*****

SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com

domingo, 24 de fevereiro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Josenira de Albuquerque Silva, Miss São José da Laje 1965

Por Daslan Melo Lima

          Permitam-me falar hoje de uma mulher linda que foi Miss. Suas fotos não saíram nas grandes revistas da época, O Cuzeiro, Manchete e Fatos & Fotos. Sua fama não ultrapassou as fronteiras do Estado onde nasceu, mas marcou toda uma geração da cidade onde ela e eu nascemos : São José da Laje, Alagoas. E tem mais: ela foi minha professora. Seu nome: Josenira de Albuquerque Silva, Miss São José da Laje 1965.


          Ano de 1964, Ginásio São José. Quando a nova professora entrou na sala para dar aula, um silêncio imenso tomou conta do ambiente. Ela era linda, simpática , elegante e extrovertida. No início, era complicado prestar atenção ao que ensinava, pois sua beleza tirava a atenção de todos. Naquele ano, ela coordenou um belo espetáculo para o desfile escolar do dia 7 de Setembro. Meninas do Grupo Escolar Carlos Lyra se apresentaram nas ruas vestindo trajes típicos dos Estados brasileiros. Antes do desfile, Josenira posou para a foto acima, ao lado das garotas. Ela é a jovem sorridente que está na frente de uma vidraça quebrada.



Professores do Ginásio São José. Da esquerda para a direita:Maninho, Antônio Aquilino, Marcos Pino, Josenira de Albuquerque Silva, Amaury Vasconcelos de Andrade e Francisco de Assis Pereira.
----------


Maria Conceição de Alencastro, Mary Grace Oiticica Bandeira, Josenira de Albuquerque Silva (na foto de baixo, primeira à esquerda) e Maria José Gomes na passarela do Jaraguá Tênis Clube, Maceió, AL, 12/06/1965. (Acervo de Barros Expedictus).
----------

O mesmo recorte da Gazeta de Alagoas, em melhor resolução, destacando as misses São José da Laje e Rio Largo. (Acervo de Barros Expedictus).

       Estamos agora em 1965. No dia 12 de junho, no Jaraguá Tênis Clube, em Maceió, quatro jovens lindas disputaram o título de Miss Alagoas. Entre elas, estava Nirinha, como era carinhosamente chamada. As outras aspirantes ao título máximo da beleza alagoana eram Mary Grace Oiticica Bandeira (Miss Iate Clube Pajuçara, primeira colocada ), Maria Conceição de Alencastro (Miss Jaraguá Tênis Clube, segundo lugar ) e Maria José Gomes ( Miss Rio Largo). Nirinha deu um show de simpatia e comunicação, foi aplaudidíssima na entrevista e voltou para São José da Laje com o terceiro lugar.

         

         Vou deixar um pouco a minha professora de lado para falar de Mary Grace Oiticica Bandeira, Miss Alagoas 1965, foto à esquerda. Causou surpresa a sua não inclusão entre as oito finalistas do Miss Brasil 1965. Para a grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, presente no Maracanãzinho, a moça mais bela era Miss Alagoas, depois Maria Raquel Helena de Andrade (Miss Guanabara, eleita Miss Brasil) e adiante Marilena de Oliveira Lima, Miss Mato Grosso, a preferida do público, que acabou em quarto lugar e foi o motivo da maior vaia da história do Maracanãzinho. Meses depois, quatro louras chegaram a se apresentar no programa "Você faz o Show", do Fernando Castelão, na TV Jornal do Commercio, Recife : Alda Maria Simonetti Maia, Miss Pernambuco 1965; Maria Raquel Helena de Andrade, Miss Gunabara e Miss Brasil 1965; Solange Dutra Novelli, Rainha do IV Centenário do Rio de Janeiro, e Mary Grace Oiticica Bandeira, Miss Alagoas 1965.Vocês adivinharam qual delas colheu os maiores aplausos ? A loura das Alagoas, Mary Grace. Mas isso será assunto para uma outra Sessão Nostalgia.

       

            Em 1965, o sonho de toda garota bonita era desfilar na passarela em forma de ferradura do Maracanãzinho, para um público estimado em 25 mil pessoas; ser coroada Miss Brasil, dar autógrafos e sair nas capas das revistas O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos. Elas não ambicionavam fazer do título um trampolim para uma carreira de modelo ou atriz. No máximo, durante o reinado, posavam para os comercias das empresas patrocinadoras do concurso e depois retomavam sua vida pacata de antes. Sem dúvida , para as jovens de origem mais modesta, havia o sonho de ascensão social através de um casamento com um rapaz rico, afinal, era 1965 e estávamos na metade dos românticos anos 60. E quase todas as garotas sabiam de cor a letra da música Canção das Misses, de Lourival Faissal, gravada por Ellen de Lima.


Os estados brasileiros se apresentam
nesta festa de alegria e esplendor.

Jovens misses seus estados representam

seus costumes, seus encantos, seu valor.


Em desfile, nossa terra, nossa gente,
pela glória do auriverde em céu de anil.
Sempre unidos, leste, oeste, norte , sul,
na beleza das mulheres do Brasil.





          Aposentada, feliz e realizada, a hoje Josenira Degroot  (o Degroot por conta do seu casamento com um belga, falecido) mora em Maceió e continua irradiando carisma e simpatia. Sua presença era ansiosamente aguardada no dia 05 de janeiro, em São José da Laje, onde ela receberia o cobiçado troféu "Guerreiro Lajense". Um desencontro de informações, no entanto, adiou a homenagem, pois Nirinha tinha viajado dias antes à Bélgica.


          Há 43 anos, a minha autoestima e a de todos os meus conterrâneos foi lá para o alto por conta da notoriedade de Josenira de Albuquerque Silva, minha professora Miss. E como um título de Miss é para toda a vida, nossa autoestima continua, quarenta e três anos depois.

*****

domingo, 17 de fevereiro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - VERA LÚCIA SABA, MISS BRASIL MUNDO 1962

Daslan Melo Lima





          O ano era 1962. O estado da Guanabara, antigo Rio de Janeiro-Distrito Federal, tinha sido criado em 1960 e ela foi a terceira Miss a representá-lo no concurso Miss Brasil. As outras foram Gina Macpherson, Miss Brasil 1960, e Alda Maria Coutinho, terceira colocada no Miss Brasil 1961. Morena, simpática, descendente de libaneses, Vera Lúcia Saba conquistou  o terceiro lugar no Miss Brasil, perdendo para Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Bahia (primeiro lugar) e Julieta Strausz, Miss São Paulo (segundo lugar). Hoje, chamaríamos Vera Lúcia Saba de Miss Brasil Mundo, por ter representado o Brasil no concurso Miss Mundo, em Londres. Na época, no entanto, as segundas e terceiras colocadas recebiam as denominações de Miss Brasil nº. 2 e Miss Brasil nº. 3, respectivamente.

          Vera Lúcia Saba viajou a Londres levando a esperança de milhões de brasileiros que ansiavam ver uma Miss Brasil vencer um concurso de beleza internacional. A baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti tinha conquistado um honroso quinto lugar no Miss Universo, Julieta Strausz não tinha obtido classificação no Miss Beleza Internacional e agora todo o interesse da mídia brasileira voltava-se para Vera Lúcia Saba. Quem sabe se ela não seria coroada Miss Mundo 1962?

          Vera Lúcia Saba não se classificou em Londres e o título de Miss Mundo 1962 ficou com a holandesa Catherine Lodders, que depois se casaria com Chubby Checker, o “Rei” do Twist. Após o concurso, Vera foi a Damasco, acompanhada do pai, atendendo a um convite do Departamento de Turismo do Líbano. E foi lá que conheceu e se apaixonou pelo cabeleireiro libanês Georges Michel Khour, proprietário de um rico salão de beleza. Vera pediu a aprovação do pai para casar e recebeu um não. O pai foi contra aquele “impulso repentino do coração da Miss Brasil”, como assim definia os jornalistas. Seu pai alegava que Vera tinha um compromisso com o Brasil e teria de cumpri-lo antes de casar. Vera alegava que seu compromisso tinha terminado com sua participação no concurso de Miss Mundo. Mesmo amargando a tristeza de não ter conseguido a aprovação do pai, Vera fugiu de Beirute, onde se encontrava, para casar secretamente em Damasco, onde ficara o noivo, numa Igreja Maronita do subúrbio de Hazmiah.


          No ano seguinte, em junho de 1963, grávida, morando com o esposo que tinha fixado residência no Brasil, Vera foi ao Maracanãzinho assistir ao concurso Miss Guanabara. Dado às circunstâncias, estava impedida de subir à passarela para passar a faixa para Vera Lúcia Maia, sua sucessora, contentando-se em posar ao lado da nova rainha no estúdio da revista Manchete. No dia 02 de maio de 1964, seus fãs ficaram felizes ao vê-la na referida revista (imagem acima, em foto de Aldyr Tavares), com a filhinha Kátia Virgínia. Kátia nasceu em 15/11/1963, com mais de quatro quilos e mais de cinqüenta centímetros. A menina foi batizada quando completou um ano de idade, em 15/11/1964, no mesmo dia do aniversário da mãe, e teve como madrinha Julieta Strausz.

          Em 1962, eu era criança na alagoana São José da Laje, sem televisão e sem internet. Era um sonho esperar as revistas O Cruzeiro e Manchete com as noticias que pareciam chegar de um planeta glamouroso, movimentado e distante, muito distante. Eu não me dava conta que era testemunha de uma década que mudou a face do planeta. A atitude rebelde e romântica da Miss Guanabara 1962  é uma das minhas legendas dos mágicos anos 60.
  
      Por outro lado, sua foto ao lado da filha Kátia Virgínia é a mais bela imagem que guardo de Vera Lúcia Saba, Miss Clube Monte Líbano, Miss Estado da Guanabara, terceira colocada no Miss Brasil e representante da beleza feminina brasileira no Miss Mundo 1962.

*****

domingo, 10 de fevereiro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - MISS PERNAMBUCO 1987

Margarida Brasileiro
Miss Pernambuco 1987
          
          A imprensa pouco falou no concurso Miss Pernambuco 1987. Muita gente se surpreendeu quando João Alberto, na sua coluna do Diário de Pernambuco de 14 de março de 1987, comentou que a TV ia levar ao ar o concurso e que a nova Miss PE já tinha sido eleita. A nota dizia assim:


A jovem Margarida Brasileiro é a nova Miss Pernambuco 87, escolhida no programa “Carmen Peixoto Especial”, que irá ao ar neste sábado, a partir das 12:15 horas.
O jurado que escolheu a beleza máxima pernambucana, que foi presidido por Alberto Lopes, diretor da TV Tropical, contou também com a participação do figurinista Paulo Carvalho, da pintora Sylvia Pontual, do empresário Assis Farinha, do pintor Josael de Oliveira, da primeira dama de Caruaru, Carminha Oliveira e da universitária Raquel Andrade.
Margarida, agora, se prepara para o Miss Brasil, que se realizará no dia quatro de abril, no centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo.


          Margarida Brasileiro, 18 anos, manequim e modelo fotográfico, tinha sido eleita Rainha do Baile Municipal no ano anterior. Meg, como era chamada na intimidade, pertencia ao quadro de modelos e manequins da Ele & Ela Modas, tradicional loja de vestuário do Recife. Morava no bairro de Piedade e adorava uma praia. Margarida Brasileiro não se classificou entre as semifinalistas do Miss Brasil e chorou copiosamente por causa disso. Enquanto ela chorava, todo o Brasil , através das imagens do SBT, assitia o seu pranto , uma vez que ela foi bastante focalizada quando chorava. O seu vestido de gala foi uma criação do saudoso Marcílio Campos e ganhou o troféu de o mais belo vestido do concurso. Diante das câmaras, o apresentador Silvio Santos disse que no exterior Meg seria apontada como a Sônia Braga brasileira, devido à semelhança com aquela famosa atriz do cinema e da televisão.

          A segunda colocada no Miss PE 1987 foi Jaíra Rodrigues, Miss Caruaru, 22 anos, estudante de História da Faculdade de Filosofia de Caruaru. Em 1983, Jaíra tinha sido eleita “ A Mais Bela Estudante de Caruaru “ e três anos depois foi escolhida Miss Itaú Caruaru, Miss Itaú Pernambuco e ficou entre as sete finalistas do Miss Itaú Brasil, realizado no Ilha Porchat Club, em São Paulo.
          A terceira colocada no Miss PE 1987 foi Tereza Catarina Santos Coelho, 20 anos, representante do jornal The New Look. Tereza Catarina desfilava para uma das mais conhecidas lojas de moda da Galeria Vila Real, no bairro de Boa Viagem, a Jane Boutique, da lojista Jane Negromonte , e foi indicada pela jornalista Socorro Carrilho, redatora do referido jornal.

          Testemunhei as lágrimas de Meg Brasileiro no ano seguinte, no Clube Internacional do Recife, quando ela se despedia do seu título para passar faixa , coroa e manto para a belíssima negra Ana Maria Guimarães, Miss Pernambuco 1988. Em seu discurso de despedida, Meg afirmou que as pessoas tinham se esquecido dela no ano em que foi Miss. Voltei a rever Meg no ano seguinte, quando ela esteve em Timbaúba para um desfile de modas da Tok Especial, realizado na AABB, ocasião onde ganhei dela um beijo e um autógrafo. 

          Gostaria que ela tomasse conhecimento desta Sessão Nostalgia e derramasse lágrimas de alegria por saber que, 21 anos depois, seu nome não foi esquecido.

*****

Crédito da foto : Revista MODA VIVA,Ano 3,nº 05,1987.

domingo, 20 de janeiro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - MISS PERNAMBUCO 1986


               Clube Português do Recife, 18 de abril de 1986, 21 horas, está começando o concurso Miss Pernambuco 1986.Apresentadores: Lea Pabst Craveiro, Carmen Tovar, Aldemar Paiva e Marcondes do Amaral.Tema da festa: Copa do Mundo.Responsável pelo cenário: John Wan Rooyen.Coreografia: Reinaldo Zimmerman.

               A festa acontece em meio a um grande desfile de modas, promovido pela Ele & Ela Modas, que é a empresa organizadora do Miss PE 86, na pessoa de Assis Farinha.As candidatas foram orientadas pela manequim Irismar.A TV Tropical vai transmitir o espetáculo e Luís Fernando Bandeira de Melo e Alberto Lopes, seus gestores, estão muito satisfeitos com a repercussão. Na comissão julgadora, entre figuras expressivas de Pernambuco, dois convidados especiais: Humberto Saad e Terezinha Sodré. O famoso jogador de futebol Carlos Alberto Torres, capitão da seleção tri-campeã do mundo, sobe ao palco e chuta uma bola disputada pela platéia.

Vinte e sete jovens e o sonho de ser coroada a mais bela pernambucana de 1986: 
Simone Moraes (Academia Ling-Vimael)
Edriane dos Santos (Arcoverde)
Suzana Araújo Feitosa (AABB)
Tereza Cristina (Barreiros)
Luzenilda Rodrigues Cândido (Cachoeirinha)
Flávia Magalhães (Caruaru)
Marise Dias da Silva (Central)
Patrícia Pinto ( Chanel)
Maria do Carmo Ventura (Claude Bergere)
Acácia Azevedo (Salgueiro)
Flávia Guimarães (Internacional)
Maria do Carmo Pereira (Português)
Maria Helena Albuquerque (Fesp-Nazaré da Mata)
Tereza Cristina Costa ( Mocidade Boa Vista)
Maria Aldenice Alves Duarte (Paulo Miranda)
Edna Feitosa Clemente (Santa Cruz do Capibaribe)
Isabela Brito (Igarassu)
Leila Medeiros (Jornal da Praia)
Ana Paula Barreto (Jumbo)
Rosana Barbosa Lima (Olinda)
Maria Cristina Pinheiro (Petrolina)
Josiane Cavalcanti (Ribeirão)
Walquiria Carvalho (Sesc)
Valdilene Teles ( Sirinhaém)
Marta Castro Santos ( Sociedade de Formação de Medicina)
Edilma Ferreira da Silva( Wanderley Cabeleireiro)
Marcela Câncio (Santa Cruz).

               As misses não desfilaram com faixas e sim com rodelas de papelão com o número correspondente a cada candidata. O manequim Irismar usou a bengalinha com as tradiicionais batidas, para controlar o andamento das misses, no melhor estilo nostalgia, relembrando a figura de Maria Augusta, da Socila.

               Uma nota destoante e que foi notícia na coluna de Alex, no Jornal do Commercio, Recife, de 22/04/1986:
No momento de fazer as perguntas o locutor colocou as fichas no bolso e a cada momento dizia para a candidata : “Meta a mão no meu bolso e tire a ficha”. Com Sílvio Santos acontece a mesma coisa, mas é cafona. Afinal etiqueta é coisa que ainda existe e um cavaleiro não deve dizer para uma garota: “meta a mão no meu bolso.”

               Acácia Azevedo, Miss Salgueiro, tornou-se depois Miss Rio Grande do Norte. Maria Aldenice Alves Duarte, Miss Paulo Miranda, com o nome de Maria Duarte, fez grande sucesso como modelo nacional e internacional. Casou com um alemão e morreu no ano passado vítima de câncer no seio. Deixou dois filhos. Suas cinzas foram trazidas para Pernambuco e jogadas ao mar, conforme tinha recomendado aos familiares. Josiane Farias Cavalcanti, Miss Ribeirão, um dos mais belos rostos da história do Miss PE, tinha sido candidata em 1982, quando ficou em segundo lugar. Ao voltar em 1986, ainda muito bonita, por pouco não foi eleita e acabou conseguindo um honroso terceiro lugar. O título de Miss Simpatia ficou com Tereza Cristina Costa, Miss Mocidade Boa Vista.

O Top 5 ficou assim:
Primeiro lugar: Flávia Maria Ramos Guimarães, morena, alta, tranqüila, uma das preferidas do público e dos experts;
Segundo lugar: Maria Cristina Pinheiro, Miss Petrolina;
Terceiro lugar: Josiane Farias Cavalcanti, Miss Ribeirão;
Quarto lugar : Maria do Carmo Batista Ferreira, Miss Clube Português do Recife;
Quinto lugar : Flávia Guimarães, Miss Caruaru.

               Simone Augusto, Miss Pernambuco do ano anterior e que dois anos depois seria eleita Miss Brasil Mundo, passou a coroa, manto e cetro para sua sucessora usando um lindo modelo preto do saudoso estilista Marcílio Campos. < Flávia Maria Ramos Guimarães ficou entre as 12 semifinalistas do Miss Brasil 1986, ano em que a gaúcha Deise Nunes conseguiu o feito histórico de ter sido a primeira negra a ser eleita Miss Brasil.

               Há 22 anos, tal como acontecia nos anos 50 e 60, milhares de jovens no mundo inteiro sonhavam com um título de Miss.Vinte e dois anos depois, tal como em 1986, o sonho continua. Assim seja!

*****

domingo, 13 de janeiro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Maria Dorotéia Antunes Neto, Miss Minas Gerais 1957

Daslan Melo Lima




        Hotel Quitandinha, Rio de Janeiro, 22 de junho de 1957. Uma linda mineira de Juiz de Fora desfila na passarela do concurso Miss Brasil. Ao lado de Sandra Hervé, Miss Rio Grande do Sul, e de Lia Guimarães Pires de Castro, Miss Ceará, ela é apontada como uma das favoritas ao cobiçado título e é a mais aplaudida de todas as candidatas. A comissão julgadora, no entanto , assim definiu : quinto lugar, Karin Japp, Miss Paraná; quarto lugar, Lia Guimarães Pires de Castro, Miss Ceará ; e terceiro lugar, Sandra Hervé, Miss Rio Grande do Sul. Para o primeiro lugar, o júri ficou indeciso entre Maria Dorotéia Antunes Neto, Miss Minas Gerais, e Terezinha Gonçalves Morango, Miss Amazonas. Carlos Machado, integrante da comissão julgadora, pegou duas cadeiras e colocou uma ao lado da outra. Mandou que Maria Dorotéia e Terezinha Morango subissem e juntassem bem as pernas, do calcanhar às coxas. Maria Dorotéia tinha um pequeno arqueamento nas pernas e não deu outra, ficou como segunda colocada e perdeu o título de Miss Brasil 1957 para Terezinha Morango.
          Duas vidas, dois destinos. Terezinha Morango tinha sido Miss Cinelândia em 1956 e não tornou-se estrela de cinema. Foi a segunda colocada no concurso Miss Universo 1957, onde perdeu para a peruana Gladys Zender e casou-se no dia 27 de maio de 1959 com o milionário desquitado Alberto Pittigliani



         Maria Dorotéia Antunes Neto , que adorava escrever, pintar e cantar, foi a estrela do filme “Rebelião em Vila Rica”, dos irmãos Santos Pereira. Houve um desentendimento entre ela e os diretores do filme, tendo Maria Dorotéia se negado a fazer gravação dos diálogos e quase abandonado as filmagens. Ela não gostava de tocar nesse assunto e em entrevista à extinta revista Alterosa, de 15/08/1959, de onde copiei a foto acima, declarou: 
       Não me falem em cinema. Nunca mais farei qualquer filme e prefiro não conversar no assunto. Pode me atender neste favor? Sabe de uma coisa? Se, por acaso, houvesse em minha vida outra oportunidade de ser, novamente, Miss, eu não aceitaria. Sabe lá o que é ser Miss? É uma coisa que toda moça quer ser, enquanto não o é, e, provavelmente, a totalidade gostaria de não ser, quando já o é.
----------

          Maria Dorotéia Antunes Neto, onde você estiver, em qualquer lugar de Minas Gerais ou desse imenso país-continente, os aplausos daquela noite, quase 51 anos depois, ainda devem ecoar em sua existência. Só por isso, minha bela Maria Dorotéia, será que não valeu a pena ser Miss?

 ----------

UM POUCO MAIS SOBRE 
MARIA DOROTÉIA ANTUNES NETO


            A mineira Maria Dorotéia Antunes Neto nasceu no dia 14 de outubro de 1940, em Muriaé. Estudou no Ginásio Mariano Procópio e na Escola Técnica Machado Sobrinho, em Juiz de Fora, onde foi eleita Miss da cidade e em seguida Miss Minas Gerais e segundo lugar no Miss Brasil.
       O concurso Miss Minas Gerais 1957 foi realizado no dia 19/05/1957, no Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte. Cinco candidatas disputaram o cobiçado título: Maria Dorotéia Antunes Neto, Miss Juiz de Fora, primeiro lugar; Ana Delry Drumond, Miss Visconde do Rio Branco, segundo lugar; Maria Wilma Morais, Miss Belo Horizonte; Vera Moretti, Miss Poços de Caldas e Elizabeth Rosa, Miss São Lourenço.  
         Detalhe: Maria Wilma Morais, Miss Belo Horizonte, foi eleita no mesmo dia e local. Após sua coroação, retornou à passarela para disputar o título estadual. Nove candidatas concorreram ao Miss Belo Horizonte 1957: Maria Wilma Morais, Miss Minas Tênis Clube, primeiro lugar; Dália Maria de Carvalho, Miss Automóvel Clube, segunda colocada; Maria Neide de Morais, Miss AABB;  Luiza de Castro Montavani, Miss Barroca; Arilse Campos Pires, Miss C.S. Vila Rica; Léa Ferrer, Miss DCE; Marise Barbosa, Miss E.S. Sírio; Hellé Nice Loyolla Corrêa, Miss Fume; e Mara França Campos, Miss Iate G.C.

Maria Dorotéia Antunes Neto, a suave Marília de Dirceu de "Rebelião em Vila Rica", numa foto a cores de Leonardo Machado. ***** Capa da revista Alterosa, ano XXI, 15 de agosto de 1959. Acervo de Daslan Melo Lima ***** Abaixo, reportagem de três páginas publicada na mesma edição.


      A moça da capa, categórica: Não vale a pena Miss. Há misses e misses. Maria Dorotéia Antunes Neto foi uma delas, a de Minas Gerais 1957 e a segunda beleza do Brasil no mesmo ano. E seu rosto bonito apareceu em todas as revistas do País, e sua plástica perfeita encheu os olhos de milhões de brasileiros. Mas não apelou nunca para o sexy, não foi miss tipo vamp, dessas que se dedicam a aventuras fáceis e a promoções rendosas, pois é tipo de mulher brasileira, recatada e simples, pois é temperamento mineiro de moça sem problemas, dona de casa perfeita, apesar de, paradoxalmente, viver mais para as coisas do espírito. 
      Conhecemo-la, ela nos contou coisas e prontamente se prontificou a uma entrevista para ALTEROSA.
      É um encanto de mulher! Tem uns olhos fundos, castanhos descambando para o preto e fala manso, mais de sua vontade de ser apenas Maria Dorotéia, dona de um nome como escritora, do que ter sido Miss Minas Gerais e das glórias que isso lhe trouxe. 
      Este é o tipo que faz Maria Dorotéia voltar a ser assunto: está ultimando um romance, ainda sem título definitivo, em que narra uma história tão simples como ela própria, na qual a personagem de centro, uma moça da classe média, perde os pais, indo morar com uma tia. A trama se desenrola a partir daí, estudando os desajustes e os transtornos emocionais que essa súbita mudança ocasiona na vida da moça. Depois há o amor, e um happy-end.
       Com esse livro espera conseguir uma outra repercussão para o seu nome, uma ressonância que ela própria julga muito maior motivo de satisfação, pois pensa ser o espírito a coisa mais importante da vida. 
          Aliás, sobre a vida, disse-nos que é o melhor presente que Deus poderia ter nos dado. Sente-se perfeitamente feliz dentro dela, apesar de não se considerar plenamente realizada em nenhum de seus vários vários caminhos, e acredita piamente no amor que define como "um friozinho incômodo que a gente sente no coração". Por outro lado, acha que esse sentimento é indispensável é praticamente impossível uma felicidade completa nele. 
     - Quando o homem não é cabeçudo, a mulher o é ! - afirma categórica. - E conclui: - Em todo caso pode-se chegar à quase felicidade, bastando para isto compreensão mútua e um mesmo nível de educação social e intelectual.
        Quanto aos homens, define-os assim: "São uns seres formidáveis que vivem querendo definir a mulher, sem o conseguir!
       Fora isto, a beleza juiz-forense, de vinte anos apenas, acha que a música é assim como um paliativo para os tédios da vida, e dele faz sempre uso. A propósito, bem como as sinhazinhas mineiras do século passado, é uma excelente pianista e faz do violão o que quer, acompanhando-se enquanto canta, com uma voz quente e acariciante, melodias modernas.
       - E há também a pintura - acrescenta - que é, das artes, a mais bela. Eu sinto assim como que uma angústia  feliz, ao ver um quadro bonito. E eu pinto, também.
          E nos dá provas disso, mostrando-nos  alguns de seus quadros, em que, realmente, revela ter jeito para a coisa.
         Por fim, tocamos em cinema, já que ela estrelou o filme "Rebelião em Vila Rica", dos irmãos Santos Pereira, película esta que recebeu certo beneplácito da crítica especializada e apoio integral do Ministro Clóvis Salgado, cuja esposa dublou Maria Dorotéia nos números de canto. 
              


        
         Sabíamos , por outro lado, que houvera um desentendimento entre ela e os diretores da película, tendo ela se negado a fazer a gravação dos diálogos e quase abandonado as filmagens. Quisemos saber a verdade dos fatos e ela nos respondeu:
      - Não me falem em cinema. Nunca mais farei qualquer filme e prefiro não conversar no assunto. Pode me atender neste favor? 
      Podíamos, e os leitores que nos perdoem, por não trazermos a verdade dos fatos.
        Depois de um breve silêncio, mudando habilmente de assunto, nos afirmou, então, que Juiz de Fora é uma cidade maravilhosa e que se sente demasiadamente contente em morar na "Manchester". E, com um jeito feliz, arrematou: - Sabe de uma coisa? Se, por acaso, houvesse em minha vida outra oportunidade de ser, novamente, Miss, eu não aceitaria. Sabe lá o que é ser Miss?
      Nós não sabíamos, e ela explicou:
  - É uma coisa que toda moça quer ser, enquanto não é, e, provavelmente, a totalidade gostaria de não ser, quando já o é. 
---------
(Revista Alterosa, 15 de agosto de 1959. Reportagem de André F. de Carvalho. Fotos de Calazans.)
      - 
     ----------

         Um ano antes de ter sio eleita Miss Juiz de Fora, Maria Dorotéia foi a vencedora do concurso Miss Elegante Bangu de Juiz de Fora, Rainha do Café de Juiz de Fora e de Minas Gerais e segunda colocada na edição nacional do Rainha do Café 1956. Ao casar no início da década de 1960, passou a residir em Belo Horizonte e depois radicou-se em Brasília.

O charme atual da eterna Miss Minas Gerais 1957. ***** "Amo música clássica e popular muito selecionada, curtir amigos, literatura e viajar. Se pudesse abraçaria amigos antigos e novos num só amplexo." ***** Fonte: Facebook/Doroteia Antunes de Carvalho.

*****

domingo, 23 de dezembro de 2007

SESSÃO NOSTALGIA - Simone Augusto, Miss Pernambuco 1985, Miss Brasil Mundo 1987

 Daslan Melo Lima

      Eu estava lá , naquela noite de 17/05/1985, no ginásio da Faculdade de Filosofia de Caruaru, para assistir 30 candidatas na disputa do título de Miss Pernambuco 1985. O evento foi transmitido diretamente pela TV Tropical. A coordenação foi de Jota Lagos e Heron Viana, sob o comando do professor Humberto Vasconcelos, da TV Tropical. As atrações musicais da noite foram Zé Ramalho, Nilton César, Marquinhos Moura, Diana Pequeno e Fabiana. A vencedora recebeu mais de Cr$ 20 milhões em prêmios. 

Simone Augusto
Miss PE 1985

          A festa começou com uma exibição de Virgínia Helena Gomes da Silva, muito mais bela do que há quatro anos, quando foi terceira colocada no Miss PE , Miss PB e quarta no Miss Brasil 1981. Imitando Carmen Miranda, fez o público delirar com sua beleza, desembaraço e plástica escultural. Na comissão julgadora, figuras de expressão como: Margot Queiroz, Suzana Tavares Correia, Iara Dubeux, José de Souza Alencar (Alex), João Alberto, Ricardo de Castro, o inesquecível Marcílio Campos , Edelson Barbosa e Tancredo Albuquerque. A apresentação foi de Marcos Pinheiro e Ilona Ilse.          O concurso começou às 21h30min e só terminou às duas horas da madrugada. Foi muito cansativo, mas todo mundo ficou até o final. Os organizadores quiseram inovar com um computador que facilitaria o sistema de computação dos mapas da comissão julgadora, mas ele acabou quebrando.

         As 12 semifinalistas foram as representantes do Cabo, Caruaru, Clube Alemão, Salgueiro, Português, Colégio Boa Viagem, Igarassu, Itamaracá, Jaboatão, Paulista, Santa Cruz e Sport Club Recife. A Miss Central de Caruaru, Maria do Céu Vasconcelos, hoje com o nome de Maria do Céu Kelner, é famosa promoter do Recife. A Miss Paulista, Cláudia Maria Alves Queiroga, semifinalista, era uma morena muito bonita e foi a segunda colocada no concurso Rainha dos 450 anos do Recife, realizado em 1987, durante o Baile Municipal do Recife.
      TOP 5 - Primeiro lugar : Simone Augusto-Miss Clube Português do Recife, 510 pontos; Segundo lugar : Renata Cristina Luck-Miss Clube Alemão, 450 pontos; Terceiro lugar : Maurília Magalhães Lins-Miss Igarassu, 410 pontos; Quarto lugar : Luciene Lucas Teixeira-Miss Caruaru, 400 pontos e Ivone Maia de Melo-Miss Salgueiro, 394 pontos.

      Simone Augusto usou um modelo de Marcílio Campos e recebeu o prêmio de Miss Elegância. Gostei muito de resultado. Simone tinha um porte de rainha, 18 anos, 1,75 de altura, 61 Kg, 92 cm de busto, 65 cm de cintura, 93 de quadris e 55 de coxas. Simone Augusto tinha cursado o segundo grau no Colégio Americano Batista, onde foi eleita Garota CAB 84, o mesmo colégio onde estudou Enilda Sá Barreto, Miss PE 1973. Na minha opinião, só uma candidata poderia ter ficado à frente de Simone Augusto : Renata Cristina Luck, Miss Clube Alemão, segunda colocada, uma loura de 1,86 cm de altura que irradiava muito charme e simpatia. 
       Muito emocionada, Simone Augusto recebeu coroa, faixa, manto e cetro de Suzy Rêgo, Miss PE e vice-Miss Brasil 1984. Para orgulho de todos os pernambucanos, Simone Augusto , que não obteve classificação no Miss Brasil 1985, foi eleita Miss Brasil Mundo 1987 , tornando-se a quarta pernambucana a representar o Brasil no concurso Miss Mundo, em Londres.

*****

Foto: Coluna de João Alberto-Diario de Pernambuco-21/05/1985