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domingo, 16 de setembro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Geórgia Quental, Miss Rio Grande do Norte 1962, sensação no treino do Flamengo

Daslan Melo Lima         


         Na primeira semana de janeiro de 1966, a revista Manchete circulou em todo o País trazendo na capa a famosa modelo Geórgia Quental, Miss Rio Grande do Norte, finalista (Top 8) no concurso Miss Brasil 1962. Ela trajava um vestido amarelo de uma coleção parisiense e ao seu lado estavam três jogadores de futebol: Silva, Jaime e Marco Aurélio, craques do Flamengo, Campeão do IV Centenário do Rio de Janeiro. 


Da esquerda para a direita: Silva, Geórgia, Jaime e Marco Aurélio.

       
      O objetivo da visita de Geórgia Quental ao treino do Flamengo, onde causou mais sensação do que Silva, Jaime e Marco Aurélio, foi posar para a matéria "Vida de Manequim", reportagem de Jacinto de Thormes e fotos de Hélio Santos. Em nove páginas, algumas modelos brasileiras famosas falavam do glamour da profissão. Detalhe: A palavra "manequim" na época era muito  popular para designar as mulheres que desfilavam nas passarelas da moda.
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Por onde andam as personagens daquela capa da Manchte?

Geórgia Quental

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Geórgia Quental em foto recente - Facebook

          Bomba no cinema nacional! Em 1963, estreia o filme Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos, baseado na obra de Nelson Rodrigues. De repente, uma grã-fina chamada Lúcia abre o vestido e mostra seus seios perfeitos para um bicheiro, interpretado por Jece Valadão. Quem é ela? Georgia Quental, a fenomenal. “Para mim, ela foi um símbolo da Canadá de Luxe na década de 1960”, diz Ruy Castro. (...) 
        Mesmo sendo top na Canadá de Luxe, a moça tinha o sonho de ser Miss Brasil. Em 1962, tentou, representando o Rio Grande do Norte. Não foi classificada entre as três finalistas. No mesmo ano deu uma entrevista para a revista Fatos e Fotos: “Diziam que os juízes estavam com medo que eu fosse me comportar mal nos Estados Unidos ou na Inglaterra. Vivem falando que sou maluca, que não tenho responsabilidade. De certo, acharam que eu não ia aparecer nos programas marcados para a Miss Brasil. Mas isso é injusto”.
          Georgia entrou na Canadá por meio de anúncio de jornal, para ajudar a mãe viúva no orçamento. Fãs tinha, de montão. (... ) Fechou a carreira como manequim muito bem, em Paris, já com quase 40 anos, desfilando para Pierre Balmain.
          Hoje é uma senhora sempre arrumada que pode ser vista (...) no bairro Peixoto, no Rio... Ainda continua a chamar atenção. 
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Fonte: "As musas da Casa Canadá, berço do glamour carioca nos anos 50 e 60". Por Renato Fernandes para a revista Joyce Pascovitc, agosto/2015.
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Detalhe: Geórgia de Lucca Quental, gaúcha de Porto Alegre, nascida em 23/04/1939, aspirava ser Miss Brasil desde 1958, quando era manequim da Casa Canadá, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Geórgia e sua colega de trabalho Adalgisa Colombo decidiram disputar o Miss Distrito Federal 1958. Mena Fiala, dona da Casa Canadá, resolveu apoiar apenas uma candidata e optou por Adalgisa, que há quatro anos se preparava para isso. Adalgisa Colombo foi eleita Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958.
      Em 1962, no auge da sua carreira como modelo, Geórgia Quental não tinha abdicado do sonho de ser Miss e resolveu enfrentar os preconceitos. A maioria das garotas candidatas não se conformavam em ter uma modelo profissional como concorrente. Muita gente entendia que a concorrência era desleal, que uma profissional das passarelas não podia disputar um título de Miss. Geórgia se defendia: Se outros países apresentam modelos, por que não podemos fazer o mesmo?   Foi aí que, após ser impedida de concorrer ao Miss Brasília pelo Iate Clube, aceitou convite para disputar o Miss Brasil pelo estado do Rio Grande do Norte.

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Silva

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          Walter Machado da Silva, o Silva, que ficou conhecido no Rio de Janeiro pelo apelido de Batuta, trabalha hoje como organizador de eventos no Flamengo e ainda bate uma bolinha nos masters do rubro-negro. Em 2006, formou-se em Direito e passou a exercer a profissão de advogado. Silva, que nasceu em Ribeirão Preto (SP) no dia 2 de janeiro de 1940, começou a carreira no São Paulo FC. Foi para o Botafogo de Ribeirão e logo despertou o interesse do Corinthians, que o contratou em 1962. Deixou o Corinthians em 1964 para jogar no futebol carioca. Passou primeiro pelo Flamengo e depois pelo Vasco da Gama e Botafogo, por empréstimo. 
     Em 1967, Silva jogava com a camisa do Santos ao lado dos jogadores Pelé, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres entre outros. Times pelos quais passou: São, Paulo, Batatais, Botafogo SP, Corinthians, Flamengo, Barcelona (Espanha), Santos, Flamengo, Racing, Vasco, Rio Negro, Atlético Júnior (Colômbia), Tiqueres Flores (Venezuela) e Seleção Brasileira. Silva foi um dos jogadores convocados pelo técnico Vicente Feola para a Copa da Inglaterra em 1966.

      A vida de Silva inspirou Marcelo Schwob a escrever sua biografia.  
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Fonte de pesquisa sobre Silva, Jaime, Marco Aurélio e suas fotos atuais:  terceirotempo.bol.uol.com.br.
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Jaime

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       Jayme Pimenta Valente Filho, o ex-zagueiro Jayme do Flamengo, nasceu no Rio de Janeiro em 20 de junho de 1942. Antes de jogar no Clube de Regatas Flamengo, ele foi jogador de vôlei e Campeão Carioca pelo Sírio-libanês,  em 1958.  Após parar com a bola, tornou-se treinador de futebol. Dirigiu a seleção do Marrocos e clubes do mundo árabe. Comandou também o Mengão em 29 jogos entre 1977 e 1978, além do América, seleção do Catar, seleção do Congo e seleção Olímpica do Brasil. 
      Atualmente segue residindo em sua cidade natal onde é um bem sucedido executivo no campo universitário. Em 2008, trabalhava como diretor e professor do Instituto de Educação Física e Desportos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Jornalista formado pela ECO - Escola de Comunicação da UFRJ, com passagens por emissoras como TV Globo, TV Educativa e Jornal O Dia.
       Jayme defendeu com orgulho na Universidade do Porto, em Portugal, sua tese de doutorado em preparação física intitulada "Mario Jorge Lobo Zagallo, entre o Sagrado e o Profano, uma história de vida".  
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Marco Aurélio

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             Marco Aurélio, o Marco Aurélio Saldanha Rocha, goleiro do Flamengo entre 1964 e 1971, onde conquistou o título do IV Centenário, mora hoje na cidade de Maringá, Paraná. Lá, Marco Aurélio, que nasceu em São Paulo no dia 10 de dezembro de 1940, e atualmente está aposentado. Também foi proprietário de uma escolinha de futebol, em Maringá-PR, e trabalhou como funcionário público estadual, atuando como Secretário Estadual de Esportes.
        No estado do Paraná, Marco Aurélio foi revelado pelo Clube Atlético Paranaense, onde teve como companheiro o famoso Vanderlei. O ex-arqueiro também teve passagem pelo Bahia. Um fato interessante é que Marco Aurélio foi o último goleiro profissional a sofrer um gol de Garrincha com a camisa do Botafogo.
         Marco Aurélio é casado com Neusa Maria Lopes Rocha, pai de três filhas (Vanessa, Michelle e Francielle) e avô de Larissa , filha de Vanessa.
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                O trio Misses, Futebol e Carnaval, nesta ordem ou não, já foi o que havia de mais popular no Brasil.  Certas coisas permanecem no inconsciente coletivo por décadas e décadas. Enquanto houver alguém apaixonado pelo assunto, eternas serão as Misses, o Futebol e o Carnaval. 

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sábado, 22 de junho de 2013

SESSÃO NOSTALGIA – MISSES, AS MEMÓRIAS DE ARTUR XEXÉO

Daslan Melo Lima
 
   

Artur Xexéo
       










          No dia 18 de setembro de 2011, o jornalista Artur Xexéo publicou um texto excelente, impregnado de nostalgia, em sua coluna da Revista O Globo, evocando suas lembranças em torno do concurso Miss Brasil. Artur Xexéo  nasceu no Rio de Janeiro, em 1952. É jornalista formado em Comunicação Social pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha/SP). Trabalhou nas revistas Veja (SP),  IstoÉ (SP) e Jornal do Brasil.  Mantém uma coluna no jornal O Globo (RJ), onde escreve duas vezes por semana, às quartas-feiras e aos domingos, e exerce a função de editor do Segundo Caderno. Escreve, também, um blog no site do jornal – o Blog do XeXéo. É, ainda, comentarista da rádio CBN (RJ) e do programa Estúdio i, da Globo News (RJ).  Escreveu os livros Janete Clair – A Usineira dos Sonhos (Relume Dumará, 1996), uma minibiografia da novelista, e O torcedor Acidental (Rocco, 2010), uma coleção de crônicas sobre os bastidores das coberturas que fez das Copas do Mundo de Futebol.

 
      A crônica de Artur Xexéo causou repercussão e fez com que ele voltasse ao assunto na semana seguinte. Nesta secção Sessão Nostalgia, ao transcrever ambas as crônicas do jornalista, tomei a providência de ilustrá-las com imagens de algumas misses mencionadas nos textos. Também teço comentários especiais sobre o que ele escreveu, esclarecendo algumas observações do autor.
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     MISSES, crônica de Artur Xexéo, coluna da Revista O Globo, 18/09/2011
Geórgia Quental











Eu me lembro de Maria Augusta batendo com uma bengala na passarela para indicar o que as misses deveriam fazer. Eu me lembro do Maracanãzinho lotado. Eu me lembro que os apresentadores eram Paulo Max e Marly Bueno.  Eu me lembro de Georgia Quental, a Miss Flamengo que foi desclassificada porque já tinha desfilado profissionalmente. Eu me lembro que a Miss Renascença Aizita Nascimento foi a primeira negra a participar do concurso. Só não me lembro se ela ganhou. Acho que não. Eu me lembro que, na semana seguinte ao concurso de Miss Universo, “O Cruzeiro” sempre trazia uma reportagem com a eleita tomando café da manhã na praia. De maiô, cetro e coroa, é claro. Eu me lembro dos maiôs Catalina. Eu me lembro de Gina MacPherson — Miss Botafogo, Miss Guanabara, Miss Brasil —, que provocou escândalo ao namorar o motorista que estava à sua disposição em Miami. Eu me lembro que o Miss Universo era em Miami, o Miss Beleza Internacional em Long Beach e o Miss Mundo em Londres.   Eu me lembro que a coroa sempre caía da cabeça da Miss Brasil.  Eu me lembro que lá em casa a torcida era sempre para a Miss Rio Grande do Sul, mas eu, que já era do contra, preferia a Miss Guanabara.
Julieta Strausz











Eu me lembro do tempo em que o concurso de miss era só um quadro do “Programa Silvio Santos”, e que a gente $com a impressão de que, a qualquer momento, ele iria gritar: “Quem quer dinheiro?” Eu me lembro da Rainha do Café Julieta Strauss, que não era miss, mas era como se fosse. Eu me lembro que o traje típico de Miss São Paulo era sempre colhedora de café.  Eu me lembro da mineira Maria Stael Abelha, que renunciou ao título de Miss Brasil para se casar. Eu me lembro das irmãs gêmeas Elizabeth e Ana Cristina Ridzi disputando o Miss Guanabara. Como decidir qual era a mais bonita?
Eu me lembro da gaúcha Ieda Maria Vargas ganhando, finalmente, o Miss Universo. Alguns anos depois, a baiana Martha Vasconcellos levou o título. E, quando a gente já pensava que era uma espécie de Venezuela, nunca mais chegamos lá. Ieda virou uma apresentadora de TV famosa no Rio Grande do Sul. Martha Vasconcellos... que fim levou Martha Vasconcellos? Eu me lembro de Vera Fischer quando ela ainda era Miss Santa Catarina. Eu me lembro que a primeira Miss Brasília era uma empregada doméstica. Eu me lembro que todas liam “O Pequeno Príncipe”. Eu me lembro da Miss Grécia Corinna Tsopei, que foi Miss Universo e, depois, interpretou uma índia sioux no filme “Um homem chamado Cavalo”.
E por que eu estou me lembrando disso tudo? Porque eu acho que vou sempre me lembrar de Miss Angola ganhando o Miss Universo no Brasil.
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ObservaçãoGeórgia Quental era uma modelo famosa e sua inscrição não foi aceita para participar do Miss Guanabara 1960. Dois anos depois, representou o Rio Grande do Norte no Miss Brasil 1962   e obteve o sétimo lugar. ***** Aizita Nascimento ficou em sexto lugar no Miss Gunanabara 1963. Antes dela, Dirce Machado, mulata do Clube Renascença, participou do Miss Guanabara 1960 e ficou na quarta colocação. Na crônica a seguir, o Artur Xexéo toca nesse assunto. ***** A primeira jovem a ser eleita Miss Brasília, com direito a representar o Distrito Federal no Miss Brasil,  foi Martha Garcia, em 1959. A empregada doméstica citada na matéria é  Anísia Gasparina da Fonseca, eleita Miss Brasília em 1967, quarta colocada no Miss Brasil.  ***** Julieta Strausz, Miss São Paulo 1962, foi vice-Miss Brasil e representou o país no Miss Beleza Internacional.
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Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico, Miss Universo 1970.
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Lorraine Downes, Miss Nova Zelândia, Miss Universo 1983. 
A revista O Cruzeiro e outras publicações postavam fotos das jovens eleitas Miss Universo tomando seu primeiro café da manhã como rainhas, em seus apartamentos no hotel onde estavam hospedadas, ainda na cama, de faixa e coroa. Depois, elas iam para a praia e posavam para os fotógrafos de faixa, coroa, cetro e troféu. 
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PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE ALGUMAS MISSES, crônica de Artur Xexéo, coluna da Revista O Globo, 21/09/2011
     
Marta Rocha
      

















          Dizem que o Brasil tem 190 milhões de técnicos de futebol. Este número varia de acordo com a atualização da população do país. Houve um tempo em que tínhamos também 60 milhões de especialistas em misses. A população brasileira era bem menor. O que eu descobri esta semana foi que todos esses 60 milhões de especialistas continuam em atividade. E muitos deles me escreveram depois que dediquei a coluna do último domingo às minhas lembranças dos certames — era assim que a gente dizia naquela época — que escolhiam as misses Guanabara, Brasil, Universo...
 
      A maioria reclamava de o texto não citar Marta Rocha. Foi o que fez, por exemplo, Wilméa Silva Ramos: “Fiquei surpresa ao notar que você escreveu sobre as misses do Brasil e não citou a mais famosa de todas: Marta Rocha. Marta Rocha foi sucesso internacional pela beleza, pela simpatia, pelos lindos olhos e pelo lindo sorriso. O sucesso alcançado por Marta Rocha é que justifica o concurso de misses ainda existir no Brasil. Gostaria de saber por que você a esqueceu!!!”
 
      Não me esqueci de Marta Rocha. Ninguém se esquece de Marta Rocha. Acontece que escrevi sobre minhas lembranças, e, para mim, o concurso (ou certame) só começa quando é realizado no Maracanãzinho. Marta é do tempo de desfiles no Hotel Quitandinha, em Petrópolis. Quando me dei conta de mim, Marta Rocha já era “a eterna Miss Brasil”. Eu me lembro que ela se casou com Ronaldo Xavier de Lima, que era da turma da Miguel Lemos e que, de vez em quando, a levava para comer uma pizza brotinho no Tommy’s, ali na esquina de Miguel com Ayres Saldanha. Eu me lembro que, em seu apartamento na Avenida Atlântica, já separada, Marta transformou um cômodo em boate. Eu me lembro que ela levou um golpe financeiro das Casas Piano, se aposentou da vida social e foi morar em Volta Redonda.
Vera Lúcia Couto Santos
      










          O leitor Oleg Franco também não perdoa: “Penso que você foi injusto com Miss Vera Lúcia Couto dos Santos. Sim, foi ela que em 1964 quebrou todos os tabus, tornando-se a primeira negra a se classificar em um certame (viu como se falava assim?) de beleza internacional. Vera fez o mais arrebatador desfile no Maracanãzinho com os seus famosos pivôs que faziam a platéia gritar ‘olé, olé!’. Seu traje típico era o ‘Samba, sinfonia de três raças’, de Evandro de Castro Lima. Seu vestido de gala tinha 1.400 pérolas. Ela ficou em terceiro lugar no Miss Beleza Internacional, em Long Beach, onde também foi eleita Miss Fotogenia. Foi a primeira ‘colored’, como se dizia na época, a se classificar. Depois dela, quatro negras já foram Miss Universo.”
      Eu apenas quis destacar o pioneirismo de Aizita Nascimento (se bem que ela nem foi pioneira, como se verá daqui a pouco). Mas é claro que eu me lembro de Vera Lucia Couto. Eu me lembro que ela foi a inspiração de João Roberto Kelly para compor a marchinha de carnaval “Mulata bossa nova”. Eu me lembro que ela ganhou o Miss Renascença em 1965, quando a favorita era Esmeralda Barros. Eu me lembro que, até pouco tempo, Vera Lucia trabalhava na Riotur. Eu me lembro que, no Miss Brasil, o Maracanãzinho dividiu-se entre Vera, a Miss Guanabara, e Angela Vasconcellos, a representante do Paraná, e gritava: “Guaraná!”. Eu me lembro que a Paraná ganhou. Eu me lembro que Angela Vasconcelos usava óculos.
E, para encerrar esse papo Catalina, vários leitores me corrigiram, lembrando que a primeira miss negra foi Dirce Machado, que, em 1960, tirou quarto lugar no Miss Guanabara.

Aizita Nascimento


Dirce Machado
      


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 Observação: Vera Lúcia  Couto Santos ganhou o Miss Renascença em 1964 e Esmeralda Barros foi sua vice. Segunda colocada no Miss Brasil, Vera     conseguiu o terceiro lugar no Miss Beleza Internacional.                                                             
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      Timbaúba, Pernambuco, noite fria e chuvosa de 22 de junho de 2013, talvez não tão fria e chuvosa como há 50 anos. Como Artur Xexéo e eu somos de uma geração que conheceu os anos dourados do concurso Miss Brasil, ele deve também estar lembrado que  em  22 de junho de 1963,  no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, foi realizado o concurso Miss Brasil 1963. Na capa da revista Manchete, o Top 3 daquele certame histórico: Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, com a coroa, faixa, manto e cetro de Miss Brasil 1963, eleita Miss Universo em Miami Bach, Estados Unidos); a loura Tânia Mara Franco de Souza (Miss Paraná, segundo lugar, semifinalista no Miss Beleza Internacional, em Long Beach, Estados Unidos) e Vera Lúcia Ferreira Maia (Miss Guanabara, terceira colocada, semifinalista no Miss Mundo, em Londres, Inglaterra).
      Os meninos que um dia eu e Artur Xexéo fomos, ao olhar para a imagem acima, soltam risos irônicos para os homens que hoje somos. Enquanto envelhecemos, Ieda, Tania e Vera continuam sorrindo para nós, eternamente jovens, meio século depois.

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sexta-feira, 16 de maio de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Geórgia Quental, Miss Rio Grande do Norte 1962

Daslan Melo Lima

      
Naquele 1962, um rosto iluminado por dois lindos olhos azul-esverdeados deixava marcas na história do Miss Brasil: o rosto de Geórgia Quental,  Miss Rio Grande do Norte 1962.
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        Rio de Janeiro, noite fria e chuvosa do sábado, 16 de junho de 1962, véspera da final da Copa do Mundo. A seleção brasileira de futebol jogaria no dia seguinte contra a da Tchecoslováquia, no Chile. Mas naquela noite, as atenções dos brasileiros estavam concentradas unicamente no Maracanãzinho. Lá estavam 30 mil pessoas, gente simples, donas-de-casa, estudantes, operários, mas também figuras da alta sociedade , grandes empresários, políticos influentes, ministros , embaixadores... 
          A festa teve início com 23 jovens em trajes de gala, desfilando na famosa passarela em forma de ferradura, ao som da música “Cidade Maravilhosa.” Na comissão julgadora, a figura linda de Martha Rocha, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954, e do juiz internacional de beleza Vincent Trotta, assustado com a intensa vibração e animação da platéia, que ele denominou de dinamite tremenda. Para Vincent Trotta, as favoritas eram Eva Maria Arismende, Miss Rio Grande do Sul, a quem ele deu o voto de primeiro lugar, e Julieta Strauss, Miss São Paulo, que recebeu o seu voto para o segundo lugar.
      Desde o início, os aplausos maiores foram para Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, baiana de Itabuna, a grande vitoriosa da noite. O mesmo público que aprovou a escolha de Maria Olívia ficou decepcionado com a colocação dada a Geórgia de Lucca Quental, Miss Rio Grande do Norte. Ela era uma das manequins mais belas e famosas do país e ficou apenas em sétimo lugar, quando todos juravam que ela ficaria entre as três primeiras colocadas. As oito finalistas foram, por ordem de classificação: Maria Olívia Rebouças Cavalcanti (Bahia), Julieta Strauss (São Paulo), Vera Lúcia Saba (Guanabara), Eva Maria Arismende (Rio Grande do Sul); Elizabeth Ramos Daniel (Espírito Santo); Célia Maria Spinola Leite (Estado do Rio); Geórgia de Lucca Quental (Rio Grande do Norte) e Rita Nóbrega de Melo (Ceará, Miss Simpatia).
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      Geórgia Quental, gaúcha de Porto Alegre, nascida em 23/04/1939, aspirava ser Miss Brasil desde 1958, quando era manequim da Casa Canadá, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Geórgia e sua colega de trabalho Adalgisa Colombo decidiram disputar o Miss Distrito Federal 1958. Mena Fiala, dona da Casa Canadá, resolveu apoiar apenas uma candidata e optou por Adalgisa, que há quatro anos se preparava para isso. Adalgisa Colombo foi eleita Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958.
      Em 1962, no auge da sua carreira como modelo e manequim, Geórgia Quental não tinha abdicado do sonho de ser Miss e resolveu enfrentar os preconceitos. A maioria das garotas candidatas não se conformavam em ter uma modelo profissional como concorrente. Muita gente entendia que a concorrência era desleal, que uma profissional das passarelas não podia disputar um título de Miss. Geórgia se defendia: Se outros países apresentam modelos, por que não podemos fazer o mesmo?
      Foi aí que, após ser impedida de concorrer ao Miss Brasília pelo Iate Clube, aceitou convite para disputar o Miss Brasil pelo estado do Rio Grande do Norte.
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      O jornalista Ubiratan de Lemos deu o seguinte depoimento à revista O CRUZEIRO,de 30/06/1962 :
Geórgia Quental, sem dúvida uma das mais belas, manequim, exagerou os passos profissionais. E obteve, por isso, a sétima colocação. Pisou tão bem a passarela que os aplausos foram muitos. Seu vestido era de tule branco em ráfia. Sapatos e luvas brancos. Estola azul-turquesa, que ela desceu dos ombros aos braços, frente ao júri.
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Em entrevista exclusiva à revista FATOS & FOTOS, de 30/06/1962, Geórgia Quental declarou :

Disseram, no meio da semana, que o júri não me colocaria entre as três primeiras por motivos que nada tinham a ver com minha plástica.


Diziam que os juízes estavam com medo que eu fosse me portar mal nos Estados Unidos ou na Inglaterra. 

Vivem dizendo que sou maluca, que não tenho responsabilidade. De certo, acharam que eu não ia aparecer nos programas marcados para a Miss Brasil. Mas isso é absolutamente injusto. 

Não estou revoltada. Fiquei triste só porque me classifiquei atrás de Miss Estado do Rio, Miss Espírito Santo e Miss Rio Grande do Sul.


      A revista FATOS & FOTOS fez a seguinte observação:
Ao contrário do que se esperava, porém, Geórgia não criou nenhum caso. Soube perder como muitas não sabem ganhar. Chorou um pouquinho, sim. Mas logo disfarçou, discretamente.


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      Naquele 1962, no domingo, 17 de junho, o Brasil derrotou a Tchecoslováquia, por 3 x 1,e conquistou o bi-campeonato mundial de futebol. Naquele 1962, Maria Olívia Rebouças Cavalcanti trouxe de Miami o quinto lugar do Miss Universo, enquanto Julieta Strauss e Vera Lúcia Saba não foram classificadas no Miss Beleza Internacional e no Miss Mundo, respectivamente. 
          Naquele 1962, um rosto iluminado por dois lindos olhos azul-esverdeados deixava marcas na história do Miss Brasil: o rosto de Geórgia Quental, Miss Rio Grande do Norte 1962.

        
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