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sábado, 22 de julho de 2017

SESSÃO NOSTALGIA – O diário secreto de Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964

Daslan Melo Lima

            Ângela Teresa Pereira Reis Neto Vasconcelos, Miss Paraná, Miss Brasil 1964, seguiu para Miami Beach levando a esperança de repetir o sucesso da gaúcha Ieda Maria Brutto Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, eleita no ano anterior Miss Universo 1963. Ângela Vasconcelos obteve destaque e ficou entre as semifinalistas (top 15) do Miss Universo 1964.


          Diário Secreto de Miss Brasil, eis uma das chamadas da capa da revista O Cruzeiro, de 29/08/1964, Ano XXXVI, Nº 47, que circulou com quatro páginas contando, com as próprias palavras de Ângela Vasconcelos, como foi sua experiência no Miss Universo. Além da reprodução das páginas, transcrevi o texto na íntegra, respeitando a acentuação das palavras na época.  

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O CRUZEIRO – EXCLUSIVO
Diário de uma vitoriosa derrotada
MISS BRASIL
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CONFIDENCIAL
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É a vez de Ângela falar, Miss Brasil-64, que levou a Miami o pêso das esperanças de milhões de fãs brasileiros, não parece – mas não parece mesmo – nem um pouco frustrada. Pelas páginas de seu diário, que “O Cruzeiro” divulga, se encontrará a verdadeira explicação. Ângela é o que era. 
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Texto de Ângela Vasconcelos (Miss Brasil) – Fotos de Indalécio Wanderley
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Eis o diário da nossa Miss Brasil:

“Dia 22: De cima, céu limpo, eu via Miami Beach e Miami City – as duas cidades dêste pedaço tropical da Flórida. Tudo muito bonito, tudo novidade. Encontrei no aeroporto um calor que eu não achava possível existir. Ieda estava lá com a sua simpatia e o seu sorriso. Dei autógrafos aos brasileiros que me honraram com a sua presença. Falei com a recepcionista do Miss-U, e rumamos para o Shelborne Hotel. 
Notei na viagem os “free-ways” excelentes. Não havia buracos na cidade. Nem um só. No hotel recebi a minha faixa e me apresentaram a Miss Nevada, minha “roomate”. Um caramelo de gente. Ficamos logo amigas. Ensinei a ela o que queria dizer “fofoca”. Mandaram-me repousar. Não aceitei a idéia. Preferi almoçar com as misses. Depois mergulhei na água americana da piscina. Lá já estavam os fotógrafos brasileiros, inclusive o afável Indalécio Wanderley e o sestroso baiano Gervásio Batista.
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Dia 23: Neste dia foi realmente que iniciei contatos maiores. Comecei a ver as misses, a senti-las. Observei, desde logo, uma certa impermeabilidade no Concurso, nas môças européias, orientais e americanas. Sómente as sul-americanas transmitiam alguma coisa, deixando escapar comunicação humana. Quando escrevo “impermeabilidade”, desejo significar o ar de seriedade bem educada das misses e dos funcionários do Miss-U. Eu me sentia assim como quem está em casa de cerimônia. Não cheguei a ficar à vontade. 
Miss Nevada convidou-me a conhecer Las Vegas. Ela é fã de Frank Sinatra. Diz que o filho de Frank possui também voz encantadora. Deitei-me um pouco tarde. Fiquei de televisão vendo um trecho de ópera. Depois rodei para um filme de “cowboy”. 
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Dia 24: Acordei, comi torradas, geléia e bebi um café fraquinho. Minha “hostess“ é um anjo falando inglês. Raramente diz “não” aos meus saimentos. Concordou em acompanhar-me até a piscina. Este sol daqui parece que é mais sol. Fiquei logo queimadinha. À tardinha estava eu a bordo de luxuosa carroçaria, ao lado de outras môças, numa das extremidades da Flagler Avenue. Estávamos ali para desfilar. Uma tagarelice de Babel, coisinhas em todas as línguas. Vi o gordinho repórter Ubiratan batendo fotos de Miss Israel. O desfile só começou com o escuro das 8 horas. Notei pouca gente na rua.
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Dia 25: Começo a perceber a falta de tempo para mim. Só há tempo para o concurso. Ah!,  os ensaios! Enormes, massacrantes, mecânicos! Tenho agora que acordar com o canto subjetivo do galo americano. Às 7 horas já estou de “Convention Hall” para ensaiar. Eu e todas elas. 102 gurias do planeta Terra ali dentro, naquele quartel de aço e ar refrigerado. Nunca vi tanta organização na minha vida. Uma organização fanática a destes americanos. Tudo bem virgulado, um segundo para cada gesto. 
Tive uma vontade forte de abrir uma brecha de indisciplina, de remexer na teia de aranha de Tio Sam. Dominei-me em nome do Brasil e de vocês. Aconselho a todas as futuras misses do Brasil que façam testes de paciência e boa-vontade. Não é que os americanos sejam impertinentes. Não diria uma inverdade destas. Mas as coisas muito organizadas são monótonas. Ou exigem muito de civilização que eu não tenho. Neste dia aprendi a admirar Miss Argentina, a que ficou nas 10 finalistas. Bela e excelente. Fizemos amizade em conversa curta. 
À noite fui com as outras ao “Mahi Shrine Tenple”, uma espécie de teatro “society” de Miami. Foi a cerimônia inaugural do Miss-U, a chamada abertura. Tôdas nós estávamos de trajes típicos. O de Miss Tennessee era um vexame. Simplesmente meteu-se dentro de um fardo. Outra estava de urso. Gostei da festa, do público, das crianças que concorreram ao “Little Miss Universe”. A garotinha da Coréia, então, era um tico de graça. Fui dormir quase 3 da manhã. Fiquei de palestrinha com Miss Nevada, a quem contei o sentido da Revolução brasileira e coisas boas do nosso País.
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"Miss Brasil e Miss Israel, boas amigas."
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Dia 26: Hoje o dia amanheceu ainda mais atraente porque não houve ensaio no “Convention Hall”. Fomos ao “Seaquarium” em rodada de passeio. Outras foram para o Jardim Japonês, um parque tipo Atêrro da Glória. Fiquei vendo tubarões comendo enormes pedaços de carne. Êles  me pareceram piranhas gigantescas, tal a voracidade do gesto de comer. Apreciei a inteligência dos botos e das baleias. Pode haver peixe burro, mas aquelas baleias e aqueles botos eram sem dúvida intelectuais. Deram um “show” de acrobacias. Dormi cedo, porque os programas de TV não me prenderam a atenção.
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Dia 27: Foi o dia mais duro, mais cansativo. Um dia em que acordei às 6 da manhã, e foi um tal de vestir maiô e traje típico até às 6 da tarde. Às 8 tôdas nós tiramos a fotografia panorâmica, e nos vimos – umas às outras - de maiô. Podemos calcular melhor nossas possibilidades em relação ao Júri. Desde logo marquei as Misses Israel, Japão, Islândia, Malásia e China – para mim as melhores.
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Dia 28: Hoje foram escolhidas as semifinalistas americanas. Não concordei com a não-classificação de algumas. Havia louras lindas que ficaram de fora. Gostei do “show”. O Concurso daqui é mesmo “show”. As misses são figurantes, intercalando quadros ótimos de teatro de revista. Alguns brasileiros disseram a mim que o meu penteado não estava bom. Discordei. É o melhor que me fica. Já tentei outros.
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"As gregas são assim. A beleza de Miss Universo 1964, Kiriaki Tsopei, trouxe, nos tempos novos, de volta à Grécia, o têrmo padrão universal"
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Dia 29: Elegeram Miss EUA. Havia outras mais belas. A môça do Alabama, por exemplo. Vi Miss Áustria de nervos em briga: questão da programação picada. A loura de Viena não resistiu e abriu a comporta das lágrimas. Não registrei nada mais de importante neste dia. Achei um tempinho para comprar um lenço colorido na esquina.
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Dia 30: Acordei um pouco nervosa. Hoje eles escolherão as semifinalistas internacionais. Isto quer dizer que serei julgada, analisada, votada ou não. Eis-me, afinal, na frente do Júri, desfilando na passarela rubra. Ouço palmas, e penso que deve ser o pessoal lá de casa, do Brasil, em função da torcida. Alguém em português falou: “Levanta mais um pouco a cabeça!” Aceitei o conselho. Foi com satisfação que escutei o meu nome silabado para as semifinalistas. Bem, pelo menos não tinha ficado totalmente de fora.     
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Dia 31: Hoje êles riscaram o “Convention Hall”   do programa. Declararam feriado para as misses. Permaneci longamente na piscina, no diálogo da água e das minhas pequenas idéias. Sempre achei a água respeitosa, uma das coisas com quem me dei muito bem em Miami. À noite eu, minha mãe e amigos brasileiros arriscamos uma boate. Uma oportunidade de fuga, de esquecer o sábado da coroação. 
Tivemos, entretanto, de deixar a boate, a convite, mais ou menos amigável, da direção do Concurso. Eu tinha de me convencer de que estava dentro de uma jaula côr-de-rosa. Eu prezo tanto a liberdade! Sempre me habituei a fazer o que quero, e sempre quero o razoável. Não gostei de sair da boate. Não gostei mesmo.
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Dia 1: Hoje é o fim da linha. Terei de saltar do Miss-U ou viver dentro dêle durante um ano. É evidente que lutarei, se é possível em matéria de beleza, para fazer alguma coisa além do absolutismo da plástica.
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De cima para baixo: 1 - Miss Inglaterra. "Segunda colocada no Miss Universo 64, Brenda Blackler, não é, segundo Ângela, merecedora." ***** 2 -  "Ronit Rinat ganhou um terceiro lugar para Israel. Abençoada beleza. Sangue do Povo de Deus". ***** 3 - "Siv Marta Aberg, no 4º lugar, beldade sueca." ***** 4 - "Lana Yi Yu (chinesa) 5º lugar." 
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Dia 2: Procurei largar de dentro de mim o filão nobre que todos nós temos. Fui a mais conversadeira das Misses, a mais penetra-no-coração-dos-outros. Que poderia fazer além disso? A verdade é que fiquei de lado. Não entrei nas cinco. Estremeci quando o mestre-de-cerimônias não timbrou o meu nome. Mas logo me recuperei, pois estava psicològicamente preparada para qualquer surprêsa – boa ou má. Não acredito que o penteado tenha influído desfavoràvelmente no Júri. Eu conhecia todos os juízes. Falei com eles. Por que seria o penteado responsável por não ter chegado eu até às cinco finalistas?
Nos bastidores falei com Miss Israel. Disse-me ela: “Êles não me elegeram porque eu sou israelita”. Argumentei em contrário. Não poderia ser isto. Foi mera questão de não saber julgar bem. Miss Áustria passou chorando rente a mim. Consolei-a. A chinesa estava uma fervura de alegria. Abracei-a. Até a grega eu fui cumprimentar, embora discordasse da coroa na cabeça dela. Mas à inglêsa eu não consegui dizer “congratulations”. Não aprendi a fingir demasiado. É muito forte para mim.
Digo aqui, com franqueza do Paraná: não aprovei a decisão do Júri. Não que quisesse para mim o título. Mas a grega não merecia a primeira colocação. Israel era, e é, melhor que ela. Tampouco a Miss Suécia deveria chegar ao “five” finalista. Ela não possui dentes de miss. E a inglêsa, nem se fala. Ainda não posso crer que ela tenha tirado o 2º lugar. Foi uma espécie de perde-ganha no “Convention Hall”.
Escrevo isto sem inveja delas. Escrevo como observadora, e não culpo a direção do Miss-U pelo insucesso da escolha.  Julgar, eis um verbo de difícil conjugação. Posso garantir aos que me lêem que levo saldo positivo. Muita experiência e um gôsto bom dos Estados Unidos. Gostei de apertar as mãos de Tio Sam, mas não conseguiria morar na sua casa. Louvo a democracia americana, o confôrto do povo, a funcionalidade da vida. Observei, entretanto, uma certa impessoalidade nas pessoas, um tom de neutralidade, de cimentação da alma. Creio ser o drama da máquina sobre a pessoa humana, o massacre da essência da vida. 
Não me chamem de “snob”, mas Aldous Huxley escreveu sobre essa fronteira da civilização moderna. E o meu Exupéry também: “Só o homem constrói a sua solidão”. Noto que os americanos precisam novamente pisar descalços no chão. Êles são ótimos, e vivem no maior país do Mundo. Peço desculpas pelo diário. Foi escrito sem tempo, nos intervalos do programa. Foi escrito sem o zêlo da discrição exagerada. Deixei aqui boa dosagem de sinceridade tropical, embora, na realidade, viva numa cidade (Curitiba) que quase nada tem de tropical. Até já,
Ângela.”
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"A muito rôgo, Ângela aceitou posar  penteada com os cabelos para o alto. É o tira-teima, diz ela. Os leitores que julguem, embora tarde." 
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"Ângela aceitou a derrota com espírito de vitória. A menina paranaense é esportiva mesmo. Pensando bem, é possível que seja mais feliz assim, livre de ser acorrentada a um programa de 365 dias - ela que tanto preza a liberdade." 
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         Na fria noite pernambucana deste sábado de julho, “viajei no túnel do tempo" com Ângela Vasconcelos, a linda e culta Miss Brasil 1964, através das páginas da revista O CruzeiroConcordando ou não com alguns resultados dos concursos de misses, o sonho continua. Moças lindas de todas as partes do mundo ainda sonham pisar numa passarela em busca do título de a mais bela.

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Capa da O Cruzeiro, de 29/08/1964, Ano XXXVI, Nº 47, que circulou com quatro páginas contando, com as próprias palavras de Ângela Vasconcelos, como foi sua experiência no Miss Universo. ***** Na capa, Miss Alabama e Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964.

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Vídeo completo do Miss Universo 1964


sábado, 18 de outubro de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964

Daslan Melo Lima          

      Recebi ontem do meu amigo Roberto Macêdo, jornalista baiano, o link do site http://blogs.diariodepernambuco.com.br/, cuja matéria em destaque focaliza a visita da grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, ao Recife, http://blogs.diariodepernambuco.com.br/diretodaredacao/2014/10/17/a-foto-do-dia-a-miss-em-boa-viagem .


Uma rainha da beleza deu o ar da graça em Pernambuco e depois na capa do Diario. Foi no dia 14 de novembro de 1964, quando um Elektra da Varig, que trazia a bordo a Miss Universo Kiriaki Tsopei, aterrissou no Aeroporto dos Guararapes. Do turbohélice desceu a grega de 20 anos de idade, considerada a mulher mais bela do mundo naquele ano, com vestido tubinho de cor clara, coroa e faixa. Ela desfilou em carro aberto (um Cadillac cedido por um empresário) até a Praia de Boa Viagem. Com 1,70 m de altura, 91 cm de busto e 53 cm de cintura, Kiriaki trocou de roupa em um apartamento emprestado e desceu para a areia em maiô de peça única. A foto dela rindo, tocando com as mãos a quase espuma das ondas, ganhou a capa do Diario de domingo, dia 15.
      


Depois de nova troca de roupa – agora um traje esporte – Kiriaki rumou para o Pina, onde posou novamente para a imprensa. Às 18h, seguiu para a Malharia Imperatriz, onde “teve oportunidade de adquirir novidades para seu guarda-roupa”. Às 19h, A Miss Universo rumou para o Hotel  4 de Outubro, no bairro de São José, onde se hospedou em “apartamento de luxo”. Descansou até as 22h, quando saiu para participar de um programa de TV e à meia-noite foi levada para o Náutico, onde recebeu homenagens dos colunáveis locais e da comunidade grega.
No dia seguinte, Kiriaki embarcou para Natal e depois para o Rio de Janeiro. Deixou seus súditos pernambucanos divididos. Segundo o texto do Diario, muitos esperavam “coisa melhor”, outros a acharam mais bonita e talentosa. Quem realmente não gostou nada da Miss Universo foi o dono de uma jangada usada para poses da beldade em Boa Viagem. Ele reclamou que todos queriam “sambar” na sua embarcação recém-consertada. Outra curiosidade é que a grega foi recebida no aeroporto por Iolanda Pereira, a primeira brasileira a ser eleita Miss Universo, em 1930, que morava no Recife em 1964 como esposa do brigadeiro Homero Souto, comandante da 2ª Zona Aérea.

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A fim de facilitar as tarefas dos missólogos e pesquisadores que buscam no Google informações sobre Kiriaki Tsopei (que sempre preferiu ser chamada de Corinna Tsopei), disponibilizo abaixo os textos de  três SESSÃO NOSTALGIA a ela dedicadas. 
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SESSÃO NOSTALGIA, 24/01/2009

Kallos Irsate ! Kiriaki, um domingo no Brasil

Daslan Melo Lima

      A grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, sucessora da brasileiraIeda Maria Vargas no trono de mulher mais bela do mundo, esteve no Brasil poucas semanas após ter sido coroada Miss Universo.
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Kiriaki, que em bom brasileiro quer dizer domingo, chegou a São Paulo numa sexta-feira, e deu início ao programa de pouco descanso desta sua visita ao Brasil, primeira que faz como Miss Universo1964 a um país fora dos Estados Unidos.
A sua frase, por assim dizer, de prefácio às declarações que viriam a seguir, foi a de que “os brasileiros são um povo muito gentil”.
Ela sabia disso desde os seus contatos com os conterrâneos de Miss U-63 ainda no país que lhe dera a faixa, a coroa e o título de “a mulher mais bela do mundo”. E, já no Aeroporto de Congonhas, Kiriaki Tsopei encontrou a prova dessa gentileza, com gente muita à sua espera e aplauso muito pela sua chegada.

Miss Universo 1964 veio ao Brasil especialmente para desfilar (Kiriaki é modelo profissional) na VII Feira Nacional da Indústria Têxtil, o que fez com Ieda Maria Vargas, Ângela Vasconcelos e as Misses Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. O programa, mais do que exaustivo, começou com uma visita ao Governador Adhemar de Barros que interrompeu um almoço com o cônsul da Alemanha.(Kiriaki chegou com três horas de atraso) para receber a bela visitante.

Depois, sempre na companhia de Ieda e Ângela, enfrentou coquetel e entrevista coletiva, com resposta às perguntas tradicionais de “que acha do Brasil?”, “já tem noivo?” etc. Disse que, antes do concurso, só sabia do Brasil coisas como Pelé, Corcovado e café. O resto do conhecimento viera dos contatos com as misses que tinha o país presente em Miami.

      Além dos desfiles da FENIT, que foram cinco, Kiriaki teve que cumprir inúmeros compromissos, entre os quais posar para fotos de publicidade e comparecer a coquetéis promocionais. No sábado à tarde, entre um coquetel e um desfile, ela dormiu durante quinze minutos num divã da administração da Feira. Como não tivera tempo para o cabeleireiro, providenciaram-se retoques rápidos em seu penteado, com os grandes olhos da moça refletindo-se, cansados, no espelho de um banheiro. Minutos a seguir, Kiriaki sorria, como rainha, para os convidados de um coquetel.
      Parte do programa de domingo (Kiriaki em grego) teve de ser sacrificada, pois ela não perde missa nesse dia, se no lugar onde estiver houver uma igreja ortodoxa. Em São Paulo havia. E Kiriaki foi ao Brás, com atraso suficiente para fazê-la chegar à igreja depois de terminada a missa.

O Padre Papadakis, entretanto, a recebeu com uma benção especial, em meio ao alvoroço dos fiéis, que gritavam “Kallos irsate!” (Seja bem-vinda!), enquanto o sacerdote dizia que abençoava não o seu corpo, mas a eternidade de seu espírito.
      Na entrevista coletiva, Kiriaki disse que não gosta de se chamar Kiriaki. “Gostaria mesmo era de me chamar Korina”, explicou, embora sem acrescentar o motivo.A um repórter que perguntou se ela pretendia “restaurar” o domínio da beleza clássica grega durante o seu reinado como Miss Universo, limitou-se a uma palavra: “Certamente”.
      Estetas presentes, entretanto, consideraram que nenhuma mulher que tivesse as linhas clássicas ganharia o concurso que deu o título a Kiriaki Tsopei.
_______Reportagem de George Torok e Ronaldo Moraes - Revista O CRUZEIRO, 12/09/1964)

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SESSÃO NOSTALGIA, 12/03/2011

Pelé e Kiriaki Tsopei, um encontro de majestades


Daslan Melo Lima


          Durante muitos anos, um evento paulista atraiu a atenção de todo o Brasil, a Fenit, Feira Nacional da Indústria Têxtil.
FENIT – Recorde de visitantes na maravilhosa feira da moda e do tecido. Extraordinário sucesso está obtendo, em São Paulo, a VII Fenit – Feira Nacional da Indústria Têxtil, reunindo numa maravilhosa exposição o que há de melhor, em todo o Brasil, na indústria de tecidos. Promovida pelo dinâmico  Caio de Alcântara Machado, a VII Fenit tem recebido tão grande número de visitantes que, este ano, baterá todos os recordes assinalados anteriormente, passando da casa de um milhão de pessoas. Uma de suas atrações é o fabuloso auditório, para três mil pessoas, onde desfila a seleção há pouco levada pela Companhia Brasileira Rhodiaceta,  MANCHETE e Air France ao Japão. Ali também pode ser apreciada uma piscina na qual se movimentam enormes golfinhos.  (Revista Manchete, 05/09/1964)
 
           Misses famosas,  como as beldades acima, em pose ao lado de Pelé, desfilaram na passarela da Fenit. Da esquerda para direita: Ângela Vasconcelos (Miss Paraná, Miss Brasil 1964), Kiriaki Tsopei (Miss Grécia e Miss Universo 1964, depois atriz de cinema com o nome de Corinna Tsopei) e Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963). *****  (Capa da Manchete, 05/09/1964).
 
 O rei driblou todo o mundo e deu um beijo em Miss Universo. Um beijo selou a amizade do rei da bola com a rainha universal da beleza. (Manchete, 05/09/1964)
São Paulo presenciou, na última semana,  um encontro de majestades, quando o Rei Pelé e Miss Universo se defrontaram numa das dependências da VII Fenit. Pelé vinha do Pacaembu, onde fizera um gol contra o Palmeiras. “Fiz aquele gol em sua homenagem”, disse ele a Kiriaki Tsopei. A belíssima grega respondeu: “Oh, Pelé, você é muito gentil! Já em Atenas, antes de ir a Miami, eu ouvia falar muito em você, e sempre desejei conhecê-lo pessoalmente.” Em retribuição ao gol, ela permitiu que Pelé lhe beijasse a testa, após o que o rei comentou: “Aqui, estou mais nervoso do que no campo, quando varava a defesa do Palmeiras.” E, ao saber que Kiriaki, em grego, significa domingo, o maior jogador do mundo disse: “Então, precisamos mudar o nome daquele filme para “Sempre aos Domingos...” Miss Universo ficou ruborizada. ("O Maior Gol de Pelé", Salomão Schwartzmann, Manchete, 05/09/1964).
 
Pelé confirmou o veredicto de Miami, coroando Kiriaki Tsopei pela segunda vez.  (Manchete, 05/09/1964).

          Todos os anos, na época do SPW-São Paulo Fashion Week, lembro-me das  famosas revistas O Cruzeiro, Fatos & Fotos e Manchete, com suas capas e páginas dedicadas à Fenit, onde as Misses eram as estrelas das passarelas e o mais famoso jogador do mundo fazia questão de beijar respeitosamente a testa de uma ruborizada Miss Universo. 
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SESSÃO NOSTALGIA, 24/02/2012

As canções de Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964, e Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964

Daslan Melo Lima

          Na foto oficial em conjunto das candidatas ao título de Miss Universo 1964, onde todas as concorrentes posaram com maiôs Catalina, o destino fez com que duas mulheres maravilhosas ficassem lado a lado, Ângela Vasconcelos, Miss Brasil, eKiriaki Tsopei, Miss Grécia,numa ensolarada manhã de julho, em Miami Beach, Flórida, Estados Unidos.  

Em Miami, Kiriaki Tsopei e Ângela Vasconcelos tornaram-se boas amigas. Kiriaki perguntou sobre Pelé e pediu a Ângela para cantar algumas músicas daquele filme bonito, Orfeu Negro. A paranaense atendeu e quis troco: “Agora cante algo de Nunca aos Domingos, mas em grego mesmo.” Seu pedido foi satisfeito. (RevistaMANCHETE, 15/08/1964)
 ORFEU NEGRO
           Orfeu Negro, drama ítalo-franco-brasileiro de 1959, dirigido por Marcel Camus (1912-1982), inspirado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicíus de Moraes(1913-1980), ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro de 1960. A adaptação da peça, que por sua vez foi inspirada nas figuras da mitologia grega, Orfeu e Eurídice, ambientou a obra no Brasil, tendo como fundo uma comunidade carente do Rio de Janeiro, no período carnavalesco. No papel de Orfeu, o jogador de futebol brasileiro Breno Mello (1931-2008), e no de Eurídice, a atriz norte-americana Marpessa Dawn (1934-2008). No enredo, Eurídice fugiu do interior com medo de um homem que queria matá-la e  apaixonou-se por Orfeu. 
          Acredito que Ângela Vasconcelos tenha cantado para Kiriaki Tsopei a música A Felicidade, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim (1927-1994), uma das mais belas canções de Orfeu Negro.

Tristeza não tem fim, felicidade sim.
A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor.
 Brilha tranqüila, depois de leve oscila 
e cai como uma lágrima de amor.

A felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval.
A gente trabalha o ano inteiro por um momento de sonho pra fazer a fantasia 
de rei ou de pirata ou jardineira, 
e tudo se acabar na quarta feira.

Tristeza não tem fim, felicidade sim.
A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar. 
oa tão leve, mas tem a vida breve 
precisa que haja vento sem parar.

A minha felicidade está sonhando nos olhos da minha namorada. 
É como esta noite passando, passando, em busca da madrugada.
Falem baixo, por favor, pra que ela acorde alegre como o dia,
 oferecendo beijos de amor.
Tristeza não tem fim, felicidade sim.

NUNCA AOS DOMINGOS

         Nunca aos Domingos, comédia-dramática dirigida por Jules Dassin (1911-2008),  em 1960, protagonizada por sua esposa Melina Mercouri (1920-1994), enfoca a amizade entre Ilya, uma prostituta grega,  e Homer Thrace, um escritor americano, vivido por Jules Dassin, que tenta mudar a maneira dela encarar a vida. Ilya é feliz do seu jeito, pois não há uma fórmula para a felicidade, e nos braços de Tonio, personagem de George Foundas (1924-2010), ela recupera sua alegria de viver. O filme deu a Melina Mercouri a satisfação de ver seu nome indicado ao Oscarde Melhor Atriz e a emoção de ser premiada como Melhor Atriz do Festival de Cannes de 1960. Nunca aos Domingos, canção-tema do filme, letra e música de Manos Hadjidakis (1925-1994) ganhou o Oscar de Melhor Canção de 1961.

          Acredito que Kiriaki Tsopei, que foi eleita Miss Universo e adotou o nome artístico de Corinna Tsopei,  tenha cantado para Ângela Vasconcelos exatamente a linda canção Nunca aos Domingos, abaixo na versão em português, como aparece nas legendas do filme.

Desde minha janela, envio beijos. 
Um e dois e três e quatro.
E ao porto vêm uma e duas e três e quatro aves.

Quero ter um e dois e três e quatro filhos. 
Quando se converterem em homens serão o orgulho de Piraeus.

Embora procure em todo mundo,
não acharei outro porto que tenha a magia de meu porto de Piraeus.
Quando chega o crepúsculo, o porto me encanta.
E os homens jovens e os ecos das canções enchem meu porto de Piraeus.

Não há ninguém que passe à porta  por quem não tenha sentido amor. 
E aqueles que vêm de manhã  encherão meus sonhos de noite. 
E às jóias que adornam meu pescoço acrescento um amuleto de boa sorte. 
E agora estou preparada para receber o estranho que vem do porto.

Embora procure em todo mundo, 
não acharei outro porto que tenha a magia de meu Porto de Piraeus. 
Quando chega o crepúsculo, o porto me encanta. 
E os homens jovens e os ecos das canções enchem meu porto de Piraeus.

EPÍLOGO

         Na noite do domingo de Carnaval, desliguei-me totalmente da folia para recordar  o Miss Universo 1964,  através dos meus álbuns de recortes,  e para assistir mais uma vez Orfeu Negro e Nunca aos Domingos.  Entrei no Túnel doTempo ao lado da Poesia, da Cultura e da Nostalgia,  tomei um banho de inspiração e aqui estou, nesta quarta-feira de cinzas de 2012, concluindo mais uma  Sessão Nostalgia.  
      Concordo que  “A felicidade é como a gota / De orvalho numa pétala de flor / Brilha tranqüila / Depois de leve oscila / E cai como uma lágrima de amor.” E parodiando um trecho de Nunca aos Domingos, embora procure em todo mundo,  não acharei outra inspiração  que tenha a magia do meu acervo sobre  concursos de Misses.
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - As canções de Ângela Vasconcelos, Miss Brasil 1964, e Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964

Daslan Melo Lima


          Na foto oficial em conjunto das candidatas ao título de Miss Universo 1964, onde todas as concorrentes posaram com maiôs Catalina, o destino fez com que duas mulheres maravilhosas ficassem lado a lado, Ângela Vasconcelos, Miss Brasil, e Kiriaki Tsopei, Miss Grécia,numa ensolarada manhã de julho, em Miami Beach, Flórida, Estados Unidos.  

Em Miami, Kiriaki Tsopei e Ângela Vasconcelos tornaram-se boas amigas. Kiriaki perguntou sobre Pelé e pediu a Ângela para cantar algumas músicas daquele filme bonito, Orfeu Negro. A paranaense atendeu e quis troco: “Agora cante algo de Nunca aos Domingos, mas em grego mesmo.” Seu pedido foi satisfeito. (Revista Manchete, 15/08/1964)

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 ORFEU NEGRO
           Orfeu Negro, drama ítalo-franco-brasileiro de 1959, dirigido por Marcel Camus (1912-1982), inspirado na peça Orfeu da Conceição, de Vinicíus de Moraes (1913-1980), ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro de 1960. A adaptação da peça, que por sua vez foi inspirada nas figuras da mitologia grega, Orfeu e Eurídice, ambientou a obra no Brasil, tendo como fundo uma comunidade carente do Rio de Janeiro, no período carnavalesco. No papel de Orfeu, o jogador de futebol brasileiro Breno Mello (1931-2008), e no de Eurídice, a atriz norte-americana Marpessa Dawn (1934-2008). No enredo, Eurídice fugiu do interior com medo de um homem que queria matá-la e  apaixonou-se por Orfeu. 


          Acredito que Ângela Vasconcelos tenha cantado para Kiriaki Tsopei a música A Felicidade, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim (1927-1994), uma das mais belas canções de Orfeu Negro.


Tristeza não tem fim, / Felicidade sim.
A felicidade é como a gota / de orvalho numa pétala de flor. / Brilha tranqüila, / depois de leve oscila / e cai como uma lágrima de amor.
A felicidade do pobre parece / a grande ilusão do carnaval. / A gente trabalha o ano inteiro / por um momento de sonho / pra fazer a fantasia / de rei ou de pirata ou jardineira, / e tudo se acabar na quarta feira.
Tristeza não tem fim, / Felicidade sim.
A felicidade é como a pluma / que o vento vai levando pelo ar. / Voa tão leve, / mas tem a vida breve / precisa que haja vento sem parar.
A minha felicidade está sonhando / nos olhos da minha namorada. / É como esta noite / passando, passando,/ em busca da madrugada. / Falem baixo, por favor , / pra que ela acorde alegre como o dia, / oferecendo beijos de amor.
Tristeza não tem fim, / Felicidade sim.

NUNCA AOS DOMINGOS

         Nunca aos Domingos, comédia-dramática dirigida por Jules Dassin (1911-2008),  em 1960, protagonizada por sua esposa Melina Mercouri (1920-1994), enfoca a amizade entre Ilya, uma prostituta grega,  e Homer Thrace, um escritor americano, vivido por Jules Dassin, que tenta mudar a maneira dela encarar a vida. Ilya é feliz do seu jeito, pois não há uma fórmula para a felicidade, e nos braços de Tonio, personagem de George Foundas (1924-2010), ela recupera sua alegria de viver. O filme deu a Melina Mercouri a satisfação de ver seu nome indicado ao Oscar de Melhor Atriz e a emoção de ser premiada como Melhor Atriz do Festival de Cannes de 1960. Nunca aos Domingos, canção-tema do filme, letra e música de Manos Hadjidakis (1925-1994) ganhou o Oscar de Melhor Canção de 1961.

          Acredito que Kiriaki Tsopei, que foi eleita Miss Universo e adotou o nome artístico de Corinna Tsopei,  tenha cantado para Ângela Vasconcelos exatamente a linda canção Nunca aos Domingos, abaixo na versão em português, como aparece nas legendas do filme.


Desde minha janela, envio beijos. / Um e dois e três e quatro. / E ao porto vêm uma e duas e três e quatro aves.

Quero ter um e dois e três e quatro filhos. / Quando se converterem em homens serão o orgulho de Piraeus. / Embora procure em todo mundo, / não acharei outro porto que tenha a magia de meu porto de Piraeus. / Quando chega o crepúsculo, o porto me encanta. / E os homens jovens e os ecos das canções enchem meu porto de Piraeus.

Não há ninguém que passe à porta  por quem não tenha sentido amor. / E aqueles que vêm de manhã  encherão meus sonhos de noite. / E às jóias que adornam meu pescoço acrescento um amuleto de boa sorte. / E agora estou preparada para receber o estranho que vem do porto.

Embora procure em todo mundo, / não acharei outro porto que tenha a magia de meu Porto de Piraeus. / Quando chega o crepúsculo, o porto me encanta. / E os homens jovens e os ecos das canções enchem meu porto de Piraeus.

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         Na noite do domingo de Carnaval, desliguei-me totalmente da folia para recordar  o Miss Universo 1964,  através das revistas e dos  álbuns de recortes do meu acervo,  e para assistir mais uma vez Orfeu Negro e Nunca aos Domingos.  Entrei no Túnel do Tempo ao lado da Poesia, da Cultura e da Nostalgia,  tomei um banho de inspiração e aqui estou, nesta quarta-feira de cinzas de 2012, concluindo mais uma  Sessão Nostalgia.  
       Concordo que  A felicidade é como a gota / De orvalho numa pétala de flor / Brilha tranqüila / Depois de leve oscila / E cai como uma lágrima de amor.”   E parodiando um trecho de Nunca aos Domingos (Embora procure em todo mundo, / não acharei outro porto que tenha a magia de meu Porto de Piraeus), 
confesso : embora procure em todo mundo, não acharei outra inspiração  que tenha a magia dos antigos concursos de Misses.

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