Por Daslan Melo Lima
Manoel Ferreira Morango, dono de um barzinho, era um português nascido em Porto, zona do Rio Tinto, casado com Emir Gonçalves Morango, uma amazonense típica do interior que lhe deu oito filhos: José, Getúlio, Terezinha, Maria Antonieta, Marieta, Glória, Maria das Dores e Manoel, todos de olhos claros. O casal morava na Rua Comendador Alexandre, 354, bairro de Aparecida, em Manaus, capital do Estado do Amazonas. Uma das filhas, Teresinha Gonçalves Morango, quando tinha 15 anos, foi morar com uns tios ricos, pois os seus pais queriam que ela tivesse uma educação melhor. A linda menina, nascida em 26/10/1936, na Fazenda Canavial, São Paulo de Olivença-AM, estava predestinada a ser um ícone da beleza brasileira. Foi Rainha dos Estudantes de Manaus, Rainha das Calouras, Miss Cinelândia 1956, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957.
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Teresinha Morango, a primeira criança da esquerda para a direita, ao lado de quatro dos seus sete irmãos. (Foto: Manchete, 1957)
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Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1957. (Foto: Manchete, 18/01/1958)
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Teresinha Morango em 1965, o esposo Alberto Pittigliani e os filhos Alberto Jr e Andréa. (Foto: O Cruzeiro, 26/06/1965)
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Teresinha Morango em 1976. (Foto: Manchete, 30/10/1976)
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Terezinha Pittigliani é uma mulher discreta, discretíssima. Não se comporta, definitivamente, com o estardalhaço com que hoje fazem as celebridades. E Terezinha foi uma das maiores celebridades deste país nos anos 50. Eleita Miss Brasil em 1957, quando o concurso foi no Hotel Quintandinha, em Petrópolis, Terezinha logo de cara arrebentou em todas as capas de revistas. E não apenas porque ser eleita Miss Brasil era tipo ser eleita a "Gisele Bundchen" daqueles tempos. Mas principalmente porque a beleza extraordinária de Terezinha impressionou o Brasil inteiro. Ela chegou até a superar a então imbatível popularidade de Marta Rocha!
Teresinha Morango em 2007. (Foto: Sebastião Marinho, blog de Hildegard Angel, 27/10/2007)
Assim como Marta, Terezinha tirou o segundo lugar no concurso de Miss Universo, em Long Beach, perdendo para a candidata peruana. Porém, um reinado muito mais abrangente e feliz estava reservado para ela. Como mulher do empresário Alberto Pittigliani, dono da Companhia Brasileira de Discos (que ele depois vendeu à Phillips, e que presidiu até 1966, lançando toda a turma da Bossa Nova, Elis, Jorge Ben etc.), ela se sentou no trono de Rainha do Long Play (lançado por ele no Brasil). Depois, quando o marido teve a Seagrams, de bebidas, Terezinha foi a Rainha do Campari. E, por fim, quando ele fundou, na Bahia, a Tibrás, Terezinha se tornou a Rainha do Titânio. Tanta realeza e sempre a mesma placidez, a igual delicadeza, com tudo e com todos, jamais desejando aparentar mais do que quem quer que fosse.
Teresinha Morango em 2007, ao lado dos filhos Alberto Pittigliani Jr e Andréa. (Foto: Sebastião Marinho, blog de Hildegard Angel, 27/10/2007)
Com Alberto, teve dois filhos, Beto e Andréa. Ao lado do marido, multiplicou amigos, recebendo em seu belíssimo apartamento da Praia do Leblon. Com aquele seu jeito simples e desencanado, Terezinha recebeu ontem para jantar festejando aniversário. Grupo pequeno. A família e alguns poucos amigos, inclusive os que viajaram com ela recentemente para a Rússia, num passeio de sonhos, com direito a uma recepção com concerto de violinos no Hermitage, palácio de Catarina, a Grande, em São Petersburgo. (Blog de Hildegard Angel, 27/10/2007)
Em maio de 1966, Teresinha Morango declarou à revista Manchete:
“... as lendas do folclore amazonense marcaram profundamente a minha imaginação, tanto que ainda hoje eu tenho a impressão de que algum dia, quando era muito pequena, ouvi o canto do fabuloso uirapuru. Sabem porquê? Porque ouvir o canto desse pássaro dá sorte, e eu sempre fui feliz, sempre, sempre...! Não esqueço nunca o meu Amazonas, nem a Fazenda Canavial, onde nasci, que fica no município de São Paulo de Olivença. E foi para compensar-me dessa ausência do grande rio-mar que “exigi” do Alberto uma casinha em Petrópolis – “o meu pequeno quintal”, como o chamo. Lá, corre um riachozinho que me lembra os deliciosos igarapés do Amazonas. E de vez em quando, eu me sinto tão feliz que até parece que estou ouvindo o uirapuru cantar por lá...”
“... as lendas do folclore amazonense marcaram profundamente a minha imaginação, tanto que ainda hoje eu tenho a impressão de que algum dia, quando era muito pequena, ouvi o canto do fabuloso uirapuru. Sabem porquê? Porque ouvir o canto desse pássaro dá sorte, e eu sempre fui feliz, sempre, sempre...! Não esqueço nunca o meu Amazonas, nem a Fazenda Canavial, onde nasci, que fica no município de São Paulo de Olivença. E foi para compensar-me dessa ausência do grande rio-mar que “exigi” do Alberto uma casinha em Petrópolis – “o meu pequeno quintal”, como o chamo. Lá, corre um riachozinho que me lembra os deliciosos igarapés do Amazonas. E de vez em quando, eu me sinto tão feliz que até parece que estou ouvindo o uirapuru cantar por lá...”
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Neste final do outono de 2011, desejo que Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957, viúva de Alberto Pittigliani, do seu confortável apartamento na Praia do Leblon, Rio de Janeiro, continue tendo a impressão de ouvir o canto do Uirapuru.
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