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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com

sábado, 14 de março de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - Julia Katia, a vedete do Miss Pernambuco 1976, na intimidade

Daslan Melo Lima   




  

    No dia 12 do mês passado, passei uma manhã ao lado de Julia Katia Araujo de Melo Lopes, ou simplesmente Julia Katia, uma das modelos mais famosas de Pernambuco nos anos setenta. Em maio de 1971, aos 15 anos, Julia Katia iniciou sua vitoriosa carreira que duraria até 1982, ao desfilar na FENIT, em São Paulo, a coleção da estilista mineira Lucia TavaresQuando Fernando Bandeira Diniz (coordenador geral do Miss Brasil Latina) convidou Julia Katia Araujo para representar o Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem no Miss Pernambuco 1976, onde foi semifinalista, ela já era  famosa nas passarelas dos desfiles de moda dos estilistas Marcílio Campos (1930-1991) e Paulo Carvalho. Notícia em todas as colunas sociais pernambucanas e até em revistas de circulação nacional; Manchete, Fatos & Fotos e Ele & Ela
Uma vez, ao telefonar para a jornalista Léa Pabst Craveiro (1935-1987), a fim de agradecer por ter sido focalizada em uma reportagem, Julia Katia ouviu a seguinte observação:  Julia, você é notícia. A imprensa tem que ir ao seu encontro. Você é a vedete de todas as coleções!  Ela é viúva de Mario de Melo Lopes (1922-1998), cirurgião buco-maxilo-facial do Hospital da Restauração e professor da Universidade Federal de Pernambuco, falecido em 07/06/1998, vítima da doença de Alzheimer. Por opção, Julia Katia não teve filhos.

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Desde que se submeteu a uma gastroplastia sem abdominoplastia, Julia Katia mora num flat, na praia de Boa Viagem, zona sul do Recife, enquanto aguarda a conclusão da reforma do seu apartamento, localizado no mesmo bairro. "Toby Marley, meu cachorro, não pode morar aqui comigo no flat. É uma pena!"
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Selfie ao lado da diva. Sempre sorridente, extrovertida e carismática, Julia Katia tem um astral impressionante e de vez em quando solta uma gargalhada, sonora, contagiante  e verdadeira. 
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O que se lê no quadro define bem sua personalidade. Julia Katia. Nome composto de origem latina e grega. Julia significa "cheia de juventude" e Katia "pessoa pura". Nome próprio de mulher cuja principal característica é a de ajudar o próximo. Dinâmica e com grande sabedoria, sempre vai atrás do que quer e não deixa que nada interfira em seus ideais. Tem tudo para ser feliz.
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"Adoro cílios postiços. Uso diariamente, desde quando comecei a desfilar. E por falar em misses, as minhas inesquecíveis continuam sendo Suzy Rêgo, Miss Pernambuco e vice-Miss Brasil 1984; Marta Jussara, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil e quarto lugar no Miss Universo 1979; e Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968.
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"Em cada canto, uma foto remete aos momentos felizes com meu eterno amor . Ele fazia questão que eu carregasse os seus dois sobrenomes: Melo Lopes. Sou muito feliz e grata a Deus por tudo que já vivi e aprendi. Não tenho o direito de reclamar de nada."
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"Sou muito ligada à família, tenho uma mãe maravilhosa, Nadeje; adoro meus irmãos, RicardoFernandoBianca e Fabíola;  e tenho um carinho especial por Thais, minha sobrinha-neta."
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Apos almoçarmos juntos, Julia Katia levou-me ao Aeroporto Internacional dos Gurarapes, onde eu pegaria o meu voo para passar o carnaval no Rio de Janeiro. Encontramos o nosso amigo jornalista Muciolo Ferreira, que também estava embarcando para a Cidade Maravilhosa. Muciolo tirou uns cocares da bolsa e pedimos para uma pessoa registrar aquele momento de descontração.  

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                  Durante o voo ficou passando um filme na minha memória. Eu era uma das 22 mil pessoas presentes no Ginásio de Esportes Geraldo de Magalhães Melo, no Recife, naquele maio de 1976, na noite do Miss Pernambuco, quando Matilde de Souza Terto levou para Serra Talhada o tricampeonato da beleza pernambucana. “É o tri, Serra Talhada!”, exclamou o apresentador. A imagem é forte na minha lembrança, mas há outra, a  atitude de Julia Katia Araujo, Miss Grupo Jovem e Artístico de Boa Viagem, recebendo aplausos e vaias por causa do seu biotipo e estilo de desfilar. Fugindo do padrão das misses tradicionais, ela desfilou com uma postura similar às modelos da atualidade. Linda, magérrima, foi classificada entre as dez semifinalistas e em momento algum ficou perturbada quando algumas pessoas mal educadas gritavam: Tra-ves-ti!
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No dia 23/10/2009, PASSARELA CULTURAL rendeu um tributo a Julia Katia. Vale a pena ler de novo. Basta um clique neste link,  

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segunda-feira, 9 de março de 2015

COMENDA ISNAR CABRAL DE MOURA, EDIÇÃO 2015

      


           No Dia Internacional da Mulher, cinco mulheres foram agraciadas com a comenda que leva o nome da timbaubense Isnar Cabral de Moura (1909-2014), jornalista, educadora e escritora. O evento, já em sua segunda edição, idealizado pela Funjader, Fundação Jáder de Andrade, em parceria com a Prefeitura de Timbaúba, tem  a missão de reconhecer o trabalho de personalidades femininas em sua áreas de atuação.        
          Tudo aconteceu durante um chá,  às 17 horas do domingo, 08, no Museu de Timbaúba, sede da Funjader.  Na foto, sentadas, da esquerda para a direita, as novas comendadoras:  Zorilda Chaves Araújo, Maria Lúcia Albuquerque Ferreira Lima, Maria Paula Queiroz Bandeira de Melo e Emília de Morais Melo. O professor José da Silva representou Maria Dulcimar Ferreira, ausente à cerimônia por problemas de saúde. Atrás, da esquerda para a direita, Jefferson Leal (presidente da Funjader), Adriana Araújo (secretária de Cultura), Trícia (primeira dama) e Junior Rodrigues (prefeito de Timbaúba).       Os que fazem a Funjader agradecem o apoio cultural da Nova Schin e do cantor Egemilson, assim como às personalidades que marcaram presença. 
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Nos seus discuros de agradecimentos, todas frisaram o quanto estavam emocionadas por receberem uma honraria que remete a uma das maiores expressões culturais de Pernambuco, Isnar Cabral de Moura. Abaixo, um pouco do perfil de cada comendadora.  


Emília de Morais Melo – Carinhosamente chamada de Emilinha, celebrou idade nova no dia 10 de fevereiro. Discreta, elegante, gosta de ajudar ao próximo e de se envolver em campanhas beneficentes de forma anônima.  A viúva do empreendedor Luismar Melo (1944-2012) é uma figura humana cujo caráter se pauta naquele trecho bíblico que diz:  “Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu... Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita...”  
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Maria Lúcia Albuquerque Ferreira Lima – Esposa de Bartolomeu  Ferreira Lima, ex-prefeito, sempre muito tranquila, com seu jeito conciliador e diplomático, firmou seu nome como uma das maiores primeiras-damas de Timbaúba.

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Maria Dulcimar Ferreira – Educadora, ex-diretora da Escola Estadual Professora Elizabeth Lyra, uma filha, duas netas e uma bisneta. Não esteve presente ao evento por problemas de saúde. Encontra-se no Recife desde o final do ano passado, quando sofreu uma queda e fraturou o fêmur. Foi representada pelo professor José da Silva. Quem tiver uma foto sua, solicito fazer contato através do e-mail daslan@terra.com.br
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Maria Paula Queiroz Bandeira de Melo – Filha de José Guilherme de Azevedo Queiroz e Marta Maria Barreto Queiroz, nasceu no Recife, em 02/04/1964. Formada em Administração pela Fecape (UPE), casou  aos 29 anos com Alexandre Bandeira de Mello, pai dos seus filhos Bernardo e Maria Letícia. Trabalhou na Implanor e depois na Usina Cruangi. Tetraplégica por conta de um acidente de automóvel, devota de Santa Terezinha, reacendeu a ADAT – Associação Cultural e Apoio às Pessoas com Deficiências e Amigos de Timbaúba, entidade de utilidade pública que tem o objetivo de cuidar de crianças e adolescentes com necessidades especiais.
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Zorilda Chaves Araújo – Natural de Juripiranga, PB, onde nasceu em 25/07/1938, Zo, como também é chamada, foi esposa de Ezivan Marinho Araújo (1939-2014), com quem teve três filhos. Com muita tranquilidade, uma das maiores características de sua personalidade, continua à frente do tradicional estabelecimento comercial Farmácia Estado.


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            A tarde nublada, com ameaças de chuva, não tirou o brilho do evento.  Na programação, mensagens proferidas por Jefferson Leal, Junior Rodrigues e Celma Lucia Vasconcelos; declamações de poemas por Rosani Albuquerque e números musicais interpretrados por Egemilson, finalizando com um  serviço de chá foi muito elogiado pelas pessoas presentes. 
Egemilson 
Lúcia Ferreira Lima ladeada por familiares
Sentados, Alexandre Bandeira de Mello e sua esposa Maria Paula Queiroz Bandeira de Mello. Em pé, os pais de Paula, José Guilherme de Azevedo Queiroz e Marta Maria Barreto Queiroz. 
Zorilda e Ana Lygia Bezerra
Zorilda, Edna Morais, Emilinha e Ana Lygia

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sábado, 7 de março de 2015

DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO

TIMBAÚBA EM FOCO


      Já está circulando a nova edição da revista TIMBAÚBA EM FOCO, seu ponto de encontro mensal, indispensável e essencial.  Em destaque: História-Manoel Borba, governador de Pernambvuco de 1915 a 1919; Comportamento-Mazo, de olho nos talentos do futebol timbaubense; Geral-Beto Ferreira assume a presidência do SINTRAF em Timbaúba; Cultura-Bois de Buzina atraem turistas para o Carnaval de Timbaúba; Passarela Cultural-Sociedade, Crônica e Poesia; Especial-TV Cidade chega à Timbaúba e mais, muito mais. A revista está à venda na banca de revista de Julio Alfredo, no centro da cidade.
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EU TAMBÉM SOU CARIOCA


“O que é ser carioca? É ter nascido no Rio de Janeiro. Sim, é claro, e também não. Não porque ser carioca é antes de tudo um estado de espírito."  ***** Sou nordestino, alagoano de berço e pernambucano de coração, mas a julgar pelo que disse o poeta Vinicius de Morais (1913-1980), eu também sou carioca. - Daslan Melo Lima




ANOITECE EM COPACABANA – O cronista pernambucano Antônio Maria (1921-1964) iniciou a crônica “Amanhece em Copacabana” desta forma: “Amanhece, em Copacabana, e estamos todos cansados. Todos, no mesmo banco de praia. Todos , que somos eu, meus olhos, meus braços e minhas pernas, meu pensamento e minha vontade.” ***** Imagino o quanto Antônio Maria estava melancólico naquele setembro de 1959, diferente do meu estado de espírito neste fevereiro de 2015. Anoitece, em Copacabana, e estamos todos energizados, eu, meus olhos, meu braços e minhas pernas, meu pensamento e minha vontade.

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SABOR DE ETERNIDADE – Sento-me diante de uma das paisagens mais belas do mundo, orgulhoso por saber que o cenário é parte do meu Brasil, esse imenso país-continente que Deus me deu como pátria. Na cidade fundada por Estácio de Sá em 1º de março de 1565, fico a pensar o quanto jovem o Rio de Janeiro chegou ao completar 450 anos. Na frente de uma das paisagens mais belas do mundo, fico a meditar que 450 ou um milhão de anos não são nada diante da imortalidade da alma. 
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OÁSIS - Em pleno bairro de Copacabana, encontro uma ilha de tranquilidade chamada Bairro do Peixoto, um oásis com charme de pracinha de interior. Uma coluna erguida no jardim tem o mesmo estilo arquitetônico da existente no terminal rodoviário de Timbaúba. Os meus pensamentos voam para cá, onde as pessoas ainda colocam cadeiras nas calçadas para conversar.
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SESSÃO NOSTALGIA - Zayra Pimentel, Miss Pernambuco 1957, para os íntimos

 Daslan Melo Lima
      
        “Zayra Pimentel para os íntimos”,  esse seria o título da Sessão Nostalgia desta semana, simplesmente “Zayra Pimentel para os íntimos”. Todavia, um título de Miss é para sempre. Eu não poderia omitir o nome Miss do título. Miss para sempre Miss. Não existe ex-Miss, a não ser que ela tenha renunciado ou sido destronada por  descumprimento do regulamento do certame.  Eu tinha de construir o título desta forma, “Zayra Pimentel, Miss Pernambuco 1957, para os íntimos”. Antes de revelar algumas confissões e imagens de Zayra, pouco conhecidas do público,  vale a pena situá-la num breve contexto de um tempo que se foi. Todas as imagens desta matéria são reproduções que fiz do vasto acervo da Miss PE 1957.


Primeira página do Diario de Pernambuco, 11/05/1957. Já era madrugada do domingo, 12 de maio, no Clube Português do Recife, quando foi anunciado o resultado do concurso Miss Pernambuco 1957:  Zayra Moreira Pimentel, Miss Clube Náutico Capibaribe, primeiro lugar.  

 Zayra Pimentel, Miss Clube Náutico Capibaribe. 

TOP 3 - Miss PE 1957. ***** Sônia Maria Campos, Miss Circulo Militar do Recife, segundo lugar; Zayra Pimentel, Miss Clube Náutico Capibaribe, primeira colocada; e Violeta Botelho, Miss Clube Português do Recife, terceiro lugar. ***** Detalhe: Sônia Maria Campos voltou a concorrer no ano seguinte representando o Santa Cruz Futebol Clube. Conquistou o primeiro lugar, foi eleita vice-Miss Brasil 1958 e primeira representante brasileira no Miss Mundo. 

Sônia, Zayra, Nelbe Souza (Miss Pernambuco 1956) e Violeta Botelho.

      A filha de Jair Pimentel, clarinetista e sargento da Polícia Militar, representou Pernambuco no Miss Brasil 1957, ano em que a vencedora foi Teresinha Morango, Miss Amazonas.  Em 1961, ostentou a faixa de Rainha do Carnaval do Recife e  fixou residência  no Rio de Janeiro, e aceitou convite para representar a AABB-Associação Atlética Banco do Brasil no Miss Guanabara.  


      A Miss PE 57 conquistou o coração de um rei, o da canção romântica, Francisco José (1924-1988), o maior cantor português de todos os tempos, pai de Adília, sua única filha. Compositor e intérprete da famosa canção "Teus Olhos Castanhos", Francisco José também foi o galã do filme homônimo. Zayra fez teatro, televisão e trabalhou nos filmes “O Último Cangaceiro”, de 1971, dirigido por Carlos Mergulhão; e “Café na Cama”, de 1973, de Alberto Pieralisi. Poderia ter prosseguido na carreira artística, mas ingressou no Serviço Público Federal e formou-se em Direito.
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       Por onde anda a diva? Aposentada, mora no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro, na mesma rua onde residem sua filha Adília e a neta Dominic Carvalho.  Tive a satisfação de ser seu hóspede durante minha última estadia no Rio de Janeiro, e de ouvi-la falar demoradamente sobre sua vida.
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ZAYRA POR ZAYRA


1 - Morei num apartamento aqui no Rio, com doze pessoas. Os tempos eram muito difíceis. Televisão era um luxo e todas as noites, para distrair as crianças da casa, eu lia os capítulos do romance “As chaves do Reino”, de Cronin.  Tenho todos os livros de Cronin e a obra completa de Dostoiévski.
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2 - Terezinha Morango foi recepcionada por mim e pelo prefeito do Recife quando desembarcou no Aeroporto Internacional dos Guararapes, após ter sido a segunda colocada no Miss Universo 1957, realizado em Long Beach. Desfilamos em carro aberto até à rua da Aurora, no centro da cidade. Depois viajamos para João Pessoa, PB, onde desfilamos novamente e fomos alvo de muito carinho. Terezinha era linda, mas entre as minhas concorrentes ao Miss Brasil, eu gostava mais do tipo de Karin Japp, Miss Paraná, quinta colocada.
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3 - Fui a primeira mulher a andar de lambreta no Recife. Ganhei uma como pagamento de um comercial que fiz para a televisão.
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4 - Eu adorava meu pai. Ele tocava clarinete e gravou discos pela Mocambo, o selo da fábrica de discos Rozemblit. De vez em quando tinha crises de impaciência. Como sargento da Polícia Militar, ganhava pouco para sustentar a família numerosa. Fiquei com raiva quando pedi uma boneca que chorasse e ele me deu uma com cabeça de porcelana e corpo de pano. Neuza, minha mãe, era uma mulher linda e morreu de câncer três meses antes do concurso Miss Pernambuco.  
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5 - Eu era apontada como forte candidata ao título de Miss Guanabara 1961.  Saiu até uma reportagem no Diario de Notícias com este título “Se Zayra vencer haverá três pernambucanas na disputa do Miss Brasil".  As outras eram Maria Lúcia Santa Cruz, Miss Pernambuco, e Carmem Aurélia Rodrigues de Lima, Miss Rio Grande do Norte, que tinha ficado em segundo lugar no Miss Pernambuco. Isso deve ter me prejudicado. Levei uma bronca de Maria Augusta da Socila quando um membro da comissão julgadora fez um gesto positivo para mim, no final do meu desfile, e eu acenei para ele. Maria Augusta gritou : "Isso não pode!". Chateada, respondi que todo mundo já sabia que aquilo era um jogo de cartas marcadas.
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6 - Éramos quatro irmãos, Zanoni, Zoroastro, Zenaide e eu. Lembro-me da casa simples da Vila dos Remédios, rua Alcedo Marrocos, nº 81, na Estrada dos Remédios, no bairro de Afogados, Recife. Fomos morar depois em Olinda, na Manoel Borba, nº 458. Eu adorava meu irmão Zanoni, lindo, atlético, que chegou a me acompanhar em alguns compromissos como Miss Pernambuco. Ele morreu jovem, aos 37 anos de idade, assassinado com um golpe de facão na frente do filho, ao apaziguar uma briga em Brasília.   
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7 - Quando cheguei ao Rio para disputar o Miss Brasil, a colônia pernambucana ofereceu um coquetel em minha homenagem. Entre os convidados estavam Aderbal Jurema, deputado federal (segundo da esquerda para a direita);  Abelardo Jurema, ministro da Justiça (terceiro da esquerda para a direita);  e Barros Carvalho, senador, na extrema direita.

Quem também marcou presença no  coquetel foi Maria do Socorro Gurgel, Miss Rio Grande do Norte, e Beatriz Souza, na esquerda da foto acima, mãe de Nelbe Souza, Miss Pernambuco 1956.



No centro da foto, eu e Nelbe Souza, ladeadas pelos convidados.
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8 - Eu não pensei que ia fazer tanto sucesso no carnaval carioca de 1972. Meu traje era simples, mas o corpo estava em forma e acabei nas páginas das revistas O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos.


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9 - Eu não casei de papel passado com Francisco José, mas aquela reportagem da Revista do Rádio, em 1965, falando sobre nosso casamento, foi bom para ambos. Eu estava grávida e nossas famílias eram conservadoras.
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10 - Já estudei pintura. Minhas primeiras telas retratam o clarinete do meu pai e um casario de Olinda. Também fiz alguns autorretratos.




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11 - Meu parto foi complicado, por fórceps, mas minha filha Adília cresceu linda e inteligente. Deu-me uma neta maravilhosa, Dominic Carvalho, estudante de museologia.

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12 - Fui convidada para aparecer nos maiores programas da televisão pernambucana. Acima, no "Você faz o Show", de Fernando Castelão, na TV Jornal do Commercio, Canal 2, com Marluce Laranjeira, Miss Clube Internacional do Recife. Abaixo, no mesmo programa, ladeada por Nelbe Souza, Miss Pernambuco 1956, e sua vice, Lieselotte Cornils, que morreu no último mês de janeiro.





Aqui estou no programa de José de Souza Alencar, o Alex, falecido no último mês de janeiro, dia 24. Eu; Sônia Maria Campos; a jovem madrinha do Clube Português, cujo nome não recordo; Violeta Botelho e Alex.

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13 - Sou formada em Direito e tenho carteira da OAB. Meu padrinho de formatura foi  Teotônio Vilela (1917-1983), o Menestrel das Alagoas. Quando comprei um Alfa Romeo, ele me disse que não entraria no meu carro e acrescentou: "Não é só no seu carro.  Eu não entro em nenhum Mercedes Benz de nenhum amigo meu. Porque num país onde setenta por cento da população ganha salário mínimo e passa fome, eu considero uma agressão.“ Teotônio era uma pessoa muito humana e um exemplo de ética na política.
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14 - Fui candidata à função de vereadora de Olinda nos anos 90, apoiada por Germano Coelho. Ele conseguiu se eleger para prefeito, mas os votos que ganhei foram insuficientes para assumir uma vaga na Câmara Municipal de Vereadores.
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       Orgulhosa de suas raízes, Zayra adorou o chapéu com a bandeira de Pernambuco que lhe dei de presente e não cansou de elogiar a carne de charque que tambem levei para ela, iguaria que rendeu saborosos pratos feitos por Sebá, um pernambucano da cidade de Escada que zela por sua casa há muitos anos. 
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        Zayra mantem afixado numa das portas de entrada do seu apartamento a capa do jornal CORREIO DE NOTÍCIAS, edição de julho de 2013, mostrando uma manifestação popular. "Achei a foto linda, lembra uma pintura épica!" 
        O jornal é editado pela empresa DJ Publicações, de Timbaúba, PE. Nessa edição consta uma matéria de página inteira que escrevi sobre ela. A referida reportagem foi emoldurada e decora uma das paredes da sala principal.


          Levei a página do jornal para ela autografar. Eis o que Zayra escreveu: "Por todo o carinho, apoio e esperança que você me deu. Zayra M. Pimentel, Miss Pernambuco 1957."
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      A Zayra Pimentel de hoje não dá muita importância à vaidade. Solteira e afastada de badalações, seu livro de cabeceira é O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec
      No entanto, basta colocar batom e pentear o cabelo para trás, num singelo rabo  de cavalo, que qualquer um percebe que está diante de uma diva, uma pessoa incomum, com aquele carisma que fez dela uma das mais famosas misses pernambucanas de todos os tempos.



        Determinada, raciocíno rápido, sensível, anfitriã generosa, Zayra Pimentel há quatro anos insistia para que eu fosse passar o carnaval no Rio de Janeiro. Além de ter me hospedado em seu apartamento, também hospedou o jornalista Muciolo Ferrreira (que me levou a vários pontos turísticos)  e o cerimonialista Wilton Condé, de 12 a 21 de fevereiro. 
          Na hora de retornarmos ao Recife, Zayra ficou muito emocionada. Quería que ficássemos mais tempo. Da calçada, olhei para o primeiro andar e acenei para ela com lágrimas nos olhos, enquanto agradecia em silêncio: 
Obrigado, meu DEUS! 
Obrigado, Zayra Pimentel! 
Obrigado, comissão julgadora do concurso Miss Pernambuco 1957! 
Obrigado, Muciolo Ferreira!

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Zayra Pimentel já foi homenageada duas vezes nesta secção:
24/07/2010, SESSÃO NOSTALGIA - Zayra Pimentel, Miss Pernambuco 1957 
31/07/2010, SESSÃO NOSTALGIA - Zayra Pimentel, a pernambucana que poderia ter sido Miss Guanabara 1961
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