Daslan Melo Lima
PRÓLOGO

No dia 27 de janeiro deste ano, recebi um e-mail de Maria Helena agradecendo as matérias a ela dedicadas. Logo em seguida, ela telefonou para mim, outras ligações se sucederam e podemos dizer que ficamos amigos. Oportunamente, quando eu for ao Rio de Janeiro, iremos nos conhecer pessoalmente. Esta primeira secção de março de 2012 é fruto de um encontro que houve entre a vice-Miss Guanabara 1970 e o meu amigo Muciolo Ferreira, jornalista e missólogo pernambucano, o maior fã da eterna Miss Telefônica Atlético Clube 1969/1970. A primeira vez que Maria Helena fez contato comigo, estabeleci a ponte virtual entre ela e Muciolo, que foi passar o carnaval no Rio e lá entrevistou esta deusa da época de ouro do Miss Brasil.
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MARIA HELENA LEAL, A BELEZA PERMANECE NA ALEGRIA DE SORRIR (As impressões e as surpresas de um repórter diante de uma Miss de verdade)
Por Muciolo Ferreira, jornalista.
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Conhecer pessoalmente uma das mulheres mais bonitas do país, que estampou as capas das principais revistas semanais brasileiras, como O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos, não estava previsto na minha Agenda 2012 de Carnaval no Rio de Janeiro. Todavia, duas semanas antes de embarcar para a folia carioca, recebi um telefonema de Daslan Melo Lima, editor do blog PASSARELA CULTURAL, informando ter recebido um e-mail de Maria Helena Leal, Miss Telefônica Atlético Clube 1969/70, e vice-Miss Guanabara 1970, dizendo ter ficado encantada e sensibilizada com as matérias dedicadas a ela e publicadas na Sessão Nostalgia, um espaço que o blog dedica semanalmente às misses do passado.
Diante desse fato, pedi ao Daslan o endereço da Miss da minha adolescência, porque não poderia deixar passar em branco uma oportunidade ímpar e, quem sabe, conseguir uma entrevista. Até porque foi ela que reforçou em mim o gosto de acompanhar os concursos da época de ouro do Miss Brasil. Surpreendentemente, no mesmo dia em que enviei meus contatos, eis que recebo um telefonema da própria Maria Helena quando estava saindo do chuveiro depois de um dia de verão escaldante na Capital do Frevo. Foi mais de uma hora de muita descontração, troca de gentilezas, mas nada de garantia de uma entrevista. Ela relutava em aparecer para o seu fã da adolescência 43 anos depois. Mas insisti, insisti tanto que os argumentos acabaram por convencê-la. Não sei se foi pelo cansaço. No dia e hora da entrevista mal conseguia segurar a ansiedade. Parecia até que eu era um foca na sua primeira entrevista como repórter-estagiário.
O encontro ocorreu numa confeitaria situada na esquina da Rua Santa Clara com Nossa Senhora de Copacabana. Era um final de tarde bem carioca de uma sexta-feira após o Carnaval. A primeira impressão é a que fica. Encontrei uma mulher madura que o tempo não alterou os traços naturais. Nada de rosto plastificado ou com botox. Apenas uma leve maquiagem ao redor dos brilhantes olhos castanho-claros. O sorriso era o mesmo, franco, sonhador e com jeito de moleque. A calça jeans, a blusa estampada em tons florais e o sapato de salto alto destacavam a silhueta esguia e elegante de uma Miss de verdade, que não foi fabricada ou imposta.
A conversa foi bastante descontraída e rolou das 17h30min até as 22h40min, quando trocamos a confeitaria e o chá da tarde por uma pizzaria. Falamos sobre tudo: família, filhos, trabalho, dinheiro, sexo e paixões. Confiram a entrevista.
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MUCIOLO FERREIRA: Quem é Maria Helena Leal da Costa Pinto?
MARIA HELENA LEAL: Um ponto de interrogação. Descubra se você for capaz.
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MF: Qual sua melhor passarela?
MHL: Em cima de uma maca sendo filmada a caminho da sala de cirurgia para ter Agnes, minha primeira e única filha.
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MF: Qual a palavra mais bonita num concurso de Miss?
MHL: Mulher.
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MF: E a palavra mais feia?
MHL: Inveja.
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MF: Um momento de saudade dos tempos do Miss Guanabara?
MHL: Quando conheci uma pessoa, o filho de um Ministro.
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MF: Defina 1969.
MHL: Revistas, glamour.
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MF: E 1970?
MHL: Derrota.
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MF: Valeu a pena ter sido Miss duas vezes?
MHL: Sinceramente, não. Até porque em 1970 minha cabeça já era outra. Tinha passado aquele encantamento da primeira vez em 1969, quando ao passar por uma banca de jornal deparei com minha foto estampando a capa da revista Manchete. Em 1970, só participei do Miss Guanabara por gratidão aos diretores do Telefônica Atlético Clube que foram muito bacanas, gentis e tinham o maior respeito comigo. Tratavam-me como um membro da família. .....
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MF: Um motivo de arrependimento?
MHL: De não ter feito concessões. Meus valores eram maiores do que qualquer fazenda, avião particular, viagens internacionais, conta bancária, fortuna mesmo, rios de dinheiro e anéis de brilhantes prometidos. Eu nunca tive sangue para ser p...
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MF: Amores?
MHL: Muitas paixões. E todas sem interesse material.
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MF: Terceira idade?
MHL: Faço parte dela (risos).
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MF: Plásticas nos concursos de Miss?
MHL: Totalmente contra.
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MF: Uma Miss Guanabara inesquecível?
MHL: Vera Lúcia Couto dos Santos, de 1964, representante do Clube Renascença. É tão lembrada que até no Carnaval a marchinha mais executada é “Mulata Bossa Nova” composta por João Roberto Kelly em sua homenagem. Não dá pra esquecê-la, não é?
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MF: Uma Miss Brasil inesquecível?
MHL: Martha Rocha.
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MF: Uma Miss Universo inesquecível?
MHL: Com certeza, a de 1963, Ieda Maria Vargas. Que mulher era aquela? Nunca teve outra igual. Ela tinha tudo: beleza, classe, estilo...
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MF: Sonho realizado?
MHL: Minha filha Agnes.
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MF: Ocupação atual?
MHL: Professora de Educação Física do Estado do Rio de Janeiro, onde dou aulas de natação e hidroginástica nas escolas do Ensino Fundamental e Médio. .....
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MF: Perfume?
MHL: Eternit.
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MF: Prato preferido?
MHL: Cozinha oriental.
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MF: Lazer, hobby?
MHL: Meu hobby é amar. Mas estou há 12 anos sem saber o que é isso (risos...)
Entre uma conversa e outra, tiramos fotos. Fiz as perguntas que desejava ouvir e obtive respostas firmes, diretas e sem rodeios. O Relações Públicas do cerimonial da Prefeitura do Recife, Wilton Condé, testemunhou o nosso encontro e fez as fotos que ilustram essa matéria. Foi um encontro de amizade e respeito mútuo com sabor de quero mais. Eternizei.
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EPÍLOGO
Jairo da Costa Pinto Filho, Agnes e Maria Helena
Maria Helena Leal Costa Pinto é viúva do médico otorrino Jairo da Costa Pinto Filho, uma personalidade humanitária que dirigiu um hospital carioca, falecido em 27/12/2001. Maria Helena mora no Rio, é professora de Educação Física e mãe de Agnes, sua única filha, fruto do seu casamento com o Dr. Jairo Costa.
A propósito do encontro com Muciolo, Maria Helena me confessou o seguinte: “Amei estar com os meninos. São alegres, simpáticos, gentis e de bem com a vida. Foi uma excelente energia e um "levantamento" de auto-estima. Amei! Parecíamos três crianças. Agora só falta você.”
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..........As revistas com Maria Helena Leal na capa são algumas das preciosidades do meu acervo, memórias de uma época em que o vento beijava seus longos cabelos e as ondas do mar iam morrer aos seus pés. Quarenta e três anos depois, sua beleza permanece na alegria de sorrir, diz Muciolo Ferreira. E eu, e o vento e as ondas do mar iremos espalhar essa verdade para todo o território deste imenso país-continente chamado Brasil.