Adélia Leitão de Souza nasceu no Engenho Cana Brava, São Vicente Ferrer-PE, na época distrito de Timbaúba, no dia 16/04/1911. Radicada há muitos anos na "Princesa Serrana", Adélia é uma senhora tranquila, lúcida e sábia. ***** Na primeira imagem, Adélia aos 100 anos. Na segunda, em foto do Álbum da Família, quando tinha 15 anos e era aluna exemplar do tradicional educandário Colégio das Damas da Instrução Cristã, no Recife. Em ambas as imagens, uma certa Luz impressiona e contagia. ***** Confira um pouco da história desta pessoa linda na secção "De Timbaúba para o Mundo".
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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 739, referente ao período de 22 a 28 de dezembro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br
sábado, 16 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
CRÔNICAS DE DASLAN MELO LIMA
ABENÇOADO CACHORRO, ABENÇOADO PORCO
Daslan Melo Lima
Acostumei-me a andar com minha máquina fotográfica digital para onde quer que eu vá, a fim de registrar imagens inusitadas com as quais somos surpreendidos no dia a dia, como estas que ilustram esta crônica.
No final da tarde da última segunda-feira, ao sair da redação do Correio de Notícias, onde fui concluir a revisão de mais uma edição do jornal, encontrei um cachorro e um porco juntos, dividindo o mesmo espaço, sob a marquise de um prédio do centro da cidade, protegendo-se mutuamente da chuva e do frio.
Abençoado cachorro. Abençoado porco. Juro que tive vontade de deitar-me junto deles, como forma de agradecer a lição de humildade, tolerância e solidariedade que ambos estavam dando às pessoas que passavam.
Voltei para casa com a cena tomando conta de todos os meus pensamentos. Se os humanos fossem tão cachorros e porcos como aqueles animais, não tenho dúvida alguma que haveria menos cachorradas e menos lama neste conturbado planeta Terra.
Timbaúba-PE, no décimo terceiro dia de maio de 2011, quando ainda é outono no hemisfério sul.
*****MAIO DAS MÃES, MAIO DE MARIA
Durante muitos anos, na época do Dia das Mães, eu me perguntava o que seria de mim quando chegasse um segundo domingo de Maio sem minha Mãe ao lado. Este 2011 é o quarto ano que passarei o Dia das Mães sem a presença física do ser inesquecível que O Criador destinou para ser minha genitora.
Não estou triste e nem sinto vontade de chorar. Acho que todas as lágrimas que deveria chorar já chorei, na ocasião em que DEUS convocou minha Mãe para uma nova missão em outra dimensão. Existe dentro de mim apenas uma sensação inexplicável de vazio pela ausência do mais importante referencial da história da minha vida.
Neste Maio de Maria, Mãe de Jesus Cristo, símbolo de todas as Mães do mundo, peço a DEUS para prosseguir com sabedora a minha caminhada, até que, num Maio assim, ELE conceda-me a graça de com minha Mãe estar. Por isso, o menino que ainda sou canta com Fé e Esperança aquele velho hino religioso que diz: "Com minha mãe estarei na santa glória um dia, / ao lado de Maria no céu triunfarei. /// No céu, no céu, com minha mãe estarei. / No céu, no céu, com minha mãe estarei. /// Com minha mãe estarei aos anjos se ajuntando. / Do onipotente ao mando / hosanas lhe darei. /// Com minha mãe estarei e então coroa digna / de mão tão benigna feliz receberei. //// Com minha mãe estarei e sempre neste exílio / de seu piedoso auxílio, com fé me valerei. /// No céu, no céu, com minha mãe estarei. / No céu, no céu, com minha mãe estarei."
Timbaúba-PE, na véspera do Dia das Mães de 2011.
Timbaúba-PE, na véspera do Dia das Mães de 2011.
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A MOÇA QUE VEM E A MOÇA QUE VAI
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A MOÇA QUE VEM E A MOÇA QUE VAI
Daslan Melo Lima
Da minha casa até ao centro da cidade, a distância é relativamente curta. Durante o trajeto, passo na frente de seis imóveis onde as pessoas mergulham nos mistérios da vida e da morte: Igreja Pentecostal União Com Cristo, Igreja Evangélica Verbo da Vida, Igreja Batista, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Congregacional Carismática e a Matriz de N.S. das Dores (Igreja Católica Apostólica Romana).
No final da tarde dominical, na calçada por onde caminho, lá vem aquela moça linda que freqüenta uma igreja evangélica, de cabelos compridos, sem maquiagem, Bíblia na mão e vestido abaixo dos joelhos. Na calçada do outro lado lá vai aquela moça linda que não perde uma missa aos domingos, de cabelos curtos, maquiada e saia na altura dos joelhos.
A moça que vem precisa tanto ir ao culto como eu preciso do vento que bate em meu rosto. A moça que vai precisa tanto ir à missa como eu preciso ouvir o silêncio. E enquanto passo meditando na minha caminhada até ao centro da cidade, peço a DEUS que conserve para sempre todas as igrejas da terra, que conserve para sempre o vento e o silêncio, a fim de suprir as necessidades espirituais dos poetas, da moça que vem e da moça que vai.
Timbaúba-PE, numa tarde dominical de abril de 2011.
FELIZ NAVEGANTE
Daslan Melo Lima
Na fria e chuvosa manhã paraibana de Mataraca, em Barra do Camaratuba, não almejo Sol, não almejo aplausos, não almejo nada. Permito-me apenas tirar uma foto na frente de uma pequena embarcação que tem um nome poético e lindo: Feliz Navegante, e navegar dentro de mim.
Se eu possuísse um barco igual ao Feliz Navegante talvez não tivesse os problemas que tenho como caminhante, mas teria como navegante, pois as marés oscilam e eu oscilaria com elas. Melhor caminhar sobre a terra firme, enfrentando as ondas das ilusões e desilusões, dos amores e dos desamores... Não tenho um barco e não quero um barco para navegar. Para mim, basta ser caminhante. E se não sou tão feliz como deveria ser, continuarei caminhando.
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Dei as costas ao barco sem olhar para trás, pisei firme na areia molhada e agora aqui estou, novamente navegando dentro de mim.
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Barra do Camaratuba, Mataraca-PB, 24/04/2011
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Barra do Camaratuba, Mataraca-PB, 24/04/2011
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NO TEMPO DAS VERDADEIRAS SEMANAS SANTAS
Daslan Melo Lima
Confesso que não gosto do que os novos tempos fizeram com o período da Semana Santa. Independente de religião, este é o período propício para retiros espirituais e reflexões, se bem que todo dia é dia para meditarmos sobre os mistérios da vida e da morte. Não gosto de ver na televisão reportagens mostrando as pessoas correndo para os paraísos turísticos, os noticiários das farras, as badalações e os verdadeiros carnavais fora de época que acontecem em algumas cidades.
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Houve um tempo em que as pessoas deixavam de fazer muitas coisas nas Semanas Santas: comer carne, arrumar casa, tomar banho, fazer sexo, cortar cabelo... Convenhamos que, em alguns casos, havia exagero, mas o respeito à semana em memória do sacrifício de Jesus Cristo norteava todas as atitudes. Nas Igrejas, cobriam-se as imagens de roxo. Nas casas, os quadros dos santos eram virados para o lado da parede. Nas emissoras de rádio, a programação musical era totalmente dedicada às músicas sacras e clássicas.
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Só tem um detalhe traumático nas histórias das Semanas Santas do passado. No meu tempo de menino em São José da Laje havia uma história fantástica: se o padre não achasse a Aleluia o mundo se acabaria. Lembro-me das beatas passando na frente da minha casa e minha mãe perguntando se o padre já tinha achado a aleluia. Que medo me dava saber que o mundo poderia acabar a qualquer momento. A Aleluia seria o que? Ninguém me dava uma resposta convincente. Seria uma gota de sangue de Cristo dentro da Bíblia? A Aleluia era um mistério. E só. Ninguém tinha que perguntar mais nada. Mistério era mistério. E depois tinha a procissão do encontro, um andor com Nossa Senhora e outro com o seu Filho carregando a Cruz. Moças lindas da sociedade desempenhavam os papéis de Verônica e Maria Madalena. E depois tinha outra procissão, a do Senhor Morto.
Os costumes e a cultura das Semanas Santas do meu tempo de menino provocaram alguns traumas e sentimentos de culpa em muitas crianças sensíveis. Eu que o diga. No entanto, mil vezes aquilo do que os costumes de hoje, onde tudo pode nas semanas que poderiam ter outro nome, jamais o de Semana Santa.
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Ontem, o menino que fui tinha medo de ver o mundo se acabar se o padre não achasse a Aleluia. Hoje, o homem que sou tem medo dos castigos divinos que poderão cair sobre uma sociedade de consumo que idolatra o Ter e ignora o Ser.
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Ontem, o menino que fui tinha medo de ver o mundo se acabar se o padre não achasse a Aleluia. Hoje, o homem que sou tem medo dos castigos divinos que poderão cair sobre uma sociedade de consumo que idolatra o Ter e ignora o Ser.
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Timbaúba-PE, 15/04/2011
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As fotos que ilustram esta crônica foram feitas pelo arquiteto José Maria Mattos, conterrâneo-contemporâneo radicado em Maceió-AL. As imagens sacras estão guardadas na sacristia da Igreja Matriz de São José da Laje-AL e são as mesmas que saiam nas procissões das Semanas Santas do meu tempo de menino.
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DOZE MORTOS E CENTO E NOVENTA MILHÕES DE FERIDOS
DOZE MORTOS E CENTO E NOVENTA MILHÕES DE FERIDOS
Daslan Melo Lima
A tragédia ocorrida na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, provocada por um rapaz de 23 anos, mereceu do jornal Diario de Pernambuco, edição de ontem, sexta-feira, 08/04/2011, a seguinte manchete 12 MORTOS 190 MILHÕES DE FERIDOS, seguida do texto confuso da carta deixada pelo criminoso.
Busco entender os caminhos que semearam trevas na mente e no coração de Wellington Menezes de Oliveira e me perco em teorias.
O outono do hemisfério sul, em silêncio, revela ao outono da minha vida que chegará o inverno e não verei a PAZ ocupar todos os labirintos do Planeta Terra, a não ser em sonhos.
Cento e noventa milhões de brasileiros estão perplexos.
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Timbaúba-PE, na madrugada de 09/04/2011, enquanto a chuva lá fora cai, torrencialmente cai, talvez chorando por mim, por ti, por 190 milhões de brasileiros perplexos.
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Crônicas de Daslan Melo Lima
DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO
ADÉLIA, 0S 100 ANOS DE UMA DAMA
Tranqüila, lúcida, bem cuidada, educada... Assim é a matriarca Adélia Leitão de Souza, cem anos de idade. Adélia, nome que significa “de origem nobre”, nasceu no Engenho Cana Brava, em São Vicente Ferrer-PE, na época distrito de Timbaúba, no dia 16/04/1911, filha primogênita de Ignes e Ivo Vieira de Mello Leitão. Foi educada no tradicional educandário recifense Colégio Damas da Instrução Cristã, onde foi aluna exemplar e desenvolveu suas aptidões para a poesia, o piano, a pintura e o idioma francês. Foi casada com João Gonçalves de Souza, uma união harmoniosa que durou meio século e que lhe deu quatro filhos (Ivanise, Ivan, Inalda e Ismar), treze netos, quinze bisnetos e três trinetas (com uma a caminho). Radicada há muitos anos em Timbaúba, Adélia Leitão de Souza goza de boa saúde; dorme bem; alimenta-se bem (come de tudo, moderadamente); não toma remédio algum, a não ser um comprimido de complexo vitamínico por dia. A única queixa é a de não poder andar, desde que levou uma queda e machucou a perna direita. Isso faz um ano. Chegou a fazer várias sessões de fisioterapia, mas preferiu abandonar o tratamento.
Com sua voz mansa e firme, D. Adélia abriu sua alma para PASSARELA CULTURAL. Vamos conferir.
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| Quatro membros de uma família numerosa que tem orgulho de sua matriarca. O neto Fábio de Albuquerque Regis, a esposa Dannieli d'Almeida Lins Regis e os filhos Maria Eduarda e Pedro Henrique. |
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Um motivo de orgulho: Ter chegado com saúde aos 100 anos /// Religião: Católica Apostólica Romana /// Uma canção inesquecível: Emoções, de Roberto Carlos /// Um cantor e uma cantora: Roberto Carlos e Dalva de Oliveira /// Um programa de TV: Todos da Canção Nova /// Uma cor: Verde-claro /// Um filme: ... E O Vento Levou /// Um livro: "Menino de Engenho", de José Lins do Rego /// Uma cidade: Recife /// Um motivo de alegria: O nascimento de Vânia Regis, minha primeira neta /// Um prato: Feijoada /// Uma bebida: Guaraná /// Viver é... Conviver em harmonia com as pessoas que nos cercam /// Morrer é... Passar para uma vida melhor ///
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| Adélia aos 15 anos - Álbum da Família |
Um motivo de saudade: Tenho muitas saudades. Saudades das viagens de charrete e carro de boi de São Vicente Ferrer para Macaparana; do tempo de internato no Colégio das Damas da Instrução Crista; dos banhos de mar em Itamaracá; da Madre Loyolla; das minhas amigas Antonieta Cavalcante e Emília Xavier /// Frevo ou Samba? Eu adorava carnaval e qualquer coisa que batesse eu estava dançando /// Um político: Moura Cavalcanti /// Uma mulher bonita: A baiana Martha Rocha, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1954 /// Um motivo de arrependimento: Não posso revelar a ninguém, só a Deus /// Uma tristeza: A lembrança da morte dos meus pais /// A melhor invenção do homem: O telefone //// A pior invenção do homem: As armas /// Acredita em vidas passadas? Não, mas pode ser que acredite um dia /// O que mudou nestes 100 anos? O mundo é o mesmo. O povo é que mudou e está cheio de maldade. Eu me preocupo com o futuro dos meus descendentes.
Uma chuva de rosas vermelhas marcou o momento do início do parabéns pra você. Antes, no entanto, a emoção tomou conta do ambiente quando todos cantaram a música "Como é Grande o Meu amor por Você", de Roberto Carlos, o cantor preferido de Adélia Leitão de Souza. Nada mais significativo para louvar uma pessoa querida e iluminada que chegou aos 100 anos de idade. ***** Eu tenho tanto pra lhe falar / Mas com palavras não sei dizer / Como é grande o meu amor por você. /// E não há nada pra comparar / Para poder lhe explicar / Como é grande o meu amor por você. /// Nem mesmo o céu, nem as estrelas / Nem mesmo o mar e o infinito / Não é maior que o meu amor, nem mais bonito. /// Me desespero a procurar / Alguma forma de lhe falar / Como é grande o meu amor por você. /// Nunca se esqueça, nem um segundo / Que eu tenho o amor maior do mundo / Como é grande o meu amor por você.
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SESSÃO NOSTALGIA – MAIO DE 1985, AQUELE ALMOÇO COM 12 MISSES BRASIL
Daslan Melo Lima
PRÓLOGO
... No dia 04 de maio de 1985, o publicitário goiano Waldir Viana organizou um encontro na casa de Adalgisa Colombo (Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958), no bairro do Joá, Rio de Janeiro, que contou com a presença de 13 misses (doze Misses Brasil e uma Miss São Paulo), incluindo a anfitriã. Por ordem alfabética, as misses que almoçaram na casa de Adalgisa Colombo foram: Ana Cristina Ridzi (Miss Guanabara e Miss Brasil 1966); Carmem Sílvia (Miss São Paulo e Miss Brasil 1967); Gina Macpherson (Miss Guanabara e Miss Brasil 1960); Jussara Marques (Miss Goiás e Miss Brasil 1949); Lúcia Tavares Peterlle (Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e Miss Mundo 1971); Márcia Brandão (Miss São Paulo 1975); Martha Rocha (Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954); Martha Vasconcellos (Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968); Rejane Goulart (Rejane Vieira, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1972); Sandra Guimarães (Miss São Paulo e Miss Brasil 1974); Vânia Pinto (Miss Distrito Federal e Miss Brasil 1939) e Yolanda Pereira (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1930). O evento foi notícia em todas as emissoras de televisão e mereceu reportagens nas mais importantes publicações da imprensa nacional, tais como as revistas Veja , Manchete e Jornal do Brasil.
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A revista Veja iniciou a reportagem afirmando “Celebrou-se no último dia 4, no Rio de Janeiro, um ato de nostalgia, talvez o último do gênero...” Finalizou mencionando uma declaração de Adriana Alves de Oliveira (Miss Rio de Janeiro, Miss Brasil, terceira colocada no Miss Universo 1981): “Essas mulheres foram fenômenos”, referindo-se às Misses que estiveram no almoço na casa de Adalgisa Colombo. A Veja referiu-se à Martha Vasconcellos como "a mais deslumbrante das senhoras reunidas por Adalgisa." Na foto maior, sentada no chão, Maria Augusta Nielsen. Na última fila, Waldir Viana entre Jussara Marques e Carmem Sílvia.
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O REENCONTRO DAS BELEZAS ETERNAS - (Manchete, 18/05/1985)
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EPÍLOGO
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Depois daquele almoço de 1985, três Misses partiram para outra dimensão: Yolanda Pereira, Vânia Pinto e Jussara Marques, assim como o publicitário Waldir Viana. Naqueles 1985, o concurso Miss Brasil vivia uma fase atípica da sua história. Desde 1981, quando os Diários e Emissoras Associados tinham deixado de coordenar o certame, o Miss Brasil estava nas mãos do comunicador Sílvio Santos.
“Representar um país através da beleza é tão importante quanto através da política ou do futebol. Tem que ter uma boa estrutura.” Declarou durante o encontro Lúcia Tavares Peterlle. Concordo plenamente.
Vou encerrar esta crônica plagiando a expressão de Adriana Alves de Oliveira, ao se referir às Misses presentes naquele almoço de maio de 1985: “Aquelas Mulheres foram fenômenos”.
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sábado, 9 de abril de 2011
DE ALAGOAS PARA O MUNDO
CARLOS EUGÊNIO DE ALBUQUERQUE LYRA, UM ALAGOANO EM TIMBAÚBA
Daslan Melo Lima
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Carlos Eugênio de Albuquerque Lyra nasceu na cidade de União dos Palmares-AL e tem fortes raízes na vizinha São José da Laje, também em Alagoas, onde viveu parte da infância e onde nasceram seus pais Eugênio Fabrício Lyra e Josenilda Albuquerque. Seu avô paterno, o poeta João Pinheiro de Andrade Lyra (1912-1955) nasceu em Timbaúba-PE, mas foi em São José da Laje que passou a maior parte de sua vida, e onde repousam seus restos mortais.
| Carlos Eugênio e Hermínia posam ao lado do monumento ao jornalista Jader de Andrade, o maior ícone cultural timbaubense de todos os tempos. |
Há uma relação mística e mágica entre São José da Laje, a "Princesa das Fronteiras", minha terra natal, e Timbaúba, a "Princesa Serrana", minha terra adotiva. Resgatar para Timbaúba a história de João Pinheiro de Andrade Lyra tem sido uma das missões de PASSARELA CULTURAL. E não poderia ser diferente, pois João Pinheiro é um ícone cultural em São José da Laje, cidade beneficiada pelo Coronel Carlos Lyra, também timbaubense, criador da Usina Serra Grande, avô do poeta João Pinheiro.
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| Carlos Eugênio posa ao lado da esposa na frente da casa que pertenceu ao seu tio Hugo de Andrade (1885-1958), irmão de Jader de Andrade. |
Na última sexta-feira, 08 de abril, Timbaúba completou 132 anos de emancipação política. Tive a satisfação de colaborar com a edição de uma revista comemorativa, editada por DJ Publicidade, onde focalizei a vida e a obra de João Pinheiro de Andrade Lyra. Comuniquei o fato aos seus filhos, meus conterrâneos-contemporâneos, e aos seus netos. Um deles, o Carlos Eugênio, que há 10 anos mora em Sirinhaém-PE, esteve presente nas solenidades do aniversário de Timbaúba e do lançamento da revista. Acompanhado de sua esposa Maria Hermínia Fonseca Lyra, alagoana de Ibateguara, Carlos Eugênio fez parte do palanque das autoridades, ocasião onde o mestre-de-cerimônias registrou sua presença, citando-o como neto de João Pinheiro e sobrinho-bisneto do jornalista Jáder de Andrade, o maior ícone cultural de Timbaúba. Após, a cerimônia, o casal participou de uma sessão de fotos ao lado de Marinaldo Rosendo de Albuquerque, prefeito de Timbaúba, e de Ana Alice Rosendo, primeira dama. Depois do almoço no Restaurante Ikiban, Carlos e Hermínia fizeram um city-tour que incluiu a estátua de Jader de Andrade, a casa de Hugo de Andrade (palacete hoje pertencente ao Dr. Luismar Melo) e ao Cine Teatro Recreyos Benjamin.
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Carlos Eugênio prometeu retornar à Timbaúba em outra ocasião, a fim de visitar o Alto da Independência e de lá apreciar a bela vista da amada terra natal do grande poeta João Pinheiro de Andrade Lyra. A "Princesa Serrana" e PASSARELA CULTURAL estarão de braços abertos para recebê-lo.
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SESSÃO NOSTALGIA - “VÁ LÁ EM CIMA E TRAGA A MANCHETE DE IEDA MARIA VARGAS”, UMA SENHA PARA O PARAÍSO
Daslan Melo Lima
- “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas.” Era quase meio-dia de uma cinzenta manhã dominical de agosto de 1963, em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci.
Eu era ainda um menino, mas já trabalhava aos domingos, dia de feira livre, na Loja São José, a grande casa comercial de José Francisco da Silva, conhecido como Galego, esposo de Maria da Soledade Lima e Silva, a Tia Dade, irmã da minha mãe. Eu atendia no balcão, onde vendia coisas diversas, inclusive vidros de perfumes e de brilhantina. Abria os vidros, passava um pouco da essência em meus braços ou nos dos matutos e matutas, aspirava o cheiro e dizia com um sorriso que o produto era ótimo. Também subia e descia uma escada várias vezes, a fim de apanhar nas prateleiras mais altas as caixas de chapéus que as vendedoras ofereciam aos clientes. Por conta da escada e dos aromas, no final da tarde eu estava extenuado, com dores nas pernas e dor de cabeça. Como pagamento, recebia três por cento de comissão sobre as vendas efetuadas. O que ganhava, repassava para minha mãe comprar alimentos. O nome da moeda brasileira e o seu valor aquisitivo mudaram tanto ao longo do tempo que não tenho idéia alguma de quanto seria hoje o que eu recebia, mas era pouco. O preço de um exemplar das revistas Manchete e O Cruzeiro era muito caro, Cr$ 100,00 (cem cruzeiros), praticamente o total das minhas baixas comissões. Dinheiro curto, mas bem-vindo para ajudar nas despesas de casa, até que a esperança de ganhar um pouco mais voltasse no domingo seguinte.
- “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”, pediu-me Tia Dade com sua voz bonita. A ordem soou como uma senha para o paraíso. Obedeci com satisfação, pois ficaria livre por alguns momentos das tarefas cansativas. “Vá lá em cima” significava sair da loja e caminhar uma pequena distância até a casa da Tia Dade, pertinho da Igreja Matriz.
Minha paixão pelas Misses tinha começado um ano antes, quando vi a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil 1962, na capa de O Cruzeiro. A convivência com a Tia Dade despertou-me para o mundo das Misses. Ela era missóloga, um termo desconhecido naquele tempo. Sabia tudo sobre os concursos e na época do Miss Brasil ia dormir tarde, escutando pelo rádio as reportagens precárias, cheias de chiados, que as emissoras transmitiam direto, ao vivo, do Maracanãzinho, Rio de Janeiro. A televisão era algo ainda distante, um luxo, um fantástico sonho de consumo que não tinha chegado em São José da Laje.
“Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”. Fui e peguei a revista como se pega um tesouro incalculável. Corri para o oitão da Igreja e mergulhei naquelas páginas transbordantes de glamour, com fotos e mais fotos sobre a eleição da gaúcha Ieda Maria Vargas, Miss Brasil, como Miss Universo 1963. Na volta para a loja, algumas pessoas diziam: - “Este menino está com a Manchete de Ieda!” Quanto orgulho! Senti-me um menino-rei! Quando cheguei à loja, Tia Dade me aguardava ansiosa. Pessoas estavam esperando a Manchete como se estivessem na fila do Cine São José para verem um filme estrelado por Rock Hudson ou Elizabeth Taylor.
Anos e anos depois, já morando no Recife, encontrei num "sebo" um exemplar daquela Manchete de 1963, capa riscada e gasta pelo tempo. Feliz da vida, comprei a revista como se estivesse comprando uma senha para o paraíso. Anos e anos depois, encontrei-me com Ieda Maria Vargas no Clube Português do Recife. Felicíssimo, pedi a ela que autografasse um velho álbum de recortes como se estivesse pedindo uma senha para o paraíso. Em ambas as situações, o menino que um dia eu fui viveu uma realidade com sabor de sonho.
Eu era ainda um menino, mas já trabalhava aos domingos, dia de feira livre, na Loja São José, a grande casa comercial de José Francisco da Silva, conhecido como Galego, esposo de Maria da Soledade Lima e Silva, a Tia Dade, irmã da minha mãe. Eu atendia no balcão, onde vendia coisas diversas, inclusive vidros de perfumes e de brilhantina. Abria os vidros, passava um pouco da essência em meus braços ou nos dos matutos e matutas, aspirava o cheiro e dizia com um sorriso que o produto era ótimo. Também subia e descia uma escada várias vezes, a fim de apanhar nas prateleiras mais altas as caixas de chapéus que as vendedoras ofereciam aos clientes. Por conta da escada e dos aromas, no final da tarde eu estava extenuado, com dores nas pernas e dor de cabeça. Como pagamento, recebia três por cento de comissão sobre as vendas efetuadas. O que ganhava, repassava para minha mãe comprar alimentos. O nome da moeda brasileira e o seu valor aquisitivo mudaram tanto ao longo do tempo que não tenho idéia alguma de quanto seria hoje o que eu recebia, mas era pouco. O preço de um exemplar das revistas Manchete e O Cruzeiro era muito caro, Cr$ 100,00 (cem cruzeiros), praticamente o total das minhas baixas comissões. Dinheiro curto, mas bem-vindo para ajudar nas despesas de casa, até que a esperança de ganhar um pouco mais voltasse no domingo seguinte.
Minha paixão pelas Misses tinha começado um ano antes, quando vi a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil 1962, na capa de O Cruzeiro. A convivência com a Tia Dade despertou-me para o mundo das Misses. Ela era missóloga, um termo desconhecido naquele tempo. Sabia tudo sobre os concursos e na época do Miss Brasil ia dormir tarde, escutando pelo rádio as reportagens precárias, cheias de chiados, que as emissoras transmitiam direto, ao vivo, do Maracanãzinho, Rio de Janeiro. A televisão era algo ainda distante, um luxo, um fantástico sonho de consumo que não tinha chegado em São José da Laje.
“Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”. Fui e peguei a revista como se pega um tesouro incalculável. Corri para o oitão da Igreja e mergulhei naquelas páginas transbordantes de glamour, com fotos e mais fotos sobre a eleição da gaúcha Ieda Maria Vargas, Miss Brasil, como Miss Universo 1963. Na volta para a loja, algumas pessoas diziam: - “Este menino está com a Manchete de Ieda!” Quanto orgulho! Senti-me um menino-rei! Quando cheguei à loja, Tia Dade me aguardava ansiosa. Pessoas estavam esperando a Manchete como se estivessem na fila do Cine São José para verem um filme estrelado por Rock Hudson ou Elizabeth Taylor.
| O Top 3 do Miss Universo 1963. Aino Korwa, Miss Dinamarca, segundo lugar; Ieda Maria Vargas, Miss Brasil, primeiro; e Marlene MacKowen, Miss Irlanda, terceiro lugar. |
Aquele tempo se foi, para sempre se foi, mas todas as vezes que pego na minha Manchete com Ieda Maria Vargas na capa, sorrindo com a coroa de Miss Universo 1963, agradeço a DEUS por tudo que vivi. Fecho os olhos e reencontro o menino sonhador que fui um dia, feliz por ter recebido da Tia Dade uma senha para o paraíso, “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”.
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sábado, 2 de abril de 2011
DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO
INAUGURAÇÃO DO FORRÓ NO SÍTIO
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| A juventude dourada, o charme da noitada |
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| Juca Queiroz, Mirelle Vieira, Valter, Polyne Arruda, Artur e Shirley entre as 4.000 pessoas que marcaram presença na inauguração do Forró no Sítio. |
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O CINQUENTENÁRIO DE MARIA APARECIDA VIEIRA
| Mirelle, Cida, Josivaldo Alexandre (Priminho) e Milena. |
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DE ALAGOAS PARA O MUNDO - A POESIA DE JOÃO PINHEIRO DE ANDRADE LYRA
A POESIA DE JOÃO PINHEIRO DE ANDRADE LYRA
Daslan Melo Lima
No próximo dia 08 de abril, quando da celebração dos 132 anos de emancipação política de Timbaúba, será lançada uma revista especial que contou com a minha colaboração e pesquisa. Uma página da publicação foi dedicada ao poeta João Pinheiro de Andrade Lyra. Na reportagem, fiz um resumo da biografia dele, ilustrada com uma foto e com a transcrição de seis haicais do livro "Essencias do Brasil em Jarros do Japão".
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Pouco conhecido em Timbaúba-PE, sua terra natal, o poeta João Pinheiro de Andrade Lyra, filho do jornalista, poeta e industrial Carlos Lyra Filho e Líbia de Andrade Lyra, nasceu em 03/11/1912, onde viveu até os oito anos de idade. Neto do Coronel Carlos Lyra e sobrinho do jornalista Jader de Andrade, estudou em Garanhuns-PE e iniciou o curso ginasial no “Ginnasio de São Bento” em São Paulo. Os cursos médio e superior foram concluídos nos Estados Unidos e Europa, respectivamente. Voltando ao Brasil, João Pinheiro era então identificado como poeta, jornalista, escultor, xilógrafo, pintor, professor, poliglota, músico, engenheiro e matemático. Fixou residência no município de São José da Laje-AL, onde seu avô havia fundado a Usina Serra Grande. Contraiu matrimônio com Josefa Vieira Lyra com a qual teve sete filhos: Ivan Gregório, Eugênio Fabrício, Maria Líbia, Maria Angélica, Maria Elisabete, João Pinheiro de Andrade Lyra Filho e José Carlos Lyra. João Pinheiro tinha orgulho de suas raízes timbaubenses e sempre que podia visitava Timbaúba com a esposa, hospedando-se na casa do seu tio Hugo de Andrade, localizada na Rua Dr. Alcebíades, imóvel hoje pertencente ao industrial Luismar Melo.
Em 1951, João Pinheiro lançou o livro ”Essências do Brasil em Jarros do Japão”, um livro de haicais, com ilustrações a bico de pena feitas pelo autor, impresso na Tipografia São José, em São José da Laje-AL. Os versos abaixo são tidos como alguns dos mais belos da sua obra.
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Libertação - Borboletas são / Mil cores fugindo às dores / De um cárcere, o chão!
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Contraste - Luz...tanta no céu, / meu Deus! E, nos homens Teus, / quanto espesso véu!
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Ventania de Inverno – Serras cachimbando... / Cabelos verdes são pelos... / De frio dançando...
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Antigo Elogio – Pena, és arma ousada / que, bem dirigida, tem / mais força que a espada!
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Fora de Qualquer Dúvida – Certeza de amar-me... / somente de Mãe a gente / dirá sem alarme.
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À Saudade (Da seda do coração) - Saudade, és retrós / que liga a pessoa amiga, / que está longe, a nós!
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Para João Pinheiro, todo cantar do coração, todo sentimento da alma, todo fervor da inteligência era a poesia. Era o Belo a dominar, era a perfeição a preferir. E João Pinheiro cultuava a Perfeição com o amor puro de pai que fora, com o desvelo de esposo fiel ao seu único amor. Só não fora poeta em toda a extensão do termo, porque fora um homem organizado. João Pinheiro viveu encontrando-se sendo o que sempre foi, um poeta, em esteta, um sentimental, um homem simples. (Gazeta de Alagoas, 1955)
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À Saudade (Da seda do coração) - Saudade, és retrós / que liga a pessoa amiga, / que está longe, a nós!
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Para João Pinheiro, todo cantar do coração, todo sentimento da alma, todo fervor da inteligência era a poesia. Era o Belo a dominar, era a perfeição a preferir. E João Pinheiro cultuava a Perfeição com o amor puro de pai que fora, com o desvelo de esposo fiel ao seu único amor. Só não fora poeta em toda a extensão do termo, porque fora um homem organizado. João Pinheiro viveu encontrando-se sendo o que sempre foi, um poeta, em esteta, um sentimental, um homem simples. (Gazeta de Alagoas, 1955)
João Pinheiro de Andrade Lyra faleceu em 05/10/1955, no Hospital Centenário do Recife. Seus restos mortais encontram-se hoje no mausoléu da família, em São José da Laje. Sobre o grande poeta timbaubense-lajense foi dito que “era uma inteligência rara, sempre a caminhar em busca do Belo, da Arte, do Sentimento. Era simples na aparência, grandioso na intimidade. Vestia-se como um simples, sem olhar para a indumentária. Selecionava os amigos procurando-os dentre os que não fossem maltrapilhos de espírito. Só o Cérebro era a sua Alma. Só a Arte era a sua razão. E só o coração dominava seus impulsos.”
Timbaúba-PE, 02/04/2011
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