Daslan Melo Lima
PRÓLOGO
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| Eveline Schroeter, Miss Rio de Janeiro, eleita Miss Brasil 1980. (Foto: Revista Fatos & Fotos) |
A noite daquela sexta-feira, 13 de junho de 1980, no Ginásio Presidente Médici, Brasília, Distrito Federal, ficou na história da beleza brasileira. Foi o último concurso de Miss Brasil promovido pelos Diarios e Emissoras Associados. A vencedora foi Eveline Schroeter, Miss Rio de Janeiro, uma loura de olhos verdes, 1,80 de altura, 64 Kg, 90cm de busto, 66 cm de cintura e 90 cm de quadris, estudante de Comunicação Social da Faculdade Hélio Alonso. Linda, tranquila, simpática, simples e educada, Eveline Schroeter representou muito bem o nosso país no Miss Universo, realizado em Seul, Coréia do Sul, embora não tenha obtido classificação, no ano em que a vencedora foi Shawn Weatherley, Miss Estados Unidos.
EVELINE SCHROETER, VALEU A PENA SER MISS
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Já houve tempo em que as misses estavam mais ou menos na moda. Depois, as pessoas inteligentes e cultas começaram a malhar as moças que só tinham lido O Pequeno Príncipe e deixavam-se medir e pesar como gado. Mas os curtidores de misses resistiram bravamente, e elas continuaram. Com seu metro e oitenta de altura, 64 quilos e 19 anos de idade, Eveline Schroeter é Miss Brasil desde o ano passado. Sua biografia ainda é pequena: foi Miss Macaé e Rio de Janeiro. Ganhou o Miss Brasil, viajou para a Coréia do Sul e, embora estivesse cotada entre as cinco mais, voltou sem o título mundial. Nasceu em família de artistas: o pai toca violino na Rádio Ministério da Educação, a mãe é pianista e seu irmão também é violinista, por sinal já premiado. Professa religião séria: é protestante (luterana), mas sem exaltação. Um de seus interesses culturais é a parapsicologia. Gosta de ouvir Sinatra e Roberto Carlos. Confessa, sem constrangimento, que preferia ter nascido dez anos antes, para pegar o ritmo de uma vida que ela aceitaria melhor e mais fundamente. Não gosta de rock. Nem considera a mulher discriminada na sociedade. Acredita, entre outros valores, no trabalho. É objetiva, simples, antiga e eficiente. Dá a impressão de fazer bem tudo o que quer. Não complica nem a própria a vida nem a vida dos outros. Não atropela ninguém, não tem pressa nem deslumbramentos. Mas gosta de desfilar, sente que pode seguir uma carreira na passarela, ou mesmo no cinema. Sua opinião sobre Miss Brasil é objetiva: ela deve ser uma embaixatriz da beleza. Resumindo: Eveline é uma moça que está fora do tempo e isso é uma glória. Não se contaminou com a turma, não foi na onda, pensa com a própria cabeça – certa ou errada, ela é ela e não o produto de um laboratório. A condição de Miss durou o espaço de um ano; antes e depois do seu curto reinado ela teve e terá oportunidades de viver a vida com simplicidade, sem muita empolgação, mas com lucidez e senso de honestidade. É bonita, cheira bem, tem gosto em conversar sobre assuntos pessoais. Mas algumas semanas ela deixará de ser Miss Brasil. E foi uma pena que o Brasil não a tivesse curtido mais e devidamente. (Revista Manchete, 25/04/1981)
MISS BRASIL 1980, A CONSAGRAÇÃO DE EVELINE SCHROETER
(Reportagem de Raphael Guedes Marinho, jornal O Rebate, Macaé-Rio de Janeiro, 26/08/2010)
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| Eveline Schroeter em duas fases da sua vida: na infância, aos 7 anos de idade, e aos 18, no auge da beleza e juventude, quando foi eleita Miss Brasil 1980. |
No universo das Misses do Brasil, Eveline sempre foi referida como "gaúcha de Santa Maria", mas ela é nascida na cidade do Rio de Janeiro, e a sua família paterna é originária alemã, e migrou para o Brasil rumo à Erechim-RS.
Quando ela nasceu, em 21 de fevereiro de 1962, no Hospital Santa Lúcia, no Bairro carioca do Botafogo, o médico se dirigiu à sua mãe: "Dona Maria Helena, esta é a sua filha Miss Brasil!" Ou seja, Eveline já nasceu bonita e preciosa, e o médico fez previsão ao futuro.
Eveline é uma pessoa simples, muito diferente do que normalmente se é padronizado em geral pelas pessoas, de uma vencedora de Miss Brasil. A sua personalidade doce sempre foi seu principal atrativo. Quem a conhece sabe disso, pois ela gosta de fazer amizades, valoriza as coisas simples da vida, nunca foi arrogante, e sempre foi modesta.
Com certeza de que Eveline Schroeter foi das mais belas misses de todos os tempos, e realmente a sua beleza e simpatia se concebiam, e o município de Macaé a guarda na sua história, por ela ter feito a cidade ter uma grande vitória no ambiente nacional. Eveline foi também a mais bela candidata que o município macaense enviou ao concurso de beleza feminina estadual, dentre todas as épocas, até o presente momento. Além das vitórias, ela brilhou demasiadamente em cenário municipal/estadual/nacional/internacional.
Nos dias atuais, ela reside em Joinville (SC), no afago de sua família, e permanece sendo a mesma pessoa simples que sempre foi. Longe dos holofotes e muito amada por todos, por onde ela passa, sempre deixa a sua marca registrada, que é a sua meiguice.
Nos dias atuais, ela reside em Joinville (SC), no afago de sua família, e permanece sendo a mesma pessoa simples que sempre foi. Longe dos holofotes e muito amada por todos, por onde ela passa, sempre deixa a sua marca registrada, que é a sua meiguice.
EVELINE, A BELA BUSCOU MAIS BELEZA. ACHOU A DEPENDÊNCIA
(Reportagem de Rafael Custódio, A Notícia, Joinville - Santa Catarina, 05/06/2010)
Há 30 anos, o país se rendia à beleza de uma loira de olhos escuros e corpo perfeito: 1,80 de altura, 64 quilos, manequim 42. A vitória no concurso de Miss Brasil 1980 tornou a linda carioca Eveline Schroeter, então com 18 anos, famosa nacionalmente. Vieram as capas de revistas, os programas de TV e o concurso Miss Universo. Foram três semanas na Coréia do Sul em busca do sonho de ser eleita a mulher mais bela do planeta. “Era uma rotina intensa. Tínhamos ensaios durante o dia e à noite precisávamos cumprir os compromissos com os patrocinadores. Sem falar da disputa entre as candidatas. Todas queriam ganhar.”
Apesar do esforço, Eveline não ficou sequer entre as finalistas. Pouco tempo depois, o que era apenas uma ajuda na briga constante contra a balança tornou-se um vício com consequências que nem ela poderia imaginar. A miss ficou dependente de moderadores de apetite. “Comecei a tomar aconselhada por uma instrutora da academia, logo depois do Miss Brasil. Três anos depois, estava completamente dependente.”
De apenas um comprido por dia, Eveline foi aumentando gradativamente as doses. No auge da dependência, tomava sete comprimidos diários. “Ela desmaiava, sentia-se deprimida. Quando estava sob o efeito da abstinência dos remédios, parecia outra pessoa”, lembra a mãe de Eveline, Maria Helena Maciel. Filha de músicos e considerada uma das misses mais bonitas já eleitas no Brasil, Eveline acabou percorrendo o caminho de volta ao anonimato.
Hoje, ela se recupera em Joinville – frequenta um Centro de Apoio Psicossocial (Caps), no bairro América, onde participa de atividades com outros pacientes. A ex-miss também enfrenta transtornos alimentares e psicológicos, trazidos pelo uso exagerado de remédios. Eveline chegou a passar três semanas internada em um hospital. A suspeita dos médicos é de que o excesso de moderadores de apetite desencadeou os transtornos, com a abertura de uma pré-disposição genética.
O tratamento avançou, mas as crises ainda a acompanham. “Sempre que o organismo se acostuma a um medicamento, ela volta a ter crises. O remédio passa a não fazer mais efeito. A diferença é que agora aprendemos a controlar”, conta a mãe de Eveline. As crises que parecem não ter fim são a consequência mais clara das décadas de consumo de remédios para emagrecer, mas Eveline guardou as lições mais importantes. Para as mulheres que estão tomando os remédios para emagrecer, ou pensam em tomar, ela diria não valer a pena. “No meu caso, o preço foi muito alto”.
Apesar do esforço, Eveline não ficou sequer entre as finalistas. Pouco tempo depois, o que era apenas uma ajuda na briga constante contra a balança tornou-se um vício com consequências que nem ela poderia imaginar. A miss ficou dependente de moderadores de apetite. “Comecei a tomar aconselhada por uma instrutora da academia, logo depois do Miss Brasil. Três anos depois, estava completamente dependente.”
De apenas um comprido por dia, Eveline foi aumentando gradativamente as doses. No auge da dependência, tomava sete comprimidos diários. “Ela desmaiava, sentia-se deprimida. Quando estava sob o efeito da abstinência dos remédios, parecia outra pessoa”, lembra a mãe de Eveline, Maria Helena Maciel. Filha de músicos e considerada uma das misses mais bonitas já eleitas no Brasil, Eveline acabou percorrendo o caminho de volta ao anonimato.
Hoje, ela se recupera em Joinville – frequenta um Centro de Apoio Psicossocial (Caps), no bairro América, onde participa de atividades com outros pacientes. A ex-miss também enfrenta transtornos alimentares e psicológicos, trazidos pelo uso exagerado de remédios. Eveline chegou a passar três semanas internada em um hospital. A suspeita dos médicos é de que o excesso de moderadores de apetite desencadeou os transtornos, com a abertura de uma pré-disposição genética.
O tratamento avançou, mas as crises ainda a acompanham. “Sempre que o organismo se acostuma a um medicamento, ela volta a ter crises. O remédio passa a não fazer mais efeito. A diferença é que agora aprendemos a controlar”, conta a mãe de Eveline. As crises que parecem não ter fim são a consequência mais clara das décadas de consumo de remédios para emagrecer, mas Eveline guardou as lições mais importantes. Para as mulheres que estão tomando os remédios para emagrecer, ou pensam em tomar, ela diria não valer a pena. “No meu caso, o preço foi muito alto”.
EPÍLOGO
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| Eveline Schroeter, Miss Brasil 1980, e Ana Lúcia Caldas de Souza, Miss Pernambuco 1980.(Foto:Arquivo Pessoal de Eduardo Japiassú-Cortezia de Toni Rodrigues. Fonte: www.grau10.net/eveline.html) |
“Sei que o julgamento é algo de muito pessoal, não poderia jamais colocar em dúvida a definição, mas tenho a impressão que houve uma grande injustiça com Miss Pernambuco. Acho que o segundo lugar deveria ter sido de Pernambuco. Não discuto a vitória de Eveline Schroeter, do Rio de Janeiro. Confesso a vocês que poucas vezes na minha vida vi alguém tão bonita. A nova Miss Brasil é negócio de cinema.”
Negócio de cinema. Essa definição de João Alberto sobre a beleza de Eveline Schroeter é a mais perfeita que guardo da Miss Brasil 1980. Negócio de cinema no sentido de algo extraordinário, perfeito, incomum, esplêndido, fantástico... Sonho um dia ver Eveline Schroeter totalmente curada e sua história transformada em filme. O meu sonho também é negócio de cinema.






















