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sábado, 26 de julho de 2014

SESSÃO NOSTALGIA – O traje típico que Marcílio Campos criou para Staël Abelha, Miss Brasil 1961

Daslan Melo Lima

      Foram muitos os trajes típicos de baiana usados por representantes do Brasil no concurso  Miss Universo. Entre os que marcaram época, o criado por Marcílio Campos (*25/01/1930 +26/04/1991) para a mineira Staël  Maria da Rocha Abelha, Miss Brasil 1961. Na ocasião, O Cruzeiro, a revista de maior circulação no País, com tiragem de 500 mil exemplares, deu uma visibilidade sem precedentes ao assunto, com direito a capa e sete páginas.

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A fantasia da capa – Miss  Brasil foi fotografada por Indalécio Wanderley com a “baiana” que ela irá exibir em Miami. A fantasia foi confeccionada por Marcílio Campos, costureiro pernambucano, bicampeão do carnaval carioca. Ainda este ano, ele foi o autor de “Isabel, Rainha de Portugal”, com a qual Denise Zelaquett ganhou 1º prêmio no Municipal e no Quitandinha.  Ubiratan de Lemos, Jean Solari e Hélio Passos levaram Miss Brasil-61  a um passeio pelas ruas centrais do Rio, vestida com a “baiana” que apresentará em Miami. Foi uma pausa de beleza e graça num dia normal de trabalho dos cariocas.  Beleza, na verdade, vem do berço. E Staël Abelha, antes de ser Miss Brasil, já tinha tudo o que hoje mora ao lado.
---------- Crédito das imagens: O Cruzeiro, Ano XXXIII, Nº 40, 15/07/1961. Acervo DML/Passarela Cultural. 



Rio viu primeiro a baiana Staël. - Texto de Ubiratan de Lemos. Fotos de Hélio Passos e Jean Solari.

Na baiana de luxo, nas ruas do Rio, o povo foi descobrindo aos poucos Miss Brasil n° 1.  
Detalhe: Miss Brasil nº 1, era assim como se referiam à primeira colocada no Miss Brasil. Na época, as misses que ficavam no segundo e terceiros lugares tinham a denominação de Miss Brasil nº 2 e Miss Brasil nº 3, respectivamente, e viajavam para o exterior como representantes brasileiras no Miss Beleza Internacional, realizado em Long Beach, e no Miss Mundo, que acontecia em Londres.  

      Carioca da Cinelândia viu e não acreditou: baiana muito dourada, muito verde, de penachos e balangandãs, mas de bamboleio mineiro, singrando, sozinha, pela Belacap. Stäel Maria da Rocha Abelha, que já se transformou em letra de samba no Rio e em São Paulo, caprichava no desembaraço. Sorria para os pontos cardeais, na passarela do asfalto. Falava com um e outro, sublinhando frases curtas de conteúdo gentil. Sempre alegre, conversando rosas, é incapaz de um “não” para o programa puxado que está cumprindo. Apenas concorda que precisa engordar os 3 quilos perdidos. E desmente a versão do noivo. Ainda não teve tempo de pensar nele E não sabe se ele deve despontar na sua glória confusa. O importante é que Staël continua a mineira de Caratinga, natural, sem rasuras. A coroa não lhe empoou a vaidade, mas lhe exagerou a simpatia.
      Ela está escrevendo letras miúdas em papel azul: suas memórias de Miss Brasil. Ou simplesmente um diário, o roteiro de suas emoções. O sonho fecundado de ser Miss Brasil. Desde já avançamos que a sua impressão maior, depois de Miss Brasil, é ser agora um espécimen raro. Todos lhe espiam o rosto como se ela tivesse desembarcado de um disco voador: curiosidade e análise. Levará para Miami dois presentes. Um pé de café num jarro e um naco de cristal de rocha. Mas não falará em inglês, porque não o domina suficientemente. E explica: “acho Camões tão importante quanto Shakespeare”.
      O autor da baiana, que é o luar destas páginas, chama-se Marcílio Campos, do Recife. É campeão de fantasias do carnaval. Marcílio trabalhou em tela cristalizada. Amarelo-ouro com babados plissados e, sobre estes, camada de babados de bico de seda branca, rebordados  com paillettes dourados. O matame tem contornos dourados; as sandálias com detalhes em verde-bandeira. E ainda um chalé em cetim verde, com turbante no mesmo cetim e adorno de plumas verdes e vermelhas. Completam a baiana bolas de ajoufo verdes, vermelhas e douradas, colares, pulseiras, no mesmo tom tricolor. Os brincos são argolas douradas. É a baiana mais arara, em bom estilo, dos anais do concurso de Miss Brasil.
      Miss B-61, a mineirinha Staël Maria, baixou de retiro silvestre, em São Paulo, de onde sairá para o voo superjato da Braniff, no “Eldorado”. E, então, será Miaimi Beach, desta vez com profunda intuição de vitória.

Todo mundo ficava surpreso em ver, de repente, uma “baiana” tão bonita, tão longe do Carnaval. E a surpresa crescia quando reconhecia nela a elegante Miss Brasil-61.
Staël, de baiana, mostrou a faceirice mineira da Cinelândia à Central do Brasil.

Com absoluta exclusividade e grande esforço, O Cruzeiro mostrou Staël aos cariocas com a linda baiana que usará em Miami. Aqui, na escadaria do Municipal, ela experimentou a sandália de 16 cm de salto, especial para as passarelas em que reinará com seu encanto.  

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      Após retornar de Miami Beach, onde não obteve classificação no Miss Universo, concurso no qual foi eleita Marlene Schmidt, Miss Alemanha,  Staël Abelha renunciou ao título apresentando sua carta-renúncia onde dizia que trocava seu reino por amor.  Vera Maria Brauner (1942-2012), Miss Rio Grande do Sul, sua vice, foi coroada oficialmente Miss Brasil 1961 em um programa de televisão. A trajetória de Staël foi motivo da Sessão Nostalgia de 30/04/2011, disponível neste link http://passarelacultural.blogspot.com.br/2011/04/de-alagoas-para-o-mundo_30.html

Marcílio Campos nasceu no Estado da Paraíba, em 25/01/1930, e morreu no Recife, cidade onde passou a maior parte da sua vida, vítima de colapso cardíaco, em 26/04/1991..***** Foto: Acervo/Fernando Machado.

     É bem diferente a  maioria dos trajes típicos apresentados  hoje pelas misses, distantes daquela baiana de Staël Abelha criada por Marcílio Campos, quando inexistia o termo estilista. Marcílio era chamado, com muita honra, de figurinista e costureiro. Ao mesmo tempo em que buscam,  através de suas alegorias, externar a riqueza e os valores culturais  de uma região, alguns estilistas se distanciam dos verdadeiros, singelos e poéticos trajes típicos do Brasil.
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sábado, 2 de abril de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - Os primeiros trajes típicos do concurso Miss Brasil


Daslan Melo Lima


PRÓLOGO

              
          Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 22 de junho de 1963. Trinta mil pessoas estavam naquele ginásio de esportes para acompanhar os desfiles de vinte e quatro jovens que sonhavam com o título de Miss Brasil.  Além das apresentações em traje de gala e maiôs Catalina, pela primeira vez elas iriam se apresentar em trajes típicos. Todos os anos, nos concursos internacionais,  as brasileiras usavam como trajes típicos  os de “Baiana” , que remetiam às fantasias de Carmem Miranda (1909-1955). A partir de 1963, com a inclusão dos desfiles dessa categoria no concurso Miss Brasil, as vencedoras passaram a usar no exterior os mesmos trajes típicos usados durante a competição nacional.

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OS PRIMEIROS TRAJES TÍPICOS DO CONCURSO MISS BRASIL

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Miss Acre, Maria Cristina Laport “Xapuri”, traje típico da fronteira Brasil-Bolívia, composto de saia e blusa de diversas cores, lenço na cabeça.
Miss Alagoas, Terezinha Binas“Índia”, modelo depois trocado pela Miss, que preferiu “Gogó da Ema”, simbolizando as praias de Maceió. Na foto, apresentamos o modelo “Índia”, de penas brancas de ganso e colares. 
Miss Amapá,  Themis Kohler da Cunha  -  “Marabaixo”, dança e procissão de origem banto, modelo de blusa branca Saint-Tropez, saia de cetim branco e diadema do Divino Espírito Santo. 
Miss Amazonas,  Fátima das Neves Silva, oitava colocada no Miss Brasil  - “Índia do Rio-Mar”, reprodução de paramentos indígenas de um ritual bugre. Na cabeça, um cocar de penas de arara e gavião real, biquíni de “guias” de garça, conjunto de pulseiras, colar comprido de dentes de bichos, malha cor da pele e arco e flecha. 
Miss Bahia, Jerusa Sampaio“Baiana Autêntica”, modelo usado pelas mães-de-santo de Iansã, de três anáguas e uma saia bordada, além de bata e um pano da Costa, bordados. 
Miss Brasília, Denise Rocha de Almeida, quarta colocada no Miss Brasil“Bandeirante do Século XX”, autoria de Evandro de Castro Lima. Este traje compõe-se de casaca preta, camisa branca e short, cartola e bengalinha, malha cor de carne, sapatro pretos e gravatinha-borboleta. 
Miss Ceará,  Vera Maria Barros Maia “Iracema”, a tal dos lábios de mel, penas brancas, cocar colorido, arco e flecha. 
Miss Espírito Santo,  Sônia Marta Anders”Rainha do Mar”, traje de autoria da própria Miss, que desejou homenagear as praias de Vitória. O modelo é todo bordado em pedrarias verdes, cauda dourada, colares e pérolas, capa verde e azul, coroa e cetro – tudo isso custando 400 mil cruzeiros.
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Miss Estado do Rio, Miriam Montenegro da Fonseca - “Floricultura”, modelo de saia em algodão azul barrada com fita de gorgorão branco, blusa de organdi suíço branco, guarnecido de passamanaria, avental e lenço de cabeça em visnil estampado. 
Miss Guanabara, Vera Lúcia Maia, terceira colocada no Miss Brasil“Calçadas do Rio”, traje-cópia dos mosaicos cariocas, branco e preto, bordado em pedrarias. Uma estola, colares e sandálias completam o modelo. 
Miss Goiás, Solange Brockes Tayer“Anhanguera”, traje preto, cinturão e botas de couro de bezerro. 
Miss Maranhão,  Esther Ewerton Santos“Bumba-Meu-Boi”, festejo junino do Norte, modelo de calção de cetim vermelho, blusa branca, amplo peitilho de veludo negro, bordado em canutilhos e miçangas, chapéu florido  com fitas longas. 
Miss  Mato Grosso,  Terezinha Elizabeth Cruz Vadouski“Filha de Cacique”, modelo de garças reais, bordado de pedrarias. 
Miss Minas Gerais,  Edma Saraiva“Congada de Ouro Preto”. 
Miss Pará,  Nilda Rodrigues de Medeiros, sétimo lugar no Miss Brasil - ”Mulata”, vestido de saia estampada, bordada de fitas vermelhas, lacinhos, babados bordados. Um buquê nos cabelos; na mão, uma peneira de pétalas, sandálias altas, vermelhas, de galão bordado. 
Miss Paraíba, Kalina Ligia Duarte Nogueira“Cangaceira”, traje de saia verde-bandeira, blusa branca, cartucheira em couro cru, espingarda, chapéu de couro. 
 
 

Miss Paraná,  Maria Tania Mara Franco de Souza, vice-Miss Brasil“Camponesa”, modelo inspirado na vestimenta dos colonizadores do Estado. Saia verde, ampla, da cor dos pinheiros, com barra e corpete dourados, bordados com algodão, café, madeiras e mate. Mangas fofas, chapéu e sapatos de palha natural. Colares de madeira tipo exportação. 
Miss Pernambuco, Vera Lúcia Bezerra “Frevo”, modelo composto de short prateado, blusa branca, fitas, casaquinho Saint-Tropez, sombrinha, descalça. 
Miss Piauí,  Maria da Consolação Teixeira e Silva “Vaqueiro do Nordeste”, traje confeccionado em pele de veado capoeiro, trabalhado em fios e em lâminas de ouro, chapéu, gibão peitoral, sapatos e rebenque. 
Miss Rio Grande do Norte,  Ísis Figueira de Melo“Apanhadora de Algodão”, modelo de calça comprida branca, blusão azul, representando as cores do Estado; sapatos e sacola em couro trabalhado em algodão “mocó”. 
Miss Rio Grande do Sul,  Ieda Maria Brutto Vargas, eleita Miss Brasil e depois Miss Universo  - “Exaltação dos Pampas”, estilização das antigas roupas gaúchas. Boleadeiras usadas para derrubar animais em carga (também servem de arma rural); faca para lutas e churrasco; chapéus e botas protetoras, que compunham o traje primitivo do gaúcho, hoje alterado pelas bombachas; cinturão para acompanhar o “xiripá”. O vermelho do lenço, o verde do “xiripá” e o amarelo das gregas formam as cores da bandeira gaúcha. Miss Santa Catarina,  Olga Mussi - "Camponesa da Boêmia", modelo estilizado, saia de veludo vermelho, ramos de café e espigas de trigo, simbolizando as riquezas do seu Estado; corpete preto de veludo, blusa de oganza branca, chapéus de renda. 
Miss São Paulo,  Dirce Augustus, quinta colocada no Miss Brasil – “Colhedora de Café”, de vestido de babado e faixa larga, chapéu de palha enfeitado de folhas e grãos de café e peneira também com os mesmos grãos. 
Miss Sergipe, Zelia Maria Mendonça Lopes, sexto lugar no Miss Brasil Maria Bonita”, modelo de saia havana e blusa turquesa, chapéu, cartucheira, sacola à tiracolo, botas e cintos em couro cru trabalhados em prata e pedrarias. Na mão, um rebenque, e um punhal atravessando o cinto. Um cangaceiro foi o assessor do traje.

Comentários extraídos da revista O CRUZEIRO, de 13/07/1963. As fotos  também são da mesma publicação. Os posters foram  elaborados por Evandro, redator do Misses na Passarela Blogger, evandrosilvabr.blogspot.com
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EPÍLOGO 
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               O traje típico usado por Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, eleita Miss Brasil e depois Miss Universo, conquistou o prêmio de o mais belo do Miss Brasil 1963. 
          Às vezes singelos, outras vezes parecendo alegorias carnavalescas, os trajes típicos dão sempre uma visão cultural das cidades, dos Estados e dos países que as Misses representam. E sobre o corpo  de mil jovens,  todos os anos, nas passarelas do mundo, os trajes típicos são molduras de sonhos envolvidos em glamour e fantasia.

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