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sábado, 30 de julho de 2016

SESSÃO NOSTALGIA – No tempo das Veras Lúcias do concurso Miss Guanabara

Daslan Melo Lima

          Durante três anos consecutivos, as primeiras colocadas no concurso Miss Guanabara chamaram-se Vera Lúcia, 1962, 1963 e 1964. Dois anos depois, em 1967, a vencedora tinha o mesmo nome. 
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As Veras Lúcias eleitas Miss Guanabara na década de 1960. Da esquerda para a direita: Vera Lúcia Saba (1962), Vera Lúcia Ferreira Maia (1963), Vera Lúcia Couto dos Santos (1964) e Vera Lúcia de Castro (1967).
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        Em termos de visibilidade, as misses do Estado da Guanabara alcançavam, antes da realização do concurso Miss Brasil, mais notoriedade do que as suas concorrentes de outros Estados brasileiros. Suas imagens eram capas das mais importantes publicações dos anos 60, O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos.
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O ESTADO DA GUANABARA


          A Guanabara foi um Estado do Brasil de 1960 a 1975, no território do atual município do Rio de Janeiro. A palavra guanabara tem sua origem no tupi guarani guaná-pará, e significa "o seio-mar". Com a mudança da capital para Brasília, em 21 de abril de 1960, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o Estado da Guanabara.  A Guanabara foi o único caso no Brasil de uma cidade-estado. 
     Pela Lei Complementar nº 20, de 1º de julho de 1974, durante a presidência do general Ernesto Geisel, decidiu-se realizar a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a partir de 15 de março de 1975, mantendo a denominação de Estado do Rio de Janeiro, voltando-se à situação territorial de antes da criação do município neutro, com a cidade do Rio também voltando a ser a capital fluminense. (Wikipedia)

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VERA LÚCIA SABA
Miss Clube Monte Líbano
Miss Guanabara 1962

Manchete - Rio de Janeiro, 23 de junho de 1962 - Ano 10 - Nº 531

Antes mesmo de receber a faixa de Miss Guanabara, a morena Vera Lúcia Saba, representante do Clube Monte Líbano, viveria instantes felizes. Na véspera da grande festa do Maracanãzinho, os fotógrafos a elegeram Miss Simpatia. Na hora do concurso o público antecipou-se à decisão do júri, dedicando-lhe os maiores aplausos. A nova Miss Guanabara, forte concorrente ao título de Miss Brasil, tem dezoito anos e é bailarina clássica. Mais de 15 mil pessoas aplaudiram as 22 lindas concorrentes ao título de Miss Guanabara. No final, o público concordou com o júri. Pela primeira vez, na história do concurso, as candidatas não protestaram contra o resultado final. Alias, ainda na véspera da festa do Maracanãzinho, comentavam: “Desta vez é fácil adivinhar. A Miss Monte Líbano já ganhou. (Manchete) ***** Vera Lúcia Saba foi a terceira colocada no Miss Brasil e concorreu em Londres ao título de Miss Mundo 1962.

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VERA LÚCIA FERREIRA MAIA
Miss Fluminense Futebol Clube
Miss Guanabara 1963

Manchete-Rio de Janeiro, 29 de junho de 1963 - Ano 11 - Nº 584

Vera Lúcia Ferreira Maia, candidata do Fluminense, foi eleita Miss Guanabara no mais emocionante concurso de beleza já  realizado no Maracanãzinho, pois tanto o júri quanto o público custaram a chegar a um acordo. A primeira contagem dos votos assinalou um empate entre Vera Lúcia e Eliane Silveira (do Clube Riachuelo), ambas com 50 pontos. No desempate ganhou Vera Lúcia, embora 15 mil pessoas nas arquibancadas gritassem o nome de Aizita Nascimento, a linda mulata do Clube Renascença, que, inexplicavelmente, acabou ficando em 6º lugar. (Manchete) ***** Filha da cantora Nora Ney (1922-2003), Vera Lúcia Ferreira Maia foi a terceira colocada no Miss Brasil e uma das 15 semifinalistas do Miss Mundo 1963.  

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VERA LÚCIA COUTO DOS SANTOS
Miss Renascença Clube
Miss Guanabara 1964

O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 18 de julho de 1964 - Ano XXXVI - Nº 41

Parece que o Maracanãzinho se arrumou para aplaudir Verinha-cor quente. Ela foi a fervura do frio do estádio. A senha para as palmas. Desfilou de garça, espontânea, distração disciplinada, uma vez de vestido branco, manto ao vento; outra vez de maiô de bolinhas, corpo traçado a bico de pena. “Esta mulata vale um dicionário de Aurélio Buarque de Holanda”, disse um repórter. Ela foi antes Miss Suéter e Miss Primavera do Renascença. Vera fala inglês, francês e faz composições populares. “Zé do Violão” é samba seu, samba supimpa. Nunca um júri se reuniu tantas vezes no Miss Guanabara. Foi um recorde de medições, de tomadas de consciência. Afinal, entre tantas louras e morenas, tantos olhos verdes e azuis, havia um destaque sépia a considerar: Vera, a mulata. Por coincidência a candidata da plateia.  (O Cruzeiro) ****** Vera Lúcia Couto dos Santos  foi a segunda colocada no Miss Brasil e terceira no Miss Beleza Internacional 1964. 

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VERA LÚCIA DE CASTRO
Miss Motel Country Clube Bandeirantes
Miss Guanabra 1967

Fatos & Fotos - Brasília, 08 de julho de 1967 - Ano VII - Nº 336

Vencendo 26 candidatas, uma morena alta, de 19 anos, normalista, é a Miss Guanabara 1967. Miss Guanabara voltou a chamar-se Vera Lúcia. Em anos anteriores, Vera Lúcia Saba, Vera Lúcia Ferreira Maia e Vera Lúcia Couto dos Santos foram as mais bonitas cariocas e criaram uma espécie de clã particular que aumentou com a vinda de Vera Lúcia de Castro, a Miss Guanabara 1967. Se nenhuma das três antecessoras chegou a Miss Brasil, a morena Vera Lúcia começou vencendo fácil o teste preliminar saindo à frente de 26 candidatas, num Maracanãzinho repleto. Dez mil pessoas concordaram com o júri. Desde a fase de inscrição, ela surgia como forte candidata, chegando até´a convencer o pai Sr. Carlos Castro de que valia a pena ter uma miss entre suas três filhas. As irmãs de Vera, Glória e Leila, foram as que mais torceram e toda a família estava presente, tios, madrinhas e primos. (Fatos & Fotos) ***** Vera Lúcia de Castro ficou entre as semifinalistas do Miss Brasil 1967.

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VERAS LÚCIAS, AS LUMINOSAS VERDADEIRAS 
  
            Vera Lúcia é um nome composto pela junção de dois nomes com origem do latim, conforme o  www.dicionariodenomesproprios.com.br 

        Vera Lúcia significa “a luminosa verdadeira” ou “a luminosa que tem fé”. 
        Vera  tem origem a partir do latim verus, vera ou verum, que quer dizer literalmente “verdadeira”, “sincera” ou “franca”. Pode também ter vindo do eslavo wjera, que significa “fé”, “fidelidade”, tendo também  o mesmo significado em russo.  Para a Igreja Ortodoxa Russa, Vera (fé) é uma das filhas de Sofia (sabedoria).
       Lúcia  significa “a luminosa”, “a iluminada” ou "aquela que nasceu com a manhã". Lúcia é a variante feminina de Lúcio, nome que tem origem no latim Lucius, derivado dos elementos lyke, luc, luk, que deram origem à palavra em latim lux, que significa “luz”, por extensão “a luminosa”. De acordo com algumas fontes, originalmente o nome Lucius era traduzido como “o que pertence à aurora” ou “nascido com a manhã”. Muitas crianças que nasciam durante a madrugada ou nas primeiras horas da manhã acabavam por receber este nome.

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      Timbaúba, Pernambuco, 30 de julho de 2016. Daqui a pouco, a tarde fria pernambucana vai se despedir nos braços da noite.  Busco roubar do tempo as emoções e as passarelas de uma época que se foi. Junto as revistas lado a lado e imagino que todas as Veras Lúcias, eleitas Miss Guanabara na década de 1960, aqui estão, jovens, lindas, sonhadoras... Misses para sempre Misses. 

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sábado, 6 de setembro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - VERA LÚCIA DE CASTRO, UMA MISS DO TEMPO DAS NORMALISTAS

Daslan Melo Lima

          Vinte e oito lindas garotas inscreveram-se no concurso Miss Guanabara 1967. Entre as favoritas ao título, por ordem alfabética, estavam:
Célia Cordeiro, Miss Sampaio Atlético Clube, pernambucana radicada no Rio de Janeiro, 18 anos, estudante do curso científico;
Liana Maurício de Andrade, Miss Country Club da Tijuca, poliglota, estudante de Direito e de Belas Artes, campeã de natação com 49 medalhas ganhas, considerada o mais belo rosto do concurso;
Solange Mara Thibau, Miss Várzea Country Club, uma bancária que tinha terminado o noivado e via o concurso como uma nova fonte de emoções;
Sônia Maria Aguiar, Miss Renascença, uma mulata de 19 anos que adorava pintura e Bossa Nova e sonhava ser professora;
Susana Pereira, Miss Esporte Clube Carioca, prima da gaúcha Iolanda Pereira, Miss Brasil e Miss Univeso1930;
Vanda Hegil, Miss Olaria, 21 anos, poliglota, orientadora pedagógica da Escola Miguel Couto.Vanda havia rompido o noivado e sonhava mostrar a Nara Leão ou Tom Jobim quatro canções que havia composto;
Vera Lúcia de Castro, Miss Motel Clube Bandeirante, normalista do segundo ano, 19 anos incompletos. Maior sonho: ser professora, ter muitos alunos e ser apresentada a Agnaldo Rayol, seu cantor preferido.


          Sete garotas, sete destinos. Na noite de 24/06/1967, eleição da Miss GB, faltava uma delas: Vanda Hegil, Miss Olaria, a favorita dos fotógrafos. Uma semana antes, Vanda Hegil suicidou-se pulando do apartamento 1004, situado na Avenida Copacabana, 820, onde morava com os pais. Durante o desfile, os fotógrafos e jornalistas apostavam na vitória de Solange Maria Thibau, Miss Várzea Country Club, que ficou em segundo lugar. Susana Pereira, Miss Esporte Clube Carioca, e Célia Cordeiro, Miss Sampaio Atlético Clube, não ficaram entre as oito semifinalistas. Coube a Sônia Maria Aguiar, Miss Renascença, a quarta colocação, e a Liana Maurício de Andrade, Miss Country Club da Tijuca, a terceira. O destino de receber a faixa de Miss Guanabara 1967 das mãos de Ana Cristina Ridzi, Miss Guanabara e Miss Brasil do ano anterior, e de aparecer nas capas das revistas brasileiras mais importantes da época, ficou para a linda normalista VERA LÚCIA DE CASTRO, Miss Motel Clube Bandeirante, 1,72 de altura, 62 quilos, 94 cm de busto, 62 de cintura e 93 de quadris, 57 de coxa e 21 de tornozelo.Todas as imagens que ilustram esta matéria foram reproduzidas da revista MANCHETE.


Conselho que Ana Cristina Ridzi, Miss GB e Miss Brasil 1966 deu a Vera Lúcia :Receba sempre, com carinho e simplicidade, as manifestações de simpatia do povo.

          VERA LÚCIA DE CASTRO nasceu às 11 horas do dia 30/12/1948, filha do Sr. Carlos de Castro e D.Maria do Rosário. Oriunda de uma família modesta, tinha duas irmãs, era muito católica e aos 12 anos fazia parte da congregação das filhas-de-maria da Igreja Santo Cristo.
Os refletores coloridos do Maracanãzinho ainda estavam acesos, mas Vera Lúcia Castro já pedia aos fotógrafos que a liberassem: - Quero ir falar,com mamãe, agora.
As lágrimas corriam livremente por seu rosto. Todos foram tocados pela emoção que vivia a modesta família, em cujo mundo jamais haviam existido jornalistas, fotógrafos, passarelas e luzes de reuniões sociais.
O vocabulário de Vera Lúcia não tem palavras difíceis. Ela é simples e direta, suas mãos são seguras e sua gesticulação contida. O sorriso é luminoso, carregado de alegria e sinceridade. Os cabelos são negros e bem lisos, os olhos francos. Quando soube da morte de uma colega, há alguns dias, ficou triste e chorou muito. Desde então, passou a falar menos do que antes. Somente às vésperas do concurso, com todo o corre-corre dos preparativos, ela voltou ao seu natural.
(Revista MANCHETE, 08/07/1967)


          VERA LÚCIA DE CASTRO foi a quarta garota chamada VERA a se eleger Miss do Estado da Guanabara. As outras foram: Vera Lúcia Saba (1962), Vera Lúcia Maia (1963) e Vera Lúcia Couto Santos (1964). O estado da Guanabara foi criado em 1960 e durante os quinze anos de sua existência teve destacada atuação no concurso Miss Brasil.

          Na noite de 1º de julho de 1967, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, VERA LÚCIA DE CASTRO colheu muitos aplausos. Era uma das favoritas e ficou entre as semifinalistas, ao lado de Miss Estado do Rio, Maria da Graça Kuri; Miss Minas Gerais, Maria Juliana Garcia da Costa; e Miss Santa Catarina, Ujara Gudrun Jatahy. Se dependesse da maioria do público, o título de Miss Brasil 1967 teria sido de Anísia Gasparina da Fonseca, quarta colocada. Miss Pará, Sônia Maria Ohana, e Miss Paraná, Wilza de Oliveira Rainato, ficaram com o terceiro e segundo lugares, respectivamente, cabendo a Carmen Sílvia de Barros Ramasco o manto, a coroa, a faixa e o cetro de Miss Brasil 1967.


          O curso Normal durava três anos e preparava as moças para a missão de ensinar nas escolas primárias. Antes do curso, elas enfrentavam oitos anos de estudo: quatro no primário e outros quatro no ginásio, sem falar no temido e rigoroso Exame de Admissão ao Ginásio. Ser normalista dava status e muitas jovens de famílias abastadas não almejavam lecionar, apenas queriam dizer com orgulho que se formaram em professoras. Casamento? Só depois de se formar.
          A canção NORMALISTA, de Benedito Lacerda e David Nasser, gravada por Nelson Gonçalves nos anos 50, imortalizou a figura da garota que fazia o curso Normal.

Vestida de azul e branco/Trazendo um sorriso franco/No rostinho encantador/Minha linda normalista/Rapidamente conquista/Meu coração sem amor./Eu que trazia fechado/Dentro do peito guardado/Meu coração sofredor/Estou bastante inclinado/A entregá-lo ao cuidado/Daquele brotinho em flor./Mas a normalista linda/Não pode casar ainda/Só depois que se formar/Eu estou apaixonado/O pai da moça é zangado/E o remédio é esperar.


          Independente da música, quando vejo uma garota de farda indo para alguma escola, lembro-me sempre da imagem de uma jovem carioca de olhar franco, cabelos negros e lisos, dotada de um sorriso amplo e luminoso, carregado de alegria e sinceridade : a imagem de VERA LÚCIA DE CASTRO, Miss Guanabara 1967, uma Miss do tempo das normalistas.

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