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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 733, referente ao período de 06 a 12 de outubro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 17 de outubro de 2015

ADEUS ÀS ILUSÕES, ADEUS. TUDO JÁ PASSOU

          

      O Cine Sesi Cultural, em sua volta ao interior de Pernambuco, esteve recentemente em Timbaúba, na praça do meu bairro, durante três noites. Foi um sucesso de público (500 pessoas sentadas) e quem foi assistir adorou o nível dos filmes. 
      Aproximei-me do local apenas na última noite, no momento em que a logomarca da 20th Century Fox apareceu na tela imensa (12 metros de comprimento por 5 metros de largura). Fiquei emocionado, tal como no dia em que assisti ao meu primeiro filme em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci. Mas logo em seguida voltei para casa, pois sabia que seria um sonho impossível rever no telão filmes iguais aos que encantaram a primavera da minha vida. 
        Voltei para casa cantarolando em silêncio o tema de “Adeus às Ilusões”, um grande sucesso do cinema protagonizado por Richard Burton e Elizabeth Taylor. “ ... À sombra do sorriso teu, fiquei, / até que um dia mau me despertou. / Adeus às ilusões, adeus, / tudo já passou, morreu, / guardo na lembrança o amor, / do sorriso teu.” – Daslan Melo Lima.

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REFLEXÃO
"Nunca é cedo para uma gentileza, porque nunca se sabe quando poderá ser tarde demais. " Ralph Waldo Emerson  (1803-1882 ), poeta americano.

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

CORREIO DE NOTÍCIAS




Já está circulando a nova edição do jornal CORREIO  DE NOTÍCIAS, trazendo em destaque as matérias abaixo. A versão online da publicação poderá ser conferida neste link http://www.jcnoticias.net/edicao/atual/caderno_a.htm

Paulo Dutra na EREMJJA, dialogando com os estudantes;
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Bruno Caetano, campeão de Jiu Jitsu: disciplina e humildade são fundamentais;
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Eleição do Conselho Tutelar foi bastante concorrida em Timbaúba;
Ivelise, um fato em foco;
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Rua Dr. Alcebíades, a via pública central de Timbaúba;
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Guadalupe, o amor timbaubense do inesquecível Dominguinhos;
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E mais... Muito mais....

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SESSÃO NOSTALGIA – O primeiro concurso de beleza negra do Brasil

Daslan Melo Lima

      Era maio de 1957. Em cinco páginas, a revista O Cruzeiro (Ano XXIX, nº 31, Rio de Janeiro, 18/05/1957) com texto de Neil Ferreira e fotos de George Torok, dava destaque ao concurso de beleza Pérola Negra, realizado nos salões do Teatro Municipal de Campinas.  
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Pérola Negra
 
O vice-governador de São Paulo, General Porfírio da Paz, coloca a faixa simbólica em Marcília Gama, a “Pérola Negra de Campinas".

         
Pela primeira vez no Brasil, a sociedade negra de uma cidade realizou um baile de gala e escolheu a sua rainha no ambiente suntuoso de um Teatro Municipal, congraçando-se numa festa que alcançou o mais amplo sucesso. Foi em Campinas (no Estado de São Paulo) que o jornal Diário do Povo resolveu concretizar um dos velhos sonhos da numerosa família negra, organizando e levando a efeito o concurso que escolheria a “Pérola Negra de Campinas”. A vencedora seria a jovem de cor que reunisse maiores predicados em elegância, graça, beleza, cultura e simpatia, e seria apontada num baile cuja renda reverteria em benefício do Posto de Puericultura Beatriz Helena e Corporação Musical dos Homens de Cor. Bastou que a ideia fosse anunciada para receber o integral apoio da Associação Cultural dos Negros do Estado de São Paulo e, imediatamente, vinte jovens foram inscritas. Escolheu-se, então, um júri que, durante um coquetel no Lo Schiavo (um dos lugares mais finos da cidade), levando em conta a formação moral e o grau intelectual, deveria selecionar nove entre as vinte concorrentes. Apontadas as nove semifinalistas, procedeu-se à eleição pública que apontaria as cinco finalistas. Durante três meses enorme movimento marcou o concurso e o baile final era esperado com grande expectativa.


Uma semana antes do baile, esgotaram-se as lantejoulas e os enfeites, nas lojas de Campinas. **** Elas chegavam elegantes e “coquettes”. Eles abriam alas.  ***** Pérola Negra em vestido branco. Marcília faz jus ao título.

À medida que os resultados iam aparecendo, delineando as posições, verdadeiras torcidas das candidatas procuravam angariar votos para as suas preferidas. Quando ia se aproximando a data do baile, foram confeccionados convites que se esgotaram em tempo quase recorde, prevendo grande afluência de púbico para a grande noite. Foi aí que surgiu o problema. Onde realizar o bale? A sociedade negra de Campinas não possui salão de festas e, dada a grande procura de ingressos, somente um local bastante amplo serviria. O Tênis Clube não poderia ceder o seu local porque já havia marcado o baile da “Glamour Girl”. A única solução seria o velho e austero Teatro Municipal. Mas esse teatro já possuía uma tradição bastante antiga. Ali havia somente um baile por ano. Era a apresentação das debutantes da Sociedade Hípica, nada mais nada menos do que a fina flor da sociedade da terra.
     A sociedade apelou para o prefeito e este cedeu, excepcionalmente, o Teatro. A sociedade rejubilou-se com a concessão: faria o seu baile e fecharia a época social do vetusto casarão da terra de Carlos Gomes. O concurso tomou novo impulso e pessoas de São Paulo, Rio, Americana, São Carlos, Franca e representantes da sociedade de cor de todas as cidades vizinhas reservaram seus ingressos, prepararam os vestidos e “smokings” para a grande noite.     

     Em conversa com três comerciantes, o repórter ficou sabendo que, na semana que antecedeu  o baile, o estoque de lantejoulas e demais enfeites para vestidos esgotou-se completamente da praça. Mas enquanto estes preparativos eram feitos, surgiu um problema. O tablado montado para as festas do Municipal era de propriedade da Sociedade Hípica. A solução seria aluga-lo. A proposta dos promotores do concurso “Pérola Negra de Campinas” foi estudada pelos diretores da Sociedade Hípica e aprovada por um voto de diferença. O tablado seria cedido por Cr$ 80.000,00. Houve quem discordasse e alguns diretores renunciaram aos cargos. Mas encontrou-se uma forma conciliatória, a paz voltou a reinar na Hípica e o tablado foi alugado. Decoradores foram postos em ação, concederam-se férias aos cenários de Rigoletto e quejandos e uma orquestra foi contratada. Tudo pronto, chegou o dia D.

Ela chegou cedo. Olhou para tudo, fez um ar de aprovação, e iniciou-se a festa.
      Desde as nove horas da noite começou a afluir gente à porta do Teatro, aguardando o momento em que entrariam as candidatas. E aqueles lustres, que há cinquenta anos iluminam o que há de mais fino na sociedade campineira, não foram decepcionados.  Iluminaram também desta vez  “smokings” do mais puro corte inglês, modelos de Dior, Fath e Givenchy e “visons” legítimos. As candidatas chegaram, o júri presidido pelo vice-governador Porfírio da Paz e composto por dez elementos (com representantes da Associação Cultural dos Negros do Estado de São Paulo e da Difusão Cultural da Prefeitura) tomou assento à mesa enquanto a a orquestra gemia um “blue”. O salão repleto, com os assistentes aplaudindo as concorrentes.    
        Após longos debates, o júri chegou a uma definição. Apontou a Srta. Marcília Gama a “Peróla Negra de Campinas”. A faixa simbólica e a clássica valsa ficaram a cargo do vice-governador. O sucesso da festa animou os seus organizadores, que irão agora construir a sede da sociedade negra e inaugurá-la com o baile das Debutantes, semelhantes ao que se realiza anualmente no Hotel dos Presidentes dos Estados Unidos, e único no gênero na América do Sul.
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     Uma pena que a revista não mostre imagens de todas as concorrentes, por isso vamos concluir que a legenda que O Cruzeiro deu a esta foto tinha razão: Pérola Negra em vestido branco. Marcília faz jus ao título.   

     Depois daquele maio de 1957, Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, 
vice-Miss Brasil, conquistou o terceiro lugar no  Miss Beleza Internacional 1964; Deise Nunes, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, foi semifinalista no Miss Universo 1986; e Janelle Penny Commissiong, Miss Trinidad-Tobago,  foi eleita Miss Universo 1977. Eu poderia acrescentar  aqui que essas misses tinham algo em comum com Marcília Gama, "Pérola Negra de Campinas 1957",  eram de cor, ou mulatas, ou negras, ou afrodescendentes. Ora, todos nós somos integrantes da raça humana, com sua diversidade fantástica.
Finalizando, cito o dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616), neste sábado, 17 de outubro de 2015,  onde celebro idade nova, embora todo dia, com a graça de Deus,  seja dia de celebrar a vida:  “Se outro nome tivesse a rosa, deixaria ela de ser perfumada?"

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sábado, 10 de outubro de 2015

FELIZ DIA DA CRIANÇA, QUALQUER QUE SEJA A SUA IDADE


ADULTO FELIZ -  Ao término da minha atividade física (Treinamento Funcional) de quinta-feira, 08, na AABB, senti uma compulsão para ser fotografado diante de um painel produzido para uma festa da garotada, a um passo do Dia da Criança. 
Cronologicamente falando havia apenas um menino na turma, o filho de um colega. No entanto, espiritualmente falando, havia mais de um, quiçá a turma toda.
Não pergunte ao homem que sou se tive uma infância feliz. Pergunte ao menino introvertido que um dia eu fui. Ele dirá que, após ter passado por tantos outubros não vividos, acredita que hoje é um adulto feliz. 
– Daslan Melo Lima


Aplausos para os professores Theo Henrique (de blusa verde, na extrema esquerda, na fila de trás) e Ezequias Lima Kiko Maciel (terceiro da esquerda para a direita, na fila da frente), pela paciência com a "creche".

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EM NOME DE DUAS MAJESTADES




A timbaubense Maria da Glória Ferreira de Araújo, dona Glorinha,viúva de Joel Monteiro de Araújo, mãe de Antonio (in memorian), Joel, Tranquelino, Teotônio, Ana Glória e Carlos Eduardo, trás no semblante as marcas de 90 anos de caminhada no Planeta Terra, a completar nesta terça-feira, 13.


Um pouco da menina  que um dia posou para uma fotografia em preto e branco existe na sua bisneta Sofia, cujo aniversário de cinco meses de vida foi celebrado no dia 03.
Glorinha e Sofia, duas majestades. Rainha Maria da Glória, uma estrada longa percorrida. Princesa Sofia, uma estrada longa a percorrer. 
Em nome dessas duas majestades, PASSARELA CULTURAL deseja Feliz Dia da Criança a você, leitor, leitora, qualquer que seja a sua idade.

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sábado, 3 de outubro de 2015

MINHA CANÇÃO DE OUTUBRO

Daslan Melo Lima

Seja bem-vindo, meu amado mês de outubro.
Pode contar meus desamores e desilusões. 
Com o silêncio e o vento, aprendi a te amar, 
mesmo com a ausência de amores e ilusões. 

Seja bem-vindo, meu amado mês de outubro. 
Contigo mais uma vez vou cumprindo uma jornada, 
atravessando tempestades e bonanças, 
até amadurecer com as lições da caminhada. 

Seja bem-vindo, meu amado mês de outubro. 
Há fé em minhas mãos de esperança.
Ajude-me a espalhar sabedoria, 
até que o trem da Grande Viagem aterrisse em segurança.

Seja bem-vindo, meu amado mês de outubro. 
Por um mundo melhor, busco unir razão e coração. 
E sorrindo, com a parceria dos anjos invisíveis, 
vou cantando esta canção. 

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O poema não é novo. Faz alguns anos que compus esses versos, mas todos os anos, quando outubro chega, faço uns ajustes sutis, ditados pela flores e os espinhos. ***** Ao entardecer da Praça Lindacy, no bairro chamado Barro, em Timbaúba, PE.
                                         

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DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO - Marly Mendonça, um orgulho timbaubense


MARLY MENDONÇA, UMA TIMBAUBENSE ENTRE AS PREFEITAS PIONEIRAS DO BRASIL


Daslan Melo Lima


            
Marly Mendonça
          Marly de Souza Vieira Mendonça nasceu em Timbaúba, no dia 10/04/1933, filha de José Urbano Vieira e Josefa Alves de Souza Vieira. Estudou no extinto Grupo Escolar Prof. Cavalcanti e formou-se em Magistério na Escola Santa Maria. Diante da necessidade de sustentar a mãe e uma irmã, assumiu logo cedo a responsabilidade da casa, sendo transferida, aos 17 anos, para o distrito de Itaúna, Caruaru, onde passou a lecionar e a conviver com a família Mendonça.



         
Josefa Alves, mãe de Marly
   Obteve destaque com sua bela voz e se apresentou  em programas da Rádio Difusora de Caruaru,  ao lado do  ator e diretor de teatro Luiz Mendonça (1931-1995).  Foi a primeira Madalena do Drama do Calvário, quando a Paixão de Cristo de Fazenda Nova era exibida pelas ruas. Casou com Paulo Mendonça (1934-1996), filho caçula de  Epaminondas e Sebastiana Mendonça,  e teve sete filhos: Goretti, Epaminondas Neto (in memoriam), Guadalupe, Paulo Filho (in memoriam), Domingos Sávio, Ana Paula e Mônica, que até o momento já lhe deram dez netos e dois bisnetos.  Detalhe: Epaminondas Neto (1956-2014), médico reumatologista;  e Guadalupe, cantora, compositora e atriz, viúva do cantor e sanfoneiro Dominguinhos (1941-2013), nasceram em Timbaúba.

         
Paulo e Marly nas bodas de prata
         A partir da união com Paulo Mendonça, sua vida mudou radicalmente, pois passou a se dedicar integralmente à vida pública ao lado do marido, que foi vereador, prefeito de Brejo da Madre de Deus e deputado estadual.
        Marly tornou-se a primeira e única, até agora, prefeita do município do Brejo da Madre de Deus, cuja gestão compreendeu o período de 1977/1983, seis anos, porque houve prorrogação de mandatos de prefeitos no País. 




Na primeira foto, Marly (à direita), atuando no papel de Maria Madalena, e sua cunhada Nair, no "Drama do Calvário" , em Fazenda Nova, década de 50. Na segunda imagem, Marly em Timbaúba, na época em que estudou na Escola Santa Maria (à esquerda, no alto).
Ano de 1983, inauguração do Parque das Esculturas Monumentais Nilo Coelho. Na época Marly  era Prefeita de Brejo e seu esposo Deputado Estadual. Na foto, podemos identificar Plínio Pacheco (idealizador e construtor da Nova Jerusalém),o então Presidente João Batista Figueiredo, e o Governador de Pernambuco Marco Maciel.
         Marly Mendonça faz parte da galeria das mulheres prefeitas pioneiras do País, ao lado de nomes como a potiguar Alzira Soriano (1897-1963), primeira prefeita eleita no Brasil; das paulistas Spasia Bechelli (1899-1964) e de Maria Teresa Silveira de Barros Camargo (1894-1975);  e de Anita Moraes (1906-2003), um ícone da vizinha cidade de Macaparana, a primeira mulher a se eleger para o cargo em Pernambuco. 
         A sua administração foi marcada pela realização de obras importantes para a história do Brejo da Madre de Deus, principalmente no que se refere à Educação.  Marly Mendonça adotou o Brejo como a sua terra natal e até os dias de hoje dá a sua contribuição à cultura local, onde coordena dois corais: "Sementes do Amanhã" e "Raízes do Brejo".

As irmãs Marly e Marlene (in memoriam), em apresentação do coral idealizado por elas. Brejo da Madre de Deus, início da década de 80. 

Paulo e Marly com Frei Damião e Padre Geraldo.


Marly, Paulo e os filhos. Da direita para à esquerda:  Goretti, Epaminondas, Ana Paula, Paulo Filho, Guadalupe, Domingos Sávio e Mônica.

      Confissões de Marly Religião: "Católica. Tive uma sólida formação religiosa. O Monsenhor José Marques da Fonseca  era meu padrinho." ***** Santo de devoção: "Toda a corte celestial. Deus em primeiro lugar, também Nossa Senhora das Dores, minha madrinha, e São Judas Tadeu."  ***** Livro: "O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint Éxupery." ***** Um filme: " A comédia nacional Carnaval no Fogo. ***** Uma música: "Escadaria, de Pedro Raimundo." ***** Viver é... "Viver a vida intensamente, como eu vivi e vivo até hoje,  consciente, cantando, brincando, soltando piadas, dando risadas, apesar das muitas perdas que tive."


Marly ladeada pela filha Guadalupe e a neta Liv Moraes (fruto do casamento de Guadalupe e Dominguinhos).
Brejo da Madre de Deus, PE, 10/04/2015, aniversário de Marly, posando com as filhas (da esquerda para a direita) Ana Paula, Goretti, Guadalupe e a amiga Maria Helena Tostes. 

          Marly Mendonça não esquece suas raízes timbaubenses e tem saudades  da casa de nº 128 da Rua Coronel Antônio Vicente, onde viveu.  “Ainda hoje sinto o perfume das angélicas que decoravam o altar de Nossa Senhora das Dores nas noites marianas da minha mocidade. Em breve irei matar as saudades de Timbaúba”, concluiu emocionada.
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Para elaborar esta reportagem, consultei textos de Newton Thaumaturgo, escritor, e páginas da Wikipedia. Troquei mensagens via e-mail com Mônica Mendonça e conversei por telefone com a própria Marly Mendonça. A matéria condensada é destaque da revista TIMBAÚBA EM FOCO, edição de setembro/2015. Fotos: Acervo da família.

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SESSÃO NOSTALGIA - Tudo (ou quase tudo) sobre o concurso Miss Brasil Latina 2016

Daslan Melo Lima

           Peço desculpas aos leitores pelo atraso na postagem desta matéria. Estive envolvido com uns compromissos pessoais, motivo pelo qual este espaço não foi atualizado com tempestividade. Enfim, aqui estou para contar como foi o evento que elegeu a pernambucana Bruna Bloise como representante do País no Miss América Latina Del Mundo do próximo ano. Pela primeira vez nos sete anos em que o concurso é realizado no Recife, uma pernambucana conquistou o cobiçado título. 

       A convite do Fernando Bandeira Diniz, coordenador geral do concurso Miss Brasil Latina, fiz parte da comissão julgadora das etapas semifinal e final do Miss Brasil Latina 2016. Missão difícil e prazerosa. Não é fácil julgar beleza, pois cada jovem tem o seu quê especial no que se refere a atributos físicos, charme, elegância... Mas eis que todas, movidas pelos sonhos, encaram desafios e superam obstáculos para enfrentar um júri e uma passarela em busca de um título eterno de Miss. Miss para sempre Miss.  Missão difícil e complicada. Entre tantas jovens sonhadoras, optar por apenas uma para receber o primeiro lugar, é misturar poesia, sonho, realidade... Detalhes subjetivos e objetivos.
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A SEMIFINAL

         
      Recife Praia Hotel, Avenida Boa Viagem, Recife, 27/09/2015. Na ensolarada tarde do último domingo de setembro, troquei a companhia dos meus amigos rubro-negros pelas misses. No lugar de ficar em Timbaúba para assistir ao jogo do meu Sport Club do Recife num barzinho, fui à capital pernambucana compor a comissão julgadora da semifinal do concurso Miss Brasil Latina 2016.  Sob a orientação técnica do ex-craque da seleção brasileira Paulo Roberto Falcão, o Sport venceu o Chapecoense por 3 x 0. 
      O Bar do Bode, meu point preferido, foi ao delírio sem minha presença. Enquanto isso, no Recife, de olho nas misses, paixão antiga, ri com o vento quando soube da vitória do meu Sport, enquanto fazia pose ao lado da mineira Dianine Nunes, Miss Brasil Latina 2015. Paixão e delírio, abençoada dupla a semear sentido e sabor na nossa caminhada pelo planeta Terra. 

       A noite era do esperado eclipse lunar. Antes de entrar no hotel,  fui admirar a lua que ainda não estava vermelha, mas voltei logo, porque eu estava à beira mar do Recife não para namorar a lua, mas para admirar e julgar a beleza de vinte e duas estrelas candidatas ao Miss Brasil Latina 2016.
      O meu relógio marca vinte horas no salão que leva o nome de Frevo, a dança pernambucana que é patrimônio imaterial cultural da humanidade. Início da semifinal do Miss Brasil Latina 2016 perante um público restrito, comissão julgadora, alguns patrocinadores, familiares e coordenadores das misses.  Comigo, as listas dos Estados cujas representantes irão desfilar em trajes típicos, biquíni e gala, e depois submetidas a uma entrevista. Minha tarefa é apontar as 12 mais em cada apresentação. O resultado do Top 12 só será conhecido na etapa final.

Havia uma presença internacional no júri da semifinal e final, a mexicana Lizbeth Trujillo. ***** Recomendação do Fernando Bandeira Diniz a todos os jurados: "O Miss América Latina del Mundo não deseja uma modelo, ou seja, uma jovem magérrima. O perfil é outro. Eles buscam uma mulher magra, sim, mas que tenha curvas.
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      Quando desfilava num longo vermelho, Saiury Carvalho, Miss Sergipe, 19 anos, 1,73m de altura, tropeçou, mas logo se ergueu sob aplausos. Talvez por isso estava tensa na entrevista, mas quando lhe perguntei qual o melhor livro que tinha lido e porque, respondeu com clareza e muita tranquilidade. Era uma das minhas preferidas. 
     A propósito, o Fernando Bandeira deixou claro que o seu tropeço não seria motivo para que perdesse pontos no item elegância, esclarecendo que a coordenação tinha falhado em não colocar uma pessoa ao lado dos degraus da passarela, a fim de dar apoio às jovens. 

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Jéssica Felix, Miss Rio de Janeiro, declarou que era lavradora. Um bom observador jamais teria dúvida de sua afirmação ao olhar para suas mãos.
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        Entre o intervalo e outro das apresentações, um garotinho, filho de uma jurada, fez da passarela um palco para suas brincadeiras.
          

                                          ANTES DA FINAL

         Teatro Luiz Mendonça, Parque Dona Lindu, praia de Boa Viagem, Recife, 29/09/2015. Quase 20 horas. O aconchegante e moderno teatro não estava lotado, mas desde cedo muitas pessoas já estavam ansiosas para assistir ao Miss Brasil Latina 2016. Doze pessoas na comissão julgadora e eu, obviamente, entre elas. Duas fileiras de cadeiras  eram compostas de jovens redatoras de blogs especializados em moda e beleza. Ao ouvir duas delas questionando se a vencedora da noite iria representar o Brasil no Miss Universo ou no Miss Mundo, não me controlei e dei uma pequena aula de "missologia". Expliquei que havia vários concurso de Miss Brasil, cada um com a incumbência de enviar a vitoriosa para um concurso internacional.
       
      
     Antes de o evento começar, tirei uma foto ao lado de Mônica Lima, Miss Igarassu, Miss Pernambuco 1983. Disse pra ela: “Faz 32 anos que lhe conheci pessoalmente. Na ocasião, foi a mim que você me deu seu primeiro autógrafo na condição de representante pernambucana no Miss Brasil.” 


      Também tirei uma foto ao lado de Sílvia Furtado, Miss Clube Náutico Capibaribe 1988, que não chegou a disputar o  título de Miss Pernambuco na época por ser mãe solteira, assunto que acabou tendo repercussão nacional através da revista Veja. Em 2003, sua filha Luisa Furtado Falcão foi terceira colocada no Miss Pernambuco, representando a cidade de Bom Jardim.  

A FINAL

         Em minhas mãos, as listas com os nomes de todos os Estados participantes, a fim de decidir o Top 5 em biquíni e traje  de gala. O Top 12, decidido na semifinal, está marcado de amarelo:  Alagoas, Bahia, Ceará, Góias, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe. As torcidas mais vibrantes são as de Pernambuco e Rio Grande do Norte. Na realidade, a lista tinha 14 semifinalistas. Tinha havido empates e a coordenação preferiu não desempatar.   

           Após um pequeno intervalo, o Top 5 é anunciado. Da esquerda para a direita as misses Sergipe, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Ceará. 
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          Agora, em minhas mãos, apenas uma folha de papel para que nele eu anote o nome do Estado cuja representante merece ser a primeira colocada. Missão complicadíssima. Uma, apenas uma, irá representar o Brasil no Miss América Latina del Mundo 2016. Penso, analiso e opto por Raira Cendi, Miss Ceará,  22 anos, 1,82m de altura, estudante de Direito. 
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      Depois de outro intervalo, a produção anuncia os prêmios especiais: Miss Simpatia, Miss Paraná, Suzane Dias; Miss Popularidade (escolhida pelo público que tinha anotado o nome da sua preferida no verso da senha), Miss Pernambuco, Bruna Bloise;  Miss Personalidade, Miss Rio Grande do Sul, Ronédi EngroffMiss Elegância, Miss Rio de Janeiro, Jéssica Felix, e Miss Tocantins, Karlla Cardoso; Miss Biquini (melhor corpo) , Miss São Paulo, Tamires ChaconMelhor Traje Típico, Miss Rio Grande do Sul, Ronédi Engroff, foto acima; Estilista, Flávio Soares; Melhor Concurso Estadual, Concurso Miss Minas Gerais Latina;  Coordenadora ,Carol Magalhães; Melhor Coordenação Estadual, Ceará, Diego Caslim, bi-campeão.
      Finalmente, o resultado final: 5º lugar, Miss Sergipe, Saiury Carvalho; 4º lugar, Miss Ceará, Raíra Cendi; 3º lugar, Miss Rio Grande do Norte, Isabella Nelson Cecchi; 2º lugar, Miss Alagoas, Maria Daniela Borçato; 1º lugar,   Miss Pernambuco, Bruna Bloise.

Da esquerda para a direita: Saiury Carvalho, Miss Sergipe, 5º lugar; Isabella Nelson Cecchi, Miss Rio Grande do Norte; 3º;  Bruna Bloise, Miss Pernambuco, 1º lugar; Maria Daniela Borçato, Miss Alagoas, 2º ; e Raíra Cendi, Miss Ceará, 4º lugar.

DETALHES


Cristina Cadaval e Fernando Bandeira Diniz apresentaram o  MBL.

          Equipe do Miss Brasil Latina 2015: Fernando Bandeira Diniz, coordenador geral; Luiz Welter de Souza, diretor artístico; Audrey Monteiro; Natalia Estanislau Sobral (Miss Sport Club do Recife, terceira colocada no Miss Pernambuco 2008); Oscar Fidelis, Silvio Rodrigues e a jornalista Cristina Cadaval
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      Entre os passeios por Recife, momentos que as misses levarão como recordação por toda vida. No roteiro estavam o Instituto Ricardo Brennand, o Marco Zero, a Casa da Cultura e o imponente Leão do Norte.



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       Dentro da transparência com que o Fernando Bandeira Diniz tem conduzido as edições do Miss Brasil Latina, quando as misses e seus coordenadores retornam ao hotel têm acesso aos mapas de cada jurado.  Além disso, em sua página no Facebook, o Fernando publica as pontuações dadas. "Miss Brasil Latina 2016, Miss Pernambuco, Bruna Bloise, 4 votos; 2º  lugar, Miss Alagoas, Maria Daniela Borçato, 3 votos, o mesmo número de votos da 3ª colocada. Critério de desempate: vídeo obrigatório mais participação nos grupos do concurso; 3º lugar, Miss Rio Grande do Norte, Isabella Nelson Cecchi, 3 votos (mesmo critério de desempate); 4º lugar, Miss Ceará, Raíra Cendi, 2 votos; 5º  lugar, Miss Sergipe, Saiury Carvalho, zero voto para ser a Miss Brasil Latina 2016; 6º lugar,  Miss Rio Grande do Sul, Ronédi Engroff, 10 indicações para o Top 5; 7º lugar, Miss Bahia, Leyla Araújo, 09 indicações para o Top 5; 8º lugar, Miss Minas Gerais, Adrielle Castro, 06 indicações para o top 5; 9º lugar, Miss Pará, Fernanda Almeida,  e Miss São Paulo, Tamires Chacon, ambas com 05 indicações para o Top 5; 10º lugar, Miss Goiás, Isadora Dantas,  e Miss Mato Grosso do Sul, Luana Queiroz, ambas com 04 indicações para o top 5; 11º lugar, Miss Maranhão, Aline Karla Macedo,  e Miss Mato Grosso, Geovana Bertolini, ambas com 02 indicações para o Top 5." 
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      Maria Daniela Borçato, Miss Alagoas, recebeu a faixa de Miss Korban, outorgado pela Korban, uma das empresas apoiadoras do concurso. 
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      Nota dez para a trilha sonora idealizada por Luiz Welter de Souza. O desfile em traje típico teve início ao som de músicas do Jorge Ben Jor, enquanto o de gala foi ao som de músicas de telenovelas que marcaram época. 
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    Uma das exigências do Miss América Latina del Mundo reza que na semifinal as concorrentes devem se maquiar e se pentear por conta própria, não sendo permitido que sejam produzidas por profissionais. A desobediência gera perda de pontos. 

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      O vestido da mineira Dianine Nunes, Miss Brasil Latina e terceira colocada no Miss América Latina Del Mundo 2015, usado na noite final, foi confeccionado por Léo Sandres, estilista pernambucano natural de Vitória de Santo Antão, radicado em Maceió, AL, integrante da comissão julgadora. O modelo, em corte sereia e saia em alfaiataria, tinha fios de seda dourados com verde. Na foto, Dianine, que também fez parte da comissão julgadora, sobe ao palco conduzida por Sílvio Rodrigues.  
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O rosto de Isadora Dantas, 19 anos,1,73m de altura, lembra o da atriz Juliana Paes.
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Tamires Chacon, Miss São Paulo, 27 anos, Fisioterapeuta Pós-graduada. Traje típico criado por Vithor de Conti, “Cubatão, a renascente do Vale da Vida”, uma mensagem de alerta para o problema do meio ambiente. Cubatão já foi conhecido como o Vale da Morte, o município mais poluído do mundo, segundo a ONU, mas a realidade atual é outra, um exemplo de planejamento socioambiental.
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Saiury Carvalho, Miss Sergipe, quinta colocada, ladeada pelo seu coordenador Fabiano Araújo e Dianine Nunes, Miss Brasil Latina 2015. 
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O traje típico de Maria Daniela Borçato22 anos, 1,75m de altura, estudante de Direito, também era uma obra de Léo Sandres, inspirado no Mercado Público da Produção de Maceió. 
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Leyla Araújo, Miss Bahia,  18 anos, 1,72m de altura, uma das mais aplaudidas, acima com o inconfundível traje típico das baianas, abaixo exibindo sua plástica harmoniosa. 
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Um close no cartaz com as logomarcas das empresas que apoiaram o evento.
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Pausa para um flash. Heloísa Helena Bandeira, estilista moda praia;Tiago Leite, representante comercial da Korban; eu e o estilista Léo Sandres.
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UM SETEMBRO PARA RECORDAR
Bruna Bloise recebendo o abraço carinhoso do seu coordenador Walberto Camará. 

Ele e ela jamais vão esquecer o setembro de 2015.
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Bruna Bloise em traje típico, uma homenagem a Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Morro de Casa Amarela, Recife.



EPÍLOGO

Eu e Bruna Bloise

        Bruna Bloise, 25 anos, 1,75m de altura, loura de olhos azuis, é advogada, modelo, fala fluentemente inglês e estuda espanhol. Bruna Bloise já tinha experiência em concurso de beleza, pois foi a representante da cidade de São Lourenço da Mata no Miss Pernambuco 2012, vencido por Paula Luck, Miss Jaboatão dos Guararapes. O título de Miss Pernambuco Latina 2016 está em boas mãos. 
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Crédito das imagens: DML/Passarela Cultural e Facebook (Raphael Cunha/Fernando Bandeira Diniz).