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Mostrando postagens com marcador Maria Helena Leal Lopes. Mostrar todas as postagens
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sábado, 14 de julho de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Bodas de Azeviche, uma canção para Maria Helena Leal Lopes


Daslan Melo Lima



          O calendário propaga ao lado do vento 
que hoje um gentleman estaria celebrando contigo 
quarenta e três anos de casamento, 
Bodas de Azeviche. 

         Fotos em branco e preto ganham cores
 recordando momentos de ilusões e desilusões, 
detalhes  da caminhada de todo passageiro 
pelo planeta Terra. 

Mas o que dizer desta brisa 
que canta ao teu redor? 
Ouve a canção, 
amiga minha, 
ouve. 

Mergulha neste encanto. 
Mesmo que uma lágrima caia, 
há mais sabedoria neste canto.

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Maria Helena,
A noiva daquele julho de 1975


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        Na terça-feira, 10 de julho, fez quarenta anos  que Maria Helena Leal Lopes casou com o médico otorrino Jairo da Costa Pinto Filho, falecido em 27/12/2001, uma personalidade humanitária que chegou a dirigir um hospital carioca. A cerimônia aconteceu na Capela do Palácio Guanabara, no dia 10 de julho de 1975, seis anos depois de Maria Helena ter aparecido nas capas das maiores revistas brasileiras da época, na condição de forte candidata ao título de Miss Guanabara.
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Fotos: Álbum de Família-Maria Helena Leal
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Maria Helena, 
Um ícone dos anos sessenta

Revista O Cruzeiro, 24/04/1969
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          No dia 21 de junho de 1969, enquanto trinta e duas candidatas desfilavam na passarela do Maracanãzinho disputando o título de Miss Guanabara, milhares de pessoas lamentavam o fato de ali não estar desfilando  Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Nascida no dia 15/09/1951, Maria Helena não tinha ainda 18 anos completos, idade mínima exigida para concorrer ao título. Uma determinação do Juizado de Menores, uma semana antes, proibiu sua participação no certame.
              
Maria Helena na capa da Manchete
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       Maria Helena Leal Lopes foi a primeira jovem a se inscrever no Miss Guanabara 1969, e logo passou a ser apontada como a grande favorita. Quando a revista O Cruzeiro divulgou suas fotos como primeira candidata ao Miss Gunabara, a reportagem afirmava que ela tinha 18 anos. No mês seguinte, alguém denunciou que ela era menor de idade. Comentou-se na época que a denúncia poderia ter partido de um ex-namorado. 
         O Presidente do Telefônica Atlético Clube foi notificado que deveria provar sua idade no prazo de vinte e quatro horas. Seus advogados recorreram, pois jamais poderiam provar que ela tinha 18 anos. Apresentaram um documento dos seus pais com firma reconhecida, autorizando sua participação. A coisa serenou e Maria Helena deu continuidade aos preparativos visando a disputa do Miss Guanabara. Seu pai precisou resolver uns negócios pessoais nos Estados Unidos e viajou certo da vitória da filha.  
       Faltando apenas uma semana, o Juizado de Menores fez prevalecer a proibição legal. Sorridente e sem mágoas, ela compareceu ao Maracanãzinho para incentivar suas companheiras. Quando o público percebeu sua presença, os aplausos foram calorosos. Tirou fotos nos estúdios das revistas ao lado da vencedora, Mara do Carvalho Ferro, representante do São Cristóvão Imperial.


Maria Helena, capa da O Cruzeiro
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         Como seus sonhos de participar do Miss Guanabara 1969 foram frustrados, Maria Helena não teve dúvida de transferi-los para o ano seguinte. Em 1970, no Pavilhão de São Cristóvão, uma vez que o Maracanãzinho tinha sofrido um incêndio, lá estava Maria Helena, disputando o Miss Guanabara, representando o Telefônica Atlético Clube. Perdeu para Eliane Fialho Thompson, Miss Floresta Country Clube, eleita depois Miss Brasil e uma das semifinalistas (top 15) do Miss Universo 1970.
              Por ironia do destino, Vera Fischer, Miss Santa Catarina, não tinha 18 anos completos quando foi eleita Miss Brasil 1969. Seu registro de nascimento foi adulterado, conforme confessou anos depois. 
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       Minha amiga Maria Helena Leal assim comentou quando postei no seu Facebook a  crônica "Bodas de Azeviche, uma canção para Maria Helena Leal": "Só você, amigo Daslan, meu eterno poeta. Muito obrigada pela sua sensibilidade e espiritualidade de conversar com os anjos invisíveis, e eles terem permissão de me visitarem, mesmo que seja para me darem um grande abraço. Muito obrigada, querido." Enquanto Agnes Lealt, sua única filha,  escreveu: "Ahhh, Adorei ser Azeviche, adoro essa palavra! Palavras lindas e certeiras, aliás, como sempre." 
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        Fez três anos no dia 20 de fevereiro, que conheci pessoalmente Maria Helena, num restaurante de Copacabana, Rio de Janeiro. Cheguei com Muciolo Ferreira, jornalista pernambucano, meia hora antes ao local combinado. A Vice-Miss Guanabara 1969 chegou acompanhada da filha Agnes Lealt. Abracei aquela mulher sorridente, brincalhona, e pedi que me beliscasse para eu ter certeza de que não estava sonhando. Durante umas quatro horas, Maria Helena falou sobre amores, desamores, sonhos, ilusões, desilusões... Momentos mágicos que guardarei para sempre.  

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Abaixo, com os respectivos links, a relação das secções Sessão Nostalgia dedicadas a Maria Helena Leal.

02 de março de 2008
SESSÃO NOSTALGIA – Maria Helena Leal Lopes, vice-Miss Guanabara 1970, 
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13 de março de 2010
SESSÃO NOSTALGIA – A história de Maria Helena Leal Lopes, vice-Miss Guanabara 1970,
http://passarelacultural.blogspot.com.br/2010/03/sessao-nostalgia_13.html
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16 de outubro de 2010
SESSÃO NOSTALGIA - Concurso Miss Guanabara 1970,
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03 de março de 2012
SESSÃO NOSTALGIA – Maria Helena, vice-Miss Guanabara 1970, a beleza permanece na alegria de viver,
http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/03/sessao-nostalgia.htmliver
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28 de fevereiro de 2015
SESSÃO NOSTALGIA - Uma tarde com Maria Helena Leal Lopes, Vice-Miss Guanabara 1970
http://passarelacultural.blogspot.com/2015/02/sessao-nostalgia_28.html

sábado, 2 de junho de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - No tempo do concurso Senhorita Rio



Daslan Melo Lima



            “No nome do concurso vai toda a sua sutileza: não se trata de eleger uma Miss, mas uma Senhorita Rio. Para a candidata obter o título de Senhorita Rio só beleza não põe mesa. A eleita revelará uma série de predicados (culinária, comportamento, cultura geral, etc.) que a farão a esposa almejada por todos os solteiros. O original certame está sendo patrocinado pelo jornal O Globo, que já realizou, aliás, os primeiros exames de seleção. A prova final será no fim desta semana e a Senhorita Rio escolhida dançará feliz, num grande baile, nos salões do Clube Monte Líbano.”
          O texto do jornalista José Rodolpho Câmara, na matéria “Um Concurso Diferente”, publicado na revista Manchete, de 15/07/1961, ilustrado com fotos de lindos “brotos”, deixava claro que o Senhorita Rio seria mais que um concurso de Miss. Marcou época na sociedade carioca e teve repercussão em todo o País, revelando garotas na faixa de idade média de 16 anos competindo em trajes esportivos e vestidos de gala. Algumas delas ganharam mais fama que outras e são lembradas até hoje. 
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Andrea Bello
Senhorita Rio 1961





Andrea Bello, do Botafogo, 18 anos, aluna do curso clássico do Colégio Andrews, foi a primeira Senhorita Rio. Acima, em preto e branco, foto de um grupo de candidatas, imagem de uma concorrente não identificada e foto do Top 3, onde Andrea Bello aparece ladeada pela segunda e terceira colocadas, Cléia Cohen, do Centro Israelita Brasileiro, e Leonor Esteves, da Casa da Vida da Feira. Em cores, Gisele Rosenwald, Dirce Maria Cruz, Rosita Buslik, Andrea Bello e Suzana Colucci
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Sônia Maria Cardoso
Senhorita Rio 1965


Na revista Manchete (Ano 13, nº 712, 11/12/1965) aparece Sônia Maria Cardoso como Senhorita Rio 1965, ao lado de outras beldades. "De janeiro a dezembro, elas tornaram o Rio mais belo no ano do seu IV Centenário. Levantaram títulos de beleza, com os quais dezenas de moças sonharam."   Na foto maior, da esquerda para a direita: Marina da Conceição Silva, a Marina Montini (1948-2006), Rainha Mulata do IV Centenário; Solange Sousa Barbosa, Rainha dos Jogos da Primavera; Maria Raquel de Andrade, Miss Guanabara, Miss Brasil; Miriam Salgado Lima (falecida em 16/02/2013), Garota de Ipanema;Tônia Passos, Miss Suéter; Sônia Maria Cardoso, Senhorita Rio; Clara Bastos, Rainha do Sweepstake. Na foto menor, Solange  Dutra Novelli, Rainha do IV Centenário, que chegou atrasada para o encontro devido a um problema no seu carro. 
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Margareth Medeiros
Senhorita Rio 1967


Margareth Medeiros, Senhorita Rio 1967, gaúcha de 19 anos, estudante do terceiro ano do curso Clássico, olhos verdes, radicada na Cidade Maravilhosa, no bairro de Ipanema, recebeu como prêmio uma viagem de quarenta dias à Europa. O Top 5 foi formado por: Margareth Medeiros, primeiro lugar; Ângela Maria Moreira, segundo; Maria Cristina Franco, terceiro; Sonia Guardia, quarto; e Patricia Negrão Ferreira, quinto lugar. A terceira colocada, Cristina Franco, a quarta jovem na foto acima, da esquerda para a direita, tornou-se jornalista, consultora de moda e trabalhou durante quinze anos na Rede Globo como editora de uma coluna sobre moda no Jornal Hoje.
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Angela Catramby
Senhorita Rio 1968

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Angela Catramby (1952-2016), Senhorita Rio 1968, a mais famosa de todas. Garota nascida e criada em Copacabana, 16 anos, aluna do Andrews, foi eleita numa grande festa realizada no Canecão. Venceu quarenta concorrentes, entre elas a hoje psicoterapeuta Nadja Winitskowski, mãe da atriz Danielle Winits, e Maria Helena Leal Lopes, Vice-Miss Guanabara 1970. 
Ângela Catramby ganhou como prêmio uma viagem a Tóquio, com direito a uma passagem na volta pela Disney. Seguiu uma carreira de modelo que a levaria a ser recordista das capas da revista Claudia. Fez até comercial do sabonete Lux, aquele cujo slogan dizia “preferido por 9 entre 19 estrelas do cinema”. Na propaganda, a foto menor era a da famosa atriz Rachel Welch, um dos maiores símbolos sexuais do cinema, enquanto na foto maior, Ângela Catramby brilhava com seu sorriso encantador.
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Maria Helena Leal Lopes, finalista do Miss Senhorita Rio 1968, ganhou muita visibilidade na imprensa nacional. Na condição de Miss Telefônica Atlético Clube, ela foi a mais forte candidata ao Miss Guanabara 1969, mas uma decisão do Juizado de Menores não permitiu que disputasse o título por não ter 18 anos completos. Voltando no ano seguinte, Maria Helena acabou conquistando o Vice-Miss Guanabara 1970.  
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Martha Surerus
Senhorita Rio 1969




Martha Wilhelmine Brega Surerus, ou simplesmente Martha Surerus, 18 anos, representante do Fazenda Clube Marapendi, Senhorita Rio 1969. O cantor Wilson Simonal (1938-2000) foi o mestre de cerimônias do concurso. Martha Surerus fez comerciais para a televisão e ilustrou dezenas de capas de revistas. 


Martha Surerus, Senhorita Rio 1969, e Angela Catramby, Senhorita Rio 1968.
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Jane Macambira
Senhorita Rio 1970


Jane Vieira Macambira, Senhorita Rio 1970, morena nascida em Santos, SP, moradora do bairro de Santa Tereza, foi eleita Miss Guanabara dois anos depois, terceira colocada no Miss Brasil e quarto lugar no Miss Beleza Internacional 1972.
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Rogéria Martins
Senhorita Rio 1971/1972


Rogéria Martins, adolescente mineira de Carangola, criada no bairro do Leblon, vestibulanda de Medicina, Senhorita Rio 1972. A faixa deveria constar Senhorita Rio 1971, mas como o concurso foi realizado no final de dezembro de 1971, próximo ao Natal, o título de Rogéria Martins é Senhorita Rio 1972. Ela foi a última.
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                                                Senhorita Rio,
                    o encanto de uma rosa e o destino de uma flor

   O cantor Carlos Galhardo (1913-1985) gravou uma canção romântica chamada "Senhorita Rio", composta por Sérgio Malta. A magia de um tempo que se foi parece brotar dos seus versos.  

Eu sorri no dia em que eu vi
A flor do teu sorriso
Eu sonhei no dia em que amei
A luz do teu olhar



Eu pensei te dar o meu amor
Te dar a própria vida
Mas a vida é tão pequenina
E aos teus olhos menina, se perdeu



Vai senhorita Rio
Vá seguindo teu caminho
Pela estrada do amor
Jóia mimosa

Tens o encanto de uma rosa
E o destino de uma flor

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Senhorita Rio na Globo

          Não encontrei imagens das Senhoritas Rio que poderiam ter sido eleitas nos anos de 1962, 1963, 1964 e 1966. O nome do concurso voltou com força total, em clima de nostalgia, na tela da Globo. Na novela “Aquele Beijo”, de Miguel Falabella, exibida de 17/10/2011 a 14/04/2012, Bruna Marquezine, no papel de “Belezinha”, foi eleita Senhorita Rio 2012.


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Senhorita Rio na Joyce Pascowitch

          Faz dois meses que Renato Fernandes, repórter especial da revista Joyce Pascowitch, fez contato comigo, a fim de saber mais sobre o Senhorita Rio. Passei as informações que sabia sobre o assunto. E eis que na edição de maio, com Deborah Secco na capa, a reportagem do Renato Fernandes foi publicada, dando maior destaque para a inesquecível Angela Catramby, Senhorita Rio 1968,  e Martha Surerus, Senhorita Rio 1969, esposa do empresário Eric Waechter.  Destaque também para Maria Elizabety Saddy, do Monte Líbano, candidata ao Senhorita Rio 1969. Como Betty Saddi, tornou-se um dos símbolos sexuais dos anos setenta. Fez novela e filmes. Depois de atuar na novela "Cara a Cara", da Rede Bandeirantes, saiu de cena e leva hoje uma vida tranquila ao lado do esposo e um casal de filhos.  






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         Renato Fernandes entrevistou Martha Surerus num restaurante de Ipanema, Rio de Janeiro. Quase meio século depois, ela é ainda reconhecida pelos fãs. "Posso tirar uma foto com a Senhorita Rio?", disse um desconhecido quando Renato e Martha saíram do restaurante. 
         Posso encerrar esta crônica e sonhar com as Senhoritas Rio? "Pode, Daslan Melo Lima", responde as recordações de um tempo que se foi.  



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sábado, 28 de fevereiro de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - Uma tarde com Maria Helena Leal, vice-Miss Guanabara 1970

Daslan Melo Lima


     O nosso encontro estava marcado para as 17 horas da sexta-feira, 20 de fevereiro, num restaurante de Copacabana. Cheguei com meu amigo Muciolo Ferreira, jornalista pernambucano, meia hora antes ao local combinado. Cada minuto que passava, mais ansioso eu ficava para conhecer pessoalmente aquela que ilustrou as mais importantes capas das revistas brasileiras de 1969: Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Ela chegou acompanhada da filha Agnes Lealt. Abraçei aquela mulher sorridente, brincalhona, e pedi que me beliscasse para eu ter certeza de que não estava sonhando.

      A Maria Helena Leal de hoje  tinha me dito por telefone, muito antes de agendarmos nosso encontro: “Daslan, esqueça aquela menina de cabelos longos que você viu nas capas de revistas. Aquela garota não tem nada a ver com a mulher de hoje. Aquilo já passou.”  Já passou, em termos, pois quem foi rainha nunca perde a majestade. Por isso vale a pena recordar um pouco do passado dessa deusa carioca.

       No dia 21 de junho de 1969, enquanto 32 candidatas desfilavam na passarela do Maracanãzinho disputando o título de Miss Guanabara, milhares de pessoas lamentavam o fato de ali não estar desfilando a linda morena Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Nascida no dia 17/09/1951, Maria Helena não tinha ainda 18 anos completos, idade mínima exigida para concorrer ao título. Uma determinação do Juizado de Menores, uma semana antes, proibiu sua participação no certame.
         
Maria Helena Leal Lopes foi a primeira garota a se inscrever no Miss Guanabara 1969 , e logo passou a ser apontada como a grande favorita. Quando a revista O Cruzeiro divulgou suas fotos como primeira candidata ao Miss GB, a reportagem afirmava que ela tinha 18 anos. Aconteceu que no mês seguinte, alguém denunciou a sua menoridade. Comentou-se na época que a denúncia poderia ter partido de um ex-namorado. O Presidente do Telefônica Atlético Clube foi notificado que deveria provar a idade dela no prazo de 24 horas. Seus advogados recorreram, pois jamais poderiam provar que ela tinha 18 anos. Apresentaram um documento dos seus pais com firma reconhecida, autorizando sua participação. A coisa serenou e Maria Helena deu continuidade aos preparativos visando a disputa do Miss Guanabara. Seu pai precisou resolver uns negócios pessoais nos Estados Unidos e viajou certo da vitória da filha.  Faltando apenas uma semana, o Juizado de Menores fez prevalecer a proibição legal. Sorridente e sem mágoas, ela compareceu ao Maracanãzinho para incentivar suas companheiras. Quando o público percebeu sua presença, os aplausos foram muitos. Tirou fotos nos estúdios das revistas ao lado da vencedora, Mara do Carvalho Ferro, Miss São Cristóvão Imperial, que não cabia em si de alegria pelo título e pelo prêmio máximo: um automóvel Volkswagen  de quatro portas. No Miss Brasil, Mara conseguiu o quarto lugar, perdendo para Vera Fischer, Miss Santa Catarina, primeiro lugar; Maria Lucia Alexandrinho dos Santos, Miss São Paulo, segunda colocada; e Ana Cristina Rodrigues, Miss Rio Grande do Sul, terceiro lugar.
           
         A repercussão da proibição de Maria Helena participar do Miss Gunabara 1969 rendeu matérias na imprensa nacional, lado a lado com outros casos que marcaram o mês de junho do último ano da década de 60 : A derrota da seleção inglesa no Maracanã, que excursionava pela América Latina, diante da Canarinha, aumentando a esperança de que o Brasil poderia ser tricampeão mundial no ano seguinte; o  encontro de Nelson Rockfeller e Costa e Silva, no Palácio da Alvorada; a morte de Cacilda Becker; a eleição de Georges Pompidou, presidente da França;  o nascimento de Carlo Ponti Jr, o esperado primogênito de Sophia Loren;  a recepção ao Paulo VI em Genebra;  e o  sucesso do filme Buillit, estrelado por Steve McQueen.
         
         Moradora da Tijuca e aluna do 2º ano clássico do Colégio Pedro II, Maria Helena tinha participado do concurso “Senhorita Rio 1968”, onde foi vice de Ângela Catramby . Dona de um sorriso encantador, extrovertida, inteligente, adorava lasanhas e massas de todos os tipos, mas tinha a maior facilidade para emagrecer. Como seus sonhos de participar do Miss Guanabara foram frustrados, ela não teve dúvida de transferi-los para o ano seguinte. E em 1970, no Pavilhão de São Cristóvão, uma vez que o Maracanãzinho tinha sofrido um incêndio, lá estava ela, tranquila, linda, disputando o Miss Guanabara, representando o Telefônica Atlético Clube. Perdeu para Eliane Fialho Thompson, Miss Floresta Country Clube, eleita depois Miss Brasil e uma das 15 semifinalistas do Miss Universo 1970, vencido pela porto-riquenha Marisol Malaret Contreras. Para a maioria dos missólogos, Maria Helena Leal tinha tudo para ser a Miss Brasil 1969. "Se ela tivesse disputado o título nacional, Vera Fischer não existiria”, dizem alguns. 

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     Vamos mudar de assunto e falar da  Maria Helena Leal da Costa Pinto. Professora de Educação Física do Estado do Rio de Janeiro, onde dá aulas de natação e hidroginástica nas escolas de ensino fundamental e médio; viúva do médico otorrino Jairo da Costa Pinto Filho, uma personalidade humanitária que dirigiu um hospital carioca, falecido em 27/12/2001; e mãe de Agnes Lealt, sua única filha, fruto do seu casamento com o Dr. Jairo Costa. 

Muciolo Ferreira, eu, Maria Helena e Agnes
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Muciolo Ferreira, Maria Helena e eu
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Maria Helena, eu e Agnes Lealt
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A musa e sua herdeira
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        Durante umas quatro horas, Maria Helena falou sobre amaores, desamores, sonhos, ilusões, desilusões... Na juventude, seus valores eram outros, nunca fez concessões e a fama e a fortuna não estavam entre os seus objetivos. Citou até fatos desconhecidos pela filha Agnes, uma jovem linda que nunca quis saber das passarelas. Agnes é formada em publicidade pela PUC/Rio, estudou em Londres e lida com produção de cinema e televisão. Agnes folheou com atenção a revista Fatos & Fotos , de 03 de julho de 1969, que eu tinha levado para sua mãe autografar, e ficou muito alegre ao ver em página dupla a equipe do seu Fluminense Futebol Clube, campeão carioca de 1969. 


Autógrafo de Maria Helena. 
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        Desde 1969, eu sonhava ficar frente a frente com Maria Helena. Demorou, mas como tudo é no tempo de Deus, agradeci ao Senhor do Universo por ter realizado mais um sonho do menino alagoano de São José da Laje que um dia eu fui.
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          Abaixo, tendo ao lado os respectivos links, a relação das secções Sessão Nostalgia dedicadas a Maria Helena Leal.

02 de março de 2008
SESSÃO NOSTALGIA – Maria Helena Leal Lopes, vice-Miss Guanabara 1970, 
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13 de março de 2010
SESSÃO NOSTALGIA – A história de Maria Helena Leal Lopes, vice-Miss Guanabara 1970, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2010/03/sessao-nostalgia_13.html
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16 de outubro de 2010
SESSÃO NOSTALGIA - Concurso Miss Guanabara 1970,
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03 de março de 2012
SESSÃO NOSTALGIA – Maria Helena , vice-Miss Guanabara 1970, a beleza permanece na alegria de viver, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/03/sessao-nostalgia.htmliver

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