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sábado, 28 de fevereiro de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - Uma tarde com Maria Helena Leal, vice-Miss Guanabara 1970

Daslan Melo Lima


     O nosso encontro estava marcado para as 17 horas da sexta-feira, 20 de fevereiro, num restaurante de Copacabana. Cheguei com meu amigo Muciolo Ferreira, jornalista pernambucano, meia hora antes ao local combinado. Cada minuto que passava, mais ansioso eu ficava para conhecer pessoalmente aquela que ilustrou as mais importantes capas das revistas brasileiras de 1969: Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Ela chegou acompanhada da filha Agnes Lealt. Abraçei aquela mulher sorridente, brincalhona, e pedi que me beliscasse para eu ter certeza de que não estava sonhando.

      A Maria Helena Leal de hoje  tinha me dito por telefone, muito antes de agendarmos nosso encontro: “Daslan, esqueça aquela menina de cabelos longos que você viu nas capas de revistas. Aquela garota não tem nada a ver com a mulher de hoje. Aquilo já passou.”  Já passou, em termos, pois quem foi rainha nunca perde a majestade. Por isso vale a pena recordar um pouco do passado dessa deusa carioca.

       No dia 21 de junho de 1969, enquanto 32 candidatas desfilavam na passarela do Maracanãzinho disputando o título de Miss Guanabara, milhares de pessoas lamentavam o fato de ali não estar desfilando a linda morena Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Nascida no dia 17/09/1951, Maria Helena não tinha ainda 18 anos completos, idade mínima exigida para concorrer ao título. Uma determinação do Juizado de Menores, uma semana antes, proibiu sua participação no certame.
         
Maria Helena Leal Lopes foi a primeira garota a se inscrever no Miss Guanabara 1969 , e logo passou a ser apontada como a grande favorita. Quando a revista O Cruzeiro divulgou suas fotos como primeira candidata ao Miss GB, a reportagem afirmava que ela tinha 18 anos. Aconteceu que no mês seguinte, alguém denunciou a sua menoridade. Comentou-se na época que a denúncia poderia ter partido de um ex-namorado. O Presidente do Telefônica Atlético Clube foi notificado que deveria provar a idade dela no prazo de 24 horas. Seus advogados recorreram, pois jamais poderiam provar que ela tinha 18 anos. Apresentaram um documento dos seus pais com firma reconhecida, autorizando sua participação. A coisa serenou e Maria Helena deu continuidade aos preparativos visando a disputa do Miss Guanabara. Seu pai precisou resolver uns negócios pessoais nos Estados Unidos e viajou certo da vitória da filha.  Faltando apenas uma semana, o Juizado de Menores fez prevalecer a proibição legal. Sorridente e sem mágoas, ela compareceu ao Maracanãzinho para incentivar suas companheiras. Quando o público percebeu sua presença, os aplausos foram muitos. Tirou fotos nos estúdios das revistas ao lado da vencedora, Mara do Carvalho Ferro, Miss São Cristóvão Imperial, que não cabia em si de alegria pelo título e pelo prêmio máximo: um automóvel Volkswagen  de quatro portas. No Miss Brasil, Mara conseguiu o quarto lugar, perdendo para Vera Fischer, Miss Santa Catarina, primeiro lugar; Maria Lucia Alexandrinho dos Santos, Miss São Paulo, segunda colocada; e Ana Cristina Rodrigues, Miss Rio Grande do Sul, terceiro lugar.
           
         A repercussão da proibição de Maria Helena participar do Miss Gunabara 1969 rendeu matérias na imprensa nacional, lado a lado com outros casos que marcaram o mês de junho do último ano da década de 60 : A derrota da seleção inglesa no Maracanã, que excursionava pela América Latina, diante da Canarinha, aumentando a esperança de que o Brasil poderia ser tricampeão mundial no ano seguinte; o  encontro de Nelson Rockfeller e Costa e Silva, no Palácio da Alvorada; a morte de Cacilda Becker; a eleição de Georges Pompidou, presidente da França;  o nascimento de Carlo Ponti Jr, o esperado primogênito de Sophia Loren;  a recepção ao Paulo VI em Genebra;  e o  sucesso do filme Buillit, estrelado por Steve McQueen.
         
         Moradora da Tijuca e aluna do 2º ano clássico do Colégio Pedro II, Maria Helena tinha participado do concurso “Senhorita Rio 1968”, onde foi vice de Ângela Catramby . Dona de um sorriso encantador, extrovertida, inteligente, adorava lasanhas e massas de todos os tipos, mas tinha a maior facilidade para emagrecer. Como seus sonhos de participar do Miss Guanabara foram frustrados, ela não teve dúvida de transferi-los para o ano seguinte. E em 1970, no Pavilhão de São Cristóvão, uma vez que o Maracanãzinho tinha sofrido um incêndio, lá estava ela, tranquila, linda, disputando o Miss Guanabara, representando o Telefônica Atlético Clube. Perdeu para Eliane Fialho Thompson, Miss Floresta Country Clube, eleita depois Miss Brasil e uma das 15 semifinalistas do Miss Universo 1970, vencido pela porto-riquenha Marisol Malaret Contreras. Para a maioria dos missólogos, Maria Helena Leal tinha tudo para ser a Miss Brasil 1969. "Se ela tivesse disputado o título nacional, Vera Fischer não existiria”, dizem alguns. 

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     Vamos mudar de assunto e falar da  Maria Helena Leal da Costa Pinto. Professora de Educação Física do Estado do Rio de Janeiro, onde dá aulas de natação e hidroginástica nas escolas de ensino fundamental e médio; viúva do médico otorrino Jairo da Costa Pinto Filho, uma personalidade humanitária que dirigiu um hospital carioca, falecido em 27/12/2001; e mãe de Agnes Lealt, sua única filha, fruto do seu casamento com o Dr. Jairo Costa. 

Muciolo Ferreira, eu, Maria Helena e Agnes
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Muciolo Ferreira, Maria Helena e eu
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Maria Helena, eu e Agnes Lealt
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A musa e sua herdeira
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        Durante umas quatro horas, Maria Helena falou sobre amaores, desamores, sonhos, ilusões, desilusões... Na juventude, seus valores eram outros, nunca fez concessões e a fama e a fortuna não estavam entre os seus objetivos. Citou até fatos desconhecidos pela filha Agnes, uma jovem linda que nunca quis saber das passarelas. Agnes é formada em publicidade pela PUC/Rio, estudou em Londres e lida com p
rodução de cinema e televisão. Agnes folheou com atenção a revista Fatos & Fotos , de 03 de julho de 1969, que eu tinha levado para sua mãe autografar, e ficou muito alegre ao ver em página dupla a equipe do seu Fluminense Futebol Clube, campeão carioca de 1969. 


Autógrafo de Maria Helena. 
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        Desde 1969, eu sonhava ficar frente a frente com Maria Helena. Demorou, mas como tudo é no tempo de Deus, agradeci ao Senhor do Universo por ter realizado mais um sonho do menino alagoano de São José da Laje que um dia eu fui.
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          Abaixo, tendo ao lado os respectivos links, a relação das secções Sessão Nostalgia dedicadas a Maria Helena Leal.

02 de março de 2008 - SESSÃO NOSTALGIA – Maria Helena Leal Lopes, vice-Miss Guanabara 1970, 
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13 de março de 2010 – SESSÃO NOSTALGIA – A história de Maria Helena Leal Lopes, vice-Miss Guanabara 1970, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2010/03/sessao-nostalgia_13.html
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16 de outubro de 2010 – SESSÃO NOSTALGIA - Concurso Miss Guanabara 1970,
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03 de março de 2012 – SESSÃO NOSTALGIA – Maria Helena , vice-Miss Guanabara 1970, a beleza permanece na alegria de viver, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/03/sessao-nostalgia.htmliver

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17 comentários:

Anônimo disse...

Querido amigo Daslan, eu fico muito feliz , emocionada e agradecida, com tanto carinho, dedicação, admiração, respeito e afeto. Aí me perguntei: como poderei encontrar um homem tão esplendoroso, humano, amoroso, educadíssimo, sensível, que me idolatrou à vida toda e na sua imaginação - de fã fidelíssimo - só tem aquela visão de uma linda menina, 17 anos , com predicados, atributos e beleza que todos viram. Aonde está aquela menina, que transbordava de inocência , vivacidade , brilho , vigor , fantasias, ideais? Aonde está?????? ???
Grande poeta Daslan , não foi nesta vida que voce conheceu MARIA HELENA LEAL, mas foi um prazer INCOMENSURÁVEL, INFINITAMENTE LINDO, ESTAR NA SUA COMPANHIA, UM APRENDIZADO ENCANTADOR.
Também tenho que agradecer muito meu outro amado amigo MUCIOLO , que já o conhecia e foi o elo para ESTE ENCONTRO ACONTECER. Muito obrigada por ter sido merecedora de conhecer e estar com vocês que foram capazes de colocarem minha deprê , em seu devido lugar , na “P / Q / P "
Um beijo enorme MARIA HELENA LEALDA COSTA PINTO

(via Facebook)

Anônimo disse...

Muito legal VC continua muito linda gosto muito de VC Maria Helena Leal.

Nilce Moreno, Rio de Janeiro, RJ

(Via Facebook)

Anônimo disse...

Uma bela história para uma bela jovem ainda sorridente e feliz.

Você , Daslan , continuando o sonho sonhado , com muito êxito.Deve lhe proporcionar momentos de muita emoção. Vê-se inclusive através do belo gesto de carinho.# O BEIJO #

Que você possa continuar firme e forte nos seus lindos propósitos.
È o meu desejo sincero.
Parabéns.

Josenira Degroot
Maceió, AL

(via Facebook)

Anônimo disse...

ISTTO É FANTÁSTICO !!!!!!!!!!!....

Laércio Apolinário
Caruaru, PE

(via Facebook)

Anônimo disse...


Minha Tia Maria Helena Leal é tão linda que as palavras não conseguem expressar ou definir... Ela é única... Mulher inenarrável...

Rogerio Cesar Pinto
Rio de Janeiro

(via Facebook)

Anônimo disse...

Que carinho, hein, Daslan Melo Lima? Deixou-me com inveja, no bom sentido. Maria Helena Leal foi UMA PAIXÃO NACIONAL, tanto quando ia participar do Miss GB 69 como no de 70. Recordo-me que a vi, belissima, em traje negro, passando discretamente entre as mesas do Maracanãzinho no Miss GB 1969, pois estive presente e o público das arquibancadas a aplaudiu de pé, sendo ovacionadíssima. Sou testemunha ocular disso.

Sempre fui fã dela, de carteirinha, desde que despontou nas revistas como favoritíssima ao título de Miss Guanabara 1969.

Agora, vejamos, para Maria Helena Leal a tal "Lei" não a permitiu concorrer por ter apenas 17 aninhos, mas na semana seguinte, Vera Fischer concorreu com apenas 17 anos também, só que, creio, não foi denunciada. Soube depois que Paulo Max levou Vera em Blumenau para ser alterada a sua idade para 18 anos, para assim poder viajar a Miami Beach.

Barros Expedictus
Maceió, AL

(via Facebook)

Anônimo disse...

ROBERTO MACÊDO, de Salvador, BA - Teria sido a Miss Brasil 1969... E, quem sabe, o primeiro back-to-back da história do Miss Universo.

(via Facebook)

Anônimo disse...

BRÍGIDA FONTANA DE CASTRO , do Rio de Janeiro, RJ - Parabéns!!! Amiga. Você merece todo esse carinho. Continua uma linda mulher. Bjs.

(via Facebook)

Anônimo disse...

MARIA JOSÉ FERNANDES, do Rio de Janeiro, RJ - 1970 um ano pra sempre lembrar. Eu nos meus dezesseis anos, encantava-me com essa capa, olhava aquela moça linda, com aquele sorriso encantador no carnaval e sonhava. Passou-se dois anos e nos tornamos vizinhas em Jacarepaguá, aí conheci de perto uma pessoa incrível, linda por dentro e por fora nos tornamos amigas pra sempre. Lena você é simplesmente linda!

Grata Daslan Melo Lima por essa merecida homenagem à Maria Helena Leal.

(via Facebook)

Anônimo disse...

AGNES LEALT, do Rio de Janeiro, RJ - Daslan, obrigada pelo carinho com minha mãe! Nossa tarde foi muito agradável, esperamos vcs ano que vem!!! Beijos para vc e Muciolo.

(via Facebook)

Anônimo disse...

Concorco com Roberto Macêdo. Poderia ter sido o primeiro back-to-back da história, ou seja, a nossa baiana Martha Vasconcellos, Miss Universo 1968, poderia ter passado a coroa de rainha da beleza universal para Maria Helena Leal Lopes.

C.Rocha de Floripa.

Anônimo disse...

Maria Helena foi o "furacão" daquele 1969. Nunca me conformei por ela não ter disputado o Miss Estado da Guanabara.
Fiquei revoltado depois que soube que Vera Fischer também não tinha 18 anos completos ao ser eleita Miss Brasil, e que tiveram de falsificar sua identidade a fim dela viajar para Miami para participar do Miss Universo.
A história seria completamente outra se Maria Helena tivesse disputado o Miss GB.
Maravilhoso ler esta matéria e saber que ela hoje é uma mulher cheida de vida e que não se deixou levar pelo flso brilho dos holofotes.

Caros Augusto S.Coutinho

Anônimo disse...

Emocionadíssimo, não consigo verbalizar no texto as palavras exatas para exaltar minha paixão da adolescência e modelo de mulher nos dias atuais, depois do que escreveu o poeta Daslan.

Conto os dias para nos reencontrar em 2016, noutra tarde tórrida do verão carioca, mas agradabilíssima e com direito a troca de mimos, sorrisos, risos, gentilezas e abraços infindáveis. Conversas de amigos.

Um Beijão à minha deusa Maria Helena, extensivo à encantadora e doce Agnes.

Muciolo Ferreira

Anônimo disse...

Esta matéria revela uma verdade: as pessoas famosas tem os mesmos problemas dos mortais comuns.
Quem diria que esta deusa maravilhosa sofreu de depressão?

Deus te faça feliz, Helena, Lena, Leninha, deusa também da minha adolescência.

Marcos José Beltrão
Brasília

DASLAN MELO LIMA disse...

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Comentário enviado por Fernando Costa e Silva, de Campinas, SP, por e-mail
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Não tem para onde correr, não adianta, o Brasil é apaixonado por Futebol e Misses.
O problema que acontece hoje em dia é que alguns concursos de beleza estão em mãos erradas. E a fórmula de um tal padrão é equivocada.
Mulheres com o biotipo de Aizita Nascimento, Vera Couto, Stael Abelha e Maria Helena Leal ainda são preferências NACIONAL.

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Nelson Ramos Junior disse...

Parabéns pela postagem Daslan!
Fiquei emocionado!

Grupo de Estudos Dom Helder Câmara disse...

Só tenho que te parabenizar pelo encontro com a Maria Helena Leal. Na sua qualidade de cultuador de memória, porque não dizer cultural, você mais que merecia esse encontro.
Fico muito feliz que isso tenha acontecido contigo, o que dá para se notar pelas suas expressões fotográficas. Aliás, fico ainda mais contente, porque sou aquele de quem compraste revistas: aquele que nasceu no bairro de Laranjeiras-Rio de Janeiro, em cuja rua General Glicério possui vários edifícios com nomes de cidades pernambucanas, entre elas a sua querida Timbaúba.
Uma vez mais, PARABÉNS !!!!!!!
Sergio