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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Maria de Fátima Monteiro, aquela que poderia ter sido Miss Guanabara 1967

Por Daslan Melo Lima

      Era abril de 1967. Os diretores dos clubes cariocas já estavam ansiosos para apresentarem à imprensa suas candidatas ao título de Miss Guanabara. Ao mesmo tempo, muitas jovens bonitas começavam a circular mais, a fim de serem notadas e convidadas para desfilarem no Maracanãzinho em busca do título que um ano antes tinha sido conquistado por Ana Cristina Ridzi. Foi nesse clima que a revista MANCHETE publicou uma foto de Maria de Fátima Monteiro.



        No dia 06/05/1967, a mesma revista circulou em todo o Brasil com Maria de Fátima na capa e uma foto sua em página dupla, imagens de Paulo Scheunstuhl. O texto da reportagem dizia:

MARIA DE FÁTIMA, UM MODELO DE MULHER

Maria de Fátima Monteiro. Morena. Olhos verdes. Vinte anos. Adora os Beatles. Minisaia, sim. Casamento, ainda não. Há muitos dias, o telefone de sua casa não para de tocar. Produtores de televisão, diretores de cinema, agências de publicidade e revistas estrangeiras estão mais do que interessadas nela. Tudo isso começou, abrindo um sonho novo para Maria de Fátima, depois que MANCHETE publicou sua foto de biquíni, lançando uma jovem até então desconhecida como candidata a candidata ao concurso de Miss Guanabara. Ela atende e responde amavelmente a todos os telefonemas: uns querem fotografá-la para uma reportagem; outros tentam provar que nada melhor existe no mundo do que ser modelo famoso.



Cercada de convites por todos os lados, Maria de Fátima não perde a calma (sua beleza é firme, tranqüila, consciente, simples). A única coisa que a fascina é o cursinho de Medicina, onde perde (“ganho!”) oito horas de estudos diários. E um sonho secundário: pilotar carros de corrida. Maria de Fátima admite que, no máximo, poderá aceitar uma proposta para ser manequim. Não tem opinião formada sobre a guerra do Vietnã, nem sobre política, mas confessa, baixinho: “Sou fã de Carlos Lacerda...” Lamenta, finalmente, sua retirada voluntária do concurso Miss Guanabara, mas acha que, mesmo assim, os dias de candidata a candidata já deram trabalho e alegria enormes.

          Para decepção de milhares de pessoas que adorariam vê-la na passarela, Maria de Fátima desistiu de disputar o Miss Guanabara. Para satisfação de muitas garotas, que viam nela a mais forte concorrente, Maria de Fátima preferiu aparecer na mídia como modelo fotográfico.



          Em 03/06/1967, Manchete voltou a circular com duas páginas coloridas mostrando Maria de Fátima vestindo roupas criadas por Maurício Zacarias, no estilo militar, inspiradas em Mao Tsé-Tung. Era a última tendência da moda na Europa. Com fotos de Paulo Scheunstuhl, a matéria elogiava Maria de Fátima “...agressivamente bela, ferozmente elegante... rosto desafiador, assustadoramente bela...” e afirmava:



Alguns a consideram a mulher mais bonita deste país – uma espécie de Miss Brasil sem necessidade de subir à passarela para se submeter ao julgamento popular. Mas Maria de Fátima prefere ser apenas Maria de Fátima, professora numa escola do Leblon e manequim nas horas vagas. Tendo da vida uma só queixa: contra os homens que fazem as leis, os quais não deixam a mulher seguir a carreira militar. Que belo soldadinho ela seria! “Seria, não: é”, afirmou categoricamente Maurício Zacarias. E para comprovar o que dizia, adotou o estilo militarista, que permite agora a Fátima realizar elegantemente o seu sonho. Outros modelos estão à disposição de outras tantas jovens moderninhas.

          Maria de Fátima serviu de inspiração para o artista gráfico José Luiz Benicio da Fonseca criar o rosto de Brigitte Montfort, personagem das dezenas de livros de Lou Carrigan (Coleção ZZ7, Editora Monterrey, Rio de Janeiro). Abaixo, capas de dois livros pertencentes ao colecionador Jonas Eduardo, editor do blog www.avenidacopacabana.blogspot.com.



          A personagem Brigitte Montfort, a "Baby", era mestre dos disfarces, inteligentíssima, poliglota, corajosa, milionária, bela e poderosa espiã Número Um da CIA.



          O programa dominical Fantástico, da TV Globo, na noite do domingo de 16/04/1978, exibiu a reportagem A Lista das Mulheres Mais Bonitas de 1978, com base na opinião de personalidades famosas como Ivo Pitanguy, Jambert, Clodovil, Giba Um, Guilherme Guimarães, José Tavares de Miranda e Hildegard Angel. Na referida matéria, entre os nomes citados como das mulheres mais bonitas estavam o de uma única Miss: Marta Rocha (Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954) e o de Maria de Fátima Monteiro, aliás, Maria de Fátima Priolli. O sobrenome Priolli era por conta do seu casamento com Mário Priolli, dono da casa de espetáculos CanecãoJustino Martins, jornalista, justificou sua decisão por Maria de Fátima: “...ela é alegre, inteligente e com um sorriso capaz de iluminar até o Canecão.”

          Se Maria de Fátima Monteiro tivesse disputado o Miss Guanabara 1967, independente do resultado, estaria hoje na minha lista de Misses inesquecíveis. No entanto, ela continua - e continuará - na minha lista das mulheres mais belas de todos os tempos.

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sábado, 6 de setembro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - VERA LÚCIA DE CASTRO, UMA MISS DO TEMPO DAS NORMALISTAS

Daslan Melo Lima

          Vinte e oito lindas garotas inscreveram-se no concurso Miss Guanabara 1967. Entre as favoritas ao título, por ordem alfabética, estavam:
Célia Cordeiro, Miss Sampaio Atlético Clube, pernambucana radicada no Rio de Janeiro, 18 anos, estudante do curso científico;
Liana Maurício de Andrade, Miss Country Club da Tijuca, poliglota, estudante de Direito e de Belas Artes, campeã de natação com 49 medalhas ganhas, considerada o mais belo rosto do concurso;
Solange Mara Thibau, Miss Várzea Country Club, uma bancária que tinha terminado o noivado e via o concurso como uma nova fonte de emoções;
Sônia Maria Aguiar, Miss Renascença, uma mulata de 19 anos que adorava pintura e Bossa Nova e sonhava ser professora;
Susana Pereira, Miss Esporte Clube Carioca, prima da gaúcha Iolanda Pereira, Miss Brasil e Miss Univeso1930;
Vanda Hegil, Miss Olaria, 21 anos, poliglota, orientadora pedagógica da Escola Miguel Couto.Vanda havia rompido o noivado e sonhava mostrar a Nara Leão ou Tom Jobim quatro canções que havia composto;
Vera Lúcia de Castro, Miss Motel Clube Bandeirante, normalista do segundo ano, 19 anos incompletos. Maior sonho: ser professora, ter muitos alunos e ser apresentada a Agnaldo Rayol, seu cantor preferido.


          Sete garotas, sete destinos. Na noite de 24/06/1967, eleição da Miss GB, faltava uma delas: Vanda Hegil, Miss Olaria, a favorita dos fotógrafos. Uma semana antes, Vanda Hegil suicidou-se pulando do apartamento 1004, situado na Avenida Copacabana, 820, onde morava com os pais. Durante o desfile, os fotógrafos e jornalistas apostavam na vitória de Solange Maria Thibau, Miss Várzea Country Club, que ficou em segundo lugar. Susana Pereira, Miss Esporte Clube Carioca, e Célia Cordeiro, Miss Sampaio Atlético Clube, não ficaram entre as oito semifinalistas. Coube a Sônia Maria Aguiar, Miss Renascença, a quarta colocação, e a Liana Maurício de Andrade, Miss Country Club da Tijuca, a terceira. O destino de receber a faixa de Miss Guanabara 1967 das mãos de Ana Cristina Ridzi, Miss Guanabara e Miss Brasil do ano anterior, e de aparecer nas capas das revistas brasileiras mais importantes da época, ficou para a linda normalista VERA LÚCIA DE CASTRO, Miss Motel Clube Bandeirante, 1,72 de altura, 62 quilos, 94 cm de busto, 62 de cintura e 93 de quadris, 57 de coxa e 21 de tornozelo.Todas as imagens que ilustram esta matéria foram reproduzidas da revista MANCHETE.


Conselho que Ana Cristina Ridzi, Miss GB e Miss Brasil 1966 deu a Vera Lúcia :Receba sempre, com carinho e simplicidade, as manifestações de simpatia do povo.

          VERA LÚCIA DE CASTRO nasceu às 11 horas do dia 30/12/1948, filha do Sr. Carlos de Castro e D.Maria do Rosário. Oriunda de uma família modesta, tinha duas irmãs, era muito católica e aos 12 anos fazia parte da congregação das filhas-de-maria da Igreja Santo Cristo.
Os refletores coloridos do Maracanãzinho ainda estavam acesos, mas Vera Lúcia Castro já pedia aos fotógrafos que a liberassem: - Quero ir falar,com mamãe, agora.
As lágrimas corriam livremente por seu rosto. Todos foram tocados pela emoção que vivia a modesta família, em cujo mundo jamais haviam existido jornalistas, fotógrafos, passarelas e luzes de reuniões sociais.
O vocabulário de Vera Lúcia não tem palavras difíceis. Ela é simples e direta, suas mãos são seguras e sua gesticulação contida. O sorriso é luminoso, carregado de alegria e sinceridade. Os cabelos são negros e bem lisos, os olhos francos. Quando soube da morte de uma colega, há alguns dias, ficou triste e chorou muito. Desde então, passou a falar menos do que antes. Somente às vésperas do concurso, com todo o corre-corre dos preparativos, ela voltou ao seu natural.
(Revista MANCHETE, 08/07/1967)


          VERA LÚCIA DE CASTRO foi a quarta garota chamada VERA a se eleger Miss do Estado da Guanabara. As outras foram: Vera Lúcia Saba (1962), Vera Lúcia Maia (1963) e Vera Lúcia Couto Santos (1964). O estado da Guanabara foi criado em 1960 e durante os quinze anos de sua existência teve destacada atuação no concurso Miss Brasil.

          Na noite de 1º de julho de 1967, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, VERA LÚCIA DE CASTRO colheu muitos aplausos. Era uma das favoritas e ficou entre as semifinalistas, ao lado de Miss Estado do Rio, Maria da Graça Kuri; Miss Minas Gerais, Maria Juliana Garcia da Costa; e Miss Santa Catarina, Ujara Gudrun Jatahy. Se dependesse da maioria do público, o título de Miss Brasil 1967 teria sido de Anísia Gasparina da Fonseca, quarta colocada. Miss Pará, Sônia Maria Ohana, e Miss Paraná, Wilza de Oliveira Rainato, ficaram com o terceiro e segundo lugares, respectivamente, cabendo a Carmen Sílvia de Barros Ramasco o manto, a coroa, a faixa e o cetro de Miss Brasil 1967.


          O curso Normal durava três anos e preparava as moças para a missão de ensinar nas escolas primárias. Antes do curso, elas enfrentavam oitos anos de estudo: quatro no primário e outros quatro no ginásio, sem falar no temido e rigoroso Exame de Admissão ao Ginásio. Ser normalista dava status e muitas jovens de famílias abastadas não almejavam lecionar, apenas queriam dizer com orgulho que se formaram em professoras. Casamento? Só depois de se formar.
          A canção NORMALISTA, de Benedito Lacerda e David Nasser, gravada por Nelson Gonçalves nos anos 50, imortalizou a figura da garota que fazia o curso Normal.

Vestida de azul e branco/Trazendo um sorriso franco/No rostinho encantador/Minha linda normalista/Rapidamente conquista/Meu coração sem amor./Eu que trazia fechado/Dentro do peito guardado/Meu coração sofredor/Estou bastante inclinado/A entregá-lo ao cuidado/Daquele brotinho em flor./Mas a normalista linda/Não pode casar ainda/Só depois que se formar/Eu estou apaixonado/O pai da moça é zangado/E o remédio é esperar.


          Independente da música, quando vejo uma garota de farda indo para alguma escola, lembro-me sempre da imagem de uma jovem carioca de olhar franco, cabelos negros e lisos, dotada de um sorriso amplo e luminoso, carregado de alegria e sinceridade : a imagem de VERA LÚCIA DE CASTRO, Miss Guanabara 1967, uma Miss do tempo das normalistas.

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