*****

SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com
Mostrando postagens com marcador Miss Brasil 1956. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Miss Brasil 1956. Mostrar todas as postagens

sábado, 26 de novembro de 2016

SESSÃO NOSTALGIA – Maria José Cardoso, Miss Brasil 1956, um desfile a 5.600 metros de altura

            
Daslan Melo Lima

          Quando Maria José Cardoso voava pelo Super G Constellation da Varig  rumo a New York, de onde embarcaria para Long Beach,  a fim de participar do concurso Miss Universo 1956, não imaginava que seria aplaudidíssima a 5.600 metros de altura. Os repórteres da revista O Cruzeiro promoveram um desfile da Miss Brasil pelas cabines dos passageiros. 
        Todos a aplaudiram. E muitos disseram que não viajavam apenas com a representante do nosso País, mas com a futura Miss Universo.


      Perante os 58 passageiros e 14 tripulantes deste avião que a está conduzindo aos Estados Unidos, Maria José Cardoso desfilou como autêntica rainha. Tive oportunidade de ocupar o microfone e, pelos alto-falantes de bordo, anunciar o grande acontecimento. Os passageiros ficaram de pé e, em impressionante unanimidade, a aplaudiram como Miss Universo. Maria José Cardoso voou muito alto. E desfilou a 5.600 metros de altura.
----------


    ----------



Ela seguiu para os Estados Unidos em companhia de seu pai, Sr. Antônio Mafra Cardoso. A mamãe ficou em Porto Alegre. ***** Miss Brasil não se preocupa com quaisquer dietas. Suas medidas não precisam de restrições para se manterem as mesmas. ***** Maria José era alvo das atenções de todos os passageiros, com quem sempre palestrava.

----------


Na expressão sóbria da bela gaúcha, nota-se a responsabilidade do título de Miss Brasil. Sabe que vai representar a moça brasileira perante dezenas de outras jovens.

----------




A todo momento, os flashes espoucavam, procurando novos ângulos de Maria José. Orlando Machado, fotógrafo das Relações Públicas da Varig, constantemente a assediava.
----------


O avião fez escala em Belém, capital paraense. Nesse momento, Luzia Aliete Borges, Miss Pará, quarto lugar no Miss Brasil 1956, foi levar o seu abraço para Maria José Cardoso dentro do avião.

----------

          O concurso Miss Universo 1956 foi realizado no dia 20 de julho. A vencedora foi Carol Morris, Miss Estados Unidos. Maria José Cardoso ficou entre as semifinalistas (top 15).



             Naquele julho de 1956, enquanto a revista O Cruzeiro (Ano XXVIII, número 40, 21/07/1956), circulava com a matéria "O Vôo da Miss", edição de 610.000 exemplares, o concurso Miss Universo já tinha se realizado no dia anterior. Na capa, a atriz americana Mamie Van Doren.  
           Naquele tempo, a vida, os calendários e os relógios pareciam correr mais lentos e passageiros de aviões aplaudiam delirantemente as misses do Brasil, independente do voo estar ou não a 5.600 metros de altura.  

*****


sábado, 7 de dezembro de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - ELY DE AZEVEDO PIRES, A MOÇA POBRE DE NITERÓI, MISS ESTADO DO RIO 1956

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

          Muitas foram as garotas lindas e humildes que viram suas vidas mudarem para melhor depois que participaram de um concurso de Miss. No Brasil, o exemplo mais famoso é o de Anísia Gaspariana da Fonseca, Miss Brasília,  quarto lugar no Miss Brasil 1967, cuja história foi contada duas vezes nesta secção, em 09/08/2008, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2008/08/sesso-nostalgia_09.html , e em 10/07/2010,  http://passarelacultural.blogspot.com.br/2010/07/abertura_10.html .
     Foi na revista O Cruzeiro, de 16/06/1956, comprada recentemente num sebo, que conheci  um pouco da história da cinderela Ely de Azevedo Pires, Miss Niterói, segunda colocada no Miss Estado do Rio 1956.  Um acaso levou Ely para disputar o Miss Brasil: Aniko Csettkey, Miss Teresópolis,  primeira colocada no certame estadual, renunciou ao título uma semana depois de eleita.

ELY A MOÇA  POBRE DE NITERÓI – MISS ESTADO DO RIO 1956

(Texto de Luis Edgard de Andrade - Fotos de Jorge Audi e Hélio Passos – O CRUZEIRO, Rio de Janeiro, 16/06/1956, Ano XXVIII, Nº 35)




      Era uma vez uma menina chamada Ely. Estudava em Botafogo. Um dia, o pai morreu. Sem recursos, a família ficou. Uma viúva e sete filhos para criar. Reuniram os poucos trens (pois se tratava duma família mineira) e lá se foram, em demanda do outro lado da baía, para uma casinha humilde nos arredores de Niterói.
     A pobre menina pobre tinha 15 anos. Adeus, estudos. Adeus, colégio de Botafogo. Pos-se a trabalhar, na fábrica de fósforos, para dar de comer a mãe e aos irmãos. Depois, numa fábrica de tecidos. Passados seis anos (como ficou bonita!) ei-la ainda a sustentar os seus, honestamente. Arranjou emprego público. É funcionária do Instituto de Previdência Social, em Niterói. Cada dia primeiro do mês, entrega o pequeno ordenado a D. Alda, que os anos emagreceram: “Está aí, mamãe, para as despesas”. As coisas melhoraram. A família já mora num pequeno apartamento na cidade.
     A pobre menina pobre – 21 anos agora – chama-se, por extenso, Ely de Azevedo Pires e ganhou, de súbito e nobremente, o título que muita moça rica ambicionava. É Miss Estado do Rio. E quando, admirado de sua face (cujas linhas os pedantes diriam como que esculpidas a cinzel), algum repórter indaga que ideal tem na vida, Ely responde com a voz e os olhos que Deus  lhe deu: “Comprar uma casa para mamãe”. Ela precisa tanto”. Esse o impacto emocional da bela, triste (e sem adjetivos) história de Ely – uma vida em que a pobreza não está como figura de retórica.
      Na noite em que elegeram Ely Miss Niterói, o Governador Miguel Couto Filho a cumprimentou no Estádio Caio Martins. O pai do govenador, grande cientista, também veio de origem humilde e estudava no chão, à luz duma vela. Muitos dentre os  do júri  que a escolheu fizeram-se por si, tal como ela.


Na foto da esquerda, as finalistas do Miss Niterói 1956: Avilmar Cunha, Miss Jornal O Combate; Ely Pires, Miss Jornal Hoje; Lígia Cunha, Miss Icaraí, e Edith Lousada, Miss Iate Clube. ***** Na foto da direita, as finalistas do Miss Estado do Rio 1956: Léa Marques, Miss Angra dos Reis; Herminia Hryiewicz, Miss Petrópolis; Ely de Azevedo Pires, Miss Niterói; e Aniko Csettkey, Miss Teresópolis. Aniko foi eleita, mas depois renunciou ao título, por motivos de saúde.

      Mas não era Ely a Miss Estado do Rio (eis o resto da história). Tinha sido eleita Aniko Csettkey, que teve a faixa de mais bela por uma semana depois renunciou (motivos de saúde). Aniko nasceu em Teresópolis – justamente o município que representava neste concurso promovido pelos Diários e Emissoras Associados, sob o patrocínio dos maiôs Catalina e do Organdi Paramount. Aniko parece nome japonês, mas é filha dum casal de imigrantes húngaros, chegado ao Brasil em 1937. Dois anos depois rompe a guerra na Europa e o pai dela, convocado pelo exército, volta à Hungria. Aniko assiste à guerra de uma fazenda nos arredores de Budapeste. Viu bombardeios, troar de canhões, ocupação russa, sangue e fome. A família conseguiu fugir num caminhão para a Áustria. De lá, os três voltaram para o Brasil definitivamente. Aniko aprendeu a ler já em português. Faz o curso clássico. O pai tem uma fábrica de porcelana na serra.
      Aniko passou a faixa a Ely numa festa em Teresópolis. A faixa foi oficialamente colocada na nova Miss pelo Secretário da Educação e Cultura do Estado Rio, Professor Rubens Falcão, que fez votos por que fosse substituída, dia 16, por outra faixa: a de Miss Brasil. A pobre menina pobre não acredita, mas pode ser que a profecia pegue. Ely nasceu em Juiz de Fora e este – dizem – é decididamente o ano dos mineiros.

ANIKO SANTOS, CIDADÃ DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


     
     O motivo de Aniko Csettkey ter renunciado ao título de Miss Rio de Janeiro 1956 poderia estar ligado ao fato da beldade ter nacionalidade húngara. Pesquisando na Internet, descobri uma matéria sobre o assunto no jornal A NOITE, Ano XLIV, Rio de Janeiro, sábado, 2 de junho de 1956, N° 15329. Vide http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=348970_05&pasta=ano%20195&pesq=confus%C3%A3o%20na%20escolha%20de%20miss%20estado%20do%20rio   ***** Quando o link abrir, selecione 1956, edição 15329. Tem uma chamada na capa do jornal e ao prosseguir aparece a página 2 do 1º caderno, acima reproduzida. 
   O amor de Aniko Csettkey pelo Rio de Janeiro e sua competência como profissional na área de turismo fez dela Cidadã do Estado do Rio de Janeiro. Vide http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/scpro99.nsf/b87370a209a49958832567040007d037/c3b5a63069da0d45032569fa0053ccfa?OpenDocument 

Aniko Csettkey, ou simplesmente Aniko Santos, atual secretária municipal de Turismo de Teresópolis e vice-presidente do Fórum Estadual de Secretários de Turismo. ***** Imagem: http://ideias.org.br/informativo/ideias-entrevista-aniko-santos#sthash.yQCgufsg.dpuf

ELY AZEVEDO, FINALISTA NO MISS BRASIL 1956 


         As finalistas do Miss Brasil 1956, da esquerda para a direita:Eli de Azevedo Pires, Miss Estado do Rio, sexto lugar; Maria José Cardoso, Miss Rio Grande do Sul, primeiro lugar; Leda Brandão Rau, Miss Distrito Federal, terceiro lugar; Regina Maura Vieira, Miss São Paulo, segundo lugar; Luzia Aliete Borges, Miss Pará, quinto lugar; Maria de Jesus Holanda, Miss Ceará, quarto lugar. ***** (Foto: Revista do Rádio, Ano IX, nº. 356, de 07/07/1956,

EPÍLOGO

     Por onde anda Ely de Azevedo Pires, a ex-moça pobre de Niterói? Em algum lugar deste imenso país-continente chamado Brasil, uma senhora deve se emocionar neste Natal ao se lembrar de que já viveu em uma casinha humilde e que, com o pouco que ganhava, sustentava a mãe viúva e seis irmãos. 
     Cinquenta e sete anos depois, pobres meninas pobres ainda sonham mudar de vida através da conquista de um mágico título de Miss. 

***** 

sábado, 6 de março de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - AS NORDESTINAS DO CONCURSO MISS BRASIL 1956

Por Daslan Melo Lima

          Hotel Quitandinha, Petrópolis, Rio de Janeiro, 16 de junho de 1956. Noite da eleição da Miss Brasil. Salões superlotados. Mais de 300 fotógrafos e rádio-repórteres registrando tudo. Eram 22 candidatas. A coroa, a faixa e o troféu de Miss Brasil 1956 ficaram com Maria José Cardoso, Miss Rio Grande do Sul, uma linda morena de olhos azuis, nascida em Santa Catarina e criada em Porto Alegre. Todos os Estados nordestinos tinham enviado suas representantes para disputar o título máximo da beleza brasileira. Quem foram as nordestinas do Miss Brasil 1956?

           Por ordem alfabética dos Estados, vamos conhecer aquelas moças maravilhosas que levaram o sotaque e o sol do Nordeste para o Quitandinha, em textos e fotos extraídos da revista A Cigarra, Ano XXXVII, nº 8, agosto de 1956.
--------------------

MISS ALAGOASMaria Teresa Melo foi candidata da Associação Teatral de Alagoas (ATA), entidade das mais prestigiosas de Maceió. O desfile que a proclamou Miss Alagoas foi uma encantadora festa, sendo a decisão do júri aplaudida com entusiasmo. Como sua colega de Pernambuco, Teresa também adora as praias e acha que as de Maceió são as mais bonitas do Brasil. Sua bela silhueta, aliás, bem que compõe o cenário... Professora, diplomada, funcionária do Instituto dos Comerciários, Maria Teresa é uma moça de muita personalidade. Na sua cidade, tem duas amigas inseparáveis que se chamam também Teresa e, com ela, formam um trio de grande prestígio social. São assim popularíssimas, em Maceió, “as três Teresas”. Uma delas, naturalmente, tinha que participar do concurso de Miss Brasil. Eis as medidas da Teresa que se sagrou Miss Alagoas: altura, 1,62; busto, 86; cintura, 58; quadris, 94; coxa, 56 e peso, 50 quilos.
--------------------

MISS BAHIASônia Santiago Mamede, descendente de sírios pelo lado paterno, é uma bonita morena de sorriso terno e 18 anos de idade. Sua vitória, elegendo-se Miss Bahia, foi tanto mais sensacional quanto se sabe que a “Boa Terra” foi um dos Estados onde o concurso ganhou mais amplitude e êxito. Basta dizer-se que concorreram ao título nada menos de 40 candidatas, da capital e do interior. A baiana Sônia teve assim a sua eleição valorizada pelo elevado número de competidoras, todas muito bonitas – conta-se – o que não é nenhuma novidade, em se tratando da Bahia. Ela já fora candidata no ano passado e se colocara em segundo lugar. Sônia Mamede fez muito sucesso, em São Paulo, no Rio e em Quitandinha. Suas medidas: altura, 1,64; peso, 55; busto, 88; quadris, 95; coxa, 55; tornozelo, 21.
--------------------

MISS CEARÁ - Maria de Jesus Holanda (Mazu, para os íntimos), morena de olhos e cabelos castanhos, 20 anos, foi ao seu dentista, em Fortaleza, numa tarde de abril. O dentista era o presidente do Clube dos Diários. E, como o assunto estava na ordem do dia, não perdeu a oportunidade e convidou a jovem cliente para representar o seu clube no concurso Miss Ceará. Mazu ficou surpresa, sorriu. Mas consultou papai, mamãe e... o namorado. Esse triunvirato aprovou a indicação por unanimidade. E foi por isso que ela desfilou na festa realizada a 19 de maio no clube mais bonito do Brasil, o Náutico Atlético Cearense. Naquela noite, um júri composto de jornalistas e damas da sociedade a elegeu Miss Ceará. Grande responsabilidade, porque isso significava suceder a Emília Barreto Corrêa Lima, que, no ano passado, fora consagrada Miss Brasil. Mas Mazu deu conta do recado. E muito bem. No desfile do Quitandinha, classificou-se entre as finalistas, no 4º lugar. Suas medidas: altura, 1,70; peso, 61; busto. 91; cintura, 66; quadris, 96; coxa, 57, e tornozelo, 22.
--------------------

MISS MARANHÃOMaria Alice Castelo Cordeiro, outra morena de 18 anos, foi a candidata do Maranhão. Veio do interior, da famosa cidade de Caxias, famosa não apenas por sua importância histórica, mas também pelas moças bonitas. Venceu brilhantemente o concurso em seu Estado, no desfile realizado em São Luiz, sobrepujando assim as candidatas da capital. Em São Paulo e no Rio, durante a semana de 9 a 16 de junho, em que as 22 misses estiveram juntas, Maria Alice revelou uma simplicidade encantadora, sem usar em nenhum instante, o que se chama “máscara”. Como Miss Maranhão, ela não deixou de ser Maria Alice, antes de tudo. Pouco expansiva, mas sempre simpática e afável, conquistou muitos admiradores. Seu objetivo imediato: estudar e terminar o curso de professora (no ano que vem). Suas medidas: altura, 1,61; cintura, 60; peso, 52; 84 de busto, 91 de quadris e 50 de coxa.
--------------------

MISS PARAÍBAMargarida Vasconcelos, 18 anos e cabelos louros, filha de fazendeiros, representou este ano a Paraíba. Como esse concurso de Miss Brasil destacou-se pelo número de beldades do interior, Margarida também não fugiu à regra, pois fora apresentada pelo município de Cabaceiras. Filha de fazendeiros tipicamente paraibanos, ela sempre desejara conhecer o Rio. A oportunidade se ofereceu com sua candidatura a Miss Brasil. “Tive, portanto, uma dupla satisfação, ao ser escolhida para representar o meu Estado” – disse ela, depois. No Rio, Margarida hospedou-se na bela residência da família de seu conterrâneo, o Deputado Drault Ernanny. Foi apresentada à sociedade carioca, numa concorrida recepção a que compareceram três governadores: os da Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará, além do prefeito do Distrito federal. Fez muito sucesso, no concurso. Suas medidas: altura, 1,66; peso, 59; busto, 90; cintura, 61; quadris, 100; coxa, 61; tornozelo, 21.
--------------------

MISS PERNAMBUCONelbe Souza, morena, de 20 anos de idade, elegeu-se Miss Pernambuco como candidata de um dos mais populares clubes do Recife, o Náutico Capibaribe. Seu curioso nome vem da fusão do nome de seu pai, Nelson, com o da sua mãe, Beatriz. Depois de haver completado o curso ginasial, Nelbe, no momento em que foi eleita Miss, dedicava-se ao estudo de idiomas, principalmente o francês. Regressara, recentemente, de uma viagem à Europa e, também recentemente, ficara noiva (o casamento será ainda este ano). Ela é francamente das praias: em Recife, frequenta a de Boa Viagem, gostou das de Santos por causa dos jardins, achoiu Copacabana maravilhosa. Quando da eleição de Miss Brasil, em Quitandinha, ficou revoltada com a péssima demonstração do público, vaiando a candidata eleita. “Não se vaia uma moça.” – disse. E com razão. Suas medidas: altura, 1,70; peso, 60; busto, 91; quadris 94.
--------------------

MISS PIAUÌTeresinha de Jesus Alcântara, morena de longos cabelos castanhos e 18 anos de idade, foi o “anjo” do concurso. Angelical eram realmente a sua aparência, seu sorriso, até mesmo seu espírito. Foi através dela que o Piauí se fez representar, pela primeira vez, em um concurso de Miss Brasil. Começou muito bem. Teresinha vem do interior, da cidade de Altos, embora há muito tempo residisse em Teresina, capital do Estado. Ainda antes da festa do Quitandinha, observadores imparciais, que a viram em São Paulo e no Rio, chegaram a apostar em que ela seria finalista. O próprio público presente àquela festa há de ter pensado o mesmo, a julgar pelos entusiásticos aplausos com que saudou a passagem de Miss Piauí pela passarela, especialmente no desfile em vestido “soirée”. O júri, porém não entendeu assim, para surpresa geral. Mas Teresinha ficou sendo uma das candidatas de maior sucesso. Suas medidas: altura, 1,70; peso, 60; cintura, 64; busto, 91; quadris. 90; coxa, 51 e tornozelo, 21.
--------------------

MISS RIO GRANDE DO NORTEAmariles Gomes de Araújo, pertencente a uma das famílias mais conhecidas do Nordeste do País, veio também do interior, da pequena cidade de São Roque, para receber autêntica consagração na capital. E tanto isso é verdade que ela foi a candidata dos estudantes potiguares, conquistando, num pleito dos mais disputados, o título de Miss Rio Grande do Norte. Seus belos olhos verdes, seu sorriso simples e sua simpatia sem afetações constituíram um grande sucesso. Para as outras misses, suas colegas, revelou-se excelente companheira, sempre alegre e comunicativa. Na passarela do Teatro Mecanizado do Hotel Quitandinha, na noite de 16 de junho, quando da eleição de Miss Brasil, seu vestido, em Organdy Paramount, foi um dos mais bonitos. Suas medidas aqui estão: altura, 1,65; cintura, 53; coxa, 54; busto, 88: quadris, 89; peso, 50 e tornozelo, 21.
--------------------

MISS SERGIPE Graciema Madureira de Melo, morena de olhos e cabelos castanhos, 22 anos de idade, foi a representante de Sergipe. E o que se pode dizer é que o pequenino Estado mandou uma grande Miss. Simples, sem qualquer atitude sofisticada e com um tipo bem brasileiro, Graciema impressionou muito bem no desfile da noite de 16 de junho, no Hotel Quitandinha. Sua simpatia, por outro lado, cativou todos os que a conheceram. Enamorada de sua cidade, Aracaju, Miss Sergipe declarou-se encantada com o Rio e com São Paulo. Cumpriu com rara pontualidade todos os pontos do exaustivo programa organizado para as misses nas duas capitais e, quando tudo acabou, não se mostrou cansada. “Ao contrário – disse – gostei muito.” Na eleição de Miss Brasil, Graciema desfilou com um belo vestido modelo de Organdy Paramount, um vestido colante, que fez muito sucesso. Suas medidas: altura, 1,59; cintura, 58; busto,79; quadris, 81; peso, 50; coxa, 51 e tornozelo, 21.
--------------------

          Naquele 1956, a meta maior do Presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, ou simplesmente JK (1902-1976), era construir Brasília. “50 anos em 5”, era o seu slogan, e estava obstinado a industrializar o Brasil recorrendo ao capital estrangeiro. A televisão brasileira se expandia, mas o rádio ainda era o maior veículo de comunicação. Entre as grandes celebridades brasileiras estavam os cantores Ivon Cury (1928-1995), Francisco Carlos (1928-2003) e Blecaute (1919-1983), além das cantoras Dolores Duran (1930-1959) e Emilinha Borba (1922-2005). Ademar Ferreira da Silva (1927-2001) voltou de Roma com a sua segunda medalha de ouro olímpica em salto triplo. Guimarães Rosa (1908-1967) publicou o livro “Grande Sertão: Veredas” e Mário Palmério (1916-1996) lançou o romance "Vila dos Confins".

          Naquele 1956, nove moças nordestinas saíram da terra do sol com seus sotaques em busca de um sonho, o de serem eleitas a Miss de todos os brasileiros. Voltaram com as lembranças dos aplausos e o orgulho do dever cumprido. E hoje, quando recordam tudo aquilo, as emoções de 1956 devem se renovar em suas mentes e em seus corações, como passagens inesquecíveis de um sonho, um mágico sonho.

*****

terça-feira, 25 de agosto de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Maria José Cardoso, convites do Rádio à Miss Brasil 1956

Daslan Melo Lima

          Na década de 1950, quando a televisão brasileira ainda engatinhava, as emissoras de rádio eram tão importantes que havia uma revista semanal famosa, a Revista do Rádio, focalizando seus ídolos (locutores, cantores, cantoras, humoristas...), tal como hoje existem as publicações com as páginas ocupadas pelas celebridades da televisão. E foi na Revista do Rádio, Ano IX, nº. 356, de 07/07/1956, que encontrei assunto para a SESSÃO NOSTALGIA desta semana, da qual extraí o texto abaixo, autoria de Waldemir Paiva, assim como as fotos que ilustram esta matéria.

          A eleição de Miss Brasil, desde Marta Rocha, vem conseguindo empolgar a opinião pública. E o rádio é sempre parte ativa no concurso. Este ano concorreram representantes do Distrito Federal, território do Acre e de 20 estados. Nos últimos dias que precederam o desfile do Quitandinha, formaram-se correntes de opiniões as mais diferentes a ser defendidas de maneira intransigente pelos seus conterrâneos residentes nesta capital. Era o bairrismo em função da beleza.
          O Quitandinha reviveu um dos seus maiores dias. O rádio, com seu batalhão de rádio-repórteres, estavam presente. Todos os apartamentos (305) estavam ocupados, muitos deles com camas suplementares. Apesar do frio intenso, logo pela manhã numerosas famílias acamparam às margens do lago, em automóveis e barracas. Foram mobilizados 32 cozinheiros, 23 ajudantes e 41 lavadores de louças para o serviço do restaurante. Quase cinco mil pessoas transitaram pelos corredores à espera do grande momento. Todavia, logo cedo sentiu-se a falta de uma melhor organização. Para ingressar no Teatro Mecanizado, onde estava o Júri, os assistentes (pagando mil cruzeiros por um convite) e as próprias acompanhantes das misses tiveram de se submeter a uma única fila, que tomou proporção gigantesca. Aos representantes do rádio e dos jornais, foi reservada a entrada pela porta da cozinha. O baile programado não se realizou porque a pista de dança foi o único local onde os repórteres puderam aguardar o desfile, irradiado por emissoras do Distrito Federal, São Paulo, Estado do Rio, Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba.


As finalistas do Miss Brasil 1956, da esquerda para a direita:
Eli de Azevedo Pires, Miss Estado do Rio, sexto lugar;
Maria José Cardoso, Miss Rio Grande do Sul, primeiro lugar;
Leda Brandão Rau, Miss Distrito Federal, terceiro lugar;
Regina Maura Vieira, Miss São Paulo, segundo lugar;
Luzia Aliete Borges, Miss Pará, quinto lugar;
Maria de Jesus Holanda, Miss Ceará, quarto lugar.

          Bem recebida foi a seleção das finalistas: Misses Rio Grande do Sul (Maria José Cardoso), São Paulo (Regina Maura Vieira), Distrito Federal (Leda Brandão Rau), Ceará (Maria de Jesus Holanda), Estado do Rio (Eli de Azevedo Pires) e Pará (Luzia Aliete Borges). Entretanto, quando anunciaram o nome da representante gaúcha para Miss Brasil 1956, surgiram demorados protestos que tumultuaram por completo o ambiente. Entre pouquíssimas palmas, abafadas por estridentes assobios e vaias, a Srta.Maria José Cardoso não escondeu o seu desapontamento.


Em cima a nova Miss Brasil em vestido de baile e maiô. No dia seguinte à vitória ela recebia o primeiro convite para fazer um teste de voz numa de nossas emissoras. E é possível que venha a fazê-lo quando regressar dos Estados Unidos. Um produto de beleza está interessado nisso.

          A faixa que deveria ostentar desapareceu e somente muito tarde veio a ser encontrada. Em declarações à REVISTA DO RÁDIO, Emília Corrêa Lima (Miss Brasil 1955) disse que não lhe convidaram para coroar a sua sucessora. A coroação terminou sendo feita, atabalhoadamente por um simples empregado do Quitandinha.
          Estávamos no camarim da Miss Rio Grande do Sul, juntamente com repórteres de emissoras, quando ela recebeu a notícia da sua vitória. Presa de grande emoção disse-nos:
- "Através do rádio os meus conterrâneos estão participando comigo da alegria desta noite. Sinto-me contente por não tê-los decepcionado".
          Voltamos a encontrar a Srta. Maria José Cardoso ao ficarem serenados os ânimos. Calma e confortada por parentes e amigos, ela pediu:
- Quero que REVISTA DO RÁDIO agradeça a gentileza que recebi das emissoras, especialmente dos rádio-repórteres que compreenderam os incidentes desta noite dando ao povo informações desapaixonadas.


Maria José Cardoso cercada pelo rádio: aí estão o Caringi (da Continental), Luís de Carvalho e Ibrahim Sued (da Globo). Ibrahim foi o primeiro a anunciar o nome da vencedora.

          O Miss Brasil 1956 foi realizado no Hotel Quitandinha, Petrópolis, Estado do Rio, em 16/06/1956, e foi muito criticado pela falta de organização. Maria José Cardoso, filha de um funcionário da Alfândega, nasceu em São Francisco do Sul, Santa Catarina, mas foi morar em Porto Alegre ainda muito criança. Tinha 1,70 de altura, 59 Kg, 96 cm de busto, 60 de cintura, 96 de quadris e lindos olhos verdes. Chegou a se apresentar em New York, na loja Macy’s, em desfile que teve Jerry Lewis como mestre de cerimônias.

          É a mais "encabulada" de todas. Nos Estados Unidos, quando um fotógrafo americano lhe pediu que mostrasse os joelhos (queria bater uma foto), a moça gaúcha ficou da cor de um tomate bem maduro.  (Ubiratan de Lemos, As Onze Mais Belas do Brasil-História Precoce do Miss Brasil. Revista O CRUZEIRO, 20/02/1965).



          Encontrei no site www.missesdosbrasil.com a foto acima, mostrando Maria José Cardoso em 2005. Fiquei contente ao constatar que a  Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1956 continua com seu olhar belo e verde, tão belo e tão verde como naquela época onde as pessoas ficavam horas e horas escutando shows, novelas e programas pelo rádio.

*****