SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com
BELEZAS EM LONG BEACH - Tahia Piehi (Miss Taiti), Diana Valentibe (Miss Índia) e Carmen Cervera (Miss Espanha), concorrentes ao título de Miss Beleza Internacional 1961. ***** Foto de Gervásio Batista. ----------
Vera Maria Brauner Menezes, Miss Rio Grande do Sul, Vice-Miss Brasil 1961, o Brasil em Long Beach. ***** Detalhe: Vera Brauner (1942-2012) conquistou o segundo lugar no Miss Beleza Internacional 1961 e foi oficialmente coroada Miss Brasil 1961, quando retornou ao Brasil, devido a renúncia da mineira Stäel Rocha Abelha. ----------
Elas disputam uma coroa de ouro cravejada com pedras preciosas e mais de mil pérolas orientais. ----------
Além da escolha de Miss Beleza Internacional, há outros títulos em jogo: o de Miss Simpatia e o de Miss Fotogênica.
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ANNE VIVEU MAIS UM MILAGRE EM LONDRES - Milhares de peregrinos ajoelharam-se e começaram a orar com lágrimas nos olhos quando Anne Emília Spaiani, de 24 anos, levantou-se em frente à imagem de N.S.de Lourdes e começou a andar sem qualquer amparo. Em junho do ano passado ela ia para Mônaco na garupa da motocicleta de seu namorado. A máquina desgovernou-se e mergulhou num abismo. Anne fraturou a coluna vertebral e perdeu a articulação dos joelhos. Só podia andar com muletas, até que aconteceu em Lourdes, na semana passada, o milagre que a Medicina não pode fazer.
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Propaganda do sabonete Solis. "Haverá algo de novo em você!''
Uma mineira de Caratinga chamada Staël Maria da Rocha Abelha, apelidada carinhosamente pela família de “Telete”, filha do casal Álvaro e Maria da Glória Abelha, sobrinha do Monsenhor Rocha, terceranista de Direito, foi eleita Miss Brasil 1961.
Staël Abelha - Capa da revista O Cruzeiro, 1º/07/1961
Ela escreve o nome com trema no “e”. Faz questão absoluta disso. E tem olhos castanhos, que não são profundos. No conjunto das 22 concorrentes, Staël saltou como o melhor estilo nacional. Com graça, sobretudo. Tudo isso numa modéstia tranquila. Somem: 1,70 de altura, 58 de peso, 98 de busto, 58 de cintura, 98 de quadris, 56 de coxa, 22 de tornozelo e 19 anos de idade. Adicionem ainda os tons imponderáveis, e eis Stael diante de vocês. (O Cruzeiro, 1º/07/1961) Detalhe: Nas revistas pesquisadas para elaboração desta matéria, apenas a O Cruzeiro, de 1°/07/1961, escreveu o nome de Staël com o trema na letra "e".
Staël Abelha na capa da revista Manchete, de 08/07/1961.
Staël Abelha - Foto: Manchete, 08/07/1961
Após retornar de Miami Beach, onde não obteve classificação no Miss Universo, concurso no qual foi eleita Marlene Schmidt, Miss Alemanha, Staël Abelha renunciou ao título apresentando sua carta-renúncia onde dizia que trocava seu reino por amor.
STAËL ABELHA, MISS BRASIL 1961, UNANIMIDADE DE OPINIÃO
Staël Abelha - Capa da Manchete, 1º/07/1961
Um público estimado em 25.000 pessoas acompanhou ao vivo, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, a eleição da Miss Brasil 1961. Vinte e cinco mil juízes, no Maracanãzinho, elegeram a mineira Stael Miss Brasil-61. Pela primeira vez na história deste Concurso houve unanimidade de opinião. Beleza mineira de olhos castanhos tem hoje o título de a mais bela brasileira, pelo voto de 13 juízes e do público que lotou o Maracanãzinho, na maior e mais elegante noite da história do Miss Brasil. ( O Cruzeiro, 1º/07/1961).
Da esquerda para direita: Vera Maria Brauner (Miss Rio Grande do Sul, segundo lugar, representante do Brasil no Miss Beleza Internacional, em Long Beach); Staël Maria da Rocha Abelha, Miss Minas Gerais, primeiro lugar, representante do Brasil no Miss Universo, em Miami Beach); e Alda Coutinho de Morais (Miss Guanabara, representante do Brasil no Miss Mundo, em Londres)***** (Foto: Manchete, 1º/07/1961)
STAËL ABELHA, RECEPÇÃO APOTEÓTICA EM BELO HORIZONTE E CARATINGA
Cinco batedores abriram o cortejo que acompanhou a triunfal entrada de Stael em Belo Horizonte. Na frente, um carro com alto-falante tocava uma marchinha composta em homenagem a Miss Brasil: “Ai, Abelha/do meu coração/eu quisera um dia/ser o teu zangão.” Ela ficou o tempo todo de pé, num automóvel conversível, acenando alegremente para uma multidão de cem mil pessoas. O desfile terminou na Prefeitura, onde ela foi recebida pelo Prefeito Amintas de Barros e os vereadores concederam-lhe o título de “Cidadã de Belo Horizonte”. (Manchete, 08/07/1961)
Orgulhosa de ter sido o berço da linda representante do Brasil no concurso internacional de 1961 em Miami, a cidade de Caratinga recebeu apoteoticamente Stael Maria da Rocha Abelha. Eram 15 horas quando, sábado passado, Miss Brasil chegou, de avião, à Caratinga, sua terra natal. O dia era duplamente festivo: a cidade fazia 110 anos e recebia sua filha mais famosa. Cerca de 40 mil pessoas aclamaram a linda moça, em honra de quem foi organizado um grande préstito. Formaram todos os colégios e as bandas de música locais se incorporaram ao desfile. Seu carro alegórico, acompanhado a pé, pela multidão, do aeroporto à cidade, dirigiu-se ao palanque, onde o prefeito a esperava, com a chave da cidade. Caratinga, por sua estação de rádio, proclamou-se, então, a Capital da Beleza. E com isso culminou a apoteose a Miss Brasil. (Manchete, 08/07/1961)
Os mineiros estão muito orgulhosos de sua vitória no concurso de beleza e, por isso mesmo, cercam Miss Brasil das maiores provas de carinho. Em Belo Horizonte, o Banco de Crédito Real de Minas Gerais, visitado por Stael Maria da Rocha Abelha, ofereceu-lhe um cheque-presente de quinhentos dólares, para ajudar o custeio de sua viagem a Miami. Ofereceu-lhe, também, a chave de um cofre forte, para guardar o cetro de Miss Brasil, ou de Miss Universo se ela conquistar o título máximo. O Banco da Lavoura de Minas Gerais, por sua vez, ofereceu-lhe também um valioso presente: cem dólares, para as despesas com a ida aos Estados Unidos. Exprimindo sua gratidão, Stael declarou à reportagem de Manchete: “Só pelo prazer de sentir o carinho e a estima do povo de Minas Gerais valeria a pena ter vivido as angústias por que passei, até conquistar o título de Miss Brasil. Obrigada a todos!” (Manchete, 08/07/1961)
STAËL ABELHA, “MEU REINO POR AMOR”
Casamento une a Miss e o Deputado – Lua de Mel de Abelha (O CRUZEIRO, 18/01/1964)
O romance Stael-Múcio Ataíde foi o grande assunto, na época do concurso Miss Brasil-61. Agora, a história chega a um final feliz.
Seu Cupido não há expert que o compreenda quando quer unir duas pessoas pelos laços indissolúveis: faz o seu trabalhinho à socapa, e, em dado momento, puf... o amor se encarrega do resto. Uma de suas artimanhas mais consagradas começou a ser elaborada em 1961 numa passarela de concurso de beleza e acabou com “happy end” ao compasso de marcha nupcial, agora em 1963. Múcio Ataíde, conhecido industrial que na época contava apenas 21 anos de idade, dizia sempre que só se casaria aos 40. Um dia precisou de moça bonita para apresentá-la como candidata do Pampulha Iate Clube ao concurso de Miss Minas Gerais. Stael Rocha Abelha, estudante de Direito, estava no sossego do seu retiro, na sua cidade de Caratinga, onde lecionava para a infância. Cupido deu o primeiro toque na sua obra. Ataíde brincou de piloto e, no seu próprio avião, foi buscá-la. Ela veio e brilhou. Pela primeira vez Minas Gerais levantou o título de Miss. O sucesso da passarela mineira iria se reproduzir jubilosamente no Maracanãzinho, de onde Stael Abelha saiu ovacionada ao conquistar o título de Miss Brasil. A esta altura do concurso, já o romance ganhava raízes cósmicas no coração dos dois jovens, circunstância que contribuiu para que a representante brasileira ao Miss Universo na undécima hora não quisesse mais seguir para Miami Beach. Foi um deus-nos-acuda, mas o bom senso acabou vencendo o coração. Depois muitos interurbanos foram feitos via Minas-States, durante vários e penosos dias de ausência e saudade. Afirmou-se na época que Stael, distante do seu eleito mineiro, não mais se interessou pelo concurso. Desfilou por desfilar, diante de americanos deslumbrados. Quando regressou ao Brasil, a sua entrevista foi uma bomba. Apresentou a sua carta-renúncia em que trocava “meu reino por amor”. Dois anos depois, Cupido, de dedo à cava do colete, deu chamas a esse discutido romance que agora teve um epílogo bonito na Igreja São José em Belo Horizonte.
Staël Abelha de véu e grinalda, na capa da O Cruzeiro, de 18/01/1964
Dirigindo o seu próprio automóvel, um Aero-Willys azul-escuro, Múcio Ataíde, (integrante da bancada do PTB mineiro na Câmara Federal) chegou para o enlace, que se realizou com uma hora e cinco minutos de atraso. Como manda o figurino de sua grei partidária, chegou de mangas de camisa, só vestindo paletó à entrada do templo onde se realizaria uma das mais concorridas cerimônias religiosas da capital. Um batalhão de fotógrafos e cinegrafistas a postos focalizaram os mais variados aspectos do acontecimento. Fez-se ouvir o coro do madrigal renascentista, tendo oficiado o ato o bispo da diocese de Montes Claros, terra natal do noivo, D. José Alves Trindade. A noiva estava linda como sempre; e o noivo elegante. Ambos recrutaram para padrinhos pessoas humildes – a empregada Maria Cristina, o alfaiate Geraldo Gomes, o copeiro Francisco de Paula Pinto, o contínuo Jose Rios do Nascimento e sua esposa. Múcio Ataíde convidou também o Advogado Sobral Pinto, o Sr. Miguel Miranda, funcionário do seu escritório em Belo Horizonte, e sua irmã Florinda Ataíde Peres. O resto foi lua-de-mel em lugar tranqüilo, que os noivos fizeram questão de guardar em reserva. STAËL ABELHA, 50 ANOS DEPOIS
De 05 a 22 de outubro de 2010, na
Casa Ziraldo de Cultura, em Caratinga, MG, foi realizada a exposição “Stael Abelha, nossa eterna Miss
Brasil”, trazendo fotografias e reproduções de reportagens sobre a caratinguense que foi
eleita a mulher mais bonita do Brasil no ano de 1961. Realizada pela Associação
Estação de Cultural de Caratinga, com apoio da Prefeitura Municipal, a iniciativa
foi do cartunista Edra que partindo do seu acervo de publicações sobre a
homenageada conseguiu o apoio do seu amigo Onair de Freitas, fotógrafo que
cobriu o evento daquela época,
emprestando algumas de suas fotografias e exemplares das revistas “O Cruzeiro”
e “Manchete”. Outro colaborador para o sucesso da mostra foi o presidente da
CDL, Paulo Sérgio da Silveira, além de Cezário Baptista, de Jaguariúna, SP, que
cedeu cópias de reportagens. Fonte: http://casaziraldodecultura.blogspot.com.br
EPÍLOGO
Staël Abelha surpreendeu o país ao renunciar ao trono de Miss Brasil, um título cobiçadíssimo ainda hoje, quanto mais nos mágicos anos sessenta. Vera Maria Brauner, Miss Rio Grande do Sul, sua vice, segunda colocada no Miss Beleza Internacional, foi coroada oficialmente Miss Brasil 1961 em um programa de televisão.
Espero que hoje, ao rever as revistas daquele inesquecível 1961, Staël Abelha, ao lado de algum neto curioso, possa dizer: - Eu fui Miss Brasil, mas troquei meu reino por amor, não me arrependi e sou feliz, muito feliz. Que assim seja, Staël Maria da RochaAbelha, a quem dedico esta SESSÃO NOSTALGIA da última semana de abril de 2011.
Agosto de 1961. VERA MARIA BRAUNER DE MENEZES tinha conquistado o título de segunda mulher mais bela do mundo no International Beauty Congress( Miss Beleza Internacional), em Long Beach, Califórnia, e estava visitando os estúdios da Warner Brothers. Os caçadores de talentos ficaram loucos por aquela jovem de olhos azuis e ofereceram propostas tentadoras para que ela se tornasse uma estrela de cinema. O galã Peter Brown, protagonista de “Lawman”(O Homem da Lei) a queria como leading-lady. Mas os sonhos da linda garota eram outros. Ela queria voltar logo para o Brasil. Já tinha recebido um cheque de 4 mil dólares pelo segundo lugar e queria usar aquele dinheiro para melhorar a situação da família modesta. Estava feliz por ter chegado aonde chegou e tudo que desejava era saborear um churrasco, cumprir seus compromissos de Miss e depois casar com João Roger Damé, seu noivo e namorado desde os 12 anos de idade, recém aprovado em quarto lugar no concurso do Banco do Brasil.
As imagens que ilustram esta matéria são fotos-reproduções da revista MANCHETE, apenas uma delas, a de tom sépia, é de O CRUZEIRO.
VERA MARIA BRAUNER, Rainha da Quadra 1953
Vera nasceu no dia 11/02/1942. Aos 11 anos de idade era considerada uma das meninas mais lindas de Pelotas. Durante uma festinha, regada a muitos doces e refrigerantes, foi coroada Rainha da Quadra, a mais bela garota da rua onde morava. Era o começo da glória. Aos 13 anos de idade, seu maior sonho era ser dentista. Mudou de idéia e passou a pensar em ser professora depois que soube que os estudantes de odontologia tinham aulas extraindo dentes de cadáveres.Aos 19 anos era eleita Miss Pelotas representando o Laranjal Praia Clube. Em seguida, venceu 15 candidatas na disputa pela coroa de Miss Rio Grande do Sul 1961.
VERA MARIA BRAUNER, Vice-Miss Brasil 1961
Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 17 de junho de 1961. Concurso Miss Brasil. Vera Maria Brauner era uma das favoritas. O resultado que apontou a mineira Stael Maria da Rocha Abelha como a nova Miss Brasil agradou em cheio as 25 mil pessoas presentes. Stael foi a mais aplaudida, seguida das Misses Guanabara, Rio Grande do Norte, Pará, Pernambuo, Rio Grande do Sul e Bahia. As finalistas, por ordem de classificação, foram:
Miss Minas Gerais, Stael Maria da Rocha Abelha,representante do Brasil no Miss Universo;
Miss Rio Grande do Sul, Vera Maria Brauner de Menezes, representante do Brasil no Miss Beleza Internacional;
Miss Guanabara, Alda Maria Coutinho, representante do Brasil no Miss Mundo;
Miss Ceará, Elza Maria Lauriano dos Santos;
Miss Bahia, Stella Maria Rocha Lima,
Miss Pará, Filomena Maria Jorge Chaves,
Miss Pernambuco, Maria Lúcia Santa Cruz;
Miss Rio Grande do Norte, Carmem Aurélia Rodrigues de Lima
Vera Maria é beleza escolástica, nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, olhos azuis, cabelos castanhos. Ei-la em termos métricos: 1,70 de altura, 57 de peso, 56 de coxa, 21 de tornozelo, 94 de busto, 60 de cintura, 94 de quadris, e mais tudo aquilo que não pode ser medido, porque faz parte de sua irradiação pessoal. Cursa o 3° ano Normal. E gosta de missa aos domingos e de cinema em dias úteis. João Roger, o noivo, ficou mais nervoso que ela. Estava para arrebentar no Maracanãzinho. Apesar de ter desfilado uma única vez, quando debutou, foi grau 10 na passarela. Esteve garbosa como uma fragata, para repetir uma frase de Rachel de Queiroz. Foi espontânea, como se ninguém estivesse olhando os seus passos, nos 130 m de passarela. Revelou um detalhe de sua vivência no Maracanãzinho: sentia o queixo tremer no desfile. Trepidava tanto que não podia rir. Outras misses concordaram com Vera. Dia 14 de julho voará para Long Beach, onde seu tipo é sucesso total. O rosto, principalmente. (O CRUZEIRO, 1º/07/1961)
VERA MARIA BRAUNER, Vice-Miss Beleza Internacional 1961
Para a imprensa americana, as favoritas ao título de Miss Beleza Internacional 1961 eram as representantes de Hong Kong, China, Madagascar, Panamá, Holanda, Itália, Luxemburgo e Israel. Mas a comissão julgadora decidiu assim:
Primeiro lugar, Miss Holanda, Constance (Stanny) van Baer;
Segundo lugar, Miss Brasil, Vera Maria Brauner de Menezes;
Terceiro lugar, Miss Espanha, Maria Del Carmen Cervera Fernández, (quarta no Miss Europa e terceira colocada no Miss Mundo 1961);
Quarto lugar, Miss Canadá, Edna Dianne MacVicar ;
Quinto lugar, Miss Islândia, Sigrun Ragnarsdóttir.
Para Vera, as mais belas eram as representantes da Islândia, Holanda, Espanha, Alemanha e Canadá, mas deixou claro que os jurados americanos primavam pela honestidade. Após a solenidade de coroação, alguns brasileiros que estavam presentes ao concurso resolveram promover uma festa. Pela legislação local, Vera era menor, ainda não tinha 21 anos de idade. Resultado: quando os relógios marcaram uma hora da madrugada, os americanos obrigaram-na a ir dormir.
Quando estava em Los Angeles, Vera perdeu em um free-way duas peças do seu traje típico: o tabuleiro que usava como chapéu e os sapatos de baiana. Fiquei com uma enorme pena, porque ia guardar tudo como recordação dessa fase da minha vida.
VERA MARIA BRAUNER, Valeu a pena ser Miss
Declarações de Vera Maria Brauner à MANCHETE, de 07/05/1966, ao ser indagada se vale a pena ser Miss:
Vale a pena, sim. São grandes as emoções, grande a expectativa, numerosas as alegrias.Comigo tudo aconteceu como num sonho maravilhoso, pois desde o começo ningúem acreditava nas minhas possibilidades. Eu própria achava que não tinha chance. Em Long Beach, depois de dias de grande incerteza, pois a imprensa da Califórinia não me incluía entre as finalistas, ganhei o segundo lugar. Foi uma grande vitória. Nessa noite, o meu noivo João Roger Damé, estava ao meu lado, orgulhoso de mim. Pouco depois, nos casamos, e hoje, quando pensamos nas peripécias do concurso, achamos que a nossa filhinha Danielle bem poderia, algum dia, ser também candidata a Miss Brasil.
Desabafo : Não compreendo porque motivo, ainda hoje, quando se fala em Miss Brasil daquele ano, mencionam o nome de Stael Abelha. Até mesmo no Maracanãzinho quando lêem a lista das que foram eleitas anteriormente, o nome de Stael vem em lugar do meu. Considero isto uma falta de consideração, não comigo, mas com o Rio Grande do Sul. Seria o mesmo que dizer que o Presidente da República, até 1965, foi Jânio Quadros, quando se sabe que Jânio também renunciou em 1961.
EPÍLOGO
Stael Maria da Rocha Abelha, primeira colocada no Miss Brasil 1961, renunciou ao título após participar do Miss Universo, alegando que deixava o reinado por amor ao seu namorado, o político Múcio Ataíde. Stael Abelha não figurou entre as semifinalistas do Miss Universo, o mesmo acontecendo com Alda Maria Coutinho no Miss Mundo, cabendo a Vera Brauner a glória de ser a brasileira de maior destaque internacional em 1961.
Após participar do Miss Beleza Internacional, Vera Maria Brauner conheceu Nova Iorque. Ao voltar ao Brasil, viveu emoções inesquecíveis: recebida com festas no Rio de Janeiro, desfile apoteótico em carro aberto por Pelotas e uma cerimônia em um programa de televisão, quando foi oficialmente coroada Miss Brasil 1961.
Em junho de 1962, o Maracanãzinho em peso lhe aplaudiu ao desfilar pela última vez para coroar sua sucessora, a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, e em janeiro de 1963 casou com João Roger Damé, seu grande amor.
Eis a resposta do seu noivo quando perguntaram em Long Beach como ele se sentia com uma namorada que era a segunda mulher mais bonita do mundo,uma resposta que fez o maior sucesso na imprensa internacional:
Eu já sabia que ela era bonita ! Eu sempre achei que ela era um amor!
Com certeza, VERA MARIA BRAUNER, MISS BRASIL 1961, ainda hoje se emociona muito com essa linda declaração, palavras que expressavam valores mais importantes do que todas as propostas tentadoras recebidas de Hollywood.