Timbaúba, Pernambuco, Brasil, América do Sul, Planeta Terra, 19/03/2011
Minha amada Amparo Munõz, Miss Espanha, Miss Universo 1974,
bom dia, boa tarde, boa noite... em qualquer dimensão onde você esteja.
Só há poucos dias é que soube, através da Internet, que DEUS convocou você para uma nova missão em outra dimensão, no dia 27 de fevereiro, em Málaga, Espanha. Imediatamente, fui ao meu acervo rever uma "Fatos & Fotos", a única revista brasileira que colocou você na capa quando foi eleita Miss Universo, em Manilha, Filipinas, no dia 19/07/1974, ao derrotar 64 candidatas de várias partes do mundo.
| A nova Miss universo entre as duas princesas. Helen Elizabeth Morgan (Miss País de Gales, segunda colocada); Amparo Munõz Quesada (Miss Espanha, eleita Miss Universo) e Riitta Johanna Raunio (Miss Finlândia, terceira colocada). |
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| O sorriso alegre de Amparo Munõz ao receber a coroa de soberana da beleza mundial. |
“ Quando foi anunciada sua vitória, ela ficou pálida e não pode esconder um soluço. Controlada a emoção, ela se portou como uma autêntica rainha. E sorriu alegremente para a multidão que lotou o Teatro das Artes Folclóricas de Manilha, nas Filipinas. Era a noite da consagração de uma linda filha de um pugilista aposentado. Quando foi anunciado a vitória de Amparo Munõz, os olhos de 10 mil pessoas se concentraram no rosto da encantadora espanhola de 20 anos e 1,70m de altura. Nesse instante, a luz dos refletores revelava uma palidez e um soluço. Eram reflexos da emoção de uma moça simples, filha de um boxeador aposentado, cujas portas da fama estavam abertas a partir daquele momento pelas força de sua beleza, seu charme e sua plástica. Ela acabara de ser eleita a nova Miss Universo. Mas como se já obedecesse ao protocolo, Amparo Munõz controlou sua emoção, sorriu alegremente e recebeu a coroa, o manto e o cetro de sua antecessora, a filipina Maria Margarita Moran. A emoção só voltou a se manifestar depois das cerimônias de encerramento, quando revelou seus planos: - Parte de meu prêmio de 10 mil dólares será de minha família. O restante vou investir, embora não saiba, agora, como e onde. Ao fim de meu reinado, pretendo ser atriz de cinema.”
Amparo, realmente as portas da fama se abriram para você, mas fiquei triste quando soube que, seis meses após ter sido eleita, você renunciou ao título porque não queria fazer uma viagem de trabalho ao Japão. Ser atriz de cinema era a sua verdadeira vocação. Tudo bem. Foram muitos filmes, entre eles, “Mamãe Faz 100 Anos” (Mamá Cumple Cien Anõs), de Carlos Saura, concorrente ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1979. Voltei a ficar triste em 1987, quando li que você foi presa por suspeita de porte de heroína. Que droga! Seus três casamentos também não deram certo.
Soube que sua saúde começou a se deteriorar há oito anos, quando detectaram um tumor no seu cérebro. Acredito que você lutou até o fim, mas a vida deixou seu corpo antes dele completar 57 anos. O que são 57 anos? Talvez menos que um segundo dentro do calendário de DEUS. A comissão julgadora e a platéia mudaram. Você está a caminho da verdadeira Luz. Uma faixa diferente, um manto especial, uma coroa singular e um cetro iluminado estão revestidos de eternidade para você, a quem canto um canto de nostalgia banhado de esperança, faltando apenas um dia para o outono começar no hemisfério sul.
Adeus, Amparo Munõz.
Adeus, Miss Universo 1974.
Um grande abraço.
Daslan Melo Lima
























