Daslan Melo Lima
Sou um cultivador nostálgico de fantasias e sonhos. Concordo com o poeta gaúcho Mário Quintana (1906-1994), quando ele diz no seu poema “Uma alegria para sempre“ : “As coisas que não conseguem ser olvidadas continuam acontecendo.”
Parece que foi ontem. Parece que estou vendo pela televisão o rosto e os olhos lindos de Ana Glitz, Miss Brasil Beleza Internacional 1984. Ela passava beleza, charme, sensualidade e doçura. Adorava sol, praia, mar e as poesias do poeta gaúcho Mário Quintana.

A trajetória de Ana Glitz nas passarelas começou em 1983, quando foi eleita Miss do Futebol Carioca, representando o Vasco da Gama, seu clube de coração. Em 1984, como Miss do clube que a lançou, foi a segunda colocada no Miss Rio de Janeiro; semifinalista do concurso Garota do Fantástico e representante do Brasil no Miss Beleza Internacional, realizado no Japão, onde se destacou entre as quinze semifinalistas. Em 1985, no carnaval, Ana Glitz recebeu o título de Miss Clube Sírio Libanês e em outubro disputou o Miss Mundo Brasil, onde voltou a brilhar, embora não tenha conseguido um lugar no Top 3.

As fotos que ilustram esta matéria foram publicadas na extinta revista First Class, número 2, 1985. “Corpo de Mulher”, assim era o título do ensaio fotográfico de Ana Glitz, no esplendor dos seus 22 anos de idade. Entre uma foto e outra, a revista publicou alguns versos de Mário Quintana, selecionados pela própria Ana Glitz.

“Eu queria trazer-te uns versos muito lindos...
Trago-te estas mãos vazias
Que vão tomando a forma do teu seio”
Trago-te estas mãos vazias
Que vão tomando a forma do teu seio”
"A menina dança sozinha por um momento
A menina dança sozinha com o vento,
com o ar, com o sonho de olhos imensos...
A forma grácil de suas pernas
ele é que as plasma,
o seu par de ar, de vento,
o seu par fantasma..."
A menina dança sozinha com o vento,
com o ar, com o sonho de olhos imensos...
A forma grácil de suas pernas
ele é que as plasma,
o seu par de ar, de vento,
o seu par fantasma..."
"Menina de olhos imensos,
tu, agora, paras,
mas a mão ainda erguida
segura ainda no ar
o hastil invisível deste poema!"
tu, agora, paras,
mas a mão ainda erguida
segura ainda no ar
o hastil invisível deste poema!"

“Minha vida é uma colcha de retalhos,
todos da mesma cor.”
todos da mesma cor.”

De vez em quando, abro um dos meus álbuns de recortes sobre concursos de misses e me transporto para os anos oitenta, dos quais Ana Glitz é um ícone. Fecho os olhos. Tendo o silêncio e o vento como companhia, recito diante de uma passarela imaginária "Uma alegria para sempre", de Mário Quintana.

Sou um cultivador eterno de fantasias e sonhos, pois “as coisas que não conseguem ser olvidadas continuam acontecendo.”
UMA ALEGRIA PARA SEMPRE
Mário Quintana
As coisas que não conseguem ser olvidadas
continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre
onde as datas não datam.
Só no mundo do nunca existem lápides...
continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre
onde as datas não datam.
Só no mundo do nunca existem lápides...
Que importa se - depois de tudo - tenha "ela" partido
ou que quer que te haja feito, em suma?
Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta,
ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.
ou que quer que te haja feito, em suma?
Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta,
ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,
deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.
E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,
deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata
criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
- disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.
criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
- disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.
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