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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 733, referente ao período de 06 a 12 de outubro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 19 de setembro de 2015

“Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.”


SABERES DIFERENTES – A Escola de Referência em Ensino Médio Jornalista Jáder de Andrade recebeu no dia 03 a visita de Paulo Dutra, Secretário Executivo de Educação Profissional e Integral do Estado de Pernambuco, o qual proferiu uma palestra para os alunos do educandário. Enquanto estava atento ao que ele falava, ao mesmo tempo registrava algumas imagens para a minha coluna sociocultural do jornal Correio de Notícias e mergulhava na citação de um ícone da pedagogia, Paulo Freire (1921-1997), gravada numa coluna do auditório: “Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.” ***** O pedreiro que está concluindo uma pequena obra na minha casa, não saberia estar aqui no meu lugar digitando e compondo esta crônica; em compensação, eu não seria capaz de construir uma parede. Insondáveis saberes diferentes, cada um com sua missão. – Daslan Melo Lima.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Dona Santa e o segredo da felicidade


Dona Santa e o segredo da felicidade: "tenho alegria todo dia"
 

         
          Na tranquilidade de um rosto marcado pelas linhas de quem já ultrapassou oito décadas de vida está uma mulher simples e generosa. Em 1996, Santina Pessôa Bezerra, ou simplesmente Dona Santa Pessôa, coordenadora paroquial da Pastoral da Criança, em parceria com o então pároco de Timbaúba, o Cônego Orlando do Nascimento Silva e com o Movimento Mãe  Rainha, inaugurou a Creche Mãe Rainha, organização não governamental, com personalidade jurídica de direito privado, filantrópico de caráter beneficente, assistencial e educacional, sem fins lucrativos. Inicialmente, a creche foi instalada numa pequena residência cedida por Lucy Pessoa Bezerra, na Vila da Cohab, atendendo doze crianças com idade de zero a seis anos. Diante da grande procura das mães carentes, o espaço tornou-se pequeno e passou a funcionar na APA - Ação Paroquial de Assistência, até que em 2012 instalou-se  num imóvel de propriedade de Emilinha Melo, na  Praça Jáder de Andrade, 89, atendendo hoje uma média de 80 crianças.
       Nascida no dia 20/03//1924, Dona Santa foi criada no seio de uma família numerosa, doze irmãos, fez o curso  ginasial e sempre demonstrou vocação religiosa. Sonhava ser freira e não casou. O destino deu outro rumo à sua caminhada. Aposentada como costureira, acorda cedo e passa o dia inteiro na creche. Fala pouco de si, limitando-se a informar que tem alegria todo dia, mas os olhos ganham um brilho especial quando o assunto é a missão da instituição. 
      “A administração da casa é formada por uma diretoria eleita para um período de dois anos. Temos a colaboração de um médico pediatra, um assistente social, uma psicóloga, um advogado e outros voluntários. Conforme a nossa proposta de trabalho, os pais são estimulados a participar das reuniões mensais de avaliação e desenvolvimento das crianças e também incentivados a colaborar nas atividades da creche, quando necessário.  Servimos quatro refeições por dia.  Aos que desejarem colaborar conosco, peço que façam contato através do e-mail crechemaerainha1996@gmail.com, ou pelo telefone (81) 3631.0756.”
        Dona Santa tem no seu currículo dois prêmios importantes: o Troféu Madalena Arraes,  de Mulher do ano de 2009; e a Comenda Isnar Cabral de Moura, outorgada pela Funjader - Fundação Jáder de Andrade, em 2014. Honrarias mais que merecidas para uma pessoa iluminada que diz ter alegria todo dia e que encontrou o segredo da felicidade: fazer o bem e contribuir para a construção de um mundo melhor.  
   
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MEMÓRIA TIMBAUBENSE




TÚNEL DO TEMPO – Naquele 1968, o nosso País vivia uma delicada transição política.  Os estudantes iam às ruas em protesto contra o governo militar que estabeleceu o Ato Institucional nº 5, suprimindo direitos políticos e individuais em prol do fortalecimento da repressão. Nesse clima conturbado, Nilza Simões, o irmão Nicomedes (em memória) e a amiga Verônica Lucena passaram alguns dias no Rio de Janeiro. 
A foto em preto e branco é testemunha de um tempo onde, por coincidência, uma das músicas mais tocada chamava-se "Retrato em Preto e Branco", de Chico Buarque de Holanda, que diz "Eu trago o peito tão marcado / De lembranças do passado / E você sabe a razão / Vou colecionar mais um soneto / Outro retrato em branco e preto / A maltratar meu coração.”

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Roteiro poético de Timbaúba


A embarcação e um mar sereno. Tudo azul, tranquilamente azul. O pequeno mural de azulejos afixado na varanda da Creche Mãe Rainha, na Praça Jáder de Andrade, leva nossos sentidos para navegar ao lado da brisa do mar das nossas fantasias, azuis ou multicores.    

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SESSÃO NOSTALGIA – Zélia Medeiros, Miss Paraíba 1966, deixa o relógio me olhar

Daslan Melo Lima

     No Estado da Paraíba, quando o assunto é beleza, o nome de Zélia Maria Neves de Medeiros, ou simplesmente Zélia Medeiros, Miss Paraíba 1966, é tido como ícone. 


Loura, 18 anos de idade, Miss Cabo Branco, Miss Paraíba 1966, aluna do tradicional Colégio Nossa Senhora de Lourdes, Zélia Medeiros desfilou na passarela do Sport Club Recife, durante um dos intervalos do concurso Miss Pernambuco 1966. ***** Foto: Clodomir Bezerra/O Cruzeiro, Ano XXXVIII, nº 39, 29/06/1966.
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      Zélia Medeiros conquistou os pernambucanos e recebeu todo o apoio de personalidades ligadas ao mundo da mídia e da beleza, tais como José de Souza Alencar, o Alex; Fernando Barreto; Múcio Catão; João Alberto;  Arnaldo Nolasco; Timbi; Marcílio Campos (que confeccionou o traje de gala com o qual ela desfilou no Maracanãzinho); e a empresa Varig.


         Zélia Medeiros foi garota-propaganda da empresa A Girafa Tecidos. Um poema de sua autoria, O Relógio e o Espelho, foi destaque na revista Tambaú, nº 3, 1966.
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O Relógio e o Espelho

Zélia Medeiros

E o espelho reflete o ar triste e acabrunhado.
Que dizes de mim?
Que pensas?
Que sou um punhado de rosas,
Espinhos que furam as mãos do jardineiro?
Que sou uma vela de que o pavio arrancaram?
Mentes, espelho!
Refletes somente a face da beleza dos cosméticos.
Não te agradecerei se me olhares,
com estes lindos olhos cor de miosótis.
Não te agradecerei se me olhares,
com esta boca rubra de desejos oprimidos.
És mudo, inerte, intransponível,
na tua face de retratar a alma.

Fazes então como o relógio...
Que canta músicas alegres, tristes,
mas que canta!
Canta canções de ninar!
Marca horas angustiantes.
Marca abraços de instantes.
O relógio que corre mundo
e volta ao lar.
O relógio trabalhando ou a parar;
Atrasando-me em me adiantar;
eu o prefiro ao teu fitar
frio e vulgar.
Para, espelho! Para!
Deixa o relógio me olhar.

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     Na décima nona tarde deste setembro de 2015, que logo mais será passado, revendo imagens de Zélia Medeiros, eu pergunto ao tempo por onde anda a eterna Miss Paraíba 1966. 
    Em algum lugar deste nosso imenso Brasil, ela deverá estar mais sábia. Eu também estou mais sábio, embora o espelho frio não reflita minh’alma. Faz muitos anos que ele deixou de refletir o rosto jovem do adolescente que um dia eu fui. Por isso, agora, declamo em silêncio um trecho do poema de Zélia Medeiros. 

O relógio trabalhando ou a parar;
Atrasando-me em me adiantar;
eu o prefiro ao teu fitar
frio e vulgar.
Para, espelho! Para!
Deixa o relógio me olhar.

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PAUSAS NA PASSARELA - Taynara Gargantini, uma "paranabucana" de olho no título de Miss Panamericana Internacional 2015

 Daslan Melo Lima        

         
          Os que fazem a Organização Miss Brasil Latina apresentaram recentemente a  representante do nosso País num dos mais tradicionais concursos de beleza do mundo, o Miss Panamericana Internacional, que acontece todos os anos em Los Angeles, Estados Unidos, este ano comemorando  a sua 30ª edição. Ela é Taynara Santana Gargantini, ou simplesmente Taynara Gargantini, Miss Brasil Panamericana Internacional 2015.  
      Taynara Gargantini nasceu em Paranavaí, Paraná, em 20/02/1990, e morou seis anos no Recife. No seu currículo constam os seguintes títulos de beleza: Miss Clube dos  Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco, Top 10 e Miss Simpatia do Miss Pernambuco 2011; Miss Paraná Latina, Miss Simpatia e segundo lugar no Miss Brasil  Latina 2012; Miss Pernambuco Mundo 2013; Miss Paranavaí Universo 2014; e Reina Internacional de la Ganderia (Rainha Internacional da Agropecuária) 2014, tradicional concurso de beleza  que é realizado todos os anos em Córdoba, Colômbia.
         
          No dia 03 de outubro, Taynara viajará para Los Angeles em busca de mais esse título cuja final está agendada para 10 de outubro. "Eu só tenho a agradecer a Deus as oportunidades maravilhosas que Ele tem proporcionado em minha vida. Aos coordenadores Fernando Bandeira Diniz e Luiz Welter de Souza serei eternamente grata por me escolherem para representar o Brasil no Miss Panamericana Internacional 2015, em Los Angeles, Estados Unidos. Obrigada pelo carinho e pela confiança no meu trabalho. Em outubro serei mais uma vez Brasil lá fora. Vou trabalhar muito para dar o meu melhor e buscar essa coroa para o Brasil. Que venha mais um desafio!”, declarou emocionada, com um quê a lembrar Grazielli Soares Massafera, Miss Brasil Beleza Internacional 2004, a hoje atriz global Grazi Massafera.

       Conheci pessoalmente a Miss Brasil Panamericana Internacional 2015 no dia 25/10/2011, no Teatro Boa Vista, Recife, quando da eleição da Miss Brasil Latina 2012. Eu estava na comissão julgadora e ela na passarela, onde conquistou um honroso segundo lugar. 


Beleza: Igor Braga, usando maquiagem Makiê. Vestido: Alisson Fernando Couture. Biquini: Companhia da Moda. Fotos: Guto Costa

       Gosto de chamá-la de “paranabucana”, assim como a define Walberto Camará, que a lançou nos concursos de beleza em Pernambuco. "Paranabucana", a mistura perfeita do frio do Paraná com o calor de Pernambuco.  Se depender da sua determinação, carisma e atributos físicos muito bem distribuídos em 1,74 de altura, Taynara Gargantini voltará para o Brasil vitoriosa, mesmo que não conquiste o cobiçado primeiro lugar. 

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sábado, 5 de setembro de 2015

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

A MUSA DO TIMBAÚBA FUTEBOL CLUBE



Jady Torres de Moraes, estudante, 18 anos, é a Musa do Timbaúba Futebol Clube 2015. 

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SESSÃO NOSTALGIA - As musas da Casa Canadá, berço do glamour carioca nos anos 50 e 60

A edição da revista Joyce Pascowitch de agosto 2015 dedicou seis páginas a uma das maiores referências de glamour da história brasileira, a Casa Canadá. A reportagem, que  tem a assinatura do jornalista Renato Fernandes, contou com algumas informações prestadas por mim, com base no meu acervo de publicações que marcaram epóca na imprensa do nosso País, O Cruzeiro e Manchete. Abaixo, transcrevo a reportagem na íntegra, como um documento precioso de um tempo que se foi, com o meu abraço a você, leitor, leitora, e os meus votos de um setembro iluminado, poeticamente e espiritualmente iluminado. - Daslan Melo Lima.

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CERTINHAS PERO NO MUCHO


Por Renato Fernandes

(Getty Images)

Concentração do high society carioca nas décadas de 1950 e 1960, a Casa Canadá era um dos locais preferidos para locomotivas gastarem fortunas em modelitos. Os desfiles eram feitos por manequins que marcaram época, frequentaram os grandes  salões, figuraram em colunas sociais e até mesmo arrumaram um “bom partido”.

          Nos anos dourados, tendo o Rio de Janeiro como berço, a Casa Canadá de Luxe era o endereço certo para senhoras da alta sociedade carioca – e do resto do Brasil – comprarem. Situada na avenida Rio Branco, a butique funcionava sob o comando de Mena Fiala e de sua irmã Cândida, que fazia as compras em Paris até cinco vezes por ano. “Quando eu recebia um convite para uma festa, na mesma tarde já saía correndo para comprar um vestido novo. Era assim com todo mundo: para cada jantar, uma roupa. A Casa Canadá de Luxe era uma delícia”, conta Martha Rocha em sua biografia. Os desfiles realizados por lá geravam congestionamento de Cadillac rabo de peixe. Também consolidaram a profissão de manequim, procuradas por anúncios em jornais. Para isso eram necessários: beleza, elã, cinturinha 58 cm e, no mínimo, 1,70 metro de altura.
          Em 17 de junho de 1945 aconteceu o primeiro desfile. As modelos eram contratadas e exclusivas: “Entravam às 9h e só saíam às 17h. Tinham de estar sempre prontas para desfilar caso chegasse um cliente”, revelou Mena Fiala à revista Manchete em 1988. “Era Mena quem selecionava e ensinava as manequins a desfilarem, em estilo francês. Nessa época, os desfiles eram muito intimistas, com locutor e normalmente sem passarela”, diz Manoel Borrelli, dono da agência BRM Models. “A importância que representava para uma manequim ser contratada pela Canadá de Luxe era a certeza de arranjar um casamento”, afirmou o jornalista Tarlis Batista na Manchete. As manequins da Canadá de Luxe tiveram uma legião de fãs e admiradores secretos. Em seus desfiles regados a petit fours era possível ver o escritor José Lins do Rego, o jornalista Antônio Maria e a primeira dama Sarah Kubitschek. Algumas conquistaram seus milionários, mas, para outras, o trabalho servia para pagar as contas e dar um salto maior na carreira. Ser manequim da maison era sinônimo de glamour e luxo – para poucas.
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A atriz Ilka Soares na Casa Canadá de Luxe. ( Arquivo Pessoal publicado no livro “A Bela da Tela”)

Ilka Soares, a bela

          Diferente das demais, quando Ilka Soares começou a desfilar na Canadá de Luxe, seu nome já era um sucesso no cinema nacional – embora estivesse naquele momento sem convites para atuar. Exatamente por isso, Ilka não teve dúvidas e se candidatou para ser manequim da maison. Magra e um dos mais belos rostos do nosso cinema, foi contratada na hora e desfilou por anos. “Aprendi o ofício de manequim também por pura intuição, esforço e disciplina”, conta em sua biografia “A Bela da Tela”, de Wagner De Assis. Como modelo da Canadá, passou a ser convidada para frequentar os salões do high. “Comecei a adorar aquela história de ir ao Country Club, conhecer pessoas interessantes. Muitas eram riquíssimas, esse mundo de luxo é atraente. Sempre tinha um namorico aqui ou ali, mas nada de muito sério”, conclui. Em 1958, a bela protagonizou um romance de mentirinha para a imprensa quando o ator Rock Hudson, um dos maiores galãs de Hollywood na época, veio passar um Carnaval no Brasil. Foram a muitos bailes do Municipal e do Hotel Gloria abraçados, sorrindo e mais nada. Rock era homossexual e, naqueles tempos, assumir, nem pensar: tinha de disfarçar.
           Ilka sempre trabalhou, fez sua parte. Casamentos, teve mais de um. O primeiro com o cineasta e ator Anselmo Duarte, com quem teve dois filhos. Depois, com Walter Clark, teve uma filha. No início dos anos 1970, encabeçou uma campanha de cigarros em que posava ao lado de Leila Diniz, Clementina de Jesus, Elke Maravilha, Danuza Leão e Tania Caldas.
           A atriz fez uma bela carreira no cinema e na televisão, sempre transbordando charme. Aos 50 anos, em 1984, surpresa: posa nua para a revista “Playboy”. “As fotos são lindas! Próprias para uma senhora. Foram feitas por J.R. Duran. Nem recebi tanto dinheiro. Achei que ia viajar, comprar carro, casa, mas não foi bem assim. No final da negociação estava topando pelo desafio”, disse em sua biografia. Nada mal. Ilka também é tida como o primeiro nu do cinema nacional no filme “Iracema” (1949), uma índia de olhos azuis. Da Argentina, um de seus maiores admiradores fala com exclusividade para a J.P, o figurinista e diretor de arte Patrício Bisso: “Em 1987, filmamos Brasa Adormecida. Lembro que nos intervalos das filmagens eu mostrava as fotos dos filmes que Ilka tinha feito no passado e ela se lembrava de todos os vestidos que tinha usado nas películas. Lembrava dos detalhes, tecidos, cores e se ficavam bem ou não”. Hoje, quem passa pela rua Tonelero, no Posto 3, em Copacabana, e vê Ilka pegando um táxi não tem dúvida. A postura, o élan e a elegância são os mesmos dos tempos da Canadá de Luxe.
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A manequim Adalgisa Colombo em pose na Casa Canadá. (Revista Manchete)
  
Adalgisa Colombo, a chic

          Os desfiles na Casa Canadá serviram e muito para Adalgisa Colombo ganhar o concurso de Miss Brasil 1958 e ainda ser nossa vice-Miss Universo. Na primeira noite que desfilou no Maracanãzinho como concorrente de Miss Distrito Federal, tinha todo apoio de dona Mena Fiala, e veio clássica. Nada de cabelos soltos como toda miss costuma até hoje desfilar nas passarelas. Adalgisa surgiu com os cabelos presos, altiva e desfilando como se estivesse na maison. Não era a preferida do público – até então, Ivone Richter, Miss Riachuelo, era a mais aplaudida. “Mena Fiala uma vez declarou: ‘Você tem tudo para ser uma manequim famosa, minha filha. Tem altura, silhueta, estampa… Só não tem idade. Não se pode ser manequim aos 15 anos. Deixe passar um pouco de tempo, depois volte’”, diz o “missólogo” Daslan Melo Lima.
           Adalgisa voltou e em pouco tempo já estava vestindo os modelos da Canadá de Luxe. Porém seu sonho continuava. Paciente, ela foi desenvolvendo durante todos aqueles anos uma técnica que a fizesse colocar as mãos na coroa. Quando entrou na passarela da beleza do Miss Distrito Federal 58, sabia tudo. Já em Long Beach, com a faixa de Miss Brazil, com Z, e seu maiô Catalina, Adalgisa mais uma vez veio que veio. Segura, desfilou na passarela com as pernas lambuzadas de óleo e não de pancake, como faziam as outras. Não fez por menos, deu uma cavadinha no maiô inteiro, na época saiotezinho. Não foi Miss Universo porque não quis. Sua autossuficiência e segurança eram tantas que a afastaram do título, conquistado pela Miss Colômbia. Adalgisa renunciou à faixa e à coroa para logo depois do concurso ir viver ao lado do primeiro marido em Nova York, o empresário Jackson Flores, com quem teve um filho. “Adalgisa figurou entre as melhores e mais bem pagas modelos da América, trabalhando para lojas como Lord & Taylor e Bergdorf Goodman”, conclui Daslan Melo Lima.
           Anos depois, já separada, voltou ao Brasil e se casou com o poderoso Flavio Teruszkin, dono de uma das maiores construtoras do Rio de Janeiro, e assim passou a assinar Adalgisa Teruszkin – como costumava sair nas colunas do Zózimo e do Ibrahim Sued. Adorava seus fãs e os tratava com todo carinho. Educadíssima, era capaz de mandar uma foto sua autografada pelo seu motorista. Adalgisa nasceu para brilhar. Durante toda sua trajetória nunca se envolveu em escândalos. Apenas sua morte, só anunciada após o enterro, é que causou tumulto na imprensa: a causa nunca foi revelada.
           Faleceu em 7 de janeiro de 2013, aos 73 anos. Seus fãs não puderam se despedir.
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A fenomenal Georgia Quental na capa de antigas edições da extinta revista Manchete, de 1963 e 1964. 
  
Georgia Quental, a temperamental

          Bomba no cinema nacional! Em 1963, estreia o filme Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, baseado na obra de Nelson Rodrigues. De repente, uma grã-fina chamada Lúcia abre o vestido e mostra seus seios perfeitos para um bicheiro, interpretado por Jece Valadão. Quem é ela? Georgia Quental, a fenomenal. “Para mim, ela foi um símbolo da Canadá de Luxe na década de 1960”, diz Ruy Castro. La Quental também é conhecida por seu temperamento forte. Fortíssimo. Casar, nunca casou. Filhos, não teve.
           Teve um romance com o ator Milton Moraes. Questionado pelo jornalista Simon Khoury se a exuberante Georgia Quental foi importante para ele, Milton foi direto: “Fui um homem-objeto para La Quental, que se preocupava mais com seu corpo do que com minha alma”, respondeu. Além de temperamental, Georgia sempre foi decidida. Mesmo sendo top na Canadá de Luxe, a moça tinha o sonho de ser Miss Brasil. Em 1962, tentou, representando o Rio Grande do Norte. Não foi classificada entre as três finalistas. No mesmo ano deu uma entrevista para a revista Fatos e Fotos: “Diziam que os juízes estavam com medo que eu fosse me comportar mal nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Vivem falando que sou maluca, que não tenho responsabilidade. De certo, acharam que eu não ia aparecer nos programas marcados para a Miss Brasil. Mas isso é injusto”.
           Georgia entrou na Canadá por meio de anúncio de jornal, para ajudar a mãe viúva no orçamento. Fãs tinha, de montão. Receio de perder seu lugar de top, também. Quando aparecia alguma jovem mais alta que ela para se candidatar à manequim, La Quental fazia a cabeça de dona Mena Fiala para não contratar a concorrente. Fechou a carreira como manequim muito bem, em Paris, já com quase 40 anos, desfilando para Pierre Balmain.
           Hoje é uma senhora sempre arrumada que pode ser vista na Academia da Terceira Idade no bairro Peixoto, no Rio, vestindo malha ton sur ton bege, até mesmo o tênis. E lá, fazendo exercícios nos aparelhos da praça para manter a forma. Ainda continua a chamar atenção.
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A atriz e manequim Norma Bengell em desfile para a Casa Canadá (Reprodução do livro “Norma Bengell”

Norma Bengell, a rebelde

          Foi aos 16 anos, no Copacabana Palace, que Norma Bengell teve a oportunidade de conhecer Mena Fiala. “Me inscrevi para participar do desfile da Festa das Rosas. Quem poderia garantir que eu não encontraria ali um bom homem? Afinal, era um concurso para meninas ricas da sociedade. Eu era a única pobre”, diz La Bengell em sua biografia. Norma não ganhou o concurso, ficou em segundo lugar, mas, sem querer mais passar perrengue com a mãe desquitada, foi pedir emprego para Mena, que a aceitou. Norma largou os estudos e passou a trabalhar diariamente como manequim do ateliê. “Os vestidos eram feitos sobre o meu corpo e me espetavam com alfinetes para ajustá-los. Quando chegava uma cliente, eu desfilava o modelo para ela decidir se comprava ou não. Tinha 1,72 metro, mas como era jovem demais e estava um pouco acima do peso, não servia para manequim destacada”, revelou na biografia. Mais rechonchuda, acabou virando manequim de roupas esportivas. Ficava o tempo inteiro em pé e passava o dia com fome. “Era entediante. O sonho de ser manequim estava realizado, mas não era aquela maravilha”, conclui.
           Um tempo depois, perdeu os quilinhos a mais, virou uma linda mulher e foi convidada por Gisela Machado para ser uma das vedetes de seu marido, Carlos Machado. Abortos, 16. Nunca escondeu. Nunca quis ser mãe. Se casou com milionário? Não. Mas com famoso, sim. O ator italiano Gabriele Tinti. Antes, teve um tórrido romance com Alain Delon, quando morava na Europa. Depois de quase dez filmes na Itália, numa carreira irregular, encontrou seu amor mais cúmplice e duradouro em uma mulher.
           Norma Bengell morreu em outubro de 2013.


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sábado, 29 de agosto de 2015

É SETEMBRO OUTRA VEZ

VERTIGINOSAMENTE AZUL. AZUL. - Talvez fosse mais prático colocar um piso azul na minha calçada, mas prefiro cumprir anualmente o ritual de pintá-la de azul. Desta vez, não esperei chegar dezembro para pintar de céu e de mar a entrada do meu lar. Encontrei a forma de saudar a chegada do nono mês do ano ofertando azul à Vida e aos que na minha rua passam, pois adoro a musicalidade da palavra SE-TEM-BRO. Mas quando dezembro chegar repetirei o meu ritual azul, em sintonia com aqueles versos do poeta Carlos Pena Filho. “E perdidos de azul nos contemplamos / e vimos que entre nós nascia um sul / vertiginosamente azul. Azul.” - Daslan Melo Lima.

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REFLEXÃO
Lembre-se: As mãos que ajudam são mais sagradas do que os lábios que rezam.
Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), religiosa católica de etnia albanesa, nascida no Império Otomano, capital da atual República da Macedônia, e naturalizada indiana.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

PRIMAVERA NO CÉU


     Ela se foi docemente como viveu, no dia 15 deste agosto que rima com gosto e desgosto. Deus convocou Rosinete de Vasconcelos Carvalho, 55 anos, para uma nova missão em um dos fantásticos mundos do Pai. Na vida profissional e familiar, teve sabedoria suficiente para ser a figura indispensável na promoção da harmonia. Acima, bem acima dos detalhes que dividem as pessoas, sua voz ecoava para somar afinidades, muitiplicar sorrisos, dividir esperança...
      "Deus nos surpreende sempre, rompe os nossos esquemas, põe em crise os nosos projetos e nos diz: confia em Mim, não tenhas medo, deixa-te surpreender, sai de ti mesmo e segue-me", disse o Papa Francisco.
      Rosinete confiou na convocação de Deus, mas deixou conosco o seu perfume e, antecipadamente, foi promover a primavera no céu.  
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- Crônica de Daslan Melo Lima publicada na revista TIMBAÚBA EM FOCO, agosto/2015.
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Rosinete ao lado de familiares em alguns momentos marcantes da sua vida.
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Rosinete de Vasconcelos Carvalho, timbaubense nascida em 26/02/1960,  tinha Bacharelado em Administração de Empresas, era funcionária aposentada do Banco do Brasil e lutava contra um câncer. Estava radicada no Recife, mas sempre vinha matar as saudades de Timbaúba. Era casada com Edilson Carvalho, o Didi, também bacharel em Administração de Empresas, aposentado do Banco do Brasil, pai dos seus três filhos Elder (médico), Edine (médica) e Ellis (bacharela em Ciências da Computação).  
    
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SESSÃO NOSTALGIA - Akiko Kojima, Miss Universo 1959, olhos de amêndoas com toque de infância

Daslan Melo Lima




        A capa da revista O Cruzeiro, Ano XXXI, nº 44, de 15/08/1959, trazia na capa o rosto de uma japonesa natural de Kochi, nascida em 29/10/1936. Tratava-se de Akiko Kojima, eleita Miss Universo 1959 em 24/07/1959, em Long Beach, Califórnia, Estados Unidos. "Olhos de amêndoas com toque de infância brincam, felizes, com o sorriso, leve hai-kai que guarda segredos", assim dizia em tom poético uma das legendas da reportagem de quatro páginas "O rosto nº 1 do mundo", com texto de Ubiratan de Lemos e fotos de Indalécio Wanderley.  


Akiko Kojima ainda não se refez daquela noite (a mais bonita de todas para ela) quando a coroa desceu sobre a sua cabeça e recebeu, entre palmas, a faixa de Miss Universo. Ainda lhe soam aos ouvidos as melodias da noite de festa no Municipal Auditorium, com títulos e imagens suaves como "Eu podia dançar a noiite toda" ou "Com uma canção em meu coração". Tudo com cenários de jardim - que Akiko tanto adora - e vasos floridos. Mas, se tudo é agradável para a bonita moça de Tóquio, os entendidos no assunto de "misses" acham que o seu reinado será de todos, até agora, o mais dificil. Akiko só fala mesmo japonês. É uma sucessão de "hai-kais" que a tornam, em matéria de comunicação, distante de seus fãs. Mas se existe isso e mais o fato de terem sido contrariadas um pouco as indicações geométricas de Mr. Trotta, é verdade também que a japonesa tem graça e leveza. Essas prerrogativas do Sol Nascente a tornam muito longe de parecer uma modelo profissional, sua real profissão na capital do Japão. Depois ela deu uma lição de modéstia que a tornou muito simpática aos olhos ianques. As lágrimas, que lhe vieram ao rosto em noite coroada, foram transformadas, no dia seguinte, em sorrisos e gestos pequenos de mímica bonita. Fomos encontrá-la em cenário de piscina de hotel. Ficamos sabendo, então, que Akiko gosta do azul combinado com cor de rosa. Não tem compromissos com Cupido e seus diálogos são entretidos com os jardins de Tóquio entre cerejerias em flor. Seus passos já percorreram outras terras. Viu, de perto,  os cangurus australianos, ouviu as doces canções das Filipinas e conheceu a famosa terra de contrabandistas de novela, a célebre Hong Kong. 
Akiko em quatro sorrisos: leve surpresa, ballet de mãos e os espocar do riso número um de 1959. 
          
Não está, também, de namoro com Hollywood. Apenas uns dois filmes e nunca uma carreira. Prefere o remanso de um lar bem construído, sem amarguras de  Madame Butterfly. Um homem a quem possa amar e a quem prefere obedecer como na tradição do secular Japão. Seus quitutes não fogem ao tradicional em seu país: arroz com chá, eis uma combinação de que Akiko muito gosta. Tem a música como um ritual e faz os seus hai-kais. Ao deitar-se, todas as noites, entoa uma prece pela cartilha budista. Quando lhe pergutamos, com o auxílio de intérprete e alguma míimica, qual a sua paisagem favorita, respondeu: - Uma ilha.
          É a ilha pequenina onde a sua mãe trabalha desde que o sol desponta até que seja substituído pela lua asiática. Trata-se de um buquê verde no Pacífico japonês. Quanto às amizades, Akiko fala de algumas mais íntimas nesse roteiro de Long Beach onde triunfou. Miss Brasil, Burma, Coréia e Estados Unidos figuram nesse capítulo de ternura de Miss Unvierso. Algo de fatalismo - fruto da mentalidade oriental - existe nas opiniões de  Akiko Kojima. É assim que soubemos que ela aceitou a coroa como a vontade dos fados. A moça das cerejeiras foi indicada pelos deuses budistas. Para a pergunta final, escolhemos algo que dissesse um pouco do Brasil. 
          - Você conhece um país muito grande chamado Brasil? 
        Akiko pensou 10 segundos antes de responder. Depois disse: 
     - Brasil? Sim, São Paulo. Velhos amigos de minha família vivem lá. Eu gostaria de conhecer os paulistas. 

Ela fala japonês e o boy, inglês, mas os dois se entendem. Linguagem de miss tem faixa e boniteza para traduzir. E o menino ianque parou para poder conversar.
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          Por onde anda Akiko Kojima, com seus olhos de amêndoas com toque de infância, neste final de tarde de agosto de 2015? Imagino que, após uma refeição de arroz com chá, esteja fazendo uma caminhada num jardim japonês repleto de cerejeiras em flor, feliz, com uma canção em seu coração.

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sábado, 22 de agosto de 2015

AINDA NOS RESTA UMA COTA DE ESPERANÇA


COTA DE ESPERANÇA - Uma planta silvestre se espalha sobre um muro singelo feito apenas de varas e arame farpado, ofertando o amarelo da esperança a quem passa. Se todos os muros assim fossem haveria menos cinza e mais poesia na paisagem. Eu queria uma cerca assim protegendo a minha residência. O único perigo seria alguém atacar meu patrimônio imaterial e roubar o resto da minha cota de esperança na construção de um mundo melhor. Sim, ainda nos resta uma cota de esperança.  – Daslan Melo Lima, durante minha caminhada matinal, na zona norte de Timbaúba, Pernambuco, agosto de 2015.

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