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sábado, 9 de setembro de 2017

SESSÃO NOSTALGIA – “Nunca fiz mal a ninguém, mas a vida me castigou.” Os desabafos de Marta Rocha, a eterna Miss Brasil

Daslan Melo Lima

      Quem vai celebrar idade nova no dia 19 deste mês é Marta Rocha, a mais famosa Miss Brasil de todos os tempos. Dela já se falou incontáveis vezes, inclusive de ter perdido o título de Miss Universo por causa de duas lendárias polegadas (5,08 centímetros) a mais nos quadris. O que falar sobre ela? 

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      Encontrei algo diferenciado no meu acervo, a revista Claudia (Ano XIII, nº 153, junho de 1974), com marcas do tempo.  A publicação traz uma reportagem de quatro páginas com texto de Lea Maria Reis e fotos coloridas clicadas por Marisa de Lima, onde Marta Rocha confessava ser míope, pontual, perfeccionista, vaidosa, às vezes feia. E desabafava várias vezes.

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Marta Rocha - 20 anos depois

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        Tímida, míope, sofrida, gente. Pouca gente conhece este lado da imagem de Marta Rocha Xavier de Lima, miss celebrizada até em letra de samba, modelo de beleza – até hoje – das mulheres brasileiras e, sobretudo, namorada de um povo inteiro, com foto pregada em porta de guarda-roupa de toda uma geração. Hoje, mãe de três filhos, casada com o industrial Ronaldo Xavier de Lima – seu segundo casamento -, Marta talvez seja ainda mais bela. Mais consciente de sua pessoa humana, e não apenas de uma imagem. Um pouco triste, quando diz:
     - Ninguém nunca me perguntou se sou bonita por dentro. Olhe, minha alma não é feia, não. Nunca fiz mal a ninguém, mas a vida me castigou. No entanto, se tivesse que recomeçar, faria tudo o que fiz outra vez. Às vezes, o lendário olhar azul foge, e ela, sentada no terraço de sua cobertura da avenida Atlântica, em Copacabana, se torna um pouco como que ausente. O olhar foge para o mar, uma de suas paixões (“as outras são cachorro, cavalo, árvore, flor, natureza, tudo o que é belo e natural”), mas quase imediatamente, fração de segundo, Marta volta à conversa e me diz:  
    - Por que você não me deixa fazer algumas perguntas, eu mesma? Coisas que nunca ninguém teve ideia de me perguntar.
     - Por exemplo...
    - Ninguém nunca me perguntou como sou na realidade. Poucos são os que conhecem. Têm uma imagem muito vazia de mim. No fundo, poucos foram os que me deram realmente atenção, no sentido de indagarem quem é Marta Rocha.
    “Para começar, sou míope. Sou perfeccionista – como convém a alguém nascido sob o signo de Virgem. Nada deixo pela metade na tarefa que me proponho fazer. Sou pontual. E cansei de não procurarem saber como é meu espírito. Sou forte, Me recupero sempre. E às vezes sinto dores de cabeça fortes.”

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A excessiva emoção levou Marta à Psicanálise


          “Sofria demais com a miséria humana, hoje procuro mudar: me libertar de uma excessiva emotividade que projetava nos outros, nos desastres que aconteciam com amigos, nas tristezas deles, em seus problemas. Hoje, estou mais do que nunca preocupada em viver no nível da realidade.”
          Por isto Marta faz psicanálise. Quatro vezes por semana. Há um ano. É uma mulher ocupada em se conhecer e, justamente como diz, em “viver num nível de realidade”. Sem idealizações. Nascida num dia 17 de setembro, sétima filha entre os onze irmãos da família de Álvaro Rocha, engenheiro e professor baiano, de Salvador, e de Hansa Heckel Rocha, de origem alemã, nascida no sul, Marta sempre ouviu dizer, desde criança: “Os olhos dela são duas contas azuis; sua pele parece louça”.
        Estudante, quando mocinha, do Colégio Sofia Costa Pinto, estudava alemão, francês, inglês, espanhol. Era interessada em línguas e vivia sua vida de garota da Barra – do Farol da Barra, como ela mesmo frisa -, classe média, lindíssima, “só que o rosto era um pouco mais bochechudo”, quando pediram ao pai concorresse ao Miss Bahia. Era o ano de 1954. Em julho do mesmo ano, depois de eleita a mais linda da Bahia, Marta era coroada, no Hotel Quitandinha, Miss Brasil e, logo a seguir, em meio a uma campanha de publicidade intensa, era considerada a moça mais bonita do concurso internacional de beleza, em Miami. Apesar do segundo lugar – Miss Universo foi eleita a americana Miriam Stevenson -, e todos sabiam que Marta era o rosto e o corpo mais harmoniosos do concurso. Sua premiação foi de Miss Universo: - Lembro bem: me deram um Dodge especial, branco, forrado de vermelho, conversível, que trouxe comigo e que usei muito. – Ela diz isto rindo. – E pérolas, e presentes, quantos presentes!
          Eram dias de glória e de fama. Marta Rocha – e a célebre história de suas duas polegadas a mais (na verdade era uma só, ou seja, cerca de três centímetros) – tornava-se o primeiro ídolo nacional da sociedade brasileira prestes a entrar na sua fase de comunicação de massas.
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Corrigindo a reportagem: Marta Rocha nasceu num dia 19 de setembro. O concurso Miss Universo 1954 foi realizado em Long Beach. A história sempre foi de duas polegadas a mais nos quadris. Uma polegada equivale a 2,54 centímetros. Duas somam 5,08 centímetros.
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Todas se achavam seu namorado, mas quem venceu foi Piano

Não ganhou o título, mas ficou com a glória - A revelação em 54: Marta perde o titulo de Miss Universo, mas torna-se ídolo nacional, letra de música, exemplo, namorada de uma geração. Daí para o casamento com Piano é um passo. No carnaval é capa de revista, o ídolo de sempre.
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Marta Rocha: sempre notícia, sempre modelo - No segundo casamento, vestiu azul: as noivas do ano desistiram do branco. Marta era moda de novo. Cada filho seu se transformou em manchete, como é notícia cada fantasia que usa para realçar sua beleza. 
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          “Namorada do Brasil” era o título que mais frequentemente lhe davam. Todo brasileiro da época sentia-se assim: namorado de Marta. Então, ela conhece o português Álvaro Piano, radicado na Argentina, banqueiro. Casa aos 23 anos. Vai morar em Buenos Aires, torna-se mãe de Álvaro, hoje com 17 anos, olhos azuis iguais aos da mãe, garoto louro e bonito. Dois anos depois Piano morre em desastre de aviação em Mar del Plata. Marta, viúva, volta ao Brasil, em férias. Nova consagração. No Maracanãzinho recebe a maior homenagem à sua beleza. Vestia roupa preta, era discreta, apesar de aparecer assim, para a multidão, ao vivo. É quando conhece um dos rapazes da famosa turma da rua Miguel Lemos, de Copacabana, Ronaldo Xavier de Lima, que em companhia de amigos, visita Marta, na casa de sua maior amiga, Bebete Freitas, no Rio, pedindo seu apoio para uma campanha política de um companheiro do grupo.
        Conversa vai, conversa vem, os dois começam a sair juntos. Primeiro programa: um passeio no Itanhangá Gol Club, onde Ronaldo jogava pólo (coisa que faz até hoje, ele é um apaixonado desse esporte, e, no estúdio recém construído na cobertura do casal, várias taças, sobre uma cômoda, atestam sua habilidade). Ronaldo vai à Bahia, pede Marta em casamento. A cerimônia é realizada com pompa, em meio a uma multidão delirante, na igreja da Candelária. Marta usava um vestido azul-claro, da Casa Canadá, com uma capa por cima. A roupa faz escola, várias noivas dos próximos tempos copiam o feitio.
       Para Marta começava uma segunda etapa em sua vida. Torna-se mãe de mais dois filhos: Carlos Alberto, hoje com 16 anos, e Cláudia, de 10 anos. “Os três, observa Marta, “têm grande personalidade. São teimosos, às vezes, mas sempre sabem o que querem. Eu adoro isto, neles.” E então, chega-se a hoje. Vinte anos depois, Marta diz, enquanto é fotografada: “Estou cansada de usar penduricalhos. Quero o esporte, o descontraído, quero as calças compridas, quero o informal.”
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Corrigindo a reportagem: Álvaro e Carlos Alberto são filhos de Marta Rocha com o seu primeiro esposo, Álvaro Piano. Com Ronaldo Xavier de Lima, seu segundo esposo, ela teve apenas uma filha, Cláudia. 
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Sinto-me bem em qualquer ambiente: pobre ou grã-fino


          - Então por que frequenta com tanta assiduidade as festas formais da alta sociedade?
          - Porque gosto de frequentar lugares – sejam grã-finos ou simples e pobres – onde me sinta bem. Se estou me sentindo bem, não me importa onde estou.
             - E a solidão? Incomoda, às vezes?
          - Há momentos em que gosto de ficar sozinha. Mas, afinal, fui criada numa casa sempre cheia. Com muitos irmãos. Com muito movimento: gente entrando, gente saindo, amigos, calor. A solidão não me incomoda. Sempre que quero, tenho amigos que me aconchegam. “Mas sofri muito. Me sinto muito sensível. E sofri sem necessidade. Por pessoas que às vezes nem conhecia, que nem me diziam respeito. Há frustrações. Por exemplo: não ter estudado mais.  Agora, quero voltar à faculdade – são projetos para o ano que vem. Quero estudar línguas e me aprofundar nos estudos.”
          Marta vaidosa. Assumindo a vaidade natural da mulher. Cuidando da linha. “Sem precisar ser magérrima, como um manequim de Dior. Sem fazer disto religião. Mas me sentir bem fisicamente.” Come frutas, peixes, carnes, sempre que engorda mais um pouco. “Mas detesto alface. E adoro agrião. Como agrião todos os dias.” Verduras, legumes. Biscoitos cream crackers dietéticos. Ioga. “Faço sozinha. Aprendi. Faço ioga antes de dormir, quando estou muito tensa. É ótimo.” Para a pele – ainda uma pele de “de louça”, com um bronzeado natural, surpreendente, que não precisa de nenhum creme bronzeador – Marta usa creme hidratante. Da Revlon. Com vitamina E. E o creme Acquamarine, também da Revlon, para o corpo. Seu peso, hoje, é de 58 quilos. O manequim, 42. A altura de Marta: 1,70 m. Suas roupas são simples. Os vestidos importantes, sempre de Gérson, seu costureiro predileto, já há anos. Brancos, azuis, verdes, as cores preferidas para vestir. E de roupas esportivas, os jeans, as malhas, as peças compradas em várias boutiques. “Onde passo e vejo alguma coisa de que gosto; não há nenhuma preferida em especial.” Seu cabelo é Demoar – que faz o corte de seus cabelos louros, de um louro natural. Ou então Jambert. O seu maquiador – ela usa maquilagem – é Paulo Flores.  
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Marta se diz dinâmica, ordeira, arrogante

        Organizada, meticulosa, Marta diz que gosta de ter tudo cuidado, guardado “em caixas que sei sempre onde estão e o que contêm”. É dinâmica: “Não sei ficar parada. Sabe? Me conheço já bastante. Sei, por exemplo, que sou decidida, determinada. Arrogante, no sentido em que me protejo da curiosidade alheia, malsã”.
            - Mas dentre as perguntas que você gostaria de fazer...
          - “Você sacha que todo mundo tem a obrigação de me achar bonita?” é uma delas. Eu respondo: “Não. Entendo perfeitamente que haja gente que me ache feia. Eu mesma, quantas vezes, me acho feia”.
         Ela é muito honesta quando mostra a necessidade que sente de ser reconhecida e aceita pelo que é. Não pela beleza extraordinária. Insiste: “Minha alma não é feia. Se eu pudesse, faria todas as pessoas felizes. Se tudo dependesse de mim, tudo seria mais bonito.
          O olhar azul da “namorada do Brasil”, de até hoje ídolo, foge outra vez para o mar. Mas ela sabe que ainda hoje – porque sua amiga Bebete, está presente, e conta – é um símbolo de beleza para a alma brasileira. O jornaleiro da esquina outro dia mesmo comentava: “Dona Marta? É incrível. Depois de vinte anos, ela ainda é quem mais vende revista aqui, em Copacabana. Marta Rocha na capa esgota rapidamente". E isto pesa. Sem dúvida.

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Marta Rocha -  Foto: Mário Sérgio Costa/Divulgação


        Depois daquele julho de 1974, quando foi focalizada na Claudia, o casamento de Marta Rocha com Ronaldo Xavier de Lima, já falecido, acabou. Teve outros relacionamentos. Enfrentou aborrecimentos e conheceu dificuldades financeiras. Viajou muito pelo Brasil e recebeu lindas homenagens.
             Feliz idade nova, Marta Rocha, eterna namorada do Brasil. 

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Esta é a capa da revista ClaudiaAno XIII, nº 153, junho de 1974.
A jovem é Ângela Catramby (1952-2016), Senhorita Rio 1968.

sábado, 9 de julho de 2016

SESSÃO NOSTALGIA - Martha! Martha! Ninguém tem o teu violão!

Daslan Melo Lima




          Fico a pensar como era elevada a autoestima daquela jovem ao ouvir o refrão da marchinha que enaltecia sua beleza: “Martha!  Martha! / Não ligue mais pra isso não! / Martha! Martha! / Ninguém tem o seu violão”.  A música Duas Polegadas, de Pedro Caetano,  Alcyr Pires Vermelho e Carlos Renato, enaltecia Martha Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954. Falava do inconformismo de uma nação, por sua representante ter perdido o título máximo da beleza universal para Miriam Stevenson, Miss Estados Unidos, derrota atribuída às lendárias duas polegadas a mais nos quadris, algo em torno de cinco centímetros.  


          DUAS POLEGADAS
Martha Rocha e Miriam Stevenson. (O Cruzeiro)

         Na realidade, a justificativa de Martha Rocha não ter sido eleita Miss Universo, nada mais foi do que uma  invenção do jornalista João Martins, da revista O Cruzeiro, para consolar os brasileiros. Detalhe importante: a música foi gravada pela própria Martha Rocha.



Por duas polegadas a mais
Passaram a baiana pra  trás
Por duas polegadas e logo nos quadris
Tem dó, tem dó, seu juiz.

Martha!  Martha!
Não ligue mais pra isso não
Martha! Martha!
Ninguém tem o seu violão.
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TODO O BRASIL SE UFANA

         Outra música, desta vez Martha Rocha (Miss Brasil), composição de Wilson Batista, Jorge de Castro e Américo Seixas, gravada pelo cantor baiano Vitor Bacelar (1911-2005), dizia assim:

Todo o Brasil se ufana
Junto do teu pedestal
E te oferece, oh! Baiana,
A coroa da beleza universal.

És botão em flor que desabrocha
No encanto do teu perfil
Martha! Martha Rocha!
Recebe esta homenagem do Brasil.


           Eu conhecia há anos a primeira música, mas a outra só recentemente,  graças ao meu amigo Roberto Macêdo, missólogo, pesquisador, jornalista e escritor baiano, que  enviou-me por e-mail alguns links do Youtube sobre a trajetória da mais famosa Miss Brasil de todos os tempos.
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ABRAÇO FRATERNAL

       

  Emilinha Borba e Martha Rocha. (Revista do Rádio)
      
      Martha Rocha também gravou em dueto com Emilinha Borba (1923-2005) o samba Abraço Fraternal, autoria de Pedro Caetano, Carlos Renato e Alcino Guedes.

Emília, você não sabe
Como eu estou contente
Com o carinho desta gente
Aqui da sua capital.
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Martinha, você merece
Porque é lá da Bahia
E a sua  simpatia
É interestadual.
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Meu  coração encantado
Agradece a gentileza
E enaltece e natureza
Por seu Rio sedutor.
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Quem agradece é o Rio
Esta honra da visita
Da baiana mais bonita
Que nos vem de Salvador.
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Vamos deixar de confete
Acabou-se o carnaval
Terminemos o nosso show
Num abraço fraternal.
Não falemos da Bahia
Nem do Rio de Janeiro
Falemos da nossa terra que é o Brasil inteiro.
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                Vale a pena recordar retalhos de uma época, relíquias de um tempo que se foi, onde o interesse do nosso Brasil pelas misses era tão grande quanto é hoje o entusiasmo pela Copa do Mundo. 
          

Duas Polegadas
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Martha Rocha (Miss Brasil)
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Abraço Fraternal
https://www.youtube.com/watch?v=8ah_oEPG9Xk
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Martha desembarca em Salvador como vice-Miss Universo
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Visita de Martha Rocha a Araçatuba
https://www.youtube.com/watch?v=H1epNwWmXfI

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sábado, 20 de junho de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - Julho de 1961, quando Marta Rocha estava em Sétimo Céu

Daslan Melo Lima

     Sétimo Céu, esse era o nome de uma das muitas revistas de fotonovelas dos anos sessenta, impressa e editada pela empresa Bloch Editores, que contava em quadrinhos encantadoras tramas românticas, quase todas ficção, mas algumas,  de vez em quando, inspiradas na vida real. Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954, foi a protagonista da edição de julho de 1961, com sua vida narrada em mais de sessenta páginas. 
     Na tarde deste sábado pernambucano,  enquanto sopra o  vento frio, próprio da época junina, retiro a  revista do meu acervo para mais um mergulho delicioso num tempo mágico que se foi, e reencontro Marta Rocha...

... na capa;
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nas praias de Salvador;
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na passarela do Quitandinha disputando o título de Miss Brasil;
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desfilando em Long Beach, onde perdeu o título de Miss Universo 1954 por causa das lendárias duas polegadas a mais nos quadris;
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na companhia do seu primeiro esposo, o argentino Álvaro Piano, vítima fatal de um desastre de avião em Mar del Plata;  
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ao lado dos filhos; 
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casando com Ronaldo Xavier de Lima;
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voando para a Europa em lua-de-mel.
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     Leio e releio a legenda da última foto: "Quem poderá esquecer a baianinha loura, de olhos azuis, que saiu lá da Barra de Salvador para conquistar, com a sua beleza e a sua simpatia, o amor de todos os brasileiros?" 
    Fecho a revista e grito em silêncio para o vento frio o que ele já sabe há muitos anos: Ninguém! Ninguém jamais poderá esquecer a eterna Miss Brasil !

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sábado, 8 de junho de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - MIRIAM STEVENSON, MISS UNIVERSO 1954, UM DOCE DE CRIATURA

Daslan Melo Lima

      

         A baiana Martha Rocha perdeu o título de Miss Universo 1954 por causa de duas polegadas a mais nos quadris. Essa história já foi contada em verso e prosa milhares de vezes. Mas quem era  a jovem que ganhou de Martha Rocha?  Um doce de criatura, conforme reportagem de fevereiro de 1955, quando Miriam Stevenson esteve no Brasil e a revista O Cruzeiro enalteceu sua beleza e personalidade.
      Nesta noite do segundo sábado de junho de 2013, enquanto chove lá fora, nada melhor para combinar com o clima do que resgatar mágicas histórias de um tempo que se foi.  A foto ao lado é da revista Mundo Ilustrado, copiada da Internet, mas as imagens abaixo foram reproduzidas da citada O Cruzeiro, uma das relíquias do meu acervo que ora compartilho com os saudosistas.
     A qualidade das imagens reproduzidas não ficou boa, mas prometo reverter o problema nos próximos dias.
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A MOÇA QUE VENCEU EM LONG BEACH – MIRIAM STEVENSON SOB O SOL CARIOCA (Texto e fotos de João Martins, revista O Cruzeiro, 05 de março de 1955)
         


 
Passeando de barco a motor, pela Guanabara, ela viveu algumas horas tranquilas e pode apreciar a beleza do Rio de Janeiro. Miriam é uma moça simples. As multidões a constrangem. Não se acostumou à notoriedade.  Miriam esteve em Copacabana, mas em pouco tempo foi reconhecida e teve de fugir aos caçadores de autógrafos. Na verdade, ela gostaria de ficar incógnita e tomar o seu banho de mar em paz, como todo mundo.

      Miriam Stevenson, a Miss Universo 1954, vencedora no ano passado, em Long Beach, do título de “a moça mais bela do mundo”, é uma flor de criatura. Não vamos debater aqui se ela mereceu ou não mereceu a vitória. Os juízes decidiram e não adianta chorar, o que além de contraproducente, é feio e antiesportivo.  Ainda mais sendo ela agora nossa hóspede, seria o cúmulo da estupidez querer aproveitar a ocasião e estabelecer paralelos com a nossa candidata e fazer um julgamentozinho à base do sentimento nacionalista: isso seria uma atitude não só inútil como, principalmente, inferior e incivil. Mesmo porque, aqueles que teimam em levantar comparações entre Miriam e Martha Rocha estão perdendo o tempo e o latim. As duas são de dois tipos inteiramente diferentes. Martha tem a flamante beleza selvagem de uma onça pintada, enquanto Miriam tem a plácida beleza cândida de um cordeirinho de presépio. Pode-se gostar mais de uma ou de outra, assim como há quem prefira o vinho tinto ao vinho branco. Mas quem pode afirmar que um é melhor do que o outro, a não ser na base do seu paladar pessoal? Ninguém é mais do que eu, que assisti ao concurso nos Estados Unidos e tanto escrevi sobre a brilhante campanha e os encantos da nossa baianinha loura, poderá se sentir com mais autoridade para condenar qualquer choro ou qualquer indelicadeza com essa moça que agora nos veio visitar.
      Pessoalmente, Miriam tem um arzinho ingênuo de quem ensina catecismo: vai-se ver, e ela ensina mesmo, na igreja da universidade em que estuda. Aliás, a Miss Universo é um exemplo feminino no qual estão reunidos vários atributos que dificilmente se reúnem numa só mulher. Basta dizer que o título que conquistou não a abalou em nada: continua a mesma mocinha simples, sem máscara, que conheci na Califórnia ainda sem coroa. Depois de ficar seis semanas nos estúdios da Universal, conseguiu a suspensão do contrato a que tem direito a fim de terminar o seu curso de Economia Doméstica na Universidade Lander, em Greenwood. E depois, voltara à carreira cinematográfica? Na verdade, sei que ela gostaria mais de casar e ter uma vida normal, com o marido e alguns filhos.

      Ela foi trazida para o Rio por Fábio Ramos, um dos organizadores do concurso anterior, no Brasil. Finalidades da viagem: assistir ao carnaval e, naturalmente, dar início ao certame de 1955. Com ela, veio também a Sra. Jean Salomon, que é assim, como uma guardiã da virtude e, nessa qualidade, não a abandona um só instante. A Sra. Salomon foi a acompanhante de Martha Rocha em Long Beach, no ano passado.


      As perguntas mais frequentes a Miriam, segundo observei, foram o que achava do Brasil e se havia gostado de carnaval. Naturalmente, as respostas não deixaram de ser aquelas de sempre: “lindo” e “formidável”.  Mas, na verdade, nos poucos dias que passou entre nós, ela não teve nenhuma chance de conhecer as cidades em que esteve nem de saber o que era mesmo carnaval. Basta dizer que nem sequer pode fazer algumas compras e, do carnaval, só deve ter levado a impressão de confusão e barulho.
       Consegui arrancá-la, uma certa tarde, do hotel e dos compromissos e levei-a a Copacabana, Leblon e a uma volta de barco pela Guanabara: e assim foram feitas as fotos que os leitores vêem nesta reportagem. Há muita gente que gostaria de saber, também, o que ela pensa de Martha e vice-versa. Aparentemente, para efeito de fotografia, as duas se dão muito bem. Mas creio que a pergunta, a qualquer das duas, seria uma ingenuidade. Isso, embora Miriam me tenha dito, quando lhe perguntei o que era a felicidade, na sua concepção: “– Acho que ser feliz é procurar viver dentro dos princípios que Cristo nos ensinou...”
      A rainha da beleza universal é uma jovem simpática e despretensiosa. Miriam usa pouca maquliagem. Simples pó facial, que não dá para esconder as sardas. Quanto ao batom, porém, ela cararega um pouco mais. Seus lábios são bem finos. A cabeleireira loura é natural e não requer muitos cuidados. Ela mesmo se penteia.  No Hotel Glória, onde ficou hospedada, ela ocupou o mesmo quarto da turbulenta Ava Gardner. Mas Miriam é o oposto de Ava. É moça pacata, que não quebra nada e não bebe. Com uma pequena câmara, levou algumas paisagens de lembrança para o seu país. Esportiva, adora o mar. O seu esporte predileto é a natação. Não faz dieta nem ginástica especial. No Rio, deu muitos autógrafos. E a todos encantou com a sua simpatia e delicadeza. Gosta também de dançar, ela é, na verdade, uma típica moça norte-americana. Os seus vestidos são simples, mas elegantes. “Gosto de me vestir sem exagero”, disse ela. E se vê que é mesmo.  De maiô, pode-se verificar que a sua plástica é realmente harmoniosa. Medidas perfeitas. Corpo de proporções ideais.

DUAS BELEZAS SE ENCONTRAM – Sob as luz dos refletores encontraram-se, no baile realizado no Hotel Glória, Martha Rocha e Miriam Stevenson, duas grandes rivais em beleza. A brasileira e a norte-americana confraternizaram para os fotógrafos e cinegrafistas. Mas que pensaram, realmente, uma da outra? Dois tipos de beleza inteiramente diferentes, tornando quase impossível uma comparação. Um mar revolto e um plácido lago. Não acham?
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                  O tom sépia da revista O Cruzeiro transmite nostalgia, um sentimento que se acentua anda mais nesta noite fria de sábado,  quando chove lá fora. Mergulho no túnel do tempo e me deleito com os termos usados pelo jornalista,  enquanto lá fora a chuva cai, copiosamente cai.
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Martha tem a flamante beleza selvagem de uma onça pintada, enquanto Miriam tem a plácida beleza cândida de um cordeirinho de presépio. Pode-se gostar mais de uma ou de outra, assim como há quem prefira o vinho tinto ao vinho branco. Mas quem pode afirmar que um é melhor do que o outro, a não ser na base do seu paladar pessoal?
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A brasileira e a norte-americana confraternizaram para os fotógrafos e cinegrafistas. Mas que pensaram, realmente, uma da outra? Dois tipos de beleza inteiramente diferentes, tornando quase impossível uma comparação. Um mar revolto e um plácido lago. Não acham?
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...Isso, embora Miriam me tenha dito, quando lhe perguntei o que era a felicidade, na sua concepção: “– Acho que ser feliz é procurar viver dentro dos princípios que Cristo nos ensinou...”
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sábado, 1 de setembro de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - MARTA ROCHA, A BAHIA DE OLHOS AZUIS


Daslan Melo Lima

PRÓLOGO
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Marta Rocha, a eterna Miss Brasil. (O CRUZEIRO)

     A baiana Maria Marta Haecker Rocha, ou simplesmente Marta Rocha, o maior ícone da beleza brasileira de todos os tempos, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954, é a deusa homenageada da semana. Nesta primeira Sessão Nostalgia de setembro de 2012, rendo tributo àquela que no dia 19 deste mês estará celebrando idade nova. Reproduzo nesta matéria textos e fotos que as revistas MANCHETE e O CRUZEIRO veicularam em suas páginas naquele distante julho de 1954, focalizando sua eleição como Miss Brasil. Alguns trechos das reportagens são verdadeiros poemas.

À SOMBRA DE MARTA EM FLOR


Miss Brasil, Marta Rocha, leva para os Estados Unidos uma nova versão da beleza brasileira. Loura e de olhos azuis: subvertida a tradição morena dos trópicos.
      Não, ela não é morena, não encara a clássica imagem da beleza baiana, sabendo a jambo e crosta de pão tostado, gosto indolente de trópico nos olhos, nos cabelos, nas curvas que guardam perfis de enseadas. Não é morena: os cabelos são louros: de tão ouro sonham liquefeitas moedas antigas, topázios e abelhas, e o sol brilha e brinca nos olhos lúcidos, nordicamente claros. Azuis? Verdes? Verdes, sim, cor de coisa imatura, e, também do velho mar: reminiscências bálticas ou mesmo das simples águas que lavam o litoral onde deram as caravelas do Descobrimento. Verdes olhos, uns restos de Alemanha fulgindo nas pupilas equatoriais.
     E as outras concorrentes? Lígia Beatriz, gaúcha, de uma terra de mistura germânica e italiana, é morena, com a graça que Deus lhe deu. E Patrícia? Patrícia pode ter mais solicitação de vida, a vida rodeando-a de uma aura selvagem, explodindo violenta, numa afirmação de inusitados apelos. Ela é um arremesso, um ímpeto.
      Mas Marta, em Marta a vida é mais suave, flui doce com uma canção do Reno. Não é uma beleza pagã, sim beleza em cultura antiga, depurada em ouro e nórdicas mitologias. E isto também é Brasil. Porque somos um caldeirão de etnias, fervendo tipos raros, faces diversas, sem imagem fixa na sua ondulação mágica metamórfica. Oscilamos da morena cor de tâmaras às claras levadas em auroras boreais. Assim Marta. Mãos de fada, sorriso de boneca e corpo: estatuária viva, moldada artisticamente em matérias plástica excepcional: a carne humana – o barro de onde saem deusas, ninfas, anjos. (“À Sombra de Marta em Flor” - Franklin de Oliveira - O CRUZEIRO)

MISS BRASIL VEIO DA BAHIA

Da esquerda para a direita, Lígia Beatriz Carotenuto, Miss Rio Grande do Sul, terceiro lugar; Zaida Saldanha, Miss Estado do Rio, 2º lugar; Marta Rocha, Miss Bahia, 1º lugar; Dorama Cury Nasser, Miss Góias; Patrícia Lacerda, Miss Distrito Federal; e Baby Lomani, Miss São Paulo. (Foto: Salomão Scliar-Manchete, 03/07/1954)  

     A lourinha baiana polarizou a atenção de todos, desde o início do desfile. Mocidade, plástica, graça, beleza sem artifícios, Marta Rocha será nos Estados Unidos uma digna representante da mulher brasileira. O júri acertou.  
      O concurso nacional promovido pelo Diário Carioca e pelas Folhas de São Paulo, sob o patrocínio da Universal International Films (que dará um contrato para o cinema à vencedora) terminou com a escolha da Miss Brasil 1954, no dia 26 de junho último, na boite do Hotel Quitandinha. Apenas seis finalistas estaduais se apresentaram: Lígia Beatriz Carotenuto (Rio Grande do Sul), Dorama Cury Nasser (Goiás), Marta Rocha (Bahia), Baby Lomani (São Paulo), Zaida Saldanha (Estado do Rio) e Patrícia Lacerda (Distrito Federal).  Se o grupo era pouco numeroso, nem por isso era menos expressivo... E as garotas se apresentaram ao júri, como de praxe, primeiro em roupas de banho (atenção, não eram nem pareciam bikinis...) e depois em trajes de noite. Houve também um contato individual com os juízes, pois, para o resultado final, além da plástica, do rosto, da pele, dos cabelos, da elegância no andar e no vestir, pesavam também a distinção de maneiras, a graça pessoal e até a própria voz. Sete personalidades das letras e das artes formavam o tribunal que escolheria a mias bela: o poeta Manuel bandeira, o pintor Santa Rosa, o romancista Amando Fontes, a escritora Helena Silveira e os jornalistas Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Pompeu de Souza.
      Não sabemos como decorreram os debates secretos posteriores ao desfile, mas uma coisa poderemos afirmar: a decisão do júri veio confirmar uma impressão que já se tornara geral antes de conhecido o resultado. Até mesmo entre as candidatas só havia uma preocupação: a representante da Bahia. E não era para menos, pois a baianinha loura era um desses casos muito sérios, com a sua pele da cor do sol de Amaralina, os seus olhos em que parecem estar refletidas as transparentes águas azuis de Itaparica, o seu corpo escultural de menina-moça, o seu sorriso de dentes perfeitos, a sua graça tipicamente baiana, tudo isso acondicionado num encantador volume de 1,70 m de altura, com 57 quilos de peso e 21 anos de idade. E assim foi que Maria Marta Hacker Rocha se tornou Miss Brasil 1954 e está com a responsabilidade de representar a beleza brasileira, entre dezenas de outras beldades estrangeiras, no concurso mundial a ser realizado em Long Beach (Califórnia), na segunda quinzena deste mês de julho. Marta é filha do professor da Escola Politécnica da Bahia, Engenheiro Álvaro Pereira Rocha (ele talvez não se lembre de mim, mas eu me lembro dele e de suas aulas de hidráulica, pois acontece que também sou baiano...) e da Sra. Hansa Hacker Rocha. É neta, em linha materna, de alemães. Foi candidata no seu Estado pelo Clube Baiano de Tênis (um dos melhores de Salvador) e pelo Clube Fantoches (tradicional agremiação carnavalesca).***** ("Miss Brasil Veio da Bahia" - João Martins - O CRUZEIRO, 10/07/1954)

                                    A BAHIA DE OLHOS AZUIS


      Maria Marta Haecker Rocha, a Miss Brasil, é baiana, tem 21 anos de idade e foi eleita Miss Bahia num grande concurso popular realizado na Cidade de Salvador. Sua vitória foi conseguida com um total de quase 200 mil votos. Apesar de baiana, é loura, herança de sua mãe, paranaense filha de alemães. O pai de Marta – Prof. Álvaro Rocha, catedrático da Escola Politécnica da Bahia – é um baiano autêntico. A menina nasceu na capital baiana, no bairro grã-fino da Barra. E na beira da praia se criou: entre os banhos de mar no Farol e o sorvete elegante no Oceania. Nota importante: Marta tem seis irmãs, todas lindas e louras como ela. Algumas, já casadas, foram das moças mais bonitas da Bahia. A Miss Brasil de 1954 representa, portanto, uma linhagem de beldades. Poliglota – fala inglês, francês e alemão – Marta pretende conseguir no grande concurso Miss Universo, em Long Beach, uma bela colocação. Quem duvida que essa lourinha baiana venha a ser Miss Universo de 1954? Beleza e graça não lhe faltam. Palavras de Manuel Bandeira sobre Miss Brasil: “Os olhos da baiana são um poema, tem uma dentadura admirável, o corpo é de uma plástica irrepreensível e os cabelos são louros, mas naturais, o que é raro hoje nesta época de falsificações.”


Um júri de intelectuais escolhe a Miss Brasil. Seis homens e uma mulher escolheram entre seis candidatas a mais bela. O júri: Manuel Bandeira (poeta), Amando Fontes (romancista), Pompeu de Souza (jornalista), Santa Rosa (pintor), Helena Silveira (contista), Fernando Sabino (cronista), e Paulo Mendes Campos (cronista). Inédito: o júri sabatinou as candidatas com perguntas repetidas sobre literatura, geografia e arte.


A Bela e o Poeta - O poeta Manuel Bandeira, que presidiu a comissão julgadoras, consagrou Miss Brasil, após a proclamação, beijando as faces de Maria Marta Haecker Rocha, a loura baianinha vencedora. 

      Marta é francamente do mar. Uma vez foi culpada de um naufrágio na Bahia. Acontece que pela praia da Barra passava uma lancha cheia de rapazes. Marta sentada na areia. Os rapazes correram todas para vê-la. A embarcação virou... ("Miss Brasil, a Bahia de olhos azuis" - Salomão Scliar – MANCHETE, 03/07/1954)

EPÍLOGO

Marta Rocha em várias fases da sua vida. ( Poster produzido por Evandro Silva)
       Marta Rocha nasceu em um 19 de setembro. A imprensa, na época do concurso Miss Brasil, divulgou que ela tinha 21 anos de idade. Como o certame foi realizado em 28 de junho, ela estaria com 21 anos completos, daí que, com base nas publicações, Marta teria nascido em 1932. Anos depois, em entrevistas, ela declarou que tinha sido eleita Miss Brasil com a idade de 18 anos. No livro Martha Rocha - Uma Biografia em depoimento a Isa Pessôa, a data do seu nascimento consta como 19/09/1936. 
       

         A beleza de Marta Rocha continua através da sabedoria adquirida com as experiências da sua caminhada. Feliz Setembro, Feliz Aniversário, Marta Rocha,  Bahia de olhos azuis!
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