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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 739, referente ao período de 22 a 28 de dezembro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

domingo, 24 de abril de 2011

SESSÃO NOSTALGIA, DIGO, SESSÃO ESPECIAL - AS NOTAS DE 1 A 10 DO MISS PERNAMBUCO 2011

Daslan Melo Lima

Nayara Berenguer, Miss São Lourenço da Mata. (Foto: Nando Chiappetta)

               Esta semana, excepcionalmente, o espaço de PASSARELA CULTURAL dedicado às grandes Misses do passado focalizará o concurso Miss Pernambuco 2011, no que diz respeito aos mapas de votação. Nayara Berenguer, Miss São Lourenço da Mata, teria obtido o primeiro lugar se a atribuição das notas fosse outra? Qual o melhor método para  conceder notas às candidatas?

Leidyane Vasconcelos, Miss Santa Cruz do Capíbaribe, eleita Miss Pernambuco 2011. (Foto: Nando Chiappetta)
 

               Não assisti ao concurso Miss Pernambuco 2011, realizado no Clube Internacional do Recife, no dia 16 de abril. Fiquei desmotivado para ir ao Recife depois que a garota que indiquei para representar Timbaúba no Miss Pernambuco adoeceu e ficou fora do treinamento realizado em Carpina. Também não vi o desfile pela televisão, pois a programação da TV Clube não alcança o território timbaubense, subalterno aos programas gerados no Rio e São Paulo. Não conheci pessoalmente nenhuma candidata ao Miss PE 2011, exceto a eleita, quando disputou o título máximo da beleza pernambucana em 2010. Com base nas imagens divulgadas na Internet, Leidyane Vasconcelos, Miss Santa Cruz do Capibaribe, estava na minha lista do Top 3, como terceira colocada.  Tayanara Gargantine, Miss CPOM-Clube dos Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco , em segundo lugar, e  Nayara Berenguer, Miss São Lourenço da Mata, em primeiro lugar. Não sei se manteria essa ordem, caso tivesse comparecido ao Clube Internacional do Recife e visto todas de perto. Na semana passada, promovi uma enquete em PASSARELA CULTURAL, perguntando se os leitores gostaram ou não da nova Miss PE. Eis o resultado: 48% dos internautas disseram que sim, que adoraram a nova Miss PE; 36% disseram que não gostaram e que preferiam outra candidata; e 16% alegaram que não gostaram da nova Miss PE, mas que o título estava em boas mãos.
               Todos nós sabemos que é muito difícil o resultado de um concurso de beleza agradar a todos, indistintamente. Ao criar esse espaço para discussão, meu objetivo foi o de focalizar o critério dos mapas de votação, o sistema de conceder notas, que poderá prejudicar uma concorrente em potencial. Já participei como jurado de concursos de beleza e  fiquei perdido diante das notas de 1 a 10 que eu teria de dar a quesitos diversos, tais como: beleza facial, plástica, simpatia, fotogenia, desenvoltura, entrevista, traje típico, traje social...  Uma loucura ! Muito mais prático e objetivo seria utilizar o método adotado por certames que fazem assim: diante do grupo de candidatas, cada membro da comissão marca apenas um X ao lado daquelas que ele entende que deve figurar entre as finalistas. Quando essas são definidas, cada  membro do júri opta apenas por aquela que ele considera ser a melhor. No ano passado, fui jurado do Miss Brasil Latina, coordenado por Fernando Bandeira, e o método de votação foi o que acabei de relatar. E que bom, no final da eleição, ouvir dos meus companheiros/companheiras  da mesa julgadora expressões assim: Eu votei em fulana para Miss Brasil Latina... Eu votei em sicrana... Tudo tão transparente... Nos modestos concursos de beleza  de Timbaúba e cidades circunvizinhas, quando sou convidado para prestar assessoria, oriento para que as notas sejam de 1 a 3. A comissão opta apenas por três candidatas/candidatos ao título. Nota 3 para o primeiro lugar, nota 2 para o segundo lugar,  e nota 1 para o terceiro lugar.   Vence quem obter o maior número de pontos.
              Entre tantas vozes renomadas que se manifestaram publicamente sobre a condução do concurso Miss Pernambuco 2011, destaquei as que se seguem, por ordem alfabética.
De FERNANDO MACHADO, jornalista, colunista social e ex-coordenador de vários concursos de beleza:  A nova Miss Pernambuco, Leidiane Vasconcelos, já sabia que seria a eleita, conforme algumas misses me contaram nos bastidores. Quando seu nome foi anunciado vencedora ela não chorou de emoção. Muito esquisita essa sua reação. Até um helicóptero foi contratado para tirá-la do Internacional.  ///// Depois de participar do Miss Pernambuco durante cinco anos, Leidiane Vasconcelos, de Santa Cruz do Capibaribe, foi escolhida ontem à noite, no Clube Internacional, a mais bela do Estado. Uma pena que as misses do Clube dos Oficiais da PM Taynara Gargantine, Petrolina Ana Paula Coelho e São Lourenço da Mata Nayara Berenguer tenham ficado de fora.  Entre os prêmios Leidiane faturou um carro zero quilometro. Nayara Vasconcelos (São Lourenço da Mata) ao ouvir que não figurava entre as três desabou no choro. ///// Particularmente achei uma injustiça Taynara Gargantine não ficar entre as três. Caso tenha ela persistência como a vencedora um dia leva a coroa. (fernandomachado.blog.br)
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De JOÃO ALBERTO, jornalista, colunista social do Diário de Pernambuco e ex-presidente de inúmeras comissões julgadoras do Miss PE:  O concurso Miss Pernambuco-2011, realizado ontem, no Internacional, foi um grande sucesso, mas aconteceu um problema que precisa ser evitado nas próximas edições. ///// Alguns dos convidados para jurados tiveram um comportamento lamentável, dando nota 10 a algumas candidatas e 2 às outras. Como os outros jurados deram notas com pouca divergência, a atitude daqueles jurados claro que prejudicou algumas candidatas. ///// Claro que se trata de um julgamento pessoal, cada um tem sua opinião, mas de forma alguma é correto dar apenas 2 pontos a várias candidatas e 10 a que, evidentemente, era sua candidata. Faltou, claro, a imparcialidade que se deveria exigir de um jurado. ///// A apuração foi comandada pelo presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, desembargador José Fernandes de Lemos, que não poderia fazer nada diante do absurdo que ele mesmo viu, das notas com grandes diferenças de pontos. ///// Tenho o nome desses jurados, mas que prefiro não divulgar, mas que me decepcionaram muito. Nos anos anteriores, eu fui chamado a indicar jurados, este não não fui. Apenas indiquei o presidente da mesa. ///// A direção dos Associados de Pernambuco não gostaram nadinha da atitude daqueles jurados e já decidiram: no próximo ano, a comissão terá menos integrantes, não poderá haver repetição dos mesmo jurados, como vem ocorrendo, e serão todos pessoas totalmente isentas.///// Boas medidas para manter a credibilidade do concurso. Eu mesmo recebi dezenas de e-mails contestando o resultado. Que até me pareceu justo, mas que deixou dúvidas, sem dúvida deixou. /////Desculpem a repetição… (blogs.diariodepernambuco.com.br/joaoalberto/)
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De MUCIOLO FERREIRA, jornalista, ex-colunista social do Jornal do Commercio/Recife e ex-coordenador/assessor de imprensa  de vários concursos de Misses PE e Rainhas do Baile Municipal do Recife: Na visão de Mucíolo Ferreira, que entende tudo de misses, Pernambuco perdeu uma grande chance de eleger a sua primeira Miss Brasil. Ele apostava todas as fichas na candida­ta de São Lourenço da Ma­ta, Nayara Berenguer, realmen­te belíssima, com rosto, corpo e porte de Miss. Segundo ele, uma candidata no ní­vel de Ângela Agra, Miss PE 1978, considerada uma das mais belas da história, que obteve 5º lugar no concurso nacional. (Foco, Paula Imperiano, Folha de Pernambuco, 19/04/2011) ///// "João, lamentável o que aconteceu sábado passado com um resultado duvidoso e que põe em xeque a atual coordenação.Porque, Indiscutivelmente, Pernambuco teria grande chance de eleger sua primeira Miss Brasil, caso a vitoriosa fosse a Miss São Lourenço da Mata, Nayara Berenguer, única candidata com perfil de uma miss exigido atualmente pelos promotores do Miss Universo." ((blogs.diariodepernambuco.com.br/joaoalberto/)

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Detalhe: Muciolo Ferreira viu o concurso pela televisão. Em minha opinião, para opinar sobre quem é a melhor candidata a um título de beleza, necessariamente não se tem que estar no local. Qualquer falha estética fica muito mais visível justamente  na televisão. Tanto é que, em cada set de cena de novela, a  TV Globo usa mais de seis câmeras para captar as melhores imagens antes de editar o capítulo.

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De ROBERTO MACÊDO, arquiteto e jornalista baiano, missólogo, ex-coordenador de concursos de beleza, editor do Miss News e uma das maiores referências nacionais e internacionais da missologia Infelizmente vemos coisas desse tipo acontecerem em diversos Estados e em muitas cidades. Até no concurso nacional não faltam denúncias. ///// Sou jornalista, baiano, especialista em concursos de beleza. Em 2007 denunciei o Miss Bahia ao Ministério Público. Foram instaurados dois inquéritos: um, de corrupção de menores, e outro, de crimes contra a cidadania. Foram remetidos para a Delegacia de Defraudações e até hoje não deram em nada. Durante dias, a denúncia foi assunto de primeira página nos jornais daqui de Salvador. Levei ao MP provas e algumas ex-misses que testemunharam as falcatruas que acontecem nesses concursos. ///// Em 2009, quase denunciei o Miss Brasil ao Ministério Público Federal. Cheguei a fazer os contatos preliminares com o órgão em Brasília, mas o resultado do Miss Brasil não confirmou o circo que estava sendo armado. Mas permaneço vigilante.///// Será que não é hora de alguém ter coragem e também denunciar o Miss Pernambuco ao Ministério Público? Será que não existem provas? Será que não existem meninas dispostas a irem ao MP??? ///// Não concordo com uma miss precisar de cinco tentativas para se eleger. Acho que quando a moça é bela, ganha todas de primeira, como a minha amiga Martha Vasconcellos, a nossa última Miss Universo. Em 2009 assisti ao Miss Pernambuco e vi esta eleita agora concorrendo naquele ano. É bonita, mas nada excepcional. ///// O pior de tudo nos concursos de beleza é iludir meninas que estão começando a se tornar adultas, iludir famílias, amigos, municípios e até desembargadores em eventos que deveriam ter lisura. É aquela história: a mulher de César não precisa apenas “parecer” honesta. Ela tem de ser honesta.///// Por que a votação no Miss Pernambuco não foi feita com X? Cada jurado marcava um x nas suas dez preferidas. As mais votadas seriam as dez semifinalistas. Depois mais um X para finalista, e assim por diante, até um X para a vencedora. Isso evita esse modelo viciado de dar nota 2 todas as concorrentes e uma nota 10 para a sua única favorita. Desrespeito e má fé!(missnews.com.br)
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De um amigo, via e-mail: Minha preferida era Ana Paula Coelho, Miss Petrolina, garota de muita classe. Nayara Berenguer, Miss São Lourenço da Mata, é linda, mas muito verde.  Conversei com seu coordenador e ele me disse que ela voltará em 2013. Tem tudo para ser uma Miss Brasil.
De outro amigo, por telefone: Nayara Berenguer é a cara de Renata Fan, Miss Rio Grande de Sul e Miss Brasil 1999. Ela merecia o primeiro lugar. Aquela menina tem tudo para ser uma Miss Brasil.
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Luzielle Rayanna Silva Vasconcelos, Miss Pernambuco 2010. (Foto: caras.com.br)
                 Ao encerrar esta matéria, quero registrar aqui minha singela homenagem a Luzielle  Vasconcelos, a Miss Pernambuco 2010, que poderia ter ido mais longe no Miss Brasil, que cumpriu seu reinado com classe e categoria e que deixou seu nome registrado como uma das maiores misses pernambucanas.
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E-mail enviado por Silveira, de Pelotas-RS
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Daslan,

       Visitando mais uma vez seu Passarela Cultural, encontrei diversos comentários sobre o ocorrido com algumas notas, no último miss Pernambuco, inclusive sugestões para que tal não venha mais a ocorrer, no que diz respeito à atribuição de notas, nos certames de beleza. Por isso, lembrei-me de lhe enviar uma matéria que redigi a respeito, não com o propósito de criticar o Miss Pernambuco e sua vencedora, mas, com base no ocorrido, discorrer em tese sobre a questão, propondo a solução que me parece mais viável e definitiva. Caso considerar pertinente, coloco esta matéria a sua disposição, para eventual publicação..Acho que existem vícios e imperfeições que se arrastam por décadas nos concursos de beleza, sem que sobre eles se faça um debate, uma reflexão mais séria. É o que me proponho através desta matéria.

Atenciosamente,
                                                            Silveira/Pel
                                                      

       Terminou por transpirar a notícia da atribuição de notas muito baixas dadas por alguns jurados do Miss Pernambuco a fortes candidatas, provavelmente com o propósito de favorecer a preferida dos que agiram dessa forma. E estas concorrentes muito cotadas parece terem ficado de fora, inclusive do rol das finalistas. É lamentável que isto possa ter ocorrido, por prejudicar todo um trabalho da organização do certame estadual de recrutamento de belas candidatas, desde que tal organização não tenha tido conhecimento prévio do que viria a acontecer, igualmente lamentável por frustrar um estado de onde sempre se aguarda fortes candidatas de ser representado por uma ainda mais credenciada, assim como perde o Miss Brasil de ter outra concorrente dentre as mais competitivas.

      Eu venho denunciando essa prática antiética, já há alguns anos. Desde a década de sessenta, quando foi introduzido este critério de votação através de notas, que as distorções daí decorrentes têm influenciado negativamente o resultado lógico de muitos certames. Em Passarela Cultural, de meu caro Daslan Mello Lima, ele reproduz a reportagem de um Miss Brasil, se não me engano de 1965, onde alguns jurados e o próprio repórter externam sua indignação pela ocorrência de notas visivelmente manipuladas por um que outro jurado inescrupuloso, com a clara intenção de derrubar a franca favorita da maioria dos demais membros da comissão julgadora, o que veio a ocorrer, efetivamente. Em inúmeros oportunidades, tenho criticado esse critério absurdo de eleição de misses, mas com pouca receptividade tanto da parte dos aficionados nos concursos de beleza, como da organização de tais certames.

      Na verdade, o que ocorreu há pouco no Miss Pernambuco, não se constitui em nenhum fato inusitado, já que a maioria dos concursos de beleza parece continuarem a insistir nesse sistema desastroso de atribuição de notas, além do que, pela falta de transparência da maior parte deles, sou levado a supor que inclusive em meu estado o mesmo possa acontecer, sem que sequer tomemos conhecimento disso. Uma exceção parece ter sido o Miss Santa Catarina deste ano que, ao que consta, adotou o critério muito mais enxuto do voto uninominal de cada jurado em sua candidata favorita, que viabiliza a vitória da que tiver metade mais um dos votos da comissão julgadora. Procurei dar a mais ampla divulgação a esta mudança por demais auspiciosa e, agora, aproveito esse incidente das notas baixas que, por sorte, até, terminou transpirando no Miss Pernambuco, não para tripudiar sobre este concurso e sua vencedora, mas para falar em tese contra essa prática que já deveria ter sido banida há muitas décadas das competições de beleza do mundo inteiro.

       O que é impressionante e lamentável é a mesmice, a rotina tacanha e irracional que persiste, década após década, na realização dos certames de beleza, a começar pelos internacionais, com a repetição dos mesmos procedimentos sabidamente ineficazes e nocivos em suas instâncias inferiores, sem que sobre estas práticas se faça qualquer reflexão ou discussão. Assim, se a matriz internacional usa o sistema de notas, parece ser porque este deva ser o único possível de ser utilizado. Parece não caber qualquer iniciativa de sua substituição por outro critério que não cause as mesmas repetidas irregularidades. Em vez de corrigir este erro, quando ele ocorre,  muitas vezes apenas abafa-se a divulgação dessas distorções, como se o problema não fosse continuar latente. Por isso mesmo, não é comum ficarmos sabendo de tais fatos que só chegam ao nosso conhecimento, quando alguém como esse repórter em Pernambuco parece ter tido a possibilidade de detectá-lo e, ao mesmo tempo, a coragem de trazê-lo a público. Em muitas outras vezes, só nos restam indícios, pelo verdadeiro descalabro de resultados incompreensíveis.
 
       E a mesma prática rotineira e viciada dessas notas envenenadas continuam a ser utilizadas em outros momentos dos certames de beleza, como a leviandade de critérios na escolha das comissões julgadoras, muitas vezes constituídas predominantemente por patrocinadores do concurso, que têm cadeira cativa nesses certames onde injetam dinheiro, completadas por políticos, por jogadores de futebol, enfim, por pessoas que não costumam ter uma noção mais nítida do que se precisa buscar na escolha da vencedora de um concurso de beleza. Também se constitui num absurdo a importância decisiva que ainda é atribuída ao conteúdo da resposta das finalistas à única pergunta que lhes é formulada, como se essa resposta fosse suficiente para aquilatar o nível intelectual de uma candidata, ou como se tais certames de beleza estivessem em busca de uma comunicadora ou formadora de opinião, e não de uma beldade que deverá mostrar sua maior desenvoltura, não diante de um microfone, dando respostas sábias e politicamente corretas a toda e qualquer pergunta, mas diante dos holofotes, das câmeras de televisão e das passarelas internacionais.

        Pelo que consta, a direção dos Associados de Pernambuco não gostaram da atitude desses jurados que, tendenciosamente, teriam dado notas muito baixas a fortes candidatas, por óbvias razões. Também consta que, para o ano, visando evitar a repetição de tal erro, constituirão comissão julgadora com menos integrantes, como se isso, por si, impedisse a inclusão de algum corrupto; também não pretendem repetir integrantes da última comissão julgadora, e que todos os convidados serão "pessoas isentas" (as aspas foi eu quem as colocou). Quanta ingenuidade, quantas soluções paliativas, a persistirem na prática viciada desse critério de notas. Como se poderá ter certeza absoluta de que a unanimidade dos escolhidos portar-se-ão como pessoas isentas?

       O que se torna absolutamente necessário e inadiável, em todas as instâncias de todos os certames de beleza, é a utilização de um critério que impeça eventuais corruptos, que inesperadamente poderão se revelar como tal, levados por interesses inconfessáveis, de darem livre curso a sua falta de ética. E isto é bem mais fácil de se conseguir através do voto direto de cada jurado em sua candidata preferida, porque, aqui, o desonesto queima apenas o seu voto em uma preferência que pode ser meramente pessoal, mas não derruba com notas baixas ou as piores classificações a favorita da maioria dos demais membros da comissão julgadora. Exatamente aí está o cerne da questão. É o mau jurado que, não só exerce o direito de apontar sua preferida como, através do expediente escuso de atribuição de notas muito baixas às mais fortes concorrentes, consegue até impedi-las de seguirem adiante no concurso e, cúmulo dos cúmulos, impede que a preferida da maioria de seus pares seja a vitoriosa. Trocando ainda mais em miúdos, existe uma candidata que é a opção do maior número de jurados, mas ela não obtem o maior número de pontos e, por isso, é derrotada por uma minoria de integrantes da comissão julgadora, o que se constitui no mais absurdo dos descalabros. Este é um júri que faz a vontade de uma minoria de mal intencionados, em detrimento da manifestação expressa da maioria de seus componentes que deram notas éticas e equânimes para todas as candidatas. Nada mais antidemocrático, irracional e antiético. Mas parece que isto é muito difícil de entender, e mais ainda, que tal critério nefasto é impossível de ser substituido por outro isento de desonestidades.

        E nada mudaria se a nota mínima, em vez de dois, como parece ter sido o caso do Miss Pernambuco, fosse cinco, porque o efeito perverso dessa nota mal intencionada continuaria sendo o mesmo. E nota mínima oito, também não me parece a solução, até porque embolaria perigosamente a pontuação das finalistas e porque dois ou três oitos dados maldosamente a uma favorita, entre candidatas com pontuação muito próxima, também poderiam afastá-la.da merecida vitória. E então, pergunto, por que não substituir esse viciado critério de notas pelo do voto direto de cada jurado em sua preferida, tal como ocorria nos primeiros certames do Miss Brasil? Existe alguma objeção a este sistema? Qual seria ela? Por sua vez, existe alguma vantagem das notas em relação ao sufrágio uninominal? Este último tem uma particularidade que talvez faça com que até possa ser encarado com reservas. É que voto uninomial é algo muito simples de ser dado, e mais ainda, de ser computado. Por isso, talvez não seja revestido do aparato, da pompa e da circunstância que se imagina dever revestir o critério de escolha em um concurso de miss. O muito simples, às vezes, pode ser visto como simplório, daí ser preciso complicar, para impressionar, para dar foros de eficiência e seriedade.

       Mas existe, talvez, um outro motivo para explicar a dificuldade que eu sinto da maioria em admitir a supressão do sistema de notas. Silvio Santos, com seu Miss Brasil de muito mau gosto, costumava fazer suspense barato com essas notas dos jurados. E fez deste momento, talvez, o de maior sensação. A verdade é que até nesse voto a descoberto da era Silvio Santos, uma jurada muito cara de pau, com uma nota um, derrubou grotescamente as chances de uma candidata favorita. Mesmo assim, esse sistema nefasto, em suas linhas básicas, continuou como sempre, até os dias de hoje. Silvio acostumou o telespectador brasileiro a ver no sistema de notas algo inerente aos concursos de miss. Por aí talvez esteja uma explicação para que, diante do sucedido mais uma vez no Miss Pernambuco, a maioria dos que se interessam por esse tipo de certame chegue apenas a propor remendos no sistema de notas, mas não consiga imaginar nem admitir a sua supressão e substituição, ainda mais por um sistema tão simples, como o do voto uninominal. Mas se é para não se perder o suspense, que se recolha o voto de cada jurado em uma urna, e que simplesmente se faça o computo deles diante do público.
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       Além do mais, em um certame que é eminentemente comparativo, será que já se pensou no absurdo de se conferir nota a uma candidata, sem antes ter tido a possibilidade de comparar o desempenho desta concorrente com o das outras que se apresentarão a seguir? Isto me parece uma leviandade. Digamos, por exemplo, que uma das primeiras a se apresentar tenha sido considerada merecedora da nota máxima, por seu desempenho que pareceu excelente. Como irá agir o jurado no caso de outra candidata se apresentar, posteriormente, com uma performance ainda superior? Não seria muito mais lógico fazer concisos comentários escritos sobre a apresentação de cada concorrente, ou sublinhar as que se sairam melhor e, baseado nestes apontamentos, ao final da apresentação de todas, fazer um balanço bem fundamentado sobre qual delas foi a melhor, ou quais as melhores?

       Também igualmente válida é a idéia de, para a escolha das semi finalistas e das finalistas, além dos breves comentários feitos em folha separada para servir de orientação ao jurado, colocar-se um X ao lado do nome das candidatas preferidas, classificando-se as quinze, ou dez ou cinco, que obtiverem o maior número de indicações dos membros da comissão julgadora. Mas para a escolha da vencedora, o ideal é o voto direto de cada jurado em sua preferida, para que  jurados mal intencionados não possam dar maldosamente a pior das classificações à candidata da maioria, com o propósito de lhe impedir a vitória. E no caso de, em primeira votação, não haver concorrente com essa maioria de votos, pela dispersão de preferência dos jurados em três ou mais candidatas, é só repetir a votação em torno das duas mais votadas que aí surgirá a vencedora da forma mais transparente e insofismável.  

        Um fato curioso e digno de, aqui, ser levado em consideração foi o que ocorreu, e o que poderia ter sucedido, na eleição de Marta Rocha, quando a escolha ainda era feita pelo voto direto de cada jurado em sua preferida. Sei de fonte mais que fidedigna de que Marta, por incrível que nos possa parecer, venceu o Miss Brasil pela escassa margem de um voto, simplesmente pela resistência de alguns jurados à sua loirice "pouco brasileira". Se a eleição tivesse sido por nota, é muito possível que algum desses jurados com maior preconceito contra loiras, mais cioso da morenice que deveria se estampar na pele de nossa Miss Brasil, e com postura menos escrupulosa, tivesse facilmente boicotado sua vitória, atribuindo-lhe alguma nota bem baixa, suficiente para sua derrota. Por sorte o critério ainda era isento de falcatruas, e não chegamos a ser privados, por um expediente tão baixo, da eleição de Marta Rocha, o maior e mais merecido mito brasileiro de beleza feminina de todos os tempos. Mas depois que as notas passaram a ser adotadas, elas tem feito muitos e repetidos estragos, dentre os quais, pelo que consta, a escolha da última Miss Pernambuco pode ter sido o mais recente. E que venha a ser o último, não custa esperar, ainda que muito ingenuamente.

         Enfim, está mais do que em tempo de deixarem as organizações dos concursos de persistir, ano após ano, nessas práticas rotineiras, burras, ineficazes e perniciosas, tais como esse critério de atribuição de notas, que pode garfar a candidata mais bela, assim como a má escolha dos integrantes das comissões julgadoras, além do excesso de importância dada ao conteúdo da resposta a uma única pergunta, como fator decisivo para definir a vencedora de um certame de beleza. É preciso que as organizações desses concursos atuem com maior discernimento, seriedade e transparência, para que possamos encarar os certames de beleza, bem como suas organizações, com muito mais respeito e credibilidade.
                                                                              
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sábado, 16 de abril de 2011

ADÉLIA LEITÃO DE SOUZA, UMA DAMA CHEGA AOS 100 ANOS DE IDADE

Adélia Leitão de Souza nasceu no Engenho Cana Brava, São Vicente Ferrer-PE, na época distrito de Timbaúba, no dia 16/04/1911. Radicada há muitos anos  na "Princesa Serrana", Adélia é uma senhora tranquila, lúcida e sábia. *****  Na primeira imagem, Adélia aos 100 anos. Na segunda,  em foto do Álbum da Família, quando tinha 15 anos e era aluna exemplar do tradicional educandário Colégio das Damas da Instrução Cristã, no Recife. Em ambas as imagens, uma certa Luz impressiona e contagia.  ***** Confira um pouco da história desta pessoa linda na secção "De Timbaúba para o Mundo".
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sexta-feira, 15 de abril de 2011

CRÔNICAS DE DASLAN MELO LIMA


 ABENÇOADO CACHORRO, ABENÇOADO PORCO

Daslan Melo Lima
          Acostumei-me a andar com minha máquina fotográfica digital para onde quer que eu vá, a fim de registrar imagens inusitadas com as quais somos surpreendidos no dia a dia, como estas que ilustram esta crônica.

           No final da tarde da última segunda-feira, ao sair da redação do  Correio de Notícias, onde fui concluir a revisão de mais uma edição do jornal, encontrei um cachorro e um porco juntos, dividindo o mesmo espaço, sob a marquise de um prédio do centro da cidade, protegendo-se mutuamente da chuva e do frio.
           Abençoado cachorro. Abençoado porco. Juro que tive vontade de deitar-me junto deles, como forma de agradecer a lição de humildade, tolerância e solidariedade que ambos estavam dando às pessoas que passavam. 
           Voltei para casa com a cena tomando conta de todos os meus pensamentos.  Se os humanos fossem tão cachorros e porcos como aqueles animais, não tenho dúvida alguma que haveria menos cachorradas e menos lama neste conturbado planeta Terra.
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Timbaúba-PE, no décimo terceiro dia de maio de 2011, quando ainda é outono no hemisfério sul.
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MAIO DAS MÃES, MAIO DE MARIA

Daslan Melo Lima

               Durante muitos anos, na época do Dia das Mães, eu me perguntava o que seria de mim quando chegasse um segundo domingo de Maio sem minha Mãe ao lado. Este 2011 é o quarto ano que passarei o Dia das Mães sem a presença física do ser inesquecível que O Criador destinou para ser minha genitora.

               Não estou triste e nem sinto vontade de chorar. Acho que todas as lágrimas que deveria chorar já chorei, na ocasião em que DEUS convocou minha Mãe para uma nova missão em outra dimensão.  Existe dentro de mim apenas uma sensação inexplicável de vazio pela  ausência do mais importante referencial da história da minha vida.

               Neste Maio de  Maria, Mãe de Jesus Cristo, símbolo de todas as Mães do mundo, peço a DEUS para prosseguir com sabedora a minha caminhada, até que,  num Maio assim, ELE conceda-me a graça de com minha Mãe estar. Por isso, o menino que ainda sou canta com Fé e Esperança aquele velho hino religioso que diz: "Com minha mãe estarei na santa glória um dia,  / ao lado de Maria no céu triunfarei. /// No céu, no céu, com minha mãe estarei. / No céu, no céu, com minha mãe estarei. /// Com minha mãe estarei aos anjos se ajuntando. / Do onipotente ao mando / hosanas lhe darei. /// Com minha mãe estarei e então coroa digna / de mão tão benigna feliz receberei. //// Com minha mãe estarei e sempre neste exílio / de seu piedoso auxílio, com fé me valerei. /// No céu, no céu, com minha mãe estarei. / No céu, no céu, com minha mãe estarei."


Timbaúba-PE, na véspera do Dia das Mães de 2011. 

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A MOÇA QUE VEM E A MOÇA QUE VAI


Daslan Melo Lima

               Da minha casa até ao centro da cidade, a distância é relativamente curta. Durante o trajeto, passo na frente de seis imóveis onde as pessoas mergulham nos mistérios da vida e da morte: Igreja Pentecostal União Com Cristo, Igreja Evangélica Verbo da Vida, Igreja Batista, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Congregacional Carismática e a Matriz de N.S. das Dores (Igreja Católica Apostólica Romana).  
   
               No final da tarde dominical, na calçada por onde caminho, lá vem aquela moça linda que freqüenta uma igreja evangélica, de cabelos compridos, sem maquiagem, Bíblia na mão e vestido abaixo dos joelhos. Na calçada do outro lado lá vai aquela moça linda que não perde uma missa aos domingos, de cabelos curtos, maquiada e  saia na altura dos joelhos.

               A moça que vem precisa tanto ir ao culto como eu preciso do vento que bate em meu rosto. A moça que vai precisa tanto ir à missa como eu preciso ouvir o silêncio. E enquanto passo meditando na minha caminhada até ao centro da cidade, peço a DEUS que conserve para sempre todas as igrejas da terra, que conserve para sempre o vento e o silêncio, a fim de suprir as necessidades espirituais dos poetas, da moça que vem e da moça que vai.

Timbaúba-PE, numa tarde dominical de abril de 2011. 

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FELIZ NAVEGANTE

Daslan Melo Lima

               Na fria e chuvosa manhã paraibana de Mataraca, em Barra do Camaratuba, não almejo Sol, não almejo aplausos, não almejo nada. Permito-me apenas tirar uma foto na frente de uma pequena embarcação que tem um nome poético e lindo: Feliz Navegante, e navegar dentro de mim.
   


               Se eu possuísse um barco igual ao Feliz Navegante talvez não tivesse os problemas que tenho como caminhante, mas teria como navegante, pois as marés oscilam e eu oscilaria com elas. Melhor caminhar sobre a terra firme, enfrentando as ondas das ilusões e desilusões, dos amores e dos desamores... Não tenho um barco e não quero um barco para navegar. Para mim, basta ser caminhante.  E se não sou tão feliz como deveria ser, continuarei caminhando.
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               Dei as costas ao barco sem olhar para trás, pisei firme na areia  molhada  e agora aqui estou, novamente navegando dentro de mim.
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Barra do Camaratuba, Mataraca-PB, 24/04/2011



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 NO TEMPO DAS VERDADEIRAS SEMANAS SANTAS

Daslan Melo Lima
 
 
               Confesso que não gosto do que os novos tempos fizeram com o período da Semana Santa. Independente de religião,  este é o período propício para retiros espirituais e reflexões, se bem que todo  dia é dia para meditarmos sobre os mistérios da vida e da morte. Não gosto de ver na televisão   reportagens mostrando as pessoas correndo para os paraísos turísticos, os noticiários das farras, as badalações e  os verdadeiros carnavais fora de época que acontecem em algumas cidades.
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               Houve um tempo em que as pessoas deixavam de fazer muitas coisas nas  Semanas  Santas: comer carne, arrumar  casa, tomar banho, fazer sexo, cortar cabelo...  Convenhamos que, em alguns casos, havia exagero, mas o respeito à semana em memória do sacrifício de Jesus Cristo norteava todas as atitudes. Nas Igrejas, cobriam-se as imagens de roxo. Nas casas, os quadros dos santos eram virados para o lado da parede. Nas emissoras de rádio,  a programação musical era totalmente dedicada às músicas sacras e clássicas.
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               Só tem um detalhe traumático nas histórias das Semanas Santas do passado. No meu tempo de menino em São José da Laje havia uma história  fantástica:  se o padre não achasse a Aleluia o mundo se acabaria. Lembro-me das beatas passando na frente da minha casa e  minha mãe perguntando se o padre já tinha achado a aleluia. Que medo  me dava saber que  o mundo poderia acabar a qualquer momento. A Aleluia seria o que? Ninguém me dava uma resposta convincente. Seria uma gota de sangue de Cristo dentro da Bíblia? A  Aleluia era um mistério. E só. Ninguém tinha que perguntar mais nada. Mistério era mistério. E depois tinha a procissão  do encontro, um andor com Nossa Senhora e outro com o seu Filho carregando a Cruz.  Moças lindas da sociedade desempenhavam os papéis de Verônica e Maria Madalena. E depois tinha outra procissão, a do Senhor Morto. 

                Os costumes e a cultura das Semanas Santas do meu tempo de menino provocaram alguns traumas e sentimentos de culpa em muitas crianças sensíveis.  Eu que o diga.  No entanto, mil vezes aquilo do que os costumes de  hoje, onde tudo pode nas semanas que poderiam ter outro nome, jamais o de Semana Santa. 
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               Ontem, o menino que fui tinha medo de ver o mundo se acabar se o padre não achasse a  Aleluia. Hoje, o homem que sou tem medo dos castigos divinos que poderão cair sobre uma sociedade de consumo  que idolatra o Ter e ignora o Ser. 

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Timbaúba-PE, 15/04/2011 


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As fotos que ilustram esta crônica foram feitas pelo arquiteto José Maria Mattos, conterrâneo-contemporâneo radicado em Maceió-AL. As imagens sacras estão guardadas na sacristia da Igreja Matriz de São José da  Laje-AL e são as mesmas que saiam nas procissões das Semanas Santas do meu tempo de menino.
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DOZE MORTOS E CENTO E NOVENTA MILHÕES DE FERIDOS

Daslan Melo Lima


               A tragédia ocorrida na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, provocada por um rapaz de 23 anos, mereceu do  jornal Diario de Pernambuco, edição de ontem, sexta-feira, 08/04/2011,  a seguinte manchete  12 MORTOS 190 MILHÕES DE FERIDOS, seguida do texto confuso da carta deixada pelo criminoso.
               Busco entender os caminhos que semearam trevas na mente e no coração de Wellington Menezes de Oliveira e me perco em teorias.
               O outono do hemisfério sul, em silêncio, revela ao outono da minha vida que chegará o inverno e não verei a PAZ ocupar todos os labirintos do Planeta Terra, a não ser em sonhos.  
               Cento e noventa milhões de brasileiros estão perplexos. 

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             Timbaúba-PE, na madrugada de 09/04/2011, enquanto a chuva lá fora cai, torrencialmente cai, talvez chorando por mim, por ti, por 190 milhões de brasileiros perplexos.
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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO



ADÉLIA, 0S 100 ANOS DE UMA DAMA 



               Tranqüila, lúcida, bem cuidada, educada... Assim é a matriarca Adélia Leitão de Souza, cem anos de idade. Adélia, nome que significa “de origem nobre”, nasceu no Engenho Cana Brava, em São Vicente Ferrer-PE, na época distrito de Timbaúba, no dia 16/04/1911, filha primogênita de Ignes e Ivo Vieira de Mello Leitão. Foi educada no tradicional educandário recifense Colégio Damas da Instrução Cristã, onde foi aluna exemplar e desenvolveu suas aptidões para a poesia, o piano, a pintura e o idioma francês. Foi casada com João Gonçalves de Souza, uma união harmoniosa que durou meio século e que lhe deu quatro filhos (Ivanise, Ivan, Inalda e Ismar), treze netos, quinze bisnetos e três trinetas (com uma a caminho). Radicada há muitos anos em Timbaúba, Adélia Leitão de Souza goza de boa saúde; dorme bem; alimenta-se bem (come de tudo, moderadamente); não toma remédio algum, a não ser um comprimido de complexo vitamínico por dia. A única queixa é a de não poder andar, desde que levou uma queda e machucou a perna direita. Isso faz um ano. Chegou a fazer várias sessões de fisioterapia, mas preferiu abandonar o tratamento.
 
Quatro membros de uma família numerosa que tem orgulho de sua matriarca. O neto Fábio de Albuquerque Regis, a  esposa Dannieli d'Almeida Lins Regis e os filhos Maria Eduarda e Pedro Henrique.
            Com sua voz mansa e firme, D. Adélia abriu sua alma para PASSARELA CULTURAL. Vamos conferir.
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Um motivo de orgulho: Ter chegado com saúde aos 100 anos /// Religião: Católica Apostólica Romana /// Uma canção inesquecível: Emoções, de Roberto Carlos /// Um cantor e uma cantora: Roberto Carlos e Dalva de Oliveira /// Um programa de TV: Todos da Canção Nova /// Uma cor: Verde-claro  /// Um filme: ... E O Vento Levou ///  Um livro: "Menino de Engenho", de José Lins do Rego /// Uma cidade: Recife /// Um motivo de alegria: O nascimento de Vânia Regis, minha primeira neta /// Um prato: Feijoada /// Uma bebida: Guaraná /// Viver é... Conviver em harmonia com as pessoas que nos cercam /// Morrer é...  Passar para uma vida melhor ///

Adélia aos 15 anos - Álbum da Família
Um motivo de saudade: Tenho muitas saudades. Saudades das viagens de charrete e carro de boi de São Vicente Ferrer para Macaparana;  do   tempo de internato no Colégio das Damas da Instrução Crista; dos banhos de mar em Itamaracá; da Madre Loyolla; das minhas amigas Antonieta Cavalcante e Emília Xavier /// Frevo ou Samba? Eu adorava carnaval e qualquer coisa que batesse eu estava dançando /// Um político: Moura Cavalcanti /// Uma mulher bonita: A baiana Martha Rocha, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1954 /// Um motivo de arrependimento: Não posso revelar a ninguém, só a Deus /// Uma tristeza: A lembrança da morte dos meus pais /// A melhor invenção do homem:  O telefone //// A pior invenção do homem: As armas /// Acredita em vidas passadas? Não, mas pode ser que acredite um dia /// O que mudou nestes 100 anos? O mundo é o mesmo. O povo é que mudou e está cheio de maldade. Eu me preocupo com o futuro dos meus descendentes.

Adélia tem uma agenda onde quase todos os dias, com sua letra bonita, escreve inspirados textos. Acima, ela iniciou a página escrevendo a seguinte frase: "Até o fim de nossa existência podemos aprender bastante."
Adélia Leitão de Souza chegou aos 100 anos de idade com o coração transbordando de Amor. Traz no rosto sereno um sorriso doce e a consciência de que a Vida é um dom de  DEUS.


Na tarde do sábado, 16, um grupo de descendentes de Adélia Leitão de Souza reuniu-se na casa do casal Fábio-Dannieli para um almoço seguido do corte do bolo e do tradicional parabéns pra você. Apesar do calor, não foi servido cerveja e nenhum tipo de bebida alcóolica, uma recomendação da aniversariante que foi cumprida e aceita por todos.


Alguns membros da família não poderam comparecer por motivo de força maior, a exemplo de Sônia Regis, foto acima, que está passando uma longa temporada nos Estados Unidos, mas que enviou para a avó amada a sequinte mensagem:
 "Vovozinha querida, eu estou longe, mas meu coração está aí com você.  Eu lhe amo muito e oro por você todos o dias, pedindo a Deus para  lhe cobrir de bênçãos. Um grande abraço da neta querida que lhe ama muito. Sonia Regis."

 
Adélia e a trineta Ana Luiza, o inverno e a aurora de uma família timbaubense. 



Adélia e a neta Vânia Regis. 

Com sua voz firme, mas ao mesmo tempo lenta e suave, Adélia leu o discurso que escreveu com sua letra bonita numa folha de caderno:
"Senhor! Como é grande o teu amor por mim! Nasci do amor, vivo amando e recebo de Te só amor. Obrigada Senhor... O tempo ainda nada conta aos meus olhos; mas hoje, que estou completando os meus 100 anos de vida junto com a minha família, e os meus amigos, sinto uma vontade imensa e alegria, e só desejo mesmo é agradecer a todos vocês. ... Muito Obrigda..."

Uma chuva de rosas vermelhas marcou o momento do início do parabéns pra você. Antes, no entanto, a emoção tomou conta do ambiente quando todos cantaram a  música "Como é Grande o Meu amor por Você", de Roberto Carlos, o cantor preferido de Adélia Leitão de Souza. Nada mais significativo para louvar uma pessoa querida e iluminada que chegou aos 100 anos de idade. ***** Eu tenho tanto pra lhe falar / Mas com palavras não sei dizer / Como é grande o meu amor por você. /// E  não há nada pra comparar / Para poder lhe explicar / Como é  grande o meu amor por você. /// Nem mesmo o céu, nem as estrelas / Nem mesmo o mar e o infinito / Não é maior que o meu amor, nem mais bonito. /// Me desespero a procurar / Alguma forma de lhe falar / Como é grande o meu amor por você. /// Nunca se esqueça, nem um segundo / Que eu tenho o amor maior do mundo / Como é grande o meu amor por você.


   
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SESSÃO NOSTALGIA – MAIO DE 1985, AQUELE ALMOÇO COM 12 MISSES BRASIL

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO
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               No dia 04 de maio de 1985, o publicitário goiano Waldir Viana organizou um encontro na casa de Adalgisa Colombo (Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958), no bairro do Joá, Rio de Janeiro, que contou com a presença de 13 misses (doze Misses Brasil e uma Miss São Paulo), incluindo a anfitriã. Por ordem alfabética, as misses que almoçaram na casa de Adalgisa Colombo foram: Ana Cristina Ridzi (Miss Guanabara e Miss Brasil 1966); Carmem Sílvia (Miss São Paulo e Miss Brasil 1967); Gina Macpherson (Miss Guanabara e Miss Brasil 1960); Jussara Marques (Miss Goiás e Miss Brasil 1949); Lúcia Tavares Peterlle (Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e Miss Mundo 1971); Márcia Brandão (Miss São Paulo 1975); Martha Rocha (Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954); Martha Vasconcellos (Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968); Rejane Goulart (Rejane Vieira, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1972); Sandra Guimarães (Miss São Paulo e Miss Brasil 1974); Vânia Pinto (Miss Distrito Federal e Miss Brasil 1939) e Yolanda Pereira (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1930). O evento foi notícia em todas as emissoras de televisão e mereceu reportagens nas mais importantes publicações da imprensa nacional, tais como as revistas Veja , Manchete e  Jornal do Brasil

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ALMOÇO REÚNE 12 MISSES BRASIL PELA PRIMEIRA VEZ SEM AS MÃES  (Jornal do Brasil, 05/05/1985)
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Nas fotos menores, Yolanda Pereira, Jussara Marques, Martha Rocha e Gina Macpherson, no  tempo em que foram eleitas misses. Na foto maior, da esquerda para a direita, Yolanda, Jussara, Martha Rocha e Gina, naquele maio de 1985.
A reportagem do Jornal do Brasil mencionou a presença no almoço do fotógrafo Antonio Rudge,  Maria Augusta Nielsen... Abordou os problemas de saúde de Yolanda Pereira e Vânia Pinto... etc.

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 BELEZAS ANTIGAS  -  (Revista Veja, 15/05/1985)
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A revista Veja iniciou a reportagem afirmando “Celebrou-se no último dia 4, no Rio de Janeiro, um ato de nostalgia, talvez o último do gênero...” Finalizou mencionando uma declaração de Adriana Alves de Oliveira (Miss Rio de Janeiro, Miss Brasil, terceira colocada no Miss Universo 1981): “Essas mulheres foram fenômenos”, referindo-se às Misses que estiveram no almoço na casa de Adalgisa Colombo. A Veja referiu-se à Martha Vasconcellos como "a mais deslumbrante das senhoras reunidas por Adalgisa." Na foto maior, sentada no chão, Maria Augusta Nielsen. Na última fila, Waldir Viana entre Jussara Marques e Carmem Sílvia.

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O REENCONTRO DAS BELEZAS ETERNAS -  (Manchete, 18/05/1985)
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A histórica reunião na casa de Adalgisa Colombo. Sentadas: Yolanda Pereira, Sandra Guimarães e Vânia Pinto. Na segunda fila: Rejane Goulart, Gina Macpherson, Lúcia Peterlle, Ana Cristina Ridizi , Martha Vasconcellos e Martha Rocha. Na terceira fila: Márcia Brandão, Jussara Marques, Carmem Sílvia e Adalgisa Colombo.
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EPÍLOGO 
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               O encontro foi mesmo de confraternização. Todas muito bem vestidas, maquiladas e lindas mostravam que não se esqueceram do reflexo condicionado dos tempos de misses. Ao clic das máquinas fotográficas lá estavam elas, empinadinhas, sorrisos  largos e poses de rainha. Maria Augusta, que ensinara às meninas marcha e postura, olhava com satisfação, como quem dissesse: “Não esqueceram meus ensinamentos.” (Manchete, 18/05/1985)
              Depois daquele almoço de 1985, três Misses partiram para outra dimensão: Yolanda Pereira, Vânia Pinto e Jussara Marques, assim como o publicitário Waldir  Viana.  Naqueles 1985, o concurso Miss Brasil vivia uma fase atípica da sua história. Desde 1981, quando  os Diários e Emissoras Associados tinham deixado de coordenar o certame, o Miss Brasil estava nas mãos do comunicador Sílvio Santos.
              “Representar um país através da beleza é tão importante quanto através da política ou do futebol. Tem que ter uma boa estrutura.” Declarou durante o encontro Lúcia Tavares Peterlle. Concordo plenamente.
               Vou encerrar esta crônica plagiando a expressão de Adriana Alves de Oliveira, ao se referir às Misses presentes naquele almoço de maio de 1985: “Aquelas Mulheres foram fenômenos”.
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sábado, 9 de abril de 2011

DE ALAGOAS PARA O MUNDO


CARLOS EUGÊNIO DE ALBUQUERQUE LYRA,  UM ALAGOANO EM TIMBAÚBA

Daslan Melo Lima
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               Carlos Eugênio de Albuquerque Lyra nasceu na cidade de União dos Palmares-AL  e tem fortes raízes na vizinha São José da Laje, também em Alagoas, onde viveu parte da infância e onde nasceram seus pais Eugênio Fabrício  Lyra e Josenilda Albuquerque.  Seu avô paterno, o poeta João Pinheiro de Andrade Lyra  (1912-1955)  nasceu em Timbaúba-PE, mas foi em São José da Laje que passou a maior parte de sua vida, e onde repousam seus restos mortais. 
O casal alagoano Carlos Eugênio e Maria Hermínia, Ana Alice Rosendo (primeira dama timbaubense) e Marinaldo Rosendo de Albuquerque (prefeito de Timbaúba), no lançamento da revista comemorativa dos 132 anos da "Princesa Serrana".
Carlos Eugênio e Hermínia posam ao lado do monumento ao jornalista Jader de Andrade, o maior ícone cultural timbaubense de todos os tempos.
                 Há uma relação mística e mágica entre São José da Laje, a "Princesa das Fronteiras", minha terra natal, e Timbaúba, a "Princesa Serrana", minha terra adotiva. Resgatar para Timbaúba a história de João Pinheiro de Andrade Lyra tem sido uma das missões de PASSARELA CULTURAL. E não poderia ser diferente, pois João Pinheiro é um ícone cultural em São José da Laje, cidade beneficiada pelo Coronel Carlos Lyra, também timbaubense, criador da Usina Serra Grande, avô do poeta João Pinheiro.
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Carlos Eugênio posa ao lado da esposa na frente da casa que pertenceu ao seu tio Hugo de Andrade (1885-1958), irmão de Jader de Andrade.
                Na última sexta-feira, 08 de abril, Timbaúba completou 132 anos de emancipação política. Tive a satisfação de colaborar com a edição de uma revista comemorativa, editada por DJ Publicidade, onde focalizei a vida e a obra de João Pinheiro de Andrade Lyra. Comuniquei o fato aos seus filhos, meus conterrâneos-contemporâneos, e aos seus netos. Um deles, o Carlos Eugênio, que há 10 anos mora em Sirinhaém-PE,  esteve presente nas solenidades do aniversário de Timbaúba e do lançamento da revista.  Acompanhado de sua esposa Maria Hermínia Fonseca Lyra, alagoana de Ibateguara, Carlos Eugênio fez parte do palanque das autoridades, ocasião onde o mestre-de-cerimônias  registrou sua presença, citando-o como neto de João Pinheiro e sobrinho-bisneto do jornalista Jáder de Andrade, o maior ícone cultural de Timbaúba. Após, a cerimônia,  o casal participou de uma sessão de fotos  ao lado de Marinaldo Rosendo de Albuquerque, prefeito de Timbaúba, e de Ana Alice Rosendo, primeira  dama. Depois do almoço no Restaurante Ikiban, Carlos e Hermínia fizeram um city-tour que incluiu a estátua de Jader de Andrade, a casa de Hugo de Andrade (palacete hoje pertencente ao Dr. Luismar Melo) e ao Cine Teatro Recreyos Benjamin.
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O Cine-Teatro Recreyos Benjamin, fundado por Jader de Andrade (1886-1931), não poderia jamais faltar no roteiro de Carlos Eugênio. Que esta imagem sensibilize o governador de Pernambuco Eduardo Campos para dar início às obras de restauração desse patrimônio cultural timbaubense.
            Carlos Eugênio prometeu retornar à Timbaúba em outra ocasião, a fim de visitar o Alto da Independência e de lá apreciar a bela vista da  amada terra natal do grande poeta João Pinheiro de Andrade Lyra. A "Princesa Serrana" e PASSARELA CULTURAL estarão de braços abertos para recebê-lo.
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SESSÃO NOSTALGIA - “VÁ LÁ EM CIMA E TRAGA A MANCHETE DE IEDA MARIA VARGAS”, UMA SENHA PARA O PARAÍSO

Daslan Melo Lima
 
 
                 - “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas.” Era quase meio-dia de uma cinzenta manhã dominical de agosto de 1963, em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci. 
      Eu era ainda um menino, mas já trabalhava aos domingos, dia de feira livre, na Loja São José, a grande casa comercial de José Francisco da Silva, conhecido como Galego, esposo de Maria da Soledade Lima e Silva, a Tia Dade, irmã da minha mãe. Eu atendia no balcão, onde vendia coisas diversas, inclusive vidros de perfumes e de brilhantina. Abria os vidros, passava um pouco da essência em meus braços ou nos dos matutos e matutas, aspirava o cheiro e dizia com um sorriso que o produto era ótimo. Também subia e descia uma escada várias vezes, a fim de apanhar nas prateleiras mais altas as caixas de chapéus que as vendedoras ofereciam aos clientes. Por conta da escada e dos aromas, no final da tarde eu estava extenuado, com dores nas pernas e dor de cabeça. Como pagamento, recebia três por cento de comissão sobre as vendas efetuadas. O que ganhava, repassava para minha mãe comprar alimentos. O nome da moeda brasileira e o seu valor aquisitivo mudaram tanto ao longo do tempo que não tenho idéia alguma de quanto seria hoje o que eu recebia, mas era pouco. O preço de um exemplar das revistas Manchete e O Cruzeiro era muito caro, Cr$ 100,00 (cem cruzeiros), praticamente o total das minhas baixas comissões. Dinheiro curto, mas bem-vindo para ajudar nas despesas de casa, até que a esperança de ganhar um pouco mais voltasse no domingo seguinte.


                - “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”, pediu-me Tia Dade com sua voz bonita. A ordem soou como uma senha para o paraíso. Obedeci com satisfação, pois ficaria livre por alguns momentos das tarefas cansativas. “Vá lá em cima” significava sair da loja e caminhar uma pequena distância até a casa da Tia Dade, pertinho da Igreja Matriz. 
      Minha paixão pelas Misses tinha começado um ano antes, quando vi a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil 1962, na capa de O Cruzeiro. A convivência com a Tia Dade despertou-me para o mundo das Misses. Ela era missóloga, um termo desconhecido naquele tempo. Sabia tudo sobre os concursos e na época do Miss Brasil ia dormir tarde, escutando pelo rádio as reportagens precárias, cheias de chiados, que as emissoras transmitiam direto, ao vivo, do Maracanãzinho, Rio de Janeiro. A televisão era algo ainda distante, um luxo, um fantástico sonho de consumo  que não tinha chegado em São José da Laje.  
       “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”. Fui e peguei a revista como se pega um tesouro incalculável.  Corri para o oitão da Igreja e mergulhei naquelas páginas transbordantes de glamour, com fotos e mais fotos sobre a eleição da gaúcha Ieda Maria Vargas, Miss Brasil, como Miss Universo 1963. Na volta para a loja, algumas pessoas diziam: - “Este menino está com a Manchete de Ieda!” Quanto orgulho! Senti-me um menino-rei! Quando cheguei à loja, Tia Dade me aguardava ansiosa. Pessoas estavam esperando a Manchete como se estivessem na fila do Cine São José para verem um filme estrelado por Rock Hudson ou Elizabeth Taylor

O Top 3 do Miss Universo 1963. Aino Korwa, Miss Dinamarca, segundo lugar; Ieda Maria Vargas, Miss Brasil, primeiro; e Marlene MacKowen, Miss Irlanda, terceiro lugar.
             Anos e anos depois, já morando no Recife, encontrei num "sebo" um exemplar daquela Manchete de 1963, capa riscada e gasta pelo tempo. Feliz da vida, comprei a revista como se estivesse comprando uma senha para o paraíso.  Anos e anos depois, encontrei-me com Ieda Maria Vargas no Clube Português do Recife. Felicíssimo, pedi a ela que autografasse um velho álbum de recortes como se estivesse pedindo uma senha para o paraíso.  Em ambas as situações, o menino que um dia eu fui viveu uma realidade com sabor de sonho. 
 
Uma das relíquias dos meus álbuns de recortes sobre concursos de Misses. O autógrafo de Ieda Maria Vargas na página amarelada pelo tempo, ao lado de uma foto extraída de um exemplar da revista Manchete.
                Aquele tempo se foi, para sempre se foi, mas todas as vezes que pego na minha Manchete com Ieda Maria Vargas na capa, sorrindo com a coroa de Miss Universo 1963, agradeço a DEUS por tudo que vivi. Fecho os olhos e reencontro o menino sonhador que fui um dia, feliz por ter recebido da Tia Dade uma senha para o paraíso, “Vá lá em cima e traga a Manchete de Ieda Maria Vargas”.

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