*****

SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com
Mostrando postagens com marcador Miss Brasil 1965. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Miss Brasil 1965. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de setembro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - A mulher brasileira no panorama do mundo

 Daslan Melo Lima  



     
      Na terceira semana de setembro de 1965, a revista Querida, uma publicação quinzenal da Rio Gráfica e Editora Ltda, do Rio de Janeiro, circulava em todo o Brasil trazendo uma matéria sob o título "A Mulher Brasileira No Panorama do Mundo", assinada pelo Dr. Carlos Alberto de Sousa. Transcrita abaixo, a reportagem enaltece a beleza das candidatas ao Miss Brasil 1965, superiores, segundo o autor, às concorrentes ao título de Miss Internacional do IV Centenário do Rio de Janeiro.

                                  ----------


                 A MULHER BRASILEIRA NO PANORAMA DO MUNDO
                                     Dr. Carlos Alberto de Sousa
                                        Especial para QUERIDA


       Conheço grande parte do mundo. E espero em breve visitar a parte oriental do Universo, aproveitando o Congresso em Tóquio, ao qual fui convidado.  
      Já vi brancas, amarelas, pretas. E índias, mulatas, cafuzas, mestiças, eurasianas. Continuo, porém, achando o tipo brasileiro o "fino" em matéria de mulher. Um pouquinho avantajada, como a italiana e a maioria das latinas.
        Creio, mesmo, que 99 por cento das brasileiras não sabem tirar partido dos dotes que Deus lhes deu. Primeiro pela vida sedentária que herdamos da colonização, quando as sinhás-moças viviam embaladas na rede, abanadas pelas escravas, sobrecarregando o físico com toda a sorte de petiscos, docinhos e biscoitos quentinhos saídos do forno. 
      Era uma lei de perdição para a beleza e linhas estéticas. Acresce a circunstância que depois de casadas passavam automaticamente a pertencer à categoria das matronas, mães de muitos filhos, usando modas de senhoras respeitáveis, sem outros interesses que o lar e filhos. Tratava-se de praxe estabelecida a pirataria dos maridos com as escravas que, não raro, tinham do senhor tantos filhos quanto Sinhá Dona. 
      A alimentação substanciosa e farta, casas enormes, fazendas imensas, contribuíam sem dúvida para a moral adotada. Nada escandalizava ninguém. Muitos dos erros do Brasil Colonia ainda perduram hoje.  

                                      MAS A VIDA CONTINUOU...

     Graças às dificuldades da época atual, as mulheres tiveram de sair em campo para trabalhar. Da concorrência com o homem nasceu a necessidade do aspecto físico bem cuidado. Há pouco tivemos um confronto no Rio de Janeiro, no Concurso Internacional da Beleza, a única realização do IV Centenário que atingiu o povo da Guanabara. 

Sue Ann Downey, Miss Estados Unidos, Miss Internacional do IV Centenário do Rio de Janeiro, terceira colocada no Miss Universo 1965.
                                                                  ----------
     

As oito finalistas do Miss Brasil 1965. Da direita para a esquerda: Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, 2º lugar; Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, 3º lugar; Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Groso, 4º lugar; Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, 1º lugar; Rosemary Raduhy, Miss Paraná, 6º lugar; Solange Leão, Miss Espírito Santo, 8º lugar; Ilce Ione Hasselmann, Miss Estado do Rio, 5º lugar;Marilda Mascarenhas da Silva, Miss Bahia, 7º lugar.
----------
     Não é preciso ser juiz para concluir que o bouquet de mulheres que concorreu ao título de Miss Guanabara e Miss Brasil foi mil vezes superior às estrangeiras. A escolha de Miss Estados Unidos, contudo, foi justa. Suas belas formas e, principalmente, suas pernas influíram na seleção final.
      As americanas têm, em geral, seu ponto fraco no busto, em forma de pera e não globoso como deseja a perfeição e é encontrado comumente entre as brasileiras. A perda desta forma, quando constatada, leva as nossas mulheres aos tratamentos mais disparatados, indo por fim cair na mais sensata das escolhas: o tratamento `à base de hormônios ou o cirurgião plástico. Existe algo, porém, acima da beleza. 

                                               O ENCANTO 

      Miss Alemanha - mocinha magérrima - foi justamente aclamada pelo público e classificada pelo júri. Dona de um charme, de uma alegria e comunicabilidade  que deveria ser a tônica de um concurso de beleza, - que se disputa porque se deseja e onde o povo é o principal juiz - Miss Alemanha, repito, a todos conquistou. Isso as brasileiras deviam aprender. 

Na passarela, Ingrig Bethke, Miss Alemanha, terceira colocada no Miss Internacional do IV Centenário do Rio de Janeiro. Na comissão julgadora, da esquerda para a direita: Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964; Teresinha Morango, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957; Vera Ribeiro, Miss Brasil e quinto lugar no Miss Universo 1959; Ieda Maria Vargas, Miss Brasil e Miss Universo 1963; Emília Corrêa Lima, Miss Brasil 1955, e Martha Rocha, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954. (Imagem: revista Fatos & Fotos)
                                                                ----------

      Quanto às qualidades físicas, possuía o par de pernas mais feio que já vi. As coxas lembravam um amarrado de bagaço de cana, destituído já de todo o sumo. Não poderia ser classificada se se levasse em conta apenas a plástica. Eis a razão por que estou escrevendo este artigo. Para provar que o encanto não provem da beleza clássica. Nem mesmo dos vestidos, maquilagem ou penteados. 
      Encanto é sortilégio vindo do íntimo, de uma alegria interior. Da confiança em si própria, em seus méritos. Sem temor da concorrência.

Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarto lugar no Miss Brasil 1965.
----------

     Em matéria de andar, contudo, as nossas ganharam a palma. Dona Maria Augusta, da Socila, pouco conseguiu das misses internacionais, Pareciam soldados prussianos em marcha. As brasileiras, algumas, tinham a graça das garças, a deslizar, como Miss Mato Grosso. 

                                PROGRESSO EM RITMO DE BELEZA

      Cada vez se torna mais selecionado o espetáculo de beleza, eugenia e elegância entre a nossa juventude feminina. Feias não havia. Talvez algumas menos bela ou mais tímida. Todas mereciam apreciação e faziam jus ao desfile. 
      Fiz deste artigo um intervalo na série publicada sobre cuidados científicos de beleza. Meu livro, - "Todas Podem Ser belas"! - a ser lançado brevemente, será um estímulo para a mulher brasileira.
     Aprenda a cultivar beleza, atire fora as ideias retrógradas, o desprezo pelo físico. Dê maior valor à saúde. Por que não reviver o culto grego da beleza, da perfeição? Frinéia salvou-se da condenação à morte por sua plástica invejável. 
     Comece desde hoje - amanhã talvez seja tarde - a tratar de sua pele, do corpo, do conjunto em geral e terá a seus pés o homem amado, fiel, a adorá-la, principalmente se juntar ao físico a vontade e a agudez do espírito. Assim seja.
      Se algo não ficou bem claro, remeta  carta, com envelope selado para a resposta, solicitando informações à revista QUERIDA.  
                                  ---------- 
          Cinquenta e três anos depois, folheio a Querida e me recordo dos concursos de misses no Maracanãzinho. Saudade de O Cruzeiro, Mundo Ilustrado, Manchete e Fatos & Fotos dando grandes destaques em suas páginas. 
                O que fazer? Não permitir que a nostalgia seja mais forte do que eu. Já é Primavera. Assim Seja !

                                   *****

sábado, 11 de junho de 2016

SESSÃO NOSTALGIA – Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo 1965, meiga como a primeira namorada

Daslan Melo Lima
    
    

          “As representantes de 43 países já se encontram em Long Beach, nos Estados Unidos, à espera do grande dia em que será escolhida a Miss Beleza Internacional de 1965. Entre elas, Miss Brasil nº 2, Sandra Rosa, que foi bastante notada ao aparecer pela primeira vez em público, na piscina do Laffayette Hotel.” 
.....

        “Sandra Rosa cativou, pela doçura, a imprensa e Long Beach, que a chama de Garota de São Paulo, irmã da de Ipanema.“ 
.....
       “Miss Brasil número 2, Sandra Rosa, foi qualificada pela imprensa local como “rainha da doçura, meiga como a primeira namorada.“  

          A revista Manchete, de 21/08/1965, ano 13, nº 696, trazia as informações acima sobre a paulista Sandra Penno Rosa,  a Miss Brasil nº 2, como se chamava na época as segundas colocadas no concurso Miss Brasil, denominação que hoje seria Miss Brasil Beleza Internacionaltítulo dado às nossas representantes no Miss Internacional

----------

Sandra Rosa, vice-Miss Brasil 1965

Manchete, 26/06/1965, ano 13, nº 688, uma das revistas do meu acervo, com a capa trazendo as marcas de cinquenta e um anos. 
----------
         Sandra Rosa representou o tradicional educandário Instituto Caetano de Campos no Miss São Paulo, focada no propósito de ajudar as crianças carentes do seu Estado. Desfilou no Maracanãzinho com classe, segurança e elegância, na noite em que os aplausos maiores foram destinadas àquela que tinha o apoio da maioria do público para se eleger Miss Brasil 1965, Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarta colocada.
----------
MISS BRASIL 1965 - TOP 4 -  Da esquerda para a direita, Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, segundo lugar; Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, terceira colocada; Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarto lugar; e Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, primeira colocada. (Fotos: Manchete, 17/07/1965, ano 13, nº 691).  


----------

Sandra Rosa, top 5 no Miss Beleza Internacional

Ingrid Finger, Miss Beleza Internacional 1965, e Sandra Rosa
---------
      Ingrid vive na Bavária, gosta de viajar e de conversar, quer ser correspondente estrangeira, toca piano, adora modas e lê clássicos. Sua eleição foi bem recebida pelo público do Municipal Auditorium, enquanto a televisão transmitia de costa a costa dos Estados Unidos, para 80 milhões. 
        Foi uma vitória difícil, onde predominou o detalhe da elegância, do charme pessoal, a arte de ser mulher bonita. Não foi uma vitória de plástica, de polegadas a mais ou a menos, mas precisamente da “classe”, da irradiação e da naturalidade.  Entre as belezas do Mundo, Miss Alemanha se impôs. As 5 damas de honra foram bem selecionadas. 
        A  seu  respeito  disse  o  juiz    (para nós, em particular)  Tom Kelley,    o fotógrafo que fez o lançamento da nudez de Marylin Monroe: "Miss Brasil é very pretty." - (O Cruzeiro, 04/09/1965, Ano XXXVII, nº 48).  
Very pretty, muito bonita.
---------
Da esquerda para a direita, Marie Tapare, Miss Tahiti, quarto lugar; Faida Fadioli, Miss Itália, terceiro; Ingrid Finger, Miss Alemanha, primeiro; Gail Karen Krielow, Miss Estados Unidos, segundo; e Sandra Rosa, Miss Brasil, quinto lugar. ***** Detalhe: Marie Tapare, Miss Tahiti, classificou-se em quinto lugar no Miss Mundo 1965.***** Manchete, 28/08/1965, ano 13, nº 697)
---------

Sandra  Penno Rosa
Manchete, 10/07/1965, ano 13, nº 690.
----------
          Por onde anda a eterna Miss São Paulo 1965? Obter essa informação seria resgatar mais um pouco a magia de um tempo que se foi. Seria reviver mais um pouco o charme de uma época, onde as maiores revistas do Brasil usavam legendas românticas para definir misses como Sandra Penno Rosa, rainha da doçura, meiga como a primeira namorada.

*****


sábado, 7 de maio de 2016

SESSÃO NOSTALGIA - Coquetel de Misses

Daslan Melo Lima


          Dias depois daquela madrugada de 20 de junho de 1965, quando saiu do Maracanãzinho consagrada com o título de Miss Guanabara 1965, Maria Raquel Helena de Andrade recebeu valiosas orientações de três misses: Vera Ribeiro, Miss Distrito Federal, Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1959; Vera Lúcia Saba, Miss Guanabara, terceiro lugar no Miss Brasil e nossa representante no Miss Mundo 1962; e Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceira classificada no Miss Beleza Internacional 1964. O assunto foi destaque na revista Fatos & Fotos, ano V, número 231, de 03/07/1965, com texto de José Rodolpho Câmara e fotos de Gil Pinheiro

----------
Vera Lúcia Couto, Maria Raquel, Vera Ribeiro com a filhinha Cristiane e Vera Saba. 

Três Veras estarão, dia 3 de julho, no Maracanãzinho, torcendo pela vitória de uma Raquel, no concurso Miss Brasil 1965. E não só torcendo. Com sua experiência em concursos anteriores, ajudam e orientam a nova Miss Guanabara, indicando-lhe os segredos que as conduziram à conquista dos respectivos títulos. A fim de traçarem os planos de batalha, foram convidadas  para um coquetel, no qual imperaram a simpatia e a beleza. Local da reunião: residência de uma das Veras - Vera Ribeiro Secco, Miss Distrito Federal e Miss Brasil 1959. Na tarde agradável, cada qual relembrou passagens de seus concursos, assinalando fatores que poderiam ter influência na carreira  da miss de agora. A todas, Maria Raquel de Andrade escutava com a simplicidade que é uma das características de sua personalidade. E as três misses anteriores - Vera Ribeiro Secco, Vera Saba e Vera Lúcia Couto - não escondiam o otimismo de que estavam possuídas, acreditando nas possibilidades da reconquista do titulo de mas bela brasileira em 1965 para o Estado da Guanabara. (Fatos & Fotos, 03/07/1965).

----------
Que segredo e qual orientação Vera Lúcia Couto estará transmitindo para a sua substituta, a botafoguense Maria Raquel de Andrade?
----------
O coquetel oferecido por Vera Ribeiro Secco às três outras misses, além de motivo para congraçamento, foi um show de elegância do quarteto.
----------

        Os segredos e as orientações que Vera Lúcia Couto, Vera Ribeiro e Vera Lúcia Saba passaram para Maria Raquel Helena de Andrade foram positivos. A preferida do público para o  título de Miss Brasil 1965 era a morena Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarta colocada, mas foi a loura do Botafogo quem recebeu a faixa, a coroa e o cetro de Miss Brasil 1965, ficando depois entre as quinze semifinalistas do Miss Universo.

        Fui criança e adolescente nos mágicos anos sessenta, época da maior parte das minhas mais gratas recordações, guardiã de muitas coisas inesquecíveis, entre elas os concursos de misses, que faziam o País parar como se estivéssemos em clima de Copa do Mundo. 

*****

sábado, 28 de novembro de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - Berenice Lunardi, a brasileira do concurso Miss Mundo 1965

Daslan Melo Lima      

      Novembro se despedia do calendário daquele tempo, mas a revista O Cruzeiro, Ano XXXVIII, nº 7, de 20/11/1965, ainda poderia ser encontrada nas bancas das principais cidades do Brasil. A publicação trazia uma matéria em quatro páginas focalizando Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais,  terceira colocada no concurso Miss Brasil 1965, com texto de José Franco e fotos de Luiz Alfredo.
----------

MISS BRASIL Nº 3 VAI A LONDRES


Levando na bagagem uma bola autografada por Pelé, colares e brincos de pedras semipreciosas de Teófilo Otoni, vinte vestidos e o seu traje típico “Garimpeiro estilizado”, Berenice Lunardi, a mineira que conquistou três títulos num salto só – Miss Belo Horizonte, Miss Minas Gerais e Miss Brasil nº 3 – viaja para Londres, com os olhos voltados para a coroa de Miss Mundo 1965. Os vestidos são para inglês ver, e a bola e colares para oferecer de presente ao prefeito londrino, após o desfile principal na Câmara dos Comuns. 
Se haverá ou não excesso de peso na bagagem, disso não cuida Miss Berenice, pois sabe que tudo o mais está bem medido e pesado: 1,75 de altura, 91 de quadris, 90 de busto, 18 anos em flor. E ainda lindos olhos castanhos, para variar. 
Até as esperanças estão equilibradas: acredita que possa vencer, sim, por que não? Para tanto, leva consigo uma torcida particular, escolhida a dedo: o moço Mário Figueiredo, de quem ficará noiva em dezembro, a mamãe Edelvina Lunardi e o primo Ricardo Natali. O pai, o industrial Antônio Lunardi, que não quer saber de enfrentar o inverno, ficará, torcendo de Minas. 
Seu vestido de gala, confeccionado em zimbelini lilás, bordado com 40 mil pedras e oferecido pelo jornalista Paulo Cabral, diretor dos Associados de BH, ficará em 1 milhão e 500. E isto é que é importante: será tão bonito como a própria.
----------


       Naquele 1965, um único concurso selecionava três jovens que tinham a responsabilidade de representar o Brasil nos maiores concursos de beleza do mundo. Na foto acima, o Top 3 do Miss Brasil 1965. Da esquerda para a direita, Sandra Penno Rosa (Miss São Paulo, segundo lugar, representante do Brasil no Miss Beleza Internacional, realizado em Long Beach, Estados Unidos, onde conquistou o quinto lugar); Maria Raquel Helena de Andrade (Miss Guanabara, primeiro lugar, representante brasileira no Miss Universo, realizado em Miami Beach, Estados Undos, classificada entre as quinze semifinalistas);  e Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, terceiro lugar, representante do Brasil no Miss Mundo, realizado em Londres, não classificada entre as semifinalistas. Detalhe: Miss Brasil nº 1, assim era chamada a primeira colocada no Miss Brasil, cabendo às segundas e terceiras classificadas as denominações de Miss Brasil nº 2 e Miss Brasil nº 3, respectivamente.  
----------
     
          O Top 5 do Miss Mundo 1965. Da esquerda para a direita: Marie Tapare, Miss Taiti, quinto lugar; Gladys Anne Waller, Miss Irlanda, terceiro; Lesley Langley, Miss Reino Unido, primeira colocada; Dianna Lynn Batts, Miss Estados Unidos, segunda colocada; Ingrid Kopetzky, Miss Áustria, quarto lugar. 
           Naquele 1965, os meios de comunicação fluíam em velocidade muito lenta. A revista O Cruzeiro com a reportagem sobre a viagem de Berenice Lunardi circulava com a data de 20/11/1965, mas o concurso Miss Mundo já tinha sido realizado no dia 19, em Londres, com a participação de 49 candidatas. 
                                ----------                                                            
Berenice Lunardi,  Miss para sempre Miss


          Quem encontra aquela senhora bonita, tranquila e elegante, em algum lugar de Minas Gerais, não hesita em exclamar: Essa mulher só pode ter sido Miss ! 


       Os deuses da beleza, que invisíveis acompanham os passos de Berenice Lunardi, não hesitam em responder: Sim! Ela é a Miss Minas Gerais 1965, terceira colocada no concurso Miss Brasil, a brasileira do concurso Miss Mundo 1965. Miss para sempre Miss!   

*****


----------
Saiba mais sobre o Miss Brasil 1965 neste link

sábado, 1 de novembro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Maracanãzinho, 03/07/1965, a história de uma vaia

Daslan Melo Lima


      Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 03/07/1965, noite da eleição da Miss Brasil 1965. 
A tradicional passarela em forma de ferradura foi substituída por outra com o símbolo do quarto centenário da cidade do Rio de Janeiro. A grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, e mais de duas dezenas de jovens que participariam do Miss Universo 1965 eram convidadas especiais. Vinte e cinco lindas brasileiras desfilaram na passarela em busca do sonho mágico de ser eleita Miss Brasil 1965. A preferida do público era uma morena chamada Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, quarta colocada. Por causa dela, o Maracanãzinho, o templo da beleza nacional, conheceu a maior vaia de sua história.

--------------

As oito finalistas do Miss Brasil 1965. Da esquerda para a direita:
Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, 2º lugar;
Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, 3º lugar;
Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Groso, 4º lugar;
Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, 1º lugar;
Rosemary Raduhy, Miss Paraná, 6º lugar;
Solange Leão, Miss Espírito Santo, 8º lugar;
Ilce Ione Hasselmann, Miss Estado do Rio, 5º lugar;
Marilda Mascarenhas da Silva, Miss Bahia, 7º lugar.
- Foto:  revista Manchete

--------------

Pela primeira vez, na história da eleição do Miss Brasil, ninguém ficou satisfeito. O público vaiou o resultado final, os observadores autorizados acharam que alguma coisa estava errada, e os próprios jurados manifestaram, de diversas formas, o seu desagrado, dando a entender que o veredito não correspondia, de forma alguma, à vontade soberana do júri.
Acontece que o modo pelo qual é avaliada a opinião dos julgadores, obedece a um complicado critério aritmético, que mais tarde é submetido à manipulação por parte de uma pessoa que não pertence ao júri. Essa pessoa conta os diferentes pontos, faz a soma e tira a conclusão.

Alguns dos membros do júri deste ano confessaram que, tendo em vista o critério aritmético, tudo correu honestamente no Maracãnazinho.
“Mas – acrescentaram – o critério usado não é o melhor. Se temos oito finalistas, tudo seria muito simples se nos mandassem escolher nominalmente, entre as oito, as três favoritas. Então, cada um de nós indicaria: Fulana de Tal deve ser Miss Brasil. Aquela que obtivesse a maioria de votos seria naturalmente a eleita. No entanto, nada disso aconteceu. A eleição foi limpa, mas a verdade é que muitos de nós estávamos torcendo pela Miss Mato Grosso, e não podemos compreender como ela foi parar no quarto lugar.”

Conclusão: o concurso torna complicado o que deveria ser simples. Conseqüência: 12 minutos de vaia, e a necessidade de escolta policial para que os jurados podessem sair do estádio. E, no meio de tudo isso, uma graciosa pessoa teve que demonstrar extraordinária coragem moral. A nova Miss Brasil, Maria Raquel de Andrade, já ornada com a coroa e o manto real, desfilou lentamente, majestosamente, maravilhosamente, diante de 40 mil pessoas enfurecidas. Ela merecia a vitória e não teve culpa de nada. As vaias não lhe eram endereçadas. Foi necessário que ela vivesse esse momento dramático, esse terrível equívoco, para que a opinião pública começasse a exigir a modificação do regulamento de escolha de Miss Brasil. Esperemos que no ano que vem o povo possa voltar inteiramente feliz para casa, depois de ter visto a mais bela Miss desfilar sob os aplausos de todos.
- Manchete, 17/07/1965

----------

Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso
----------

Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara. 
Fotos: Manchete
----------

No Maracanãzinho mais cheio de todos os concursos de Miss Brasil, o público dividiu-se desde os primeiros momentos do desfile. De um lado, a favorita era Miss Mato Grosso, a morena Marilena de Oliveira Lima, que em todas as prévias feitas era apontada como a mais cotada para Miss Brasil-65; de outro, de narizinho arrebitado e doce sorriso, Miss Guanabara, Maria Raquel de Andrade, do Botafogo. As duas marcaram a grande noite, inspiraram vaias e aplausos. A desclassificação de Marilena provocou protestos como o Maracanãzinho não vira antes, chegando a assustar o júri.

Duas surpresas para o público: Miss Mato Grosso, que era a mais cotada desde o início, não figurou entre as três finalistas; e Miss Alagoas, uma das mais bonitas concorrentes, não ficou sequer entre as oito primeiras. A primeira, a morena Marilena, era a forte rival de Maria Raquel e a eleita do povo. A segunda, Mary Grace, contava com muita simpatia, inclusive entre as misses internacionais (Kiriaki Tsopei, Miss Universo-64, chegou a afirmar que Grace era a sua preferida para o mais alto título da beleza brasileira).

Ninguém pode contar o roteiro das vaias. Foram tantas e tão compactas, tão seguidas, que foi impossível cronometrá-las. Entretanto houve uma - um vaião - que ficou na memória do Rio. Foi uma das maiores dos últimos 10 anos. Esta vaia gigante foi assestada contra o júri, que optou pela loura do Botafogo e só deu o 4º lugar para a moça de Mato Grosso, a favorita das arquibancadas. Foi tão forte a vaia que os membros do júri ficaram com medo. E pensaram sair de mansinho. Pediram policiamento reforçado. E alguns trocaram de roupa, para não serem identificados. 


Evandro Castro Lima, que foi do júri, disse que nunca mais aceitaria a missão. Discordou do tipo de julgamento – do processo de votação por notas – que possibilitou vitórias não previstas. Idem foi a opinião de Oscar Santamaría, juiz internacional, que criticou violentamente o sistema de votar. Claude Berr, coordenador do Miss Europa, figura também do júri, estava desesperado. “What can I do?”, repetia pelos corredores. Na sua opinião, o júri votou certo, mas errou na pontaria. Houve qualquer coisa – que não foi marmelada - que atrapalhou a votação. Naturalmente o processo de votação.

Todas as misses internacionais – exceção da risonha alemã – ficaram alarmadas com as vaias. Miss Áustria saiu dizendo, em inglês, que todo mundo ali era maluco. A suave Miss Índia chegou a tremer de susto. Idem as eslavas, com Miss Finlândia nervosa. Essas moças, que freqüentaram passarelas calmas, educadinhas, formais, não esperavam topar com o rompante espontâneo de uma platéia latina. O medo dominou-as. Elas chegaram mesmo a pensar que o povo, revoltado contra o veredicto do júri, fosse afinal estraçalhá-las.
- Revista O Cruzeiro, 24/07/1965


----------

Mary Grace Oiticica Bandeira, Miss Alagoas. (Foto: Manchete)
----------

      Diante dos comentários acima, não há dúvida alguma que, se o critério de julgamento tivesse sido simples, direto e objetivo, Marilena de Oliveira Lima teria sido eleita Miss Brasil 1965. E a minha conterrânea Mary Grace Oiticica Bandeira teria ficado, no mínimo, entre as oito finalistas.

*****

SESSÃO NOSTALGIA

Marilena de Oliveira Lima, Miss Brasil Adotiva do Povo 1965


Transcrição de textos e fotos da Sessão Nostalgia de 13/11/2010. 

Por Daslan Melo Lima



                   MARILENA, UMA ESTRANHA BELEZA DE GATA SELVAGEM

  
           Quando Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, deixou o Maracanãzinho de madrugada após o concurso Miss Brasil, em que o júri a classificou em quarto lugar, ainda havia gente junto aos portões, esperando para aplaudi-la. A derrota não a abalou; sorria para os seus fãs como se tivesse sido a grande vitoriosa da noite. O pai a esperava à saída, para o abraço de solidariedade. O público quase rompeu os cordões de isolamento para vê-la mais de perto. Menos de duas horas antes, quando ainda desfilava, a multidão manifestava de maneira categórica sua preferência. A cada volta na passarela soavam aplausos. E a torcida não escondeu sua decepção quando descobriu que sua favorita não estava entre as três primeiras colocadas. Estrondosas vaiais encheram o estádio. Detentora de nove títulos de beleza, era a primeira competição que Marilena perdia. Mesmo derrotada, o público a consagrava: a vitória das palmas era sua.


          Agora, Marilena voltará a Mato Grosso. Em Campo Grande, onde mora, continuará sua vida como ela tem sido: os estudos, os passeios a cavalo, os mergulhos na piscina do Rádio Clube e as fugas para caçadas nos fins-de-semana.


Corpo de Miss, aos 16 anos. Uma estranha beleza de gata selvagem.

           Seus olhos de índia selvagem já eram lindos quando nasceu. Aos dois anos, a vaidade feminina acordava nela o espírito de moça elegante, que cultiva até hoje. Não deu muito trabalho aos pais porque tem natureza dócil e meiga. Mas não resistiu à tentação de fugir para realizar caçadas nos campos e cerrados de Mato Grosso. Aprendeu logo a atirar e hoje muito raramente erra dois tiros seguidos. No ginásio, aprendeu a tocar tambor e desfilou com a fanfarra. Aulas de balé, pintura e piano completaram sua educação. Eis, em resumo, o que tem sido, dos 2 aos 18 anos, a carioquinha que os pais registraram em Mato Grosso e trouxeram ao Rio, no IV Centenário, para concorrer ao título de Miss Brasil.
Revista Sétimo Céu
----------

MARILENA, SONHO DE RONDON

Miss Mato Grosso, Marilena de Oliveira Lima, apresentou a alegoria Sonho de Rondon, concebida pelo costureiro Heck Santos. O cocar amarelo e azul é belíssimo. 
- Revista Manchete, 17/07/1965
---------
 MARILENA ENTRE AS OITO FINALISTAS DO MISS BRASIL 1965

As oito finalistas do Miss Brasil 1965. Da esquerda para a direita: 
Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, 2º lugar; 
Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, 3º lugar; 
Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Groso, 4º lugar; 
Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Guanabara, 1º lugar; 
Rosemary Raduhy, Miss Paraná, 6º lugar; 
Solange Leão, Miss Espírito Santo, 8º lugar; 
Ilce Ione Hasselmann, Miss Estado do Rio, 5º lugar; 
Marilda Mascarenhas da Silva, Miss Bahia, 7º lugar. 
(Foto: Manchete, 17/07/1965)
----------

MARILENA ENTRE AS 4 MAIS BELAS DE 1965

O Top 4 do Miss Brasil 1965 em traje de gala. Da esquerda para a direita: 
1 – Maria Raquel, a nova Miss Brasil, foi bastante aplaudida ao desfilar neste belo vestido de tule cor-de-rosa, inteiramente bordado em pedrarias. O público vaiou o veredicto, mas achou justo que ela figurasse entre as três primeiras. 
2 – Também Miss São Paulo, Sandra Rosa, fez valer a sua classe num bonito vestido em dois tons de dourado. 
3 – Miss Minas Gerais, Berenice Lunardi, impressionou pelo porte monumental. Estava linda num vestido vermelho plissado, com estola da mesma cor. 
4 – Miss Mato Grosso, Marilena de Oliveira Lima, conquistou, fulminantemente, 40 mil espectadores do Maracanãzinho e seis milhões de telespectadores. Os próprios jurados não ficaram contentes com a sua ausência entre as finalistas. 
- Manchete, 17/07/1965
----------

MARILENA, MISS BRASIL ADOTIVA DO POVO 1965


          Marilena de Oliveira Lima, por motivos independentes da sua vontade, ficou no centro da controvérsia no Maracanãzinho. É a Miss Brasil Adotiva do Povo. A diplomacia decidiu fazer a felicidade de Miss Mato Grosso, Marilena de Oliveira Lima. No Ministério das Relações Exteriores, lhe deram o título de Miss Itamarati. E agora se anuncia que ela poderá ir a Maiorca, onde todos os anos se realiza, diplomaticamente, a eleição de Miss ONU.
          No tempo de Sthendal, a forma  mais espetacular de entrar para a sociedade era através de um duelo. Hoje em dia, a maneira mais prática de alcançar a fama é despertar controvérsia. Ou seja, na definição um tanto cínica de um escritor: “Falem mal, mas falem de mim.” Com Marilena, porém, a controvérsia é a favor. Todos falam bem dela. Ela é a miss que não ganhou a coroa; mas merecia ganhar. Assim ao menos julgou o povo, que lamentou ter sido ela prejudicada por uma inexistente lei das inelegibilidades. Miss Mato Grosso tem uma pele morena belíssima, e é toda encanto. Ela aceitou esportivamente a desclassificação. Mas, como vivemos numa democracia, foi procurada uma fórmula mais prática de fazer valer a vontade do povo. Assim, em Maiorca, poderá tornar-se Miss ONU. 
 Revista Manchete
----------
----------

          Segundo a revista Fatos & Fotos, após ser  anunciado o resultado do concurso Miss Brasil 1965, a mãe de Marilena de Oliveira Lima, entre desconsolada e decepcionada, declarou: “ O Brasil acaba de perder o título de Miss Universo. Minha filha era a única que tinha condições de trazê-lo.”
           Maria Raquel de Andrade, Miss Guanabara, Miss Brasil 1965, ficou entre as quinze semifinalistas do Miss Universo 1965, ano em que a vencedora foi Apasra Hongsakula, Miss Tailândia. Sandra Penno Rosa, Miss São Paulo, Vice-Miss Brasil, foi a quinta colocada no Miss Beleza Internacional, vencido por Ingrid Finger, da Alemanha. Berenice Lunardi, Miss Minas Gerais, terceira colocada no Miss Brasil, não obteve classificação no Miss Mundo, cuja vitoriosa foi a inglesa Lesley Langley.
          Como teria sido a performance de Marilena de Oliveira Lima em um desses concursos ? Não sei. Ninguém sabe. Só sei que Marilena de Oliveira Lima foi a Miss Brasil Adotiva do Povo 1965, um título original, feliz e único dado por  Manchete, uma das mais importantes revistas que já circularam por este nosso imenso país-continente.
             Para você, Marilena de Oliveira Lima, Miss Brasil Adotiva do Povo 1965 , minha singela homenagem neste novembro de 2010 que logo mais será parte de um tempo mágico que se foi, como aquele julho de 1965, de tantas emoções e recordações.

 *****