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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 733, referente ao período de 06 a 12 de outubro de 2019. ***** Editor: Daslan Melo Lima - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 11 de junho de 2016

SESSÃO NOSTALGIA – Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo 1965, meiga como a primeira namorada

Daslan Melo Lima
    
    

          “As representantes de 43 países já se encontram em Long Beach, nos Estados Unidos, à espera do grande dia em que será escolhida a Miss Beleza Internacional de 1965. Entre elas, Miss Brasil nº 2, Sandra Rosa, que foi bastante notada ao aparecer pela primeira vez em público, na piscina do Laffayette Hotel.” 
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        “Sandra Rosa cativou, pela doçura, a imprensa e Long Beach, que a chama de Garota de São Paulo, irmã da de Ipanema.“ 
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       “Miss Brasil número 2, Sandra Rosa, foi qualificada pela imprensa local como “rainha da doçura, meiga como a primeira namorada.“  

          A revista Manchete, de 21/08/1965, ano 13, nº 696, trazia as informações acima sobre a paulista Sandra Penno Rosa,  a Miss Brasil nº 2, como se chamava na época as segundas colocadas no concurso Miss Brasil, denominação que hoje seria Miss Brasil Beleza Internacionaltítulo dado às nossas representantes no Miss Internacional

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Sandra Rosa, vice-Miss Brasil 1965

Manchete, 26/06/1965, ano 13, nº 688, uma das revistas do meu acervo, com a capa trazendo as marcas de cinquenta e um anos. 
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         Sandra Rosa representou o tradicional educandário Instituto Caetano de Campos no Miss São Paulo, focada no propósito de ajudar as crianças carentes do seu Estado. Desfilou no Maracanãzinho com classe, segurança e elegância, na noite em que os aplausos maiores foram destinadas àquela que tinha o apoio da maioria do público para se eleger Miss Brasil 1965, Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarta colocada.
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MISS BRASIL 1965 - TOP 4 -  Da esquerda para a direita, Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, segundo lugar; Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, terceira colocada; Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarto lugar; e Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, primeira colocada. (Fotos: Manchete, 17/07/1965, ano 13, nº 691).  


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Sandra Rosa, top 5 no Miss Beleza Internacional

Ingrid Finger, Miss Beleza Internacional 1965, e Sandra Rosa
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      Ingrid vive na Bavária, gosta de viajar e de conversar, quer ser correspondente estrangeira, toca piano, adora modas e lê clássicos. Sua eleição foi bem recebida pelo público do Municipal Auditorium, enquanto a televisão transmitia de costa a costa dos Estados Unidos, para 80 milhões. 
        Foi uma vitória difícil, onde predominou o detalhe da elegância, do charme pessoal, a arte de ser mulher bonita. Não foi uma vitória de plástica, de polegadas a mais ou a menos, mas precisamente da “classe”, da irradiação e da naturalidade.  Entre as belezas do Mundo, Miss Alemanha se impôs. As 5 damas de honra foram bem selecionadas. 
        A  seu  respeito  disse  o  juiz    (para nós, em particular)  Tom Kelley,    o fotógrafo que fez o lançamento da nudez de Marylin Monroe: "Miss Brasil é very pretty." - (O Cruzeiro, 04/09/1965, Ano XXXVII, nº 48).  
Very pretty, muito bonita.
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Da esquerda para a direita, Marie Tapare, Miss Tahiti, quarto lugar; Faida Fadioli, Miss Itália, terceiro; Ingrid Finger, Miss Alemanha, primeiro; Gail Karen Krielow, Miss Estados Unidos, segundo; e Sandra Rosa, Miss Brasil, quinto lugar. ***** Detalhe: Marie Tapare, Miss Tahiti, classificou-se em quinto lugar no Miss Mundo 1965.***** Manchete, 28/08/1965, ano 13, nº 697)
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Sandra  Penno Rosa
Manchete, 10/07/1965, ano 13, nº 690.
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          Por onde anda a eterna Miss São Paulo 1965? Obter essa informação seria resgatar mais um pouco a magia de um tempo que se foi. Seria reviver mais um pouco o charme de uma época, onde as maiores revistas do Brasil usavam legendas românticas para definir misses como Sandra Penno Rosa, rainha da doçura, meiga como a primeira namorada.

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sábado, 4 de junho de 2016

"Canta tua aldeia e cantarás o mundo"

        

     
     "Dormia no terraço, ao ar livre, e os raios oblíquos do sol matinal me despertavam. Vestia-me às pressas, punha debaixo do braço uma toalha, um romance francês, e ia-me banhar no riacho..." Mergulhado nos trechos do escritor russo Leon Tolstoi (1828-1910), faço uma pausa na atualização do meu blog  e vou conferir como está a paisagem lá fora depois que a chuva pernambucana fez uma pausa em Timbaúba. O céu azul e um frio leve prometem sol. Maravilha! 


         "Canta tua aldeia e cantarás o mundo", disse um dia Leon Tolstoi, talvez num dia assim, de uma energia assim. E renovado volto para atualizar meu blog. 
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REFLEXÃO


"Não existe fórmula para o sucesso. Mas, para o fracasso, há uma infalível: tentar agradar a todo mundo."
- Herbert B. Swope (1882-1958), jornalista americano.

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De Timbaúba para o Mundo


Rodrigo França e Fábio Coutinho, dois timbaubenses no primeiro lugar do  Prêmio Alcoa 2016  

> Estudantes da UFPE desenvolveram uma malha de alumínio capaz de repelir as partículas de água




Edvaldo Araújo (orientador), Fábio Coutinho e Rodrigo Silva (estudantes), idealizadores do projeto campeão.  Rodrigo é filho de Maria Betânia de França e José Roberto Félix da Silva. Estudou na Escola Municipal Dulce Rodrigues até à alfabetização, Ginásio Municipal e EREMT. Fábio Alves, filho de Elisângela Alves da Costa Coutinho e Braz Coutinho, também foi aluno da EREMT.



          Sabe aquele equipamento eletrônico que para de funcionar por causa da maresia, em residências próximas ao mar? O prejuízo de quem perde aparelhos danificados pode estar com os dias contados. Estudantes da UFPE desenvolveram uma malha de alumínio capaz de repelir as partículas de água. O material, chamado de super-hidrofóbico, é uma superfície na qual a água, ao entrar em contato, se transforma numa esfera e desliza, sem penetrar no instrumento, mesmo a superfície sendo perfurada. O trabalho integra uma linha de pesquisa coordenada por docentes do Departamento de Engenharia Mecânica da UFPE.  O objetivo principal é barrar a corrosão e aumentar a vida útil de produtos eletroeletrônicos, impedindo a passagem da umidade. A ideia surgiu a partir da observação dos aparelhos da casa do professor Edval Gonçalves de Araújo, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFPE. Morador do bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, em um apartamento localizado a 500 metros da praia, ele percebeu que o ar condicionado e o DVD estavam corroídos pela maresia. Por que não criar algo que protegesse os eletrônicos?
          De acordo com o professor Edval Gonçalves, a super-hidrofobicidade da malha é baseada num efeito presente na flor de lótus. “Quando a água entra em contato com a folha, leva as sujeiras e não molha a planta. É um colchão de ar na superfície”, explicou. Junto com os estudantes Rodrigo França da Silva, 22 anos, de Engenharia de Materiais, e Fábio Alves de Braz Coutinho, 21, de Engenharia Mecânica, o professor desenvolveu o projeto. Em três meses, a placa foi construída. O projeto venceu o 13º Prêmio Alcoa de Inovação Tecnológica em Alumínio, categoria Estudante, conquistada no dia 13 de abril, em São Paulo. A equipe conquistou a premiação por unanimidade dos julgadores e desbancou outros 105 projetos de todo o país.         O Prêmio Alcoa de Inovação em Alumínio é considerado um dos mais respeitados e prestigiados prêmios de inovação do Brasil, e ao longo dos 12 anos já contou com a participação de mais de 230 universidades e 5.500 inscritos nas duas categorias.
          O trabalho foi submetido ao prêmio por Rodrigo França da Silva, autor representante.  Rodrigo de França e Fábio Alves ganharam R$ 10 mil cada um como reconhecimento. O professor orientador recebeu R$ 7 mil e a pesquisa angariou R$ 10 mil para continuar a ser estudada. O melhor de tudo, segundo a equipe, é o custo das malhas.  De acordo com os alunos, uma malha para ar condicionado tradicional, desses mais antigos de caixa, custaria cerca de R$ 0,30. “Além de ser barata, a malha vai reduzir custos de manutenção e reparo de equipamentos eletroeletrônicos expostos a ambientes marítimos”, afirmou Rodrigo França. O próximo passo, segundo a equipe, é a melhoria do projeto, ainda sem funcionar 100%, e a tomada de capital. “Investimento leva à pesquisa. Pesquisa leva à melhoria para podermos colocá-lo à disposição da indústria”, completou Rodrigo.

____Com informações de Rodrigo França e Larissa Rodrigues, impresso.diariodepernambuco.com.br

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Túnel do Tempo

Alunas da Escola Santa Maria, década de 1960. ***** “Estas fardas são de um rigor estético admirável! Coloca qualquer estilista no bolso!”, afirma hoje Vitória Regia Andrade.  ***** O mundo era outro, os valores eram outros. As garotas sonhavam com  galãs de cinema como Rock Hudson, Troy Donahue, John Gavin...  Cantavam músicas de Elvis Presley, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves... E queriam ser professoras, casar depois da formatura e ter filhos. ***** Se alguém souber de todos os nomes das garotas, ou de alguns deles, gentileza enviar informações para o e-mail daslan@terra.com.br ***** Imagem: Facebook.

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Gente Fina
Diercio Guerra e Marcia Tarciana Alves de Oliveira, celebrando a vida durante evento recifense. Em pauta, niver dele, quarta-feira, 08 de junho.
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Maria Yvonne de Queiroz, timbaubense radicada em Aracaju, SE. Lúcida, atualizada, 104 anos de existência celebrados no dia 19 de abril.

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SESSÃO NOSTALGIA ESPECIAL - As minhas impressões sobre o concurso Miss São Paulo 2016

Daslan Melo Lima


Candidatas ao Miss São Paulo 2016

       Não conheço pessoalmente nenhuma das trinta candidatas que disputaram o  título de Miss São Paulo 2016. Com base exclusivamente nas fotos postadas na internet, antes de vê-las pela televisão, minha atenção maior, pela ordem das faixas que usavam, recaiu nas jovens abaixo, formando meu Top 5 particular:

Miss Arthur Nogueira, Natália Souza
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Miss Caconde, Sabrina de Paiva
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Miss Cidade de São Paulo, Marjorie Masiero Bresles
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Miss Ribeirão Pires, Fernanda Alves dos Santos
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Miss Ribeirão Preto, Marina Andrade Lemos
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O TOP 5 OFICIAL  DO MISS SP 2016 – Da esquerda para a direita: Marina Andrade Lemos, Miss Ribeirão Preto, segundo lugar; Fernanda Alves dos Santos, Miss Ribeirão Pires; Sabrina de Paiva, Miss Caconde, primeira colocada; Tayná Correira Pereira, Miss Americana, terceiro lugar; Marjorie Masiero Bresles, Miss Cidade de São Paulo. ***** Completaram o Top 10: Nathalia da Silva Quirino, Miss Indaiatuba - Caren Cristina Sibikoski, Miss Jundiái - Ana Beatriz Camargo, Miss Limeira - Graciele Di Monaco Nogueira, Miss Piracicaba - Alice Silva, Miss Sumaré.  ***** Completaram o Top 15:  Natália Aparecida de Souza, Miss Arthur Nogueira - Lorena Zamberlan Corona, Miss Ferraz de Vasconcerlos - Iara Oliveira de Souza, Miss Guarulhos - Nathália Pastoura, Miss Santo André - Natália Fabrizzi, Miss Suzano.
---------- (Fotos: Lucas Ismael / Band)
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         Assisti ao concurso pela Band, que transmitiu o evento ao vivo, na noite do sábado, 28 de maio, direto do Citibank Hall, capital paulista. Pelo WhatSapp, ficamos interagindo, eu e o  meu amigo Paulo d'Arce, do Recife, expert no assunto. Torci por Sabrina de Paiva, Miss Caconde, enquanto ele, tecendo observações relevantes sobre beleza facial, harmonia do corpo e conjunto, com sua tranquilidade de sempre, torcia por Fernanda Alves dos Santos, Miss Ribeiro Pires.   
     Transmitido ao vivo pela Band, com a ótima apresentação de Cássio Reis e Mariana Rios o evento, na minha opinião, foi dinâmico e envolvente. Aponto um detalhe excelente: aquelas perguntas consideradas decisivas foram feitas ao Top 5, sem que uma ouvisse a resposta da outra, protegidas que estavam com equipamentos auditivos antirruídos. Gostei do toque de espiritualidade de uma das perguntas: "Qual é a frase que você gostaria de ouvir de Deus quando se encontrar com ele?"
      Vou enumerar minhas críticas:
1 - Entendo que todas as candidatas devem ter o seu momento de glória na passarela, aquele  em que é apresentada individualmente. Antes de chamar  o top 15, todas as concorrentes deveriam ser apresentadas.
2 – Não vejo sentido algum a tal votação, pela internet, para ocupar uma vaga no top 15. Teoricamente, a julgar pelo número de habitantes  de uma cidade, venceria a miss de uma com população maior, ou a  que conseguisse reunir o maior número de pessoas para votar.
3 – Estranho ouvir  o nome do patrocinador  do concurso agregado ao título de beleza, Miss São Paulo Bee Emotions. Estranho. Basta  a logomarca na faixa.  
4 – Lamentável a ausência na comissão julgadora de uma Miss São Paulo de décadas passadas. Seria emocionante uma Miss de qualquer década no júri, recebendo uma homenagem especial.       
5Jéssica Vilela, Miss São Paulo 2015, fez seu desfile de despedida ao som de uma canção belíssima, um dos maiores sucessos musicais gravados por Elvis Presley, "Can't help falling in love". Uma pena não ter sido mostrado a cena completa para quem assistia pela televisão, pois enquanto ela desfilava era mostrado imagens de sua vitória no ano passado.   
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Sabrina de Paiva, Miss São Paulo 2016, é recebida com festa em cidade natal

Fonte: http://conexaopenedo.com.br/         
Fotos: Orlandinho/ Casé Assessoria/ Divulgação

          Três dias após ser coroada como Miss São Paulo 2016, Sabrina de Paiva foi recebida com festa em Caconde, sua cidade natal, na noite de terça-feira, 31. Por lá, a jovem de 20 anos participou de uma carreata e recebeu o carinho dos moradores do município de cerca de 20 mil habitantes. Depois, foi homenageada pelo prefeito e autoridades locais.
      “Estou com sentimento de vitória e felicidade. Quando cheguei aqui a cidade toda estava me esperando, tinha caminhão de bombeiros e um monte de carros para participar do desfile. Muita gente me parabenizou e os moradores pareciam muito felizes por eu ter levado o nome de Caconde da forma que levei”, comemora ela, que passa uns dias por lá para descansar. “Eu estava com saudades de todos. Quando reencontrei cada um, dos familiares aos amigos, só queria abraçar e beijar. Saí Miss Caconde e voltei Miss São Paulo. É uma sensação diferente e muito boa.”

Sabrina de Paiva recebe placa de Luciano Semensato, prefeito de Caconde.
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Sabrina de Paiva acena para moradores de Caconde.
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Sabrina Paiva participa de desfile em Caconde.
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         Entre os momentos que viveu durante a disputa e após a vitória, Sabrina conta que ficou emocionada com as mensagens que famosos postaram nas redes sociais comemorando a coroação dela, principalmente com uma de Taís Araújo no Instagram.  “Eu cresci assistindo a Taís Araújo na TV, ela sempre foi um exemplo para mim. Quando vi que ela me parabenizou pela vitória, nossa, fiquei muito feliz. E assim como ela foi referência pra mim, quero ser exemplo para outras meninas negras. Representatividade é importante”, conta ela, que comemorou ainda ter ficado entre os assuntos mais falados da internet. “A repercussão foi grande e fiquei satisfeita com isso. Muita gente falou coisas lindas sobre a minha vitória, até vi um vídeo de uma menina que aparece arrumando o cabelo e, quando a mãe pergunta quem ela está imitando, ela fala que é a Miss São Paulo. É muita alegria.”
        Embora festeje a conquista da coroa e da faixa, Sabrina conta que não esperava levar o primeiro lugar no concurso. “Eu nunca pensei em ganhar. Queria mesmo ficar entre as cinco para ter visibilidade e mais portas se abrirem pra mim. Vencer não passava pela minha cabeça”, lembra ela.
        Vitoriosa, ela não quer perder nenhuma oportunidade que surgir a partir de agora. Nos próximos dias ela deixará sua rotina em Caconde – que inclui trabalhar em uma loja de roupas e estudar Publicidade e Propaganda – e se mudará para São Paulo. Na capital paulista, vai assumir seus compromissos como Miss e conciliar com a carreira de modelo.
        “Quero te agenda cheia. Tem que ser correria o dia todo, a semana toda”, planeja ela, que também não vai perder de foco a disputa do Miss Brasil, em outubro. “Quero melhorar como um todo. Desde oratória, passarela até o corpo. Quero fazer bonito e também ganhar, claro.”
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Foto: Orlandino / Casé Assessoria/ Divulgação
     A vida de Sabrina de Paiva jamais será a mesma. Um título de Miss muda a vida de uma garota para sempre. Miss para sempre Miss. A vida da jovem esforçada de Caconde, que teve de contar com a ajuda financeira  de familiares e amigos para ir em busca de um sonho,  jamais será a mesma.
      Até onde ela irá? Em Caconde, morava. Em São José do Rio Pardo, SP, trabalhava numa loja de confecções.  Em Guaxumé, MG, estudava o primeiro ano de Publicidadce e Propaganda. Cidades próximas, mas viagens diárias cansativas. A julgar por sua determinação, irá longe.
       Por outro lado, o nome da  cidadezinha de Sabrina de Pàiva, Miss São Paulo 2016, Cacondeda qual eu nunca tinha ouvido falar, passou a ter uma visibilidade incomum. Seus conterrâneos jamais vão esquecer o mês de maio de 2016.

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O concurso Miss São Paulo 2016 está disponível no Youtubee por partes. Alguns trechos estão com áudio desativado devido a direitos autorais.

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sábado, 28 de maio de 2016

Quando as lágrimas teimam acompanhar o rio

Rio Capibaribe-Mirim, Timbaúba, PE (Foto: DML/Passarela Cultural)
CHEIRO DE INFÂNCIA - Diante do Rio Capibaribe-Mirim, caudaloso em decorrência das últimas chuvas, fico embriagado de lembranças da infância. O cenário e o cheiro remetem ao Rio Canhoto em época de invernada alagoana em São José da Laje. 
Outro ângulo do Rio Capíbaribe-Mirim, Timbaúba, PE (Foto:Arquivo Pessoal/DML)
        Enquanto o menino que fui deseja ficar mais tempo contemplando o Capibaribe-Mirim, eu vou me afastando devagarinho, pois minhas lágrimas teimam acompanhar o rio e se afogar no mar. 

Rio Canhoto, São José da Laje, AL (Foto: Higo Fernandes/Arquivo Pessoal)
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- Daslan Melo Lima, maio em Timbaúba, Pernambuco.

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REFLEXÃO


"Saibam escutar, e estejam certos de que o silêncio muitas vezes produz o mesmo efeito que a ciência."
- Napoleão Bonaparte (1769-1821), militar, líder político e imperador francês.
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De Timbaúba para o Mundo - Miss "Pirua" 2016, um Carnaval para recordar

UM CARNAVAL PARA RECORDAR - "Piruas", quando os machos sonham ser Misses

     Há alguns anos a revista VIP realizou uma enquete entrevistando um grande número de homens em várias capitais brasileiras, sobre questões referentes ao carnaval. Os resultados da enquete foram surpreendentes, apesar de não ser novidade o gosto ou o sonho de muitos homens por se vestirem de mulher no carnaval. Segundo os resultados da pesquisa feita com os leitores da dita revista, 3,5% dos entrevistados afirmou que gostam do carnaval justamente porque podem vestir-se de mulher, outros 2,6% dos entrevistados estar vestido de mulher já vale o carnaval dos sonhos e outros 3,2% dos entrevistados afirmam que o lugar mais divertido para pular carnaval é nos blocos em que os homens se vestem de mulher. Resumindo a enquete, cerca de 10% dos homens entrevistados passam ou gostariam de passar o carnaval vestidos de mulher.
         Desde que se tem lembrança do carnaval, esse fenômeno acontece no Brasil inteiro, homens que são héteros e muito machos, e outros nem tanto, se vestem de mulher e soltam a franga, ou seja,  assumem um lado feminino, alegre e com desinibição, fazendo a festa com muita diversão. E vale prestar atenção, eles nunca usam uma roupa e uma maquiagem discreta ou elegante, na grande maioria das vezes assumem o papel de uma mulher vulgar com vestidos justos e sensuais, uma maquiagem pesada, batons muito vermelhos, seios grandes, decotes ousados, fendas e saltos altos, mesmo que se equilibrem com visível dificuldade. 
        Homem vestido de mulher no carnaval é um fenômeno nacional.   Muitos psiquiatras e outros especialistas já tentaram explicar este fenômeno, mas não chegaram a um consenso. Entre tantas teorias vigentes a que tem mais adeptos é aquela que afirma que o carnaval é a oportunidade que os homens encontram de exorcizar a  fragilidade e afetividade reprimida no dia a dia, ou mesmo, soltar a franga.
      Este ano, o bloco irreverente timbaubense As Piruas (assim mesmo, com a letra “i”) completou 25 anos de existência e levou às ruas dezenas de rapazes, a maioria com um sonho: ser eleita Miss Pirua 2016
     
      
       Danilo Gadelha, vestiu azul em homenagem a Pia Alonzo WurtzbachMiss Filipinas, Miss Universo 2015, e faturou o primeiro lugar. Seu maior concorrente foi Rafael Carlos, de Roqueira, que conquistou o segundo lugar, enquanto Cleto Silva, de Oriental, faturou o terceiro lugar. Danilo ganhou troféu, 150 reais em dinheiro e uma faixa elaborada pela empresa Imagem-Gráfica Rápida. Os demais finalistas, prêmios em dinheiro e troféus.          A comissão julgadora foi composta pelo professor Leomir Lima, Franciele Roberta (Garota Verão de Timbaúba 2015), e pelo artista Leo do Pagode, sob a coordenação geral deste editor.

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UM FATO EM FOCO

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Rua de Goiana. Um cano d'água estourado cobriu o calçamento e deixou um buraco escondido sob as águas. Resultado: um veículo danificado. Fotos enviadas por Walfredo Silva, via whatsapp. 

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TÚNEL DO TEMPO – As garotinhas, alunas da Escola Santa Maria, nem se davam conta naquele ano, o primeiro da década de 1960, que seriam testemunhas de uma época marcante para o Brasil e para o planeta Terra. 
Entre os fatos históricos, a Guerra do Vietnam; as mortes de John Kennedy e Martin Luther King; a chegada do homem à lua; a minissaia; os títulos de Miss Universo conquistados pela gaúcha Ieda Maria Vargas e pela baiana Martha Vasconcellos; a Palma de Ouro do Festival de Cannes concedida ao filme brasileiro “O Pagador de Promessas”; o golpe militar; os festivais de música; a Jovem Guarda... 
Aquelas garotinhas nem se davam conta de que um dia, lá longe, acessariam este blog e entrariam no túnel do tempo com os olhos marejados de lágrimas, lágrimas de saudades de um tempo que se foi, para sempre se foi. 
- Foto: Cortezia.
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SESSÃO NOSTALGIA - A vida anônima de Zezé Leone, Miss Brasil 1922

Daslan Melo Lima

     

      Natural de Campinas, SP, onde nasceu em 1º/12/1902, mas radicada desde os sete anos de idade em Santos, SP, Maria José Leone, ou simplesmente Zezé Leone, tornou-se um ídolo nacional ao se eleger Miss Brasil 1922. Zezé Leone morreu no dia 30/11/1965, em decorrência de um AVC-Acidente Vascular Cerebral.         O texto e as imagens abaixo foram extraídas da Revista do Globo, ano XXIV, nº 592, de 08/08/1953, mostrando o anonimato em que ela vivia, trinta anos depois de eleita a mulher mais bela do Brasil. 

    Na transcrição da reportagem, respeitei as regras de ortografia e pontuação da época, tal e qual foi postada há 63 anos, a fim de que esta matéria tenha a característica de documento de um tempo que se foi.



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Zezé Leone: Em São Paulo, Anônimamente
Reportagem de Daniel Linguanotto
Revista do Globo, ano XXIV, nº 592, 08/08/1953

      Por ter sido o primeiro ou por outros motivos, todos os cronistas concordam que o concurso para eleição de “Miss Brasil”, realizado em 1922, foi o mais rumoroso. Avassalou o país. Um deus-nos-acuda. Um impacto tremendo no “berço esplêndido”, onde madornava a nossa vida social de país adolescente. E transformou Zezé Leone, sossegada mocinha paulista, num ídolo nacional. Sua figurinha mignon tornou-se o símbolo das “melindrosas”, versão antiga dos nossos “brotos”. Seu “pega-rapaz”, uma vírgula de cabelo tombado na fronte, inspirou poetas e pintores e acabou imortalizado no traço de Raul Pederneiras.
     Se faltavam os jornais e revistas de grande circulação; o rádio solerte; os shorts cinematográficos, havia o entusiasmo pela novidade inventada pelos americanos. Havia o gramafone a exaltar em maxixes e fox-trots a “beleza sem carmin” de Zezé Leone. Ainda hoje muita gente possui aqueles pratos de cerâmica colorida, de pendurar na parede, com a sua figurinha graciosa. Trinta anos faz isso.
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Graciosa como em 1922, a primeira Miss Brasil conserva ainda o vestígio do antigo “pega-rapaz”, aquela vírgula de cabelo pendida na fronte.
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      Hoje, posta em sossego, como se jamais tivesse experimentado o brilho da glória, modesta e simples, fui encontrá-la em São Paulo. Zezé Leone mora num bonito apartamento, cujo enderêço ela me pede não divulgar para não ser importunada. “Na idade da discreção, mas ainda de boa sombra e belas côres”, como diziam os autores quinhentistas, Zezé Leone conserva todo o gracioso encanto que fêz dela o símbolo de beleza da mulher brasileira da década de 1920 e 1930. Quer agora, porém, desfrutar apenas a glória do lar, anônimamente. Desfez-se dos recortes de jornais e revistas da época, das fotografias, de todas as reminiscências. Vive para o marido. Não tem filhos. Teve uma menina, morta em pequena. Dedica-se com desvelo a uma sobrinha-neta nascida no dia em que o repórter a procurou.
      Cêrca de duas horas durou a nossa conversa. Mas foi sobre generalidades, Zezé Leone não quis responder de pronto as perguntas sobre o concurso.  - Já não me lembro de quase nada da época – desculpou-se. Deixei as perguntas por escrito. Ela iria tentar, durante os seus vagares domésticos, respondê-las, como, de fato, respondeu-as. Telegraficamente! As perguntas eram mais extensas do que as respostas!  - Não guardo saudades – justificou. – O concurso, o título de “Miss Brasil” me trouxeram mais aborrecimentos do que alegria. Meus pais não se opuseram. Mas se eu tivesse uma filha, jamais consentiria que ela concorresse a um concurso dessa natureza.

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Zezé Leone teve mais popularidade que o então Presidente da República Arthur Bernardes. Hoje, na sua simplicidade, faz ainda “boa sombra”.
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      Não pude apurar quais foram os seus aborrecimentos, porque esta pergunta foi respondida por escrito, tal como está. Acredito que não se deve ao certame, pois ela confessa que foi imensamente homenageada com recepções, bailes, festas. Recebeu todos os prêmios prometidos. Uma casa em Santos, viagem à Europa, que por sua desistência foi transformada em dinheiro, jóias, objetos de arte, vestidos. Fêz um filme, que se chamou “A mais bela”, rodado em Itanhaem pela Campos Filme. Embora, de tudo, de todas as homenagens que recebeu em 1922, apenas de uma se recorda realmente com carinho e emoção. Foi a que lhe prestou a cidade de Campinas. E aqui Zezé Leone me pede para fazer uma retificação “histórica”: não é santista, como se pensa. É campineira. Daí a satisfação em receber as homenagens dos seus conterrâneos.
      Em 1922, Zezé Leone morava em Santos com a família e foi surpreendia pelos acontecimentos. “Dados aos  moldes do concurso”, explica, seus pais concordaram em que ela se inscrevesse. Escolhidas três representantes de cada Estado, por votação popular, deveriam elas submeter-se a um júri no Rio, composto de nomes de projeção na vida artística e intelectual do país. Recorda-se de dois dêles: o pintor Batista da Costa e Raul Pederneiras, professor de direito e expoente da charge na época. Foram suas companheiras na jornada de São Paulo ao Rio, Orminda Ovale e Dorotildes Adams.

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Orgulhosa dona de casa, depois de ter jogado fora tôdas as fotos e reminiscências do concurso de 1922, vive apenas para a glória do lar.
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      Tudo aconteceu meio de repente. Chegara à Capital da República precedida, é verdade, de prestígio que lhe dera o fato de ter sido escolhida como a mais bela paulista. Mas com ela seguiram outras duas portadoras das mesmas credenciais. Assim quando o júri a proclamou a moça mais bonita do Brasil... quase desmaiou! Daí em diante foi o delírio, uma vida corrupiante que durou meses. Festas, festas, festas. E o seu nome impresso em todos os jornais, na cêra de quanto disco rodou o país em maxixes, valsinhas e fox-trots, exgotando a inspiração dos compositores. Glória de embatucar o próprio Bernardes, então preocupadíssimo com os problemas do seu governo tumultuário. Depois o filme, levando a sua beleza e vivacidade através do celulóide e exibido em todos os “poeiras” do país. E as alegres caricaturas da Raul na “Revista da Semana”, no “Malho”, na “Careta”: um círculo do qual escapava uma interrogação, o “pega-rapaz”. Era o quanto bastava para o público adivinhar a “melindrosa” Zezé Leone. Até marca de cigarros com o seu nome surgiu. Em suma capa de todas as revistas, o “motivo” de decoração de todas as vitrinas, o símbolo, afinal da beleza da mulher brasileira. Até há pouco tempo havia ainda no Rio um hotel com o seu nome.

     E note-se, naquele tempo não havia os famosos e concorridíssimos desfiles em maillot! – No meu tempo – informa Zezé Leone – o que importava era a linha do rosto. E modestamente acrescenta que os concursos de hoje são mais “puxados”, porque exigem perfeição de conjunto. – As moças de hoje – finaliza – são incomparàvelmente mais bonitas que as de 1922. Creio que para isso tem concorrido a prática dos esportes e as gentilezas da moda.
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      Embora a matéria acima cite Zezé Leone como a primeira Miss Brasil, vale a pena esclarecer o que se segue: 

1 - Na revista O Cruzeiro, ano XXXVII, de 22/05/1965, o jornalista Brício de Abreu (1903-1970) citou Aymée, artista de opereta e canto, francesa radicada no Rio de Janeiro, como a primeira Miss Brasil. Esse título é questionado pelos missólogos. Aymée simplesmente venceu uma enquete promovida por  Gryphus, jornalista do “Diário do Rio”, para saber, entre críticos e intelectuais, qual era “ a artista mais linda do Rio de Janeiro “. Tal fato só ficou conhecido graças a uma crônica do escritor Machado de Assis (1839-1908) falando sobre a eleição.
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2 - Não há dúvida em apontarmos Violeta Lima Castro, do Rio de Janeiro, como a primeira Miss Brasil de todos os tempos, eleita em 1900. 
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3 - Antes de Zezé Leone, também houve um concurso  no Rio de Janeiro, do qual saiu vitoriosa Noêmia Nabuco de Castro, considerada a Miss Brasil 1912. 
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4Depois de Zezé Leone, vieram: Olga Bergamini de Sá, do Distrito Federal (1929); Iolanda Pereira, do Rio Grande do Sul (1930); Ieda Telles Menezes, do Distrito Federal (1932); Vânia Pinto, do Distrito Federal  (1939) e Jussara Marques, de Goiás (1949). 
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5 - Foi em 1954, com Martha Rocha, Miss Brasil e vice-Miss Universo, que o concurso Miss Brasil ressurgiu marcando época, antes e depois da baiana com suas lendárias duas polegadas a mais nos quadris.
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         Ao encerrar  a última Sessão Nostalgia de maio de 2016, deixo aqui uma imagem da Zezé Leone quando era menina, e esta citação de Platão, para reflexão de você, leitor, leitora: "Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."

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