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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 741, referente ao período de 1º a 07 de março de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br
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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

SESSÃO NOSTALGIA - Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963, fascinante sob qualquer ângulo

Daslan Melo Lima


           
           A capa da revista O Cruzeiro daquele 14 de dezembro de 1963, trazia na capa John Fitzgerald Kennedy, presidente dos Estados Unidos, assassinado no dia 22 de novembro. Nada mais do que 425.000 exemplares foram colocadas à venda nas bancas de revistas de todo o Brasil. E das páginas, como para aplacar a dor da perda, "saltava" de duas propagandas a beleza de Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963.

Propaganda do Fio Helanca

Miss Universo não queria tirar esta fotografia - Alegando não ficar bem de perfil. Nós, pelo contrário, achamos que ela é fascinante sob qualquer ângulo. E a foto acima prova que temos razão. 
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Propaganda do creme dental Gessy 

Miss Universo tem uma vida bastante atarefada. Nem sempre há tempo para escovar os dentes após cada refeição. Entretanto, ela sabe como solucionar este problema: "Desde criança aprendi que devia escovar os dentes depois de comer. Mas nem sempre é possível, especialmente agora que fui eleita Miss Universo. Por isso uso sempre o Creme Dental Gessy, que protege muito mais tempo."

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     Fico imaginando quantos exemplares ainda existem daquela O Cruzeiro, Ano XXXVI, número 10, de 14/12/1963. Fico imaginando o retorno alto do investimento daquelas empresas nas propagandas com a imagem de Ieda Maria Vargas. Fecho a revista e parece que a beleza da nossa Miss Universo 1963 deseja "saltar" para desfilar numa imaginária passarela, cinquenta e seis anos depois. 

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sábado, 11 de agosto de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - "Miss Universo 1963", uma música de Teixeirinha para Ieda Maria Vargas


Daslan Melo Lima

        São José da Laje, Alagoas, manhã de dezembro de um tempo que se foi. Da casa de um vizinho, através do som de um rádio, vinha a voz do cantor Teixeirinha cantando uma música que enaltecia Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963. Ao contrário de "Coração de Luto", uma triste canção de três anos atrás, inspirada na mãe do artista  que havia morrido carbonizada, a música que tocava na residência ao lado era totalmente diferente. A musa tinha sido eleita a moça mais bela do universo, trinta e três anos depois da também gaúcha Yolanda Pereira, Miss Universo 1930.

Vítor Mateus Teixeira (1927-1985), Teixeirinha, o "Rei do Disco", cantor, compositor e ator gaúcho. 
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Miss Universo 1963

Letra e música de Teixeirinha

O Brasil está orgulhoso com a gaúchinha faceira
Num concurso de beleza tornou-se miss brasileira
Ieda Maria Vargas fez vibrar a nação inteira
Depois deu um show de beleza lá pela terra estrangeira.

Ieda Maria Vargas no Brasil estourou a fita
Tem só dezoito anos a mais linda senhorita
Chegou lá no estrangeiro também saiu favorita
Venceu, é Miss Universo, moça mundial mais bonita.

São duas Miss Universo que o nosso Brasil tem
O mundo inteiro já sabe de onde a beleza vem
É do Rio Grande do Sul, não é desfazer ninguém
É que estou orgulhoso por ser gaúcho também.

Com seu traje de gaúcha tornou-se a mais linda flor
Honrando os trajes dos pampas de gaúcho peleador
Alguns gaúchos do asfalto que ao traje não dá valor
Mas viu que a gauchinha honra o traje, sim senhor

Eu sei, não foi só o traje que lhe tornou vencedora,
Com qualquer traje moderno ela era merecedora.
É que a nossa gauchinha na beleza é professora,
No ginásio das mais lindas promovida à diretora

Salve a Miss Universo Ieda Maria Vargas
Quando soube que vencestes, meu revólver deu descargas
Aos teus pais e teus irmãos Deus não dê horas amargas
Ieda honraste o Rio Grande do chapéu de abas largas

Vamos dar um viva para Ieda Maria Vargas, pessoal!



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         Timbaúba, Pernambuco, tarde da última quarta-feira, 08 de dezembro de 2018. Do celular, através do som do WhatsApp, uma mensagem do meu amigo Roberto Macêdo dizia: "Você já viu isso?", acompanhada deste link


       A emoção tomou conta do menino que um dia eu fui quando cliquei no endereço e a música, na voz de Teixeirinha, graças ao milagre da tecnologia, inundou o ambiente: 
"O Brasil está orgulhoso com a gaúchinha faceira / Num concurso de beleza tornou-se miss brasileira / Ieda Maria Vargas fez vibrar a nação inteira / Depois deu um show de beleza lá pela terra estrangeira." 
       Ouvir a canção com imagens de Ieda Maria Vargas, nossa eterna Miss Brasil, Miss Universo 1963, lembrou um sonho de criança. 

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Fotos de Ieda Maria Vargas: reproduções da revista Manchete
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sábado, 17 de fevereiro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Ieda Maria Vargas e Kathee Francis, "sua irmã gêmea"

Daslan Melo Lima

          

Kathee Francis (Miss Nevada, semifinalista-Top 10, no Miss Estados Unidos 1963) tinha um rosto muito parecido com Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963). 
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Capa da revista Fatos & Fotos, Ano III, 27 de julho de 1963, nº 130, acima, em detalhe, e abaixo, completa. 
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      O que escrever neste espaço depois da ressaca do Carnaval de 2018? Enquanto buscava inspiração, recebi do amigo Oscar Bastos Pereira, leitor de PASSARELA CULTURAL, residente em Goiânia, GO, duas imagens suas ao lado de Ieda Maria Vargas. Grande amigo da nossa Miss Brasil e Miss Universo 1963, Oscar esteve recentemente visitando Ieda em Gramado, RS, cidade onde ela reside há muitos anos.  
       Enquanto chove lá fora, copiosamente chove, encontrei o tema ideal para construir a Sessão Nostalgia desta edição. Ieda Maria Vargas, que já foi focalizada outras vezes aqui, aparece agora com sua "irmã gêmea", direto do túnel do tempo, e em duas fotos atuais do acervo do Oscar.

         
A Fatos & Fotos daquele 27 de julho de 1963, em reportagem de  Gervásio Batista e Alberto Ferreira, destacava o sucesso de Ieda Maria Vargas.
Na semana passada, os juízes dispensaram atenção especial a Miss Brasil: Ela era a favorita absoluta entre as latino-americanas.
O sucesso de Miss Brasil, de que sempre se fala cada vez que as candidatas a Miss U se reúnem em Miami, foi realmente muito grande desta vez. O traje de gaúcha estilizado, caiu-lhe muito bem e, mesmo sem falar inglês, Ieda Maria Vargas conseguiu cativar a todos com extrema simpatia.
A própria hostess de Miss Brasil chegou a confidenciar-me, no começo da semana decisiva: "Tive instruções para zelar especialmente por Ieda. E isso é sinal de que ela está cotada. Pode perder, mas os juízes internacionais já reconheceram que ela é uma das mais belas moças da passarela em Miami em 1963."
Uma coincidência ajudou, também, Miss Brasil a "promover-se" em Miami: a extrema semelhança entre ela e Miss Nevada, a americana Kathee Francis. Elas passaram a ser chamadas "as sósias" e, desde então, procuraram posar sempre juntas para os fotógrafos.   

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Ieda Maria Vargas e Oscar Bastos Pereira, encontro em Gramado, RS. 


Alegre, linda  e simpática, Ieda convive com sequelas discretas de dois AVC, Acidente Vascular Cerebral. 
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Chego ao final desta página mergulhado em nostalgia. Chove lá fora, torrencialmente chove. Penso em Ieda Maria Vargas e me lembro de um pensamento de Pitágoras: Uma bela velhice é, comumente, recompensa de uma bela vida.

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Outras Sessões Nostalgia dedicadas a Ieda Maria Vargas:

1 - Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas

2 - Ieda Maria Vargas, a primeira vez que a Miss Universo 1963 chorou em público

3 - Confissões de Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963

4 - Ieda Maria Vargas, três comerciais da Miss Universo 1963

5 - Ieda Maria Vargas, tudo começou bem em Capão da Canoa

6 - Ieda Maria Vargas, o perfil de consumidor da Miss Universo 1963

sábado, 20 de abril de 2013

SESSÃO NOSTALGIA – Confissões de Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963


Por Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

         
Timbaúba, Pernambuco, nordeste do Brasil, final da tarde do terceiro domingo de abril de 2013. 
Chove lá fora, pouco, mas chove. Para quem nasceu numa região castigada pela seca e o sol inclemente, a chuva que lá fora cai tem um gosto maravilhoso de festa. E tendo como fundo musical o  som dos pingos d’água , vou resgatar mais um documento referente às grandes misses do passado. Em minhas mãos, a revista Cláudia, abril de 1968, Ano VIII, nº 79, Editora Abril. Vou transcrever uma interessante matéria daquela publicação escrita na primeira pessoa por Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963. Detalhe: na revista, o nome Ieda está escrito com a letra Y


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Encontro acidental põe frente a frente o especialista e a “perturbadora” de corações: Miss Universo 63 X Dr. Christian Barnard.

YEDA VARGAS E A IMPORTÂNCIA DOS AUTÓGRAFOS

          Foi numa das minhas primeiras viagens depois de ter sido eleita Miss Universo. Estávamos em Lima, meus pais e eu, acompanhados por minha amiga Miss Peru: era a noite em que se comemorava o aniversário da independência do Peru. Um rapaz simpático se aproximou e me pediu um autógrafo. Disse-me que era a primeira vez que falava com uma brasileira. Perguntei de onde ele era. E a resposta: “Capetown, South Africa.” Eu ri, dizendo que era também a primeira vez que conversava com um africano. Naquela noite meu autógrafo  saiu assim:  Ao Dr Christian Barnard, Yeda Maria Vargas, Miss Universo.
          Imagine meu susto quando, há uns dois meses, vi seu retrato nos jornais. Fiquei muito emocionada. Creio que fui das poucas pessoas que tiveram o privilégio de conhecer pessoalmente um homem predestinado a abrir novos rumos para a ciência. Realmente é uma sensação estranha. Como se eu tivesse conhecido Galileu, Newton, Einstein ou Freud, enfim qualquer  uma das figuras famosas que a gente estuda na escola. Já me imagino contando para meus filhos: “Esse aqui eu conheci pessoalmente. Naquele tempo era ele que me pedia autógrafos...”
          Nada entendo de medicina mas acredito que ainda há muita coisas a se fazer nesse campo. Daqui a alguns anos, falar em transplantes vai ser coisa corriqueira. E o mais gozado var ser a dificuldade dos juízes nos concursos de beleza. Vão ter que regulamentar novamente todos os concursos, e uma proibição terá que ser feita: “É expressamente proibida a inscrição de candidatas que se tenham submetido a transplante de olhos, pernas ou qualquer outro que tenha alterado sua beleza original.”

Se eu fosse uma mulher feia minha vida teria sido a mesma coisa

          É claro que eu não teria o titulo de Miss Universo, mas seria essa a única diferença. Beleza não é só físico. Uma escultura não é  considerada obra de arte apenas por ser bonita. É seu valor artístico que a torna mais ou menos bonita. O importante é a personalidade das pessoas. Se eu não fosse bonita, não teria sido Miss Universo, nem tampouco teria viajado. Não teria conhecido outros países e outros povos. Não teria adquirido a visão que adquiri. Sei de tudo isso. Mas eu teria estruturado minha personalidade em torno de outras experiências. O resultado seria o mesmo. Minha participação na vida, a mesma. Eu tenho um amigo muito feio. Porém fascinante. Fascinante pela sua maneira de pensar. Pela sua maneira de conversar. Pelo seu cavalheirismo. Depois de quinze minutos com ele, não há quem o ache feio. Aliás, em nossa roda de amigos ninguém o considera um homem feio. É um dos exemplos que conheço de personalidade que faz beleza. É uma receita que serve para homens e mulheres. Cultivem a personalidade que vocês serão mais belos...

Diferença de sexo não quer dizer superioridade de um sobre o outro

          Homem ou mulher, ambos são seres humanos. A resposta para seus problemas é a mesma. Infelizmente a mulher ainda está, socialmente falando, em posição de inferioridade. Mas isso é o resultado de uma organização econômico social que perdurou por séculos e que só agora se está extinguindo. A mulher de hoje recusa deixar-se “coisificar”. Quer ser reconhecida como o que é realmente é: gente. Não é o fato de ter que cozinhar e cuidar da casa que a diminuiu. Mas a sensação de existir no mundo só para isso.
          Nenhuma mulher deseja masculinizar-se. Muito menos deseja que os homens se tornem femininos. (Credo, já viu esses de mini saia no  Rio?) Elas querem simplesmente participar da vida, não como com concorrentes mas como colaboradoras e companheiras.
          Diferença de sexo não significa superioridade de um sobre o outro. É apenas uma diferença de especializações. É bem verdade que existem mulheres que só dão para a cozinha. É tudo uma questão de talento. Mas também é verdade que existem homens que nem para isso dão...

Os jovens estão querendo demonstrar algo que não possuem: liberdade

     A maior parte das pessoas que ainda me pedem autógrafo na rua é constituída por jovens. E, cada vez que um deles chega perto de mim, não posso deixar de pensar na diferença existente entre os jovens atuais e os de minha época. No meu tempo, o Rock era a última novidade. Porém a gente tinha um pouco de medo de participar dos novos ritmos da juventude. Minha geração é uma geração intermediária: não pertence nem àquela geração contida de antigamente nem a esta que se diz livre e que é a juventude nos dias de hoje.
          A gente sentia um grande desejo de se livrar da opressão dos mais velhos. Ao mesmo tempo tomávamos o maior cuidado para não demolir o mundo. Eu acho que a juventude de hoje armazenou um excesso de energia nesta revolta, e agora não sabe o que fazer dela. Em outras palavras: tem necessidade de liberdade mas não sabe gozá-la.. As demonstrações que existem por aí dizem exatamente isso - os jovens estão querendo demonstrar algo que não possuem: liberdade. Quando a gente fala muito de uma coisa, é porque essa coisa nos faz uma falta angustiosa. E é o que acontece com os jovens de hoje.  Usam e abusam da palavra liberdade. No Brasil, o problema de liberdade é ainda mais grave. Existem muitas normas burguesas. Se alguma moça, por exemplo, começa a trabalhar com quinze ou dezesseis anos, todo mundo começa a falar: “Acho eu as coisas vão mal...” Nos Estados Unidos, mesmo os jovens de famílias ricas trabalham ou procuram trabalhar. E é assim que procuram a sua liberdade  E é assim que adquirem o senso de responsabilidade. É uma liberdade bem diferente daquela que a gente vê no cinema. Ou lê nas revistas.

Se o Presidente Costa e Silva quisesse um autógrafo meu...

          O Presidente Costa e Silva nunca me pediu um autógrafo. Aliás, eu é que deveria procurar um autógrafo dele. Mas se por acaso ele me aparecesse e pedisse autógrafo em troca de três pedidos meus, eu pediria o seguinte: que não deixasse achatar ainda mais o salário dos trabalhadores, que não permitisse nova alta no custo de vida e que desse casas para todos morarem. Não precisava ser casa grande. Mas uma casa simples, decente. Só quem anda  nas  malocas é que pode avaliar o que passa aquela gente. De resto, não entendo nada de política. Acho engraçado a gente discutir sobre pessoas que nem conhece. E mais engraçado ainda é tentar resolver num pedaço de papel problemas tão graves, sem conhecer a verdade sobre eles. Por isso gostei muito da resposta do ex-presidente Kubitschek, quando lhe perguntaram, nos Estados Unidos, por que gastava tanto dinheiro na construção de Brasília: “Pelo mesmo motivo por que vocês gastam tanto dinheiro para mandar um foguete à Lua.” Acho que cada um deve cuidar do que é seu, e pronto.

Ser Miss Universo não foi a coisa mais importante da minha vida

          Foi muito bom ter sido Miss Universo. Mas não a coisa mais importante. Importante na verdade é viver,  por tudo que a vida nos oferece. E, falando do concurso em si,  não nego que seja uma promoção comercial, nem mesmo seus promotores negam. Mas daí a se dizer que existe uma grossa camada de imoralidade e que as moças estão sujeitas a toda espécie de perigos, isso não. Quem se respeita a si próprio  é respeitado pelos demais.
          Eu jamais sofri vexame de qualquer espécie, durante todo o transcorrer do concurso, e digo mais:  as candidatas são proibidas de sair a sós com rapazes para evitar  comentários.   Se minha filha desejar  participar de um desses concursos, permitirei com todo o prazer. Para mim foi uma experiência fascinante. O que não se pode é construir a felicidade sobre um só fato ou uma só pessoa. A gente para ser feliz tem que construir um mundo interior e participar com ele do mundo das outras pessoas. Importante é tudo. Importante é ter meus amigos. É ter meus pais como amigos. É ter José Carlos, gostar dele, ser amada por ele. Importante foi o dia 29 de março. Aí, na igreja, dei o autógrafo que passou a ser o mais importante de minha vida: Yeda Maria Vargas Athanasio.

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EPÍLOGO


          Christian Barnard (1922-2001) ficou famoso por ter sido o primeiro médico a realizar uma cirurgia de transplante de coração.
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          Ieda Maria Vargas tem dois filhos, está viúva de José Carlos Athanasio e mora atualmente em Gramado, RS.(Foto:  Sociedade/João Pulita, clicrbs.com.br/rs)
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          Entre as mais gratas recordações da minha vida, guardo o momento em que conheci  Ieda Maria Vargas pessoalmente, durante um evento no Clube Português do Recife, há 20 anos, ocasião onde pedi  que autografasse um dos meus álbuns de recortes.
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        Chove lá fora, pouco, mas chove. Chove lá fora e por isso, na minha fantasia, este pedaço do meu amado Nordeste está com clima do Rio Grande do Sul, berço de Ieda Maria Vargas, Miss Universo 1963.

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sábado, 9 de abril de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - “VÁ LÁ EM CIMA E TRAGA A MANCHETE DE IEDA MARIA VARGAS”, UMA SENHA PARA O PARAÍSO

Daslan Melo Lima
 
 
                 - “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas.” Era quase meio-dia de uma cinzenta manhã dominical de agosto de 1963, em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci. 
      Eu era ainda um menino, mas já trabalhava aos domingos, dia de feira livre, na Loja São José, a grande casa comercial de José Francisco da Silva, conhecido como Galego, esposo de Maria da Soledade Lima e Silva, a Tia Dade, irmã da minha mãe. Eu atendia no balcão, onde vendia coisas diversas, inclusive vidros de perfumes e de brilhantina. Abria os vidros, passava um pouco da essência em meus braços ou nos dos matutos e matutas, aspirava o cheiro e dizia com um sorriso que o produto era ótimo. Também subia e descia uma escada várias vezes, a fim de apanhar nas prateleiras mais altas as caixas de chapéus que as vendedoras ofereciam aos clientes. Por conta da escada e dos aromas, no final da tarde eu estava extenuado, com dores nas pernas e dor de cabeça. Como pagamento, recebia três por cento de comissão sobre as vendas efetuadas. O que ganhava, repassava para minha mãe comprar alimentos. O nome da moeda brasileira e o seu valor aquisitivo mudaram tanto ao longo do tempo que não tenho idéia alguma de quanto seria hoje o que eu recebia, mas era pouco. O preço de um exemplar das revistas Manchete e O Cruzeiro era muito caro, Cr$ 100,00 (cem cruzeiros), praticamente o total das minhas baixas comissões. Dinheiro curto, mas bem-vindo para ajudar nas despesas de casa, até que a esperança de ganhar um pouco mais voltasse no domingo seguinte.


                - “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”, pediu-me Tia Dade com sua voz bonita. A ordem soou como uma senha para o paraíso. Obedeci com satisfação, pois ficaria livre por alguns momentos das tarefas cansativas. “Vá lá em cima” significava sair da loja e caminhar uma pequena distância até a casa da Tia Dade, pertinho da Igreja Matriz. 
      Minha paixão pelas Misses tinha começado um ano antes, quando vi a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil 1962, na capa de O Cruzeiro. A convivência com a Tia Dade despertou-me para o mundo das Misses. Ela era missóloga, um termo desconhecido naquele tempo. Sabia tudo sobre os concursos e na época do Miss Brasil ia dormir tarde, escutando pelo rádio as reportagens precárias, cheias de chiados, que as emissoras transmitiam direto, ao vivo, do Maracanãzinho, Rio de Janeiro. A televisão era algo ainda distante, um luxo, um fantástico sonho de consumo  que não tinha chegado em São José da Laje.  
       “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”. Fui e peguei a revista como se pega um tesouro incalculável.  Corri para o oitão da Igreja e mergulhei naquelas páginas transbordantes de glamour, com fotos e mais fotos sobre a eleição da gaúcha Ieda Maria Vargas, Miss Brasil, como Miss Universo 1963. Na volta para a loja, algumas pessoas diziam: - “Este menino está com a Manchete de Ieda!” Quanto orgulho! Senti-me um menino-rei! Quando cheguei à loja, Tia Dade me aguardava ansiosa. Pessoas estavam esperando a Manchete como se estivessem na fila do Cine São José para verem um filme estrelado por Rock Hudson ou Elizabeth Taylor

O Top 3 do Miss Universo 1963. Aino Korwa, Miss Dinamarca, segundo lugar; Ieda Maria Vargas, Miss Brasil, primeiro; e Marlene MacKowen, Miss Irlanda, terceiro lugar.
             Anos e anos depois, já morando no Recife, encontrei num "sebo" um exemplar daquela Manchete de 1963, capa riscada e gasta pelo tempo. Feliz da vida, comprei a revista como se estivesse comprando uma senha para o paraíso.  Anos e anos depois, encontrei-me com Ieda Maria Vargas no Clube Português do Recife. Felicíssimo, pedi a ela que autografasse um velho álbum de recortes como se estivesse pedindo uma senha para o paraíso.  Em ambas as situações, o menino que um dia eu fui viveu uma realidade com sabor de sonho. 
 
Uma das relíquias dos meus álbuns de recortes sobre concursos de Misses. O autógrafo de Ieda Maria Vargas na página amarelada pelo tempo, ao lado de uma foto extraída de um exemplar da revista Manchete.
                Aquele tempo se foi, para sempre se foi, mas todas as vezes que pego na minha Manchete com Ieda Maria Vargas na capa, sorrindo com a coroa de Miss Universo 1963, agradeço a DEUS por tudo que vivi. Fecho os olhos e reencontro o menino sonhador que fui um dia, feliz por ter recebido da Tia Dade uma senha para o paraíso, “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”.

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Ieda Maria Vargas, a primeira vez que a Miss Universo 1963 chorou em público

Por Daslan Melo Lima


          Maracanãzinho, Rio de Janeiro, noite de 04 de julho de 1964. Milhares de pessoas estavam ansiosas. Nos bastidores, vinte e quatro jovens estavam mais ansiosas ainda. Era a noite da eleição da Miss Brasil 1964.


Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963. (Foto: Revista Fatos & Fotos, 11/07/1964)


          Nos bastidores, uma moça também estava muito ansiosa. Seu nome: Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963, que naquela noite estaria passando o título de Miss Brasil para sua sucessora.


Desfile de abertura do concurso Miss Brasil 1964. (Foto: MANCHETE, 18/07/1964)


          O espetáculo teve início ao som da marcha “Cidade Maravilhosa”, executada pela Banda da Polícia Militar e acompanhada em coro por um público estimado em 50.000 pessoas. Na comissão julgadora, atentos a todos os detalhes, estavam: Pomona Politis, Justino Martins, Tônia Carrero, Accioly Neto, Mitsi de Almeida Magalhães, Oscar Santamaría, Edite Guimarães, Leão Veloso, Eda de Luds, Hélio Beltrão e Edilson Varela.

          Após o desfile de gala, e antes do desfile de maiô, aconteceu a apresentação dos trajes típicos.
O desfile de trajes típicos começou sob intensa euforia da multidão. É que, minutos antes, a Banda da Polícia Militar, localizada atrás da mesa dos jurados, havia executado o Bigorrilho. A melodia tomou conta do público, que pôs-se a cantar em coro, com indisfarçável saudades do carnaval. (Revista MANCHETE, 18/07/1964)


          Bigorrilho, samba-coco da autoria de Sebastião Gomes, Paquito e Romeu Gentil, gravado por Jorge Veiga, foi o maior sucesso do carnaval brasileiro de 1964.


Lá em casa tinha um bigorrilho

Bigorrilho fazia mingau
Bigorrilho foi quem me ensinou
A tirar o cavaco do pau
Trepa Antônio
O siri tá no pau
Eu também sei tirar
O cavaco do pau

Dona Dadá, Dona Didi
Seu marido entrou aí
Ele tem que sair
Ele tem que sair



Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, de "Vaqueiro Nordestino", traje típico estilizado tendo como ponto de atração as calças de couro sobre um fundo de malha azul.(Foto: MANCHETE, 18/07/1964)


          Evandro de Castro Lima foi o responsável para indicar o melhor traje típico, prêmio que coube a Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe. Detalhe: Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, usou um traje de baiana estilizada, criação do próprio Evandro.


As nove finalistas do concurso Miss Brasil 1964, em foto de MANCHETE, de 18/07/1964). Da esquerda para a direita:
Ana Maria Carvalhedo, Miss Ceará, 9º lugar;
Rosa Maria Gallas, Miss Rio Grande do Sul, 7º lugar;
Neli Cavalcanti Padilha, Miss Rio Grande do Norte, 5º lugar;
Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, 2º lugar;
Ângela Teresa Pereira Reis Neto Vasconcelos, Miss Paraná, 1º lugar;
Maria Isabel Avelar Elias, Miss Sergipe, 3º lugar;
Ana Maria Costa Caldas, Miss Pernambuco, 4º lugar;
Cecília Rangel Martins da Rocha, Miss Estado do Rio, 6º lugar;
Marília de Dirceu da Silva, Miss Minas Gerais, 8º lugar.

          O imenso público ficou satisfeito com o resultado, mas lamentou a não inclusão de Miss Pernambuco no Top 3.


Faltavam seis minutos para as duas horas de domingo quando a mesa dos jurados foi desmontada e, em seguida, transformada em pedestal para as misses. O trono, de veludo vermelho, recebeu como adornos laterais duas enormes cestas de rosas brancas. 

Ieda Maria, ostentando sua belíssima coroa de Miss Universo e com um vestido comprido bordado em brilhantes, surgiu sozinha, no palco. Sentou-se, pela última vez, no trono da beleza. As finalistas começaram a ladeá-la (...). Às duas horas e cinco minutos, Ieda Maria Vargas transferiu para Ângela Teresa Vasconcelos o manto de veludo vermelho com gola de arminho, o cetro e a coroa de Miss Brasil. (MANCHETE, 18/07/1964)



A despedida de Ieda Maria Vargas. (Foto: Revista Fatos & Fotos, 11/07/1964)

Nunca o Maracanãzinho viveu um instante como aquele. Ieda Maria Vargas era a primeira Miss Universo que coroava uma Miss Brasil. No momento em que ela passava para a representante do Paraná a faixa e a coroa, que antes do triunfo em Miami lhe haviam pertencido, e deu seu adeus ao público, avassaladora emoção se apoderou de todos.

Moças e senhoras não resistiram ao impacto dessa despedida, tão simples e, ao mesmo tempo, tão comovedora. Lágrimas lhes vieram aos olhos. Era como se uma rainha, jovem e bela, abdicasse imprevistamente, deixando o trono para viver no exílio a vida sem brilho das pessoas comuns. Todo um mundo de sonhos e de ilusões parecia terminar. Até então, a linda gauchinha recebera as reverências e homenagens devidas a uma soberana da beleza no esplendor de sua glória. Em breve, ela seria apenas uma ex-Miss Brasil. Os aplausos às novas belezas já significavam o seu próprio ocaso. Era o início do fim de um breve e maravilhoso reinado.

Ela própria não escapou à intensa emoção daquele momento. Estava abalada embora infinitamente reconhecida aos aplausos e manifestações de carinho da platéia.
(MANCHETE, 18/07/1964)


Ângela Vasconcelos, Miss Paraná, Miss Brasil 1964, coroada por Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963. (Foto: MANCHETE, 18/07/1964)


          Após a coroação da Miss Brasil 1964, a fisionomia compenetrada de Ieda Maria Vargas contrastava com o rosto sorridente de Ângela Vasconcelos. A foto acima, reproduzida da revista MANCHETE, de 18/07/1964, espelha o espírito do texto abaixo.


Ela era muito jovem quando descobriu a mortalidade. Depois de um ano desfrutando o Olimpo, entregou o cetro à nova divindade. Quando a faixa se transferiu de corpo, os flashes também deslocaram seu foco. Ieda descobriu-se só no palco que a havia consagrado. “Foi a primeira vez que chorei em público. Pensei: sou um objeto." (Revista ÉPOCA, 13/03/2000, trecho da reportagem “Entardecer no Olimpo”, de Eliane Brum.)


          Ieda recebeu o apelido de “Baby” durante o Miss Universo 1963. Naquela ocasião, a miss foi procurada por Peter Sellers para ser estrela de cinema. Deu a resposta recomendada a uma menina de família: “Vou voltar para Porto Alegre, casar e ter filhos”, disse ao futuro inspetor Clouseau. Poderia ter sido ela, e não Cláudia Cardinale, a brilhar em A Pantera Cor-de-Rosa. Vargas poderia ter sido Cardinale. Teria sido mais feliz? (ÉPOCA, 13/03/2000)


Ieda Maria Vargas em 2000 (Foto: Denise Adams/ÉPOCA, 13/03/2000)

          Dentro do seu ideal de felicidade, Ieda foi feliz. É feliz. Com inteligência, equilíbrio, classe e categoria não se permitiu ser um objeto. Ieda casou, teve dois filhos e curte a tranqüilidade do seu lar acompanhada das boas lembranças do passado e das saudades eternas do esposo José Carlos Athanásio.


Ieda Maria Vargas Athanásio, de óculos, ao lado das amigas Rejane Camargo, Sheila Baron, Márcia Cairolli e Martha Médici, em Porto Alegre, em recente acontecimento social. (Foto: Cortesia, www.fernandomachado.com.br)


          Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963, como todo mortal, deve chorar lágrimas solitárias, mas dentro do seu ideal de felicidade Ieda foi feliz. É feliz. Assim Seja!


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sábado, 11 de outubro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - IEDA MARIA VARGAS, TUDO COMEÇOU BEM EM CAPÃO DA CANOA




 
Daslan Melo Lima



          Era uma vez uma adolescente que adorava jogar peladas com os três irmãos. Chamava-se Ieda Maria Vargas e estava destinada a ser um dos maiores ícones brasileiros. Um dia, aceitou concorrer ao título de Miss Capão da Canoa, um balneário distante 132 km de Porto Alegre. Caso ganhasse, iria disputar o cobiçado título de Rainha do Atlântico Sul. O pai da garota achava que ela iria fazer um papelão, classificando-se em último lugar, mas enganou-se e ela foi a segunda colocada.
      A jovem ganhou gosto pelas passarelas e deixou de lado as brincadeiras de bola com os irmãos. Representando o Cantegril Clube , foi eleita Rainha das Piscinas do Rio Grande do Sul 1962. No ano seguinte, representando o mesmo clube, venceu o Miss Porto Alegre, e em Novo Hamburgo, derrotando 17 candidatas, foi coroada Miss Rio Grande do Sul. No Maracanãzinho, conquistou o júri e o público e foi eleita Miss Brasil. Seguiu pra Miami Beach e trouxe o título de Miss Universo 1963.


      Um velho ditado do Rio Grande do Sul diz que Tudo aquilo que começa bem em Capão da Canoa termina - e bem –lá mesmo. Foi em Capão da Canoa que Ieda Maria Vargas conheceu José Carlos Athanásio, o grande amor da sua vida.



Seus longos cabelos negros já receberam a consagração máxima à beleza da mulher brasileira: a coroa de Miss Universo. Para Ieda Maria Vagas, contudo, sonho maior é aquele de toda miss, de toda moça: usar, um dia, a grinalda de noiva. Namorada do Brasil, ela elegeu José Carlos, estudante de Direito, como o feliz jovem que a levará ao altar. Agora ele é seu namorado, logo mais será seu noivo. E o casamento ainda este ano.

Ieda Maria revela a notícia com olhar alegre, radiante. José Carlos abraça-a docemente e sorri. O cenário é belo e adequado para um romance de amor. Na ampla e ensolarada areia de Capão da Canoa, um dos mais bonitos recantos praianos do Sul, eles passeiam de mãos dadas, e são reconhecidos pelos freqüentadores do balneário, que os saúdam com alegria. Alguns tentam, a um primeiro instante, aproximar-se do parzinho para saciar a curiosidade. Mas Ieda Maria e José Carlos, como todo casal que se ama, formam para si uma muralha de ventura que mesmo os fãs mais afoitos não ousam perturbar.


Dos tempos de Miss Universo, diz ela que tem boas recordações. Mas também lembranças de atribulações, pequenas tristezas, que agora são superadas pela realização de suas esperanças. Encontrou seu príncipe encantado – é o que lhe basta para ser feliz. E quando as perguntas se tornam mais insistentes sobre seus planos de vida, onde pretende casar, passar a lua-de-mel, morar futuramente, ela prefere olhar para José Carlos e sorrir:
- Vamos correr na areia?
E saem os dois, levando em suas mãos enlaçadas a afetividade que, mesmo à moça mais bela do mundo, o mundo não poderia dar. Para José Carlos, que reparte seus estudos com a vida rotineira de funcionário público, não é Miss Brasil nem Miss Universo que está a seu lado: é apenas a sua Ieda Maria. E fica no ar uma frase dela:
-Melhor que ser miss, é ser Ieda, namorada de José Carlos.


(Texto da reportagem Ieda, meu reino por um lar, de Jairo Brandebursky, revista MANCHETE- 29/01/1966, de onde foram reproduzidas as fotos de Ieda e José Carlos. A imagem de Ieda em traje de banho é de o jornal A TARDE).



      Observem bem aquela garotinha perto do barco. A imagem passa um momento de curiosidade infantil diante do casal de namorados. Aquele verão em Capão da Canoa foi inesquecível para ela e seus amiguinhos, pois conheceram de perto uma das mulheres mais belas do mundo.
 
      Acredito que a garotinha e seus amiguinhos tornaram-se adultos tão felizes como Ieda Maria Vargas e José Carlos Athanásio, afinal,Tudo aquilo que começa bem em Capão da Canoa termina - e bem –lá mesmo.

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sábado, 30 de agosto de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Ieda Maria Vargas, o perfil de consumidor da Miss Universo 1963

Por Daslan Melo Lima

          Em 1993, trinta anos após ter conquistado os títulos de Miss Brasil e Miss Universo 1963, a gaúcha IEDA MARIA VARGAS concedeu uma entrevista exclusiva para o jornalista pernambucano Fernando Machado, publicada em 10/10/1993, na prestigiada coluna Perfil do Consumidor, que ele mantinha no Jornal do Commercio-Recife. O texto, que ora reproduzo na íntegra, foi ilustrado com uma bela foto de Ieda feita por Eduardo Queiroga.

Sua beleza é etérea. Seu carisma chegou aos dias atuais, mesmo depois de 30 anos. Sua fama atravessou fronteiras, depois de ter sido eleita Rainha das Piscinas do Rio Grande do Sul, em 62, um ano depois tirava um complexo da mulher brasileira: era eleita Miss Universo. Estamos nos referindo a senhora Ieda Maria Vargas Athanásio.
Ela entregou o título, mas nunca deixou de brilhar na imprensa brasileira. Já fez televisão em Porto Alegre, atuou na Secretaria de Turismo da sua terra e agora é uma tranqüila dona-de-casa. Já desfilou para Oleg Cassini e Guilherme Guimarães, inclusive representou sua grife nos pampas.

Ieda Maria Vargas é uma mulher elegante, bonita e acima de tudo simples. Como boa gaúcha é conservadora. Em março completou 25 anos de casada com José Carlos Athanásio e tem dois filhos. Rafael com 23 anos e Fernanda, adolescente.

No dia que venceu o Miss Universo, ficou feliz, mas encarou aquilo com muita naturalidade.Não sabe como entrou no Miss Porte Alegre,” talvez por influência dos amigos e o que é mais importante: nunca se deslumbrou com o título, “ acho que tudo isso é passageiro.”

Ieda Maria Vargas quando era Miss Universo foi convidada pelo ator Peter Sellers para atuar no cinema, mas preferiu voltar para Porto Alegre e viver com a família. Como consumidora, Ieda Vargas faz a linha Vênus, a deusa do amor e da beleza, na mitologia grega ou romana, com algumas incursões pela modéstia e com um toque de exigência. Adora comida italiana, usa Fendi, curte muito Elba Ramalho e Simone. Agora vamos conferir.



Uma Miss Rio Grande do Sul – Deise Nunes
Uma Miss Brasil – Adalgisa Colombo
Uma Miss Universo - Kiriaki Tsopei
Uma passarela que deixou saudades - desfile de modas do estilista Oleg Cassini
Perfume – Fendi
Xampu - Vidal Sassin, Estée Lauder
Desodorante – Estée Lauder
Pasta dental - A que estiver disponível no momento
Comida preferida – A italiana
E a que detesta - Fast Food, as lanchonetes em geral
Restaurante que gosta de ir - Le Cirque, em Nova Iorque
Uma mulher bonita - Kim Bassinger e Luiza Brunet
Um homem bonito - Richard Gere
A palavra mais bonita para uma mulher – Amor e sinceridade
E a mais feia - Inveja
Personagem da história mundial que gostaria de ter sido - Joana D’Arc
Livro de cabeceira - As Walkirias, de Paulo Coelho
Escritor – Sidney Sheldon, Paulo Coelho e Harold Robins
Quem gostaria que escrevesse sua biografia - Luiz Fernando Veríssimo
Um poeta – Mário Quintana
Quem levaria para uma ilha deserta – Não me imagino numa iha deserta
E quem deixaria por lá para sempre – Todos os corruptos do Brasil
Um médico - Ivo Pitanguy
Um dentista – Edla Puricelli
Um compositor – Caetano Veloso e Chico Buarque
Um cantor - Julio Iglesias
Uma cantora – Elba Ramalho
Uma peça de teatro – Phantom of The Opera
Um ator de teatro - Paulo Autran
Uma atriz de teatro – Marília Pera e Fernanda Montenegro
Melhor programa de tevê – Jô, Onze e Meia
E o pior – Por ser pior, não assisto
Um figurinista – Givenchy
Um cabeleireiro – Alexandre, de Paris
Um maquiador – Dorotéia, de Porto Alegre
Um político nacional - Atualmente, nenhum
Um político internacional- Gorbachev
Quem gostaria que compusesse uma música para você – Julio Iglesias
Um artista plástico - Iberê Camargo e Francisco Brennand
Quem gostaria que pintasse seu retrato - Aldo Malagoli
Uma fruta – Pêssego
O que não pode faltar na sua geladeira - Uma água bem gelada
Uma mulher elegante – Constanza Pascolatto
Um homem elegante - Tony Mayrink Veiga
Um mito no cinema - Ingrid Bergmann
Um monstro sagrado na moda - Chanel
Uma personalidade feminina - Margareth Thatcher
Uma cidade inesquecível - Nova Iorque
Bebida – Campari e champanha
Com quem gostaria de se esbarrar no Aeroporto Salgado Filho - Richard Gere
Marylin Monroe ou Greta Garbo - Greta Garbo
Richard Gere ou Tom Cruise - Ambos
Um homem inteligente - Jô Soares
Uma mulher inteligente – Benazir Bhutto
Um homem que é a cara do Brasil - Juca Chaves
Uma mulher que é a cara do Brasil - Sônia Braga
O que você gostaria de ver escrito o seu túmulo - Nunca pensei no assunto
Santo de fé - Santo Antônio
Revista que gosta de ler - Isto É
Gostaria de ser capa de qual revista - Time
Time de Futebol - Internacional de Porto Alegre
Um atleta inesquecível - Pelé
Melhor tática para se conseguir alguma coisa de alguém - Educação e Meiguice
Melhor companhia para solidão - A música
O maior amigo de uma mulher - Para mim, meu marido José Carlos
E o maior inimigo – O tempo
Um filme inesquecível – Candelabro Italiano
Um ator de cinema - Al Pacino
Uma atriz de cinema – Sofia Loren
É a favor ou contra a pena de morte no Brasil - A favor
A grande dama da cultura gaúcha – Eva Sopher
Um dia feliz - O nascimento de meus dois filhos: Rafael e Fernanda
Um dia triste - o da morte de John Kennedy
Sabonete – Hermotes, argentino
Pensamento – A maior felicidade é aprender a ultrapassar a si mesmo a cada dia.

          Quinze anos depois, talvez algumas dessas perguntas tivessem hoje respostas diferentes. Mas tenho certeza que IEDA MARIA VARGAS, que nunca se deslumbrou com o título de Miss Universo, continua afirmando que o esposo José Carlos Athanásio é o seu melhor amigo e que as datas de nascimentos dos seus dois filhos foram os dias mais felizes da sua vida.
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