SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com
Se para muitas jovens é a glória ser eleita Miss Brasil, ganhar notoriedade e reinar por um ano num clima de sonho e glamour, para outras poderá se tornar algo cansativo e artificial. Nem todas as beldades eleitas Miss Brasil cumpriram o tempo completo de duração do seu reinado, após suas participações no concurso Miss Universo. Quem foram elas e as vices que assumiram?
----------
1958
Adalgisa Colombo (1940-2013), Miss Distrito Federal, Miss Brasil e segundo lugar no Miss Universo. Renunciou ao título para casar com o empresário Jackson Flores (*?+?), brasileiro residente em New York.
----------
Sônia Maria Campos, Miss Pernambuco, Vice-Miss Brasil, sétima colocada no Miss Mundo.
----------
1961
Stael Rocha Abelha, Miss Minas Gerais, Miss Brasil. Apaixonou-se durante o concurso pelo deputado federal Múcio Ataíde (1936-2010) e quase desistiu de viajar para Miami Beach, a fim de representar o Brasil no Miss Universo. Ao retornar dos Estados Unidos, afirmou que estava trocando o seu reinado por amor.
----------
Vera Maria Brauner (1942-2012), Miss Rio Grande do Sul, Vice-Miss Brasil, segunda colocada no Miss Beleza Internacional.
----------
1967
Carmem Sílvia de Barros Ramasco, Miss São Paulo, Miss Brasil, semifinalista (top 15) no Miss Universo. Renunciou alegando insatisfação com a coordenação do concurso: "Claro que é bom saber-se bonita e admirada. Mas não dessa forma, em que a gente é usada como um objeto com a única finalidade de enriquecer uma indústria: a indústria dos concursos de miss."
----------
Wilza de Oliveira Rainato (1949-2015), Miss Paraná, Vice-Miss Brasil.
----------
1974
Sandra Guimarães de Oliveira, Miss São Paulo, Miss Brasil. Sandra renunciou ao título por se considerar a antimiss. "Não sou a Miss tradicional. Em Brasília, num dia muito frio, vesti um camisão e apareci para o pessoal. Não gosto de usar maquiagem e sempre fiz questão de ser o que sou."Ao voltar do Miss Universo declarou: "A viagem valeu pela curtição. Sou a antimiss. Voltei com saudade de tudo e todos. Adorei as Filipinas. (...) Perdi. Só isso. Não fui a primeira e não serei a última. Perdi, porque perdi e não liguei. Não tinha paciência de ficar sorrindo o tempo todo, depois de ter ensaiado 12 horas. Teve um jornal de lá que me colocou entre as 12 finalistas, mas os juízes não pensaram com o os repórteres. (...) Não sou a Miss tradicional. ***** Fonte das declarações: revista Fatos & Fotos.
---------
Janeta Eleomara Hoeveler, Miss Rio Grande do Sul, Vice-Miss Brasil.
----------
2002
Joseane Procasco Guntzell de Oliveira, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil. Durante sua participaçao no BBB, Big Brother Brasil, reality show da Rede Globo, confessou que tinha casado em 1998. Por conta da repercussão do escândalo, acabou sendo destronada dois meses antes da realização do Miss Brasil 2003.
---------
Taísa Thomsen Severina, Miss Santa Catarina, Vice-Miss Brasil.
----------
A gente fica a se perguntar: "Se as vices tivessem sido eleitas em lugar das titulares que renunciaram, teriam ido mais longe no concurso Miss Universo? Que destino teria tomado suas vidas?" O que você me diz, prezado leitor, prezada leitora? Deixe seu comentário ou envie um e-mail para daslan@terra.com.br
No mês de agosto
de um tempo que se foi, a Miss Brasil do ano já
tinha sido eleita, assim como a Miss Universo. Do Oiapoque ao Chuí,
todos ficavam encantados ao encontrar
nas bancas de revistas as famosas publicações O Cruzeiro, Manchete,
Mundo Ilustrado e Fatos & Fotos com suas reportagens generosas sobre os
concursos de misses.
Neste sábado frio
de agosto de 2014, aleatoriamente, abro uma revista dos anos sessenta e encontro
uma bela e original propaganda da Braniff International Airways com a
mineira Staël Maria da Rocha Abelha, Miss Brasil 1961.
O Cruzeiro, Ano XXXIII, nº 40, 15/07/1961 - Acervo: DML/Passarela Cultural
Eu e você - o Brasil em Miami! Vamos? - Lá estarei representando nossa terra, no grande desfile do dia 15 de julho.
Você não gostaria de ir também a Miami, para assistir a todo o desenrolar do concurso
e torcer pelo Brasil? Como eu vou ficar
contente em ouvir suas palmas, ali pertinho de mim, na passarela. A caravana
brasileira segue dia 13, nos fabulosos Super-Jets 707-227 da Braniff. Já
imaginou que maravilha, Miami toda em festa, gente de todo o mundo, os
passeios, o concurso... Vamos! O programa inclui a viagem de ida e volta, com acomodações reservadas
nos melhores hotéis, ingressos para todos os desfiles e roteiro de lindos
passeios. Serão dias inesquecíveis! Você vai ver com os seus próprios olhos um dos maiores acontecimentos mundiais,
pela Braniff.
Neste sábado frio de agosto de 2014, fecho os olhos e
entro no túnel do tempo, de volta ao passado. Sou apenas uma
criança dos anos 60, um menino sonhador alagoano de São José da Laje que deseja conhecer o glamour e assistir ao concurso Miss Universo 1961. Embora eu e você já sabemos que Staël
não será classificada e que a loura alemã Marlene Schmidt sairá vitoriosa, insisto : Eu e você - o Brasil em Miami! Vamos?
Foram muitos os trajes típicos de baiana usados
por representantes do Brasil no concurso Miss Universo. Entre os que marcaram época, o criado
por Marcílio Campos (*25/01/1930 +26/04/1991) para a mineira Staël Maria da Rocha Abelha, Miss Brasil 1961. Na ocasião, O
Cruzeiro, a revista de maior circulação no País, com tiragem de 500 mil
exemplares, deu uma visibilidade sem precedentes ao assunto, com direito a capa e sete páginas.
----------
A fantasia da capa – Miss Brasil foi fotografada por Indalécio Wanderley
com a “baiana” que ela irá exibir em Miami. A fantasia foi confeccionada por
Marcílio Campos, costureiro pernambucano, bicampeão do carnaval carioca. Ainda
este ano, ele foi o autor de “Isabel, Rainha de Portugal”, com a qual Denise Zelaquett
ganhou 1º prêmio no Municipal e no Quitandinha. Ubiratan de Lemos, Jean Solari e Hélio Passos
levaram Miss Brasil-61 a um passeio
pelas ruas centrais do Rio, vestida com a “baiana” que apresentará em Miami. Foi
uma pausa de beleza e graça num dia normal de trabalho dos cariocas. Beleza, na verdade, vem do berço. E Staël Abelha, antes de ser Miss Brasil, já tinha tudo o que hoje mora ao lado.
---------- Crédito das imagens: O Cruzeiro,
Ano XXXIII, Nº 40, 15/07/1961. Acervo DML/Passarela Cultural.
Rio viu primeiro a baiana Staël. - Texto de Ubiratan de Lemos. Fotos de Hélio Passos e Jean Solari.
Na baiana de luxo, nas ruas do
Rio, o povo foi descobrindo aos poucos Miss Brasil n° 1.
Detalhe: Miss Brasil nº 1, era
assim como se referiam à primeira colocada no Miss Brasil. Na época, as misses
que ficavam no segundo e terceiros lugares tinham a denominação de Miss Brasil
nº 2 e Miss Brasil nº 3, respectivamente, e viajavam para o exterior como representantes brasileiras
no Miss Beleza Internacional, realizado em Long Beach, e no Miss Mundo, que
acontecia em Londres.
Carioca da Cinelândia viu e não
acreditou: baiana muito dourada, muito verde, de penachos e balangandãs, mas de
bamboleio mineiro, singrando, sozinha, pela Belacap. Stäel Maria da Rocha Abelha,
que já se transformou em letra de samba no Rio e em São Paulo, caprichava no
desembaraço. Sorria para os pontos cardeais, na passarela do asfalto. Falava com
um e outro, sublinhando frases curtas de conteúdo gentil. Sempre alegre,
conversando rosas, é incapaz de um “não” para o programa puxado que está
cumprindo. Apenas concorda que precisa engordar os 3 quilos perdidos. E
desmente a versão do noivo. Ainda não teve tempo de pensar nele E não sabe se
ele deve despontar na sua glória confusa. O importante é que Staël continua a
mineira de Caratinga, natural, sem rasuras. A coroa não lhe empoou a vaidade,
mas lhe exagerou a simpatia.
Ela está escrevendo letras miúdas
em papel azul: suas memórias de Miss Brasil. Ou simplesmente um diário, o
roteiro de suas emoções. O sonho fecundado de ser Miss Brasil. Desde já
avançamos que a sua impressão maior, depois de Miss Brasil, é ser agora um
espécimen raro. Todos lhe espiam o rosto como se ela tivesse desembarcado de um
disco voador: curiosidade e análise. Levará para Miami dois presentes. Um pé de
café num jarro e um naco de cristal de rocha. Mas não falará em inglês, porque
não o domina suficientemente. E explica: “acho Camões tão importante quanto
Shakespeare”.
O autor da baiana, que é o luar
destas páginas, chama-se Marcílio Campos, do Recife. É campeão de fantasias do
carnaval. Marcílio trabalhou em tela cristalizada. Amarelo-ouro com babados
plissados e, sobre estes, camada de babados de bico de seda branca, rebordados com paillettes dourados. O matame tem
contornos dourados; as sandálias com detalhes em verde-bandeira. E ainda um chalé
em cetim verde, com turbante no mesmo cetim e adorno de plumas verdes e
vermelhas. Completam a baiana bolas de ajoufo verdes, vermelhas e douradas,
colares, pulseiras, no mesmo tom tricolor. Os brincos são argolas douradas. É a
baiana mais arara, em bom estilo, dos anais do concurso de Miss Brasil.
Miss B-61, a mineirinha Staël Maria,
baixou de retiro silvestre, em São Paulo, de onde sairá para o voo superjato da
Braniff, no “Eldorado”. E, então, será Miaimi Beach, desta vez com profunda
intuição de vitória.
Todo mundo ficava surpreso em
ver, de repente, uma “baiana” tão bonita, tão longe do Carnaval. E a surpresa crescia
quando reconhecia nela a elegante Miss Brasil-61.
Staël, de baiana, mostrou a
faceirice mineira da Cinelândia à Central do Brasil.
Com absoluta exclusividade e
grande esforço, O Cruzeiro mostrou Staël aos cariocas com a linda baiana que
usará em Miami. Aqui, na escadaria do Municipal, ela experimentou a sandália de
16 cm de salto, especial para as passarelas em que reinará com seu encanto.
----------
Após retornar de Miami Beach, onde não
obteve classificação no Miss Universo, concurso no qual foi eleita Marlene
Schmidt, Miss Alemanha, Staël Abelha
renunciou ao título apresentando sua carta-renúncia onde dizia que trocava seu
reino por amor. Vera Maria Brauner (1942-2012), Miss Rio Grande do Sul, sua vice, foi coroada oficialmente Miss Brasil 1961 em um programa de televisão. A trajetória de Staël foi motivo da Sessão Nostalgia
de 30/04/2011, disponível neste link http://passarelacultural.blogspot.com.br/2011/04/de-alagoas-para-o-mundo_30.html
Marcílio Campos nasceu no Estado da Paraíba, em 25/01/1930, e morreu no Recife, cidade onde passou a maior parte da sua vida, vítima de colapso cardíaco, em 26/04/1991..***** Foto: Acervo/Fernando Machado.
É bem diferente a maioria dos trajes típicos apresentados hoje pelas misses, distantes daquela baiana de Staël Abelha criada por Marcílio Campos, quando inexistia o termo estilista. Marcílio era chamado, com muita honra, de figurinista e costureiro. Ao mesmo tempo em que buscam, através de suas alegorias, externar a riqueza e os valores culturais de uma
região, alguns estilistas se distanciam dos verdadeiros, singelos e poéticos trajes típicos do Brasil.
Resolvi atender as dezenas de e-mails de leitores que me pediram que eu postasse em PASSARELA CULTURAL a minha relação de favoritas ao título de Miss Brasil 2011. Antes, desejo ressaltar que, das 27 concorrentes ao título máximo da beleza brasileira, conheço pessoalmente apenas três delas, Vanessa Gabriella, Miss Bahia;Leydiane Vasconcelos, Miss Pernambuco; e Priscilla Durand, Miss Paraíba.
Sei muito bem que uma coisa é ver as Misses nas fotos, nos sites, na televisão, e outra é vê-las pessoalmente. Talvez minha lista fosse outra, caso eu conhecesse todas ao vivo. É provável que alguma Miss saia da minha lista e ceda lugar a outra que não esteja na minha relação, quando eu estiver no sábado assistindo ao concurso pela televisão. De alguma forma, por ordem alfabética, eis o meu Top 10: Miss Amazonas,Tammy Cavalcante; Miss Bahia, Vanessa Gabriella; Miss Ceará, Anastácia Duarte; Miss Distrito Federal, Alessandra Baldini; Miss Paraíba, Priscilla Durand; Miss Piauí, Renata Lustosa; Miss Santa Catarina, Michelly Bohnen; Miss Rio Grande do Norte, Daliane Menezes; Miss Rio Grande do Sul, Priscila Machado; e Miss São Paulo, Rafaela Butareli.
Quando ao meu Top 3, sem ordem de classificação, suponho que o título de Miss Brasil 2011 deverá ficar com uma destas jovens abaixo:
Miss Ceará, Anástacia Duarte
Miss Distrito Federal, Alessandra Baldini
Miss São Paulo, Rafaela Butareli
Fui criança nos mágicos anos 60, quando o Brasil , tal como em época de Copa do Mundo, parava para acompanhar os concursos de Miss Brasil. Na minha alagoana São José da Laje, sem televisão, as pessoas acompanhavam a transmissão pelo rádio. As imagens das Misses só íamos ver quando chegavam as revistas O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos.
Ano de 1961. Há 50 anos, o Top 3 do Miss Brasil. Da esquerda para a direita, Vera Maria Brauner, Miss Rio Grande do Sul, segunda colocada; Stael Rocha Abelha, Miss Minas Gerais, primeiro lugar; e Alda Coutinho de Moraes, Miss Guanabara, terceira colocada. (Foto: revista O Cruzeiro)
No sábado, 23, diante da televisão, o menino que um dia eu fui estará outra vez vivendo um sonho, embora tanta coisa tenha mudado, assistindo ao Miss Brasil, tranquilo, cantando em silêncio aqueles versos singelos, antigos e patrióticos da música Canção das Misses, de Lourival Faissal.
Os Estados brasileiros se apresentam / nesta festa de alegria e esplendor. / Jovens misses seus Estados representam / seus costumes, seus encantos, seu valor.
Em desfile, nossa terra, nossa gente, / pela glória do auriverde em céu de anil. / Sempre unidos Leste, Oeste, Norte, Sul, / na beleza das mulheres do Brasil.”
Uma mineira de Caratinga chamada Staël Maria da Rocha Abelha, apelidada carinhosamente pela família de “Telete”, filha do casal Álvaro e Maria da Glória Abelha, sobrinha do Monsenhor Rocha, terceranista de Direito, foi eleita Miss Brasil 1961.
Staël Abelha - Capa da revista O Cruzeiro, 1º/07/1961
Ela escreve o nome com trema no “e”. Faz questão absoluta disso. E tem olhos castanhos, que não são profundos. No conjunto das 22 concorrentes, Staël saltou como o melhor estilo nacional. Com graça, sobretudo. Tudo isso numa modéstia tranquila. Somem: 1,70 de altura, 58 de peso, 98 de busto, 58 de cintura, 98 de quadris, 56 de coxa, 22 de tornozelo e 19 anos de idade. Adicionem ainda os tons imponderáveis, e eis Stael diante de vocês. (O Cruzeiro, 1º/07/1961) Detalhe: Nas revistas pesquisadas para elaboração desta matéria, apenas a O Cruzeiro, de 1°/07/1961, escreveu o nome de Staël com o trema na letra "e".
Staël Abelha na capa da revista Manchete, de 08/07/1961.
Staël Abelha - Foto: Manchete, 08/07/1961
Após retornar de Miami Beach, onde não obteve classificação no Miss Universo, concurso no qual foi eleita Marlene Schmidt, Miss Alemanha, Staël Abelha renunciou ao título apresentando sua carta-renúncia onde dizia que trocava seu reino por amor.
STAËL ABELHA, MISS BRASIL 1961, UNANIMIDADE DE OPINIÃO
Staël Abelha - Capa da Manchete, 1º/07/1961
Um público estimado em 25.000 pessoas acompanhou ao vivo, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, a eleição da Miss Brasil 1961. Vinte e cinco mil juízes, no Maracanãzinho, elegeram a mineira Stael Miss Brasil-61. Pela primeira vez na história deste Concurso houve unanimidade de opinião. Beleza mineira de olhos castanhos tem hoje o título de a mais bela brasileira, pelo voto de 13 juízes e do público que lotou o Maracanãzinho, na maior e mais elegante noite da história do Miss Brasil. ( O Cruzeiro, 1º/07/1961).
Da esquerda para direita: Vera Maria Brauner (Miss Rio Grande do Sul, segundo lugar, representante do Brasil no Miss Beleza Internacional, em Long Beach); Staël Maria da Rocha Abelha, Miss Minas Gerais, primeiro lugar, representante do Brasil no Miss Universo, em Miami Beach); e Alda Coutinho de Morais (Miss Guanabara, representante do Brasil no Miss Mundo, em Londres)***** (Foto: Manchete, 1º/07/1961)
STAËL ABELHA, RECEPÇÃO APOTEÓTICA EM BELO HORIZONTE E CARATINGA
Cinco batedores abriram o cortejo que acompanhou a triunfal entrada de Stael em Belo Horizonte. Na frente, um carro com alto-falante tocava uma marchinha composta em homenagem a Miss Brasil: “Ai, Abelha/do meu coração/eu quisera um dia/ser o teu zangão.” Ela ficou o tempo todo de pé, num automóvel conversível, acenando alegremente para uma multidão de cem mil pessoas. O desfile terminou na Prefeitura, onde ela foi recebida pelo Prefeito Amintas de Barros e os vereadores concederam-lhe o título de “Cidadã de Belo Horizonte”. (Manchete, 08/07/1961)
Orgulhosa de ter sido o berço da linda representante do Brasil no concurso internacional de 1961 em Miami, a cidade de Caratinga recebeu apoteoticamente Stael Maria da Rocha Abelha. Eram 15 horas quando, sábado passado, Miss Brasil chegou, de avião, à Caratinga, sua terra natal. O dia era duplamente festivo: a cidade fazia 110 anos e recebia sua filha mais famosa. Cerca de 40 mil pessoas aclamaram a linda moça, em honra de quem foi organizado um grande préstito. Formaram todos os colégios e as bandas de música locais se incorporaram ao desfile. Seu carro alegórico, acompanhado a pé, pela multidão, do aeroporto à cidade, dirigiu-se ao palanque, onde o prefeito a esperava, com a chave da cidade. Caratinga, por sua estação de rádio, proclamou-se, então, a Capital da Beleza. E com isso culminou a apoteose a Miss Brasil. (Manchete, 08/07/1961)
Os mineiros estão muito orgulhosos de sua vitória no concurso de beleza e, por isso mesmo, cercam Miss Brasil das maiores provas de carinho. Em Belo Horizonte, o Banco de Crédito Real de Minas Gerais, visitado por Stael Maria da Rocha Abelha, ofereceu-lhe um cheque-presente de quinhentos dólares, para ajudar o custeio de sua viagem a Miami. Ofereceu-lhe, também, a chave de um cofre forte, para guardar o cetro de Miss Brasil, ou de Miss Universo se ela conquistar o título máximo. O Banco da Lavoura de Minas Gerais, por sua vez, ofereceu-lhe também um valioso presente: cem dólares, para as despesas com a ida aos Estados Unidos. Exprimindo sua gratidão, Stael declarou à reportagem de Manchete: “Só pelo prazer de sentir o carinho e a estima do povo de Minas Gerais valeria a pena ter vivido as angústias por que passei, até conquistar o título de Miss Brasil. Obrigada a todos!” (Manchete, 08/07/1961)
STAËL ABELHA, “MEU REINO POR AMOR”
Casamento une a Miss e o Deputado – Lua de Mel de Abelha (O CRUZEIRO, 18/01/1964)
O romance Stael-Múcio Ataíde foi o grande assunto, na época do concurso Miss Brasil-61. Agora, a história chega a um final feliz.
Seu Cupido não há expert que o compreenda quando quer unir duas pessoas pelos laços indissolúveis: faz o seu trabalhinho à socapa, e, em dado momento, puf... o amor se encarrega do resto. Uma de suas artimanhas mais consagradas começou a ser elaborada em 1961 numa passarela de concurso de beleza e acabou com “happy end” ao compasso de marcha nupcial, agora em 1963. Múcio Ataíde, conhecido industrial que na época contava apenas 21 anos de idade, dizia sempre que só se casaria aos 40. Um dia precisou de moça bonita para apresentá-la como candidata do Pampulha Iate Clube ao concurso de Miss Minas Gerais. Stael Rocha Abelha, estudante de Direito, estava no sossego do seu retiro, na sua cidade de Caratinga, onde lecionava para a infância. Cupido deu o primeiro toque na sua obra. Ataíde brincou de piloto e, no seu próprio avião, foi buscá-la. Ela veio e brilhou. Pela primeira vez Minas Gerais levantou o título de Miss. O sucesso da passarela mineira iria se reproduzir jubilosamente no Maracanãzinho, de onde Stael Abelha saiu ovacionada ao conquistar o título de Miss Brasil. A esta altura do concurso, já o romance ganhava raízes cósmicas no coração dos dois jovens, circunstância que contribuiu para que a representante brasileira ao Miss Universo na undécima hora não quisesse mais seguir para Miami Beach. Foi um deus-nos-acuda, mas o bom senso acabou vencendo o coração. Depois muitos interurbanos foram feitos via Minas-States, durante vários e penosos dias de ausência e saudade. Afirmou-se na época que Stael, distante do seu eleito mineiro, não mais se interessou pelo concurso. Desfilou por desfilar, diante de americanos deslumbrados. Quando regressou ao Brasil, a sua entrevista foi uma bomba. Apresentou a sua carta-renúncia em que trocava “meu reino por amor”. Dois anos depois, Cupido, de dedo à cava do colete, deu chamas a esse discutido romance que agora teve um epílogo bonito na Igreja São José em Belo Horizonte.
Staël Abelha de véu e grinalda, na capa da O Cruzeiro, de 18/01/1964
Dirigindo o seu próprio automóvel, um Aero-Willys azul-escuro, Múcio Ataíde, (integrante da bancada do PTB mineiro na Câmara Federal) chegou para o enlace, que se realizou com uma hora e cinco minutos de atraso. Como manda o figurino de sua grei partidária, chegou de mangas de camisa, só vestindo paletó à entrada do templo onde se realizaria uma das mais concorridas cerimônias religiosas da capital. Um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas a postos focalizaram os mais variados aspectos do acontecimento. Fez-se ouvir o coro do madrigal renascentista, tendo oficiado o ato o bispo da diocese de Montes Claros, terra natal do noivo, D. José Alves Trindade. A noiva estava linda como sempre; e o noivo elegante. Ambos recrutaram para padrinhos pessoas humildes – a empregada Maria Cristina, o alfaiate Geraldo Gomes, o copeiro Francisco de Paula Pinto, o contínuo Jose Rios do Nascimento e sua esposa. Múcio Ataíde convidou também o Advogado Sobral Pinto, o Sr. Miguel Miranda, funcionário do seu escritório em Belo Horizonte, e sua irmã Florinda Ataíde Peres. O resto foi lua-de-mel em lugar tranqüilo, que os noivos fizeram questão de guardar em reserva. STAËL ABELHA, 50 ANOS DEPOIS
De 05 a 22 de outubro de 2010, na
Casa Ziraldo de Cultura, em Caratinga, MG, foi realizada a exposição “Stael Abelha, nossa eterna Miss
Brasil”, trazendo fotografias e reproduções de reportagens sobre a caratinguense que foi
eleita a mulher mais bonita do Brasil no ano de 1961. Realizada pela Associação
Estação de Cultural de Caratinga, com apoio da Prefeitura Municipal, a iniciativa
foi do cartunista Edra que partindo do seu acervo de publicações sobre a
homenageada conseguiu o apoio do seu amigo Onair de Freitas, fotógrafo que
cobriu o evento daquela época,
emprestando algumas de suas fotografias e exemplares das revistas “O Cruzeiro”
e “Manchete”. Outro colaborador para o sucesso da mostra foi o presidente da
CDL, Paulo Sérgio da Silveira, além de Cezário Baptista, de Jaguariúna, SP, que
cedeu cópias de reportagens. Fonte: http://casaziraldodecultura.blogspot.com.br
EPÍLOGO
Staël Abelha surpreendeu o país ao renunciar ao trono de Miss Brasil, um título cobiçadíssimo ainda hoje, quanto mais nos mágicos anos sessenta. Vera Maria Brauner, Miss Rio Grande do Sul, sua vice, segunda colocada no Miss Beleza Internacional, foi coroada oficialmente Miss Brasil 1961 em um programa de televisão.
Espero que hoje, ao rever as revistas daquele inesquecível 1961, Staël Abelha, ao lado de algum neto curioso, possa dizer: - Eu fui Miss Brasil, mas troquei meu reino por amor, não me arrependi e sou feliz, muito feliz. Que assim seja, Staël Maria da RochaAbelha, a quem dedico esta SESSÃO NOSTALGIA da última semana de abril de 2011.
Agosto de 1961. VERA MARIA BRAUNER DE MENEZES tinha conquistado o título de segunda mulher mais bela do mundo no International Beauty Congress( Miss Beleza Internacional), em Long Beach, Califórnia, e estava visitando os estúdios da Warner Brothers. Os caçadores de talentos ficaram loucos por aquela jovem de olhos azuis e ofereceram propostas tentadoras para que ela se tornasse uma estrela de cinema. O galã Peter Brown, protagonista de “Lawman”(O Homem da Lei) a queria como leading-lady. Mas os sonhos da linda garota eram outros. Ela queria voltar logo para o Brasil. Já tinha recebido um cheque de 4 mil dólares pelo segundo lugar e queria usar aquele dinheiro para melhorar a situação da família modesta. Estava feliz por ter chegado aonde chegou e tudo que desejava era saborear um churrasco, cumprir seus compromissos de Miss e depois casar com João Roger Damé, seu noivo e namorado desde os 12 anos de idade, recém aprovado em quarto lugar no concurso do Banco do Brasil.
As imagens que ilustram esta matéria são fotos-reproduções da revista MANCHETE, apenas uma delas, a de tom sépia, é de O CRUZEIRO.
VERA MARIA BRAUNER, Rainha da Quadra 1953
Vera nasceu no dia 11/02/1942. Aos 11 anos de idade era considerada uma das meninas mais lindas de Pelotas. Durante uma festinha, regada a muitos doces e refrigerantes, foi coroada Rainha da Quadra, a mais bela garota da rua onde morava. Era o começo da glória. Aos 13 anos de idade, seu maior sonho era ser dentista. Mudou de idéia e passou a pensar em ser professora depois que soube que os estudantes de odontologia tinham aulas extraindo dentes de cadáveres.Aos 19 anos era eleita Miss Pelotas representando o Laranjal Praia Clube. Em seguida, venceu 15 candidatas na disputa pela coroa de Miss Rio Grande do Sul 1961.
VERA MARIA BRAUNER, Vice-Miss Brasil 1961
Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 17 de junho de 1961. Concurso Miss Brasil. Vera Maria Brauner era uma das favoritas. O resultado que apontou a mineira Stael Maria da Rocha Abelha como a nova Miss Brasil agradou em cheio as 25 mil pessoas presentes. Stael foi a mais aplaudida, seguida das Misses Guanabara, Rio Grande do Norte, Pará, Pernambuo, Rio Grande do Sul e Bahia. As finalistas, por ordem de classificação, foram:
Miss Minas Gerais, Stael Maria da Rocha Abelha,representante do Brasil no Miss Universo;
Miss Rio Grande do Sul, Vera Maria Brauner de Menezes, representante do Brasil no Miss Beleza Internacional;
Miss Guanabara, Alda Maria Coutinho, representante do Brasil no Miss Mundo;
Miss Ceará, Elza Maria Lauriano dos Santos;
Miss Bahia, Stella Maria Rocha Lima,
Miss Pará, Filomena Maria Jorge Chaves,
Miss Pernambuco, Maria Lúcia Santa Cruz;
Miss Rio Grande do Norte, Carmem Aurélia Rodrigues de Lima
Vera Maria é beleza escolástica, nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, olhos azuis, cabelos castanhos. Ei-la em termos métricos: 1,70 de altura, 57 de peso, 56 de coxa, 21 de tornozelo, 94 de busto, 60 de cintura, 94 de quadris, e mais tudo aquilo que não pode ser medido, porque faz parte de sua irradiação pessoal. Cursa o 3° ano Normal. E gosta de missa aos domingos e de cinema em dias úteis. João Roger, o noivo, ficou mais nervoso que ela. Estava para arrebentar no Maracanãzinho. Apesar de ter desfilado uma única vez, quando debutou, foi grau 10 na passarela. Esteve garbosa como uma fragata, para repetir uma frase de Rachel de Queiroz. Foi espontânea, como se ninguém estivesse olhando os seus passos, nos 130 m de passarela. Revelou um detalhe de sua vivência no Maracanãzinho: sentia o queixo tremer no desfile. Trepidava tanto que não podia rir. Outras misses concordaram com Vera. Dia 14 de julho voará para Long Beach, onde seu tipo é sucesso total. O rosto, principalmente. (O CRUZEIRO, 1º/07/1961)
VERA MARIA BRAUNER, Vice-Miss Beleza Internacional 1961
Para a imprensa americana, as favoritas ao título de Miss Beleza Internacional 1961 eram as representantes de Hong Kong, China, Madagascar, Panamá, Holanda, Itália, Luxemburgo e Israel. Mas a comissão julgadora decidiu assim:
Primeiro lugar, Miss Holanda, Constance (Stanny) van Baer;
Segundo lugar, Miss Brasil, Vera Maria Brauner de Menezes;
Terceiro lugar, Miss Espanha, Maria Del Carmen Cervera Fernández, (quarta no Miss Europa e terceira colocada no Miss Mundo 1961);
Quarto lugar, Miss Canadá, Edna Dianne MacVicar ;
Quinto lugar, Miss Islândia, Sigrun Ragnarsdóttir.
Para Vera, as mais belas eram as representantes da Islândia, Holanda, Espanha, Alemanha e Canadá, mas deixou claro que os jurados americanos primavam pela honestidade. Após a solenidade de coroação, alguns brasileiros que estavam presentes ao concurso resolveram promover uma festa. Pela legislação local, Vera era menor, ainda não tinha 21 anos de idade. Resultado: quando os relógios marcaram uma hora da madrugada, os americanos obrigaram-na a ir dormir.
Quando estava em Los Angeles, Vera perdeu em um free-way duas peças do seu traje típico: o tabuleiro que usava como chapéu e os sapatos de baiana. Fiquei com uma enorme pena, porque ia guardar tudo como recordação dessa fase da minha vida.
VERA MARIA BRAUNER, Valeu a pena ser Miss
Declarações de Vera Maria Brauner à MANCHETE, de 07/05/1966, ao ser indagada se vale a pena ser Miss:
Vale a pena, sim. São grandes as emoções, grande a expectativa, numerosas as alegrias.Comigo tudo aconteceu como num sonho maravilhoso, pois desde o começo ningúem acreditava nas minhas possibilidades. Eu própria achava que não tinha chance. Em Long Beach, depois de dias de grande incerteza, pois a imprensa da Califórinia não me incluía entre as finalistas, ganhei o segundo lugar. Foi uma grande vitória. Nessa noite, o meu noivo João Roger Damé, estava ao meu lado, orgulhoso de mim. Pouco depois, nos casamos, e hoje, quando pensamos nas peripécias do concurso, achamos que a nossa filhinha Danielle bem poderia, algum dia, ser também candidata a Miss Brasil.
Desabafo : Não compreendo porque motivo, ainda hoje, quando se fala em Miss Brasil daquele ano, mencionam o nome de Stael Abelha. Até mesmo no Maracanãzinho quando lêem a lista das que foram eleitas anteriormente, o nome de Stael vem em lugar do meu. Considero isto uma falta de consideração, não comigo, mas com o Rio Grande do Sul. Seria o mesmo que dizer que o Presidente da República, até 1965, foi Jânio Quadros, quando se sabe que Jânio também renunciou em 1961.
EPÍLOGO
Stael Maria da Rocha Abelha, primeira colocada no Miss Brasil 1961, renunciou ao título após participar do Miss Universo, alegando que deixava o reinado por amor ao seu namorado, o político Múcio Ataíde. Stael Abelha não figurou entre as semifinalistas do Miss Universo, o mesmo acontecendo com Alda Maria Coutinho no Miss Mundo, cabendo a Vera Brauner a glória de ser a brasileira de maior destaque internacional em 1961.
Após participar do Miss Beleza Internacional, Vera Maria Brauner conheceu Nova Iorque. Ao voltar ao Brasil, viveu emoções inesquecíveis: recebida com festas no Rio de Janeiro, desfile apoteótico em carro aberto por Pelotas e uma cerimônia em um programa de televisão, quando foi oficialmente coroada Miss Brasil 1961.
Em junho de 1962, o Maracanãzinho em peso lhe aplaudiu ao desfilar pela última vez para coroar sua sucessora, a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, e em janeiro de 1963 casou com João Roger Damé, seu grande amor.
Eis a resposta do seu noivo quando perguntaram em Long Beach como ele se sentia com uma namorada que era a segunda mulher mais bonita do mundo,uma resposta que fez o maior sucesso na imprensa internacional:
Eu já sabia que ela era bonita ! Eu sempre achei que ela era um amor!
Com certeza, VERA MARIA BRAUNER, MISS BRASIL 1961, ainda hoje se emociona muito com essa linda declaração, palavras que expressavam valores mais importantes do que todas as propostas tentadoras recebidas de Hollywood.