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sábado, 14 de abril de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Léa Pabst Craveiro, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957, “emoldurada de eternidade e de olhos verdes”


Daslan Melo Lima


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“Deixas de envelhecer. Ninguém vai te ver envelhecida. Apenas serás antiga, emoldurada de eternidade e de olhos verdes.
Um ano depois, os que ficaram continuam com os olhos rasos d’água. E não entendem o enigma, mesmo porque enigmas não são para ser entendidos.
As coisas estão no mesmo lugar. Objetos, roupas, papéis. Talvez com um pouco mais de pó, pois a cada ano acrescentado aumentam os resíduos de poeira e de memórias. ”

      Guardo num caderno de recortes a crônica “Para Léa”, de Paulo Fernando Craveiro, escritor, jornalista, cronista e crítico de arte. Publicada em sua página do Diario de Pernambuco, edição de 1º de janeiro de 1989, o texto evoca a figura de sua esposa Léa Pabst Craveiro, falecida em 30/12/1987, vítima de câncer. Léa Pabst completaria 53 anos de idade no dia 02/01/1988.


“Insuportáveis, estas sim, são as fotografias. Clarões de perspectivas dos dias que jamais chegaram nem chegarão. E mais assombros. Assombrosos são os dias de ontem e os de amanhã. 
Como estás aqui, percebes que o sol continua entrando pela janela, e o rio segue o rumo da rotina, e o mar, ali em frente, é uma cambiante massa de verdes, azuis e cinzas. Como permaneces contemplando.
Os que ficaram estão descobrindo as asperezas da tua ausência física não domesticada, essa fera feita de silêncios e de vestidos que ainda estão dependurados no guarda-roupa que ninguém abriu.
Teus sapatos entretanto andam. E te levam e te trazem, como as ondas, nesse estranho movimento em que convivem os que se foram e os que resistem tecendo o sonho em que progressivamente te transformas. "
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Léa Pabst, Miss Elegante Bangu

Léa Pabst, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957
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TRÊS ÍCONES PERNAMBUCANOS - Da esquerda para a direita: Edilene Torreão (Miss Pernambuco 1960, terceira colocada no Miss Brasil, nossa representante no Miss Mundo 1960); Léa Pabst, Miss Elegante Bangu do Clube Náutico Capibaribe, Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957); e Sônia Maria Campos (Miss Pernambuco, Vice-Miss Brasil 1958 e primeira brasileira a disputar o título de Miss Mundo).
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       Representando o Clube Náutico Capibaribe, Léa Pabst foi a primeira colocada no Miss Elegante Bangu de Pernambuco 1957, durante evento realizado no Clube Internacional do Recife, em 16/11/1957. Em segundo lugar ficou Violeta Botelho, representando o Clube Internacional do Recife. Violeta  tinha sido a terceira colocada no Miss Pernambuco 1957, na condição de Miss Clube Português do Recife.


       Linda, delicada, elegante, educadíssima, Léa Pabst casou com Paulo Fernando Craveiro e teve um casal de filhos. Figura de grande prestígio na  sociedade pernambucana, jornalista e apresentadora de eventos socioculturais, ela também dava aulas de etiqueta às jovens que aspiravam desfilar nas passarelas como modelos e misses.

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"Léa foi única"

        Tenho um amigo e uma amiga que conheceram bem a eterna Miss Elegante Bangu de Pernambuco: Muciolo Ferreira e Julia Kátia
        Confessa Muciolo Ferreira, jornalista: "O concurso Miss Elegante Bangu só foi ultrapassado pelo Miss Brasil porque não era televisionado e as jovens não eram expostas numa passarela desfilando de maiô. Até porque o Miss Elegante Bangu era disputado pelo melhor que havia na sociedade brasileira. Em Pernambuco, a mais famosa miss dessa competição foi a saudosa jornalista Léa Pabst Craveiro, que foi casada com o também jornalista Paulo Fernando Craveiro. Daslan, pense numa mulher que era sinônimo de elegância e beleza na melhor acepção desse termo. Léa foi única. ” 
        Afirma Julia Katia, ex-modelo: “Guardo lembranças maravilhosas do meu tempo de manequim de alta-costura e de candidata ao título de Miss Pernambuco 1976. Entre elas, o aprendizado com a inesquecível jornalista Léa Pabst Craveiro. Quando eu ria alto e gargalhava, Léa me corrigia com aquela sua classe e elegância: - Katia, não sorria assim, ria mais baixo. ”

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         No bucólico bairro de Guabiraba, verdadeiro pulmão verde do Recife, há uma rua com o nome de Léa Pabst Craveiro, a Miss Elegante Bangu que deixou de envelhecer; a jornalista que ninguém viu envelhecendo; a mulher maravilhosa que apenas ficou antiga, “emoldurada de eternidade e de olhos verdes”.

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Crédito das fotos: 
Acervo de Fernando Machado  
                                                                                                                    

sábado, 14 de março de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - Julia Katia, a vedete do Miss Pernambuco 1976, na intimidade

Daslan Melo Lima   




  

    No dia 12 do mês passado, passei uma manhã ao lado de Julia Katia Araujo de Melo Lopes, ou simplesmente Julia Katia, uma das modelos mais famosas de Pernambuco nos anos setenta. Em maio de 1971, aos 15 anos, Julia Katia iniciou sua vitoriosa carreira que duraria até 1982, ao desfilar na FENIT, em São Paulo, a coleção da estilista mineira Lucia TavaresQuando Fernando Bandeira Diniz (coordenador geral do Miss Brasil Latina) convidou Julia Katia Araujo para representar o Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem no Miss Pernambuco 1976, onde foi semifinalista, ela já era  famosa nas passarelas dos desfiles de moda dos estilistas Marcílio Campos (1930-1991) e Paulo Carvalho. Notícia em todas as colunas sociais pernambucanas e até em revistas de circulação nacional; Manchete, Fatos & Fotos e Ele & Ela
Uma vez, ao telefonar para a jornalista Léa Pabst Craveiro (1935-1987), a fim de agradecer por ter sido focalizada em uma reportagem, Julia Katia ouviu a seguinte observação:  Julia, você é notícia. A imprensa tem que ir ao seu encontro. Você é a vedete de todas as coleções!  Ela é viúva de Mario de Melo Lopes (1922-1998), cirurgião buco-maxilo-facial do Hospital da Restauração e professor da Universidade Federal de Pernambuco, falecido em 07/06/1998, vítima da doença de Alzheimer. Por opção, Julia Katia não teve filhos.

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Desde que se submeteu a uma gastroplastia sem abdominoplastia, Julia Katia mora num flat, na praia de Boa Viagem, zona sul do Recife, enquanto aguarda a conclusão da reforma do seu apartamento, localizado no mesmo bairro. "Toby Marley, meu cachorro, não pode morar aqui comigo no flat. É uma pena!"
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Selfie ao lado da diva. Sempre sorridente, extrovertida e carismática, Julia Katia tem um astral impressionante e de vez em quando solta uma gargalhada, sonora, contagiante  e verdadeira. 
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O que se lê no quadro define bem sua personalidade. Julia Katia. Nome composto de origem latina e grega. Julia significa "cheia de juventude" e Katia "pessoa pura". Nome próprio de mulher cuja principal característica é a de ajudar o próximo. Dinâmica e com grande sabedoria, sempre vai atrás do que quer e não deixa que nada interfira em seus ideais. Tem tudo para ser feliz.
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"Adoro cílios postiços. Uso diariamente, desde quando comecei a desfilar. E por falar em misses, as minhas inesquecíveis continuam sendo Suzy Rêgo, Miss Pernambuco e vice-Miss Brasil 1984; Marta Jussara, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil e quarto lugar no Miss Universo 1979; e Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968.
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"Em cada canto, uma foto remete aos momentos felizes com meu eterno amor . Ele fazia questão que eu carregasse os seus dois sobrenomes: Melo Lopes. Sou muito feliz e grata a Deus por tudo que já vivi e aprendi. Não tenho o direito de reclamar de nada."
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"Sou muito ligada à família, tenho uma mãe maravilhosa, Nadeje; adoro meus irmãos, RicardoFernandoBianca e Fabíola;  e tenho um carinho especial por Thais, minha sobrinha-neta."
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Apos almoçarmos juntos, Julia Katia levou-me ao Aeroporto Internacional dos Gurarapes, onde eu pegaria o meu voo para passar o carnaval no Rio de Janeiro. Encontramos o nosso amigo jornalista Muciolo Ferreira, que também estava embarcando para a Cidade Maravilhosa. Muciolo tirou uns cocares da bolsa e pedimos para uma pessoa registrar aquele momento de descontração.  

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                  Durante o voo ficou passando um filme na minha memória. Eu era uma das 22 mil pessoas presentes no Ginásio de Esportes Geraldo de Magalhães Melo, no Recife, naquele maio de 1976, na noite do Miss Pernambuco, quando Matilde de Souza Terto levou para Serra Talhada o tricampeonato da beleza pernambucana. “É o tri, Serra Talhada!”, exclamou o apresentador. A imagem é forte na minha lembrança, mas há outra, a  atitude de Julia Katia Araujo, Miss Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem, recebendo aplausos e vaias por causa do seu biotipo e estilo de desfilar. Fugindo do padrão das misses tradicionais, ela desfilou com uma postura similar às modelos da atualidade. Linda, magérrima, foi classificada entre as dez semifinalistas e em momento algum ficou perturbada quando algumas pessoas mal educadas gritavam: Tra-ves-ti!
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No dia 23/10/2009, PASSARELA CULTURAL rendeu um tributo a Julia Katia. Vale a pena ler de novo. Basta um clique neste link,  

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Julia Katia Araujo, a vedete do Miss Pernambuco 1976

Daslan Melo Lima

          Quando Fernando Bandeira Diniz convidou Julia Katia Araujo para representar o Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem no Miss Pernambuco 1976, ela já era uma das manequins mais requisitadas do Recife.


Julia Katia na passarela do Miss Pernambuco 1976. Foto: Arquivo Pessoal

     - “Você devia ter me dito que tinha interesse de participar do Miss Pernambuco. Se você tivesse falado comigo, eu teria lhe apresentado como candidata do Clube Internacional do Recife. Você vai queimar sua imagem!” - disse o inesquecível Marcílio Campos ao saber que Julia Katia ia disputar o Miss Pernambuco 1976 pelo Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem.

     O Clube Internacional do Recife tinha tradição no Miss Pernambuco, ao contrário do Grupo Jovem de Boa Viagem, que até então só tinha ficado em evidência com os dois quintos lugares obtidos: Rita de Cássia Dutra Monteiro, em 1974, e Martha Waleska Vasconcelos, em 1975. O Grupo Jovem Artístico de Boa Viagem era dirigido por Fernando Bandeira Diniz e fazia um belo trabalho cristão, dando suporte às ações do Padre Osvaldo, pároco da Igreja Católica de Boa Viagem.

     Há seis anos fui apresentado a Julia Katia Araujo por Fernando Bandeira Diniz e desde então a amizade estabeleceu-se entre nós. Recentemente, encontramo-nos no Recife, no Shopping Center Tacaruna, e de lá fomos para a casa da minha sobrinha Darlene Gomes Campos, localizada em frente a uma das poéticas ladeiras históricas de Olinda, onde Julia Katia abriu seu coração para PASSARELA CULTURAL. Julia Katia estava acompanhada do sobrinho Ricardinho Araujo, vestia lilás, usava uma belíssima tiara de prata e uma tornozeleira by Beto Kelner, sapatos altos e cílios postiços.

     Julia Katia Araujo de Melo Lopes nasceu em 24 de dezembro de 1956. Filha de José Jorge Vieira de Araujo e Maria Nadeje de Araujo, ambos funcionários públicos federais, residentes no bairro popular recifense de Estância. Sua mãe exercia atividades burocráticas e seu pai era ascensorista do antigo INPS. Quando a situação econômica da família melhorou, seus pais foram morar em Boa Viagem, zona sul do Recife, área nobre, perto do mar.
     - “Eu era quase uma menina e gritei: Estou rica! Vou morar em Boa Viagem! Deixei de estudar no Colégio Independência, na Estância, e passei a estudar no Colégio Sagrado Coração, dirigido por freiras.” – confessa dando uma gargalhada.

     O nome Julia Katia foi uma homenagem da sua mãe ao Presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976). D. Maria Nadeje tinha grande admiração pelo então Presidente do Brasil e queria que as iniciais do nome da filha formasse "JK", abreviatura adotada pela imprensa para se referir a Juscelino Kubitschek. Julia, além de ser o nome da mãe de Juscelino, era também o da mãe de D. Maria Nadeje.

     Foi D. Maria Nadeje quem incentivou a filha a abraçar o mundo das passarelas. No dia em que conheceu pessoalmente a famosa manequim Germana Siqueira, D. Maria Nadeje pediu que ela apresentasse Julia Katia a Marcílio Campos. Julia passou um ano sendo treinada pelas figuras inesquecíveis de Marcílio Campos e Léa Pabst Craveiro.

     Na época, o que hoje as pessoas chamam de estilistas, eram tratados pelos termos de figurinistas ou costureiros. Marcílio Campos, costureiro, um ícone da moda pernambucana, ensinou a Julia Katia os segredos das passarelas. Léa Pabst Craveiro, jornalista, integrante da lista das mulheres mais elegantes de Pernambuco, gente finíssima, ensinou a Julia Katia todas as regras de etiqueta para que a jovem se portasse com classe e categoria em todos os ambientes. Em maio de 1971, aos 15 anos, Julia Katia iniciou sua vitoriosa carreira de manequim que duraria até 1982, quando desfilou na FENIT, em São Paulo, a coleção da estilista mineira Lucia Tavares.


Julia Katia na coluna de Alex, Jornal do Commercio, Recife, 28/02/1978


Julia Katia na coluna de João Alberto, Diario de Pernambuco, 22/03/1978


Julia Katia na coluna de José Rodolpho Câmara, revista Fatos & Fotos, 26/09/1977

     Suas aparições nas passarelas eram badaladas em todas as colunas sociais pernambucanas e foram notícias nas revistas Manchete, Fatos & Fotos e Ele & Ela. Uma vez, ao telefonar para Léa Pabst Craveiro, a fim de agradecer por ter sido focalizada em uma reportagem, ouviu a seguinte observação:
- “Julia, você é notícia. A imprensa tem que ir ao seu encontro. Você é a vedete de todas as coleções!“


Julia Katia e seu esposo Mario de Melo Lopes, durante uma festa em Paris. (Foto: Arquivo Pessoal)

     Julia Katia está viúva. Foi casada com Mario de Melo Lopes, cirurgião buco-maxilo-facial do Hospital da Restauração e professor da Universidade Federal de Pernambuco, falecido em 07/06/1998, vítima da doença de Alzheimer. Ao lado do seu grande amor, Julia Katia viajou pelo mundo inteiro. Por opção, não teve filhos, mas é muito ligada à família. Faz questão de ressaltar a figura maravilhosa da Mãe e da ótima convivência com os irmãos Ricardo, Fernando, Bianca e Fabíola e o apego à Thais, sobrinha-neta.

Coisas que adora: Camarão, vodka com limão, maça, vermelho, sinceridade, noite, navegar na internet...
Coisas que detesta: Traição e mentira
Filme: O Rei e Eu
Programa de TV: Jô Soares
Canção: New York, New York
Cantor: Emílio Santiago
Cantora: Maria Bethania
Compositor: Chico Buarque de Holanda
Uma palavra bonita: Amor
Uma mania: Cílios postiços. Adoro! Uso diariamente, desde o tempo de manequim e miss
Viver é... Amar
Motivo de orgulho: Meu casamento de 16 anos, 5 meses e 19 dias com Mario de Melo Lopes, meu “preto”
Uma saudade: Os mergulhos em alto mar que eu dava com meu marido, eu e ele nus, completamente nus
Um lugar inesquecível: Ushuaia, capital da Terra do Fogo
Se o mundo fosse acabar amanhã... Eu não acreditaria e cairia na farra
Santo de devoção: São Francisco de Assis

Uma Miss Pernambuco: Suzy Rêgo, vice-Miss Brasil 1984
Uma Miss Brasil: Marta Jussara, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil 1979
Uma Miss Universo: a baiana Martha Vasconcellos, Miss Brasil, Miss Universo 1968
Você incentivaria uma sobrinha sua a concorrer a um título de Miss? Sim, desde que o concurso tivesse a magia do meu tempo de Miss
Quem deveria ter vencido o Miss Pernambuco 1976? Todas as garotas que estavam disputando o Miss Pernambuco 1976 tinham condições de vencer
Qual o maior diferencial da Miss do seu tempo para a Miss de hoje? Antigamente, as misses ou eram belas ou eram feias. Hoje, elas parecem que são todas iguais, pois é fácil transformar uma moça comum numa mulher linda. Basta operar o nariz, colocar silicone no busto, tirar costelas... Das misses atuais que conheço pessoalmente, cito o nome de Amanda Marques, Beleza Pernambuco 2005, como exemplo perfeito de beleza natural, sem nenhuma intervenção cirúrgica
Qual a maior recordação que ficou do tempo das passarelas?: São muitas as boas recordações. A convivência com o inesquecível Marcílio Campos foi a maior de todas. Guardo lembranças maravilhosas, entre elas, do aprendizado com a inesquecível jornalista Léa Pabst Craveiro. Quando eu ria alto e gargalhava, Léa me corrigia com aquela sua classe e elegância e dizia: - Katia, não sorria assim, ria mais baixo. Outras coisas boas que restaram daquele tempo foram as amizades sólidas com o estilista Paulo Carvalho e com Fernando Bandeira Diniz, coordenador do Beleza Pernambuco e do Miss Brasil Latina

Livro: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupèry
O maior sonho de sua vida: Ver a minha sobrinha-neta Thais, que nasceu com paralisia cerebral, ter uma vida totalmente independente. Com os recursos da medicina e com a minha fé em DEUS, sei que vou conseguir realizar este sonho!

     Julia Katia estava careca quando disputou o Miss Pernambuco 1976. “Topei raspar o cabelo para desfilar uma coleção, gostei do visual e durante um ano raspei a cabeça toda semana. Na época do concurso Miss Pernambuco, desfilei de peruca.”

     Julia Katia passou um tempo treinando as concorrentes ao título de Miss Pernambuco e Miss Rio Grande do Norte. "Ensaiadora de Misses", esse era o termo usado para designar sua função.

     No auge da carreira de manequim, recebeu convite para apresentar um programa de televisão no Rio de Janeiro. Recusou e explicou o porquê :
     - "Eles queriam lançar uma beleza nordestina diferente para apresentar um programa de televisão. Recusei. O produtor insinuou que eu teria de namorar com importantes figuras masculinas cariocas. Eu não quis pagar o preço de ficar milionária e famosa nacionalmente em troca da minha dignidade"


Julia Katia posando em uma das ladeiras poéticas e históricas de Olinda. (Foto:DML)

     Julia Katia está muito acima do seu peso ideal, devido a um problema na visão esquerda, diagnosticado como glaucoma. Ela precisou fazer uma cirurgia e a medicação causou efeitos colaterias, provocando excesso de peso. Na época, ela não se preocupou em reverter a gordura, mas agora está sendo obrigada a isso, com o propósito de manter o nível desejado da sua pressão arterial.


Julia Katia e um dos seus filhos do coração, o sobrinho Ricardinho Araujo. (Foto: DML)

     Na hora de nos despedirmos, pedi a Julia Katia que definisse quem ela era para os leitores de PASSARELA CULTURAL. Eis sua resposta: "Sou uma pessoa feliz. Agradeço a DEUS por tudo que já vivi e aprendi na minha vida. Não tenho o direito de reclamar de nada."

     Eu era uma das 22 mil pessoas presentes no Ginásio de Esportes Geraldo de Magalhães Melo, no Recife, naquele maio de 1976, na noite do Miss Pernambuco, quando a linda Matilde de Souza Terto levou para Serra Talhada o tricampeonato da beleza pernambucana. “É o tri, Serra Talhada!”, gritou o apresentador. A imagem é forte na minha lembrança, sem dúvida, mas há outras muito fortes:

1- A beleza da Miss Clube Náutico Capibaribe, Pompéia Farias, vice-Miss Pernambuco;
2- A classe de Maria Betânia Magalhães Albertin, Miss Pesqueira, semifinalista. Maria Betânia foi a primeira concorrente a tomar a iniciativa de parabenizar Matilde Souza Terto pela conquista do título, uma vez que outras se omitiram, descontentes com o resultado;
3- A atitude e o porte altivo de Julia Katia Araujo, Miss Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem. Julia Katia recebeu muitos aplausos. Também recebeu vaias por causa do seu biótipo e estilo de desfilar, fugindo do padrão das Misses tradicionais, desfilando com uma postura similar às modelos da atualidade. Linda, magérrima e cheia de atitude, Julia Katia foi classificada entre as dez semifinalistas e em momento algum ficou perturbada quando alguém mal-educado gritava: Tra-ves-ti!

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