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sábado, 21 de julho de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras? - 3º capítulo (Final)


Daslan Melo Lima
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      Este é o terceiro e último capítulo da reportagem “Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras?” escrita por um leitor gaúcho, assíduo visitante desta secção, que prefere ser conhecido no mundo miss apenas como Silveira/Pel. A matéria  tinha sido enviada por ele para o site  www.voy.com/185349.com , que não publicou o texto. Silveira/Pel repassou o mesmo para mim, o qual , devidamente autorizado pelo autor, foi dividido em três capítulos. O primeiro capítulo saiu na edição de PASSARELA CULTURAL de 14 de julho, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/07/sessao-nostalgia.html e o segundo na semana passada. As minhas únicas intervenções no trabalho do Silveira/Pel foram as inserções de imagens de algumas beldades citadas na matéria. Acredito que todos concordam comigo: o texto do Silveira/Pel é uma pérola que enrique as crônicas sobre o mundo miss, bem escrito, elegante, primoroso e lúcido.
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SERIAM AS GAÚCHAS AS MAIS LINDAS BRASILEIRAS? - Capítulo 3 - Final

Texto de Silveira/Pel
      A grande maioria das Rainhas das Piscinas , bem como das misses de todo o país, das primeiras décadas do Miss Brasil, eram beldades pertencentes a uma classe média com mais acesso aos bens de consumo que lhes valorizavam a beleza. Elas faziam parte de uma juventude dourada  impregnada da vida glamurosa das grandes divas do cinema norte americano,  que elas se encantavam vendo em películas filmadas em ambientes requintados, onde tudo lhes servia de inspiração. Estas jovens, desde o aniversário de quinze anos já de salto alto, sem essa do jeans e do tênis, muito cedo participavam de bailes, de desfiles beneficentes, de concursos menores, enfim, de uma vida social bem mais intensa e sofisticada, de forma que, quando chegavam ao Miss Brasil,  já estavam prontas, não precisavam de meses de preparação. Isto também ocorreu praticamente com todas as beldades brasileiras das primeiras décadas do Miss Brasil, que a maioria das vezes eram eleitas muito pouco antes do Miss Universo, com tempo precário até para a preparação do próprio enxoval, e que logo partiam para o exterior, o que não as impedia de ficarem, quase sempre, pelo menos entre as quinze semifinalistas. E, aqui no Rio Grande do Sul, lembro-me, o certame estadual chegava a ser realizado até uma semana antes do Miss Brasil.
           Nesta última década em que voltei a acompanhar os concursos de miss, aqui no estado, temos tido vitoriosas como Fabiane Niclotti, Natália Anderle, Ruth Böch, Juceila Bueno, verdadeiras cinderelas a se alçarem repentinamente nesse mundo cada vez mais complexo, competitivo  e sofisticado de missRejane foi a precursora delas, e só não chegou ao título máximo por enfrentar uma australiana de muito mais cancha. Mas ela rendeu tudo o que podia, sendo ajudada, que isto seja ressaltado, por um suntuoso traje de gala da figurinista da elite gaúcha, que lhe valorizou a beleza, ao contrário de Fabiane, a quem enfiaram  aquele vermelhão e, recentemente, de Juceila que, com um  preto muito feio, deve ter aí  perdido pontos preciosos no momento talvez decisivo para sua classificação. Quanto à Juceila, ainda foi ignorado o lembrete de que, com um leve retoque na ponta do nariz, ela teria se tornado muito mais competitiva. É o tabu contra as cirurgias plásticas, refiro-me às necessárias e bem feitas, inexistente na Venezuela, e que contribuiu para lhe conferir nesse mesmo Miss Mundo mais um título internacional.
Natália Anderle, Miss Rio Grande do Sul e Miss Brasil 2008. Foto: Divulgação.

           Assim, as misses gaúchas mais recentes, não mais sendo sempre escolhidas entre jovens já prontas, nem sendo a mais bela da cidade que representou, mesmo assim, elas tem vencido o Miss Brasil com alguma frequência, apesar de suas maiores limitações pessoais, além de não serem ajudadas convenientemente, tanto naquilo que lhes dão para vestir, como no meio litro de silicone em cada seio que colocados em Fabiane e em menor quantidade e desnecessariamente também em Juceila, deixaram-lhes com a falsa aparência de gordas, quando fotografadas em plano americano, aquele da cintura para cima. Apesar da maior falta de preparo de nossas misses mais recentes, vale ressaltar, no entanto, o fato muito positivo de os certames de beleza estarem se transformando em mais um veículo de ascensão social para essas jovens de origem mais modesta.
             E para o último Miss RS já realizado, o missólogo gaúcho nos brindou com mais um punhado de belas candidatas, como poucas vezes a gente costuma ver nos certames com vistas ao Miss Brasil. E, para comprovarmos isso, basta acessarmos o voy Miss Rio Grande do Sul, de Ander. Mas não vou afirmar que este grupo de bonitas concorrentes possa ser outro indício de que aqui estejam as mais belas mulheres do Brasil. Afinal, muito bem se pode justificar este fato com o argumento de estarem aqui, não as mais belas, mas o maior número de belas interessadas em participar desse tipo de competição.
            Também vou considerar como um ponto de vista meramente pessoal, ainda que embasado em sua longa vivência profissional, em seu olho acurado de fotógrafo, a afirmação de Marcos 56 de ter encontrado no RS as mais lindas brasileiras. Em seu favor, ainda existe o fato dele não poder ser acusado de bairrista, como costumam fazer comigo, quando simplesmente procuro defender certas misses gaúchas, e como já o fiz com não gaúcha, goste ou não de suas belezas, de agressões as mais pesadas que estas costumam ser alvo. Também não pactuo, na controvérsia provocada por Marcos 56  com a maneira agressiva como foi rechaçado  o critério territorial usado por Marcos para fazer sua constatação sobre as mais lindas do país. Por que não se poder usar este critério estadual se, no território de muitas dessas antigas capitanias coloniais, dessas províncias da época do Império, de muitos de nossos estados brasileiros atuais, deram-se processos muito peculiares, muito próprios de ocupação desses espaços, caso do RS? Também vou deixar como mais um bairrismo nostálgico a declaração de um conterrâneo e velho amigo, com quem fiquei embasbacado com a beleza das russas, colega dos tempos de colégio que há décadas foi morar em capital brasileira fora do RS, de que tem ele prazer de retornar à cidade natal, dentre outras razões, para se deleitar na admiração das mulheres bonitas que costuma encontrar por aqui, ao acaso.

Ruth Böch, A Mais Bela Gaúcha 2009, Miss Brasil Germany 2011 e Garota Verão Agudo 2011. O título de Miss Brasil Germany foi conquistado na  noite de 14/05/2011, quando 26 descendentes de alemães disputaram o título. Os 14 jurados eram do consulado alemão e representantes de agências de modelo de São Paulo e Rio de Janeiro, que após três desfiles - um com roupa vermelha, outro com vestido de gala e o último com maiô - elegeram a representante da cidade de Agudo, Ruth Böch, 18 anos. Além do título a bela ganhou uma viajem de oito dias para a Alemanha, França e Holanda. Rute foi Top 5 no  Miss Rio de Janeiro 2011, representando Guapimirim. 

             Falta, por fim, uma reflexão sobre mais um indício de que estariam no RS as mais belas brasileiras, isto quando Ander traz a informação de que são gaúchas o maior número de garotas que trabalham nas agências de modelo brasileiras. Se não quisermos concordar com Ander, até se poderia contra argumentar afirmando que elas estão aí em maior número, simplesmente porque é no RS que estaria a maioria das interessadas nesse tipo de trabalho. Mas surgiu então, nos replies àquele banner de Marcos 56, um argumento considerado como definitivo, por quem o esgrimiu, e por quem o apoiou entusiasticamente, com o qual não concordo. Assim, para esses, se existem mais gaúchas trabalhando nas agências de modelo do país, não é por serem as mais belas, mas porque são elas que tem mais o perfil que a publicidade procura, pele, olhos e cabelos claros, aliado ao biótipo herdado da colonização européia. Que, se o perfil vigente fosse outro, elas certamente não seriam a maioria. E foi arrematada esta idéia com outra afirmação, contundente para um replicante, de que “a mídia e a cultura brasileira favorecem a beleza dita européia. E que isso acaba refletindo-se nos concursos de beleza”. Por tudo isso, então, as gaúchas são as que costumam aparecer em maior número.
              A estas últimas argumentações conjugadas contra a tese de Ander, vou aqui refutá-las reproduzindo texto de um replie meu que não chegou a ser publicado naquele debate: “Não haverão de querer”, afirmava eu, “que a mídia, a cultura brasileira, as agências de modelo e até os jurados dos concursos de beleza se guiem em suas escolhas pelo ideal de beleza dominante em nossas reservas indígenas, ou no que sobreviveu de nossos mocambos, ou o no interior das florestas do Congo, ou nas savanas da África, ou no Butão, ou entre os esquimós da América do Norte. É mais do que natural que todos aqueles segmentos arrolados guiem-se pelos padrões de beleza feminina da cultura ocidental na qual estamos inseridos, padrão este, diga-se de passagem, amplamente flexível, que não exclui belas afrodescendentes, nem africanas, está aí Leila Lopes, Miss Universo,  além de inúmeras modelos negras em nossas agências, nem exclui orientais, caso de Akiko Kojima, ou sua miscigenação, aí está Cesar Curti para confirmar minhas colocações. Quanto à presença ainda reduzida de afrodescendentes nos concursos de beleza e nas agências de modelo aqui no Brasil, isto é uma verdade que tem causas muito mais complexas  do que a acusação simplista de discriminação.  Isto teria de ser assunto para uma reflexão muito mais profunda e isenta de meros e  demagógicos chavões.




Juceila Bueno, representante brasileira no Miss Mundo 2011. (Fotos: Divulgação).

              E, pensando bem, embora seja uma questão instigante esta suscitada por Marcos 56, acho que não chega a ter maior relevância a definição de onde se localizam as mulheres mais lindas do Brasil, ou onde estão em maior número, se é que não se encontram equitativamente distribuídas por todo o território nacional.  Deixemos de lado tais questões, principalmente se a resposta a elas servir para criar melindres. Mais importante é conseguir trazê-las em quantidade e qualidade para os certames estaduais, e que estes sejam realizados com isenção, com competência, de forma transparente, e que nós, seus seguidores, não nos atiremos sobre candidatas que porventura nos desagradem com preconceitos, com bizantinismos plenos de casuísmos oportunistas, com prevenções e mesquinhas rivalidades regionais, nem despejando sobre elas nem sobre os missólogos nossas neuroses, nossas mesquinhezas, nossa necessidade de agredir, nossa falta do mais comezinho  polimento. Tudo isso termina afugentando ainda mais as verdadeiras beldades da participação em quaisquer dos Miss Brasil, já que existem outros caminhos  menos desgastantes e  muito mais gratificantes. Apreciadores dos concursos de belezas, vamos procurar fazer da melhor forma nossa parte.

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sábado, 14 de julho de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras? - Capítulo 2


Daslan Melo Lima
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      Um leitor gaúcho, assíduo visitante desta secção, que prefere ser conhecido no mundo miss apenas como Silveira/Pel, enviou para o site  www.voy.com/185349.com um artigo sob o título “Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras?” Trata-se de um longo, inteligente, elegante e bem escrito  depoimento que o citado voy não publicou. Silveira/Pel repassou o texto para mim, o qual , devidamente autorizado pelo autor, foi dividido por mim em três capítulos. O primeiro saiu na edição passada,  http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/07/sessao-nostalgia.html . Este é o segundo capítulo. As minhas únicas intervenções no trabalho do Silveira/Pel foram as inserções de imagens de algumas beldades citadas na matéria.
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     SERIAM AS GAÚCHAS AS MAIS LINDAS BRASILEIRAS ? - Capítulo 2

Texto de Silveira/Pel

       Na fase do Miss Brasil dos Diários Associados, apogeu do certame nacional, havia, sim, uma enorme quantidade de concursos de beleza espalhados pelo estado afora. Aqui em Pelotas, por exemplo, além do Glamour, mais elitizado e existente até hoje com bastante expressão, havia o Rainha dos Estudantes Secundários, com representante,  inclusive, do colégio de freiras, o São José, o Rainha dos Estudantes Universitários,  o Mais Bela Comerciária, todos com seus respectivos certames estaduais. Dentre esses, os de maior projeção estadual, sem dúvida, eram o Rainha do Atlântico Sul, dos Diários Associados, promotora do Miss RS, com representantes de quase duas dezenas de praias gaúchas, e o Rainha das Piscinas do RS,  disparado, o de maiores frutos, que nos deu Yeda Vargas, Adriana Alves de Oliveira, Deise Nunes, se não me engano, Madalena Sbaraini, além de Maria Bernadete Heemann, semifinalista no Miss Mundo, além de Adriana Zselinsky, sem falar em Rejane Vieira Costa que surgiu aqui em Pelotas como Rainha da Piscina do Esporte Clube Cruzeiro, e que disputou ainda demasiado jovem a etapa estadual, sem se classificar. 

Ieda Maria Vargas, Rainha das Piscinas do Rio Grande do Sul 1962, Miss Porto Alegre-Miss Rio Grande do Sul-Miss Brasil-Miss Universo 1963.(Foto: capa da revista Manchete)

       Hoje, de todos esses, verdadeiros trampolins para o Miss RS, a exceção do Glamour Girl, nenhum mais existe, creio eu, embora tenha sido criado um de nome similar ao da Caldas Júnior, o Soberana das Piscinas, de muito menor expressão, e mais um que outro de alcance local ou regional. Também não há mais os empórios jornalísticos e de comunicações que, em geral, davam vida e visibilidade aos mais importantes daqueles certames de outrora. Em compensação, também entre nós existe a Rede Globo. E cabe aqui o registro de que essa rede nacional,  tão avessa aos certames de beleza por todo o país, aqui em nosso estado, chegou a encampar a realização do Miss RS,  por quatro ou cinco anos, até o Miss Brasil de Gaeta vincular-se à Rede Bandeirante. No último deles, em que Fabiane Niclotti venceu o Miss Brasil, o Miss RS fora realizado nos moldes do Garota Verão, com as diversas repetidoras regionais da RBS encarregadas de providenciar a representante de cada município receptor de sua imagem. Fabiane foi o primeiro e único fruto dessa modalidade de seleção, quando o Miss Brasil inclusive já havia passado para a Band.  Para nosso certame estadual, portanto, não chegou a ser uma vantagem o vínculo do Miss Brasil  com a Bandeirante. Além dessa vivência da afilhada da Globo com o Miss RS, a RBS ainda tentara anteriormente fazer um outro certame no estado, o Mais Bela Gaúcha, de cunho tradicionalista, que foi boicotado, lamentavelmente. O Movimento Tradicionalista Gaúcho que já fazia o Mais Prendada Prenda do RS proibiu aos CTGs seus filiados de enviarem representantes a esse certame que chegou a nos mostrar pela televisão maravilhosas estilizações do traje de prenda tradicional das mulheres do RS nos dois ou três anos em que, a duras penas, conseguiu sobreviver. 

Rejane Vieira Costa, Miss Pelotas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1972. Como Rejane Goulart (nome de casada) tornou-se depois atriz e participou de algumas telenovelas. (Foto: Manchete).                                               
             E aqui cabe uma indagação interessante. Porque essa afilhada da Globo só no RS  chegou a promover o certame estadual com vistas ao Miss Brasil Universo? Por que ela tentara criar um Mais Bela Gaúcha e, há cerca de trinta  anos, promove nos dois estados que ela abarca, SC também, o mais abrangente certame de beleza do país, o Garota Verão? Com certeza, não faltará quem simplifique as coisas afirmando creditar esta opção da RBS pelos certames de beleza no RS à cultura dominante dos gaúchos em relação a tais concursos. Para contraditar esta suposição, eu aqui só lamento que, nos três ambientes por onde costumo circular, tanto o acadêmico, como o ruralista, além do grupo de velhos amigos (as) de juventude que passava suas férias estudantis de verão e de inverno em uma minúscula, fria, mas paradisíaca cidadezinha do interior gaúcho a cinquenta quilômetros do Uruguai, como eu gostaria de ter, ao menos em um destes segmentos, uma pessoa ao menos com quem pudesse conversar a vontade sobre esses concursos que, desde minha infância, ocupam o lugar do futebol como  meu hobby principal. Infelizmente, tal assunto não é tratado em qualquer desses meus grupos tão diversificados.  Também aqui no RS, parece que o interesse pelos certames de beleza passou, com o tempo, a restringir-se predominantemente e quase só a grupos muito específicos, o que é uma pena este seu reduzido alcance. Portanto, tenho minhas reservas quanto à existência dessa cultura generalizada dos concursos de beleza aqui pelo extremo sul. Mas eu volto a abordar esta questão.

Madalena Sbaraini, Rainha do Atlântico Sul 1976, Miss Porto Alegre 1977, Miss Rio Grande do Sul, vice-Miss Brasil e  quarta colocada no Miss Mundo 1977. (Foto: Manchete)

        Por outro lado, se fizermos um paralelo entre o Rainha das Piscinas e o Garota Verão, dois certames similares de épocas distintas, podemos tirar algumas conclusões interessantes. A primeira delas, ambos se constituem no maior concurso de beleza de suas épocas, no RS. O Garota Verão atrai milhares de participantes, com candidatas de quase todos os municípios do estado, mais praias do Atlântico, praias fluviais, lacustres e até de arroios, representantes de vilas, que são reunidas em seletivas regionais, de modo a deixar para a final, ainda assim, nada menos de oitenta concorrentes. O Rainha das Piscinas, com representação de clubes com piscina, o que nem todos ainda a possuíam naquela época, chegou a reunir até um pouco mais de cinquenta participantes, sem  nunca ter precisado fazer eliminatórias para reduzir o seu número, na final. 

Adriana Zselinsky, Miss Rio Grande do Sul, quarta colocada no Miss Brasil 1980.(Foto: Manchete)
              O Rainha das Piscinas, no entanto, forneceu um contingente muito maior de participantes ao Miss Brasil, que viriam a se salientar em certames internacionais. E mais uma diferença fundamental. No Rainha das Piscinas,  suas concorrentes costumavam ser selecionadas a dedo pela diretoria de clubes sócioesportivos categorizados que, dentre as freqüentadoras de sua piscina, pinçava  a que  reunia as melhores condições, isto quando não eram feitas seleções internas, com um bom número de participantes. Além do mais, eram garotas de no mínimo quinze anos, podendo muito bem ultrapassar os vinte.  
 Fabiane Niclotti, Miss Gramado, Miss Rio Grande do Sul e Miss Brasil 2004. (Foto: Divulgação)

       Quanto à essa seleção, o Garota Verão tem um perfil muito mais  popular. As próprias interessadas, com certeza, com o aval de seus pais, com a idade mínima de apenas treze anos, e não mais de dezoito, procuram inscrever-se no concurso, diga-se de passagem, a maioria sem qualquer condição, embaladas pela imensa visibilidade que o certame propicia, vendo nele como que um atalho para mais rapidamente chegarem ao Olimpo de Gisele Bündchen e das outras duas top models gaúchas citadas por Marcos 56, em um de seus banners. E aqui, sim, as idéias de Lai e de Guigo podem ter algum fundamento. Gisele e as outras top gaúchas  constituem-se numa miragem para estas suas sonhadoras conterrâneas, a maioria delas, parecem-me, de condição econômica e social tão modesta quanto fora a de Gisele, a grande musa inspiradora de todas essas garotas. Daí, sim, ter podido formar-se neste específico segmento sócio econômico, uma cultura voltada aos concursos de beleza, enfatizada por  Guigo, ou um interesse muito maior por tais concursos, ressaltado por Lai. 

Taise Rodrigues Dias, representante de Balneário Valverde, da região da RBS TV Pelotas, Garota Verão do Rio Grande do Sul 2005. Ela tinha 17 anos quando disputou a final do concurso em Capão da Canoa e venceu outras 79 garotas de todo o estado. Taíse morou  1 ano e meio na China e atualmente vive  na Tailândia, exercendo a carreira de modelo fotográfico. (Foto: http://wp.clicrbs.com.br

               Mas o objetivo destas meninotas, que surgem aos magotes a cada verão, não é o Miss Brasil. Daí que as  vencedoras de tal certame não se dispõem a concorrer ao Miss RS, desde que  tenham conquistado de imediato um espaço pelo menos promissor rumo ao tão sonhado posto de top model.  É o caso de Juliana Möeller, da pelotense Taise Rodrigues Dias que também venceu o Garota Verão representando a praia lacustre do Valverde e que, até hoje, anda pelas Filipinas e Tailândia modelando, caso semelhante ao de Paula Bach revelada na segunda edição do Mais Bela Gaúcha aos dezesseis anos  e que, sem aparecer em sua final, já andava por Paris, antes de ter sequer idade para ser miss.
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Na próxima edição de PASSARELA CULTURAL, o terceiro e último capítulo de SERIAM AS GAÚCHAS AS MAIS BELAS BRASILEIRAS ?
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sábado, 7 de julho de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras? - Capítulo 1

Daslan Melo Lima
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      Um leitor gaúcho, assíduo visitante desta secção, que prefere ser conhecido no mundo miss apenas como Silveira/Pel, enviou para o site  www.voy.com/185349.com um artigo sob o título “Seriam as gaúchas as mais lindas brasileiras?” Trata-se de um longo, inteligente, elegante e bem escrito  depoimento que o citado voy não publicou. Silveira/Pel repassou o texto para mim, o qual será transcrito nesta secção, devidamente autorizado pelo autor, na íntegra, em três capítulos, um por cada edição semanal de PASSARELA CULTURAL. As minhas únicas intervenções no trabalho do Silveira/Pel serão as inserções de imagens de algumas beldades citadas na matéria.
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                        SERIAM AS GAÚCHAS AS MAIS LINDAS BRASILEIRAS ? - Capítulo 1

Texto de Silveira/Pel

 
      Esta é a instigante e venenosa questão proposta  por Marcos 56, por mais de uma vez.  Preferi não entrar na controvérsia. O assunto é por demais complexo para esgotá-lo em umas poucas palavras. Parto do princípio de que não tenho condições de afirmar serem as gaúchas as mais lindas brasileiras.  Não é conhecendo superficialmente a maior parte do país, que teria embasamento para tirar tal conclusão. E já passaram pelo Miss Brasil  mulheres tão maravilhosas oriundas de tantos  estados brasileiros, que isto mostra existirem beldades nos mais diversos recantos do país.
       Sem ter, portanto, a pretensão de afirmar estarem no RS as mais bonitas, ou o maior número, posso constatar, sem qualquer ufanismo que, por vezes, surpreendo-me e fico de boca aberta com as beldades com quem por aqui me defronto casualmente. As misses pelotenses destas últimas décadas, por exemplo, com honrosas exceções, não expressam mais a beleza de mulheres por quem passo, volta e meia, sejam elas da própria cidade ou estudantes de outras plagas, tal como ocorre  com a cidade também universitária de Santa Maria, que detém,  com muita justiça, a hegemonia gaúcha nos certames de beleza atuais.

 Vera Brauner, Miss Pelotas, Miss Rio Grande do Sul, segunda colocada no Miss Brasil e vice-Miss Beleza Internacional 1961.
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                     E só para ilustrar a constatação acima, dentre estas jovens lindas encontradas em Pelotas, em algumas ocasiões, aqui já me encantei, além de loiras e morenas, com quatro beldades de origem afro, daquelas do tipo Deise Nunes, uma já há alguns anos, na formatura do Direito de Eunice Pratti, no mesmo Teatro Guarani, onde presenciei a vitória de Vera Brauner no Miss RS,  frente à primeira Rainha das Piscinas do RS, Hilda Helena Pretto da cidade de Santa Maria, que já começava a despontar.  Mulheres lindas, porém, existem em todos os recantos do estado, não é um privilégio de Pelotas ou de Santa Maria. Porto Alegre, que pouco tem figurado no Miss RS, é um celeiro de verdadeiras beldades. Há algum tempo, fui rapidamente à capital do estado e, na tarde em que lá permaneci, no restaurante onde almocei, na 24 de Outubro, encontrei uma garçonete que, lapidada, daria uma excelente miss e, no elevador do Hospital Moinhos de Vento, uma beleza de fechar o comércio, talvez mais linda do que muita Miss Brasil. De outra feita, em um casamento em Gramado, com gente de diversos pontos do Rio Grande, fiquei extasiado com a beleza de duas jovens, uma loira e outra morena, dentre outras quase tão belas, além de mais uma ou duas avistadas lá pelo centro da cidade. E de passagem pela pequena Pinheiro Machado, avistei uma jovem muito mais bela do que a representante desta cidade na classificatória do Miss RS realizada pouco depois. 

 Deise Nunes, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1986.

                   Pena que estas beldades tão pouco se interessem hoje em dia pelos certames de beleza, no que concordo inteiramente com Ander, quando faz tal afirmação, numa daquelas discussões provocadas por Marcos 56. Aqui conheço muito duas irmãs lindas. Ambas foram  Glamour Girl de Pelotas, apresentadas a cada ano pelo clube de maior prestígio da cidade e que, a exemplo das demais entidades sócio esportivas de Pelotas, só indicam candidatas para esse certame, por ser organizado por senhoras da alta sociedade, em benefício da Liga Feminina de Combate ao Câncer que o realiza em todo o estado. Pois jamais me animei a perguntar a essas duas meninas cheias de qualidades, que dariam ótimas Miss Pelotas, se elas sequer aceitariam o título em questão, pois tenho de antemão certeza que isso estaria totalmente fora de suas cogitações. Aline André creio ter sido a única dessa galeria de detentoras do título de Glamour que participou do Miss RS. E aí está a explicação para os que reclamam que as misses gaúchas, últimas vencedoras do Miss Brasil, estão aquém das beldades riograndenses das primeiras décadas do Miss Brasil. Só que isto também é válido para as representantes estaduais das outras unidades da federação.

Aline André, Miss Pelotas, vice-Miss Rio Grande do Sul 2007 (Foto: Coluna da Mariana Oliveira-Diário Popular-Pelotas,12/02/2012)

                  A verdade é que a campanha das feministas contra as misses, já há bastante tempo, e dos repórteres que com elas fizeram coro, fez até hoje um imenso estrago no prestígio dos certames de miss. A propósito dessas mulheres lindas que a gente vai encontrando, ocorreu-me um fato  muito pertinente, que permite levar adiante esta reflexão.  Na festa de formatura da Medicina, de uma colega de turma de Aline André,  vice Miss RS de Carol Prates, a certa altura, fui apresentado a um jovem par muito bonito, e fiquei sabendo  ser ela do Piauí, que viera para a formatura com o namorado, gaúcho que trabalha em Teresina . Esta é outra jovem que me  pareceu bem mais bela do que as representantes de seu estado, pelo menos, das que consigo recordar, o que fez dar-me conta de que, mais belas do que suas misses, existem não apenas no RS. Também não há dúvida quanto à diversidade de tipos de beleza aqui existentes, fruto desse caldeirão étnico formado principalmente pelo português, pelo alemão, pelo italiano, aqui em Pelotas também pelo francês e por um muito expressivo contingente de afro descendentes concentrado na parte sul do estado, especialmente em minha cidade, pólo principal da antiga produção do charque que, ao contrário do Uruguai e Argentina, como muito bem salienta Fernando Henrique Cardoso em sua tese de doutorado, por aqui  teve a mão de obra escrava como sua força de trabalho primordial. Mas essa diversidade étnica também não é exclusividade nossa, ela existe igual nos demais estados do sul e em São Paulo, que ainda atraiu o maior número de imigrantes japoneses, além de forte migração interna, especialmente a nordestina.
              Por outro lado, a afirmação de Lai, nessa discussão propiciada pelos banners de Marcos 56 de que, no RS, as mulheres se interessam muito mais por concursos de beleza, e a similar de Guigo de que há no estado gaúcho uma cultura de valorização dos concursos de beleza, fizeram-me muito refletir. O que constato, porém, em minha cidade, para meu desalento, é a morte do concurso Miss Pelotas. E assim, por falta de tais organizadores, os certames não mais vem sendo realizados na maioria das cidades que enviam representantes ao Miss RS.  

 Athena Cunha, Miss Pelotas, vice-Miss Rio Grande do Sul 2012.


               Hoje, em todo o estado, a exceção de umas poucas cidades que ainda possuem abnegados, como o colunista social Lanei Langaro em Canoas, a maioria de nossas misses estão sendo indicadas por agências de modelos. É tal o desinteresse pelo concurso, que minha cidade foi representada por Athena Cunha, pelo que me consta, do Paraná. Nem por isso, vou considerá-la, nem tratá-la como uma estrangeira, como chegou a ser feito  por alguns com as gaúchas Francieli Fischer e com Ruth Böch. Athena é tão somente uma brasileira de outro estado irmão que, diante da indiferença das beldades pelotenses,  representou a beleza de uma cidade com tanta tradição nesse tipo de certame. Athena, por certo, valorizou ainda mais o Miss RS de que participou, conseguindo um mais do que honroso segundo lugar. Acho que  temos sempre de somar, jamais de dividir, de subtrair, de discriminar  e, muito menos, de tentar destruir o que tem sido feito. O que não quer dizer, se ocorrem erros, que eles não devam ser apontados para que possam mais facilmente serem corrigidos.
              Será que esse desinteresse da maioria das mais belas gaúchas pelos concursos municipais, confirmado por Ander, nega as afirmações de Lai e de Guigo a respeito dos certames de miss aqui no sul? Cabe mais uma vez, um aprofundamento da questão, através da qual,  pode-se tirar algumas conclusões.
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Na próxima edição de PASSARELA CULTURAL, o segundo capítulo de SERIAM AS GAÚCHAS AS MAIS BELAS BRASILEIRAS ?
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