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sábado, 21 de outubro de 2017

SESSÃO NOSTALGIA - Célia Maria Carvalho de Sanctis, Miss São Paulo 1971: "Todo dia a gente muda um pouco."

Daslan Melo Lima


          No top 5 do concurso Miss Brasil 1971, uma jovem simpática de 18 anos de idade e 1,78 de altura, chamava a atenção por sua cara de menina vivendo um rito de passagem para a adolescência. Seu nome: Célia Maria Carvalho de Sanctis, Miss São Paulo, que no próximo dia 31 estará celebrando idade nova.  


Célia Maria Carvalho de Sanctis, a primeira Miss Sorocaba a ser eleita Miss São Paulo. As outras foram Sandra Mara Ferreira, Miss Brasil 1973, e Kátia Celestina Moretto (1958-2013), Miss Brasil 1976. 
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Top 5 do Miss Brasil 1971 - Maracanãzinho, Rio de Janeiro, sábado, 03/07/1971. Da esquerda para a direita, Célia Maria Carvalho de Sanctis, Miss São Paulo, quinto lugar; Marize Meyer Costa, Miss Paraná, terceiro;  Eliane Parreira Guimarães, Miss Minas Gerais, primeiro lugar; Lúcia Tavares Petterle, Miss Guanabara, segundo; e Marlene de Oliveira Prates, quarto lugar. *****  Eliane Guimarães conquistou o quinto lugar no Miss Universo 1971, enquanto Lúcia Petterle foi eleita Miss Mundo 1971. ***** Foto: O Cruzeiro.
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Clodovil: "Célia tem chances de ser Miss Universo"


Cruzeiro do Sul, Ano LXVIII, Sorocaba, São Paulo, quarta-feira, 12/05/1971 

"Hugo Lacorte Vitale atendendo a convite formulado pelo Prefeito Crespo Gonzalez, virá a Sorocaba no próximo sábado para auxiliar - fazendo parte da comissão julgadora - a escolher a Miss Sorocaba 71 e a Miss Região Sorocaba 71." 
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Na foto aparecem seis das oito candidatas ao Miss Sorocaba 71. Célia é a primeira, da direita para a esquerda. 
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Cruzeiro do Sul, Ano LXVIII, Sorocaba, São Paulo, quarta-feira, 23/06/1971
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Célia Maria Carvalho de Sanctis disputou o Miss São Paulo ao lado de trinta e seis concorrentes, no Ginásio do Palmeiras. Para Clodovil Hernandez (1937-2009), criador do seu vestido, ela tinha chance de ser Miss Universo. 
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"Dizendo que Célia Maria tem uma "carinha de criança bem cuidada, um corpo divino, bem feito e estatura ideal", e classificando tudo isso como "bem a gosto dos americanos", o costureiro Clodovil disse ontem que se Miss São Paulo chegar ao título  de Miss Brasil, mais facilmente poderá obter o título de Miss Universo."       
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Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, quarta-feira, 23/06/1971
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Sorocaba parou para assistir ao Miss Brasil
Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, quinta-feira, 1º de julho de 1971
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Cruzeiro do Sul, Ano LXVIII, 
Sorocaba, Estado de São Paulo,
 sábado, 03/07/1971,
quatro páginas dedicadas ao Miss Brasil

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Célia, quinto lugar no Miss Brasil 1971, 
status de celebridade 


Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, domingo, 04/07/1971

"Célia Maria, conforme Clodovil previra em Sorocaba, dificilmente conseguiria o título maior do concurso. pois a sua beleza era tipicamente de "bebê Johnson"; "um rosto lindo, de criança, em um corpo perfeito". Ele lembra, entretanto, que se ela fosse eleita, teria grandes chances no concurso de Miss Universo; "é bem a gosto dos americanos". Célia, que fez Sorocaba vibrar e sair às ruas, agora seguirá a Argentina, um novo premio que conseguiu pela beleza."  

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Cruzeiro do Sul,  Sorocaba, SP, Ano LXVIII, terça-feira, 06/07/1971

A moça da foto é Eliane Parreira Guimarães, primeira colocada no Miss Brasil 1971, mas a manchete do jornal é dedicada à quinta colocada.
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Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, terça-feira, 06/07/1971

"Gostei do resultado, "de cara". Acontece que às fico pensando, - não sei, se bairrismo ou não, mas enfim, vai lá - tenho minhas dúvidas se nossa Celinha não deveria ser melhor classificada." 

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Cruzeiro do Sul, Sorocaba, SP, Ano LXVIII, terça-feira, 06/07/1971
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Por onde anda a Miss São Paulo 1971


       Terminando o colegial e o curso de Piano, Célia entrou para a Faculdade de Direito de Sorocaba, onde se formou. Em outubro de 1977, conheceu o alemão Jürgen Rudi Müeller, funcionário da Engrenasa, com quem casou dois anos depois, pai dos seus filhos Luciana EuniceGerd Marcelo. 
      Morou na Alemanha por nove anos e trabalhou como gerente de duas boutiques e num escritório de administração de imóveis. O casal voltou a morar em Sorocaba em 1988. Feliz, tranquila, ao lado da família, Célia leva uma vida sem badalações, veste-se com simplicidade e seu único e raro passatempo é jogar tênis no Ipanema Clube. 
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(Fonte: "Célia, a eterna Miss", Exclusiva Up, revista-suplemento do jornal Cruzeiro do Sul, novembro/2002. Reportagem de Eduardo Emídio). 
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"...era, de fato, uma linda mulher, nariz arrebitado, rosto de boneca, sorriso brejeiro, olhos vivos e brilhantes." ***** "Em janeiro de 71, ganhou um convite para representar as mulheres de Sorocaba no Cidade Contra Cidade, programa de Silvio Santos na TV Tupi. Desfilou e garantiu um ponto para Sorocaba, que venceu a disputa."
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"Quando eu tinha dezoito anos já sabia que iria envelhecer e mudar. Todo dia a gente muda um pouco." 
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Detalhe: Na página acima houve um lapso. Célia foi a quinta colocada no Miss Brasil, mas saiu como quarta. 
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"É incrível como as pessoas me tratam bem em todos os lugares. Posso ver em seus olhos que é um sentimento sincero, e isso é muito gostoso. O carinho é o melhor de  tudo."
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          O nome de Célia Maria Carvalho de Sanctis Müeller esteve em evidência há onze anos por uma situação dramática. Ela perdeu um cunhado no voo 1907 da Gol, naquele que foi considerado um dos piores acidentes aéreos da história do Brasil. No dia 29 de setembro de 2006, um boeing da Gol bateu em um jato Legacy no ar e caiu, na região de Peixoto de Azevedo, a 692 km ao Norte de Cuiabá, matando as 154 pessoas que estavam a bordo. Lembro de ter visto Célia na televisão, mostrando grande controle emocional, como uma das representantes das famílias enlutadas que acompanhavam o desenrolar dos acontecimentos junto à companhia de aviação.

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Beleza em dose tripla - A eterna Miss São Paulo 1971, a filha Luciana Eunice e o filho Gerd Marcelo. ***** Foto: Arquivo da família.
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           Para você, Célia Maria Carvalho de Sanctis Müeller, eterna Miss Sorocaba, meus votos de feliz idade nova. Receba esta matéria como presente de aniversário.
          Para você, Edi Corrêa Leite*, que guarda com tanto carinho as edições do jornal Cruzeiro do Sul, o meu muito obrigado por compartilhar comigo as relíquias do seu acervo. Sem elas, eu não teria produzido esta Sessão Nostalgia dedicada à sua famosa conterrânea, um ícone da história do Miss Brasil. 

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(*) Edi Corrêa Leite, ex-coordenador do concurso Miss Sorocaba, atualmente atua como Auxiliar Administrativo na Rádio Cacique de Sorocaba e produtor do programa Show da Cidade, pela Cacique AM.
Vide suas memórias como coordenador do Miss Sorocaba,
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sábado, 5 de agosto de 2017

SESSÃO NOSTALGIA – Não faltaram serpentinas para Katia Celestina Moretto, Miss Brasil 1976

                   
Daslan Melo Lima

        De vez em quando, recebo recortes antigos do jornal Cruzeiro do Sul sobre o concurso Miss São Paulo. Quem me manda? O paulista Edi Corrêa Leite, ex-coordenador do concurso Miss Sorocaba. Oito lindas jovens forem eleitas Miss Sorocaba em concursos inesquecíveis coordenados por ele: Flávia Cristiane Machado, Miss São Paulo e quarta colocada no Miss Brasil 1992; Erika de Oliveira Albiero, Miss São Paulo-Mundo e vice-Miss Mundo Brasil 1993;  Vivian Lara Waldemarin, semifinalista no Miss Paulo 1996; Juliana Corrêa, Miss Imprensa no Miss São Paulo 1997; Daniela Franzine, semifinalista no Miss São Paulo 1998; Luana Penafiel, Miss São Paulo 1999;  Vanessa Cantor, semifinalista  no Miss São Paulo 2001; e Bianca Landulpho, semifinalista  no Miss São Paulo 2003.
              Para Edi, que hoje trabalha como Auxiliar Administrativo na Rádio Cacique de Sorocaba, e produz o programa Show da Cidade, os concursos perderam todo o glamour. Saudosista, ele se apega às lembranças de um passado glorioso e desabafa: “A diferença dos concursos de ontem e os de hoje é muito grande, em todos os sentidos. Desde a expectativa do povo brasileiro em relação ao dia do concurso quanto ao anúncio da vencedora, que não tem emoção nenhuma. É tudo muito frio! Existia um charme muito grande quando a Miss do ano anterior coroava a sua sucessora. Acabou tudo isso!  Faltam pessoas que entendam do concurso, que saibam o que ele foi.”

Katia Celestina Moretto, Miss Brasil 1976 

         Faz dias que o Edi enviou-me uma nova remessa de recortes. Selecionei alguns para ilustrar o clima de entusiasmo existente em 1976, quando Katia Celestina Moretto (1958-2013), Miss Sorocaba, foi eleita Miss São Paulo, Miss Brasil, e representou nosso País no Miss Universo 1976, realizado em 10/07/1976, no Chinese Theatre, Hong Kong.
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Editorial do jornal Cruzeiro do Sul, 19/06/1976

"Porque concurso de Miss é assim mesmo. Pode o cidadão passar o ano todo pichando a promoção, achando que não tem sentido, que não vale a pena, etc., e tal. Porém, chegado que seja o momento do concurso ele haverá de postar-se diante da tela do seu televisor..." 
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Detalhe: o título do artigo falava em "bi", quando o correto seria "tri". Antes de Katia Celestina Moretto, duas sorocabanas foram eleitas Miss São Paulo: Célia Maria Carvalho di Sanctis (quinto lugar no Miss Brasil 1971) e Sandra Mara Ferreira (eleita Miss Brasil, semifinalista, top 12,  no Miss Universo 1973).

       Os amigos de Katia Celestina Moretto alugaram um ônibus com capacidade para 34 lugares. Foi feita uma rifa de uma máquina calculadora para pagar as despesas. Eles estavam ansiosos para festejar sua vitória ou sua participação, caso não vencesse. "O importante é que não falte serpentinas", diziam. 
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´"É desnecessário dizer que a torcida sorocabana foi a maior lá em Brasília." ***** Segurando a bandeira, Armando Pannuzio (1915-1985), prefeito de Sorocaba.


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         Não faltaram serpentinas para Katia Celestina Moretto, Miss Brasil 1976. Foram tantas que sobraram para inundar as boas lembranças de milhares de pessoas, entre essas as do meu amigo Edi Corrêa Leite.

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Vale a pena recordar
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Coroação da Miss Brasil 1976
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A trajetória de Katia Celestina Moretto
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As memórias de Edi Corrêa Leite

sábado, 6 de junho de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - "A frieza tomou conta dos concursos de Misses", um desabafo de Edi Corrêa Leite

Daslan Melo Lima   


       O paulista Edi Corrêa Leite, ex-coordenador do concurso Miss Sorocaba, ao rever recentemente seu acervo de recortes de jornais e revistas, deteve-se numas matérias sobre o Miss São Paulo 1995, publicadas nos jornais Diario de Sorocaba e Cruzeiro do Sul do domingo, 26/03/1995. A nostalgia invadiu sua alma e ele enviou-me um e-mail que abaixo transcrevo como documento e reflexão.


         Em 1995, Sorocaba foi sede do concurso Miss São Paulo. A cidade recebeu as mais belas moças do estado e também as caravanas vindas de diversas localidades. Dia 24 de março, Ipanema Clube, 20 horas. Desde as 19 horas, caravanas e público presentes. O evento começou três horas depois do previsto. Mas assim que foi anunciado em alto som o início do concurso, quando as luzes se acenderam  no palco, a música tocou e as candidatas se apresentaram, o  público foi ao delírio esquecendo o atraso e o mau humor. Tudo isso porque o povo ainda amava os concursos de Misses e vibrava com entusiasmo pelas suas candidatas preferidas. A cidade de Rio Claro, representado pela bela Luíara Fiedler  Coelho, saiu-se  vencedora da noite. Era realmente a mais bela, dona de um porte elegante e de muita classe, semifinalista (top 10) no Miss Brasil 1995. Foi uma vitória fácil para a sucessora de Valéria Melo Péris,   Miss São Paulo 1994. Valéria tinha representado Campinas no ano anterior e além do título de Miss São Paulo conquistou também o de Miss Brasil 1994.
       
          Atualmente, observo que os concursos estão apáticos, sem vibração e interesse do público. Noto uma frieza muito grande. Não há empolgação nem mesmo de patrocinadores. Estão muito americanizados. É uma cópia dos americanos. Os concursos no Brasil nasceram e cresceram com a participação da grande massa popular. O povo amava muito suas misses e hoje as direções dos mesmos estão afastando o grande público que foi sua marca registrada. Parava o país. Concurso de Miss é como futebol. A grande massa popular tem que estar presente! Querem elitizar algo que é do povo. E isso vai afastando o público e os patrocinadores, pois esses deixam de ter interesse por algo que não tem retorno.
          
        As misses sempre mostraram a sua classe e elegância nas imensas passarelas dos ginásios. E o público ia ao delírio, jogando confetes e serpentinas. A imprensa escrita e falada marcava presença. Jornais e revistas estampavam fotos nas capas e dedicavam muitas páginas ao assunto.  Isso acabou. Pessoas que não sabem da importância do que era concurso de Miss estão afastando o interesse do povo e a audiência televisiva. Poucas pessoas se interessam em assistir ao evento pela televisão. As Misses são para desfilar em passarelas e não em palcos.
        
          A frieza tomou conta dos concursos de Misses. Até mesmo a despedida da Miss do ano anterior, que desfilava ao som da belíssima  “Valsa da Despedida”, mudou. Ela é chamada ao palco e  desfila sem faixa, como se fosse uma mulher comum, ao som de uma música com rítmo de rock. E nesse estilo, sem glamour, ela encerra o seu reinado. Lamentável.

          O interesse popular, da imprensa e dos patrocinadores voltarão se os concursos de misses voltarem a ter o formato do passado. A direção desses eventos deveria  fazer pesquisa, assistir aos vídeos antigos e conversar com pessoas que participaram da festa  nos áureos tempos para tirar conclusões. Se não voltar aos moldes antigos, com a participação da grande massa popular, estarão a cada ano perdendo mais interesse do público e patrocinadores em todos os aspectos. A audiência sempre será de um amargo traço.

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          Edi Corrêa Leite coordenou por oito anos o concurso Miss Sorocaba.  O primeiro foi em 1992, no qual saiu vitoriosa Flávia Cristiane Machado, acima, ao seu lado, eleita Miss São Paulo e  4ª colocada no Miss Brasil 1992. 
        Em seguida vieram:   Miss Sorocaba 1993, Erika de Oliveira Albiero, Miss São Paulo-Mundo,  vice- Miss Mundo Brasil 1993; Miss Sorocaba 1996, Vivian Lara Waldemarin, semifinalista no Miss Paulo 1996; Miss Sorocaba 1997,  Juliana Corrêa, Miss Imprensa no Miss São Paulo 1997;  Miss Sorocaba 1998,  Daniela Franzine, semifinalista no Miss São Paulo 1998; Miss Sorocaba 1999,  Luana Penafiel, Miss São Paulo 1999;  Miss Sorocaba 2001,  Vanessa Cantor, semifinalista  no Miss São Paulo 2001;  e Miss Sorocaba 2003,  Bianca Landulpho, semifinalista  no Miss São Paulo 2003.


Bianca Landulpho, Miss Sorocaba 2003, e Edi Corrêa Leite. Foi o último concurso promovido por Edi.
          Suas memórias foram focalizadas na  Sessão Nostalgia de 20/08/2011. Vide http://passarelacultural.blogspot.com.br/2011/08/sessao-nostalgia_20.html .  
         Apesar das saudades que Edi Corrêa Leite sente dos concursos do passado, ele ainda se interessa pelo assunto. Paixões são paixões, simplesmente paixões, não se explicam. Sempre estou a repetir isso. 

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sábado, 25 de maio de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - Kátia Celestina Moretto, Miss Brasil 1976

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

         Uma nota divulgada por alguns sites especializados em concursos de beleza há quinze dias semeou tristeza em todos aqueles que, assim como eu, gostam muito de misses, particularmente daquelas que fazem parte de um tempo mágico que se foi. A notícia falava da morte de Kátia Celestina Moretto, Miss Brasil 1976. Como nada sobre o assunto tinha sido veiculado em jornais ou nas emissoras de televisão, ficamos na dúvida quanto à veracidade da notícia, haja vista que postagens inverídicas de vez em quando são espalhadas na Internet. Infelizmente, uma matéria publicada recentemente no jornal Cruzeiro do Sul, da cidade paulista de Sorocaba, terra natal de Kátia Celestina, não deixa dúvida sobre a veracidade do ocorrido. A Miss Brasil 1976 partiu para a Grande Viagem no dia 29 de abril, aos 56 anos de idade, vítima de câncer no aparelho digestivo.  

        Nesta última SESSÃO NOSTALGIA de maio de 2013, maio de Maria, maio das Mães e das Noivas, rendo um tributo a Kátia Celestina Moretto, ilustrado com imagens dos álbuns de recortes de Edi Corrêa Leite, leitor assíduo de PASSARELA CULTURAL, fã incondicional desta secção, ex-coordenador do concurso Miss Sorocaba e grande amigo de Kátia Celestina. Recebi um e-mail dele anteontem, quinta-feira, 23, afirmando o seguinte: 
Você não imagina o quanto estou triste. A Kátia era maravilhosa, dona de um astral maravilhoso. A presença dela era de descontração, de alegria, de uma energia muito boa, dona de uma bondade fora do comum, muito generosa. Em 1996,  quando  coordenei o Miss Sorocaba, ela veio com os filhos de  São José dos Campos, distante cinco horas de Sorocaba, somente para me prestigiar. A Kátia era fenomenal!  As fotos do meu acervo não são somente minhas, são  suas também!”

                    
DE SOROCABA A HONG KONG

    

          Katia Celestina Moretto nasceu em Sorocaba, sudoeste do estado de São Paulo, a 87 km da capital, no dia 08 de março de 1958. Era uma garota de 1,80 de altura, simples, e extrovertida, estudante da  OSE, Organização Sorocabana de Ensino, e jogadora de basquete, quando recebeu o título de Miss da sua cidade. 
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KÁTIA CELESTINA MORETTO NO MISS SÃO PAULO - Katia era motivo de orgulho para todos e viajou para participar do Miss São Paulo levando as esperanças dos sorocabanos que até então tinham eleito duas misses São Paulo:  Sandra Mara Ferreira, em 1973, Miss Brasil e  semifinalista no Miss Universo; e  Célia Maria Carvalho, em 1971, quinto lugar no Miss Brasil. Entre vinte e três candidatas, naquela noite de junho de 1976, no Parque Anhembi, na capital paulista, ela foi eleita Miss São Paulo.


Primeira página do jornal Cruzeiro do Sul, Sorocaba-SP, 06/06/1976.
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Primeira página do jornal Cruzeiro do Sul, Sorocaba-SP, 08/06/1976.
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A chegada de Katia Celestina Moretto à Sorocaba, na condição de Miss São Paulo, foi uma apoteose. Desfilou em cima de carro de bombeiros e foi alvo de muitas homenagens, entrevistas e destaque de primeira página no jornal Cruzeiro do Sul.


KÁTIA CELESTINA MORETTO 
NO MISS BRASIL  

           
Ginásio de Esportes Presidente Médici, Brasília, 19 de junho de 1976. Kátia Celestina Moretto  em traje típico, criação do estilista pernambucano Victor Moreira.
Em traje de gala.


Da esquerda para a direita: Vionete Revoredo Fonseca, Miss Rio de Janeiro, segunda colocada; Kátia Celestina Moretto, Miss São Paulo, eleita Miss Brasil 1976; e Adelaide Fraga de Oliveira Filha, Miss Brasília, terceiro lugar.


Kátia Celestina Moretto no quarto do hotel, fazendo meditação, acima, e careta, abaixo.

Detalhe: a cena da sua coroação como Miss Brasil poderá ser conferida neste link,


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O educandário OSE, Organização Sorocabana de Ensino, orgulhoso de sua aluna, postou esta homenagem no Cruzeiro do Sul


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Observação: Em várias publicações da época, por lapso, o nome da Miss Brasil 1976 foi escrito desta forma: Kátia Celestino Moretto. Eu mesmo, com base em revistas daquele tempo, só escrevia Celestino, mas Edi Corrêa Leite recentemente esclareceu-me que o correto é Celestina, tal como aparecia no Cruzeiro do Sul, jornal da sua terra natal. 

KÁTIA CELESTINA MORETTO 
NO MISS UNIVERSO

Primeira página do jornal Cruzeiro do Sul.


Kátia Celestina Moretto não obteve classificação no Miss Universo, realizado em Hong Kong, no ano em que a vencedora foi Rina Messinger. 


DRAMA NO GALEÃO, FEIJOADA E CAIPIRINHA

       Na sua volta para o Brasil, Kátia Celestina Moretto viveu um drama antes de desembarcar no Rio de Janeiro, conforme depoimento postado na revista Miss Brasil-A Glória de Uma Cora, em 2004, uma publicação da empresa paulista De Francisco Promoções e Eventos, abaixo transcrito, na íntegra.

     Foi em uma manhã, meados de julho de 1976, voltando ´para o Brasil, em um voo que saiu de São Francisco por volta de meia noite, depois de já ter voado 16 horas de Hong Kong aos Estados Unidos. O fuso horário e a ansiedade não me deixaram dormir. Depois de 17 dias em um país diferente, com horários contrários, alimentação exótica e um desgaste indescritível, avistei o Corcovado, o Cristo Redentor e a Baía de Guanabara. Meu coração disparou. Enfim de volta à Pátria.
      Os letreiros luminosos da aeronave indicaram para apertar os cintos de segurança e o comandante pelo alto-falante comunicava que em 30 minutos estaríamos pousando na cidade maravilhosa. Saquei a filmadora da valise e a preparei para, da janela, filmar a aterrissagem. A aeromoça sentou-se à minha frente. Eu estava sentada na primeira fila e ela naqueles bancos que se fecham encostados na parede da cabine, ficamos joelho com joelho (diga-se de passagem o espaço físico nas aeronaves para pessoas grandes é bem apertado). A aeromoça colocou o cinto e começamos a conversar, antes mesmo dela terminar a frase, ouvimos um barulho forte, o avião estremeceu, os luminosos piscaram e o comandante chamou a tripulação.
     O avião fez uma curva ao contrário voltando para o mar, o pânico se instalou. Logo a aeromoça pelo microfone anunciou um problema na turbina do lado esquerdo, o lado em que eu estava sentada. A fumaça que saía de sob a asa era grande e todos já tinham notado. Não demorou muito o comandante voltou a anunciar: “Dentro de 15 minutos estaremos pousando no Aeroporto Internacional do Galeão. Era difícil acreditar, a sensação era que iríamos cair na baía. Enquanto isso, o piloto fazia uma manobra espetacular para a esquerda e apontou para a cabeceira da pista descendo com certa velocidade. A pista estava branca, os bombeiros ainda colocavam espuma, ambulâncias se posicionavam e havia grande movimentação de pessoas uniformizadas como seguranças, policiais, enfermeiras, ente outros. A aeromoça voltando da cabine orienta os passageiros a ajustar as poltronas na posição vertical e baixar a cabeça sobre as pernas. Sentou-se novamente à minha frente  enxugando as lágrimas que corriam pelo seu rosto e fez o Sinal da Cruz. Eu a acompanhei e com certa tranqüilidade estendi a minha mão em direção à dela.
     Foram só quatro minutos, o tempo que levou para a aeronave pousar entre solavancos e gritos, que nesse momento não mais eram de pavor e sim de alegria e êxtase. Durante esses quatro minutos a sensação de impotência era tanta que só me restava acompanhar a aeromoça no “Pai Nosso e na Ave Maria”. Percebi que todos os acontecimentos recentes, como a fama, o sucesso, os três títulos, naquele momento nada tinha de importante. Era tudo muito frágil. A minha vida corria por um fio e poderia acabar ali. Reavaliei todos os meus valores, inclusive os materiais que até então almejava. Tenho vivido com humildade, respeito e fé Naquele que me deu tudo que possuo. Horas mais tarde conheci o comandante. Ele só tinha 34 anos e foi muito elogiado pelos colegas mais velhos e experientes.
      E comemorei com feijoada e caipirinha!
Katia Moretto, Miss Brasil 1976

EPÍLOGO





Kátia em 2004, trinta e dois anos depois de ter sido eleita Miss Brasil.

          Após cumprir o seu reinado, Kátia Celestina Moretto saiu de Sorocaba para residir na capital. Tempo depois, mudou-se para São José dos Campos, a 94 Km, onde abriu o restaurante Via Moretto no distrito de São Francisco Xavier. Kátia deixou uma filha, Anayan, de 33 anos,  e um filho, Felipe, de 31 anos. A família pretende fazer uma cerimônia em Sorocaba e jogar suas cinzas na cidade que ela tanto amou.   Acredito que esse gesto vai ao encontro dos sentimentos de Katia Celestina, a julgar pelo que ela disse ao receber do prefeito Armando Pannunzio (1915-1985)  o brasão de Sorocaba em 07/06/1976: 
 “Este brasão que eu recebi vale mais que qualquer outro presente ou prêmio  que eu ganhei até agora.Isto porque antes de tudo eu sou sorocabana e meu coração está aqui.”  

      Anteontem, ao comunicar ao Edi Corrêa Leite que ia render um tributo á sua famosa conterrânea neste blog disse-me ele:  
A Kátia merece a sua homenagem! A homenagem que você fizer para Kátia será emocionante para todos nós que a amamos! A Kátia será inesquecível para nós! Eu fico muito agradecido pela sua sensibilidade, pelo seu amor e carinho para com a nossa eterna amigona Kátia. Muito obrigado! Vou informar aos seus familiares. Eles vão ficar muito emocionados. Deus te abençoe por tudo!” Detalhe: Edi Corrêa Leite tem um blog, o www.edicorrea.blogspot.com , e foi motivo de uma Sessão Nostalgia, em 20/08/2011, quando falou das suas memórias como ex-coordenador do Miss Sorocaba,  http://passarelacultural.blogspot.com.br/2011/08/sessao-nostalgia_20.html  .

         Espero que esta Sessão Nostalgia tenha conseguido resgatar um pouco da história da bela sorocabana. No lugar de tristeza, vamos recordar sua trajetória na terra apenas com saudades, pois DEUS convocou a Miss Brasil 1976 para outra missão na passarela de outra dimensão. 

     A ti, Kátia Celestina Moretto, eu canto meu canto de nostalgia banhado de esperança, enquanto o mês de maio de 2013 vai se despedindo da passarela das nossas vidas.
                                      
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