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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 739, referente ao período de 22 a 28 de dezembro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 18 de junho de 2011

SESSÃO NOSTALGIA – Eveline Schroeter, Miss Brasil 1980, "negócio de cinema"

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Daslan Melo Lima
PRÓLOGO
Eveline Schroeter, Miss Rio de Janeiro, eleita Miss Brasil 1980. (Foto: Revista Fatos & Fotos)
                 A noite daquela sexta-feira, 13 de junho de 1980, no Ginásio Presidente Médici, Brasília, Distrito Federal, ficou na história da beleza brasileira. Foi o último concurso de Miss Brasil promovido pelos Diarios e Emissoras Associados. A vencedora foi Eveline Schroeter, Miss Rio de Janeiro, uma loura de olhos verdes, 1,80 de altura, 64 Kg, 90cm de busto, 66 cm de cintura e 90 cm de quadris, estudante de Comunicação Social da Faculdade Hélio Alonso. Linda, tranquila, simpática, simples e educada, Eveline Schroeter representou muito bem o nosso país no Miss Universo, realizado em Seul, Coréia do Sul, embora não tenha obtido classificação, no ano em que a vencedora foi Shawn Weatherley, Miss Estados Unidos.

   EVELINE SCHROETER, VALEU A PENA SER MISS 
                 Já houve tempo em que as misses estavam mais ou menos na moda. Depois, as pessoas inteligentes e cultas começaram a malhar as moças que só tinham lido O Pequeno  Príncipe e deixavam-se medir e pesar como gado. Mas os curtidores de misses resistiram bravamente, e elas continuaram. Com seu metro e oitenta de altura, 64 quilos e 19 anos de idade, Eveline Schroeter é Miss Brasil desde o ano passado. Sua biografia ainda é pequena: foi Miss Macaé e Rio de Janeiro. Ganhou o Miss Brasil, viajou para a Coréia do Sul e, embora estivesse cotada entre as cinco mais, voltou sem o título mundial. Nasceu em família de artistas: o pai toca violino na Rádio Ministério da Educação, a mãe é pianista e seu irmão também é violinista, por sinal já premiado.  Professa religião séria: é protestante (luterana), mas sem exaltação. Um de seus interesses culturais é a parapsicologia. Gosta de ouvir Sinatra e Roberto Carlos. Confessa, sem constrangimento, que preferia ter nascido dez anos antes, para pegar o ritmo de uma vida que ela aceitaria melhor e mais fundamente. Não gosta de rock. Nem considera a mulher discriminada na sociedade. Acredita, entre outros valores, no trabalho. É objetiva, simples, antiga e eficiente. Dá a impressão de fazer bem tudo o que quer. Não complica nem a própria a vida nem a vida dos outros. Não atropela ninguém, não tem pressa nem deslumbramentos. Mas gosta de desfilar, sente que pode seguir uma carreira na passarela, ou mesmo no cinema.  Sua opinião sobre Miss Brasil é objetiva: ela deve ser uma embaixatriz da beleza.  Resumindo: Eveline é uma moça que está fora do tempo e isso é uma glória. Não se contaminou com a turma, não foi na onda, pensa com a própria cabeça – certa ou errada, ela é ela e não o produto de um laboratório.  A condição de Miss durou o espaço de um ano; antes e depois do seu curto reinado ela teve e terá oportunidades de viver a vida com simplicidade, sem muita empolgação, mas com lucidez e senso de honestidade.  É bonita, cheira bem, tem gosto em conversar sobre assuntos pessoais. Mas algumas semanas ela deixará de ser Miss Brasil. E foi uma pena que o Brasil não a tivesse curtido mais e devidamente. (Revista Manchete, 25/04/1981)

MISS BRASIL 1980, A CONSAGRAÇÃO DE EVELINE SCHROETER
(Reportagem de Raphael Guedes Marinho, jornal O Rebate, Macaé-Rio de Janeiro, 26/08/2010)

Eveline Schroeter em duas fases da sua vida: na infância, aos 7 anos de idade, e aos 18, no auge da beleza e juventude, quando foi eleita Miss Brasil 1980.

               Filha do violinista gaúcho Harry Oscar Schroeter, e da pianista baiana Maria Helena Didier do Rêgo Maciel, Eveline é de família originária de músicos da música erudita, e quando criança tocava flauta doce, mas o destino não a fez seguir carreira artística musical.
               No universo das Misses do Brasil, Eveline sempre foi referida como "gaúcha de Santa Maria", mas ela é nascida na cidade do Rio de Janeiro, e a sua família paterna é originária alemã, e migrou para o Brasil rumo à Erechim-RS.
               Quando ela nasceu, em 21 de fevereiro de 1962, no Hospital Santa Lúcia, no Bairro carioca do Botafogo, o médico se dirigiu à sua mãe: "Dona Maria Helena, esta é a sua filha Miss Brasil!" Ou seja, Eveline já nasceu bonita e preciosa, e o médico fez previsão ao futuro.
               Eveline é uma pessoa simples, muito diferente do que normalmente se é padronizado em geral pelas pessoas, de uma vencedora de Miss Brasil. A sua personalidade doce sempre foi seu principal atrativo. Quem a conhece sabe disso, pois ela gosta de fazer amizades, valoriza as coisas simples da vida, nunca foi arrogante, e sempre foi modesta.
               Com certeza de que Eveline Schroeter foi das mais belas misses de todos os tempos, e realmente a sua beleza e simpatia se concebiam, e o município de Macaé a guarda na sua história, por ela ter feito a cidade ter uma grande vitória no ambiente nacional. Eveline foi também a mais bela candidata que o município macaense enviou ao concurso de beleza feminina estadual, dentre todas as épocas, até o presente momento. Além das vitórias, ela brilhou demasiadamente em cenário municipal/estadual/nacional/internacional.
               Nos dias atuais, ela reside em Joinville (SC), no afago de sua família, e permanece sendo a mesma pessoa simples que sempre foi. Longe dos holofotes e muito amada por todos, por onde ela passa, sempre deixa a sua marca registrada, que é a sua meiguice.

EVELINE, A BELA BUSCOU MAIS BELEZA. ACHOU A DEPENDÊNCIA
(Reportagem de Rafael Custódio, A Notícia, Joinville - Santa Catarina, 05/06/2010)
               Há 30 anos, o país se rendia à beleza de uma loira de olhos escuros e corpo perfeito: 1,80 de altura, 64 quilos, manequim 42. A vitória no concurso de Miss Brasil 1980 tornou a linda carioca Eveline Schroeter, então com 18 anos, famosa nacionalmente. Vieram as capas de revistas, os programas de TV e o concurso Miss Universo. Foram três semanas na Coréia do Sul em busca do sonho de ser eleita a mulher mais bela do planeta. “Era uma rotina intensa. Tínhamos ensaios durante o dia e à noite precisávamos cumprir os compromissos com os patrocinadores. Sem falar da disputa entre as candidatas. Todas queriam ganhar.”

               Apesar do esforço, Eveline não ficou sequer entre as finalistas. Pouco tempo depois, o que era apenas uma ajuda na briga constante contra a balança tornou-se um vício com consequências que nem ela poderia imaginar. A miss ficou dependente de moderadores de apetite. “Comecei a tomar aconselhada por uma instrutora da academia, logo depois do Miss Brasil. Três anos depois, estava completamente dependente.”

               De apenas um comprido por dia, Eveline foi aumentando gradativamente as doses. No auge da dependência, tomava sete comprimidos diários. “Ela desmaiava, sentia-se deprimida. Quando estava sob o efeito da abstinência dos remédios, parecia outra pessoa”, lembra a mãe de Eveline, Maria Helena Maciel. Filha de músicos e considerada uma das misses mais bonitas já eleitas no Brasil, Eveline acabou percorrendo o caminho de volta ao anonimato.

               Hoje, ela se recupera em Joinville – frequenta um Centro de Apoio Psicossocial (Caps), no bairro América, onde participa de atividades com outros pacientes. A ex-miss também enfrenta transtornos alimentares e psicológicos, trazidos pelo uso exagerado de remédios. Eveline chegou a passar três semanas internada em um hospital. A suspeita dos médicos é de que o excesso de moderadores de apetite desencadeou os transtornos, com a abertura de uma pré-disposição genética.

               O tratamento avançou, mas as crises ainda a acompanham. “Sempre que o organismo se acostuma a um medicamento, ela volta a ter crises. O remédio passa a não fazer mais efeito. A diferença é que agora aprendemos a controlar”, conta a mãe de Eveline. As crises que parecem não ter fim são a consequência mais clara das décadas de consumo de remédios para emagrecer, mas Eveline guardou as lições mais importantes. Para as mulheres que estão tomando os remédios para emagrecer, ou pensam em tomar, ela diria não valer a pena. “No meu caso, o preço foi muito alto”.
EPÍLOGO
Eveline Schroeter, Miss Brasil 1980, e Ana Lúcia Caldas de Souza, Miss Pernambuco 1980.(Foto:Arquivo Pessoal de Eduardo Japiassú-Cortezia de Toni Rodrigues. Fonte: www.grau10.net/eveline.html)
               Tenho em um dos meus álbuns de recortes o comentário sobre o Miss Brasil 1980, escrito pelo jornalista João Alberto, na coluna social do Diario de Pernambuco, de 17/06/1980. Ana Lúcia Caldas de Souza, Miss Pernambuco, ficou entre as semifinalistas e João Alberto discordou da ausência dela entre as três finalistas, mas adorou a vitória de Eveline Schroeter.  Disse ele:
“Sei que o julgamento é algo de muito pessoal, não poderia jamais colocar em dúvida a definição, mas tenho a impressão que houve uma grande injustiça com Miss Pernambuco. Acho que o segundo lugar deveria ter sido de Pernambuco. Não discuto a vitória de Eveline Schroeter, do Rio de Janeiro. Confesso a vocês que poucas vezes na minha vida vi alguém tão bonita. A nova Miss Brasil é negócio de cinema.”
            Negócio de cinema. Essa definição de João Alberto sobre a beleza de Eveline Schroeter é a mais perfeita que guardo da Miss Brasil 1980. Negócio de cinema no sentido de algo extraordinário, perfeito, incomum, esplêndido, fantástico... Sonho um dia ver Eveline Schroeter totalmente curada e sua história transformada em filme. O meu sonho também é negócio de cinema.   
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sábado, 11 de junho de 2011

ARTE DE AMAR e outras crônicas de Daslan Melo Lima

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ARTE DE AMAR

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Daslan Melo Lima

                Um corpo com outro corpo pode se entender bem, muito bem, mas a relação pode chegar a um nível insuportável de convivência, quando as almas não se entendem.  De repente, você se cansa do dono ou da dona daquele corpo cuja alma não alcança sua sensibilidade. Você adoraria rever aquele filme favorito ou escutar aquela canção que adora ao lado da figura amada, mas essa pouco valoriza os seus sentimentos.    

                O poeta pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968), no poema Arte de Amar, diz:

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
  A alma é que estraga o amor. 
Só em Deus ela pode encontrar satisfação. 
 Não noutra alma.
  Só em Deus - ou fora do mundo.
  As almas são incomunicáveis. 
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo 
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

               Na maior parte das vezes, deixamos nossos corpos se entenderem com outros corpos, só os corpos, e lamentamos a falta de sintonia existente entre as almas. Não poderia ser diferente. Só em Deus elas poderão encontrar satisfação. 

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 SÃO JOÃO DORMIU. SÃO JOÃO NÃO ACORDOU


Daslan Melo Lima
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               Ao redor da fogueira, nos meses de junho de outrora, grandes amizades nasciam nos singelos rituais onde as pessoas se tornavam compadres, comadres, padrinhos e madrinhasde São João”. Um costume que cada ano se torna mais raro.
               “São João dormiu. São João acordou. Você vai ser meu cumpade que São João mandou”. A partir daí estava selada informalmente uma consideração entre as partes que valia quase tanto como se tivesse se originado do batizado de um filho na Igreja Católica.
                “São João dormiu. São João acordou. Você vai ser meu padrinho que São João mandou”. “São João dormiu. São João acordou. Você vai ser minha madrinha que São João mandou”. Afilhado e afilhada poderiam escolher um padrinho ou uma madrinha diferentes da época de criancinhas, quando tal tarefa era responsabilidade dos pais. Diante da fogueira, as partes celebravam uma amizade quase tão importante como se o batizado tivesse ocorrido na Igreja Católica.
               Num dia frio de junho, Dona Secundina, minha avó paterna, perguntou se eu queria ter como madrinha de São João uma senhora idosa, viúva e endinheirada. Eu disse que sim e fui logo fantasiando que ganharia centenas de caixinhas de traques, estrelinhas, diabinhos e outros itens inofensivos que as crianças da minha geração soltavam nas noites juninas. Desilusão total. Minha madrinha de São João nunca me deu nada de presente.
               Se num passe de mágica o passado retornasse, eu diria a minha avó Secundina que queria o Senhor Tempo como padrinho de São João.  “São João dormiu. São João acordou. O Senhor Tempo vai ser meu padrinho que São João mandou”. Diante de uma fogueira, o menino que um dia eu fui receberia um presente fantástico que me acompanharia pelo resto da vida, bastaria entrar no Túnel do Tempo: centenas de caixinhas de traques, diabinhos e estrelinhas.  
               Que pena, Senhor Tempo ! O meu São João nunca mais acordou.  

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Timbaúba-PE, São João de 2011.
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 PARE, OLHE, ESCUTE

Daslan Melo Lima

              Na primavera da minha vida, uma estrada  de ferro cortava a cidadezinha alagoana  onde nasci. Trens de passageiros  passavam diariamente por São José da Laje, indo de Maceió para o Recife, vindo do Recife para Maceió. Das bandas do Sítio dos Cardoso até lá para as bandas de uma localidade chamada Cento e Dez, em pontos estratégicos, placas sinalizavam para que as pessoas tomassem cuidado ao atravessarem a linha do trem.  “Pare. Olhe. Escute”, diziam as placas. 
 


                   No outono da minha vida, uma estrada de ferro corta a cidade pernambucana onde vivo. Eventualmente, trens de cargas passam por Timbaúba, indo da Paraíba para o Recife, vindo do Recife para Timbaúba. Das bandas dos sítios de Queimadas até lá para as bandas da Fazenda Santa Cândida, em pontos estratégicos, placas sinalizam para que as pessoas tomem cuidado ao atravessarem a linha do trem. “Pare. Olhe. Escute”, dizem as placas. 
               Na primavera da minha vida, quando o outono ainda estava muito distante, eu nem me dava conta que um dia estaria a meditar sobre os mistérios da vida e da morte, diante de uma dessas placas. A qualquer momento , poderei embarcar em um Trem com destino a uma das moradas construídas pelo Arquiteto do Universo. Quando? Jamais saberei.  Enquanto isso, vou caminhando, de mãos dadas com o vento, aprendendo com o silêncio, observando com cuidado as placas do meu destino que assinalam: “Pare. Olhe. Escute”.
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Timbaúba-PE, noite de junho de 2011, entre os bairros de Jardim Guarani e Timbaubinha, após uma caminhada à margem da estrada de ferro.   

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO


 MEIO AMBIENTE

A Prefeitura Municipal de Timbaúba, através da Secretaria de Desenvolvimento de Políticas Sociais e Segurança Alimentar, em parceria com  o Programa de Proteção Ambiental Natureza Viva, busca atender jovens interessados pela preservação ambiental e defesa do meio ambiente ,vinculando-os à realidade local.  Apropia-se dos conhecimentos empíricos da comunidade e  estimula o conhecimento cientifico de forma que as informações  correspondentes à aprendizagem sobre as questões ambientais sejam adquiridas  e absorvidas. Desenvolvendo um processo sócio educativo na inclusão do homem com a natureza.
                  
               O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado pelas Nações Unidas em 1972, o que marcou a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano. Desde então, o dia 5 de Junho é celebrado como o Dia Mundial do Meio Ambiente, que chama a atenção e ação política de povos e países para aumentar a conscientização e a preservação ambiental. Imbuída nessa consciência ecológica,  a Secretaria de Desenvolvimento de Políticas Sociais,através do Programa de Proteção Ambiental- Natureza Viva, em parceria com o Programa Nacional de Inclusão de Jovens, - Projovem Adolescente,  realizou no  domingo, 05  de junho,  às 7h, uma caminhada saindo da sede do município  até o distrito de Gravatá, onde realizaram trilha ecológica e fizeram plantio de diversas árvores, tais como: araucária, baobá, moringa ,etc.
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MEMÓRIA TIMBAUBENSE

Cabisbaixo, um homem tranquilo vai atravessar a rua. Não há perigo algum, pois ninguém vê carros, bicicletas, motos... Na esquina da grande fábrica de tecelagem, um rapaz sabe que alguém está tirando retrato e para. No entanto, ele nem sabe que um dia, a muitos e muitos anos, haverá uma coisa chamada Internet, que será visto por centenas de pessoas e muitas delas curiosas perguntarão em vão: - Quem era aquele rapaz? 
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UM CARNAVAL PARA RECORDAR

O homem chegou e se permitiu pular, cantar, frevar... A manhã de carnaval estava clara e o bloco "Timbaubinha na Folia" estava esbanjando alegria no ar... O homem era o prefeito Marinaldo Rosendo de Albuquerque, que naquele momento só queria pular, cantar, frevar...
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ROSINHA ALBUQUERQUE AOS 50 ANOS

        A descontração tomava conta do Clube Verde Campo, no sábado, 28, quando a empresária Rosinha Albuquerque, vestindo uma linda e juvenil  fantasia de passista inspirada na bandeira de  Pernambuco, apareceu dançando ao som do frevo Trombone de Prata, de Capiba (1904-1997).

Ouvi dizer que o mundo vai se acabar,
que tudo vai pra cucuia,
o sol não mais brilhará.
Mas se me derem
um bombo e uma mulata,
e um trombone de prata,
o frevo bom viverá.
 
Pode acabar o petróleo,
pode acabar a vergonha,
pode acabar tudo enfim,
mas deixem o frevo pra mim. 

Rosinha e a filha Raquel. Os homens da sua vida (Armando, o esposo, e Armando Filho),  não estavam presentes. A celebração contou com a presença apenas de suas amigas, um verdadeiro Clube da Luluzinha.

Se depender do astral de Rosinha e suas amigas, a amizade e o frevo bom viverão sempre. Mas se um dia acabar tudo enfim, o Universo ofertará todos os frevos para  Rosinha. Ela merece!


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SESSÃO NOSTALGIA - Teresinha Morango, Miss Brasil 1957, e o canto do Uirapuru

Por Daslan Melo Lima

               Manoel Ferreira Morango, dono de um barzinho, era um português nascido em Porto, zona do Rio Tinto, casado com Emir Gonçalves Morango, uma amazonense típica do interior que lhe deu oito filhos: José, Getúlio, Terezinha, Maria Antonieta, Marieta, Glória, Maria das Dores e Manoel, todos de olhos claros. O casal morava na Rua Comendador Alexandre, 354, bairro de Aparecida, em Manaus, capital do Estado do Amazonas.  Uma das filhas, Teresinha Gonçalves Morango, quando tinha 15 anos, foi morar com uns tios ricos, pois os seus pais queriam que ela tivesse uma educação melhor. A linda menina, nascida em 26/10/1936,  na Fazenda Canavial, São Paulo de Olivença-AM, estava predestinada a ser um ícone da beleza brasileira. Foi Rainha dos Estudantes de Manaus, Rainha das Calouras, Miss Cinelândia 1956, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957.  
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Teresinha Morango, a primeira criança da esquerda para a direita, ao lado de quatro dos seus sete irmãos. (Foto: Manchete, 1957)
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Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1957. (Foto: Manchete, 18/01/1958)
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Teresinha Morango em 1965, o esposo Alberto Pittigliani e os filhos Alberto Jr e Andréa. (Foto: O Cruzeiro, 26/06/1965)
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Teresinha Morango em 1976. (Foto: Manchete, 30/10/1976)
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               Terezinha Pittigliani é uma mulher discreta, discretíssima.  Não se comporta, definitivamente, com o estardalhaço com que hoje fazem as celebridades. E Terezinha foi uma das maiores celebridades deste país nos anos 50. Eleita Miss Brasil em 1957, quando o concurso foi no Hotel Quintandinha, em Petrópolis, Terezinha logo de cara arrebentou em todas as capas de revistas. E não apenas porque ser eleita Miss Brasil era tipo ser eleita a "Gisele Bundchen" daqueles tempos. Mas principalmente porque a beleza extraordinária de Terezinha impressionou o Brasil inteiro. Ela chegou até a superar a então imbatível popularidade de Marta Rocha!

Teresinha Morango em 2007. (Foto: Sebastião Marinho, blog de Hildegard Angel, 27/10/2007)

          Assim como Marta, Terezinha tirou o segundo lugar no concurso de Miss Universo, em Long Beach, perdendo para a candidata peruana. Porém, um reinado muito mais abrangente  e feliz estava reservado para ela. Como mulher do empresário Alberto Pittigliani, dono da Companhia Brasileira de Discos (que ele depois vendeu à Phillips, e que presidiu até 1966, lançando toda a turma da Bossa Nova, Elis, Jorge Ben etc.), ela se sentou no trono de Rainha do Long Play (lançado por ele no Brasil). Depois, quando o  marido teve a Seagrams, de bebidas, Terezinha foi a Rainha do Campari. E, por fim, quando ele fundou, na Bahia, a Tibrás, Terezinha se tornou a Rainha do Titânio. Tanta realeza e sempre a mesma placidez, a igual delicadeza, com tudo e com todos, jamais desejando aparentar mais do que quem quer que fosse.



Teresinha Morango em 2007, ao lado dos  filhos Alberto Pittigliani Jr e Andréa. (Foto: Sebastião Marinho, blog de Hildegard Angel, 27/10/2007)


          Com Alberto, teve dois filhos, Beto e Andréa. Ao lado do marido, multiplicou amigos, recebendo em seu belíssimo apartamento da Praia do Leblon. Com aquele seu jeito simples e desencanado, Terezinha recebeu ontem para jantar festejando aniversário. Grupo pequeno. A família e alguns poucos amigos, inclusive os que viajaram com ela recentemente para a Rússia, num passeio de sonhos, com direito a uma recepção com concerto de violinos no Hermitage, palácio de Catarina, a Grande, em São Petersburgo. (Blog de Hildegard Angel, 27/10/2007)

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              Em maio de 1966, Teresinha Morango declarou à revista Manchete:
“... as lendas do folclore amazonense marcaram profundamente a minha imaginação, tanto que ainda hoje eu tenho a impressão de que algum dia, quando era muito pequena, ouvi o canto do fabuloso uirapuru. Sabem porquê? Porque ouvir o canto desse pássaro dá sorte, e eu sempre fui feliz, sempre, sempre...! Não esqueço nunca o meu Amazonas, nem a Fazenda Canavial, onde nasci, que fica no município de São Paulo de Olivença. E foi para compensar-me dessa ausência do grande rio-mar que “exigi” do Alberto uma casinha em Petrópolis – “o meu pequeno quintal”, como o chamo. Lá, corre um riachozinho que me lembra os deliciosos igarapés do Amazonas. E de vez em quando, eu me sinto tão feliz que até parece que estou ouvindo o uirapuru cantar por lá...”


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          Neste final do outono de 2011, desejo que Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957, viúva de Alberto Pittigliani, do seu confortável apartamento na Praia do Leblon, Rio de Janeiro, continue tendo a impressão de ouvir o canto do Uirapuru.

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sábado, 4 de junho de 2011

SETE DOMINGOS PRA TE NAMORAR


Daslan Melo Lima
                Não sei, não saberei jamais por onde tu andas. E tu não sabes, não saberás jamais que durante vários domingos de um tempo que se foi eu ia para um parque só para te ver, desejar-te, perder-me e encontrar-me em loucas fantasias que nunca se concretizaram. Interminável era a semana: segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira e sábado. Como eu desejava que a semana fosse feita só de domingos!
              Minha velha radiola portátil e um velho disco de vinil são testemunhas dos mil sentimentos que afloram quando ouço "Sete Domingos", composição de Antônio Gilson Porfírio, o Agepê (1942 - 1995) , e Canário, nome artístico de Antonio José Freitas, na voz de Sônia Lemos, uma linda e talentosa cantora de quem nunca mais ouvi falar.
Acerte o passo no abraço que eu te dou.
A vida inteira te esperei contente.
Hoje o mundo cai, nem sinto o frio que lá fora faz.
Hoje o mundo cai, nem sinto o frio que lá fora faz.

Vamos correr no campo, rever ciranda vamos cirandar.
Eita!  A vida é essa, a vida é essa que eu quero te dar.
Na semana eu criei sete domingos pra te namorar.

Nunca mais chorar, chorar, chorar, chorar, chorar,
e somente amar,amar, amar,pra que chorar.
Nunca mais chorar, chorar, chorar, chorar, chorar,
e somente amar,amar, amar,pra que chorar.
               O que teria acontecido se eu tivesse tido coragem para me aproximar de ti e revelar minha louca paixão? Que rumo teria tido minha caminhada se tu tivesses captado meus pensamentos e correspondido às minhas fantasias? Como desconheces a importância que tivesses numa fase da minha vida, não ouvirás minhas perguntas. Por outro lado, jamais saberei tuas respostas. Resta-me a fidelidade das minhas recordações e as fantasias de outrora. Elas estão sempre comigo, como naquele tempo em que desejei que a semana fosse feita de sete domingos pra te namorar.

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Timbaúba-PE, na chuvosa manhã do primeiro sábado de junho de 2011, relembrando velhas tardes dominicais do Parque da Jaqueira, Recife-PE.
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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

AS CONFISSÕES DE UM JUDEU TIMBAUBENSE

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Daslan Melo Lima

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               José Pachêco Marinho nasceu em 07/08/1924, no Engenho Gameleira, em Itambé- PE, filho caçula de uma família numerosa, o sétimo do casal Henrique Pachêco de Araújo e Severina Caetano de Araújo. Ficou órfão de pai com apenas um ano de idade. Chegou em Timbaúba-PE em 1940. Não tem nenhum constrangimento em dizer que: “Cheguei muito pobre em Timbaúba. Tudo que eu tinha era uns trocados que havia recebido da compra de uma vaca, dinheiro com o qual comprei uma casinha simples na Rua de Goiana, nº 120.” Na foto acima, Dedé posa para PASSARELA CULTURAL na frente de um quadro que mostra ele nos anos 60 ao lado do grande amor da sua vida, Nevinha Pacheco, falecida em março deste ano.
Dedé no quintal de sua casa, de onde se descortina uma visão do Alto Santa Terezinha
                Dedé trabalhou em vários setores: balconista de padaria, motorista e vendedor de veículos. O apelido Dedé Judeu vem do tempo em que ele foi empregado na casa comercial de Samuel e Súnia Kremer,  judeus nascidos na Ucrânia que o adoravam e o tratavam como filho. De 1955 a 1963, vendeu carros na Rua da Imperatriz,  esquina com o prédio da empresa Jornal do Commercio, centro do Recife, até que, em sociedade com João Barbosa de Moura, o popular João Passo Magro, abriu uma agência autorizada da Williams em frente á Igreja Matriz, embrião do que seria depois a Cotram
Dedé e os netos Matheus e Lucas, filhos de Gerluce e Walmir
                Comida: Feijoada ***** Fruta: Banana ***** Bebida: Uísque com gelo ***** Uma música de Carnaval:  Aquela composta pelo inesquecível poeta João Feliciano que diz assim “...Estou aqui para tirar o teu sossego, só porque sou um morcego guiado pela folia.” ***** Programa de TV: Futebol e jornal ***** O que mais admira em uma pessoa: Honestidade ***** Cidades inesquecíveis que conheceu: Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte ***** Uma saudade: Os antigos carnavais de Timbaúba ***** Cor: Amarela ***** Animal de estimação: Cachorro ***** Viver é... Tudo ! ***** Morrer é... Acredito em Deus, mas não acredito na imortalidade da alma. Morreu, acabou *****  A maior invenção do homem: O avião ***** A pior invenção do homem: As drogas ***** Clube esportivo: Clube Náutico Capibaribe ***** Um jogador inesquecível: Bita ***** Se fosse Presidente da República: Fechava ao Congresso Nacional ***** O maior sonho: Continuar com saúde até o fim dos meus dias ***** Um cantor: Agnaldo Timóteo. O resto é resto. ***** Uma Cantora: Ângela Maria e Fafá de Belém ***** Um timbaubense que a história guardou: Dr. João Ferreira Lima Filho (Dr. Joãozito), João Feliciano e Prof. José Mendes da Silva ***** Uma personalidade que é a cara de Timbaúba: Luiz Gonzaga, o Luiz de Mercês, antigo diretor social do Timbaúba Tênis Club ***** Um político do passado: Ulisses Guimarães e Tancredo Neves ***** Um político do presente: Luiz Inácio Lula da Silva ***** A pessoa mais fascinante que conheceu na vida: Cristina Galvão ***** A canção de sua vida:   "Mãe, Pedaço do Céu", na voz de Leonardo  Sullivan. 

 Timbaúba-PE, 30/03/1963. Dedé Pacheco e Nevinha, um casamento para recordar
Dedé e o seu único e grande amor, Nevinha Pachêco
               Dedé casou com Maria das Neves Dias, treze anos mais jovem que ele, seu único e grande amor, em 30/03/1963. A professora Nevinha, mãe dos seus filhos Henrique e Gerluce, morreu em 07/03/2011. Lúcido, não se queixa de nenhum problema de saúde. Foi vítima de  um enfarte em 2005, mas  acabou sendo objeto de estudo por uma junta médica do Hospital Osvaldo Cruz. Motivo: Inexplicavelmente, a artéria comprometida desviou seu curso e logo ele estava restabelecido. Por motivos alheios à sua vontade, Dedé teve seu nome envolvido no triste episódio ocorrido em 18/07/1958, quando um tiroteio ocorrido num dia de feira, no centro de Timbaúba, gerou um confronto político-partidário com vítimas fatais.  Dedé não  estava armado , apenas passava na ocasião, mas recebeu voz de prisão. Correu e precisou passar uns dias fora de Timbaúba até os ânimos diminuírem.  Dedé afirma que nunca comprou fiado, não tem cheques e nem cartões de crédito. 

 Pontas de Pedra, verão de 2008. Dedé e sua amada Nevinha
Na calçada de sua casa, onde tantas vezes ficava ao lado de Nevinha, vendo o tempo passar 
                  E assim conhecemos um pouco de José Pachêco Marinho, Dedé Judeu, um homem que criou raízes em Timbaúba, que ama a “Princesa Serrana” como poucos timbaubense natos a amam e que não tem vergonha alguma em dizer: “Sou uma pessoa muito sentimental e choro com muita facilidade.”
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MEMÓRIA TIMBAUBENSE

Timbaúba-PE, 30/03/1963 ***** Casamento de José Pachêco Marinho (Dedé Judeu)  e Maria das Neves Dias (Professora Nevinha) ***** Por onde anda a bela garotinha que segue na frente do casal? Alguém sabe seu nome?
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SESSÃO NOSTALGIA - MARIA LÚCIA CALDAS, MISS LUZES DA CIDADE 1963

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

               Mais uma vez, PASSARELA CULTURAL apresenta uma SESSÃO NOSTALGIA focalizando uma Miss dos mágicos anos sessenta, época de ouro dos concursos de beleza. A homenageada desta semana é a pernambucana Maria Lúcia Caldas, Miss Luzes da Cidade 1963, e terceira colocada no Miss Pernambuco 1965. Lucinha Caldas, como ficou conhecida nas passarelas, concedeu uma entrevista ao jornalista pernambucano Muciolo Ferreira, com exclusividade para PASSARELA CULTURAL, onde revela suas experiências e confessa discordar do atual modelo dos certames.
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LUCINHA CALDAS, MISS LUZES DA CIDADE, A ESTRELA AINDA BRILHA 48 ANOS DEPOIS (Por Muciolo Ferreira, exclusivo para PASSARELA CULTURAL)

               A década de 60 foi de muitas alegrias e orgulho para o brasileiro, excetuando o tiro mortal que os militares deram na democracia em 1964. Em 1962, a seleção Canarinha conquistou o Bi-Campeonato Mundial de Futebol, no Chile; em julho de 1963, a gaúcha Ieda Maria Vargas foi coroada a mulher mais linda do Universo, em Miami Beach; e cinco anos depois, a baiana Martha Vasconcellos repetia o feito. A presença constante das brasileiras nas finais do Miss Universo motivou o surgimento de incontáveis concursos de miss pelo país afora, criando uma rivalidade sadia, numa combinação perfeita da paixão dos brasileiros, dividida entre os gramados dos estádios de futebol e as passarelas.

               O Recife foi protagonista dessa época. Na capital pernambucana, os jornais concediam grandes espaços em suas páginas para promover a beleza de suas musas, cada um almejando fazer o melhor festival de beleza da mulher pernambucana. Enquanto os Diários e Emissoras Associados, à frente o Diario de Pernambuco, promoviam o Miss Pernambuco, a concorrência se movimentava com manchetes estampando fotos das candidatas de outros certames de beleza, garantindo boas vendas dos jornais com a conquista de novos leitores.
Recorte da coluna social Luzes da Cidade, de Fausto Neto, jornal Última Hora, Recife, 1963., mostrando Lucinha Caldas como candidata do América Futebol Clube ao título de Miss Luzes da Cidade 1963. (Acervo de Lucinha Caldas)
                Os concursos Rainha das Piscinas dos Clubes Sociais e Garota dos Bairros do Recife eram coordenados pelo matutino Jornal do Commercio e o vespertino Diário da Noite, respectivamente. Lindas jovens se destacaram nesses certames, a exemplo de Raiolandia Castelo Branco, Rainha das Piscinas dos Clubes Sociais e depois Miss Clube Militar do Recife e Miss Pernambuco 1966; Evercy de Holanda Cavalcanti, Garota dos Bairros do Recife 1967; e Leopoldina Pessoa Rodrigues, Garota dos Bairros do Recife 1968. Outra competição de sucesso: o Garota Bancária de Pernambuco, título conquistado em 1965 por Joseli Lacerda de Lima, representante do Banco Nacional do Norte (Banorte), em festa memorável nos salões do Clube Náutico Capibaribe. Todavia, o concurso Miss Luzes da Cidade, em 1963, foi o que mais despertou a atenção dos leitores por ter sido promovido pela sucursal do jornal Última Hora, fundado por Samuel Wainer (1910-1980), cuja linha editorial era progressista de esquerda. A vencedora foi Maria Lúcia Caldas, representante do América Futebol Clube, agremiação localizada na Estrada do Arraial, freqüentada por famílias tradicionais do bairro de Casa Amarela e circunvizinhança.

Lucinha Caldas, Miss Luzes da Cidade 1963, e Terezinha Frazão, Miss Pernambuco 1962, na primeira página do jornal Última Hora. (Acervo de Lucinha Caldas)
Lucinha Caldas na primeira página do jornal Última Hora.(Acervo de Lucinha Caldas)
                E é com a Lucinha Caldas que revisitaremos um tempo de muito glamour, quando uma Miss era sinônimo de status. A barreira do silêncio de nossa homenageada foi rompida 48 anos depois de sua eleição e teve a colaboração da sua sobrinha, a jornalista e radialista Dulce Melo. Depois que casou e teve quatro filhos, a Miss Luzes da Cidade 1963 percorreu o mesmo caminho da atriz Greta Garbo (1905-1990), exilando-se e deixando para trás os holofotes da mídia. Lucinha Caldas passou a dedicar sua vida em tempo integral ao marido, aos filhos e aos cuidados especiais com a mãe e a avó.Viúva, avó de seis netos e residindo no bairro de Boa Viagem, a eterna Miss Luzes da Cidade falou um pouco da sua experiência vivenciada num tempo em que a família que tivesse entre seus membros um filho padre ou uma filha miss gozava de um status e prestígio jamais vistos nos dias de hoje. Vamos conferir a entrevista.

Em que ano e mês ocorreu o concurso Miss Luzes da Cidade e quantas candidatas participaram da competição?
- Foi no dia 13 de junho de 1963, dezoito candidatas, em noite de muitas torcidas organizadas, com faixas, animação e expectativa.
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Você lembra o nome do promotor do evento?
- Foi o jornal Última Hora. Coube ao Sr. Fausto Neto coordenar a festa, desde a seleção dos jurados aos convidados especiais, como os preparativos das concorrentes, o patrocínio e os prêmios. A organização foi perfeita nos mínimos detalhes. Eu representei o Clube América do Recife, que levou ao local uma das maiores torcidas.
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Onde aconteceu o concurso e como foram os desfiles?
- Foi no Clube Português do Recife e com direito a uma passarela imensa para as apresentações de maiô e traje de gala. Desfilávamos em grupo e individualmente para uma melhor apreciação dos jurados seguindo o modelo tradicional dos concursos. 
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E os prêmios?
- A premiação foi uma coleção de roupas e sapatos, mais um espaço na coluna social do jornal promotor durante um ano, além de viagem ao Rio de Janeiro.
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Por que você não disputou o Miss Pernambuco no ano seguinte? Você tinha condições de fazer uma boa apresentação e até vencer, devido à experiência adquirida numa passarela e um título que lhe credenciava.
- Quando venci o Miss Luzes da Cidade, em 1963, ainda não tinha 18 anos, que era a idade mínima exigida para disputar o Miss Pernambuco, então fiquei de fora. Mas em 1965 participei da competição representando um clube da cidade de Limoeiro e fiquei em terceiro lugar. O certame foi nos salões do Sport Clube do Recife. A vencedora foi justamente a candidata rubro negra, Alda Maria Simonetti Maia.
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Acima, Lucinha Caldas, Miss Limoeiro, na frente da comissão julgadora do Miss Pernambuco 1965. Abaixo, da esquerda para a direita, as três finalistas do Miss Pernambuco 1965:  Lucinha Caldas, terceira colocada; Alda Maria Simonetti Maia, Miss Sport Club do  Recife, eleita Miss PE, e Helena Viana, Miss Garanhuns, segunda colocada. (Fotos: O Cruzeiro, 26/06/1965, acervo de Daslan Melo Lima)
Nos bastidores dos dois concursos que você participou rolava muito disse-que-disse, fofoca, do tipo fulana já ganhou, meu vestido é mais bonito? Intrigas tão comuns que ainda hoje fazem parte do universo das misses?
 - Na minha época de desfile não percebi este tipo de situação.
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Tinha alguma candidata que no seu entender poderia tirar seu título de Miss Luzes da Cidade?
 - Eu me sentia a mais bonita, então achava que iria ganhar mesmo (risos).
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E o assédio dos rapazes? Rolava muita paquera?
 - Eu era bastante assediada naquela época. Os rapazes eram bem paqueradores. Porém, eu era noiva do advogado Jorge Tarso de Souza e não prestava muita atenção nos rapazes.
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Valeu a pena ser Miss Luzes da Cidade?
- Valeu, porque fiquei mais conhecida, ganhei presentes e ainda pude conhecer o Rio de Janeiro, sem falar na emoção que é vencer um concurso de beleza e ser ovacionada pela platéia.
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Do que você sente mais saudades daqueles tempos?
- Dos muitos desfiles, das passarelas... Era o máximo! Puro glamour!
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Você acompanha os atuais concursos de miss?
- Não acompanho muito, porque não gosto do atual modelo. Antigamente tinha passarela e hoje é um palco para show. Na minha época existia mais glamour. Eram mais sublimes. Os de hoje são muito comerciais. Falta platéia, torcidas, faixas, calor humano... Os poucos que assisti são mais programas de televisão.
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Atualmente as misses se submetem a cirurgias plásticas, recorrem aos implantes de silicone, cabelo e botox. Qual é a sua opinião sobre esses artifícios?
 - Sou totalmente contra. A beleza da mulher para ser julgada tem que ser totalmente natural, como era na minha época. Para se ter uma idéia da seriedade dos organizadores, não era nem permitido o uso de perucas ou maquiagem carregada. Continuo tão natural que penso até em voltar às passarelas disputando o concurso Miss da Terceira Idade (risos).
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Vou cobrar esse seu desejo revelado e fazer uma matéria in loco sobre seu retorno. Só não garanto torcer por sua vitória, porque como jornalista tenho de ser imparcial (risos). Como é hoje sua vida?
- Tenho 63 anos de idades, sou viúva, recebo duas pensões, sou independente. Desenvolvi um problema no coração, mas apesar de algumas limitações, vivo feliz.
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Algum motivo de arrependimento?
- Não, de jeito nenhum. Não me arrependo de nada, pois foi uma época em que fui muito feliz nas passarelas. 
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Valeu, Lucinha. Merci pela entrevista. Os leitores de PASSARELA CULTURAL vão adorar saber por onde você anda, o que faz atualmente, além de conhecer um pouco da sua história. 
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EPÍLOGO

Lucinha Caldas, 48 anos depois de ter sido eleita Miss Luzes da Cidade 1963.
                 Luzes da Cidade. Adoro esse nome, simples e ao mesmo tempo cheio de glamour, que  transporta minh’alma romântica para os versos de uma das minhas canções favoritas, Limelight (Luzes da Ribalta) , de Charles Chaplin (1889-1977). 

Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam, nada mais
É sonhar em vão tentar aos outros iludir
Se o que se foi pra nós
Não voltará jamais.

Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá em outros corações

             Lucinha Caldas e seu sorriso iluminado. Um rosto majestosamente outonal, tendo como cenário o reflexo das luzes recifenses. Uma imagem que não deixa dúvida alguma: Lucinha Caldas é a eterna Miss Luzes da Cidade.
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