Daslan Melo Lima
Na última quinta-feira, 13ª tarde de outubro de 2011, eu estava no escritório da empresa DJ-Publicidade, do meu amigo Daniel Oliveira, revisando a minha coluna sociocultural mensal da revista Timbaúba em Foco, antes dela ser enviada para impressão em uma gráfica de Carpina, quando o meu celular tocou. Era a voz do meu amigo jornalista Muciolo Ferreira, do Recife, pedindo que eu ligasse a televisão na TV Brasil, no programa Sem Censura, de Leda Nagle. Rapidamente, sem me preocupar se o meu gesto iria atrapalhar a concentração do Daniel, que negociava com a secretária e um cliente a inserção de uma matéria na revista, pedi a ele que ligasse a televisão. “Por favor, ligue no Sem Censura, uma das minhas deusas está sendo entrevistada.” Daniel indagou: “Quem é essa deusa tão especial? Gisele Bundchen? Camila Pitanga? Angelina Jolie?” Respondi: “Não! Nenhuma delas ! Trata-se de Vera Lúcia Couto, uma das minhas deusas dos anos 60”.

Daniel ligou a TV no momento em que Vera Lúcia Couto estava falando. Voz suave, rosto belo e sereno. Pedi a ele que tirasse uma foto minha perto da imagem de Vera que aparecia na TV e depois passei a clicar várias imagens como se ali, na minha frente, estivesse Vera, ao vivo. O programa estava repleto de assuntos relevantes: a psicóloga Eda Fagundes falava da polêmica diferença entre traição e deslealdade; o mastologista Maurício Magalhães conversava sobre câncer de mama; a diretora de cinema Cecília Amado apresentava o filme “Capitães da Areia”, inspirado em uma das mais conhecidas obras de seu avô, Jorge Amado, e a consultora e especialista em empreendedorismo e marketing feminino Fádua Sleiman abordava seu livro “Marketing de Batom”, sobre relações empresarias. Para mim, no entanto, nada daquilo tinha tanto interesse como a presença da Assessora da Diretoria de Operações e Eventos da Riotur, Vera Lúcia Couto, que em 1964 foi eleita Miss Renascença, Miss Guanabara, segunda colocada no Miss Brasil e terceira no Miss Beleza Internacional.



Entre suas declarações, Vera Lúcia Couto disse que a saudosa Maria Augusta Nielsen, a Maria Augusta da Socila, que dava aulas de etiqueta e passarela às misses, passava as mãos nos cabelos das candidatas quando desconfiava que eram perucas, o que não era permitido. As misses que por acaso usassem enchimentos, apelidados de sex-appeal, para aumentar o busto, o que também não era recomendado, recebiam reclamações de Maria Augusta. Vera Lúcia falou dos preconceitos que enfrentou, das viagens, da família (foi casada com um descendente de italianos, teve dois filhos e já tem um bisneto), etc. Frisou bem que valeu a pena ter sido Miss e confessou: “Eu sempre digo que a imprensa foi a maior responsável pela minha vitória. Eu estava em todas as capas de revistas, em todos os jornais.”
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O menino que um dia eu fui acabou de rever várias imagens de Vera Lúcia, nos meus antigos álbuns de recortes e em velhas revistas que guardo com carinho.
Vera Lúcia Couto, com maiô Catalina e a faixa de Miss Guanabara 1964. Foto: revista O Cruzeiro.
Vera Lúcia Couto na passarela do Maracanãzinho, Rio de Janeiro, na noite do concurso Miss Brasil 1964, onde foi a segunda colocada. Foto: revista Fatos & Fotos.
Vera Lúcia Couto em Long Beach, Estados Unidos, na passarela do Miss Beleza Internacional, onde conquistou o terceiro lugar e o título de Miss Fotogenia. Foto: revista O Cruzeiro.
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A Vera Lúcia Couto de ontem não é a mesma de hoje, assim como o Daslan Melo Lima de ontem não é o mesmo de hoje, assim como o mundo e os valores de ontem não são os mesmos de hoje. Em comum, entre o fã e a deusa, esta nostalgia em torno de um tempo que se foi, para sempre se foi.
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Timbaúba-PE, na 15ª tarde de outubro de 2011.
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Detalhes:
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