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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 739, referente ao período de 22 a 28 de dezembro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 22 de outubro de 2011

DE MACAPARANA PARA O MUNDO

 MACAPARANA, UM ORGULHO PERNAMBUCANO

Daslan Melo Lima
    
      
          
      José de Souza Oliveira Filho, um macaparanense de 59 anos de idade, artista plástico que adotou o nome artístico de Macaparana, é um nome respeitadíssimo  pela crítica especializada, nacional e internacional, mas permanece  pouco conhecido, não apenas  no eixo de Timbaúba e Macaparana, cidades-irmãs, mas em toda zona da mata norte pernambucana. 
        Pintor, desenhista e escultor autodidata, ele realizou sua primeira individual no Recife, em 1970. Transferiu-se em 1972 para o Rio de Janeiro e em 1973 para São Paulo, onde reside atualmente. Seu apartamento, localizado na Avenida Paulista, é uma verdadeira galeria de arte. Apaixonado por  brechós, Macaparana juntou ao acervo um mobiliário recolhido nas suas andanças pela cidade. Além de produzir sem parar, ele adora música, a quem compara às artes plásticas, “porque ambas precisam apenas ser percebidas, e não explicadas”. Macaparana dá a todas as obras que decoram a sua casa a mesma importância. A distribuição das mesmas é muito mais intuitiva e emocional do que estética. “Tenho pelo prazer de ter, não pelo valor da peça, mas pela história que ela representa para mim”, diz. 



         
       Durante uma exposição na Espanha, o Rei Juan Carlos se encantou por um trabalho seu. O que fez ele? Gentilmente cedeu a obra, muito mais feliz pela bagagem que voltaria mais leve do que pela vaidade de saber que agora faz parte do acervo da realeza espanhola.
        Adriana Morais, colunista social do JORNAL DE MACAPARANA, amiga do artista, mostrou-me recentemente o primoroso catálogo do vernissage do macaparanense, realizado no dia 06 deste mês, em Paris. São imagens instigantes que causam um prazer estético indecifrável. Imagino o impacto visual de tais peças, ao vivo.  Sua fidelidade à geometria se mantém há mais de três décadas. Para ele, "A ação no espaço físico real contrapõe-se àquela possível no espaço pictórico, trazendo significados e resultados novos, ainda que com o uso dos mesmos elementos geométricos sempre presentes em minha poética. Gosto da situação de começar o trabalho de uma maneira e terminar diferente; gosto que ele se perca no caminho."



          Macaparana  não perdeu de vista o garoto simples que um dia foi, tem orgulho de suas raízes e de vez em quando vem rever sua amada terra natal, seus familiares, amigos de infância  e as paisagens que o acompanham pelo mundo afora. 
       Por tudo isso, José de Souza Oliveira Filho, o Macaparana,  é um orgulho pernambucano.
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Crédito das imagens : IstoÉ/Gente e  gravuras.blog.br.
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Vídeo de sua exposição na Galeria Jorge Mara La Ruche, em Buenos Aires, Argentina, realizada no período de 10 de maio a 18 de junho de 2010, https://www.youtube.com/watch?t=17&v=CjdbkJ8Jh28

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SESSÃO NOSTALGIA – MARIA OLÍVIA REBOUÇAS CAVALCANTI, MISS BRASIL 1962, E O CARRO MAIS ANTIGO DO BRASIL


Daslan Melo Lima


          Minha paixão pelas Misses começou em criança, quando vi minha Tia Soledade lendo um exemplar da revista O Cruzeiro, com várias pessoas ao redor, e quis saber do que se tratava. Na capa estava a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil 1962, posando no Cais dos Saveiros e na escadaria da Igreja que foi cenário do filme “O Pagador de Promessas”.    

Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Bahia, Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1962, na capa da O Cruzeiro, de 14/07/1962. A primeira imagem à direita do nome da revista é a do jogador de futebol Garrincha (1933-1983). 
Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, deusa maior do menino que um dia eu fui. 
  
     “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa fã filosofia”, disse um dia William Shakespeare (1564-1616), poeta e dramaturgo inglês. Em uma das minhas últimas visitas aos “sebos” do centro do Recife, encontrei uma pilha enorme da revista Quatro Rodas, especializada em veículos, um assunto pelo qual não tenho nenhum interesse.  Todavia, algo mais forte que eu impulsionou-me a deter-me na capa de cada exemplar. Para imensa alegria do menino que um dia eu fui, encontrei a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, minha Miss Brasil inesquecível, na capa do exemplar de setembro de 1962, posando em cima do carro mais antigo do Brasil.   

Revista Quatro Rodas, setembro de 1962
        A Quatro Rodas quase nada fala sobre Maria Olívia, a não ser na página onde é dado o crédito da imagem da capa: Num cenário bem baiano, defronte à casa colonial de Genaro de Carvalho, Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, nossa mais recente Miss Brasil, posa junto do carro mais antigo do Brasil, um Clement 1895, objeto não só de capa deste número, como de reportagem na página 84. O ektachrome é de Víctor Antônio Gouveia.
     Por conta do título desta secção, quando alguém for pesquisar no Google algo sobre o carro mais antigo do Brasil chegará a este blog. Por isso, embora carros não sejam a razão de ser desta secção, transcrevi o texto completo da reportagem, pois não desejo frustrar os amantes de veículos antigos.

            O CARRO MAIS ANTIGO DO BRASIL

     Primeira surpresa: o carro anda mesmo. O toque-toque do seu motor sexagenário vai convidando os transeuntes distraídos a parar e arregalar o olho. Motorista e passageiros, dois a dois, frente a frente, sorriem satisfeitos, do alto da imponência do velho carro do estilo das carruagens. O ano de fabricação não foi determinado, historicamente. Diz a tradição oral (e tudo o confirma ) que  data de 1895. Chegou à Bahia no ano de 1900, ao raiar do novo século, importado da França, pelo Sr. José Henrique Lanat, industrial gaulês radicada na Bahia, curioso em mecânica e cujo “hobby” era a construção de carros alegóricos para as folias carnavalescas. No dia 13 de fevereiro de 1900 o “moderníssimo” veículo, atração motorizada, tomava contacto com o calçamento rústico de cabeças-de-negro das simpáticas ladeiras baianas. Dis-se mesmo que foi o terceiro automóvel a entrar no país.
    Foi o começo de um reinado. O carro de Lanat conheceu depois irmãos mais modernos, mais aerodinâmicos, mas não perdeu o seu posto: o carro mais moderno, depois, o mais aristocrático, e hoje, o mais curioso. Em 1914, o automóvel foi enfeitado com uma bizarra buzina em forma de cobra metálica, retirada de um outro veículo. Por volta de 1930 foi aposentado, para reviver em 1949, nas festas do centenário de Salvador, quando voltou à rua, todo original, luzidio como novo.

A boca da cobra - buzina bem diferente - dá um ar todo especial ao velho carro. É um dos poucos acessórios não originais, pois foi adaptado em 1914. Vê-se bem na foto da esquerda, em cima. Logo embaixo, o carro visto de frente, ressaltando o engraçado radiador tubular. Na foto da direita, comandos e pedais.
 O CARRO

     Chama-se Voiture Clement e tem o número 475, ou seja, foi o 475º veículo construído por Clement, um famoso construtor de carruagens de Paris. Seu motor e toda a parte mecânica foram construídos por Panhard & Lavassor. É um carro aberto, com dois bancos frente a frente, capaz de desenvolver  a velocidade de 40 quilometros horários.
     Seu motor era um 4 tempos cabeça quente, modificado posteriormente para magneto com a adaptação de uma vela de ignição. Motor traseiro. Sua alimentação de óleo lubrificante é feita por ação da gravidade, com depósito acima do motor e logo atrás do encosto do banco traseiro; desse depósito saem dois condutos, um para o cilindro e outro para a biela e o eixo de manivelas. A transmissão faz-se por sistema de corrente. Sua caixa de mudanças tem três marchas para a frente e uma à ré. Seu radiador é tubular com arrefecimento a água. Seu freio de mão conserva o velho sistema das carroças, de ação por atrito direto.
      Os pneus, bem, os pneus originais eram da rodagem 30 x 3 ½. Quando se gastou o último jogo, a família Lanat ainda conseguiu efetuar encomenda especial na Inglaterra de dois exemplares para as rodas traseiras; as rodas dianteiras tiveram que sofrer alteração, com diminuição dos raios, para admitir pneumáticos de motocicleta, rodagem 3,50 x 10.

O carro nas comemorações do centenário de Salvador, em 1949, dirigido pela Sra. Regina Lanat Pedreira, em trajes do início do Século XX.

QUANTO VALE?

     O carro pertence, em comum, aos membros da família Lanat, herdeiros do velho José Henrique, industrial francês, curioso em mecânica. É tratado como peça histórica da família. Vender, não vendem, apesar de não faltarem ofertas. Muitos até já  tentaram obter o velho  Clement por troca com um automóvel zero quilometro. Até o Museu do Estado da Bahia tentou, sem êxito, obter para o seu acervo, o carro mais antigo do Brasil. Um Voiture Clement 1895. Francês por nascimento; baiano pro adoção.
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     Neste outubro que chega todos os anos para deixar-me com mais idade , os mistérios deram um presente que encheu de alegria o menino que convive com o homem que sou: a revista Quatro Rodas, com a deusa Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, minha Miss inesquecível, na capa.  “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que pode julgar nossa vã filosofia”. Vocês não acham que William Shakespeare tem razão?

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sábado, 15 de outubro de 2011

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO


TIMBAÚBA TERÁ UM CAMPUS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

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     Timbaúba poderá ganhar uma unidade ou campus da UFPE, Universidade Federal de Pernambuco,  nos próximos quatro anos. Segundo Anísio Brasileiro,  novo reitor da UFPE, “Estamos avaliando uma maior presença física da UFPE na Mata Norte para dar suporte às indústrias automotivas. Inicialmente, pode ser implantada uma unidade da Universidade, mas nos próximos quatros anos  ela pode evoluir para a construção de um campus.” A notícia foi veiculada no  Diário de Pernambuco, no último dia 12. ***** Ana Glória, Diretora de Segurança Alimentar, na foto com Anísio Brasileiro, é uma das personalidades timbaubenses que estão exultantes com a notícia.  

     No próximo mês, Timbaúba deverá receber a visita de Anísio Brasileiro, Reitor da UFPE, Universidade Federal de Pernambuco, e de toda Pro-Reitoria Acadêmica,  a convite do Prefeito Marinaldo Rosendo. Será realizado um levantamento dos cursos que irão atender à demanda dos profissionais das indústrias que serão construídas na região. Assim, teremos um Campus UFPE/Timbaúba.  Tudo isso faz parte da interiorização da UFPE. Caruaru e Vitória de Santo Antão, por exemplo, estão se desenvolvendo  ainda mais com os Campus, com  5.000 alunos estudando nos mesmos.
      Os estudantes de Timbaúba e das  dezoito cidades circunvizinhas poderão ter acesso à Universidade pública sem precisarem de deslocamento para outras cidades onde o ensino superior é gratuito.  Para tanto, a Princesa Serrana já está inserida no projeto Diálogo com os Munícipios, da UFPE, que já realizou Cursos de Extensão no  Centro Educacional Maria Emilia Dutra Ferreira Lima e  na Escola Municipal de Mócos. 

       Ana Glória, Diretora de Segurança Alimentar de Timbaúba, declarou  ao PASSARELA CULTURAL:  “A luta de trazer a UFPE para Timbaúba-PE é muito grande,mas me sinto muito feliz em ser uma ex-aluna da UFPE que contribui para a realização desse sonho na minha cidade natal.  Em âmbito nacional existe uma corrente de contribuições e apoio à implantação do Campus. Grandes timbaubenses, anonimamente,  estão de mãos dadas em torno da  implantação da UFPE em solo timbaubense”.

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MEMÓRIA TIMBAUBENSE  
Timbaúba, década de 1950. O Morro da Abolição (Alto do Cruzeiro) era praticamente desabitado. No início da Rua José do Patrocínio havia um curral de gado, local onde foi construído o Cine Alvorada, com capacidade para 1.044 lugares, inaugurado em 06/01/1960, com o filme "Melodia Imortal", desativado em 27/04/1985. 
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ECOS DA FESTA UM SÁBADO EM TIMBAÚBA
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Ainda repercute o sucesso da festa "Um Sábado em Timbaúba", realizada no dia 1º, promovida por Rogério Falcão, um evento cujo prestígio cresce a cada ano. ***** Acima, a alegria estampada nos rostos de várias personalidades. ***** Abaixo, o global Hugo Esteves, que cantou, encantou, e atendeu a todos os pedidos para posar com os fãs. 
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Outras fotos da festa "Um Sábado em Timbaúba", assim como imagens de eventos recentes, inclusive do aniversário do Motor Clube, estão em pauta para postagens nas próximas edições de PASSARELA CULTURAL. ***** O conteúdo desta secção fica on-line durante três semanas, em média, por isso, recomendo pesquisar no blog os espaços pertinentes às postagens mais antigas.
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SESSÃO NOSTALGIA - UMA TARDE COM VERA LÚCIA COUTO, MISS GUANABARA 1964

Daslan Melo Lima

     Na última quinta-feira, 13ª tarde de outubro de 2011, eu estava no escritório da empresa DJ-Publicidade, do meu amigo Daniel Oliveira, revisando a minha coluna sociocultural mensal da revista Timbaúba em Foco, antes dela ser enviada para impressão em uma gráfica de Carpina, quando o meu celular tocou. Era a  voz do meu amigo jornalista Muciolo Ferreira, do Recife, pedindo que eu ligasse a televisão na TV Brasil, no programa Sem Censura, de Leda Nagle. Rapidamente, sem me preocupar se o meu gesto iria atrapalhar a concentração do Daniel, que negociava com a secretária e um cliente a inserção de uma matéria na revista, pedi  a ele que ligasse a televisão. “Por favor, ligue no Sem Censura, uma das minhas deusas está sendo entrevistada.”  Daniel indagou:  “Quem é essa deusa tão especial? Gisele Bundchen? Camila Pitanga? Angelina Jolie?” Respondi: “Não! Nenhuma delas ! Trata-se de Vera Lúcia Couto, uma das minhas deusas dos anos 60”. 
        
     Daniel ligou a TV no momento em que Vera Lúcia Couto estava falando. Voz suave, rosto belo e sereno. Pedi a ele que tirasse uma foto minha perto da imagem de Vera que aparecia na TV e depois passei a clicar várias imagens como se ali, na minha frente, estivesse Vera, ao vivo. O programa estava repleto de assuntos relevantes: a psicóloga Eda Fagundes falava da polêmica diferença entre traição e deslealdade;  o mastologista Maurício Magalhães conversava sobre câncer de mama; a diretora de cinema Cecília Amado apresentava  o filme “Capitães da Areia”, inspirado em uma das mais conhecidas obras de seu avô, Jorge Amado, e a consultora e especialista em empreendedorismo e marketing feminino Fádua Sleiman abordava seu livro “Marketing de Batom”, sobre  relações empresarias. Para mim, no entanto, nada daquilo tinha tanto interesse como a presença da Assessora da Diretoria de Operações e Eventos da Riotur, Vera Lúcia Couto, que em 1964 foi eleita Miss Renascença, Miss Guanabara, segunda colocada no Miss Brasil e terceira no Miss Beleza Internacional.
 
      
     Entre suas declarações, Vera Lúcia Couto disse  que a saudosa Maria Augusta Nielsen, a Maria Augusta da Socila, que dava aulas de etiqueta e passarela às misses, passava as mãos nos cabelos das candidatas quando desconfiava que eram perucas, o que não era permitido. As misses que por acaso usassem enchimentos, apelidados de sex-appeal, para aumentar o busto, o que também não era recomendado, recebiam reclamações de Maria Augusta. Vera Lúcia  falou dos preconceitos que enfrentou, das viagens, da família (foi casada com um descendente de italianos, teve dois filhos e já tem um bisneto), etc. Frisou bem que valeu a pena ter sido Miss e confessou: “Eu sempre digo que a imprensa foi a maior responsável pela minha vitória. Eu estava em todas as capas de revistas, em todos os jornais.”

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      O menino que um dia eu fui acabou de rever várias imagens de Vera Lúcia, nos meus antigos álbuns de recortes e em velhas revistas que guardo com carinho.

Vera Lúcia Couto, com maiô Catalina e a faixa de Miss Guanabara 1964. Foto: revista O Cruzeiro.
Vera Lúcia Couto na passarela do Maracanãzinho, Rio de Janeiro, na noite do concurso Miss Brasil 1964, onde foi a segunda colocada. Foto: revista Fatos & Fotos.
Vera Lúcia Couto em Long Beach, Estados Unidos, na passarela do Miss Beleza Internacional, onde conquistou o terceiro lugar e o título de Miss Fotogenia. Foto: revista O Cruzeiro.
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     A Vera Lúcia Couto de ontem não é a mesma de hoje, assim como o Daslan Melo Lima de ontem não é o mesmo de hoje, assim como o  mundo e os valores de ontem não são os mesmos de hoje. Em comum, entre o fã e a deusa, esta nostalgia em torno de um  tempo que se foi, para sempre se foi.
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Timbaúba-PE, na 15ª tarde de outubro de 2011. 
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Detalhes:
1 - Para ver /rever o programa Sem Censura, na íntegra, acesse o Youtubbe, http://www.youtube.com/watch?v=ieltdrJoNms
2 – Para recordar a matéria da Sessão Nostalgia, de 23/08/2008, focalizando Vera Lúcia Couto e os preconceitos que sofreu por ser negra, clique: http://passarelacultural.blogspot.com/2008/08/sesso-nostalgia_23.html
                                                 
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sábado, 8 de outubro de 2011

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

RAMIRINHO BRANDÃO, “VOLTAREI A ENXERGAR PARA VER MEUS FILHOS”

Daslan Melo Lima

          No dia 07/05/1983, um acidente no bairro de Timbaubinha mudou para sempre a vida de Ramiro Brandão Filho, o Ramirinho, caçula e único filho homem do empresário Ramiro da Silva Brandão e Maria José de Queiroz Brandão. Ele não hesita em confessar como tudo aconteceu: “Eu era muito jovem. Tinha apenas 21 anos de idade, ia completar 22 anos três dias depois, no dia 10. Eu era inconseqüente, estava alcoolizado, sem cinto de segurança, e o meu carro colidiu de frente com um outro que estava estacionado nas imediações da Padaria Paris. Os  estilhaços de vidro causaram a perda da minha visão. Meu pai fez tudo que  poderia fazer para que eu voltasse a enxergar, inclusive levando-me aos Estados Unidos por duas vezes.” Detalhe: Em Houston, após uma cirurgia, quando retiraram os curativos dos seus olhos, Ramirinho  conseguiu, com o auxílio de lentes fortíssimas, ler a palavra Colgate e ver o pai, de forma precária, mas o quadro de melhora não evoluiu. 

  Ramiro Brandão Filho, Ramirinho.
         Ramirinho procura conviver com as boas lembranças do passado: o carinho que recebia dos pais; a cor azul; os rostos das irmãs Raquel, Rute, Rebeca e Risalva; os filmes que assistia no Cinema Alvorada e as fisionomias das atrizes Sophia Loren, Matilde Mastrangi, Brigitte Bardot e Vera Fischer; a vida escolar no Colégio Timbaubense e Escola Santa Maria; os professores Guedes e Florize... 

 Ramirinho e sua saudosa mãe Maria José de Queiroz Brandão, na solenidade de formatura, no Colégio Timbaubense.

       As opiniões de RamirinhoUma mulher bonita: Nize Cavalcanti. Uma pessoa que é a cara de Timbaúba: Celma Lucia Vasconcelos. Personalidades timbaubenses que a história guardou: Maria da Penha de Queiroz e Dr. João Ferreira Lima Filho (Dr. Joãozito). Personalidade timbaubense que a história vai guardar: Terezinha de Jesus Azevedo. Filmes inesquecíveis: “Amor, Estranho Amor” e “Titanic”. Uma música: "Além do Horizonte", de Roberto Carlos. Uma saudade: Muitas. De Olinda, de Boa Viagem, da cor azul, do meu tempo de estudante, dos espetáculos no Cine Teatro Recreios Benjamin... Maior defeito: Confiar demais nas pessoas. Maior virtude: Sou comunicativo. O que mais admira no ser humano: A simplicidade. O que não suporta nas pessoas: Inveja e falsidade. Um sonho de consumo: Um carro com motorista. Um motivo de orgulho: Minha famíliaUm motivo de arrependimento: As tantas vezes que ingeri bebidas alcóolicas, mas deixei de beber no dia 31 de dezembro de 2006. Santo de devoção: Santo Antônio. Viver é... Acumular experiências a cada dia. Morrer é... Renascer para uma nova missão.
         Ramirinho aprendeu o alfabeto braile em cinco meses, no Instituto Antonio Pessoa de Queiroz Melo, mas tem dificuldade de usar o tato para ler. É atualizado e escuta diariamente os programas jornalísticos da TV. Faz a barba diante do espelho, como se estivesse enxergando normalmente. Dorme bem e os seus sonhos são povoados por pessoas que conheceu antes do acidente e por gente que nunca viu. 
Ramirinho ladeado pelos filhos Ramiro Neto e Rômulo.

         Pai de Ramiro Neto (19 anos)  e de Rômulo (17 anos), frutos de um relacionamento que durou 14 anos, com a estudante de enfermagem Joselane Matos, Ramirinho se emociona ao confessar que convive com a esperança de um dia voltar a enxergar. “Sou um homem que espera o melhor, por isso a música da minha vida é aquela do Roberto Carlos que diz que além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz. A medicina tem avançado e as pesquisas com células tronco estão na ordem do dia. Quando um dia eu voltar a enxergar, a primeira coisa que quero na vida é abrir os olhos para conhecer os meus filhos.”
          No momento em que Ramirinho dizia isso, as lágrimas caiam dos seus olhos. A cena me tocou profundamente. Um apertou minha garganta, não consegui perguntar mais nada e dei a entrevista por encerrada.

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EDUARDO, UM TIMBAUBENSE NA MICROSOFT

O casal Walter e Verônica Apolinário esteve nos Estados Unidos visitando o  filho Eduardo (Dudu), funcionário da Microsoft, em Seattle. O assunto será tema de reportagem em uma das próximas edições de PASSARELA CULTURAL 

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MEMÓRIA TIMBAUBENSE

Início dos anos 1950 ou 1960? Uma garota está fardada para ir à escola. A rua deve ter mudado, mas talvez aquele portão ainda seja o mesmo. Que rua é esta que transmite tanto silêncio, tanta saudade e tanta nostalgia? 
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 MEMÓRIA TIMBAUBENSE

Um domingo no centro de Timbaúba, silencioso como todos os domingos, principalmente nos anos de 1950/1960. O Mercado Público fechado e uma pessoa encostada na parede, duas pessoas sentadas no banco da praça deserta,   três árvores... Personagens de um domingo silencioso que se foi, para sempre se foi. 

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VIDAS QUE SE APAGAM A SORRIR
 

(Timbaúba-PE) - Ele é Luiz Gonzaga da Cruz, timbaubense, 80 anos completados no dia 25 de fevereiro. Ela é Maria das Mercês Rodrigues Cruz, natural de Condado-PE, 76 anos completados no dia 24 de setembro. Ele e ela enfrentam problemas de saúde. Ele, por exemplo, já passou por 10 cirurgias e perdeu a visão. Apesar disso, ambos estavam sorridentes na festa de aniversário do Motor Clube de Timbaúba, dançando como nos velhos tempos. ***** Sr. Luiz e D. Mercês foram as primeiras pessoas a se levantarem para dançar, quando a "Orquestra Som Classe A" deu início à festa ao som da música "Luzes de Ribalta",  de Charles Chaplin.  “Vidas que se acabam a sorrir, / luzes que se apagam, nada mais. / É sonhar em vão tentar aos outros iludir, / se o que se foi pra nós não voltará jamais. / Para que chorar o que passou, / lamentar perdidas ilusões, / se o ideal que sempre nos acalentou / renascerá em outros corações.”
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SESSÃO NOSTALGIA - FERNANDO BANDEIRA, MEMÓRIAS DE UM MISSÓLOGO DO PIAUÍ

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO


     Na região nordeste deste imenso país-continente chamado Brasil, conheço dois missólogos com o nome de Fernando Bandeira, o Fernando José Bandeira, piauiense, e o Fernando Bandeira Diniz, pernambucano. O primeiro coordenou o Miss Piauí Mundo, em 2007 e 2009, e colabora com a organização do Miss Piauí Universo desde 1998. O segundo é o coordenador do Miss Brasil Latina. Na secção Sessão Nostalgia desta semana, o Fernando Bandeira, do Piauí,  professor-pedagogo, nascido em um 1º de novembro, revela suas memórias em entrevista exclusiva a PASSARELA CULTURAL


FERNANDO BANDEIRA E SUAS MISSES INESQUECÍVEIS


PASSARELA CULTURAL - Quando começou sua paixão pelos concursos de misses? Quem é a sua Miss Brasil inesquecível? FERNANDO BANDEIRA - Sempre acompanhava os concursos pela revista Manchete ou informações que minha irmã contava de Fortaleza. Aguardava cheio de expectativa o resultado e quando as misses saiam na capa, então, era fabuloso!  Lembro-me que numa banca de revistas da Praça Pedro II estava a Manchete do Miss Universo  1984, aberta na página que continha a foto de maiô de  Suzana Caldas, Miss Colômbia,  quinta colocada.
  Suzana Caldas, Miss Colômbia, quinta colocada no Miss Universo 1984

Márcia Gabriele, Miss Mato Grosso, Miss Brasil 1985


No ano seguinte, vi a foto da Márcia Gabriele na sua eleição como Miss Mato Grosso. Eu sabia de sua trajetória nos concursos de beleza desde o Garota Carinho, Garota de Ipanema (Garota Scala) até o Miss Mundo Brasil. Achava esquisito, não entendia tanta insistência e isso não me agradava.  Mas, depois daquela foto como Miss Mato Grosso 1985, a mechinha loura no cabelo, torci muito por sua vitória e ela tornou-se inesquecível para mim. Porém, o primeiro concurso transmitido pelo SBT, na estreia do novo canal em Teresina, em 1986, portanto, o primeiro que assisti, foi o de Deise Nunes de Souza, Miss Rio Grande do Sul, eleita Miss Brasil 1986.
 Deise Nunes, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil 1986


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PC – Qual a Miss Brasil mais injustiçada da história do Miss Universo? FB - Sem pestanejar, Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1954.
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PC - Qual a Miss,brasileira ou não,mais injustiçada da história do Miss Universo?FB -Martha Rocha. Ela é sempre o melhor exemplo e prova contundente do que acontece em um concurso de beleza.
 Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1954
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 PC - Qual a Miss Brasil que teria sido uma excelente Miss Universo? FB - Muitas de nossas misses teriam sido excelentes Miss Universo. Poderia exemplificar diversas. Agora, imagine, toda aquela profusão autêntica de beleza e arroubos de juventude da Adalgisa Colombo como Miss Universo!
 
 Adalgisa Colombo, Miss Distrito Federal, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1958

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PC – Qual sua Miss Universo inesquecivel?  FB - A baiana Martha Vasconcellos, Miss Brasil, Miss Universo 1968.
 
Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil, Miss Universo 1968

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  FERNANDO BANDEIRA E AS MISSES DO PIAUÍ

PC – Qual sua Miss Piauí inesquecível? FB - Tenho adoração por nossas misses. Citar uma é difícil. Então, por ter iniciado a tradição, Teresinha Alcântara, Miss Piauí 1956, considerada “A eterna Miss Piauí”. Mas, a primeira que tenho nítida lembrança é da aclamação da Mirza Melo, em 1983.
 
Teresinha de Jesus Alcântara, Miss Piauí 1956
Mirza dos Santos Melo, Miss Parnaíba, aclamada Miss Piauí 1983 

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PC - Qual a Miss Piauí mais injustiçada da história do Miss Brasil? FB - Essa é fácil! Maria da Consolação Teixeira e Silva, Miss Piauí 1963. Há muita especulação em torno de sua desclassificação como semifinalista no Miss Brasil, desde política, desempate e até preconceito. Concurso de Miss é mesmo um sonho, uma verdadeira fábula. Mas, Consolação Teixeira foi realmente prejudicada naquele ano.

Maria da Consolação Teixeira e Silva, Miss Piauí 1963
PC - Qual a Miss Piauí que teria sido uma ótima Miss Brasil? FBMaria da Consolação Teixeira e Silva, em 1963.  A exemplo do que foi,bela, elegante e serena, acredito nessa possibilidade. Isso, sem contestar a vitória da gaúcha Ieda Maria Vargas, Miss Brasil, Miss Universo 1963.
Maria da Consolação Teixeira e Silva, de cabelos soltos, Miss Piauí 1963, e Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963

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PC - Qual a garota mais injustiçada da história do Miss Piauí? FB - O Concurso de Miss Piauí mais badalado de toda nossa história, que mobilizou e movimentou com euforia o nosso Estado, foi o de 1984, quando se definia moças da alta sociedade, de famílias tradicionais e influentes em busca do título da “mais bela piauiense”. Desse concurso participou Sandra Macêdo, irmã de Fátima Macêdo, Miss Piauí 1971. Sandra representou um dos clubes mais seletos e importantes de Teresina, o Clube do Médico, conquistando o quinto lugar. É, de longe, o corpo mais perfeito que já pisou na passarela do Miss Piauí.  A vencedora foi a espetacular Milena Teixeira, Miss Clube de Engenharia. Sandra, loura. Milena, morena. Páreo duro! 

Sandra Macêdo, Miss Clube do Médico, quinta colocada no Miss Piauí 1984

Milena Teixeira, Miss Clube de Engenharia, primeira colocada no Miss Piauí 1984
As três finalistas do Miss Piauí 1984. Da esquerda para direita: Joana D'Arc Mendes Buenos Aires, Miss Parnaíba, terceiro lugar; Milena Teixeira, Miss Clube de Engenharia, primeiro lugar; Márcia Andréia Silva, Miss Iate Clube de Teresina, terceiro lugar. ***** Detalhe: Por alguns anos, as candidatas classificadas em 2º e 3º lugares recebiam o títulos de Miss Teresina e Miss Interior.
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FERNANDO BANDEIRA E O DIFERENCIAL DOS CONCURSOS


PC-Qual o maior diferencial dos concursos de Miss do passado para os de hoje? FB - Tudo.O concurso tinha mulheres de beleza que encantava os espectadores, todos especialistas em admirar e analisar cada candidata, o que hoje chamamos de missólogos. Imagine quantos missólogos aplaudiram Stael Abelha (Miss Minas Gerais, Miss Brasil 1961) ou vaiaram alguma outra Miss vencedora, como a manifestação de descontentamento agora em 2011, com a gáucha Priscila Machado, eleita Miss Brasil. Esta é uma mudança concreta: parece que atrai somente a nossa atenção e só nós nos manifestamos.  E o que temos também de diferente? O tempo, novas idéias, sabe-se lá. Existia alguma coisa que até hoje não se consegue explicar. Apenas sentimos a diferença. Há mulheres bonitas, não  o mesmo interesse. Que lástima!
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PC - Você incentivaria uma jovem da sua família a participar de um concurso de Miss? FB - Sim! Com toda satisfação e orgulho.
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PC - Quem era sua favorita para o Miss Universo 2011? FB - Não criei nenhuma expectativa para este concurso. Acredito que a modernização demasiada descaracterizou o Miss Universo. Confesso que, para mim, a mudança da coroa tirou um pouco de sua identificação. Parece uma maldição!


O ACERVO DE FERNANDO BANDEIRA

     Fernando Bandeira possui um imenso  acervo sobre o concurso Miss Piaui. Ele tem dezenas de fotos, maiôs, vestidos, faixas... Tudo guardado com imenso carinho em sua casa, mas que ele sonha ver tudo isso um dia em um museu. Em 2006, Fernando fez uma grande exposição das suas relíquias em um shopping de Teresina.



EPÍLOGO
     Um dia, Fernando Bandeira deixou-se fotografar com inúmeras peças do seu passatempo preferido, faixas e mais faixas que pertenceram a algumas Misses do Piauí. A imagem remete a uma pose feita por Márcia Gabriele, Miss Brasil 1985, quando ela posou para a extinta revista Manchete, com as faixas que ganhou em sua trajetória de rainha da beleza. A foto do Fernando é emblemática. Revela sua mágica paixão pelas Misses. Paixão é paixão, não se explica, assim como nostalgia é nostalgia. Ambos os sentimentos estão tatuados na alma.  


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