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sábado, 17 de dezembro de 2011

SESSÃO NOSTALGIA – INGRID BUDAG, MISS BRASIL 1975, UMA MULHER DE FÉ

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

          Noite de 21 de junho de 1975. No lugar do Maracanãzinho, Rio de Janeiro, o Ginásio de Esportes Presidente Médici, Brasília. Pelo terceiro ano consecutivo, a capital do Brasil foi transformada no templo da beleza nacional. A maioria do público não ficou satisfeita com o resultado do concurso Miss Brasil 1975, que deu o primeiro lugar a Ingrid Budag, Miss Santa Catarina. Outras garotas estavam mais cotadas para o título, a exemplo de Leila Tancredi, Miss Rio de Janeiro, quarto lugar; Lizane Guimarães Távora, Miss Brasília, segunda colocada; Jane Bezerra, Miss Rio Grande do Sul, que não ficou entre as oito finalistas; e Zaida Souza Costa, Miss Bahia, terceira colocada. Ingrid Budag, no entanto, soube contornar com classe e simpatia o descontentamento da plateia. Ficou entre as   12 semifinalistas do Miss Universo e cumpriu o seu reinado de forma exemplar.


Nas duas fotos do alto, Ingrid Budag, Miss Santa Catarina, de branco. Ao lado, Lisane Guimarães Távora, Miss Brasília. Nas duas fotos de baixo, vestindo azul, Zaida Costa, Miss Bahia, e Leila Tancredi, Miss Rio de Janeiro, de cabelos soltos.
 Jane Bezerra, Miss Rio Grande do Sul.
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INGRID BUDAG, UMA MULHER DE FÉ

           Quem leu no ano passado uma reportagem publicada pelas revistas Fatos & Fotos e Manchete sobre a colonização alemã em Santa Catarina reconhecerá em Ingrid Budag a garota que aparece em várias fotografias. Seus cabelos muito louros e os olhos verdes não deixam dúvida quanto a sua ascendência germânica. Realmente, seus avós emigraram da Alemanha e formaram um núcleo colonizador em Santa Catarina. Garota do interior, Ingrid foi eleita Miss Santa Catarina/75 em 24 de maio, concorrendo por Blumenau. Antes do título, já fora escolhida Miss Simpatia, entre outras 14 candidatas de várias regiões do Estado.

            Mesmo antes de se tornar Miss, ela já era bastante conhecida dos catarinenses, pois estudou piano, violão, e flauta, além de posar por algum tempo como modelo fotográfico. Cursa atualmente o 2º Grau e trabalha na Cetil S.A. Processamento de Dados. Apaixonada por aviação, Ingrid freqüentou o aeroclube de sua cidade e brevetou-se m piloto civil. Fala fluentemente inglês e alemão, desfazendo a imagem das misses que declaram falar várias línguas apenas para ganhar mais pontos. Ela fez uma incursão na vida artística, aparecendo numa ponta da novela Supermanoela, em seus primeiros capítulos. Para os mais interessados, aqui vão suas medidas: altura, 1,73m; peso, 55 Kg; coxas, 50 cm; quadris, 84 cm; busto, 84 cm; cintura, 60 cm; tornozelo, 42 cm; manequim, 42 e calça 37. É solteira, óbvio.”  (Fatos & Fotos/Gente)
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          Protestante convicta, a loura catarinense rezou muito nos bastidores enquanto aguardava a decisão do júri. Suas colegas não entendiam o porquê de suas orações: “Sou uma mulher de fé. Com fé exteriorizo minha vida interior e assim me transformo numa bela mulher”! Para Ingrid, o Chevette que ganhou não é muito importante. “O que importa mesmo é sentir a faixa de Miss Brasil, o grande sonho de minha vida”. Com sua fé, ela vai em busca do Miss Universo.  (Fatos & Fotos/Gente)
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O TOP 3 DE 1975 
 
           O ano de 1975 mostrou ao mundo mais uma vez o potencial da beleza brasileira.  Setenta e uma jovens disputaram em Sal Salvador, El Salvador, no dia 19/07/1975, o Miss Universo, e entre as 12 semifinalistas estava Ingrid Budag, no ano em que Anne-Marie Pohtamo, Miss Finlândia, foi a vencedora.  No Japão, no dia 03/11/1975, entre 48 candidatas, Lisane Guimarães Távora, Miss Brasilia, vice-Miss Brasil, conquistou um honroso quinto lugar no Miss Beleza Internacional, cuja vencedora foi Lidija Vera Manic, Miss Iugoslávia. Em 20/11/1975, na capital da Inglaterra, Londres, Zaida Costa, Miss Bahia, terceira colocada no Miss Brasil,  mostrou com charme o que é que a baiana tem. Foram 67 candidatas disputando o Miss Mundo. Zaida esforçou-se, mas não obteve classificação e o título foi para a mulata  Wilnelia Merced Cruz, Miss Porto Rico.
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UM GINÁSIO LOTADO É PASSÍVEL DE EQUÍVOCOS

           Talvez muitos nem se lembrem, mas o Miss Brasil 1975 foi marcado por algumas polêmicas: do problema com o som do Ginásio de Brasília, falhando em plena transmissão ao vivo pela TV Tupi , até a resposta da jurada salvadorenha Ana Luiza Gonzales ao apresentador Carlos Zara - que em tom de brincadeira perguntou nos momentos finais se já podiam revelar o veredito final. Ela levou a sério a pergunta e acabou revelando: “Miss Santa Catarina” !  Daí por diante, o descontentamento geral da plateia de 15 mil pessoas irrompeu o silêncio numa estrondosa vaia. Leila Tancredi, Miss Rio de Janeiro - a favoritíssima - ficara num singelo 4º lugar. Apesar da vaia, Ingrid conseguiu mostrar seu porte e nobreza germano-brasileira de uma maneira bem especial.  Ingrid Budag foi semifinalista em El Salvador, no Miss Universo, vencido pela finlandesa Anne Marie Pohtamo. A bela catarinense neta de alemães provou por A + B que um ginásio lotado é passível de equívocos.
 (João Ricardo Camilo Dias, www.missesdobrasil.tripod.com/miss/id140.html)
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           Uma a moça simples e ao mesmo uma grande mulher porque já naquela época, aos 18 anos, já era muito culta e de personalidade marcante. Além de tocar piano, falava vários idiomas, dentre os quais inglês e francês. Ficou na minha memória a entrevista feita na noite em que ela passou a faixa para Kátia Moretto, quando o saudoso Paulo Max lhe fez a seguinte pergunta: - “Ingrid você acha que ser mulher é melhor do que ser homem”? - ela respondeu sorrindo quase numa gargalhada – “Ser mulher é maravilhoso, agora homem eu não posso responder porque nunca fui”! Estava belíssima de vestido vermelho e era uma simpatia em forma de mulher. (Evandro Silva, Misses na Passarela Blogger, www.evandrosilvabr.blogspot.com, 06/11/2009)
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           No Miss Universo ela não era muito cotada e quando foram chamadas as doze semifinalistas, Bob Baker chamava “Miss Brazil”  e Ingrid continuava no seu lugar, e já na terceira chamada ela por fim se deu conta que era uma das doze. As gargalhadas soavam no auditório e Bob Baker explicava que Ingrid estava tentando descer da pirâmide, pois o cenário montado em San Salvador, El Salvador, era uma enorme pirâmide.  (Evandro Silva, Misses na Passarela Blogger, www.evandrosilvabr.blogspot.com, 28/05/2009)
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EPÍLOGO

           Por onde andará a Miss Brasil 1975? Soube que continua bonita e é uma mulher feliz, envolvida em outra missão, a de  missionária evangélica  nos Estados Unidos, onde está radicada há muitos anos

             
               Quando “viajo” no Túnel do Tempo para a década de 1970, através dos meus álbuns de recortes sobre Misses, gosto de reler a declaração de Ingrid Budag, Miss Brasil 1975, uma das mais belas já ditas por uma rainha da beleza: “Sou uma mulher de fé. Com fé exteriorizo minha vida interior e assim me transformo numa bela mulher”.

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sábado, 9 de julho de 2011

SESSÃO NOSTALGIA - Lisane Guimarães Távora, vice-Miss Brasil 1975, os olhos tropicais que encantaram o Japão

-->Daslan Melo Lima
               
      Lisane Guimarães Távora, Miss Brasília 1975, gaúcha natural de Cachoeira do Sul,  estudante de Processamento de Dados da Universidade de Brasília, 18 anos,  cabelos e olhos pretos, filha do Coronel do Exército Raymundo Távora e D. Laura, classificou-se em segundo lugar no Miss Brasil 1975, ficando como vice da loura Ingrid Budag, Miss Santa Catarina. Enquanto a catarinense ficou entre as 15 semifinalistas do Miss Universo, em El Salvador,  Lisane foi mais longe e conquistou o quinto lugar no Miss Beleza Internacional, realizado no Japão.
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LISANE NO JAPÃO

Lisane com a coroa de pérolas de quinta colocada no Miss Beleza Internacional 1975 e a faixa de Miss no idioma japonês.
                 Quarenta e oito lindas garotas de todos os continentes participaram do Miss Beleza Internacional, evento que aconteceu no Okinawa's Expo Portside Theater, Motobu. No Brasil, a imprensa noticiou que a nossa representante tinha obtido o quarto lugar, quando na realidade foi o quinto, conforme atestam os dados do www.pageantopolis.com, do missólogo Donald West: Miss Yugoslavia, Lidija Vera Manic, primeiro lugar; Miss Finlândia,  Eeva Kristiina Mannerberg, segundo; Miss Índia, Indira Maria Bredemeyer, terceiro; Patricia Lynn Bailey, Miss Estados Unidos, quarto; e Miss Brasil, Lisane Guimarães Távora, quinto lugar. Ela ficou muito feliz com a classificação,  embora tenha sofrido um prejuízo de 30 mil cruzeiros, em moeda da época. Seus documentos, alguns dólares e yens, dois anéis  de brilhantes, brincos e um anel de pérola desapareceram misteriosamente do apartamento que ocupava com Maria Teresa Maldonado Valle, Miss Espanha. Antes de qualquer iniciativa, Lisane comunicou o acontecimento aos pais, que também se encontravam no Japão. Sobre o  assunto, ela fez a seguinte declaração à revista Fatos & Fotos: 

              “Participamos então à direção do concurso o ocorrido, mas impedimos que dessem queixa à polícia japonesa. Isso provocaria um escândalo e resultaria numa série de problemas que, fatalmente, envolveriam pessoas ligadas à organização e segurança do Miss International Beauty Pageant. Houve uma sigilosa e meticulosa sindicância que, infelizmente, resultou em nada. A beleza daquele país, as festas de que participei, a atenção e dedicação do povo para conosco, a classificação conseguida, superaram os acontecimentos desagradáveis."

     
LISANE, A MISS QUE DERROTOU A MICROSOFT

 ("A Miss que derrotou a Microsoft”, texto de  Cecília Maia, foto de Felipe Barra, revista ISTOÉ GENTE, 27/09/2004).
                A empresária Lisane Bufquin, que já ficou em 2º lugar no Miss Brasil e foi convidada por Bill Gates para ser seu braço direito no País, conseguiu no Cade a condenação da gigante da informática por “falsear” concorrência de mercado
               Como no conto bíblico, o Davi da gigante Microsoft do Brasil também existe. Mora em Brasília, é empresária, tem 47 anos, é bonita e atende pelo nome de Lisane Bufquin. Mulher de aparência frágil, com 1,69 m de altura, ela comanda o Grupo IOS, empresa de informática de médio porte, 187 funcionários e faturamento anual entre R$ 10 milhões e R$ 18 milhões. Por insistência dessa gaúcha de Cachoeira do Sul o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Cade, condenou a maior empresa de informática do mundo. Pela decisão, a Microsoft terá de pagar aos cofres da União multa de 10% sobre o faturamento de 1997 (um ano antes do início do processo) por “limitar, falsear e prejudicar” a concorrência do mercado de softwares e prestação de suporte técnico a órgãos federais. “O governo nem fazia licitação achando que só a Microsoft tinha capacidade para fazer o serviço”, diz. Lisane provou que não era assim. Ainda cabe recurso à sentença, mas foi a primeira derrota jurídica da multinacional no Brasil. Em nota oficial, a Microsoft diz que, no seu entendimento, “a prática comercial anterior estava condizente com a legislação brasileira”.
               Lisane não estava só quando entrou com a ação no Cade há sete anos. Outras três empresas estavam juntas. “Por pressão da Microsoft elas desistiram”, diz. Lisane sofreu quatro ações judiciais movidas pela filial da multinacional em Brasília, a TBA, perdeu contratos e viu seu faturamento se reduzir em 70%. Mas foi em frente, agarrada à fé em Santa Terezinha do Menino Jesus, para quem constrói a terceira capela. “Venci por milagre da santa.”
               Filha de militar, ela conheceu o sucesso na adolescência. Primeiro como campeã dos clubes brasilienses de vôlei e depois como miss. Em 1975, foi a segunda colocada no Miss Brasil, com direito a ir ao Japão para o concurso Beleza Internacional. Lá conheceu seu marido, o engenheiro francês Jean François Bufquin, falecido. Encantado com a quarta colocada na competição, Jean mandou-lhe um bilhetinho num almoço com executivos. “Como não respondi, ele foi pessoalmente me convidar para sair”, lembra. Lisane se casou e foi morar em Paris com Jean quando terminou a faculdade de processamento de dados na UnB. Na França trabalhou em grandes grupos de informática. Destacou-se e, por ironia do destino, a Microsoft lhe ofereceu parceria para se estabelecer no Brasil.
               “Bill Gates me fez uma corte impressionante”, diz. Ela trabalhava nos anos 80 na Générale Des Eaux. Gates, de férias em Angra dos Reis, soube que Lisane estava no País e mandou localizá-la para fazer o convite. De frente para o mar de Angra, ela disse não. Casada e com filhos gêmeos adolescentes, Diego e Olivier, hoje com 23 anos, não quis deixar Paris. Anos depois, voltou, abriu sua empresa e sentiu o peso da gigante. “Fiquei indignada com a dominação deles aqui. Na Europa não fazem isso pois se defrontariam com várias Lisanes”, diz ela, que hoje tem clientes como Embrapa, Infraero e Dataprev, usuários de softwares livres.
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               De vez em quando, fico a imaginar Lisane Guimarães Távora, ou melhor Lisane Bufquin, tomando decisões no comando da sua empresa IOS Informática. Fico a imaginar que em algumas situações de estresse, ela respira fundo e relaxa recordando aquele mágico 1975, quando a imprensa japonesa teceu este elogio à sua beleza, um elogio com sabor de um poema inesquecível:

Olhos negros, estonteantes e tropicais,
quentes como o país que ela representa,
apesar de ter nascido num Estado onde a neve cobre o chão
um mês por ano e um estranho vento chamado minuano
 – vindo da Cordilheira dos Andes –
agita os cabelos de louras e morenas,
mescla de raças que ajudou a formar o grande país chamado Brasil.
 
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