*****

SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com
Mostrando postagens com marcador Miss Elegante Bangu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Miss Elegante Bangu. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de abril de 2019

SESSÃO NOSTALGIA - A Violeta dos olhos azuis

Daslan Melo Lima




          Buscando inspiração para a Sessão Nostalgia desta semana, encontrei uma pasta no meu acervo com uma crônica do jornalista alagoano-pernambucano José de Sousa Alencar, o Alex (1926-2015), publicada no Jornal do Commercio, Recife, em 10 de novembro de 1991. O texto do também Bacharel em Direito, escritor e imortal da Academia Pernambucana de Letras é dedicado a Violeta Botelho, terceira colocada no Miss Pernambuco 1957, representando o Clube Português do Recife,  e  Miss Clube Internacional do Recife no concurso Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957, onde conquistou o segundo lugar. 

----------

  
A Violeta dos olhos azuis

          Gostaria de dedicar esta crônica de hoje a Violeta Botelho Maia, que durante vários anos atuou ao meu lado, no final da tarde dos domingos, apresentando o programa "Hora do Coquetel", no Canal 2. A foto ilustra bem o que era o programa, a ambientação, particularmente a elegância de Violeta, que usava um modelo longo, com cauda, uma criação exclusiva de Marcílio Campos. Vejam o porte e a beleza desta mulher admirável, que deixou o Recife para viver em Natal, ao lado do marido, Moacir Maia. 
          Violeta Maia, com seus imensos olhos azuis, lembrando Marta Rocha, teve uma intensa atuação no Recife. Foi candidata ao título de Miss Pernambuco, representando o Português. A vitoriosa foi Zaíra Pimentel, mas Violeta não se abalou. Logo depois, conquistava o titulo de Elegante Bangu do Internacional. Durante alguns anos, atuou como recepcionista da Cruzeiro, no Aeroporto dos Guararapes. Até que foi atuar como co-apresentadora do programa "Hora do Coquetel". Uma das vitórias mais expressivas de Violeta Botelho, foi quando uma fantasia de Rainha da Áustria, toda bordada em veludo, uma criação de Marcílio, foi ao Rio e conquistou o primeiro lugar no Baile do Teatro Municipal, que era o mais famoso; também no Quitandinha, no Copacabana Palace e, finalmente, no Monte Líbano. Depois desta criação de Marcílio apresentada diante do público no Rio, por uma figura como Violeta, as fantasias não seriam mais como outrora. No ano seguinte, foi uma avalanche de reis e rainhas, com bordados de todo o tipo. Mas o mérito pertenceu a dois pernambucanos.
          Depois de casada, Violeta permaneceu a figura elegante de sempre, participando da vida social de Natal, onde vive. Animada, educada, demonstrou que mantem a majestade desde os tempos de passarela, porque eu não cheguei a citar que, além de Elegante Bangu, ela foi apontada como a grande desfilante de Marcílio, juntamente com Germana Siqueira, Teresinha Frazão, Dorinha Magalhães, Sônia Malta, para citar apenas estas.  


----------

Violeta Botelho, 
um ícone pernambucano e potiguar

Violeta Botelho Maia, uma das presenças mais fascinantes do Bal de Tête - Suplemento Social do Jornal do Commercio, Recife, 06/02/1977. Acervo: DML/Passarela Cultural. ***** Abaixo, a mesma imagem em melhor resolução, copiada do blog do Fernando Machado. 
----------
Violeta Botelho, o maquiador e carnavalesco Múcio Catão e os jornalistas Fernando Machado e Dalci José. ***** Foto: Fernando Gusmão - Jornal do Commercio, Recife, 27/02/1977. ***** Acervo: DML/Passarela Cultural.
----------
Moacir Maia e Violeta Botelho. ***** Diario de Pernambuco, 15/05/1979 ***** Acervo: DML/Passarela Cultural.
----------
Bianca Figueiroa, Miss Pernambuco Globo 1994, e Violeta Botelho.  Desfile beneficente promovido pela Campanha Pernambucana Pro-Infância. Mar Hotel, Boa Viagem, Recife, PE, 13/05/1996. Bianca usa a fantasia criada por Marcilio Campos (1930-1991), apresentada por Violeta nos famosos bailes do carnaval carioca de 1961. ***** Foto: Fernando Gusmão/Acervo de Fernando Machado.
---------- 

Violeta e Moacir Maia:
a Dama e o Diplomata

Revista Bzzz, Ano 1, Nº 4, outubro de 2013
Por Thiago Cavalcanti - Fotos: Giovanna Hackradt

Um dos casais mais emblemáticos da sociedade natalense é fonte de histórias que se confundem com a da própria cidade.
----------
O diplomata. Era assim que os amigos chamavam o empresário Moacyr Maia.  ***** No carnaval de 1961, na "Veneza nordestina" (Recife), conheceu a linda moça dos olhos de esmeralda, a jovem Violeta Botelho. Não sabia ele que aquela era a manequim preferida de Marcílio Campos. Foi amor à primeira vista. Namoraram e casaram-se em 1968. ***** O casal nunca teve filhos, mas muitos tinham os dois como  padrinhos. *****  A chegada dos shoppings à capital potiguar levou à decadência dos cinemas que fecharam as portas e deram lugar a templos evangélicos. "O glamour acabou", resumiu Moacyr quando decretou falência das suas empresas. 
----------
Voltada para o mar, a mansão de Areia Preta foi um sonho não concretizado. ***** O empresário faleceu em 24 de agosto de 2005, aos 79 anos. A cidade perdeu um dos homens mais elegantes e de vasta cultura, uma raridade nos dias de hoje. 
----------
Desde pequena a beleza abriu as portas para Violeta Botelho, a caçula de cinco irmãos. Uma mulher de porte impecável que transitou pelo jet set Brasil afora. Logo cedo começou a trabalhar. Passou pela Aviação Cruzeiro do Sul, TV Jornal do Commercio e se destacou como a modelo preferida de Marcílio Campos. ***** Cortejada por poderosos como Jorginho Guinle e Horácio Carvalho (o primeiro marido de Lili Marinho), a jovem, discreta e decente, não dava trela. Criada em seio de família tradicional pernambucana, os pais católicos fervorosos, passaram os princípios e valores que até hoje segue. ***** Com firmeza, pode se dizer : uma mulher de fé e coragem, que viveu o glamour na sua essência, com uma beleza ímpar que perdura até hoje no auge dos seus 78 anos. Ao lado de Moacyr Maia, viveu a vida intensamente: viajou, bailou nos salões, cuidou de animais desamparados, solidarizou-se com os humildes. ***** Para Violeta, a fé em Jesus e muita esperança são as palavras de ordem para enfrentar os problemas e adversidades dos oito anos da viuvez que separou os olhos esmeraldas do Diplomata.    
----------

Violeta Botelho Maia celebrou idade nova no dia 11 de janeiro. ***** Foto: Acervo de Fernando Machado.

         Chego ao final desta matéria como se estivesse contribuindo para alguém um dia elaborar o roteiro de um filme ou série de televisão. Sugiro apenas a esse alguém que o título da obra não seja outro a não ser "A Violeta dos olhos azuis". 

*****

sábado, 14 de abril de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Léa Pabst Craveiro, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957, “emoldurada de eternidade e de olhos verdes”


Daslan Melo Lima


----------

“Deixas de envelhecer. Ninguém vai te ver envelhecida. Apenas serás antiga, emoldurada de eternidade e de olhos verdes.
Um ano depois, os que ficaram continuam com os olhos rasos d’água. E não entendem o enigma, mesmo porque enigmas não são para ser entendidos.
As coisas estão no mesmo lugar. Objetos, roupas, papéis. Talvez com um pouco mais de pó, pois a cada ano acrescentado aumentam os resíduos de poeira e de memórias. ”

      Guardo num caderno de recortes a crônica “Para Léa”, de Paulo Fernando Craveiro, escritor, jornalista, cronista e crítico de arte. Publicada em sua página do Diario de Pernambuco, edição de 1º de janeiro de 1989, o texto evoca a figura de sua esposa Léa Pabst Craveiro, falecida em 30/12/1987, vítima de câncer. Léa Pabst completaria 53 anos de idade no dia 02/01/1988.


“Insuportáveis, estas sim, são as fotografias. Clarões de perspectivas dos dias que jamais chegaram nem chegarão. E mais assombros. Assombrosos são os dias de ontem e os de amanhã. 
Como estás aqui, percebes que o sol continua entrando pela janela, e o rio segue o rumo da rotina, e o mar, ali em frente, é uma cambiante massa de verdes, azuis e cinzas. Como permaneces contemplando.
Os que ficaram estão descobrindo as asperezas da tua ausência física não domesticada, essa fera feita de silêncios e de vestidos que ainda estão dependurados no guarda-roupa que ninguém abriu.
Teus sapatos entretanto andam. E te levam e te trazem, como as ondas, nesse estranho movimento em que convivem os que se foram e os que resistem tecendo o sonho em que progressivamente te transformas. "
----------

Léa Pabst, Miss Elegante Bangu

Léa Pabst, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957
---------

TRÊS ÍCONES PERNAMBUCANOS - Da esquerda para a direita: Edilene Torreão (Miss Pernambuco 1960, terceira colocada no Miss Brasil, nossa representante no Miss Mundo 1960); Léa Pabst, Miss Elegante Bangu do Clube Náutico Capibaribe, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957); e Sônia Maria Campos (Miss Pernambuco, Vice-Miss Brasil 1958 e primeira brasileira a disputar o título de Miss Mundo).
    ----------

       Representando o Clube Náutico Capibaribe, Léa Pabst foi a primeira colocada no Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957, durante evento realizado no Clube Internacional do Recife, em 16/11/1957. Em segundo lugar ficou Violeta Botelho, representando o Clube Internacional do Recife. Violeta  tinha sido a terceira colocada no Miss Pernambuco 1957, na condição de Miss Clube Português do Recife.


       Linda, delicada, elegante, educadíssima, Léa Pabst casou com Paulo Fernando Craveiro e teve um casal de filhos. Figura de grande prestígio na  sociedade pernambucana, jornalista e apresentadora de eventos socioculturais, ela também dava aulas de etiqueta às jovens que aspiravam desfilar nas passarelas como modelos e misses.

---------

"Léa foi única"

        Tenho um amigo e uma amiga que conheceram bem a eterna Miss Elegante Bangu de Pernambuco: Muciolo Ferreira e Julia Kátia. 
        Confessa Muciolo Ferreira, jornalista: "O concurso Miss Elegante Bangu só foi ultrapassado pelo Miss Brasil porque não era televisionado e as jovens não eram expostas numa passarela desfilando de maiô. Até porque o Miss Elegante Bangu era disputado pelo melhor que havia na sociedade brasileira. Em Pernambuco, a mais famosa miss dessa competição foi a saudosa jornalista Léa Pabst Craveiro, que foi casada com o também jornalista Paulo Fernando Craveiro. Daslan, pense numa mulher que era sinônimo de elegância e beleza na melhor acepção desse termo. Léa foi única. ” 
        Afirma Julia Katia, ex-modelo: “Guardo lembranças maravilhosas do meu tempo de manequim de alta-costura e de candidata ao título de Miss Pernambuco 1976. Entre elas, o aprendizado com a inesquecível jornalista Léa Pabst Craveiro. Quando eu ria alto e gargalhava, Léa me corrigia com aquela sua classe e elegância: - Katia, não sorria assim, ria mais baixo. ”

----------


         No bucólico bairro de Guabiraba, verdadeiro pulmão verde do Recife, há uma rua com o nome de Léa Pabst Craveiro, a Miss Elegante Bangu que deixou de envelhecer; a jornalista que ninguém viu envelhecendo; a mulher maravilhosa que apenas ficou antiga, “emoldurada de eternidade e de olhos verdes”.

*****

--------
Crédito das fotos: 
Acervo de Fernando Machado  
                                                                                                                    

sábado, 23 de setembro de 2017

SESSÃO NOSTALGIA - Maria Sônia Soares de Araújo, "A Bela Estátua Loura"


Daslan Melo Lima
   
        “O primeiro presente que Maria Sônia Araújo ganhou ao voltar ao Brasil, depois de ter sido princesa no Festival da América, em Miami, foi o sapato que perdera no Aeroporto do Galeão (Rio), ao embarcar para os Estados Unidos pela Real.” Assim começa a reportagem “O Brasil começou com um vice”, na revista Manchete, de 12/07/1958, nº 325, ano 6, com texto e fotos de Carlos Alberto Tenório, autor de “O Senhor de Todas as Armas”, um livro sobre a revolução cubana.

----------
Maria Sônia Soares de Araújo,
Vice-Miss DF e Miss Elegante Bangu

Miss Fluminense, vice-Miss Distrito Federal 1955. ***** "...Miss Fluminense estava sendo assistida, até na alimentação, por sua irmã médica, Dra. Maria Aparecida." *****  O Cruzeiro, 18/06/1955, ano XXVII, número 36.
----------
Representando o Fluminense, Miss Elegante Bangu do Brasil 1956. ***** Capa da revista Manchete, 13/10/1956.
----------

Maria Sônia Soares de Araújo,
Vice-Rainha das Américas 1958

Maria Sônia foi chamada pelos jornais de "A Bela Estátuta Loura"

         “Considerada a miss de corpo mais bonito, Sônia era conhecida como a candidata mais sofisticada, saindo várias vezes na primeira página dos jornais com legendas assim: “A Bela Estátua Loura”. Porque não pode viajar com sua mãe, Sra. Margarida Soares Araújo, Maria Sônia não foi a Nova Iorque, Washington e outras cidades norte-americanas, em viagem-prêmio por sua colocação no concurso. Também não aceitou um contrato em Hollywood.”
       “Maria Sônia, que não levara traje típico para o concurso, teve de improvisar uma baiana usando uma saia de rumbeira.  Turbante, a bata e o cabeção foram cedidos por uma senhora brasileira que vive em Miami.  Na noite da coroação, a cantora Elizete Cardoso interpretou “Copacabana” e “É luxo só”, agradando muito."

Da esquerda para a direita, as treze candidatas ao título de Rainha do I Festival das Américas: Seaman Evelyn Smith (Flórida), Maria Graciela Gonzales (México), Joan Duperley (Jamaica), Ana Maria Castillo (Guatemala), Anabelle Nebel (Equador), Ligia Font (Costa Rica), Irene Mirian Valcarcel (Cuba), Mercedes Baquero (Colombia), Maria Sônia Soares de Araújo (Brasil), Loisa Maria Burillo (Panamá), Elizabeth Cussims Key (Paraguai), Nelly Rucabado (Peru) e Lola Roberts (Miami).

TOP 3 - Rainha das Américas 1958 -  Da esquerda para direita: Anabelle Nebel, do Equador, terceiro lugar; Mercedes Baquero, da Colômbia, primeiro; e Maria Sônia Araújo, do Brasil, segundo lugar.

Elizeth Cardoso e  Maria Sônia com seu troféu de Vice-Rainha das Américas, desembarcando no Rio de Janeiro pela Real, empresa promotora do concurso. 
-------
(Manchete, 12/07/1958, nº 325, ano 6) 
  
       ----------
 Maria Sônia Soares de Araújo,
Mulher do Ano 

AS MULHERES DO ANO - Na lista das mulheres do ano de 1956, do jornal Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 20/12/1956, entre personalidades nacionais e internacionais, figurava o nome de Maria Sônia Araújo. 

         ----------

Mercedes Baqueiro - Foto: revista Cromos.

         Por onde anda Maria Sônia Soares de Araújo? Imagino que esteja bem, dentro dos planos de Deus, em paz e com saúde. Quanto à Rainha das Américas de 1958, Mercedes Baqueiro é uma senhora jovial e realizada, uma celebridade colombiana ligada ao mundo da indústria da moda. Detalhe: Ela foi a quinta colocada no concurso Miss Colômbia 1957, vencido por Doris Gil Santamaria (1938-2003). A mãe de Doris não permitiu que a filha viajasse para Long Beach, a fim de representar seu País no Miss Universo, cabendo essa responsabilidade para a sua vice, Luz Marina Zuluaga (1938-2015), eleita Miss Universo 1958. 
       Imagino que ainda ressoam nos ouvidos das candidatas ao Rainha das Américas 1958 uma daquelas músicas interpretadas por Elizeth Cardoso (1920-1990) no I Festival das Américas, "É luxo só", de Ary Barroso (1903-1964) e Luiz Peixoto (1889-1973). 


O meu samba não vem sozinho
Traz muito amor,
Traz alma e carinho.
Eta samba cai

Olha, esta mulata quando dança,
É luxo só!
Quando todo seu corpo se balança,
É luxo só.
Tem um não sei quê que faz a confusão;
O que ela não tem, meu Deus, é compaixão.
Eta, mulata bamba!
Olha, esta mulata quando dança,
É luxo só!
Quando todo seu corpo se balança,
É luxo só.
Porém, seu coração quando se agita
E palpita mais ligeiro:
Nunca vi compasso tão brasileiro!
Eta samba, cai pra lá, cai pra cá, cai pra lá, cai pra cá
Eta samba, cai pra lá, cai pra cá, cai pra lá, cai pra cá
Mexe com as cadeiras, mulata, ai!
No requebrado me maltrata, ai, ai!

Eta mulata bamba!
Olha, esta mulata quando dança, é luxo só!
Quando todo seu corpo se balança, é luxo só!
Porém, seu coração quando se agita
E palpita mais ligeiro:
Nunca vi compasso tão brasileiro!
Eta samba, cai pra lá, cai pra cá, cai pra lá, cai pra cá
Eta samba, cai pra lá, cai pra cá, cai pra lá, cai pra cá..

----------

"É luxo só", 



*****.

----------
P.S.: Grato ao Roberto Macêdo pelo seguinte comentário: 
"Daslan, excelente crônica para nos fazer reviver esses fatos dos mágicos anos de 1950. Faltou apenas dizer que Mercedes Baquero é mãe da famosa atriz Margarita Rosa de Francisco Baquero, foto abaixo, segunda colocada no Miss Colômbia 1984, representante do país no Miss Mundo do ano seguinte." 


----------


sábado, 27 de abril de 2013

SESSÃO NOSTALGIA – CORINA BALDO, MISS ELEGANTE BANGU 1952


Por Daslan Melo Lima

PRÓLOGO


          Era 09/06/1951. A famosa revista semanal O Cruzeiro estava no seu 23º ano de circulação e colocava nas bancas de todo o pais 320.000 exemplares. Na capa, o rosto expressivo de uma jovem da sociedade do Rio de Janeiro, Corina Baldo, fotografada por Peter Scheler. Dois anos depois, precisamente em 07/02/1953, Manchete, uma publicação criada há poucos meses e que se tornaria a principal concorrente de O Cruzeiro, saía nas bancas trazendo uma encantadora Corina Baldo com a faixa de Miss Elegante Bangu 1952.

-----
 MISS ELEGANTE BANGU 1952 - Reportagem de Ibrahim Sued - Fotos de Nicolau Drei e Yllen Kerr  - Revista Manchete, 07/02/1953.


          A ideia foi do sr. Joaquim Guilherme da Silveira e vinha sendo trabalhada há algum tempo. Realizar um concurso (patrocinado pela sua fábrica Bangu) em que pudesse ser realçada a elegância da mulher brasileira. Um concurso sem objetivos comerciais, sem finalidade de lucro, com a renda total revertendo em benefício da Pequena Cruzada. Era a primeira vez que um concurso de tal importância se realizava no Brasil e logo o maquinismo técnico da Bangu foi movimentado para o seu completo sucesso. O figurinista José Ronaldo, como já vinha fazendo, foi mais uma vez chamado para desenhar os vestidos, e a ideia inicial foi ampliada para permitir a todos os clubes esportivos do país indicar as suas candidatas.
         Logo depois dos primeiros dias de lançamento o concurso foi ganhando adeptos, empolgando o país, e em todos os clubes, quando se realizavam eleições para indicar a sua candidata, verdadeiras multidões compareciam.  Era a vitória completa da ideia original dos Silveirinhas.
         Finalmente selecionadas 32 candidatas marcou-se a escolha final da Miss Elegância Bangu de 1952, para a noite de 24 de janeiro. A procura de mesas já garantia um sucesso antecipado. Todos os salões do Copacabana estavam lotados na noite quente daquele sábado. Toda a alta sociedade compareceu. Um júri composto de 13 nomes consagrados nas artes, no jornalismo, na elegância brasileira, iria escolher aquela que poderia usar durante todo o ano o título de Miss Elegância Bangu 1952. Todas as jovens (de grande beleza e elegância) cobiçavam esse título. Nada mais natural, acrescente-se.
          Terminado o desfile, aguardou-se o veredictum do júri. A espera demorou 15 minutos, mas a ansiedade durou muito mais. As candidatas não tiravam os olhos da mesa onde os juízes discutiam, manipulavam notas, gesticulavam. Mas todos compreendiam a tremenda dificuldade enfrentada por aquele júri de fato: escolher a mais elegante do país entre tantas elegantes. Mas o júri demorava para realizar uma escolha criteriosa. E realmente outra coisa não se podia esperar de um júri presidido por Herbert Moses e composto do colunista Jacinto de Thormes, o pintor Santa Rosa, o figurinista Alceu Pena, o cronista social Gilberto Trompowsky, o príncipe Dom João de Orleans, o autor desta reportagem e as elegantíssimas senhoras Carlos Eduardo de Souza Campos, Álvaro Catão, Francisco Rosemburgo, Carlos Guinle Filho, João Savedra, George Hime e a senhorita Marilu Montenegro.
       Uma tremenda salva de palmas premiou a escolha dos jurados. Os fotógrafos e cinegrafistas movimentaram-se, todos correram para o lado da srta. Corina Baldo. Ela acabava de ser escolhida Miss Elegância Bangu 1952. Emocionada, recebia o abraço dos srs. Joaquim Guilherme da Silveira e Roberto Marinho ao mesmo tempo que lhe era colocada a faixa com os dizeres: “Elegante Bangu 1952”.

Ninon Seiller, terceira colocada, representante do Clube Curitibano, desfila com um vestido organdi rosa pálido em babados plissados.
-----
Maricy Camargo, segunda colocada, desfila com um vestido de fustão Bangu branco, estampado em azul e vermelho. Prêmio: uma viagem a Buenos Aires, Argentina. 
-----

Corina Baldo, primeira colocada, recebe a faixa das mãos de  Joaquim  Guilherme da Silveira. Seu vestido foi confeccionado em organdi permanente "Mauve" plissado e bordado a canutilhos prateados. Prêmio: uma viagem a Paris e um guarda-roupa completo.

       Novamente desfilaram as três primeiras colocadas recebendo uma verdadeira consagração. Ao lado da primeira colocada passaram as srtas. Maricy Rodrigues, segunda colocada e Ninon Seiller, terceira colocada.  A terceira colocada recebeu a sua faixa das mãos do Príncipe Dom João de Orleans e Bragança. A segunda do sr. Roberto Marinho, diretor do vespertino “O Globo” e que apoiou francamente o concurso. E, finalmente, a vencedora recebeu a faixa consagradora das mãos do Sr. Joaquim Guilherme da Silveira, Diretor Comercial da fábrica Bangu.


Da esquerda para a direita, Ninon Seiller, terceiro lugar; Maricy Camargo, segunda colocada; e Corina Baldo, Miss Elegante Bangu 1952.

          Estava finalizada a maior parada de elegância que já se realizou no Brasil e que será repetida todos os anos. De agora em diante o título de Miss Elegante Bangu é uma preocupação de todas as jovens do Brasil. E ostentar a faixa de campeã orgulhará qualquer jovem de qualquer Estado do Brasil. Foi mais uma ideia vitoriosa dos irmãos Silverinhas.

O CARISMA DO TÍTULO MISS ELEGANTE BANGU

          Em 18/12/2010, focalizei  nesta secção o concurso Miss Elegante Bangu 1958, cuja matéria poderá ser conferida neste link  http://passarelacultural.blogspot.com.br/2010/12/sessao-nostalgia_18.html   .  Naquela ocasião, escrevi que  foi no ano de 1951 que  D. Candinha Silveira, esposa de Joaquim Guilherme da Silveira, um dos donos  da empresa Tecidos Bangu, fundada em 1891, criou o concurso Miss Elegante Bangu, evento beneficente em prol da instituição Obra da Pequena Cruzada. Informei, também, que o primeiro certame tinha sido realizado em 1952. Com base na reportagem de Ibrahim Sued , vimos  que a ideia foi do Sr. Joaquim Guilherme da Silveira, mas que deve ter tido o apoio incondicional de sua esposa. O ano de 1952 foi de articulações visando o sucesso da final do certame que, embora realizado em 24 de janeiro de 1953, a faixa da vencedora remetia ao ano de 1952.
          O carisma do concurso se espalhou por todo o Brasil. Era chique participar dos desfiles Bangu, cujo prêmio maior para a primeira colocada na finalíssima nacional era uma viagem a Europa. Moças finas e educadas, oriundas de  famílias bem conceituadas, desfilavam em trajes esportivos e em roupas de gala confeccionadas com tecidos da marca Bangu.

EPÍLOGO


          Corina Baldo marcou época na sociedade carioca e voltou aos holofotes da mídia em 1986, quando o seu filho Felipe Camargo foi selecionado para ser protagonista da série Anos Dourados, na TV Globo. Em sua edição de 19/07/1986, a revista Manchete publicou a foto acima, onde se lê na legenda:
50 neles ! Ela foi Miss Elegante Bangu e Miss Caiçaras, e seu nome esteve presente nas passarelas e colunas sociais dos anos 50. Hoje, funcionária pública, Corina Baldo pode reencontrar os bons tempos do passado ao ver seu filho, o ator Felipe Camargo, revivendo na TV aqueles anos dourados.  
-----



          Timbaúba, a Princesa Serrana, amanheceu silenciosamente envolvida em tom cinza neste último domingo pernambucano de abril de 2013, mas nada de melancolia. O cinza está combinando com o céu nublado e as folhas do meu pé de acácia dançam ao som da abençoada chuva que lá fora cai. Sou parte deste baile e os meus pensamentos dançam com o Vento frio, enquanto encerro esta Sessão Nostalgia. 
         O tempo que se foi, se foi, para sempre se foi, mas continuo permitindo que o menino que um dia eu fui viaje no túnel do tempo ao sabor dos meus sentimentos, mergulhando em velhas revistas que focalizam concursos de Misses, meu passatempo preferido. E de alma leve, declamo em  silêncio doces versos do poeta Théo Drummond:

 Baila, baila, bailarino, 
a vida é como uma dança
e a gente, desde menino, 
baila, baila e não descansa.

*****