, abaixo na versão em português, como aparece nas legendas do filme.


Desde minha janela, envio beijos. / Um e dois e três e quatro. / E ao porto vêm uma e duas e três e quatro aves.

Quero ter um e dois e três e quatro filhos. / Quando se converterem em homens serão o orgulho de Piraeus. / Embora procure em todo mundo, / não acharei outro porto que tenha a magia de meu porto de Piraeus. / Quando chega o crepúsculo, o porto me encanta. / E os homens jovens e os ecos das canções enchem meu porto de Piraeus.

Não há ninguém que passe à porta  por quem não tenha sentido amor. / E aqueles que vêm de manhã  encherão meus sonhos de noite. / E às jóias que adornam meu pescoço acrescento um amuleto de boa sorte. / E agora estou preparada para receber o estranho que vem do porto.

Embora procure em todo mundo, / não acharei outro porto que tenha a magia de meu Porto de Piraeus. / Quando chega o crepúsculo, o porto me encanta. / E os homens jovens e os ecos das canções enchem meu porto de Piraeus.

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         Na noite do domingo de Carnaval, desliguei-me totalmente da folia para recordar  o Miss Universo 1964,  através das revistas e dos  álbuns de recortes do meu acervo,  e para assistir mais uma vez Orfeu Negro e Nunca aos Domingos.  Entrei no Túnel do Tempo ao lado da Poesia, da Cultura e da Nostalgia,  tomei um banho de inspiração e aqui estou, nesta quarta-feira de cinzas de 2012, concluindo mais uma  Sessão Nostalgia.  
       Concordo que  A felicidade é como a gota / De orvalho numa pétala de flor / Brilha tranqüila / Depois de leve oscila / E cai como uma lágrima de amor.”   E parodiando um trecho de Nunca aos Domingos (Embora procure em todo mundo, / não acharei outro porto que tenha a magia de meu Porto de Piraeus), 
confesso : embora procure em todo mundo, não acharei outra inspiração  que tenha a magia dos antigos concursos de Misses.

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Ieda Maria Vargas, a primeira vez que a Miss Universo 1963 chorou em público

Por Daslan Melo Lima


          Maracanãzinho, Rio de Janeiro, noite de 04 de julho de 1964. Milhares de pessoas estavam ansiosas. Nos bastidores, vinte e quatro jovens estavam mais ansiosas ainda. Era a noite da eleição da Miss Brasil 1964.


Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963. (Foto: Revista Fatos & Fotos, 11/07/1964)


          Nos bastidores, uma moça também estava muito ansiosa. Seu nome: Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963, que naquela noite estaria passando o título de Miss Brasil para sua sucessora.


Desfile de abertura do concurso Miss Brasil 1964. (Foto: MANCHETE, 18/07/1964)


          O espetáculo teve início ao som da marcha “Cidade Maravilhosa”, executada pela Banda da Polícia Militar e acompanhada em coro por um público estimado em 50.000 pessoas. Na comissão julgadora, atentos a todos os detalhes, estavam: Pomona Politis, Justino Martins, Tônia Carrero, Accioly Neto, Mitsi de Almeida Magalhães, Oscar Santamaría, Edite Guimarães, Leão Veloso, Eda de Luds, Hélio Beltrão e Edilson Varela.

          Após o desfile de gala, e antes do desfile de maiô, aconteceu a apresentação dos trajes típicos.
O desfile de trajes típicos começou sob intensa euforia da multidão. É que, minutos antes, a Banda da Polícia Militar, localizada atrás da mesa dos jurados, havia executado o Bigorrilho. A melodia tomou conta do público, que pôs-se a cantar em coro, com indisfarçável saudades do carnaval. (Revista MANCHETE, 18/07/1964)


          Bigorrilho, samba-coco da autoria de Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil, gravado por Jorge Veiga, foi o maior sucesso do carnaval brasileiro de 1964.


Lá em casa tinha um bigorrilho

Bigorrilho fazia mingau
Bigorrilho foi quem me ensinou
A tirar o cavaco do pau
Trepa Antônio
O siri tá no pau
Eu também sei tirar
O cavaco do pau

Dona Dadá, Dona Didi
Seu marido entrou aí
Ele tem que sair
Ele tem que sair



Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, de "Vaqueiro Nordestino", traje típico estilizado tendo como ponto de atração as calças de couro sobre um fundo de malha azul.(Foto: MANCHETE, 18/07/1964)


          Evandro de Castro Lima foi o responsável para indicar o melhor traje típico, prêmio que coube a Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe. Detalhe: Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, usou um traje de baiana estilizada, criação do próprio Evandro.


As nove finalistas do concurso Miss Brasil 1964, em foto de MANCHETE, de 18/07/1964). Da esquerda para a direita:
Ana Maria Carvalhedo, Miss Ceará, 9º lugar;
Rosa Maria Gallas, Miss Rio Grande do Sul, 7º lugar;
Neli Cavalcanti Padilha, Miss Rio Grande do Norte, 5º lugar;
Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, 2º lugar;
Ângela Teresa Pereira Reis Neto Vasconcelos, Miss Paraná, 1º lugar;
Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, 3º lugar;
Ana Maria Costa Caldas, Miss Pernambuco, 4º lugar;
Cecília Rangel Martins da Rocha, Miss Estado do Rio, 6º lugar;
Marília de Dirceu da Silva, Miss Minas Gerais, 8º lugar.

          O imenso público ficou satisfeito com o resultado, mas lamentou a não inclusão de Miss Pernambuco no Top 3.


Faltavam seis minutos para as duas horas de domingo quando a mesa dos jurados foi desmontada e, em seguida, transformada em pedestal para as misses. O trono, de veludo vermelho, recebeu como adornos laterais duas enormes cestas de rosas brancas. 

Ieda Maria, ostentando sua belíssima coroa de Miss Universo e com um vestido comprido bordado em brilhantes, surgiu sozinha, no palco. Sentou-se, pela última vez, no trono da beleza. As finalistas começaram a ladeá-la (...). Às duas horas e cinco minutos, Ieda Maria Vargas transferiu para Ângela Teresa Vasconcelos o manto de veludo vermelho com gola de arminho, o cetro e a coroa de Miss Brasil. (MANCHETE, 18/07/1964)



A despedida de Ieda Maria Vargas. (Foto: Revista Fatos & Fotos, 11/07/1964)

Nunca o Maracanãzinho viveu um instante como aquele. Ieda Maria Vargas era a primeira Miss Universo que coroava uma Miss Brasil. No momento em que ela passava para a representante do Paraná a faixa e a coroa, que antes do triunfo em Miami lhe haviam pertencido, e deu seu adeus ao público, avassaladora emoção se apoderou de todos.

Moças e senhoras não resistiram ao impacto dessa despedida, tão simples e, ao mesmo tempo, tão comovedora. Lágrimas lhes vieram aos olhos. Era como se uma rainha, jovem e bela, abdicasse imprevistamente, deixando o trono para viver no exílio a vida sem brilho das pessoas comuns. Todo um mundo de sonhos e de ilusões parecia terminar. Até então, a linda gauchinha recebera as reverências e homenagens devidas a uma soberana da beleza no esplendor de sua glória. Em breve, ela seria apenas uma ex-Miss Brasil. Os aplausos às novas belezas já significavam o seu próprio ocaso. Era o início do fim de um breve e maravilhoso reinado.

Ela própria não escapou à intensa emoção daquele momento. Estava abalada embora infinitamente reconhecida aos aplausos e manifestações de carinho da platéia.
(MANCHETE, 18/07/1964)


Ângela Vasconcelos, Miss Paraná, Miss Brasil 1964, coroada por Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963. (Foto: MANCHETE, 18/07/1964)


          Após a coroação da Miss Brasil 1964, a fisionomia compenetrada de Ieda Maria Vargas contrastava com o rosto sorridente de Ângela Vasconcelos. A foto acima, reproduzida da revista MANCHETE, de 18/07/1964, espelha o espírito do texto abaixo.


Ela era muito jovem quando descobriu a mortalidade. Depois de um ano desfrutando o Olimpo, entregou o cetro à nova divindade. Quando a faixa se transferiu de corpo, os flashes também deslocaram seu foco. Ieda descobriu-se só no palco que a havia consagrado. “Foi a primeira vez que chorei em público. Pensei: sou um objeto." (Revista ÉPOCA, 13/03/2000, trecho da reportagem “Entardecer no Olimpo”, de Eliane Brum.)


          Ieda recebeu o apelido de “Baby” durante o Miss Universo 1963. Naquela ocasião, a miss foi procurada por Peter Sellers para ser estrela de cinema. Deu a resposta recomendada a uma menina de família: “Vou voltar para Porto Alegre, casar e ter filhos”, disse ao futuro inspetor Clouseau. Poderia ter sido ela, e não Cláudia Cardinale, a brilhar em A Pantera Cor-de-Rosa. Vargas poderia ter sido Cardinale. Teria sido mais feliz? (ÉPOCA, 13/03/2000)


Ieda Maria Vargas em 2000 (Foto: Denise Adams/ÉPOCA, 13/03/2000)

          Dentro do seu ideal de felicidade, Ieda foi feliz. É feliz. Com inteligência, equilíbrio, classe e categoria não se permitiu ser um objeto. Ieda casou, teve dois filhos e curte a tranqüilidade do seu lar acompanhada das boas lembranças do passado e das saudades eternas do esposo José Carlos Athanásio.


Ieda Maria Vargas Athanásio, de óculos, ao lado das amigas Rejane Camargo, Sheila Baron, Márcia Cairolli e Martha Médici, em Porto Alegre, em recente acontecimento social. (Foto: Cortesia, www.fernandomachado.com.br)


          Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963, como todo mortal, deve chorar lágrimas solitárias, mas dentro do seu ideal de felicidade Ieda foi feliz. É feliz. Assim Seja!


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sábado, 31 de maio de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Ana Maria Costa Caldas, Miss Pernambuco, a história do 4º lugar no Miss Brasil 1964

Daslan Melo Lima


Ana Maria Costa Caldas, Miss PE 1964 - Foto: revista Fatos & Fotos

        A propósito da classificação de Ana Maria Costa Caldas, Miss Pernambuco, em quarto lugar, no Miss Brasil 1964, recebi um e-mail do jornalista Mucíolo Ferreira, onde ele diz:
O que os jornais quiseram realmente dizer ao afirmarem que "O público estranhou a ausência da Miss Pernambuco...", quando este mesmo público - conforme as revistas - aplaudiu as três primeiras colocadas? Das duas, uma: o repórter que escreveu a matéria não soube reproduzir corretamente a reação do público ou não teve inteligência suficiente para interpretar a decepção da platéia com o quarto lugar conferido a pernambucana Ana Maria Costa. Qual é a sua opinião?
      Vou esclarecer o assunto, com base nas revistas da época. Ubiratan de Lemos escreveu em O CRUZEIRO, de 08/08/1964:




Ana Maria Costa Caldas, Miss Pernambuco 1964. 
Fotos: Indalécio Wanderley, O Cruzeiro, 08/08/1964. 


MISS PERNAMBUCO - BONITA DE CORPO INTEIRO - Para os pernambucanos que a conheciam e estavam acostumados a vê-la como recepcionista da VASP, em Recife, a colocação de Ana Maria Caldas entre as finalistas do Concurso Miss Brasil 1964 não foi surpresa. Mas, para a grande parte do imenso público que se encontrava no Maracanãzinho na noite da eleição,a colocação de Ana Maria em 4ºlugar foi uma grande e desagradável surpresa.Porque a queria em 2 º lugar. E por isso houve vaias no Júri quando foi anunciada a decisão.
Ana Maria Caldas, cujas proporções, traduzidas em números, deram um cálculo perfeito de beleza, é morena doce, recatada, do tipo ingenuidade. Não tem namorado. Gosta do azul, de piscina, de livros simples. No Concurso, tinha uma candidata para Miss Brasil nº. 1: a mulata Vera Lúcia, de quem foi a maior fã. É Carioca da Tijuca, mas, desde os 3 meses de idade,vive em Recife, onde aprendeu a gostar de frevo,que ela dança com corpo,sangue e alma de pernambucana.

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      A revista MANCHETE escreveu que na noite do concurso Ana Maria estava com uma “intensa erupção alérgica no rosto – nervos?” fato que poderia ter lhe prejudicado, mas leiam o que diz a revista FATOS & FOTOS,de 11/07/1964:

O público não concordou com a colocação de Miss Pernambuco em 4º lugar, vaiando demoradamente os membros do júri, que se basearam nas seguintes razões de ordem técnica para preferir Miss Guanabara:

-Vera Lucia tem mais 2 centímetros de altura do que Ana Maria Caldas, cuja altura – 1,68 – não é a ideal para a passarela de Long Beach.

- Miss Guanabara tem 93 cm de busto, que está mais próximo das medidas da Vênus de Milo, enquanto Miss Pernambuco ultrapassa esse limite com 95 de busto.

- Vera tem 20 de tornozelo e Ana Maria 22, o que representa uma desvantagem para esta última num concurso internacional de beleza.

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      Resumindo: hoje, quando lemos algo sobre o concurso Miss Brasil 1964,só se fala no “duelo “ Ângela Vasconcelos X Vera Lúcia. Ninguém comenta o “duelo” Vera Lúcia x Ana Maria. A eleição de Ângela Vasconcelos,Miss Paraná, uma carioca que residia em Curitiba desde os 15 anos de idade,como Miss Brasil 1964, agradou a todos. Segundo FATOS & FOTOS, "50 mil espectadores,no Maracanãzinho,foram unânimes em aplaudir a decisão do júri que consagrou Miss Paraná". Todavia, a segunda colocação dada à bela mulata Vera Lúcia Couto Santos,Miss Guanabara,não agradou. O público queria Ana Maria Costa Caldas,Miss Pernambuco, para o segundo lugar e ela acabou em quarto lugar,conforme expliquei no parágrafo anterior. "O mesmo público que impôs a eleição de Miss Guanabara voltou-se contra ela na decisão final de Miss Brasil", destacou bem FATOS & FOTOS.

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      Espero que tenha satisfeito a curiosidade do jornalista Mucíolo Ferreira. E espero que Dona Ana Maria Costa Caldas, hoje residindo em São Paulo, casada, feliz, mãe de duas filhas lindas,leia essa Sessão Nostalgia. Pernambuco jamais esqueceu aquela morena maravilhosa do bairro recifense de Iputinga, a Aninha Carioca”, que quase foi eleita vice-Miss Brasil 1964.