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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 733, referente ao período de 06 a 12 de outubro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br
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sábado, 29 de novembro de 2014

SESSÃO NOSTALGIA – Martha Rocha, Zayra Pimentel, Martha Vasconcellos e Martha Jussara naquele 1987

Daslan Melo Lima

      Aleatoriamente, abro um álbum de recortes de  jornais e revistas do ano de 1987 e  encontro quatro belezas brasileiras que marcaram época. Elas tinham sido eleitas há anos, mas estavam na mídia por motivos diversos,  uma prova de que um título de beleza é para toda vida. Miss para sempre Miss.
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Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954, na revista “Sabor e Saúde!”, nº 44-A, 1987.
Martha Rocha revelava o segredo do seu charme e disposição: bom sono, alimentação saudável e exercícios, mas nada sob pressão, pois dizia que prezava acima de tudo o bem viver.  E dava a sua receita de como fazer um vatapá mais leve: camarão seco e fresco e leite de coco, massa feita de pão dormido, em vez de farinha ou pão fresco. “O efeito é o mesmo, só que fica muito mais leve. Não uso  gengibre, castanhas ou amendoim”.
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Zayra Pimentel, Miss Pernambuco 1957, representante da AABB-Associação Atlética Banco do Brasil no Miss Guanabara 1961, na coluna de João Alberto, Diario de Pernambuco, 17/09/1987. 
Zayra Pimentel, radicada no Rio de Janeiro desde o início dos anos 60, estava se preparando para passar uma temporada no Recife.
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Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil, Miss Universo 1968, na revista Veja, de 09/09/1987. 
Martha Vasconcellos chegava à Segunda Vara de Família de Salvador, BA, com o engenheiro Reinaldo Loureiro para oficializar a separação amigável de um casamento que tinha durado 18 anos.  “Marta transformou os corredores do Fórum Rui Barbosa numa espécie de passarela, arrancando suspiros dos funcionários.”
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Martha Jussara da Costa, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, quarto lugar no Miss Universo  1979, na revista Amiga, nº 899, de 12/08/1987.
Martha Jussara  namorava  há três anos com Fausto Correa da Silva, o apresentador Faustão, da TV Globo.

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        Faz 27 anos que tenho este álbum de recortes de  jornais e revistas. Quando voltarei a abri-lo? Não sei. O  que sei é que a qualquer momento poderei reencontrar Martha Rocha, Zayra Pimentel, Martha Vascocncellos e Martha Jussara neste e  em outros álbuns que guardam notícias e imagens das nossas misses eternas. Miss para sempre Miss.

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sábado, 31 de julho de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - Zayra Pimentel, a pernambucana que poderia ter sido Miss Guanabara 1961


Daslan Melo Lima

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PRÓLOGO

          A Sessão Nostalgia da semana passada, dedicada a Zayra Moreira Pimentel, Miss Pernambuco 1957, relembrou um fato interessante: a bela pernambucana disputou o Miss Guanabara em 1961.  A matéria desta semana é um desdobramento da anterior, um documento que vai ao encontro dos missólogos de ontem e de hoje, interessados em preservar a memória dos concursos de beleza .   
          As imagens de Zayra que ilustram esta Sessão Nostalgia pertencem ao acervo de Adília Pimentel, filha de Zayra com o inesquecível cantor português Francisco José.

Olinda, Pernambuco, 1957. O mar, a brisa mansa e um poema chamado Zayra.

Era 1957 e o futuro estava distante. Daquele tempo mágico que se foi, mil coisas ficaram, inclusive o olhar de Zayra, musa eterna de um tempo que vale a pena recordar.

Depois daquela manhã de 1957, o Mar de Olinda avançou  o suficiente para destruir os coqueiros, menos a lembrança de Zayra.

 A MAIS BELA CARIOCA PODERIA TER SIDO UMA PERNAMBUCANA

           Na noite de segunda-feira, 26 de julho, meu celular tocou. Era Zayra Pimentel, emocionada, ligando  para  agradecer o tributo que lhe prestei através da Sessão Nostalgia, em PASSARELA CULTURAL. Ela conversou comigo durante quase duas horas. Falou sobre sua vida, alegrias, experiências, saudades do Recife, etc. O jornalista Mucíolo Ferreira já tinha comentado comigo que Zayra tinha sido  uma das favoritas ao título de Miss Gunabara 1961. Zayra corroborou  o que Muciolo tinha me dito e confessou com sua bela voz:

          "A redação do jornal Diário de Notícias, pertencente ao grupo Diários e Emissoras Associados, promotor do concurso Miss Brasil, era composta de muitos pernambucanos. Eles adoraram quando fui indicada para representar a AABB, Associação Atletica Banco do Brasil,  no Miss Guanabara.  Eu era apontada como forte candidata e o pessoal do jornal empenhou-se em me promover. A estratégia de me beneficiar acabou me prejudicando. Dias antes do concurso Miss Guanabara, saiu no jornal:  “Se Zayra ganhar haverá três pernambucanas no Miss Brasil.” As outras eram Maria Lúcia Santa Cruz, Miss Pernambuco, e Carmem Aurélia Rodrigues de Lima, Miss Rio Grande do Norte, que tinha ficado em segundo lugar no Miss Pernambuco. No dia do concurso, o Diário de Notícias publicou: “Se Zayra for eleita Miss Guanabara, a mais bela carioca será uma pernambucana”. Ora, a carioca era exaltada como uma das mulheres mais belas do mundo e o bairrismo do carioca, óbvio, falou mais alto. "
   

O CONCURSO MISS GUANABARA 1961

Alda Maria Coutinho de Morais , Miss Guanabara 1961. (Foto: Gervásio Batista, revista Manchete, 24/06/1961).

          Vinte e oito jovens disputaram o Miss Guanabara 1961. O publico ficou dividido entre Maria Helena Soares de Souza, Miss Riachuelo, e Iara Santos, Miss Renascença, mas quem venceu foi Alda Maria Coutinho de Morais, Miss Clube Leblon, uma loura de olhos verdes, estudante do segundo ano de Direito.  

          A forte presença de Zayra Pimentel na passarela do Maracanãzinho despertou a atenção do repórter  Ubiratan de Lemos. Ele escreveu na revista O Cruzeiro, de 24/06/1961:  

“Pedimos licença para referir o azulão-veludo de Zaira Pimentel, da AABB, orçado em 300 mil.  Rita Nery, Ana Maria Amorim e Zaira Pimentel ficaram de fora. Os jurados não tiveram oportunidade de vê-las com cuidado." 

          Detalhe : A grafia correta do nome de Zayra é com “y”, mas até hoje, de vez em quando, seu nome saí na imprensa escrito com “i”.

 
ZAYRA, DEUSA DO CAPIBARIBE

          Adília Pimentel, filha de Zayra, com base em duas fotografias em preto e branco de sua Mãe, elaborou duas imagens mágicas.

Zayra Pimentel e o Rio Capibaribe, no centro do Recife
                                                                              
Zayra Pimentel , Miss Clube Náutico Capibaribe, na passarela do Clube Português do Recife, na noite em que foi eleita  Miss Pernambuco 1957
   

ZAYRA, DEUSA DE COPACABANA



 

Zayra Pimentel, radicada há muitos anos no Rio de janeiro, no bairro de Copacabana, é uma Miss que o tempo contribuiu para tornar ainda mais bela. 


EPÍLOGO       

          E se o jornal Diário de Notícias tivesse silenciado sobre a origem pernambucana de Zayra Pimentel e deixasse as coisas fluirem normalmente?  Ela teria sido eleita Miss Guanabara 1961?  Alda Maria Coutinho de Morais, Miss Guanabara 1961,  ficou em terceiro lugar no Miss Brasil e representou a beleza brasileira em Londres, no Miss Mundo, onde não obteve classificação. Zayra Moreira Pimentel teria ido mais longe? Nem o vento frio desta última tarde pernambucana de julho de 2010 saberá responder.

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sábado, 24 de julho de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - Zayra Pimentel, Miss Pernambuco 1957

Daslan Melo Lima


PRÓLOGO

     Recife, Pernambuco, década de 1950. A simples e aconchegante casa do casal Jair e Neuza ,  localizada na Vila dos Remédios, no bairro de Afogados,  vivia sempre cheia de artistas do rádio. O Sr. Jair Moreira Pimentel, Sargento da Polícia Militar, tocava clarinete, era músico de grande talento e também poeta.  O Sr. Jair e D. Neuza tinham quatro filhos, todos com nomes iniciados pela letra “Z”: Zanoni, Zoroastro, Zenaide e Zayra.  A garota Zayra  chamava a atenção de todos pela inteligência, beleza, pelos olhos castanhos claros, carisma, personalidade e dotes artísticos. Eventualmente, atuava em pequenas apresentações do Grupo Teatral de Amadores do Atlético, pertencente ao Atlético Clube de Amadores, na Estrada dos Remédios, uma das principais artérias do bairro de Afogados, na frente da Vila dos Remédios.  Em 1957, representando o Clube Náutico Capibaribe, Zayra Pimentel foi eleita Miss Pernambuco, iniciando uma trajetória que faria dela uma das Misses mais famosas do Estado.

O CONCURSO MISS PERNAMBUCO 1957

     O concurso Miss Pernambuo 1957 foi realizado no dia 11 de maio, no Clube Português do Recife, com a participação de oito candidatas: Miss Aero Clube de Pernambuco, Maria Josefina Malta Mauricéia;  Miss Atlântico Olindense,  Berenice Souza Barros;  Miss  Cabanga Iate Clube,  Roselis Nicéas;  Miss Círculo Militar do Recife,  Sônia Maria Campos;   Miss  Clube Internacional do Recife,  Marluce Laranjeira;  Miss Clube Náutico Capibaribe,  Zayra Moreira Pimentel;  Miss Clube Português do Recife,  Violeta Botelho;  e Miss Sport Club do Recife,  Flávia da Veiga Pessoa.  Entre as pessoas que fizeram parte da comissão julgadora estavam duas das personalidades pernambucanas mais importantes de todos os tempos: o poeta Mauro Mota (1911-1984) e o médico, jornalista e autor teatral Waldemar de Oliveira (1900-1977).

 
Momento em que o poeta Mauro Mota entregava a Zayra Pimentel um brinde da Indústria de Bebidas Cinzano S.A. , uma das empresas promotoras do concurso . À esquerda, Sônia Maria Campos. À direita, Violeta Botelho. (Foto original pertencente ao acervo de Daslan Melo Lima)

     Já era madrugada do dia 12 de maio quando foi anunciado o resultado: Violeta Botelho, Miss Clube Português do Recife, terceiro lugar; Sônia Maria Campos, Miss Circulo Militar do Recife, segundo; e Zayra Pimentel, Miss Clube Náutico Capibaribe, 19 anos completados no dia 15 de janeiro, 1m67cm de altura, primeiro lugar, muito aplaudida num modelo na linha clássica, simples, na cor coral, criado por Dodô Santos Dias.  
      Duas curiosidades sobre o Miss PE 1957. Primeira: Sônia Maria Campos voltou a disputar o Miss Pernambuco no ano seguinte, na condição de Miss Santa Cruz Futebol Clube, e conquistou o primeiro lugar. Favorita no  Miss Brasil,  perdeu o título  para Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal.  Em Londres, no primeiro Miss Mundo do qual o Brasil participou, Sônia classificou-se em sétimo lugar.  Segunda curiosidade: Violeta Botelho provocou a primeira grande celeuma da história do concurso Miss Pernambuco. Muito católica, Violeta Botelho ficou em conflito ao se inscrever no Miss PE, pois sabia que teria a obrigação de desfilar de maiô. Hesitou, pediu conselhos ao seu confessor e foi em frente, mas na grande noite recusou terminantemente a desfilar de maiô.  Mesmo assim, deram-lhe o terceiro lugar.

ZAYRA. UMA RAINHA NO RIO

 
     Acima, dezesseis das dezenove concorrentes ao título de Miss Brasil 1957.  Zayra é a quinta, na fila da frente, da esquerda para a direita.  ***** Em pé, da esquerda para a direita: Sandra Hervé (Miss Rio Grande do Sul, terceira colocada); Lúcia de Carvalho (Miss São Paulo);  Chloris Maria Guimarães Fontenelle (Miss Piauí); Maria Helena Morais e Silva (Miss Sergipe); Terezinha Gonçalves Morango (Miss Amazonas, eleita Miss Brasil); Tereza Catarina Morais e Castro (Miss Pará), Maria do Socorro Gurgel (Miss Rio Grande do Norte) ; Marta Leão Pincowska (Miss Goiás ); e Maria Dorotéia Antunes ( Miss Minas Gerais, segundo lugar). ***** Sentadas, da esquerda para a direita: Lia Guimarães Pires de Castro (Miss Ceará, quarto lugar); Rosa Lúcia Pacheco (Miss Alagoas); Karin Japp (Miss Paraná, quinto lugar); Lygia Maria Bonfim (Miss Espírito Santo); Zayra  Moreira Pimentel (Miss Pernambuco); Cylis Píres da Rocha (Miss Rio de Janeiro) e Maria Zélia de Almeida Cardoso (Miss Paraíba).  ***** (Foto: Revista Manchete, 29/06/1957). 

     Zayra  Pimentel representou muito bem  Pernambuco no Miss Brasil 1957, embora não tenha conseguido uma vaga entre as finalistas. A vencedora foi Teresinha Morango, Miss Amazonas, que trouxe o vice-Miss Universo para o Brasil pela segunda vez, depois da baiana Martha Rocha, em 1954.  Em 1961, mais bela e experiente,  Zayra ostentou a faixa de Rainha do Carnaval do Recife e  fixou residência  no Rio de Janeiro , onde  foi convidada para representar a AABB-Associação Atlética Banco do Brasil no Miss Guanabara.   Apesar de ter sido uma forte candidata ao título, não ficou entre as finalistas.  

De maiô Catalina, Zayra  Pimentel, Miss AABB,  candidata ao título de Miss Guanabara  1961. (Foto: Revista O Cruzeiro, 24/06/1961).

ZAYRA, A MISS QUE CONQUISTOU UM REI

     Zayra Pimentel conquistou o coração de um rei da canção romântica, Francisco José, cujo nome completo era Francisco José Galopim  de Carvalho  (1924-1988), o maior cantor português de todos os tempos.  Do casamento com o cantor nasceu sua única filha Adília.   

 
Francisco José, imortalizado pela bela voz e pela interpretação de “Olhos Castanhos”, composição dele e de Alves Coelho, o maior sucesso da sua carreira.

Teus olhos castanhos/De encantos tamanhos / São pecados meus./ São estrelas fulgentes,/Brilhantes, luzentes,/ Caídas dos céus./ Teus olhos risonhos / São mundos, são sonhos,/ São a minha cruz / Teus olhos castanhos/De encantos tamanhos / São raios de luz. ///// Olhos azuis são ciúme /E nada valem para mim./Olhos negros são queixume / De uma tristeza sem fim./ Olhos verdes são traição,/ ão cruéis como punhais,/Olhos bons com coração/Os teus,castanhos leais.

O PERFIL DE CONSUMIDOR DE ZAYRA PIMENTEL

     No dia 29/07/1991, em  entrevista  no melhor estilo “ping-pong” à coluna Perfil do Consumidor, do jornalista Fernando Machado, publicada no Jornal do Commercio, do Recife, Zayra Pimentel confessou, entre outras coisas,  que o dia mais feliz como Miss Pernambuco foi o da noite do concurso: “Acabara  de ser eleita, o povão gritando o meu nome, todos de pé, pétalas de rosas sobre mim, etc. Lá de cima da passarela avistei meu ex-namorado e a mãe dele, que me detestava só porque eu era pobre. Os dois estavam me aplaudindo  também de pé. A-d-o-r-e-i”. ***** Uma Miss Brasil: Marta Rocha. ***** Uma Miss Pernambuco: Nelbe Souza.  ***** A Miss que a influenciou: Não foi uma Miss, foi o Alex. Eu era uma pedra bruta e ele me lapidou. ***** Uma Miss Pernambuco que merecia ser Miss Brasil: Várias. ***** Uma jovem que merecia ser Miss Pernambuco: Jô Malta Mauricéia, disputou comigo o Miss Pernambuco, representando o Aeroclube. ***** Um homem bonito: Antônio Luiz  Darley do TER. Você precisa conhecer, é todo lindo! ***** Uma mulher bonita:  Maitê Proença. ***** Um homem elegante: Waldo Pinto, dono do restaurante Terral. ***** Uma mulher elegante: Sílvia Amélia, Baronesa de Waldner, ex-Marcondes Ferraz. ***** Perfume: Paris, de Yves Saint Laurent. ***** Xampu: Quaratina, de Payot. ***** Maquiagem: Germaine Montel  ***** Cabeleireiro: Há vários bons profissionais no ramo: Sílvio Nogueira, Almir da Paixão, Ernani, Lurdinha, em Piedade e  Dezinha, em Olinda. ***** Símbolo sexual: Antôno Fagundes.
 
 Zayra Pimentel em foto-propaganda para a televisão, nos anos 1970. (Imagem reproduzida do livro-revista “Canta se Queres Cantar”, de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos). >>>>>

Costureiro: As roupas mais bonitas e bem feitas que já usei foram de Marcílio Campos e Vitor Moreira. ***** Sapato: Chanel, delicadeza em pés femininos. Para o conforto dos pés, nada como o tênis. ***** Bolsa: Tipo apache para o dia ou executivas e pequenas para a noite. ***** Revista: Veja. ***** Gostaria de ser capa de que revista: Manchete. ***** Maquilador: Almir da Paixão e meu saudoso amigo Múcio Catão, sem igual! ***** Motivo de orgulho: Minha filha. Estuda, trabalha e não tem vícios.  Nos dias de hoje não é um motivo de orgulho? ***** Motivo de decepção: Não lembro. Só costumo relembrar as coisas boas que vivi que é pra revivê-las. As ruins, sepulto-as! ***** Sua maior decepção como Miss: A mesma acima. ***** Fobia: barulho, casas pequenas com aparelhagem de som para um estádio. É de enlouquecer.
Livro de Cabeceira: O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Alan Kardec. ***** Quem gostaria que escrevesse a sua biografia: Quem gostasse de mim com meus defeitos, ou seja, meus verdadeiros amigos Fernando Machado e Muciolo  Ferreira. ***** Lingerie: Com muita renda e lacinhos. ***** Santo protetor: São Pedro e Santa Bárbara. ***** Restaurante que gosta de ir: Hipopotamus, no Rio; Florentinos, em Brasília e o Terral, em Olinda. ***** Bebida: Água de Coco e refrigerante dietético. ***** Sobremesa preferida: Todas. ***** Comida preferida: Lagosta ao Thermidor e Carpaccio. ***** Fruta: Manga e sapoti. ***** País que gostaria de conhecer: Estados Unidos. ***** País que gosta de voltar: Portugal, onde já morei muito tempo. ***** Melhor passarela que já pisou: As ruas do Recife

 
Zayra Pimentel em 1987. (Foto: Henrique, Copacabana - “Canta se Queres Cantar", de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos)

Um compositor: Meu pai, Jair Pimentel. Compôs pra mim e a minha filha gravou.  ***** Quem gostaria que compusesse uma música para você: José Augusto, com versos de Isolda. ***** Cantor: Francisco José, o maior cantor português que já apareceu no Brasil e pai da minha filha. ***** Cantora: Fafá de Belém,  minha amiga. ***** Hino musical: No momento, “Evidências”, com José Augusto. ***** Música que gosta de cantar: “A Deusa da Minha Rua”. ***** Um frevo pernambucano: “Três da Tarde”, de Lídio Macacão. ***** Um compositor de frevo: Clídio Nigro, José Menezes, Carnera, Capiba e muitos outros que gostaria de citar, mas o espaço é pouco. ***** Uma Rua do Recife: Rua da Aurora, que já foi modelos para centenas de fotógrafos e pintores. ***** Recife chique: No passado, o “Bal Masque”, do Internacional. Impossível esquecer. ***** Recife brega: Praia aos domingos. ***** Um fotógrafo: Henrique e Antonio Rudge, da Manchete. ***** Filme inesquecível: “A Grande Valsa”, na primeira versão, em preto e branco. ***** Um ator de cinema: Anthony Perkins. ***** Uma atriz de cinema: Bette Davis. ***** Um homem inteligente: Charles Chaplin. ***** Uma mulher inteligente: Indira Gandhi. ***** Artista plástico: Francisco Brennand. ***** Quem gostaria que pintasse seu retrato: João Câmara. ***** Quem levaria para uma ilha deserta: Só nos dois é quem sabemos. ***** Quem deixaria por lá: Os intrigantes e os invejosos. ***** Pasta de dente: Colgate com flúor. ***** Ponto turístico de Pernambuco: Olinda. ***** Um político: Teotônio Vilela – insubstituível. ***** Uma personalidade: Guilherme Palmeira. ***** Um mito: Pelé. ***** Time de futebol: Brasil, Brasil e Brasil. ***** Um jogador que está faltando na seleção: Garrincha. ***** Um poeta: Fernando Pessoa. ***** Com quem gostaria de se esbarrar no Shopping Center: Esbarrar não, gostaria de abraçar Miguel Arraes. ***** Qual o personagem da história pernambucana que admira: Joaquim Nabuco. ***** Um momento de saudade: “Fique deitadinha aí, que eu vou preparar um café ecológico para você.” ***** Pensamento: “Mais vale errar por ter tentado, do que deixar de acertar por ter medo de errar!”

POR ONDE ANDA ZAYRA PIMENTEL

      Zayra Pimentel fez televisão, apresentando ao lado de Fernando Castelão (1924-2005), na TV Jornal do Commercio, Recife, Canal 2, o programa “Você Faz o Show”.  Na foto acima, diante da câmara, o cantor Expedito  Baracho. Atrás, da esquerda para a direita,  o apresentador Fernando Castelão; a cantora Marilene Silva; Zayra Pimentel; Violeta Botelho e Zé de Castelão. (Foto: “Canta se Queres Cantar”, de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos)
     



     Zayra  Pimentel  fez parte do elenco do filme “O Último Cangaceiro”, de 1971, dirigido por Carlos Mergulhão.  Também atuou em “Café na Cama”, de 1973, um dos melhores filmes de Alberto Pieralisi (1911-2001), baseado no livro homônimo de Marco Rey (1925-1999).  Poderia ter prosseguido na carreira artística, como atriz ou cantora, mas formou-se em Direito e ingressou no Serviço Público Federal. Aposentada, mora no Rio de Janeiro, onde está mais perto da sua filha Adília e da neta Dominic.     

O senador alagoano Teotônio Brandão Vilela (1917-1983) foi padrinho de formatura de Zayra Pimentel, no curso de Direito. (Foto: "Canta se Queres Cantar"-CECS)
 

     Adília e Dominic, mãe e filha, as herdeiras do casal real Francisco José, rei da canção romântica portuguesa, e Zayra Pimentel, rainha da beleza pernambucana. (Foto: Cortezia)

EPÍLOGO

 

       Zayra Pimentel, uma Miss que o tempo contribuiu para tornar ainda mais bela.  (Foto: Cortezia) 

     A marcante personalidade de Zayra Pimentel vai ao encontro de uns versos de “Amar!”, belo e profundo soneto da poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930) que a Miss Pernambuco 1957 adora: "E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada / Que seja a minha noite uma alvorada, /  Que me saiba perder... pra me encontrar... Vale a pena conferir o texto completo:  
Eu quero amar, amar perdidamente! / Amar só por amar: aqui... além... / Mais este e aquele, o outro e toda a gente... / Amar!  Amar!  E não amar ninguém! ///// Recordar?  Esquecer?  Indiferente!... / Prender ou desprender?  É mal?  É bem?/Quem disser que se pode amar alguém / Durante a vida inteira é porque mente! ///// Há uma primavera em cada vida: / É preciso cantá-la assim florida,/Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! ///// E se um dia hei de ser pó, cinza e nada / Que seja a minha /noite uma alvorada,/Que me saiba perder... pra me encontrar...
      
     Zayra Pimentel tem orgulho do título de Miss Pernambuco 1957 e de suas raízes nordestinas. De vez em quanto visita Recife e Olinda, a fim de matar as saudades das mais caras referências da sua vida. O escritor Carlos Eduardo Carvalho dos Santos, um dos seus amigos, ainda se emociona ao recordar que foi vizinho de Zayra  Pimentel na Vila dos Remédios,  que fez dueto com ela na peça “A Dança das Palmeiras”, no Atlético Clube de Amadores, e  que adorava  acordar ao som de “Estrellita” , do  compositor mexicano  Manuel  Maria Ponce (1882-1948), tocada pelo  Sr. Jair,  falecido em novembro de 1987, pai de Zayra .


Jair Pimentel, pai de Zayra. (Foto: “Canta se Queres Cantar”, de Carlos Eduardo Carvalho dos Santos)

Estrellita del lejano cielo, /que miras mi dolor,/que sabes mi sufrir. /Baja y dime /si me quiere un poco,/ porque yo no puedo sin su amor vivir. ///// ¡Tu eres estrella mi faro de amor! /Tu sabes que pronto he de /morir. /////Baja y dime /si me quiere un poco,/porque yo no puedo sin su amor vivir...
     Conheci pessoalmente Zayra Pimentel na noite do concurso Miss Pernambuco 1989, realizado em 11/03/1989, no mesmo Clube Português do Recife, onde há 22 anos ela tinha sido eleita Miss Pernambuco 1957. Consegui contornar minha timidez e aproximei-me dela. Pedi um autógrafo e ganhei um beijo. Mais do que isso, ganhei a lembrança de um momento mágico que guardo comigo há 21 anos.

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - No tempo do concurso Miss Suéter

Daslan Melo Lima

ANTES DO SILICONE

.....Nas décadas de 1950 e 1960, um concurso despertava muita atenção, embora sem o glamour idêntico ao que existia no Miss Brasil. Tratava-se do Miss Suéter, um certame que procurava destacar as jovens que aparentavam ter bustos bem proporcionados. Ninguém falava naquela época em silicone. Os únicos truques permitidos, e que todos sabiam que existiam, eram os de as concorrentes usarem sutiãs de boas marcas que destacavam suas silhuetas, sutiãs cujas propagandas podiam ser vistas nas maiores revistas brasileiras, como os da marca Magic-Form e De Millus. Para usar no concurso, o ideal era o sutiã no estilo denominado bullet, que deixava os seios pontiagudos.


Elegante! Confortável ! Saudável ! Quaisquer que sejam as proporções de sua silhueta, Você encontra o MAGIC-FORM exato para suas medidas, porque V. pode escolher entre três tamanhos diferentes de conchas: a) para busto pequeno; b) para busto médio: e c) para busto cheio!
(Revista O Cruzeiro, 09/07/1955)


Este é o fabuloso De Millus, feito para favorecer a sua beleza. ERGUE, PRENDE E REALÇA com naturalidade. Desenhado anatomicamente, não comprime o seio, não deforma o busto, não sai do lugar. 40 modelos exclusivos – um para cada tipo. Conheça o seu modelo... e tenha o busto que você quer! (Revista Manchete, 22/10/1955)

LEILA FELIPE, MISS SUÉTER 1955

.....Tal como nos certames de beleza de maior prestígio, o Miss Suéter era composto de garotas consideradas fortes e fracas concorrentes, assim como de satisfação e insatisfação por parte do público, quando os resultados eram anunciados.

A morena Leila Felipe, disputando com uma loura, foi escolhida Miss Suéter de 1955. O concurso, realizado em São Paulo com grande interesse do público, foi patrocinado por Moinho Santista, Mappin, Tricot-Lã e Max-Factor. O seu encerramento foi realizado na “boite” Bambu, na capital paulista, com o Baile das Suéteres.


A loura Vilma Chandler, representante da TV-Record, deu um grande exemplo de espírito esportivo. Franca favorita, inclusive por parte da maioria das demais competidoras, desde os desfiles preliminares do concurso (quando foi sempre a mais votada), derrotada no final apenas por um voto, foi a primeira a abraçar a adversária vitoriosa.


O Sr. Simon Lierner, diretor de Tricot-Lã, entrega a taça à vitoriosa Leila Felipe, Miss Suéter de 1955. (Revista Manchete, 02/07/1955)



VERA LÚCIA E MARIA ELIZABETH, DAS PASSARELAS DO MISS SUÉTER PARA AS DO MARACANÃZINHO


.....Nos anos 60, duas garotas que ostentaram o título de Miss Suéter ficaram famosas nas passarelas do concurso Miss Guanabara: Vera Lúcia Couto, Miss Guanabara 1964, e Maria Elizabeth Ridzi, vice-Miss Guanabara 1966.


Ano de 1961. Vera Lúcia Couto dos Santos, eleita Miss Suéter do Clube Renascença, ladeada por duas candidatas do Miss Guanabara 1961, Miss Satélite Clube e Miss Associação Atlética Banco do Brasil. Detalhe: A Miss AABB, Associação Atlética Banco do Brasil, é Zaira Pimentel, Miss Pernambuco 1957, que morava no Rio de Janeiro na época e foi convidada para representar a AABB no concurso Miss Guanabara 1961, onde foi uma das mais fortes candidatas, embora não tenha obtido classificação entre as semifinalistas. (Foto: Revista Manchete, 17/06/1961)


Vera Lúcia Couto, da passarela do Miss Suéter 1961 para as do Maracanãzinho e Long Beach, onde foi vice-Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964.(Foto: Revista fatos & Fotos, 11/07/1964)


Maria Elizabeth Ridzi, da passarela do Miss Suetér, no concurso promovido pelo Social Clube de Meriti, em São João do Meriti, RJ, para a do Maracanãzinho, onde foi eleita vice-Miss Guanabara 1966. (Foto: Revista Manchete, 25/06/1966)

MISS SUÉTER NA TV GLOBO


Na novela O Profeta, produzida e exibida pela Rede Globo, no horário das 18 horas, de outubro a maio de 2007, a atrz Carol Castro fez o papel de uma jovem ambiciosa dos anos 50 que foi eleita Miss Suéter. (Foto: Divulgação-Rede Globo)

DEPOIS DO SILICONE


.....Existe uma banda baiana chamada Miss Suéter, cujo nome é uma homenagem à dupla João Bosco e Aldir Blanc, autores da canção homônima. A banda toca samba, funk, rock, bolero e frevo. Fazem parte da Miss Suéter os seguintes artistas: Antenor Cardoso (percussão), Carlos “Ed” Veiga (baixo), Felipe Dieder (bateria), Lia Lordelo (vocal), Luciano “Pajé” Simas (guitarra e vocal), Pedro Santana (violão e vocal) e Ronei Jorge (vocal e guitarra). (Foto:www. festadasemana.pop.com.br).

.....O concurso Miss Suéter (suéter do inglês sweater, agasalho fechado feito de malha de lã), cujas candidatas recorriam aos sofisticados sutiãs, do francês soutien-gorge, desapareceram e perderam totalmente o sentido nos dias de hoje. Garotas lindas andam pelas ruas vestindo, com a maior naturalidade, blusas transparentes, decotes ousadíssimos e... nenhum sutiã. E quanto aos seios belos que ostentam, todos desconfiam que sejam de silicone.

.....Os pivots de que falam a letra da música Miss Suéter, de João Bosco e Aldir Blanc, chegaram a ser um símbolo de status nos anos de 1950. Era chique extrair um, dois ou mais dentes e substitui-los por outros de ouro, ou então colocar o metal precioso em pequena quantidade entre um dente e outro. A sigla INPS, também citada na música, era a sigla do Instituto Nacional de Previência Social, hoje INSS, Instituto Nacional de Seguro Social.

.....Os tempos mudam, as Misses mudam, mas a nostalgia de certas coisas mágicas, como o concurso Miss Suéter, ainda permanece. Pelo menos enquanto alguém em algum lugar cantarolar, como eu cantarolo agora, com o coração, a música de João Bosco e Aldir Blanc.

Miss Suéter

Composição de João Bosco e Aldir Blanc

Fascínio tenho eu por falsas louras
(aí, a negra lingerie),
com sardas, sobrancelha feita a lápis e perfume da Coty.
Na boca, dois pivots são graciosos entre jóias naturais
e olhos tais minúsculos aquários de peixinhos tropicais.
Eu conheço uma assim, uma dessas mulheres
que um homem não esquece.
Ex-atriz de TV, hoje é escriturária do INPS.
E que, dia atrás, venceu lá no concurso de Miss Suéter

Na noite da vitória, emocionada, entre lágrimas falou:
- "Nem sempre a minha vida foi tão bela, mas o que passou, passou...
Dedico esse título a mamãe que tantos sacrifícios fez
pra que eu chegasse aqui, ao apogeu, com o auxílio de vocês."

Guardarei para sempre seu retrato de miss com cetro e coroa.
Com a dedicatória que ela em letra miúda, insistiu em fazer:
"Pra que os olhos relembrem quando o teu coração infiel esquecer.
Com um beijo, Margot"

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Ângela Maria e João Bosco cantam "Miss Suéter":