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domingo, 16 de setembro de 2018

DE OLHO NO PASSADO - Manchete, Ano 15, Nº 785, 06 de maio de 1967



MARIA DE FÁTIMA, UM MODELO DE MULHER - Maria de Fátima Monteiro. Morena. Olhos verdes. Vinte anos. Adora os Beatles. Minissaia, sim. Casamento, ainda não. Há muitos dias, o telefone de sua casa não para de tocar. Produtores de televisão, diretores de cinema, agências de publicidade e revistas estrangeiras estão mais do que interessadas nela. Tudo isso começou, abrindo um sonho novo para Maria de Fátima, depois que MANCHETE publicou sua foto de biquíni, lançando uma jovem até então desconhecida como candidata a candidata ao concurso de Miss Guanabara. Ela atende e responde amavelmente a todos os telefonemas: uns querem fotografá-la para uma reportagem; outros tentam provar que nada melhor existe no mundo do que ser modelo famoso.

Cercada de convites por todos os lados, Maria de Fátima não perde a calma (sua beleza é firme, tranquila, consciente, simples). A única coisa que a fascina é o cursinho de Medicina, onde perde (“ganho!”) oito horas de estudos diários. E um sonho secundário: pilotar carros de corrida. Maria de Fátima admite que, no máximo, poderá aceitar uma proposta para ser manequim. Não tem opinião formada sobre a guerra do Vietnã, nem sobre política, mas confessa, baixinho: “Sou fã de Carlos Lacerda...” Lamenta, finalmente, sua retirada voluntária do concurso Miss Guanabara, mas acha que, mesmo assim, os dias de candidata a candidata já deram trabalho e alegria enormes. - Fotos de Paulo Scheunstuhl.  




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MARGOT E NUREIV, A DANÇA FANTÁSTICA - Há uma semana, o Rio está vivendo ao ritmo dos gestos e da música de  Margot Fonteyn e Rudolf Nureiev. Dançam juntos desde 1960 e se entendem perfeitamente bem, apesar dos temperamentos opostos. 
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Maria de Fátima Monteiro, aquela que poderia ter sido Miss Guanabara 1967

Por Daslan Melo Lima

      Era abril de 1967. Os diretores dos clubes cariocas já estavam ansiosos para apresentarem à imprensa suas candidatas ao título de Miss Guanabara. Ao mesmo tempo, muitas jovens bonitas começavam a circular mais, a fim de serem notadas e convidadas para desfilarem no Maracanãzinho em busca do título que um ano antes tinha sido conquistado por Ana Cristina Ridzi. Foi nesse clima que a revista MANCHETE publicou uma foto de Maria de Fátima Monteiro.



        No dia 06/05/1967, a mesma revista circulou em todo o Brasil com Maria de Fátima na capa e uma foto sua em página dupla, imagens de Paulo Scheunstuhl. O texto da reportagem dizia:

MARIA DE FÁTIMA, UM MODELO DE MULHER

Maria de Fátima Monteiro. Morena. Olhos verdes. Vinte anos. Adora os Beatles. Minisaia, sim. Casamento, ainda não. Há muitos dias, o telefone de sua casa não para de tocar. Produtores de televisão, diretores de cinema, agências de publicidade e revistas estrangeiras estão mais do que interessadas nela. Tudo isso começou, abrindo um sonho novo para Maria de Fátima, depois que MANCHETE publicou sua foto de biquíni, lançando uma jovem até então desconhecida como candidata a candidata ao concurso de Miss Guanabara. Ela atende e responde amavelmente a todos os telefonemas: uns querem fotografá-la para uma reportagem; outros tentam provar que nada melhor existe no mundo do que ser modelo famoso.



Cercada de convites por todos os lados, Maria de Fátima não perde a calma (sua beleza é firme, tranqüila, consciente, simples). A única coisa que a fascina é o cursinho de Medicina, onde perde (“ganho!”) oito horas de estudos diários. E um sonho secundário: pilotar carros de corrida. Maria de Fátima admite que, no máximo, poderá aceitar uma proposta para ser manequim. Não tem opinião formada sobre a guerra do Vietnã, nem sobre política, mas confessa, baixinho: “Sou fã de Carlos Lacerda...” Lamenta, finalmente, sua retirada voluntária do concurso Miss Guanabara, mas acha que, mesmo assim, os dias de candidata a candidata já deram trabalho e alegria enormes.

          Para decepção de milhares de pessoas que adorariam vê-la na passarela, Maria de Fátima desistiu de disputar o Miss Guanabara. Para satisfação de muitas garotas, que viam nela a mais forte concorrente, Maria de Fátima preferiu aparecer na mídia como modelo fotográfico.



          Em 03/06/1967, Manchete voltou a circular com duas páginas coloridas mostrando Maria de Fátima vestindo roupas criadas por Maurício Zacarias, no estilo militar, inspiradas em Mao Tsé-Tung. Era a última tendência da moda na Europa. Com fotos de Paulo Scheunstuhl, a matéria elogiava Maria de Fátima “...agressivamente bela, ferozmente elegante... rosto desafiador, assustadoramente bela...” e afirmava:



Alguns a consideram a mulher mais bonita deste país – uma espécie de Miss Brasil sem necessidade de subir à passarela para se submeter ao julgamento popular. Mas Maria de Fátima prefere ser apenas Maria de Fátima, professora numa escola do Leblon e manequim nas horas vagas. Tendo da vida uma só queixa: contra os homens que fazem as leis, os quais não deixam a mulher seguir a carreira militar. Que belo soldadinho ela seria! “Seria, não: é”, afirmou categoricamente Maurício Zacarias. E para comprovar o que dizia, adotou o estilo militarista, que permite agora a Fátima realizar elegantemente o seu sonho. Outros modelos estão à disposição de outras tantas jovens moderninhas.

          Maria de Fátima serviu de inspiração para o artista gráfico José Luiz Benicio da Fonseca criar o rosto de Brigitte Montfort, personagem das dezenas de livros de Lou Carrigan (Coleção ZZ7, Editora Monterrey, Rio de Janeiro). Abaixo, capas de dois livros pertencentes ao colecionador Jonas Eduardo, editor do blog www.avenidacopacabana.blogspot.com.



          A personagem Brigitte Montfort, a "Baby", era mestre dos disfarces, inteligentíssima, poliglota, corajosa, milionária, bela e poderosa espiã Número Um da CIA.



          O programa dominical Fantástico, da TV Globo, na noite do domingo de 16/04/1978, exibiu a reportagem A Lista das Mulheres Mais Bonitas de 1978, com base na opinião de personalidades famosas como Ivo Pitanguy, Jambert, Clodovil, Giba Um, Guilherme Guimarães, José Tavares de Miranda e Hildegard Angel. Na referida matéria, entre os nomes citados como das mulheres mais bonitas estavam o de uma única Miss: Marta Rocha (Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954) e o de Maria de Fátima Monteiro, aliás, Maria de Fátima Priolli. O sobrenome Priolli era por conta do seu casamento com Mário Priolli, dono da casa de espetáculos CanecãoJustino Martins, jornalista, justificou sua decisão por Maria de Fátima: “...ela é alegre, inteligente e com um sorriso capaz de iluminar até o Canecão.”

          Se Maria de Fátima Monteiro tivesse disputado o Miss Guanabara 1967, independente do resultado, estaria hoje na minha lista de Misses inesquecíveis. No entanto, ela continua - e continuará - na minha lista das mulheres mais belas de todos os tempos.

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