*****

SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 711, referente ao período de 14 a 20 de abril de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 13 de novembro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - Marilena de Oliveira Lima, Miss Brasil Adotiva do Povo 1965, e a história de uma vaia

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

          A não classificação de Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, em primeiro lugar no Miss Brasil 1965, gerou a maior revolta do público que se tem notícia na história do famoso concurso. Ela é a homenageada desta semana, com comentários e imagens que complementam a Sessão Nostalgia de 1º/11/2008, cuja matéria, sob o título “Maracanãzinho, 03/07/1965, A História de uma Vaia”, poderá ser conferida no final desta secção.
          
MARILENA, UMA ESTRANHA BELEZA DE GATA SELVAGEM

           Quando Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, deixou o Maracanãzinho de madrugada após o concurso Miss Brasil, em que o júri a classificou em quarto lugar, ainda havia gente junto aos portões, esperando para aplaudi-la. A derrota não a abalou; sorria para os seus fãs como se tivesse sido a grande vitoriosa da noite. O pai a esperava à saída, para o abraço de solidariedade. O público quase rompeu os cordões de isolamento para vê-la mais de perto. Menos de duas horas antes, quando ainda desfilava, a multidão manifestava de maneira categórica sua preferência. A cada volta na passarela soavam aplausos. E a torcida não escondeu sua decepção quando descobriu que sua favorita não estava entre as três primeiras colocadas. Estrondosas vaiais encheram o estádio. Detentora de nove títulos de beleza, era a primeira competição que Marilena perdia. Mesmo derrotada, o público a consagrava: a vitória das palmas era sua.

          Agora, Marilena voltará a Mato Grosso. Em Campo Grande, onde mora, continuará sua vida como ela tem sido: os estudos, os passeios a cavalo, os mergulhos na piscina do Rádio Clube e as fugas para caçadas nos fins-de-semana.

Corpo de Miss, aos 16 anos. Uma estranha beleza de gata selvagem.
           Seus olhos de índia selvagem já eram lindos quando nasceu. Aos dois anos, a vaidade feminina acordava nela o espírito de moça elegante, que cultiva até hoje. Não deu muito trabalho aos pais porque tem natureza dócil e meiga. Mas não resistiu à tentação de fugir para realizar caçadas nos campos e cerrados de Mato Grosso. Aprendeu logo a atirar e hoje muito raramente erra dois tiros seguidos. No ginásio, aprendeu a tocar tambor e desfilou com a fanfarra. Aulas de balé, pintura e piano completaram sua educação. Eis, em resumo, o que tem sido, dos 2 aos 18 anos, a carioquinha que os pais registraram em Mato Grosso e trouxeram ao Rio, no IV Centenário, para concorrer ao título de Miss Brasil. ***** (Revista Sétimo Céu)

MARILENA, SONHO DE RONDON
Miss Mato Grosso, Marilena de Oliveira Lima, apresentou a alegoria Sonho de Rondon, concebida pelo costureiro Heck Santos. O cocar amarelo e azul é belíssimo. (Revista Manchete, 17/07/1965)
 MARILENA ENTRE AS OITO FINALISTAS DO MISS BRASIL 1965
As oito finalistas do Miss Brasil 1965. Da esquerda para a direita: Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, 2º lugar; Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, 3º lugar; Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Groso, 4º lugar; Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, 1º lugar; Rosemary Raduhy, Miss Paraná, 6º lugar; Solange Leão, Miss Espírito Santo, 8º lugar; Ilce Ione Hasselmann, Miss Estado do Rio, 5º lugar; Marilda Mascarenhas da Silva, Miss Bahia, 7º lugar. (Foto: Manchete, 17/07/1965)

MARILENA ENTRE AS 4 MAIS BELAS DE 1965
O Top 4 do Miss Brasil 1965 em traje de gala. Da esquerda para a direita: 1 – Maria Raquel, a nova Miss Brasil, foi bastante aplaudida ao desfilar neste belo vestido de tule cor-de-rosa, inteiramente bordado em pedrarias. O público vaiou o veredicto, mas achou justo que ela figurasse entre as três primeiras. 2 – Também Miss São Paulo, Sandra Rosa, fez valer a sua classe num bonito vestido em dois tons de dourado. 3 – Miss Minas Gerais, Berenice Lunardi, impressionou pelo porte monumental. Estava linda num vestido vermelho plissado, com estola da mesma cor. 4 – Miss Mato Grosso, Marilena de Oliveira Lima, conquistou, fulminantemente, 40 mil espectadores do Maracanãzinho e seis milhões de telespectadores. Os próprios jurados não ficaram contentes com a sua ausência entre as finalistas. (Manchete, 17/07/1965)

MARILENA, MISS BRASIL ADOTIVA DO POVO 1965

          Marilena de Oliveira Lima, por motivos independentes da sua vontade, ficou no centro da controvérsia no Maracanãzinho. É a Miss Brasil Adotiva do Povo. A diplomacia decidiu fazer a felicidade de Miss Mato Grosso, Marilena de Oliveira Lima. No Ministério das Relações Exteriores, lhe deram o título de Miss Itamarati. E agora se anuncia que ela poderá ir a Maiorca, onde todos os anos se realiza, diplomaticamente, a eleição de Miss ONU.

          No tempo de Sthendal, a forma  mais espetacular de entrar para a sociedade era através de um duelo. Hoje em dia, a maneira mais prática de alcançar a fama é despertar controvérsia. Ou seja, na definição um tanto cínica de um escritor: “Falem mal, mas falem de mim.” Com Marilena, porém, a controvérsia é a favor. Todos falam bem dela. Ela é a miss que não ganhou a coroa; mas merecia ganhar. Assim ao menos julgou o povo, que lamentou ter sido ela prejudicada por uma inexistente lei das inelegibilidades. Miss Mato Grosso tem uma pele morena belíssima, e é toda encanto. Ela aceitou esportivamente a desclassificação. Mas, como vivemos numa democracia, foi procurada uma fórmula mais prática de fazer valer a vontade do povo. Assim, em Maiorca, poderá tornar-se Miss ONU. ***** ( Revista Manchete)

EPÍLOGO

          Segundo a revista Fatos & Fotos, após ser  anunciado o resultado do concurso Miss Brasil 1965, a mãe de Marilena de Oliveira Lima, entre desconsolada e decepcionada, declarou: “ O Brasil acaba de perder o título de Miss Universo. Minha filha era a única que tinha condições de trazê-lo.”

          Maria Raquel de Andrade, Miss Guanabara, Miss Brasil 1965, ficou entre as quinze semifinalistas do Miss Universo 1965, ano em que a vencedora foi Apasra Hongsakula, Miss Tailândia. Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, vice-Miss Brasil, foi a quinta colocada no Miss Beleza Internacional, vencido por Ingrid Finger, da Alemanha. Berenice Lunardi, Miss Rio Grande do Sul, terceira colocada no Miss Brasil, não obteve classificação no Miss Mundo, cuja vitoriosa foi a inglesa Lesley Langley. Como teria sido a performance de Marilena de Oliveira Lima em um desses concursos ? Não sei. Ninguém sabe. Só sei que Marilena de Oliveira Lima foi a Miss Brasil Adotiva do Povo 1965, um título original, feliz e único dado por  Manchete, uma das mais importantes revistas que já circularam por este nosso imenso país-continente.

           Para você, Marilena de Oliveira Lima, Miss Brasil Adotiva do Povo 1965 , minha singela homenagem neste novembro de 2010 que logo mais será parte de um tempo mágico que se foi, como aquele julho de 1965, de tantas emoções e recordações.

*****

SESSÃO NOSTALGIA - MARACANÃZINHO, 03/07/1965, A HISTÓRIA DE UMA VAIA


Daslan Melo Lima


      Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 03/07/1965, noite da eleição da Miss Brasil 1965. A tradicional passarela em forma de ferradura foi substituída por outra com o símbolo do quarto centenário da cidade do Rio de Janeiro. A grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, e mais de duas dezenas de jovens que participariam do Miss Universo 1965 eram convidadas especiais. Vinte e cinco lindas brasileiras desfilaram na passarela em busca do sonho mágico de ser eleita Miss Brasil 1965. A preferida do público era uma morena chamada Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarta colocada. Por causa dela, o Maracanãzinho, o templo da beleza nacional, conheceu a maior vaia de sua história.

-----

As oito finalistas do Miss Brasil 1965. Da esquerda para a direita:
Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, 2º lugar;
Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, 3º lugar;
Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Groso, 4º lugar;
Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, 1º lugar;
Rosemary Raduhy, Miss Paraná, 6º lugar;
Solange Leão, Miss Espírito Santo, 8º lugar;
Ilce Ione Hasselmann, Miss Estado do Rio, 5º lugar;
Marilda Mascarenhas da Silva, Miss Bahia, 7º lugar.
(Foto: revista Manchete)

-----

Pela primeira vez, na história da eleição do Miss Brasil, ninguém ficou satisfeito. O público vaiou o resultado final, os observadores autorizados acharam que alguma coisa estava errada, e os próprios jurados manifestaram, de diversas formas, o seu desagrado, dando a entender que o veredito não correspondia, de forma alguma, à vontade soberana do júri.
Acontece que o modo pelo qual é avaliada a opinião dos julgadores, obedece a um complicado critério aritmético, que mais tarde é submetido à manipulação por parte de uma pessoa que não pertence ao júri. Essa pessoa conta os diferentes pontos, faz a soma e tira a conclusão.

Alguns dos membros do júri deste ano confessaram que, tendo em vista o critério aritmético, tudo correu honestamente no Maracãnazinho.
“Mas – acrescentaram – o critério usado não é o melhor. Se temos oito finalistas, tudo seria muito simples se nos mandassem escolher nominalmente, entre as oito, as três favoritas. Então, cada um de nós indicaria: Fulana de Tal deve ser Miss Brasil. Aquela que obtivesse a maioria de votos seria naturalmente a eleita. No entanto, nada disso aconteceu. A eleição foi limpa, mas a verdade é que muitos de nós estávamos torcendo pela Miss Mato Grosso, e não podemos compreender como ela foi parar no quarto lugar.”

Conclusão: o concurso torna complicado o que deveria ser simples. Conseqüência: 12 minutos de vaia, e a necessidade de escolta policial para que os jurados podessem sair do estádio. E, no meio de tudo isso, uma graciosa pessoa teve que demonstrar extraordinária coragem moral. A nova Miss Brasil, Maria Raquel de Andrade, já ornada com a coroa e o manto real, desfilou lentamente, majestosamente, maravilhosamente, diante de 40 mil pessoas enfurecidas. Ela merecia a vitória e não teve culpa de nada. As vaias não lhe eram endereçadas. Foi necessário que ela vivesse esse momento dramático, esse terrível equívoco, para que a opinião pública começasse a exigir a modificação do regulamento de escolha de Miss Brasil. Esperemos que no ano que vem o povo possa voltar inteiramente feliz para casa, depois de ter visto a mais bela Miss desfilar sob os aplausos de todos.
Revista Manchete, 17/07/1965

-----

Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso
-----

Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara. 
(Fotos: Manchete)
-----

No Maracanãzinho mais cheio de todos os concursos de Miss Brasil, o público dividiu-se desde os primeiros momentos do desfile. De um lado, a favorita era Miss Mato Grosso, a morena Marilena de Oliveira Lima, que em todas as prévias feitas era apontada como a mais cotada para Miss Brasil-65; de outro, de narizinho arrebitado e doce sorriso, Miss Guanabara, Maria Raquel de Andrade, do Botafogo. As duas marcaram a grande noite, inspiraram vaias e aplausos. A desclassificação de Marilena provocou protestos como o Maracanãzinho não vira antes, chegando a assustar o júri.

Duas surpresas para o público: Miss Mato Grosso, que era a mais cotada desde o início, não figurou entre as três finalistas; e Miss Alagoas, uma das mais bonitas concorrentes, não ficou sequer entre as oito primeiras. A primeira, a morena Marilena, era a forte rival de Maria Raquel e a eleita do povo. A segunda, Mary Grace, contava com muita simpatia, inclusive entre as misses internacionais (Kiriaki Tsopei, Miss Universo-64, chegou a afirmar que Grace era a sua preferida para o mais alto título da beleza brasileira).

Ninguém pode contar o roteiro das vaias. Foram tantas e tão compactas, tão seguidas, que foi impossível cronometrá-las. Entretanto houve uma - um vaião - que ficou na memória do Rio. Foi uma das maiores dos últimos 10 anos. Esta vaia gigante foi assestada contra o júri, que optou pela loura do Botafogo e só deu o 4º lugar para a moça de Mato Grosso, a favorita das arquibancadas. Foi tão forte a vaia que os membros do júri ficaram com medo. E pensaram sair de mansinho. Pediram policiamento reforçado. E alguns trocaram de roupa, para não serem identificados. 

Evandro Castro Lima, que foi do júri, disse que nunca mais aceitaria a missão. Discordou do tipo de julgamento – do processo de votação por notas – que possibilitou vitórias não previstas. Idem foi a opinião de Oscar Santamaría, juiz internacional, que criticou violentamente o sistema de votar. Claude Berr, coordenador do Miss Europa, figura também do júri, estava desesperado. “What can I do?”, repetia pelos corredores. Na sua opinião, o júri votou certo, mas errou na pontaria. Houve qualquer coisa – que não foi marmelada - que atrapalhou a votação. Naturalmente o processo de votação.

Todas as misses internacionais – exceção da risonha alemã – ficaram alarmadas com as vaias. Miss Áustria saiu dizendo, em inglês, que todo mundo ali era maluco. A suave Miss Índia chegou a tremer de susto. Idem as eslavas, com Miss Finlândia nervosa. Essas moças, que freqüentaram passarelas calmas, educadinhas, formais, não esperavam topar com o rompante espontâneo de uma platéia latina. O medo dominou-as. Elas chegaram mesmo a pensar que o povo, revoltado contra o veredicto do júri, fosse afinal estraçalhá-las.
- Revista O Cruzeiro, 24/07/1965


-----

Mary Grace Oiticica Bandeira, Miss Alagoas. (Foto: Manchete)
-----

      Diante dos comentários acima, não há dúvida alguma que, se o critério de julgamento tivesse sido simples, direto e objetivo, Marilena de Oliveira Lima teria sido eleita Miss Brasil 1965. E a minha conterrânea Mary Grace Oiticica Bandeira teria ficado, no mínimo, entre as oito finalistas.

*****

sábado, 6 de novembro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - CONCURSO MISS DISTRITO FEDERAL 1958

Por Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

          Noite fria de sábado, 14 de junho de 1958. O Rio de Janeiro ainda era capital do Brasil e o Maracanãzinho estava em festa para eleger a Miss Distrito Federal. A responsabilidade de escolher a representante da Cidade Maravilhosa no Miss Brasil foi colocada nas mãos das seguintes  personalidades:  Dinah Silveira de Queirós (escritora), Mateus Fernandes (escultor), Gerson Pinheiro (diretor da Escola Nacional de Belas Artes), Waldemar Areno (diretor da Escola Normal de Educação Física), Reinaldo Reis (secretário do Prefeito Negrão de Lima), Nazareth (costureiro), J.G.de Araújo Jorge (poeta e ligado ao patrocinador do concurso), Alceu Pena (desenhista), Adolfo Graça Couto (presidente do  Country Club), Edson Varela (gerente dos Diários Associados) e Orlando  Mota (diretor do Diário da Noite, órgão dos Diários Associados). Como assessor do júri, sem direito a voto, estava Oscar Santamaria, juiz brasileiro do concurso Miss Universo.
                                                                         
Maracanãzinho, Rio de Janeiro, Distrito Federal, 14/06/1958. 
  Foto: D.Alexandre, revista O Cruzeiro, 21/06/1958.
           Dando início ao desfile, o locutor Hildon Gomes  disse que as candidatas eram moças das melhores famílias brasileiras,  enquanto a Banda de Fuzileiros Navais tocava “Cidade Maravilhosa” . Depois, a orquestra de Edmundo Peruzzi apresentou um repertório de músicas suaves.
          Candidatas ao título de Miss Distrito Federal: Adalgisa Colombo (Botafogo de Futebol e Regatas) * Anette de Oliveira (Madureira A.C.) * Avany Maura (Clube Militar) * Bernadette da Cunha (América F.C.) * Clara Lisboa (Marã Esporte Clube) * Denise Leyraud (Fluminense F.C.) * Édna Queirós (Social Ramos Clube) * Eline Rangel (Grajaú Atlético Club  * Ester Barbreuse (Faculdade de Medicina ) * Gina Blanco (A.A. Banco do Brasil ) *  Iara Marques Vasconcelos (Brazil Kennel Club) * Icléia  Calixto (Bangu Atlético Clube) *  Ivone Gonçalves (Clube da Aeronáutica) *  Ivone Richter, nome que apareceu escrito em muitas publicações como Ivone Ritcher (Riachuelo T.C.) *  Laine de Sousa Oliveira (Braz de Pina Country Club ) *  Lenira Ribeiro Ferreira (Escola Nacional de Educação Física) *  Lurdes Miguéis (Vitória T.C.) * Maria Júlia Alencastro Carvalho (Faculdade de Direito ) *  Marly Moreira (S.C.Anchieta) * Myrna Abi-Saber (C.R.Vasco da Gama) * Neide Toscano (A.A. Vila Isabel) * Rosana Tapajós (C.R.Flamengo) * Selma Pamplona (Clube Leblon) * Solange Bragas (A.A. Caixa Econômica) * Teresinha Araújo (Clube Municipal) * Vera Viana (Caiçaras) .
          Regina Rosemburgo, Miss Lagoinha Country Clube, adoeceu e estava com 39,9 graus de febre no dia do concurso, por isso não apareceu no Maracanãzinho. Regina Rosenburgo, mais tarde famosa como Regina Léclery, figura de prestígio no jet-set internacional, faleceu  em Paris, vítima de desastre de avião, em 11/07/1973.

AS CINCO FINALISTAS 
Adalgisa Colombo, Miss Botafogo, primeira colocada no concurso Miss Distrito Federal 1958. (Foto: Revista O Cruzeiro, 21/06/1958)
Da esquerda para a direita, em maiô, e na mesma sequência, em vestido de gala:  Ivone Richter , Miss Riachuelo, segundo lugar;  Ivone Gonçalves, Miss Clube da Aeronáutica, terceiro lugar; Avani Maura Fonseca, Miss Clube Militar, quarto lugar, e  Mirna Abi-Saber, Miss C.R. Vasco da Gama, quinto lugar. (Foto: O Cruzeiro, 21/06/1958).
As cinco moças finalistas no concurso para Miss Distrito Federal apareceram, em linha, no palco do Maracanãzinho, já de madrugada. O locutor foi dizendo, devagar, o resultado, do fim para o começo. Até que anunciou: Ivone Richter, Miss Riachuelo, no 2º lugar. Aí só restava uma: Adalgisa Colombo, Miss Botafogo. Adalgisa, muito pálida, sorriu vitoriosa. Baixou a cabeça em seguida. Houve um princípio de vaia no imenso ginásio de cimento armado. Cada ano, há essa vaia:  os clubes são muitos, têm as suas torcidas, nem todos se conformam. Adalgisa chorou, já com a faixa de Miss Distrito Federal. Enxugou com a mão as lágrimas que desciam pelas covinhas do rosto. Quando tudo acabou, saiu correndo para o camarim. Viu a mãe encolhida num canto, após a longa espera. Abraçou-se  com ela. “Não chore, minha filha – disse D. Percília. – A vaia não era para você. ” Os repórteres vieram atrás. Um deles perguntou à bela moça de olhos úmidos se a vida ia mudar muito com a eleição. A resposta foi assim: “Só até o sábado. Depois volta ao natural”. Sábado haverá outra multidão no Maracanãzinho: a eleição de Miss Brasil, promovida pelos Diários Associados, num patrocínio do Leite de Rosas. Adalgisa, senhora de si, assegurou: “Da próxima vez, vou tirar de muitos toda a má impressão”.
Quase todas as candidatas abraçaram Adalgisa vencedora. Nos bastidores, ainda havia mães insatisfeitas. Mas Ivone Richter, que tirou o 2º lugar, estava serena, com o olhar de sempre. Já era madrugada de domingo. Na manhã do dia seguinte, iam começar para Ivone, no colégio, as provas parciais, como se nada tivesse havido. As moças fora saindo, uma a uma, com seus embrulhos, vestidos, presentes, tristezas e alegrias. Lá fora, chovia fininho. Adalgisa, que tem 18 anos e sempre quis ser Miss, desde menina, reuniu também as suas coisas, deu o braço ao pai e à mãe, abriu caminho entre os que esperavam para vê-la, e foi para casa, com mais um campeonato para seu time, o Botafogo. (O Cruzeiro, 21/06/1959)

ADALGISA COLOMBO E IVONE RICHTER

Ivone Richter e Adalgisa Colombo
 Adalgisa Colombo, candidata do Botafogo de Futebol e Regatas, nasceu em Botafogo, tem 18 anos e as seguintes medidas: 1,69m, 56 Kg, 62 de cintura, 90 de busto, 91 de quadris, 56 de cosa, 21 de tornozelo, olhos e cabelos castanhos. Ivone Richter, Miss Riachuelo, segunda colocada, tem 1,67, 55 Kg, 61 de cintura, 90 de busto, 92 de quadris, 54 de coxa, 22 de tornozelo, 18 anos e olhos e cabelos castanhos.
Porque foi vaiada pelo público ao ser eleita Miss Distrito Federal 1958, Adalgisa Colombo chorou ao receber a faixa no Maracanãzinho e saiu correndo para o camarim, dizendo que “se tivesse sido derrotada estaria me sentindo como hoje, em que um júri me deu a vitória.”  O público vaiou Adalgisa Colombo porque preferia Ivone Richter, Miss Riachuelo, segunda colocada. Quando Adalgisa fazia pose na passarela, a pedido dos fotógrafos, era vaiada. Assim que Ivone Ritchter dela se aproximava, o público aplaudia, pretendendo dizer: “Essa sim!”         
Ao entrar no camarim, depois de eleita, e ouvindo muita gente dizer que o resultado fora “uma autêntica marmelada Colombo”, Adalgisa recebeu no rosto uma anágua jogada (depois ela soube) por uma das candidatas derrotadas. Ela quis reagir, mas um repórter a segurou e disse: “Adalgisa, você agora é Miss Distrito Federal!”
Com os olhos em lágrimas e vermelhos, desde que foi proclamada vencedora até voltar para casa, de madrugada, Adalgisa deixou-se fotografar demoradamente no Maracanãzinho e disse depois da vitória que ficara emocionada e “não esperava a péssima recepção que tive. Foi falta de educação de muita gente”. Rebatendo os que chamavam o concurso de “marmelada Colombo”, Adalgisa disse; “Não pedi nada a ninguém. A organização do concurso foi perfeita. Não contava, inclusive, com a vitória, porque pensava que Miss Riachuelo, que considero linda, fosse a vencedora”. Adalgisa disse que só duas ou três das vinte e seis candidatas não a trataram bem depois da vitória, Ela quer tirar “a má impressão  que muita gente teve de mim” e aproveitará, na eleição de Miss Brasil para mostrar suas qualidades. (Revista Manchete, 28/06/1958)

DETALHES

Além da faixa, Adalgisa Colombo ganhou um anel de platina francesa, com duas pérolas, branca e cinza. ***** O fotógrafo Paulo Santos, das revistas Confidencial e Escândalo, foi retirado do camarim das misses pela polícia. **** A irmã de Miss Vasco da Gama foi empurrada pela polícia quando estava no palco para retirar Myrna Abi-Saber em sinal de protesto. *** Seis dos onze votos do júri foram para Adalgisa Colombo. *** O poeta J.G.de Araúijo Jorge disse que não votou em Adalgisa Colombo e que o resultado deveria ter sido recebido esportivamente. ***** O patrocinador do concurso (Leite de Rosas) diria depois das vaias e dos apupos à Adalgisa Colombo que lamentava  os acontecimentos ,mas que não poupara dinheiro e esforços para o êxito do concurso. *** A polícia não deixou o pai de Miss Clube Militar ver a filha no camarim no fim da festa.  Ele reclamou dizendo: “Não tenho o direito de ver minha filha. É por isso que as famílias brasileiras resistem ao deixar que suas filhas participem de concursos”.   (Manchete, 28/06/1958) 
.....
Duas moças desmaiaram: Miss Esporte Clube Anchieta e Miss América. Algumas tremeram. Todas sorriram. O júri lá em cima, no palco, as observava, de lápis na mão, com uma folha de papel, para atribuir notas, segundo os seguintes itens: físico, beleza, graça, personalidade, desembaraço social. E depois vieram os maiôs. As meninas tinham ensaiado tardes inteiras, durante a semana. Estavam elegantes. O júri se trancou numa sala para resolver. Interrogou as candidatas, uma a uma. Cada qual teve de fazer um pequeno “speech “ sobre o que diria se fosse escolhida para representar o Brasil em Long Beach. Enquanto o resultado não vinha, elas esperavam. O público também. Ivone Richter, imperturbável, tomou o seu copo de leite. Logo mais se soube o veredicto: Adalgisa ganhara por seis a cinco. Quatro votos para Ivone Richter, um para Edna Queiroz. ( O Cruzeiro,  21/06/1958)

EPÍLOGO

          No dia 21/06/1958, Adalgisa Colombo foi eleita Miss Brasil e novamente teve de encarar milhares de protestos da maioria do público presente ao Maracanãzinho. A preferida era Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco. A pernambucana ficou em segundo lugar, foi a primeira brasileira a disputar o título de Miss Mundo, onde conquistou o sétimo lugar, e terminou o seu reinado oficalmente como Miss Brasil 1958, pois Adalgisa Colombo , segunda colocada no Miss Universo, renunciou ao título para casar com Jackson Flores,
          Está escrito no livro "Feliz 1958. O ano que não devia terminar" de Joaquim Ferreira dos Santos (Editora Record-Rio de Janeiro, 1997): 
O jornalista Sérgio Cabral estreava como foca no Diário da Noite e diz que ainda guarda o rosto e o porte de Ivone Richter  como um dos acontecimentos mais sensacionais de figura feminina no Rio.”
          Vou concluir esta Sessão Nostalgia utilizando gírias daquele 1958. Foi um bafafá (confusão) aquele Miss Distrito Federal 1958. Ivone Richter tinha muito borogodó (charme),  mas para a experiente Adalgisa Colombo, eleita anos antes Miss Cinelândia, manequim da Casa Canadá e apresentadora de um programa de rádio, foi sopa no mel (fácil) encarar com desenvoltura a passarela do Maracanãzinho.

*****

sábado, 30 de outubro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - IEDA MARIA VARGAS, TRÊS COMERCIAIS DA MISS UNIVERSO 1963

Daslan Melo Lima
PRÓLOGO

          O ano era 1963, o terceiro de uma década mágica que mudou a face do Planeta Terra. Os valores e os costumes eram outros. E desse contexto fez parte a gaúcha Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963.
          A propaganda veiculada nas revistas, obviamente, combinava com a cultura da época, com sua dose exata de charme e sutileza.
          Abaixo, três propagandas de produtos que tiveram suas imagens atreladas à Ieda Maria Vargas.
.....
CATALINA, O MAIÔ MAIS FAMOSO DO MUNDO - Miss Universo e sua bagagem de elegância
Propaganda publicada na revista Manchete, 05/10/1963
.....

FIO HELANCA - advinhe o que Miss Universo aguarda para vestir

Propaganda publicada na revista O Cruzeiro, de 05/10/1963
.....
CREME DENTAL GESSY - "Claro que deveria escovar os dentes depois de comer! Mas às vezes não dá..."

Propaganda publicada na revista O Cruzeiro, de 14/12/1963
 .....
EPÍLOGO
          O ano é 2010, o primeiro de uma década onde a preocupação com as causas ambientais é discutida em toda a face do Planeta Terra. Os valores e os costumes são outros. E desse contexto faz parte o menino dos anos 60 que um dia eu fui.
          A propaganda veiculada nas revistas, obviamente, combina com a cultura da época, com sua dose exata de mercantilismo e sensualidade (para não usar o termo vulgaridade, que norteia muitas peças publicitárias). 
           Constantemente, o silêncio e o vento trazem para mim gratas lembranças de outrora, por isso sou um homem que cultiva a nostalgia.  

sábado, 23 de outubro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - CELESTE E AS MISSES DO BRASIL

-->
Daslan Melo Lima

           Celeste achava lindo o seu nome. Achava que tinha um quê de azul, assim como o azul da bandeira do Brasil, aquele azul de céu estrelado, profundo, como o azul da noite.
          Celeste tinha orgulho de ser brasileira. Ainda era menina, quando assistiu ao primeiro concurso de Miss Brasil, em Petrópolis, no Hotel Quitandinha, em 1954. E ao vivo. Ela estava lá. Nesse dia, ela viu a estrela de Martha Rocha brilhar. Mulher inesquecível aquela baiana. Conquistou o mundo. Desde então, os concursos de misses foram a principal diversão de Celeste, ano após ano. Por mais que procurasse, Celeste não achava espetáculo que fosse mais encantador. Nenhuma disputa era mais saborosa.
          Celeste viu de tudo nesses desfiles. Viu o Brasil parar como final de Copa do Mundo. Viu glórias, esforço, conquistas e desilusão. Viu a vitória inesperada e esmagadora . Viu a derrota, injusta e amarga. Foram histórias de mulheres descobertas na beira da estrada ou atrás de um balcão de loja de sapatos. Histórias de gêmeas tão idênticas e perfeitas que confundiam o júri. Viveu emoções, como a da Miss que foi dada como morta num acidente de avião e no dia seguinte apareceu para avisar que tinha perdido o tal vôo.
          Celeste viu as que nunca insistiram, mas que nunca chegaram lá. Viu as que largaram a coroa para levar uma vida comum. Mas essas mulheres não são pessoas comuns. Cada Miss Brasil nestes 50 anos, cada uma é uma mulher, no mínimo, excepcional, mas do que rainha da beleza. Todas as misses do Brasil são mulheres que, com determinação e esforço, engrandeceram a nossa história e marcaram os nossos corações. São mulheres a quem todas as Celestes e cada um de nós só podem agradecer.


           O texto acima foi lido durante a transmissão do  concurso Miss Brasil 2004, realizado no Credicard Hall, São Paulo-SP, em 15/04/2004, transmitido ao vivo pela TV Bandeirantes. Enquanto o texto era lido,  apareciam no vídeo as fotos das Miss Brasil desde 1954. No final, o apresentador Gustavo Gianetti, Mister Brasil 2001-Mister Mundo 2003, anunciou: “Senhoras e Senhores, com vocês, as Misses do Brasil.”  E eis que surgiu a primeira, Adalgisa Colombo, seguida de mais 34 misses, por ordem alfabética.

Adalgisa Colombo - Miss Distrito Federal ,  Miss Brasil, vice-Miss Universo 1958
Adriana Alves de Oliveira - Miss Rio de Janeiro, Miss Brasil, quarta colocada no Miss Universo 1981. Miss  Brasil Mundo 1984, sexta colocada no Miss Mundo 1984
Ana Cristina Ridzi - Miss Guanabara, Miss Brasil 1966
Ana Elisa Flores  - Miss São Paulo , Miss  Brasil 1984
Anuska Prado  - Miss Espírito  Santo, Miss Mundo Brasil, terceira colocada no Miss Mundo 1996
Cássia Janys Moraes Silveira - Miss São Paulo, Miss Brasil 1977
Celice Pinto Marques da Silva - Miss Pará, Miss Brasil, semifinalista do Miss Universo 1982
Deise Nunes - Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, semifinalista do Miss Universo 1986
Eliane Fialho Thompson - Miss Guanabara, Miss Brasil, semifinalista do Miss Universo 1970
Flávia Cavalcanti Rebêlo - Miss Ceará, Miss Brasil 1989
Gina Macpherson - Miss Guanabara, Miss Brasil, semifinalista do Miss Universo 1960
Isabel Cristina Beduschi  -  Miss Santa Catarina, Miss Brasil 1988
Jacqueline Meireles - Miss Brasília, Miss Brasil 1987 
Josiane Kruliskoskik - Miss Mato Grosso, Miss Brasil 2000 
Juliana Borges, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil 2001 
Kátia Celestino Moretto  - Miss São Paulo, Miss Brasil 1976   
Léa Sílvia Dall'Acqua - Miss São Paulo, vice-Miss Brasil (Miss Brasil Mundo) sexto lugar no  Miss Mundo 1979
Leila Schuster - Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, semifinalista do Miss Universo 1993
Lucia Peterlle - Miss Guanabara, vice-Miss Brasil (Miss Brasil Mundo), Miss Mundo 1971
Márcia Gabrielle - Miss Mato Grosso, Miss Brasil, semifinalista do Miss Universo 1985
Maria Carolina Portela Otto - Miss Paraná, Miss Brasil 1992   
Maria Joana Parizotto  - Miss Paraná, Miss Brasil 1996   
Maria Raquel de Andrade - Miss Guanabara, Miss Brasil, semifinalista do Miss Universo 1965 
Martha Rocha - Miss Bahia, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1954   
Michella Marchi - Miss Brasil, semifinalista do Miss Brasil 1998  
Nayla Micherif - Miss Minas Gerais, Miss Brasil 1997
Patrícia Godói  - Miss São Paulo, Miss Brasil 1991    
Renata Fan - Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil 1999  
Sandra Guimarães  - Miss São Paulo, Miss Brasil  1974 
Sônia Yara Guerra  - Miss São Paulo, vice-Miss Brasil (Miss Mundo Brasil), sexta colocada no Miss Mundo 1970 
Suzana Araújo dos Santos - Miss Minas Gerais, Miss Brasil 1998  
Valéria Péris, Miss São Paulo, Miss Brasil 1994 / 
Vera Maria Brauner - Miss Minas Gerais, vice-Miss Brasil (Miss Brasil Beleza Internacional), vice-Miss Beleza Internacional, coroada oficialmente Miss Brasil 1961, devido a renúncia de Stael Abelha, Miss Minas Gerais /  
Vera Lúcia Couto - Miss Guanabara, vice-Miss Brasil (Miss Brasil Beleza Internacional),  terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964 
Zaída Costa - Miss Bahia, terceira colocada no Miss Brasil (Miss Brasil Mundo  1975).
          Quando a última Miss se posicionou no palco, a cantora Ellen de Lima surgiu cantando  a música “Canção das Misses”, de Lourival  Faissal
Ellen de Lima
Ellen de Lima cantou a "Canção das Misses" sob os aplausos de 35 rainhas da beleza brasileira

Os Estados brasileiros se apresentam
nesta festa de alegria e esplendor.
Jovens misses seus Estados representam,
seus costumes, seus encantos, seu valor.

Em desfile nossa terra, nossa gente,
pela glória do auriverde em céu de anil.
 Sempre unidos,
Leste, Oeste, Norte, Sul,

na beleza das mulheres do Brasil.

Cássia Janys Moraes Silveira, Miss São Paulo, Miss Brasil 1977
          Já vi e revi  incontáveis vezes essa parte inesquecível do concurso Miss Brasil 2004, sempre com um interesse e emoção renovadas. Para sonhar,  observar a expressão de cada Miss e me  encantar com Cássia Janys Moraes Silveira, Miss Brasil 1977, uma das mais belas imagens daquele grupo de 35 misses, “mulheres  a quem todas as Celestes e cada um de nós só podem agradecer.”
            Vide: https://www.youtube.com/watch?v=aaB7_8TMBIo
ENCONTRO HISTÓRICO (1)  - Na véspera do concurso Miss Brasil 2004, no Restaurante Pequi, em São Paulo-SP, um encontro histórico, promovido pela empresa Gaeta Promoções e Eventos, responsável pela realização do concurso Miss Brasil desde 1997. ***** Sentadas, da esquerda para a direita: Flávia Cavalcante Rebelo (Miss Brasil 1989); Maria Joana Parizotto (Miss Brasil 1996); Renata Fan (Miss Brasil 1999) e  Maria Raquel de Andrade (Miss Brasil 1965).  ***** Na fila do meio, da esquerda para a direita: Márcia Gabrielle (Miss Brasil 1985); Patrícia Godói (Miss Brasil 1991); Anuska Prado (Miss Brasil Mundo 1996); Adalgisa Colombo (Miss Brasil 1958); Vera Maria Brauner (Miss Brasil 1961); Gina Macpherson (Miss Brasil 1960); Ana Cristina Ridzi (Miss Brasil 1966) e Sandra Guimarães (Miss Brasil 1974). ***** Na fila de trás, da esquerda para a direita: Josiane Kruliskoskik (Miss Brasil 2000); Kátia Celestino Moretto (Miss Brasil 1976) e Cássia Janys Moraes Silveira (Miss Brasil 1977).***** Fotos: revista Caras, edição 547, ano 11 - nº 18, 30/04/2004
ENCONTRO HISTÓRICO (2) - Sentadas, da esquerda para a direita: Leila Schuster (Miss Brasil 1993); Zaída Costa (Miss Brasil Mundo 1975); Maria Carolina Portela Otto (Miss Brasil 1992) e Deise Nunes (Miss Brasil 1986). ***** Na fila do meio, da esquerda para a direita: Lúcia Peterlle (Miss Brasil Mundo-Miss Mundo 1971); Eliane Fialho Thompson (Miss Brasil 1970; Lorena Coelho (representando sua irmã Mariza Fully Coelho, Miss Minas Gerais e Miss Brasl 1983, que faleceu em 1988 em um acidente de carro, aos 36 anos); Vera Lúcia Couto (Miss Brasil Beleza Internacional 1964); Michella Marchi (Miss Brasil 1998) e Ana Elisa Flores (Miss Brasil 1984). ***** Na fila de trás, da esquerda para a direita:  Jacqueline Meireles (Miss Brasil 1987); Valéria Peris (Miss Brasil 1994); Isabel Cristina Beduschi (Miss Brasil 1988) e Suzana Araújo dos Santos (Miss Brasil 1978).
*****
      

sábado, 16 de outubro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - CONCURSO MISS GUANABARA 1970


Daslan Melo Lima 

PRÓLOGO

          O Rio estava em festa. Mas não por ser a noite da escolha da mais bela de todas as cariocas. Horas antes, o Brasil vencera o Peru e passara às semifinais da Copa do Mundo. Talvez por isso um público muito entusiasmado, mas pouco numeroso, foi até o Pavilhão de São Cristóvão (substituto eventual da passarela de beleza do Maracanãzinho, destruído por um incêndio). A não ser por isso, tudo foi como sempre. A mais loura foi a eleita, a mulata a mais aplaudida. O júri deve ter lá suas razões: Eliane Fialho Thompson, do Floresta Country Club, é a nova Miss Guanabara. (Revista Manchete, 27/06/1970)

Era tempo de Copa do Mundo. A Seleção Brasileira de Futebol brilhava no México, rumo ao tricampeonato mundial , mas quem estava na capa da importante revista O Cruzeiro era o Top 3 do Miss Guanabara 1970. Da esquerda para a direita: Maria Helena Leal Lopes (Miss Telefônica Atlético Clube, segundo lugar), Eliane Fialho Thompson (Miss Floresta Country Club, primeiro) e Sônia Silva (Miss Renascença Clube, terceiro lugar).

 
          O Pavilhão de São Cristóvão transformou-se em sede da beleza carioca, reunindo 24 candidatas que disputaram mais um título de Miss Guanabara. A festa promovida pelos Diários Associados contou com o patrocínio de Helena Rubinstein e dos maiôs Catalina, com a efetiva colaboração da Secretaria de Turismo.
          A nova Miss Guanabara tem 21 anos, longos cabelos louros e olhos verdes. Suas medidas: 1,71 de altura, 56 quilos, 90 cm de busto, 60 cm de cintura, 53 cm de coxa e 22 cm de tornozelo. Fala corretamente o francês e o inglês e entre suas diversões prediletas cita a dança como a principal. (Revista O Cruzeiro, 23/06/1970)

SÔNIA SILVA, MISS RENASCENÇA, A FAVORITA DO PÚBLICO

          Se dependesse dos aplausos da maioria do  público que estava naquela noite de junho no Pavilhão de São Cristóvão, a mulata Sônia Silva, Miss Renascença Clube, terceira colocada, teria sido eleita Miss Guanabara 1970, enquanto a loura Rejane de Rezende Simões, Miss Clube de Regatas Flamengo, quarta colocada, teria conquistado o segundo lugar.




         Miss Renascença, com um belo vestido de franjas, uma das mais aplaudidas da noite, contou com uma grande torcida, mas ficou em 3º lugar. Sem dúvida alguma, foi mais uma vez o Clube Renascença que ganhou a batalha das arquibancadas, cuja torcida não quis aceitar a decisão do júri, manifestando-se com vaias e assobios, quando o veredicto foi dado. Ao lado de Miss Renascença, Rejane de Rezende Simões, candidata do Flamengo, contou com a simpatia popular do seu clube, recebendo muitos aplausos
          Já quando desfilaram em longo, as favoritas do público se delineavam como possíveis finalistas. No desfile de maiô, a mulata Sônia Silva, do Renascença, provocou um verdadeiro delírio do público, sobretudo quando rodopiou brejeiramente ao fazer o primeiro “pivot” na passarela. 


          A torcida do Renascença exibia uma faixa gigante com os dizeres: “SÕNIA, A SUPERMULATA”. Maria Augusta, diretora da Socila e orientadora do desfile, deu uma bronca em Miss Renascença ao fim de seu desfile, por causa do exagero com que fez o “pivot” na passarela. Foram suas palavras textuais: “Não faça isso, minha filha, que você se prejudica."
(O Cruzeiro, 23/06/1970)

AS FINALISTAS E A COMISSÃO JULGADORA

As quatro finalistas do Miss GB 1970. Da esquerda para a direita, Rejane de Rezende Simões (Miss Clube de Regatas Flamengo, quarto lugar); Sônia Silva (Miss Renascença Clube, terceiro); Eliane Fialho Thompson (Miss Floresta Country Clube, primeiro); e Maria Helena Leal Lopes (Miss Telefônica Atlético Clube, segundo lugar). Foto: O Cruzeiro, 23/06/1970.
          As oito finalistas do Miss Guanabara 1970 foram: Eliane Fialho Thompson (Miss Floresta Country Club, primeiro lugar); Maria Helena Leal Lopes (Miss Telefônica Atlético Clube, segundo); Sônia Silva (Miss Renascença Clube, terceiro); Rejane de Rezende Simões  (Miss Clube de Regatas Flamengo, quarto lugar); Maria de Lourdes Veiga (Miss Botafogo); Rosa Maria de Almeida Mattos (Miss Vila Isabel); Rosária de Lima (Miss Casa do Marinheiro); e Sandra Maria Santos de Souza (Miss Marã Tênis Clube). 

          Detalhe: Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube, tinha alcançado grande notoriedade em todo o Brasil no ano anterior, quando foi capa das maiores revistas brasileiras da época, O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos. Era a favorita ao título de  Miss Guanabara 1969, mas o Juizado de Menores proibiu sua participação, por ela não ter 18 anos completos. Para muitos, Maria Helena teria sido imbatível em 1970, caso tivesse a ótima forma física que tinha em 1969.

          Miss Telefônica demonstrou vivo embaraço ao ser classificada em segundo lugar. Parecia muito nervosa ao final da festa. Os maiores e vivos protestos, quando se soube o resultado final, partiu da torcida do Vila Isabel. (O Cruzeiro, 23/06/1970) 
 
Nostalgia pura. Uma foto no mais clássico preto e branco, publicada na revista Manchete, de 27/06/1970, mostrando em outro ângulo as quatro finalistas do Miss Guanabara 1970. Da esquerda para a direita, Maria Helena Leal Lopes (Miss Telefônica Atlético Clube, segundo lugar); Eliane Fialho Thompson (Miss Floresta Country Clube, primeiro); Sônia Silva (Miss Renascença Clube, terceiro); e Rejane de Rezende Simões (Miss Clube de Regatas Flamengo, quarto lugar).
          Na comissão julgadora, composta por doze pessoas, estavam cinco Misses: Patrícia Lacerda (Miss Distrito Federal 1954); Vera Lúcia Couto (Miss Guanabara e vice-Miss Brasil 1964); Maria Raquel de Andrade (Miss Guanabara e Miss Brasil 1965); Ana Cristina Ridzi (Miss Guanabara e Miss Brasil 1966); e Vera Lúcia Castro (Miss Guanabara 1967).  As outras personalidades foram: Carlos Rangel (chefe de redação de O Cruzeiro); Oscar Bloch (da direção de Manchete); Henrique Pongetti (jornalista); Billy Blanco (compositor); Venâncio Igrejas (Ministro); Otacílio Braga (diretor de turismo da Guanabara) e Elba Barbosa Nogueira (coreógrafa).

EPÍLOGO 

A escolha de Eliane não chegou a ser surpresa. Só mesmo ela pensava num segundo ou terceiro lugar, por um motivo que acabou não prevalecendo: o clube que ela representava não tem a força popular de um Renascença ou de um Flamengo, que acabaram em terceiro e quarto, respectivamente. Eliane estuda engenharia, fala três idiomas e pratica esporte. Detalhe: Miss Guanabara não é carioca. Nasceu em Barra do Piraí. (Manchete, 27/06/1970)
Eliane Fialho Thompson foi consagrada pelo público que compareceu ao Pavilhão de São Cristóvão. No momento em que seu nome foi pronunciado, todas as candidatas correram para abraçá-la, demonstrando a grande camaradagem entre as participantes do concurso. Depois veio a volta triunfal pela passarela, quando Eliane mereceu os aplausos de todos os presentes. (O Cruzeiro, 23/06/1970)
              
          Eliane Fialho Thompson tinha vocação para Miss. Foi eleita Miss Brasil e obteve classificação entre as quinze semifinalistas do Miss Universo. Com inteligência, simpatia, disciplina, classe e categoria, a hoje internacionalmente consagrada artista plástica Eliane Thompson-Kronig, soube dar o valor devido ao seu reinado de beleza, iniciado naquela noite de junho, quando o Pavilhão de São Cristóvão, foi cenário do concurso Miss Guanabara 1970.

*****