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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 739, referente ao período de 22 a 28 de dezembro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 3 de dezembro de 2011

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - A UFPE mais perto - Maysa Renata - Padre Damasceno

 A UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO MAIS PERTO DE TIMBAÚBA

             Uma comitiva da UFPE, à frente o Pró-reitor Edilson Fernandes de Souza, visitou Timbaúba na nublada tarde da segunda-feira, 28 de novembro. Objetivo: conhecer melhor a realidade socioculturaleconomica do município, com vistas a estreitar a parceria UFPE-Governo Municipal, com foco na visão de futuro de instalar um campus da Universidade em Timbaúba. Após almoçar na Ossam, Obra Social Santa Maria, o pessoal fez um city-tour, onde conheceu um terreno baldio no bairro de Sapucaia, um dos locais considerado ideal para a construção do campus; o espaço destinado ao Distrito Industrial, nas cercanias da Vila Nova Vida; e as obras de construção do conjunto habitacional Minha Casa, Minha Vida, próximo à Fazenda Santa Luzia. Tive a satisfação de acompanhar a comitiva e de testemunhar a simplicidade do Pró-Reitor Edilson Fernandes de Souza, além  do seu entusiasmo e determinação em somar esforços para tornar realidade mais um sonho da Princesa Serrana.   
Uma imagem para a história timbaubense. A comitiva da UFPE e assessores do Governo Municipal, no bairro de Sapucaia, provável local do futuro campus.
Outra imagem para a história timbaubense. João Marcelo, Assessor Político; Vânia Lúcia, Secretária de Desenvolvimento de Políticas Sociais e Segurança Alimentar; Edilson Souza, Pró-Reitor da UFPE; Ana Glória, Diretora de Segurança Alimentar e Nutricional; e Roberto Sotero, Secretário do Governo Municipal.
Roberto Sotero, Ana Glória e Edilson Souza, no conjunto Minha Casa, Minha Vida, 487 unidades habitacionais nas proximidades da Fazenda Santa Luzia.
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MAYSA RENATA TRAVASSOS DE ANDRADE QUEIROZ, UM ATO DE FÉ
Maysa Renata e Rejane Travassos
          Em clima dominical descontraído, 27 de novembro, foi realizado o  batizado de Maysa Renata Travassos de Andrade Queiroz, filha única de Rejane Travassos Bezerra de Queiroz e Clóvis de Andrade Queiroz (in memorian). Só aos 20 anos, consciente dos seus princípios católicos, Maysa Renata recebeu o sacramento do batismo. Rejane reside há muitos anos em Caruaru-PE, mas não esquece sua amada Timbaúba, tanto que escolheu a Princesa Serrana para testemunhar o ato de fé de Maysa Renata. Após a cerimônia na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Mocós, Rejane Travassos recebeu um pequeno grupo de amigos e familiares na casa do seu sobrinho Roberto Travassos Odebrecht, no tradicional bairro de Timbaubinha, zona norte da cidade.
A alegria de Maysa Renata ao lado dos padrinhos Jaqueline, Rizonete e Almir.
Maysa Renata e o primo Roberto Travassos Odebrecht.

 Maysa Renata e o noivo Jonas Moraes
Na fila de trás, Rosa, Mayara e Regina. Sentadas, Moema, Maysa Renata e Renata Albuquerque. Abaixo, outros flashes do evento.
         Os evangélicos argumentam que o batismo de crianças não aparece na Bíblia. Como conclusão, defendem que só os adultos podem ser batizados. Todavia, segundo o catecismo da Igreja Católica, o batismo faz-nos membros do Corpo de Cristo. Celeuma religiosa à parte, Maysa Renata demonstrava uma segurança incomum, radiante com a condição de que tinha se tornado membro do Corpo de Cristo.
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PADRE  DAMASCENO, UMA EXPRESSÃO  TIMBAUBENSE
Padre Damasceno no Alto do Cruzeiro, em Macaparana-PE. Abaixo, a Capela de São Francisco, no Alto do Cruzeiro, um cenário místico, digno da visita de um homem de Deus.
          Radicado há muitos anos no Rio de Janeiro, Padre Damasceno sempre retorna à região para tomar um banho de nordestinidade. Recentemente, o padre-cantor-compositor-poeta-escritor-teólogo esteve em João Pessoa, Timbaúba e Macaparana, local destas fotos, clicadas especialmente por mim para PASSARELA CULTURAL.
Acima, Padre Orlando Nascimento (ex-pároco de Timbaúba e atual de Macaparana), Rute Brandão e sua filha Adriana Morais e Padre Damasceno. Abaixo, Rute e Adriana ladeadas pelo poeta-escritor-jornalista Daniel Oliveira e Padre Damasceno.
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MEMÓRIA TIMBAUBENSE 

Construída em 1889 e reconstruída em 1902, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, localizada no centro da Praça Hugo de Andrade, no bairro de Mocós, é um convite para a reflexão. O ano da foto perdeu-se no Túnel do Tempo, menos a Fé em DEUS e em Nossa Senhora da Conceição, cuja dia é celebrado em 08 de dezembro, feriado municipal.
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CAMINHOS PARA A PASSARELA CULTURAL
       Uma pessoa perguntou-me se o correto seria chamar "o" PASSARELA CULTURAL ou "a" PASSARELA CULTURAL.  No meu entender, ambas as formas estão corretas, pois PASSARELA CULTURAL é um blog e ao mesmo tempo uma revista on-line. 
    Detalhe: Para quem acostumou-se a visitar PASSARELA CULTURAL através do TIMBAFEST, www.timbafest.com.br , vale a pena anotar que também existem dois endereços para acessar este blog: www.passarelacultural.blogspot.com e www.passarelacultural.com . Sugiro que adicionem esses roteiros aos seus Favoritos.
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LUTO

    Entre as perdas que a comunidade sofreu nos últimos dias, registramos os nomes das seguintes pessoas: JOSINALDO JOSÉ DE MELO, 50 anos, funcionário do INSS, falecido na sexta-feira, 25, vítima de parada cardíaca; a matriarca ALAÍDE CAVALCANTI DE ARAÚJO, 92 anos, falecida na segunda-feira, 28. Alaíde era mãe de Célia (viúva de Hibernon Cavalcanti); DULCE MARIA, 31 anos, agente de saúde, falecida na segunda-feira, 28, vítima de AVC. Às famílias enlutadas, as condolências de PASSARELA CULTURAL. 
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SESSÃO NOSTALGIA - WILZA RAINATO, MISS MUNDO BRASIL 1967

Daslan Melo Lima
PRÓLOGO

           Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 1º de julho de 1967, noite da eleição da Miss Brasil 1967. A famosa passarela estava com novo formato, oval, em lugar da tradicional que lembrava uma ferradura. Anísia Gasparina da Fonseca, Miss Brasília, era a favorita ao título, mas acabou em quarto lugar, enquanto o Top 3 foi composto por Carmen Sílvia de Barros Ramasco, Miss São Paulo, primeiro lugar, representante do Brasil no Miss Universo; Wilza de Oliveira Rainato, Miss Paraná, segundo lugar, representante do Brasil no Miss Mundo; e Sonia Maria Ohana, Miss Pará, terceiro lugar. Carmen Sílvia, pouco tempo depois de ter participado do Miss Universo, renunciou ao título, cabendo a Wilza Rainato, na condição de vice,  o direito de reinar oficialmente como Miss Brasil 1967, o que fez com tranqüilidade, meiguice, disciplina e educação.
         Por onde anda Wilza Rainato? Que destino tomou a sua vida após ter coroado a baiana Martha Vasconcellos, Miss Brasil 1968? Encontrei as respostas na revista Bella Beleza Magazine, editada por BMW Eventos, de Maringá-PR, empresa de Wall Barrionuevo. Na edição de junho de 2010, Wall Barrionuevo conta como foi o seu encontro com Wilza Rainato, em Londrina-PR, a quem ele outorgou o Troféu Asas de Ouro e o Título Cidade Canção.

                 WILZA RAINATO, 
DE JANDAIA DO SUL A LONDRES

          Wilza de Oliveira Rainato nasceu em São João da Boa Vista (SP) – no dia 25 de outubro de 1949. Seus pais, Natividade de Oliveira Rabelo Rainato e Ermelino Rainato, foram morar em Jandaia do Sul levando a pequena Wilza com nove meses. Antes de ser Miss foi coroada Rainha do Café de Jandaia do Sul, uma região que colhia os grãos mais nobres do mundo. Foi seu pai quem primeiro recebeu convite do Dr. Cristovan – presidente do Rotary, para que deixasse Wilza participar do concurso de Miss que era promovido pelo Clube de Serviço. Ele de súbito respondeu que ela não ia aceitar, pois era uma molecona que ainda brincava de pique-esconde e bolinha de gude.  Apenas e tão somente com a educação que recebera foi inscrita e venceu o concurso realizado no único cinema do município, que ficou completamente lotado.  
          Foi ao estadual, já melhor preparada, com produção pessoal e guarda-roupa impecáveis. Antes de todas as concorrentes se reunirem não se falava em favoritas, mas bastou as 34 estarem juntas em Cornélio Procópio, município sede do Miss Paraná 1967, para que a soberania  do conjunto falasse mais forte. A disputa do título foi no Ginásio de Esportes XV de Fevereiro e seis mil pessoas assistiram a vitoria da jandaiense. Antes de ir ao Miss Brasil, nos revela que teve assessoria direta da Socila – escola, responsável em ensaiar as misses durante a realização do concurso nacional. Ela acredita que muitas poucas foram as que tiveram esse privilégio de serem contatadas antes do concurso nacional e de certa forma orientadas de como podiam chegar ao titulo. 

O perfil de Wilza Rainato, segundo a revista O Cruzeiro, de 15/07/1967
"O vestido azul de Miss Paraná encantou todo mundo. desfilou com classe e acabou princesa." (Fatos & Fotos, 15/07/1967)
 O sorriso de Wilza Rainato
 
         Lembra do dia 1º de julho: realização do Miss Brasil. Vinte e cinco jovens, cada qual representando um estado brasileiro. Fala do assédio que tinham e de quantas pessoas elogiavam a sua beleza e diziam estar diante da futura Miss Brasil. Diz que é impossível apenas com palavras demonstrar o que representava o Maracanãzinho (RJ) lotado. Muitos, segundo ela, já sabiam, o seu nome e gritavam. Com toda a sua inocência ela involuntariamente retribuía o carinho do público jogando beijos – atitude condenada por Maria Augusta Nielsen, da Socila, que a advertiu nos bastidores: “Wilza isso não é atitude de quem quer ser a Miss Brasil.”
     Foi a própria Maria Augusta que teve a missão de lhe informar sobre o regulamento do Miss Universo que exigia uma idade mínima de 18 anos, e a paranaense tinha 17. Segundo Wilza, essa informação foi repassada aos jurados e, se realmente isso aconteceu, acredita que pode ter influenciado no resultado final. “Fiquei com a segunda colocação”, disse Wilza, “mas com gostinho de primeiro, pois tudo aquilo para mim era uma grande novidade. Fui recebida como celebridade no Paraná. Vim de avião até Curitiba onde centenas de pessoas lá estavam. Vim para Londrina que me recebeu como se daqui fosse. Antes de seguir para Jandaia Osvaldo Militão (Canal 3-TV Coroados) me entrevistou ao vivo”. Continua: “Jandaia do Sul parou para me receber. Amigos, parentes e autoridades. Desfilei de carro aberto pelas ruas, que fechou o comércio para me receber.”
       Por um bom tempo falamos sobre essa experiência, que se hoje muda a vida de uma pessoa, imagine o que acontecia naquela época. Sua colocação no Miss Brasil lhe garantiu participar do Miss Mundo – representando o país. Segundo ela os promotores daquele evento internacional tinham interesses para a vencedora que ia na contra-mão da sua formação. Mostrou certo descontentamento com atitudes dos organizadores, não se calou e..., não venceu! Mesmo assim se mostrou competitiva no Miss Mundo sendo eleita a Miss mais elegante daquele ano, título também conquistado no Miss Brasil. O cônsul do Brasil em Londres destinou e ela um tratamento digno de uma rainha. Confessa não se arrepender de nada que fez que tenha envolvido o nome de Jandaia do Sul, Paraná e Brasil. Se emociona ao falar dos aplausos que recebeu do público durante seu desfile de despedida: “era ensurdecedor, mas hoje sei que aquele gesto era a forma carinhosa que eles tinham de me mostrar que ao menos para eles eu fui a Miss Brasil. Se aquela manifestação tiinha como objetivo não esquecer o que sentiam por mim, surtiu efeito, pois jamais esqueci!”, relata emocionada. (Texto de Wall Bairronuevo, Bella Beleza Magazine, Ano IV-7ª edição- junho de 2010)

                   WILZA RAINATO, 
O LADO HUMANITÁRIO DE UMA MISS 

        Viajou o mundo e desfilou para grandes nomes da moda internacional. Dior, por exemplo, lhe enviava todas as peças necessárias para compor o seu guarda-roupa de uso diário e ocasiões. Falou de Hollywood, dos atores e atrizes que conheceu. Em Las Vegas, Pavarotti chegou a auxiliá-la com bagagens, e teceu elogios a sua beleza. Ganhou dinheiro e auxiliou muita gente, principalmente crianças e idosos ao doar cachês para causas que visava o cuidado deles. Desfiles, inaugurações, produtos batizados com o seu nome e tantos outros fatos não fez com que ela deixasse se iludir e esquecer a sua vocação familiar. Queria casar, ter sua casa e filhos.
      Sua vida de glamour, mesmo depois de casada, não abalou sua paixão pelos ares da fazenda. Gostava de estar junto no trato dos animais e da terra. Era constantemente indagada pelos funcionários que não acreditavam na disposição da “senhora” que um dia foi Miss Brasil. Sobre os concursos, ela nos fala com convicção que fez o seu melhor, mas era visível que também tem interesse de ser reconhecida por outros feitos após ter coroada as suas sucessoras (municipal-estadual e nacional). Mesmo casada sempre surgiam compromissos como Miss Brasil e a pedidos do amado deixou de aceitar participar de ocasiões que necessitasse de viajar, mas se a causa fosse o assistencialismo, já estava ela como fiel voluntária. (Texto de Wall Bairronuevo, Bella Beleza Magazine, Ano IV-7ª edição- junho de 2010)

WILZA RAINATO E AS SUPERAÇÕES DAS ADVERSIDADES
Wilza Rainato, uma das mais belas noivas paranaenses de  1970. (Foto: folhaweb.com.br)
         Casou-se em 1970 com o médico Nereu Genta, com quem tem um casal de filhos: Alexandre e Juliana, que lhes deram os netos Giorgia, Alexandre – o Xandinho e a Laura. Soma-se aos três o talentoso Pedro Kauss, o Pititico, que é carinhosamente chamado de “neto do coração”. Depois de casada frequentou o curso de Ciências Sociais. Sua popularidade lhe rendeu inúmeros convites para entrar na política. Em 1989 sofreu um acidente automobilístico causando grave comprometimento cervical e lombar, que a deixou anos sem andar. Após diversas cirurgias as seqüelas das intervenções fez surgir um comprometimento medular que a levou novamente ao centro cirúrgico e mais um bom tempo se convalescendo.
          Abatida pelos acontecimentos, como a Fênix ela brindava os que lhe cercava com mais determinação ainda. Já recuperada entrou para um curso de Teatro, ocasião que se sentiu muito bem, se identificou com o tablado e com a arte de interpretar. Só parou por ter tido um AVC – Acidente Vascular Cerebral, que pode ter sido provocado pelo abalo nervoso que sofreu após um brutal assalto contra familiares.
      Wilza nunca se apegou a bens materiais, tudo o que teve e tem é conseqüência de trabalho e merecimento. Para ela o que é tomado a força é um ato desumano e desnecessário. Após o primeiro AVC, que foi o mais forte, passou ainda por outros três de intensidade menor. (Texto de Wall Bairronuevo, Bella Beleza Magazine, Ano IV-7ª edição- junho de 2010)

       WILZA RAINATO,  
MISS PARA SEMPRE MISS

          Ainda na revista, Wall Barrionuevo conta que Alexandre  falou um pouco de como era ser filho de uma Miss Brasil e revelou histórias recheadas de momentos marcantes desde a infância até os dias de hoje. “... Em não raros momentos quando olham seu passaporte, sua carteira de motorista ou quando estende um cartão de visita ao se apresentar há sempre alguém que diz: “teve uma Miss Brasil com esse sobrenome!“, e ele orgulhoso diz, “sou filho dela”. 

 Wilza Rainato e o esposo Nereu Genta
Wall Bairronuevo e Wilza Rainato
 
          Palavras do Dr. Nereu  Genta, emocionado com a visita de Wall  e sua esposa Elaine  Barrionuevo:  “Eu quero agradecer vocês, pois conseguiram com esse carinho acordar uma Wilza que há muitos anos estava escondida dentro dela. E se vocês vieram em busca da Miss Brasil, ali está ela. Veja aquele sorriso. O mesmo que encantou a nação e o mundo. Esse sorriso ficou adormecido e jamais esquecido, por nós e por todos que tiveram a oportunidade de conhecer a mais bela, talentosa, vitoriosa e humana Miss que o Brasil já teve!”
                                                                     
                                                      EPÍLOGO

             E assim, vocês ficaram sabendo por onde anda e como vive hoje Wilza Rainato, Miss Paraná 1967. Feliz, ela mora em Londrina-PR, onde é esposa, mãe e avó.  Vale a pena lembrar que aquela jovem de sorriso meigo e duas covinhas no rosto soube contornar a balbúrdia daquele Maracanãzinho descontente com o resultado do concurso.  Na revista Fatos & Fotos, de 15/07/1967, Carmem Sílvia de Barros Ramasco, Miss São Paulo, assim se pronunciou, a respeito das vaias que recebeu quando foi eleita Miss Brasil, já que a maioria do público do Maracanãzinho preferia Anísia Gasparina da Fonseca, Miss Brasília, quarta colocada:  “ - Não fiquei zangada, apenas surpresa. Não vou culpar, em absoluto, o povo carioca por uma incompreensão momentânea. Além disso, fiquei tão feliz com o título que não poderia ter raiva de ninguém. Perdoaria até o meu maior inimigo. Mas quero deixar bem claro uma coisa: o gesto de solidariedade de Miss Paraná me comoveu bastante. Foi ela a primeira a me consolar quando comecei a chorar. Nunca esquecerei isso.”

 Anísia Gasparina da Fonseca, Miss Brasilia, quarta colocada no Miss Brasil 1967
O Top 3 do Miss Brasil 1967: Sônia Maria Ohana, Miss Pará, terceiro lugar; Carmem Sílvia de Barros Ramasco, Miss São Paulo, primeira colocada; e Wilza Rainato, Miss Paraná, segundo lugar.
 
          Entre as mais gratas recordações que guardo da história do Miss Brasil, estão os recortes das revistas  do ano de 1967, coladas em um álbum e no meu coração, assim como inúmeras fotos, entre elas, eternamente sorrindo, quatro ícones dos mágicos anos 60: Anísia Gasparina da Fonseca, Sônia Maria Ohana, Carmem Sílvia de Barros Ramasco e Wilza de Oliveira Rainato, a quem dedico esta antepenúltima Sessão Nostalgia de 2011, um ano que logo mais será parte do Túnel Tempo, assim como aquele 1967.
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sábado, 26 de novembro de 2011

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - ANA GLÓRIA, TRINTA ANOS DEDICADOS À NUTRIÇÃO

ANA GLÓRIA, TRINTA ANOS DEDICADOS À NUTRIÇÃO

Daslan Melo Lima
 
          A timbaubense Ana Glória Ferreira de Araújo, nutricionista, Diretora de Segurança Alimentar e Nutricional de Timbaúba, nasceu no dia 28/11/1959, filha de  Joel Monteiro de Araújo e Maria da Glória Ferreira de Araújo,  irmã de Antonio, Joel, Tranquelino, Teotônio e Carlos Eduardo. Estudou nos tradicionais educandários Escola Santa Maria, em Timbaúba-PE, e nas Damas, no Recife, e concluiu seu curso de Nutrição na UFPE, Universidade Federal de Pernambuco.
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Ana Glória ladeada pelos pais Glorinha e Joel Monteiro, na sua colação de grau na UFPE, no dia 21/12/1981
 Ana Glória Ferreira de Araújo
                Ana Glória conseguiu uma das primeiras colocações no curso de Nutrição. Formou-se aos 21 anos e ingressou logo no mercado de trabalho. Muito jovem e requisitada para dar palestras sobre Nutrição, participou de congressos fora do Estado e  sempre foi muito querida pelos professores e colegas de profissão. Conselheira de Nutricionistas Região 6, integrante da Comissão de Ética Profissional e Conselheira de Segurança Alimentar do Estado de Pernambuco, entre os  desafios enfrentados está a conquista de ser pioneira em Pernambuco em Alimentação do Campo. Nas mais gratas lembranças da vida de Ana Gloria ressoa o discurso do  paraninfo da sua turma de Nutricionistas, o Prof. Nelson Chaves (1906-1982), fundador do  Curso de Nutrição da UFPE: "Vocês escolheram uma profissão da mais alta importância social,mas mal compreendida e injustiçada.É uma profissão que contribui para a formação de recursos humanos, que se apoiam nos seguintes pilares: Nutrição, Saúde, Educação, Espiritualidade e Ética. Esses pilares estão sendo corroídos e ameaçados de destruição à picareta, mas são eles que formam a base dos recursos humanos, mais importantes que os recursos naturais. Somente os povos que dispõem de grandes recursos humanos ocupam posição destacada na História. Sem Nutrição adequada não é possível imunidade, boa saúde, vida prolongada, produtividade, crescimento adequado, etc".
 D. Glorinha, Teotônio e Ana Glória
          As verdades de Ana Glória no melhor estilo entrevista ping-pong.   Dia ou Noite?  - Dia. /// Samba ou Frevo? - Frevo. /// A cidade dos seus sonhos -  Londres e Paris. /// Sonho de consumo - Viajar e conhecer outros lugares. ///. Um momento para recordar - Minha formatura de Nutrição. /// Seu maior defeito - Sou muito exigente./// Sua maior virtude - Meu amor ao próximo. /// O que mais admira em um ser humano - Simplicidade. /// O que não suporta em um ser humano - Prepotência. /// A maior invenção humana - A gastronomia. /// A pior invenção humana - A bomba atômica. /// Se o mundo fosse acabar amanhã o que faria hoje? - Viver o hoje. /// Se fosse Presidenta da República o que faria para reverter a violência? - Melhoraria a educação alimentar brasileira. /// Comida Preferida - Salada de Legumes com Atum e Ervas Finas. /// Bebida - Vinhos. /// Sobremesa - Salada de Frutas. /// Cor Verde. /// Clube Esportivo - Santa Cruz. /// Um Jogador - Garrincha. /// Superstição - Assinatura do meu nome com caneta preta. /// Viver é...  Colocar em prática todo seu planejamento de Vida sem atropelar etapas importantes da vida. Amar intensamente seu momento agora, curtir  cada segundo, aplaudir os acertos e corrigir  os erros. /// Envelhecer é ...  Viver o seu agora com muita inteligência e espiritualidade, sem censuras, voltar a ser criança mimada e amada por todos. /// Morrer é ... Acreditar na ressurreição e na Vida eterna./// Um Filme Inesquecível - O Nome da Rosa. /// Um programa de TV - Sem Censura. /// Um livro - Os do poeta Fernando Pessoa /// Uma canção - Amanhã, de Guilherme Arantes. /// Um frevo - Morcego./// Um cantor - Guilherme Arantes. /// Uma cantora - Maria Betânia. /// Um ator - Tony Ramos. /// Uma atriz - Nathalia Timberg.  ///  Uma Miss Pernambuco - Suzy Rego, Miss PE 1984 /// Uma Miss Brasil: A baiana Martha Rocha, Miss Brasil 1954. /// Uma Miss Universo - A gaúcha Ieda Maria Vargas, Miss Brasil  e Miss Universo 1963. /// Um (a) Nutricionista que a História guardou - A carioca Dra. Lieselotte  H. Ornellas. /// Um (a) Nutricionista que a História vai guardar -  A pernambucana Dra.Elenice Costa. /// Qual a celebridade que você adoraria orientar sua alimentação? Dom Fernando Saburido, Arcebispo de Olinda e Recife. /// Uma saudade - Meu pai, minha avó Minervina Barbosa e meu irmão Toinho. /// Um motivo de arrependimento - Arrependo-me das coisas que não fiz. /// Um motivo de orgulho - Ser timbaubense. /// Um ponto turístico de Pernambuco - O Alto da Sé de Olinda. /// Um ponto turístico de Timbaúba - O Morro da Independência.

      Quando perguntei a Ana Glória qual a personalidade que era a cara de Timbaúba, ela não citou nenhuma pessoa, citou os Morros da Cidade.  "A cara de Timbaúba  é o conjunto dos  morros : Morro da Abolição (Alto do Cruzeiro), Morro da República (Alto Santa Terezinha) e Morro da Independência (Alto da Independência)". Católica, devota de Santo Antônio, Ana Glória falou emocionada: "Tive a oportunidade de nascer numa família cristã, onde meus pais faziam questão de ajudar  as pessoas mais necessitadas. Quando meu pai comprou a primeira TV em Timbaúba-PE, todos assistiam. As pessoas do Alto da Independência desciam para assistir ao Repórter  Esso e aos  jogos da Copa do Mundo.  Esse fato ainda hoje está na memória de muita gente, a oportunidade de ver  TV em minha casa sem  preconceito de cor,raça ou classe social. Isso nos faz grande por dentro e nada no mundo preenche essas lembranças."

Ana Glória na posse de Anísio Brasileiro de Freitas Dourado, Reitor da UFPE. “A luta de trazer um campus da UFPE para Timbaúba-PE é muito grande, mas me sinto muito feliz em ser uma ex-aluna da UFPE que está contribuindo para a realização desse sonho na minha cidade natal.  Em âmbito nacional existe uma corrente de contribuições e apoio à implantação do Campus. Grandes timbaubenses, anonimamente, estão de mãos dadas em torno da  implantação da UFPE em solo timbaubense”.

      E assim, conhecemos um pouco de Ana Glória Ferreira de Araújo, uma timbaubense que convive com as recordações que moldaram sua personalidade e que norteiam sua caminhada dia e noite. Finalizando seu depoimento exclusivo ao PASSARELA CULTURAL, a Diretora de Segurança Alimentar e Nutricional de Timbaúba  disse emocionada: "Guardo para sempre comigo as lembranças dos domingos timbaubenses, quando  eu  ia com Teotônio fazer visitas nas casas das senhoras que trabalhavam na minha casa e moravam no Alto da Independência,  Dona Biu e Ana, lavadeiras, pessoas sábias que sabiam o verdadeiro sentido da Vida. Nas  casas humildes existiam  uma cadeira para descansar a subida do morro e o terreiro bem limpinho,com a vassoura de galhos de mato. Outras tinham um tronco de árvore na frente para sentar. Tudo tão carinhoso... Sempre tinha um bolo feito com muito amor e tapioca de coco ou cocada com café para tomar.O dia era tão feliz que parecia que estávamos bem pertinho do céu. Lá longe as estradas de barro que davam acesso à Princesa Serrana. Imagens únicas de minha infância feliz".
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DE ALAGOAS PARA O MUNDO - Assis, um anjo do Ginásio São José

Daslan Melo Lima

          Meu telefone celular tocou na tarde cinza de quinta-feira, 24/11/2011. Era a voz do Apolônio Cardoso, conterrâneo-contemporâneo, para me dizer que Francisco de Assis Pereira, um dos referenciais da educação da nossa amada São José da Laje tinha sido convocado por DEUS para uma nova missão em outra dimensão. Apolônio Cardoso disse-me  “... eu já sabia que o mesmo estava doente, acamado, mas nós nunca estamos preparados para esse tipo de noticia. Principalmente de uma pessoa que marcou a nossa vida, a vida de nossa família. Sou muito e serei sempre grato a tudo que ele fez por mim e por toda a minha família. Lamento profundamente, apenas peço e rogo a Deus para que conforte a sua  esposa Dona Valda e seus maravilhosos filhos e netos.“

Francisco de Assis Pereira nasceu no dia 18/02/1935, na cidade de Ouricuri, PE, filho de Camilo José Pereira e Celina das Neves Pereira.  Faleceu em São José da Laje, AL, em 24/11/2011. Era casado com Valda de Oliveira Pereira e deixou cinco filhos: Fabíola de Oliveira Pereira, Fabian Klaus de Oliveira Pereira (Didiu), Francisco de Assis Pereira Júnior (Bolinha), Frances Maria de Oliveira Pereira e Flavyanne de Oliveira Pereira.

         De repente, um filme, em nostálgico preto e branco passou em minha cabeça. Eis-me em São José da Laje, aluno da 1ª série ginasial, final de ano. Assis foi meu primeiro professor de matemática, uma matéria que eu não gostava. Fui reprovado em matemática e fiquei para segunda época, ou seja, eu só passaria para o 2º ano do curso ginasial se me submetesse a um cursinho preparatório e depois a uma prova. O valor do tal cursinho custava 200 cruzeiros em moeda da época, um valor muito alto para a precária situação financeira do meu pai, o sapateiro Odilon Gomes da Silva. Deus sabe como foi complicado conseguir aquele dinheiro, que tanta falta iria fazer para comprar alimentos. Na hora que passei o valor para Assis, ele conferiu cédula por cédula, olhou fundo nos meus olhos, balançou a cabeça  e disse: “Eu não vou aceitar.Volte com esse dinheiro e devolva ao seu pai”. Que notícia boa! A feira da semana não ia mais deixar de ser feita.
      Na semana seguinte, dia da prova, não consegui responder nenhuma pergunta correta. As dificuldades econômicas do meu pai, os problemas que ele enfrentava por causa de bebida alcoólica e os conflitos entre ele e Ana Melo Lima da Silva, minha mãe, estavam prejudicando a minha capacidade de concentração no estudo. Fui reprovado e tive que repetir e primeiro ano ginasial. Felizmente, mais adiante, com fé em Deus, consegui contornar os problemas e cheguei a tirar algumas notas 10 em Matemática durante o restante do curso e, por extensão, consegui ser o primeiro aluno da classe por várias vezes.  
      Eu nunca esqueci aquele gesto humanitário de Assis.  O seu olhar e a maneira como ele pegou no dinheiro denotava carinho e compaixão para o menino pobre que eu era. A forma como ele me olhou quando recebi a notícia de que fui reprovado no exame de segunda época calou fundo na minh'alma. Foi como ele se dissesse “estude, estude, só assim um dia você  vai superar as dificuldades da vida.”  Assis e outros professores do meu tempo de infância foram anjos do Ginásio São José.
Da esquerda para a direita, Maninho (professor de Matemática), Antônio Aquilino (professor de História), Marcos Pino (professor de Português), Josenira Albuquerque (professora de Português), Amaury Vasconcelos de Andrade (professor de Geografia) e  Francisco de Assis Pereira (professor de Matemática). 
          Fui aluno de quatro deles:  Antônio Aquilino, um ex-seminarista que tinha desistido de seguir a carreira eclesiástica. Com ele, tive algumas das mais empolgantes aulas de História da minha vida; Josenira Albuquerque, a Nirinha, Miss São José da Laje 1965; Dr. Amaury, que sabia conciliar as atividades de dentista com as de professor, que elogiava a beleza das mulheres gregas e adorava poesia; e Assis, um anjo do Ginásio São José, meu inesquecível professor de Matemática,  que um dia, com um simples olhar, deu-me uma das mais preciosas lições da minha vida.

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SESSÃO NOSTALGIA - Maria da Consolação Teixeira e Silva, Miss Piauí 1963

Daslan Melo Lima

          Rio de Janeiro, Maracanãzinho, noite fria de 22 de junho de 1963, eleição da mulher mais bela do Brasil. Quem não conheceu o tempo áureo do concurso, não tem ideia da grande importância que o evento despertava em todo o Brasil. O texto adiante, publicado na revista O Cruzeiro, de 13/07/1963, dá uma noção da grandiosidade do evento.  

"Foi a maior cheia do estádio. Era um mar de cabeças nas arquibancadas – do chão ao teto – Se o IBGE baixasse no Maracanãzinho reuniria estas cifras: 14.000 arquibancadas, 3.200 cadeiras, 1.000 mesas, 1.000 cadeiras especiais, 500 repórteres e fotógrafos, 50 garçons, 12 copeiros, 4 maitres, 10.000 refrigerantes, 5.000 cervejas, 150 soldados da PM, 200 funcionários do estádio, 30.00 salgadinhos, 100 barras de gelo, 6 maquiladoras, 10 quilos de cosméticos, 32 espelhos para as Misses e 161 lâmpadas de 1.500 ws, que iluminaram a maior promoção-beleza de todos os idos. Calculando por baixo, sem exagero latino, o Maracanãzinho  estava na sua carga máxima (digamos): 30.000 pessoas. Foi safra excelente para aos cambistas, que revenderam mesas de Cr$ 8.000 por Cr$ 50.000,00, e arquibancadas de Cr$ 300,00 por Cr$ 1.500,00."

       Vinte e quatro jovens disputaram o título máximo da beleza brasileira, conquistado por uma gaúcha maravilhosa chamada Ieda Maria Vargas, que depois traria de Miami Beach o título de Miss Universo. 

"Pela primeira vez, desde que existe o concurso, o público, os jurados e as próprias candidatas concordaram em que a coroa de Miss Brasil só poderia cingir a cabeça de Miss Rio Grande do Sul, Ieda Maria Vargas." 
(Manchete, 06/07/1963)

         Todavia, entre as 24 moças, havia uma que poderia muito bem ter conseguido um lugar entre as finalistas, tanto que a maior revista da época, O Cruzeiro, integrante dos Diários e Emissoras Associados, promotores do certame, referiu-se a ela como "a  grande  esquecida do júri". Seu nome : Maria da Consolação Teixeira e Silva, Miss Piauí. Segundo a revista, a piauiense empatou com Miss Pará na disputa por uma posição entre as oito finalistas. No desempate, venceu a paraense Nilda Medeiros, irmã de Gilda Medeiros,  Miss Pará 1955, terceira colocada no Miss Brasil 1955. Nilda Medeiros obteve o sétimo lugar, mas de acordo com a revista Manchete, de 06/07/1963, ... não ficou entre as três finalistas por causa da profunda cicatriz de vacina em seu braço.”
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A GRANDE ESQUECIDA DO JÚRI: - Miss Piauí, pouco promovida antes do concurso, foi a grande surpresa no desfile de maiô, de vestido de baile e típico. Entretanto, não foi classificada.(O Cruzeiro, 13/07/1963)
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O primeiro traje típico de uma Miss Piauí - Vaqueiro do Nordeste, traje confeccionado em pele de veado capoeiro, trabalhado em fios e em lâminas de ouro, chapéu, gibão peitoral, sapatos e rebenque. (O Cruzeiro, 13/07/1963)
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"Maria da Consolação Teixeira, Miss Piauí, era a de traços mais delicados." (Manchete, 06/07/1963)
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Maria da Consolação Teixeira e Silva, de cabelos soltos, Miss Piauí 1963, e Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul-Miss Brasil-Miss Universo 1963.
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          Quando entrevistei o missólogo piauiense Fernando José Bandeira para esta secção, em 08/10/2011, perguntei qual a Miss Piauí mais injustiçada da história do Miss Brasil.  Resposta: "Essa é fácil! Maria da Consolação Teixeira e Silva, Miss Piauí 1963. Há muita especulação em torno de sua desclassificação como semifinalista no Miss Brasil, desde política, desempate e até preconceito. Concurso de Miss é mesmo um sonho, uma verdadeira fábula. Mas, Consolação Teixeira foi realmente prejudicada naquele ano". Quando perguntei qual a Miss Piauí que teria sido uma ótima Miss Brasil, Fernando Bandeira respondeu: "Maria da Consolação Teixeira e Silva, em 1963.  A exemplo do que foi, bela, elegante e serena, acredito nessa possibilidade. Isso sem contestar a vitória da gaúcha Ieda Maria Vargas, Miss Brasil, Miss Universo 1963".

          Maria da Consolação Teixeira e Silva, que representou  o Jockey Club do Piauí no concurso estadual, permaneceu no seu Piauí depois do Miss Brasil. Casou, mora em Teresina e teve três lindos filhos, incluindo Rachelle, A Mais Bela Estudante do Piauí  de 1983. Tão bela como a mãe, Rachelle recusou todos os convites recebidos para disputar o título de Miss Piauí. Talvez   não tenha aceito o convite com receio de ser eleita,   e na disputa do  Miss Brasil ser esquecida pelo júri, como um dia foi sua mãe Maria da Consolação Teixeira Silva, um dos maiores ícones da beleza do Piauí de todos os tempos.
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A eterna Miss Piauí 1963, cinquenta anos depois. 
Foto: Raoni Barbosa/Revista Cidade Verde, maio de 2013.

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domingo, 20 de novembro de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - DIRCE MACHADO, MISS RENASCENÇA 1960

Daslan Melo Lima
PRÓLOGO

          “Uma negra foi eleita Miss Universo 2011”. A imprensa do mundo inteiro divulgou essa notícia em setembro último, referindo-se à vitória da bela Leila Lopes, Miss Angola.  Caso a vencedora tivesse sido uma candidata de cor branca, ninguém diria: “Uma branca foi eleita Miss Universo 2011.”
         Domingo, 20/11/2011, Dia de Zumbi, Dia Nacional da Consciência Negra e Dia Nacional de Combate ao Racismo. O assunto mexe com minh’alma de forma extraordinária, pois sou um dos milhares de brasileiros que traz no tom da pele histórias de luta e sofrimento de uma raça que tanto contribuiu para a construção da nação brasileira. Meu pai era mulato, filho de uma negra que foi abandonada pela família quando um branco a engravidou. Minha mãe era branca, filha de uma morena com um louro de olhos azuis. Cresci às margens do Rio Canhoto, em São José da Laje, Alagoas, roteiro dos negros escravos que na época da escravidão buscavam refúgio na Serra da Barriga, na vizinha cidade de União dos Palmares, berço de Zumbi. 

  Dirce Machado, Miss Renascença 1960

          Nesta Sessão Nostalgia rendo um tributo a Dirce Machado, Miss Renascença, quarta colocada no Miss Guanabara 1960, a primeira brasileira negra a alcançar extraordinário sucesso em um concurso oficial de beleza onde a maioria das concorrentes era de cor branca.

RENASCENÇA, A FUNDAÇÃO DO CLUBE,  OS FUNDADORES E O PERFIL DE SUAS MISSES 

          O texto abaixo foi transcrito do livro A ALMA DA FESTA, de Sonia Maria Giacomini – Editora UFMG-Universidade Federal de Minas Gerais- 2006. A autora é doutora em Sociologia, mestre em Antropologia Social e professora do departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio. A Alma da Festa, abordando família, etnicidade e projetos no Renascença Clube, originalmente foi uma tese de doutorado em Sociologia, ganhadora em 2005 do Prêmio IUPER (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, unidade de Pós Graduação, Mestrado e Doutorado em Sociologia e Ciência Política da UCAM-Universidade Candido Mendes.

O Renascença Clube foi fundado em 17 de fevereiro de 1951 na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, como “clube social, recreativo, cultural e esportivo”. Entre os objetivos da associação, o Artigo 2º do Estatuto alinha a intenção de “promover e estimular a união e o espírito de solidariedade entre os sócios e pessoas de suas famílias sem qualquer prevenção de preconceito”.
À época de sua criação, o Renascença Clube contava com um núcleo de 29 sócios fundadores, todos negros segundo os relatos e registro. É marcante a presença feminina neste momento de criação e estruturação do Clube, já que elas eram 18 no grupo fundador – contra 11 homens – e duas na primeira Diretoria – contra quatro homens. A mulher do grupo fundador do Renascença é idealmente a mulher de família, isto é, honrada, culta, bem-vestida, elegante e, sobretudo, refinada. Essa mulher negra ideal, digna, é o produto e, quando casada, simultaneamente o centro de uma família sólida, bem-estruturada, que propicia o acesso ao estudo e a uma educação requintada. Esse ideal feminino permanece encarnado à perfeição na figura da miss ou rainha da primavera de outros concursos de beleza similares, promovidos pelo Clube nessa época. A miss é sempre a filha, sobrinha, afilhada de algum sócio que, durante alguma das muitas ocasiões de convívio e sociabilidade, é, por sua simpatia, beleza, elegância e boa educação, convidada, geralmente pela Diretoria Social, para participar do certame. A miss do concurso deve ser “bela”, à imagem dos certames de beleza tão em voga, no período, na cidade e no Brasil, mas, sobretudo, de uma beleza que não deixe margem a evocações que possam ser contrárias à honra. A miss é de uma beleza digna e honrada: com “brio”, “requinte”, “distinção”...
Os primeiros concursos de rainha – ou de miss – promovidos no Renascença Clube, como a grande maioria das atividades da primeira década, eram eventos internos, organizados pelos e para os associados. Ao final dos anos 50, vieram dar um novo impulso à vida social, somando-se aos saraus, desfiles de moda, bailes, almoços e coquetéis, que reuniam nos finais de semana quase sempre as mesmas pessoas e família. Progressivamente os concursos começam a se impor sobre o conjunto da vida social, e vai se evanescendo a aura doméstica, ou familiar, se se preferir, que haviam herdado dos anos 50. A regularização e prestígio do Concurso Miss Renascença sinalizarão a entrada em uma nova era.
As transformações dos concursos em eventos mais amplos e com maior visibilidade são invariavelmente associadas ao nome de uma sócia, Dinah Duarte, proprietária de um conhecido salão de beleza mo Méier, subúrbio carioca não muito distante do centro da cidade. Dinah é apontada em todas as entrevistas, se não como a criadora do concurso, ao menos como a grande responsável pela incorporação de inovações que tornaram um evento, inicialmente tímido e restrito, em algo considerado realmente importante, impactante e significativo. Com Dinah Duarte, afirmam os entrevistados e as inúmeras matérias colhidas em revistas de grande circulação e em diversas edições do Jornal do Renascença, os concursos realizados no Clube iniciam uma nova fase voltada para a preparação e disputa nos certames estaduais, competindo abertamente com as candidatas de outros clubes.

DIRCE MACHADO, MISS RENASCENÇA 1960

         Vamos entrar no Túnel do Tempo e rever a trajetória de Dirce Machado, a primeira deusa do ébano da história do Miss Guanabara-Miss Brasil.

As 24 candidatas ao título de Miss nº 1 da Guanabara começaram a operação-maquilagem às 17 horas, para o desfile que só teve início às 21.30. O Maracanãzinho, na noite do dia 4, estava quase repleto. O público dividia-se em torcidas contra a mensagem azul das passarelas, onde as moças bonitas deram os 270 passinhos aprendidos na Socila. 52 lâmpadas de mil “watts” iluminaram o canteiro de belas. E assim todo o Maracanãzinho pode ver, em detalhes, as concorrentes, que desfilaram de vestido de baile e, depois, de maiô. Sucesso, sem dúvida, tanto para o público como para os entendidos, foi Dirce Machado, do Renascença. Depois que o “Orfeu do Carnaval” deu curso internacional à mulata, como produto genuinamente brasileiro, as semi-“coloreds” passaram ao domínio da passarela. E eis que Dirce abalou o Maracanãzinho, vindo, ao final, a obter a quarta colocação. E notem que grande parte dos espectadores votou nela para melhor colocação. (O Cruzeiro, 18/06/1960)

Dirce Machado foi a sensação da noite. Mulata elegante e bonita, ela empolgou o público, que a aplaudiu todo o tempo em que estve na passarela. Dirce é recpcionista num cabeleireiro da Tijuca, mora em Catrumbi e foi apresentada pelo Renascença Clube, no Méier. É carioca, mede 1,65m, pesa 508 quilos e veste manequim 44. (Manchete, 18/06/1960)

Dirce Machado entre as 8 finalistas do Miss Guanabara 1960. Da esquerda para a direita: Elvira Bela Grubel (Miss Jacarepaguá, oitava colocada), Martha Vieira Angermann (Miss Fluminense, sexto lugar); Dirce Machado (Miss Renascença, quarta colocada); Maria Helena Thomé (Miss Uruguai Clube, segundo lugar); Gina Macpherson (Miss Botafogo, primeira colocada); Shyrley da Silva Carneiro (Miss Grajaú, terceiro lugar); Elenita Teixeira Lôbo (Miss Marã, quinta colocada); e Sônia Brasil Pinto (Miss Vasco da Gama, sétimo lugar). ***** (O Cruzeiro, 18/06/1960)
EPÍLOGO


         Há um ano, ouvi uma figura influente dizer que não adiantava mandar uma negra para disputar um título de Miss, pois o preconceito existia. Imagine isso em 1960 ! Aplausos, mil aplausos para Dirce Machado, Miss Renascença 1960, que tanto contribuiu para elevar a auto-estima de milhares de jovens negras, num tempo em que racismo não dava cadeia.
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