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sábado, 28 de fevereiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Concurso Miss Pernambuco 1989

Daslan Melo Lima

          O concurso Miss Pernambuco 1989 foi um dos mais belos e prestigiados eventos já realizados para eleger uma pernambucana para competir ao título de Miss Brasil.



FICHA TÉCNICA


Local: Clube Português do Recife
Data: 11 de março de 1989
Promoção: Empresa Jornal do Commercio
Transmissão: TV Jornal
Coordenadores: Mucíolo Ferreira e Fernando Machado
Secretária/Chaperone/Coordenadora: Aurenice Marinho
Apresentação: Maria Rossiter e José Mário Austregésilo
Atrações musicais: Savinho, Beto Mi, Leonardo Sullivan e as alunas da Academia de Marlene Vilarinho
Comissão julgadora: Sílvia Couceiro Cavalcanti (presidente do júri), Bruno Ribeiro, Sérgio Moury Fernandes, Mário Gil Rodrigues Neto, João Alberto Sobral, Assis Farinha (proprietário das lojas Ele & Ela Modas, doador de 1 mil cruzados em roupas para a primeira colocada), Paulo Sérgio Contador, Élder Lins Teixeira (dono da Agência de Turismo Frevo, que deu prêmios para a primeira e segunda colocadas), Édson Gomes Pinto, Marcílio Campos, Clarice Cavalcanti, Sônia Palácio Barros Correa, Laís Monte Teixeira, Rosa Guerra, Lília Santos, Glorinha Aguiar, Socorro Lyra, Ione Tavares, Yara Dubeux (criadora dos sapatos que as misses usaram durante o desfile de maiô) e Gracinha Guimarães
Apuração dos votos: Luísa Pessoa Leão e Fúlvio Rego Barros
Coreografia: Reinaldo Zimmermann (Foi dado destaque ao frevo, no ano em que se comemorava os 100 anos de criação do Clube Vassourinhas)
Maquiagem oficial: Maquiadores da equipe dos produtos Pierre Alexander
Cabeleireiros: Equipes lideradas por Moacir Freire e Almir da Paixão
A coroa: Uma peça valiosa de ouro, prata e zircone, criação de Isaías Leal
As faixas e o manto: Lenir Rodrigues foi a autora da faixa e do manto da Miss Pernambuco, assim como da faixa da Miss Simpatia. Os nomes eram bordados em fios dourados e o manto, arrodeado de arminho branco, era em veludo azul com um arco-íris, uma cruz e um sol no centro, evocando a bandeira de Pernambuco.

AS FINALISTAS


1º lugar: Ana Cristina de Medeiros, Miss Gravatá, 18 anos, 1,77 de altura, 57 Kg, 84 cm de busto, 66 de cintura, 94 de quadris, 59 de coxas e 21 de tornozelo. .
Prêmios: Uma viagem à Cuba, oferta das empresas Unique Travel e Trevo; uma viagem a São Paulo, promovida pela Agência Luck; um colar de pérolas, ouro branco e brilhantes, oferta da Empresa Jornal do Commercio , e 1.000 cruzados em roupas da loja Ele & Ela Modas;
2º lugar: Rosivan Rodrigues da Silva, Miss Petrolina, 1,70 de altura, 54 Kg, 89cm de busto, 65 de cintura, 91 de quadris, 55 de coxas e 20 de tornozelo.
Prêmios: uma excursão de dez dias pelo sul do país, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, oferta das empresas Excursões São José e Frevo; um conjunto de jóias de Clementina Duarte e uma viagem Recife-Belo Horizonte, oferta da Varig;
3º lugar: Andréa Castro Leicht, Miss Clube dos Oficiais da Polícia Militar de Pernambuco, 1,73 de altura, 52 kg, 90cm de busto, 64 de cintura, 91 de quadris, 53 de coxas e 22 de tornozelo.
Prêmio: Uma viagem a Salvador, oferta da Banorte Turismo, e hospedagem no Hotel Quatro Rodas, oferta de Francisco Esteves.


Rosivan Rodrigues da Silva, Ana Cristina de Medeiros e Andréa Castro Leicht, as três mais belas pernambucanas de 1989


4º lugar: Gilcéia de Queiroz Nascimento, Miss Vitória de Santo Antão;
5º lugar: empate, Roberta Cristina Dantas de Almeida, Miss Limoeiro, e Andréa Carolina Veras, Miss Moreno;
6° lugar: empate, Paola Bertole Silva Neto, Miss Camaragibe, e Marta Magna Tavares de Lira, Miss Santa Cruz Futebol Clube;
7º lugar: Mione de Fátima Varejão Cortizo, Miss Jaboatão, a mais alta, 1,83m de altura;
8º lugar: Patrícia Maria Pereira Zarzar, Miss Clube Português do Recife.


AS DEMAIS CONCORRENTES
Miss Arcoverde, Cleonice Araújo, 
eleita Miss Simpatia. Prêmio: uma viagem a Maceió, oferta da Pantur;
Miss Banorte, Nádia Santana;
Miss Bonito, Anne Pessoa;
Miss Caixa Econômica Federal, Ana Paula Battistella
Miss Caruaru, Valéria Verardi;
Miss Iate Clube, Ioni Okuda;
Miss João Alfredo, Ana Paula Melo;
Miss Olinda, Tânia Rodrigues;
Miss Paulista, Fernanda Jordão;
Miss Pesqueira ,Betânia Melo;
Miss Rodoviário, Fátima de Oliveira
Miss São Lourenço, Ana Dolores Carneiro Leão
Miss União Esporte Clube de Apipucos, Rosilda Ferreira.
Miss Vassourinhas, Graceani Misseno.



DETALHES

          Um dos momentos mais emocionantes do concurso foi aquele em que surgiram na passarela seis Misses Pernambuco:
Zaíra Pimentel, Miss Pernambuco 1957;
Maria Eunice Mergulhão, Miss Pernambuco 1968;
Enilda de Sá Barreto Kretzmar, Miss Pernambuco 1973;
Rita de Cássia Spencer Pedrosa, Miss Pernambuco 1981;
Mônica Lima Veloso, Miss Pernambuco 1983;
Simone Augusto, Miss Pernambuco 1985 e Miss Brasil Mundo 1987.

          Cada uma delas, portando uma bengala para fazer a marcação, no melhor estilo Maria Augusta, da Socila, lideravam grupos de quatro candidatas.


Zaíra Pimentel, Maria Eunice Mergulhão e Enilda de Sá Barreto Kretzmar


Rita de Cássia Spencer Pedrosa, Mônica Lima Veloso e Simone Augusto



          Alguns dos mais famosos nomes da moda em Pernambuco assinaram os vestidos das concorrentes ao Miss PE 1989, entre eles: Lenir Rodrigues, Paulo Carvalho, Alexandre Filho, Carlos Costa, Ferreirinha, Ricardo de Castro, Airton e Giovani. Vestidos clássicos, em seda francesa, nos tons vermelho, preto, azul e branco, a maioria com tules e com pedrarias na dose certa. As maiores torcidas organizadas eram as das Misses Jaboatão, Gravatá e Petrolina.


EPÍLOGO


          Eu estava lá, no Clube Português do Recife, naquela noite de 11 de março de 1989, no meio de um público estimado em 10.000 pessoas. Cheguei cedo. Antes dos portões abrirem, percebi uma agitação ao redor. Era a belíssima negra Ana Maria Guimarães, Miss Pernambuco 1988, uma verdadeira deusa de ébano, que estava chegando. Consegui driblar minha timidez e pedi um autógrafo.
          Daquele concurso, guardo a imagem de várias garotas maravilhosas.
Fiquei indeciso entre torcer por Ana Cristina de Medeiros, Miss Gravatá, a vencedora, com seu charme e desenvoltura, e Andréa Castro Leicht, Miss Clube dos Oficiais da Polícia Miliar de Pernambuco, com sua classe e tranqüilidade, que acabou ficando com o terceiro lugar.



          E entre outras lindas concorrentes estavam: Roberta Cristina Dantas de Almeida, Miss Limoeiro, e Andréa Carolina Veras, Miss Moreno, empatadas em quinto lugar, além de Betânia Melo, Miss Pesqueira, que lembrava Suzy Rêgo, Miss Pernambuco e vice-Miss Brasil 1984. Betânia Melo seguiu carreira de modelo e participou de grandes desfiles de moda na Europa.



          O ano de 1989 foi o último do que se convencionou chamar de era Sílvio Santos, iniciada em 1981, quando os Diários e Emissoras Associados deixaram de promover o concurso Miss Brasil.
         Benza-te Deus, Ana Cristina, dizia a chamada da primeira página do Jornal do Commercio, Recife, de 13/03/1989, de onde reproduzi as fotos de Aluíso Arruda e Geraldo Guimarães que ilustram esta matéria.
          Benza-lhes Deus, jovens que participaram do maravilhoso e inesquecível Miss Pernambuco 1989.


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sábado, 14 de fevereiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MIRTA MASSA, UMA RAINHA EM NEW YORK

Primeira semana do mês de junho de 1967. A revista Manchete, edição de 03/06/1967, estava nas bancas de todo o Brasil trazendo na capa uma morena linda de olhar profundo e sorriso enigmático, uma Mona Lisa dos tempos modernos, guardando as devidas proporções.
As chamadas da capa faziam referências ao Japão; ao livro Sangue Frio, de Truman Capote; ao oitavo capítulo de um livro de Carlos Lacerda; a um inquérito surpreendente sobre a mulher brasileira na moda e às confissões de um criminoso de guerra que confessava porque não tinha matado Hitler.
Curiosas chamadas, com certeza, mas foi o rosto lindo da argentina Mirta Teresita Massa, Miss Beleza Internacional 1967, que deve ter feito a famosa revista bater recorde de vendas.



DO ALTO DA GLÓRIA, UMA RAINHA EM NOVA IORQUE – Para uma argentina de 19 anos, Nova Iorque é um sonho emocionante. Principalmente se ela traz a força da juventude e sabe que é bela.
Mirta Massa não tem dúvidas, a esse respeito: um severo júri a escolheu Miss Beleza Internacional de 1967, em Long Beach. Com o prêmio, Mirta ganhou uma viagem pelos Estados Unidos e escolheu Nova Iorque como o ponto de partida de uma aventura inesquecível.

Ela foi à Broadway, fez compras na Macy’s, voltou à infância no Central Park e se entusiasmou com o Empire State.
“É impressionante ver como a altura dos edifícios toca os nossos corações” – disse a jovem Mirta, que, apesar de tudo, confessou já ter saudades dos pampas e do tango.

(Sergio Alberto, revista Manchete, 03/06/1967)

O concurso Miss Beleza Internacional 1967 foi realizado em Long Beach. Quarenta e seis jovens, oriundas de várias partes do mundo, disputaram o cobiçado título.
O Brasil foi representado por Virgina Barbosa de Souza, semifinalista, Miss Minas Gerais 1966, quarta colocada no Miss Brasil 1966.
Aqui, vale a pena uma observação. O Miss Beleza Internacional de 1966 não foi realizado. Como o certame de 1967 aconteceu em 29 de abril, antes do Miss Brasil 1967, caberia a Francy Carneiro Nogueira, Miss Ceará 1966, terceira colocada no Miss Brasil 1966, o direito de ir à Long Beach. France Carneiro, no entanto, casou antes de completar o seu reinado. Foi aí que Virgínia Barbosa de Souza, morena paraibana criada em Montes Claros-MG, ganhou a oportunidade de ser a Miss Brasil do Miss Beleza Internacional 1967.

Mirta Massa passou na frente de fortes candidatas, tais como Miss Israel, Yaffa Sharir, segundo lugar; Miss Estados Unidos, Pamela Elfast, terceiro lugar; Miss Peru, Martha Quimper Suárez, quarto lugar, e Miss Hong Kong, Gisella Ma Ka-Wai, quinto lugar.

Mirta Massa tornou-se uma das mulheres mais amadas da Argentina. O país inteiro ficou consternado com a notícia de que ela teria morrido vítima de trágico acidente em 1999. Os argentinos só ficaram aliviados quando a imprensa esclareceu o equívoco, a mulher morta tinha o mesmo nome da sua querida rainha da beleza internacional.
Carismática e muito inteligente, Mirta Massa dedicou-se às artes plásticas. No campo amoroso, apaixonou-se pelo tenista profissional Guilermo Villas.

“Dos Cuerpos Recortados”, acrílico sobre tela, 100 x 90 cm, de Mirta Massa

Acredito que o pensamento de Mirta Massa voa para aquele dia em New York, quando entusiasmou-se com a altura do Empire State, todas as vezes que está pintando as suas belas, elogiadas e valiosas obras de arte.

“Cuerpos Proyectados”, acrílico sobre tela, 194 x 197 cm, de Mirta Massa


Adaptando o texto de Sérgio Alberto para 2009, eu digo assim: Para uma argentina de 61 anos, voltar a Nova Iorque é um sonho emocionante. Principalmente se ela traz a sabedoria da maturidade e sabe que é bela.

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sábado, 7 de fevereiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - LIA PIRES DE CASTRO, A GRACE KELLY DO CEARÁ

Daslan Melo Lima

      Hotel Quitandinha, Petrópolis, 22 de junho de 1957. Era quase meia noite e o público impaciente queria que o concurso Miss Brasil 1957 começasse, pois a festa tinha sido agendada para ter início às 21 horas. Alguém teve a idéia de protestar pelo atraso jogando um balde de gelo em direção do palco e uma das pedras atingiu a testa de Clóvis Salgado, Ministro da Educação, membro da comissão julgadora. Enfim, vinte lindas jovens entraram na passarela e os aplausos entusiasmados invadiram o espaço.


As torcidas organizadas estiveram a postos. Miss Minas Gerais foi a mais aplaudida, e os aplausos vinham principalmente das galerias, onde mais se concentrou a colônia mineira. 
Miss Ceará teve sua torcida liderada pelo Ministro Parsifal Barroso, Governador Paulo Sarazate e Deputado Carlos Jereissati, todos numa só mesa, com as famílias.  
(Revista Manchete, 29/06/1957)

     Naquele 22/06/1957, uma nordestina encantou o Brasil, Lia Pires de Castro, Miss Ceará.
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Lia Pires de Castro na passarela do Náutico Atlético Cearense, Fortaleza-CE, 11/05/1957, eleita Miss CE 1957 representando os clubes elegantes unidos da capital cearense. 


Lia Pires de Castro, Miss Ceará 1957, vestindo o maiô Catalina com o qual desfilou no Quitandinha. (Manchete, 06/07/1957). 
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A cearense Lia Pires de Castro tinha um rosto que lembrava as fisionomias de Grace Kelly e Ingrid Bergman. Em certas ocasiões, o público aplaudia Lia e gritava pelo nome de Grace Kelly. 
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      A responsabilidade de eleger a Miss Brasil 1957 coube a uma comissão julgadora composta pelas seguintes pessoas : Clóvis Salgado, Ministro da Educação; Herbert Moses, presidente da Associação Brasileira de Imprensa; Accioly Neto, teatrólogo e diretor da revista O Cruzeiro; Maria Helena Raja Gabaglia, socialite ; Mena Fiala, modista; Francisco Olympio de Oliveira, diretor dos Laboratórios Leite de Rosas; Carlos Machado, empresário da noite carioca; Alfred Bluhm, presidente da indústria de maiôs Catalina; Harry Stone, vice-presidente da Motion Picture Association para a América Latina, considerado embaixador de Hollywood no Brasil; Jacinto de Thormes, cronista social; e Reinaldo Reis, Chefe de Gabinete do Prefeito do Distrito Federal.

      Lia Pires de Castro ficou em 4º lugar no Miss Brasil 1957, concurso que deu o 1º Lugar a Terezinha Gonçalves Morango, Miss Amazonas, que em Long Beach conquistou o segundo lugar no Miss Universo. As demais finalistas do Miss Brasil 1957 foram: Maria Dorotéia Antunes Neto, Miss Minas Gerais, 2º lugar; Sandra Hervê, Miss Rio Grande do Sul, 3º Lugar; e Karin Japp, Miss Paraná, 5º lugar.
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Grace Kelly (1919-1982)
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Lia Pires de Castro, acima, a mistura brasileira perfeita de Grace Kelly e Ingrid Bergman. (Foto-reprodução da Revista do Globo, acervo de Evandro Silva). 


Ingrid Bergman (1915-1982)________ 
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      Lia Pires de Castro, Miss Ceará 1957, quarta colocada no Miss Brasil 1957,  a Grace Kelly do Ceará, não tornou-se estrela de cinema e não casou com nenhum príncipe. Bastou sua beleza, sua classe e a aura mágica de um título de Miss para ganhar um lugar eterno nos corações dos cearenses.


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sábado, 31 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MISS DISTRITO FEDERAL 1959, UM SONO SEM SONHOS

Rio de Janeiro, 13 de junho de 1959. A cidade vivia seu último ano na condição de capital do Brasil. Naquela noite, no Maracanãzinho, vinte e duas jovens desfilavam na longa passarela de 124 metros em busca do titulo de Miss Distrito Federal, que no ano anterior tinha sido conquistado por Adalgisa Colombo, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958. Aliás, Adalgisa Colombo não passou a faixa para sua sucessora. Meses após ter voltado de Long Beach, ela renunciou para casar com Jackson Flores. A Miss Distrito Federal 1959 recebeu a faixa das mãos do Prefeito Sá Freire Alvim.
As fotos que ilustram esta matéria foram reproduzidas da revista O CRUZEIRO, de 27/06/1959.

Um quarto do estádio foi ocupado por apreciadores das belas federais. Não faltaram à festa dos Diários Associados, sob o patrocínio dos refrigeradores Gelomatic, as torcidas organizadas. Estas, aliás, funcionaram como preliminar do concurso. As mais ruidosas foram as do Flamengo e de Vila Isabel. Parece mesmo que a Vila tinha a seu lado metade dos espectadores.

Mascarenhas e seus acordeons tiveram a sua vez, com bailados exóticos e números alegres. Também a Banda Municipal executou dobrados, sob o olhar discreto do Prefeito Sá Freire Alvim. Centenas de garçons faziam acrobacias, com bandejas em compasso de cai não cai, por entre mesas, onde fervilhavam palpites. Não raro alguém perdia a calma (nas arquibancadas), sendo necessários os argumentos dos Cosme e Damião, felizmente sem maiores conseqüências. O nome de uma ou outra candidata fazia parte do coro das claques, que agitavam bandeiras dos clubes ali representados.

Todo o Rio, pelo rádio e pela TV Tupi (exclusiva) assistiu aos lances da noitada. Foi o toque lírico, no noturno boêmio da cidade. Uma festa que vai virar saudade. Uma ducha de higiene mental, agradável e diferente. Um romântico sonho de curvas, sob a batuta do belo, por excelência.

Um júri eclético funcionou no Maracanãzinho. Mediu, calculou, decidindo por detalhes mínimos. Levou mais de uma hora para dar o seu veredicto. Estava assim formado o staff de selecionadores da beleza carioca: Sras. Mena Fialho, Heloísa Amado e Eunice Modesto Leal e os Srs. Álvaro Americano, Henrique Pongetti, Leão Veloso, H.S. Nazareth, Milton d´Ávila , Abellard França, Julie Kaus e Edílson Varela. Seria desnecessário dizer que esta equipe soube escolher as mais bonitas de um leque realmente esplêndido de candidatas.

(Revista O CRUZEIRO, 27/06/1959)


Na foto acima, da esquerda para a direita: Vanja (4º lugar), Denise (2º lugar), Vera (1º lugar), Claudette (3º lugar) e Marcli (5º lugar)




1º Lugar: Vera Regina Ribeiro, Miss Vila Isabel, que depois seria eleita Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1959.
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2º Lugar: Denise Rocha de Almeida, Miss Flamengo. Denise voltou a desfilar no Maracanãzinho, em 1963, na condição de Miss Brasília, onde ficou em quarto lugar.
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3º Lugar: Claudette Martins Moraes, que tinha sido eleita a mais bela funcionária civil.
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4º Lugar: Vanja Nobre Jacob, Miss Botafogo, natural do Amazonas. Vanja disputou o Miss Brasil no ano sequinte, representando o estado onde nasceu, e obteve o sétimo lugar.
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5º Lugar: Marcli Rosseti dos Guimarães, Miss Clube Militar. Semanas antes, ela e Marta Garcia, vice-Miss Clube Militar, tinham concorrido ao Miss Brasília, ocasião onde ficou em segundo e Marta em primeiro lugar.











Vera recebeu a vitória como um deslumbramento. Mal cabia no seu maiô Catalina. Gastou abraços e autógrafos e dedicou aos seus pais e ao clube da Vila a sua vitória. Entrevistada por nós, foi logo respondendo a todas as perguntas. Disse que não acreditava na faixa, apenas um lugarzinho entre as finalistas. Para Vera havia uma Miss bem linda no desfile: Denise, a do Flamengo.
Verinha acha difícil dizer o que sentiu, de verdade, ao ser coroada. Indagada sobre os seus planos, ela respondeu:
“Ficarei no Rio, trabalhando normalmente na Caixa Econômica”, onde é funcionária.
Terminou tudo com um desabafo de Miss sem poses:
“Hoje irei á festa do clube. Tomarei com os meus amigos uma taça de champanha. E depois dormirei até ao meio dia de domingo. Dormirei um sono total, sem sonhos. Mesmo porque o sonho foi vivido na passarela.”

(Revista O CRUZEIRO, 27/06/1959)



Vera Ribeiro talvez nem tenha se dado conta da profunda declaração que deu à equipe de O CRUZEIRO: Dormirei um sono total, sem sonhos.
Eu acredito que ela tenha tido esse sono. Sem dúvida, o sonho foi vivido na passarela.

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sábado, 24 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - KALLOS IRSATE! KIRIAKI, UM DOMINGO NO BRASIL

Daslan Melo Lima

      A grega Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, sucessora da brasileira Ieda Maria Vargas no trono de mulher mais bela do mundo, esteve no Brasil poucas semanas após ter sido coroada Miss Universo.

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Kiriaki, que em bom brasileiro quer dizer domingo, chegou a São Paulo numa sexta-feira, e deu início ao programa de pouco descanso desta sua visita ao Brasil, primeira que faz como Miss Universo1964 a um país fora dos Estados Unidos.
A sua frase, por assim dizer, de prefácio às declarações que viriam a seguir, foi a de que “os brasileiros são um povo muito gentil”.
Ela sabia disso desde os seus contatos com os conterrâneos de Miss U-63 ainda no país que lhe dera a faixa, a coroa e o título de “a mulher mais bela do mundo”. E, já no Aeroporto de Congonhas, Kiriaki Tsopei encontrou a prova dessa gentileza, com gente muita à sua espera e aplauso muito pela sua chegada.

Miss Universo 1964 veio ao Brasil especialmente para desfilar (Kiriaki é modelo profissional) na VII Feira Nacional da Indústria Têxtil, o que fez com Ieda Maria Vargas, Ângela Vasconcelos e as Misses Pernambuco, Sergipe, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. O programa, mais do que exaustivo, começou com uma visita ao Governador Adhemar de Barros que interrompeu um almoço com o cônsul da Alemanha.(Kiriaki chegou com três horas de atraso) para receber a bela visitante.


Depois, sempre na companhia de Ieda e Ângela, enfrentou coquetel e entrevista coletiva, com resposta às perguntas tradicionais de “que acha do Brasil?”, “já tem noivo?” etc. Disse que, antes do concurso, só sabia do Brasil coisas como Pelé, Corcovado e café. O resto do conhecimento viera dos contatos com as misses que tinha o país presente em Miami.


Além dos desfiles da FENIT, que foram cinco, Kiriaki teve que cumprir inúmeros compromissos, entre os quais posar para fotos de publicidade e comparecer a coquetéis promocionais. No sábado à tarde, entre um coquetel e um desfile, ela dormiu durante quinze minutos num divã da administração da Feira. Como não tivera tempo para o cabeleireiro, providenciaram-se retoques rápidos em seu penteado, com os grandes olhos da moça refletindo-se, cansados, no espelho de um banheiro. Minutos a seguir, Kiriaki sorria, como rainha, para os convidados de um coquetel.

Parte do programa de domingo (Kiriaki em grego) teve de ser sacrificada, pois ela não perde missa nesse dia, se no lugar onde estiver houver uma igreja ortodoxa.
Em São Paulo havia. E Kiriaki foi ao Brás, com atraso suficiente para fazê-la chegar à igreja depois de terminada a missa.
O Padre Papadakis, entretanto, a recebeu com uma benção especial, em meio ao alvoroço dos fiéis, que gritavam “Kallos irsate!” (Seja bem-vinda!), enquanto o sacerdote dizia que abençoava não o seu corpo, mas a eternidade de seu espírito.

Na entrevista coletiva, Kiriaki disse que não gosta de se chamar Kiriaki. “Gostaria mesmo era de me chamar Korina”, explicou, embora sem acrescentar o motivo.A um repórter que perguntou se ela pretendia “restaurar” o domínio da beleza clássica grega durante o seu reinado como Miss Universo, limitou-se a uma palavra: “Certamente”.
Estetas presentes, entretanto, consideraram que nenhuma mulher que tivesse as linhas clássicas ganharia o concurso que deu o título a Kiriaki Tsopei.

_______Reportagem de George Torok e Ronaldo Moraes - Revista O CRUZEIRO, 12/09/1964)


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      Cansaço e atrasos inevitáveis fizeram parte da primeira visita de Kiriaki Tsopei ao Brasil, mas ela soube conquistar a todos com sua classe e simpatia. Foi lindo o seu exemplo de religiosidade, ao fazer questão de não perder a missa daquele domingo brasileiro de 1964.
      Hoje, com certeza, na tranqüilidade dos seus domingos gregos, Kiriaki Tsopei, Miss Universo 1964, deve se lembrar daqueles gritos dos fiéis da Igreja Ortodoxa do bairro do Brás, na capital de São Paulo: Kallos Irsate ! E também da benção do Padre Papadakis que abençoou não o seu corpo, mas a eternidade de seu espírito.

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sábado, 17 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Gerti Daub no verão brasileiro de 1958

Daslan Melo Lima




          Gerti Daub, Miss Alemanha, era a favorita absoluta ao título de Miss Universo 1957, mas a comissão julgadora deu-lhe apenas o título de Miss Fotogenia e o quinto lugar, ficando assim o quadro das cinco finalistas, por ordem de classificação, do primeiro ao quinto lugar: Gladys Rosa Zender Urbina, Miss Peru; Teresinha Gonçalves Morango, Miss Brasil; Sonia Hamilton, Miss Inglaterra; Maria Rosa Gamio Fernández, Miss Cuba; e Gerti Daub, Miss Alemanha.
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O público vaiou a colocação de sua favorita. Só mesmo a invocação da democracia feita pelo locutor, pode conter a vaia que explodiu no Auditorium de Long Beach, ao ser anunciado que a quinta colocação coubera a Gerti Daub, Miss Alemanha, favorita absoluta para o título de Miss Universo. 

Os quatro mil espectadores da última etapa do concurso já haviam tido uma surpresa com a inclusão de Miss Peru e de Miss Inglaterra entre as finalistas, mas ninguém admitia a hipótese de Gladys Zender vir a ser a nova Miss Universo. 

Anunciada a classificação final, Gerti declarou a MANCHETE: “ Só desejo uma coisa: voltar para casa.” Pouco depois, uma senhora americana entregou-lhe um buquê de rosas vermelhas e os claros olhos da bela Gerti turvaram-se de lágrimas.

- Manchete, 03/08/1957

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         Em janeiro de 1958, Gerti Daub visitou o Brasil e foi muito assediada pelos fãs e pela imprensa, tendo sido capa da revista Manchete, foto acima. 

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Em dois dias, Gerti Daub passou de 20 graus abaixo de zero a 40 graus acima. O termômetro marcava 20 graus abaixo de zero em Hamburgo, a semana passada, quando Gerti Daub, Miss Alemanha, uma loura de 20 anos, nascida na Holanda, tomou o avião da Lufthansa para o Brasil. Dois dias depois, ela enfrentava, de bom humor, o verão brasileiro.

- “Nem Rommel,com seu Afrikakorps “ - disse ela em Porto Alegre - “resistiu a tanto calor.”

Em Porto Alegre, festejada pela colônia alemã, a moça loura (que fez versos quando menina e gosta de sanduíches “hamburger”) comeu churrasco à gaúcha e tomou chimarrão. 

Gerti, que é contra o maiô de duas peças - “perigoso por causa do sol” – ao chegar ao Rio, quis ir à praia sem que a vissem. Ela gosta de ir à praia, não gosta de tomar banho de mar. “Água do mar estraga o cabelo”, e cabelo de Miss é arma importante. Gerti queria uma praia sossegada, uma praia de pouca gente. E, sinal dos tempos (tempos de ressaca), foi ao Arpoador. Arpoador é a praia que o mar comeu (Praia de Iracema do Rio, Olinda da Zona Sul ), uma faixa de areia – cinco metros se muito – espremida entre o mar e o paredão. A solidão de Gerti, no Arpoador, não durou cinco minutos. Apareceram mocinhas pedindo autógrafos. No Rio, mocinhas que pedem autógrafos às vezes falam alemão.



E Gerti, que é branca e frágil, não pôde estar só em suas andanças no Rio. Uma caravana de gente levou-a ao Pão de Açúcar (ela viu de longe o bondinho, e pediu de dedo em riste: “Quero ir lá”). Outra caravana cercou-a no jantar-dançante do Copacabana Palace.

Com sua pequena máquina fotográfica e um saco de filmes coloridos, está reunindo um documentário sobre o Rio para mostrar às amigas de Hamburgo. 
Trabalhou em uma fita alemã, “O Coração de São Paulo” (São Paulo é um bairro de Hamburgo), mas já não quer negócios com o cinema.
- “Não gosto de cinema como profissão. Gosto de cachorros e automóveis.”

Um amigo alemão (residente no Rio) levou Gerti à praia, passou-lhe óleo nas costas, levou-a até a arrebentação das ondas e logo tiveram que se retirar porque o sol, forte, ameaçava a pele da moça pouco afeita ao calor do trópico.
De óculos escuros, Gerti olhou em volta e, quando viu que havia muita gente esperando os autógrafos, assinou meia dúzia de papeizinhos e foi-se para o hotel em busca de sossego.

- O Cruzeiro, 25/01/1958

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            Encontrei recentemente na Internet uma  foto atual de Gerti Daub, através do seu site http://www.gertihollmann.de/http://www.gertihollmann.de/, linda, elegante, em ótima forma, transmitindo simpatia, vitalidade e felicidade. 
         Imagino que ainda guarda ótimas recordações daquele verão brasileiro de 1958.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - O SONHO FRUSTRADO DE CAROL MORRIS

Julho de 1957. Enquanto os jornalistas e fotógrafos do mundo inteiro dirigiam suas atenções para as jovens que disputavam o título de Miss Universo, na borda da piscina de um hotel em Long Beach, uma garota linda passava quase despercebida. Seu nome: Carol Morris, a norte-americana que no ano anterior havia conquistado o título máximo da beleza universal.



Carol Morris, Miss Universo de 1956, terminou seu reinado sem esconder uma ponta de melancolia, apesar de ter recebido do público e dos atuais patrocinadores do concurso todas as manifestações de carinho devidas à sua alta dignidade de soberana da beleza universal.
A cerimônia do encerramento oficial de seu reinado foi a mais comovente de quantas se realizaram este ano em Long Beach.
Surgindo sozinha sob um foco de luz intensa no enorme auditório às escuras, Carol dirigiu-se com solenidade para o centro do palco, onde pronunciou seu discurso oficial de despedida, enquanto seus súditos (todos, nós, afinal) se conservavam em profundo silêncio.
Realmente majestosa sob o tradicional manto debruado de arminho, Carol caminhou depois, lentamente, para um globo enorme que girava no fundo do palco, atrás do qual desapareceu.
Em todas as solenidades de que participou, Carol não conseguiu dissimular sua decepção que se soube depois ter sido motivada pela quebra de compromissos de um antigo patrocinador do concurso, que lhe havia prometido um contrato em Hollywood (era um dos prêmios à vencedora do ano passado) até hoje sem cumprimento.
A despeito de sua indisfarçável amargura, Carol soube sorrir quando convinha, tendo-se comportado como verdadeira rainha ao transferir para sua sucessora os símbolos de seu curto e triste reinado.

(Revista MANCHETE, 03/08/1957)

Um contrato em Hollywood era o desejo maior de Carol Morris. Seu sonho frustrado diluiu-se no tempo. Restou a realidade mágica de ter sido Miss Universo 1956.

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sábado, 3 de janeiro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - MIRIAM STEVENSON, DUAS POLEGADAS A MENOS

A baiana Marta Rocha perdeu o título de Miss Universo 1954 para a norte-americana Miriam Stevenson por causa de duas polegadas a mais nos quadris, algo equivalente a cinco centímetros, uma história que já foi contada milhares de vezes em verso e prosa.

Miriam Stevenson, foto abaixo, desembarcou no Brasil em fevereiro de 1955, em plena atmosfera carnavalesca, quando um dos maiores sucessos do carnaval era a marchinha de Pedro Caetano e Carlos Renato que dizia:
Por duas polegadas a mais / passaram a baiana pra trás / Por duas polegadas a mais e logo nos quadris / Tem dó, tem dó, seu juiz.





MIRIAM E SUAS DUAS POLEGADAS (A MENOS) - Com uma calorosa recepção em Belém do Pará, onde populares, açodados, romperam os cordões de isolamento com que a polícia procurou resguardá-la do excesso de curiosidade (e de mão-boba), pisou o solo brasileiro Miriam Stevenson, eleita Miss Universo no concurso do ano passado, em Long Beach, o mesmo que deu à nossa Marta Rocha o título de segunda beleza do mundo. No Rio, a jovem americana teve recepção discreta, porque desembarcou muito cedo, antes das sete horas da manhã. Confessou a sua emoção em conhecer o Brasil e quer ver de perto o Carnaval. Bem trajada (vestido pesado, impróprio para o verão), simpática, desenvolta, Miriam foi recebida pelo Presidente da República e deu entrevista à imprensa. Duas polegadas a menos (de quadris) deram-lhe a vitória sobre Marta Rocha, e agora, juntas, o carioca está comparando as duas beldades. (Revista MANCHETE, 19/02/1955)

























Acima, em fotos de MANCHETE, Miriam Stevenson, à esquerda, duas polegadas a menos nos quadris, e Marta Rocha, à direita, duas polegadas a mais nos quadris. Uma história que ainda é cantada em verso e prosa, como nesta primeira SESSÃO NOSTALGIA de 2009.

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sábado, 27 de dezembro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - AS HERDEIRAS DO TRONO

Daslan Melo Lima

      Abril de 1964. Eis o título de uma enquete realizada entre jornalistas cariocas: "Qual a reportagem que você gostaria de escrever?" Resposta de um deles: - A eleição da filha de Marta Rocha como Miss Brasil.

      O assunto inspirou a matéria As Herdeiras do Trono, de Odacir Soares, com fotos de Aldyr Tavares, publicada na revista MANCHETE, de 02/05/1964, focalizando cinco misses com suas filhas. As misses eram: Iolanda Pereira, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1930Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954Emília Corrêa Lima, Miss Ceará, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1955Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957Vera Lúcia Saba, Miss Guanabara, terceira colocada no Miss Brasil 1962, representante brasileira no Miss Mundo 1962.
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O BROTO JANE MARIA TEM TRADIÇÃO UNIVERSAL - Vânia, a filha mais velha de D. Iolanda Pereira Souto de Oliveira, Miss Universo 1930, não pode participar de concursos de beleza: casou-se, há pouco, com um oficial da FAB. Mas Jane Maria, a menor, tem autêntica beleza de miss, embora não almeje tal título. Ela tem 17 anos, olhos e cabelos negros, lê muito e escreve poesia. D. Iolanda é casada com o Brigadeiro do Ar Homero Souto de Oliveira, comandante da 1ª Zona Aérea.
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MARTA NÃO QUER QUE SUA FILHA SEJA MISS - Marta Rocha e Ronaldo Xavier de Lima são unânimes: "Nossa filha, Claudinha, não será miss em hipótese alguma." Os irmãos da menina, Álvaro Luís e Carlos Alberto, de sete e de seis anos, têm, desde já, a mesma opinião. A pequena Cláudia, entretanto, a todos parece desmentir com a sua beleza.
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MARÍLIA DE EMÍLIA QUER SER MISS BRASIL - Em 1955, uma professora do Ceará surpreendeu o país, conquistando o título de Miss Brasil: Emília Corrêa Lima. No ano seguinte, ela já era esposa do Major Wilson Santa Cruz Caldas. Nelsinho, o primeiro filho, nasceu em Fortaleza. Depois veio Marília, linda menina de cabelos louros escorridos, que tem muitas amigas, vai à praia em Copacabana e escolhe seus próprios vestidos. "Quando crescer", afirma, "quero ser Miss Brasil".
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ANDREA, A PRIMEIRA FILHA DA SEGUNDA MAIS BELA DO MUNDO- Andréa tem menos de um mês e veio fazer companhia a Albertinho, primeiro filho de Teresinha Morango e Alberto Pittigliani. Nasceu forte e robusta, com longos cabelos negros e mais de três quilos. Os signos astrais do dia do seu nascimento vaticinam para a menina uma vida de fama e sucesso, idêntica, portanto, à da sua mãe, que já foi até a segunda mais bela do mundo.
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KÁTIA VIRGÍNIA HERDOU TODA A BELEZA DA MÃE - Vera Lúcia Saba, Miss GB de 62, encontrou o seu amor no Líbano. Casou-se, em Beirute, com o jovem cabeleireiro Georges Michel Kour. Kátia Virgínia nasceu no Rio, no dia 7 de setembro do ano passado, com mais de quatro quilos e mais de 50 centímetros. A menina vai ser batizada no dia do aniversário da mãe, em maio, e terá como madrinha Julieta Strauss, que também já foi miss. Vera está cada vez mais bonita e somente a filha lhe faz concorrência.
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      Maio de 1964. Eu era um menino e ficava apreensivo com o destino do Planeta Terra ao ler sobre o Golpe militar brasileiro, a Guerra do Vietnam... Ainda bem que a minha fé em DEUS e a minha coleção de recortes sobre misses, meu passatempo preferido, amenizavam minhas inquietações.

     Dezembro de 2008. Aquelas herdeiras ao trono não tiveram interesse em disputar um título de beleza e uma das misses focalizadas já partiu para outra dimensão, Iolanda Pereira, falecida em 04/09/2000.

     Neste último domingo pernambucano ensolarado de 2008, eu sou um homem maduro que fica apreensivo com o destino do Planeta Terra ao ler sobre os graves problemas ambientais, a violência... Ainda bem que a minha fé em DEUS e os assuntos sobre misses, meu passatempo preferido, amenizam minhas inquietações.

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sábado, 20 de dezembro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Aquele dezembro inesquecível de Marluci Manvailer

Daslan Melo Lima

         A data era 17 de dezembro de 1966. A revista Manchete, uma das mais importantes publicações brasileiras da época, circulava nas bancas de todo o País trazendo na capa a bela morena Marluci Manvailer Rocha, Miss Mato Grosso, segunda colocada no concurso Miss Brasil e quarta colocada no Miss Mundo 1966.





       Marluci Manvailer foi uma das misses brasileiras dos mágicos anos 60 a encher de orgulho os corações brasileiros. Pela ordem dos fatos, ei-las:

Vera Maria Brauner, vice-Miss Beleza Internacional 1961;
Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, quinto lugar no Miss Universo 1962;
Ieda Maria Vargas, eleita Miss Universo 1963;
Vera Lúcia Couto, terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964;
Maria Isabel Avelar Elias, quarto lugar no Miss Mundo 1964;
Sandra Rosa, quinto lugar no Miss Beleza Internacional 1965;
Marluce Manvailler, quarta colocada no Miss Mundo 1966;
Marta Vasconcelos, eleita Miss Universo 1968;
Maria da Glória Carvalho, eleita Miss Beleza Internacional 1968.



          Marluce Manvailler vivia em Ponta Porã, onde estudava para se tornar professora. Descendente de uma índia guarani, tinha 1,71 de altura, 57 quilos e a juventude dos seus 18 anos de idade. Com o destaque que ganhou em Londres, voltou ao Brasil determinada a ser manequim profissional e posou para a Manchete de 17 de dezembro de 1966, vestindo modelos da Sabrina Modas.
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          Estamos em 20 de dezembro de 2008. E assim se passaram 42 anos. Dentro desta atmosfera natalina, fico pensando numa bela senhora, realizada e feliz, chamada Marluci Manvailer, evocando aquele dezembro inesquecível de 1966.

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Leia também, Marluci Manvailer, Miss Mundo Brasil 1966