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domingo, 7 de fevereiro de 2021

SESSÃO NOSTALGIA - Sete Mulatas e uma Loura

 Daslan Melo Lima

 


A revista Manchete de 8 de maio de 1965, Ano 13, número 681, trazia na capa as imagens de Solange Dutra Novelli, Rainha do IV Centenário do Rio de Janeiro, e de Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Renascença, Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964. A chamada de capa sobre a guerra no Vietnam, em letras grandes, era preocupante, mas em letras miúdas à direita do título da revista estava escrito “As mais lindas mulatas do Rio de Janeiro em harmonioso espetáculo com a rainha loura do IV Centenário”. Sete páginas coloridas foram dadas à sangrenta guerra, mas dez páginas foram dedicadas à matéria Sete Mulatas e Uma Loura.  Reportagem de Clóvis Scarpino. Fotos de Gervásio Batista e Juvenil de Sousa.  

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Sete Mulatas e uma Loura

Faz 140 anos que Rugendas descobriu os encantos das jovens mulatas brasileiras, fazendo o elogio de seus dotes plásticos e de sua inteligência. Os poetas românticos também celebraram as esculturais mestiças e um romancista fez correr lágrimas de damas e sinhazinhas do Segundo Reinado, apresentando como heroína uma dessas mulatas. Era a Isaura, de Bernardo Guimarães, flor de sensibilidade, recatada e formosa. Mas uma coisa era a literatura e outra a realidade, com as suas barreiras e tabus. Nos últimos anos, porém, o panorama social se transformou. Oportunidades foram oferecidas às moças cor de canela por diversas atividades artísticas: cinema, teatro, televisão, boates. Além de possibilidades de melhor educação, surgiram também as de convívio social em clubes recreativos e culturais e o acesso aos concursos de beleza. A espetacular vitória de Vera Lúcia como Miss Guanabara e o terceiro lugar que ela conquistou em Long Beach, Estados Unidos, são um incentivo para muitas. Aqui estão algumas que com ela rivalizam tanto em graça como em elegância. 

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Aizita Nascimento




Aizita Nascimento bateu, no ano passado, todos os recordes possíveis e imagináveis de propostas de casamento: nada menos de mil e noventa e cinco, ou seja, três por dia. Ela passou de Miss Renascença a atriz de televisão e, em poucos meses, marcou sua personalidade, fazendo dupla com Grande Otelo. Agora, vai interpretar um papel, num filme, ao lado do conhecido ator italiano Alberto Sordi.

------- Aizita Nascimento, Miss Renascença 1963, foi finalista (sexto lugar, Top 8) no Miss Guanabara 1963.

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Vilma Lindamar




Vilma Lindamar vai viajar, ainda este mês, para a Itália, onde fará um curso de arte dramática. Ela foi descoberta há pouco pelo produtor e diretor italiano Giorgio Moser e acaba de rodar, na Bahia, uma série de filmes a serem apresentados na televisão daquele país. Vilma Lindamar é filha de Maria Ribeiro, a estrela do célebre filme Vidas Secas.

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Marlene Marques

O broto Marlene Marques foi eleito, há pouco, charme-girl do Renascença Clube, associação que reúne as mais belas mulatas do Brasil e do mundo. Ela estuda piano e teoria musical e, se quisesse, poderia ser excepcional manequim.

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Dininha Passos

Dininha Passos é mineira de Ponte Nova mas mora em Bangu e é, portanto, autêntica “mulatinha rosada”. Ela concluiu o curso clássico e prepara-se, agora, para fazer o vestibular de Filosofia. Enquanto lê Aristóteles e Kierkegard, trabalha numa óptica.

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Nara Monteiro

Nara Monteiro é a organizadora do conjunto musical Só Mulatas que em breve, vai fazer furor. Ela tocará piano e bateria, ao lado de Marlene, Marly e Dininha, responsáveis pelos demais instrumentos. Pratica vôlei e esgrima no Clube Universitário, enquanto se prepara para estudar Arquitetura. É alegre e desembaraçada e há quem afirme que ela será boa compositora. 

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Alice Simões


Alice Simões é a mais provável candidata ao título de Miss Guanabara, representando o Renascença Clube que, esse ano, espera repetir o feito de Vera Lúcia, arrebentando o bicampeonato no Maracanãzinho. Alice, que é uma beleza, também é estrela: estuda pintura e está organizando uma exposição a ser brevemente inaugurada nos salões do Renascença. 

-------- Alice Simões teria sido uma bela Miss Renascença, mas em 1965 o clube não apresentou candidata ao Miss Guanabara, preferindo focar sua atenção na reforma da sede do clube.

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Vera Lúcia Couto dos Santos


Vera Lúcia Couto dos Santos é rainha de porte e de tradição, mesmo porque nasceu em São Cristóvão, antigo bairro imperial carioca. Coroada Miss Guanabara e segunda colocada no concurso de Miss Brasil, ela brindou a passarela do Maracanãzinho com um movimento harmonioso, à feição de um gentil corropio, a quem deram o nome de pivot. Em seus já decorridos trezentos dias de reinado, Verinha tem vivido grandes emoções, tanto nas capitais do Brasil como em Long Beach (ali fez bonito, com um terceiro lugar) e na Argentina, onde obteve verdadeira consagração. Poucos sabem que Verinha já gravou um disco e, tão logo termine o seu mandato de soberana da beleza, vai começar uma nova e promissora carreira: a de cantora. De resto, a glória não lhe subiu à cabeça. Continua morando no Grajaú, comparece às festa do Renascença Clube e ainda pretende permanecer solteira por algum tempo.


Há um ano e meio, quando ainda não cogitava de concorrer ao título de Miss Guanabara, Vera Lúcia posou para uma reportagem fotográfica, como manequim. Na semana passada, ela tornou a desfilar, exclusivamente para MANCHETE, exibindo alguns modelos de Hugo Rocha, seu costureiro. Acrescentando um certo tom místico à sua beleza, Verinha vestiu um sari indiano, todo confeccionado em organza dourada e completou a rica indumentária com um costume milenar das mulheres da Índia: um rubi na testa.

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Síntese da beleza no cenário tropical

Síntese da beleza no cenário tropical, elas se harmonizam, apesar do contraste

A loura é Solange, Rainha do IV Centenário. A mulata é Vera, Miss Guanabara. Lado a lado, elas formam a mais perfeita e acabada síntese de beleza da mulher carioca. Juntas, seus encantos se completam e suas graças se multiplicam. Isto porque, conforme já acentuou o poeta Drummond, “...mas as coisas findas, muito mais do que as lindas, essas ficarão.”   

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Fico imaginando que aquelas mulheres empoderadas, numa época onde ninguém ouvia falar essa   palavra, continuam lindas e elegantes,  enquanto  recito  Carlos Drummond de Andrade,

"...mas as coisas findas, muito mais do que as lindas, essas ficarão." 


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domingo, 21 de outubro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Vera Lúcia Couto e Martha Vasconcellos, duas Misses dos anos 60, "os melhores anos das nossas vidas"

Daslan Melo Lima


          "Os Melhores Anos das Nossas Vidas". Este é o nome do novo programa da Rede Globo, no ar às quintas-feiras, após a novela das 21 horas, sob o comando de Lázaro Ramos, redação final de Paula Miller e direção geral de Bernardo PortugalUma disputa entre as décadas de 1960, 1970, 1980, 1990 e 2000. 
              Vera Lúcia Couto dos Santos (Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil, terceira colocada e Miss Fotogenia no Miss Beleza Internacional 1964) e Martha Vasconcellos (Miss Bahia, Miss Brasil, Miss Universo 1968) gravaram participação na quarta-feira, 17, no programa que será exibido no dia 08 de novembro.

Vera Lúcia Couto dos Santos
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Martha Vasconcellos
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Tribuna da Bahia, terça-feira, 16/10/2018
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Porta do camarim de Vera Lúcia Couto e Martha Vasconcellos.
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Roberto Macêdo (jornalista, escritor, biógrafo de Martha Vasconcellos) ladeado por Vera Lúcia Couto e Martha Vasconcellos. 
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Roberto Macêdo exibindo as faixas de Vera Lúcia Couto: Miss Renascença, Miss Estado da Guanabara e Miss Brasil nº 2. ***** Nos anos 60, o Top 3 do Miss Brasil tinha a denominação de Miss Brasil n° 1, a primeira colocada; Miss Brasil  nº 2, a vice; e a Miss  Brasil nº 3, terceiro lugar. A primeira representava o Brasil no Miss Universo e as outras no Miss Beleza Internacional e Miss Mundo. ***** A faixa de Miss Brasil nº 2 foi um presente de Arnaldo das Faixas para Vera Lúcia Couto. 

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           A disputa acirrada das décadas se estenderá até a última quinta-feira do ano, 27 de dezembro, quando se saberá qual a década vencedora. Espero que seja a de 1960, quando eu não me dava conta de que estava sendo testemunha de um período que deixaria marcas eternas: o muro de Berlim; a inauguração de Brasília; a renúncia de Jânio Quadros; o golpe militar; o bicampeonato mundial de futebol; o movimento musical da Jovem Guarda; os festivais de música popular; a guerra do Vietnam; o assassinato de John Kennedy; a minissaia; o sucesso dos Beatles e dos Rolling Stones; a descoberta do vírus do câncer; o suicídio de Marylin Monroe; a chegada do homem na Lua; o filme “O Pagador de Promessas”; o título de Miss Universo 1963 conquistado por Ieda Maria Vargas; o terceiro lugar de Vera Lúcia Couto no Miss Beleza Internacional 1964 e o concurso Miss Universo 1968 vencido por Martha Vasconcellos  

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Imagens:
Agradecimentos ao Roberto Macêdo

sábado, 24 de junho de 2017

SESSÃO NOSTALGIA – Miss Beleza Internacional 1964, uma joia chamada Gemma Tereza Guerrero Cruz

Daslan Melo Lima

       "O primeiro dia de uma miss internacional ainda é pontilhado das emoções do sucesso acabado de acontecer. No caso de Gemma Tereza Guerrero Cruz, entretanto, essas emoções não perturbavam a sua maneira simples e quieta de conversar com os repórteres. Miss International Beauty Congress, Miss IBC para os íntimos, estava tranquila diante das perguntas. E disse o que tinha a dizer. Sem vacilar e sem tremer a voz."
         Assim começava o texto da reportagem Uma jóia chamada Gemma, publicada na revista O Cruzeiro, Ano XXXVI, nº 49, de 12/09/1964.


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Uma joia chamada Gemma

Uma jóia chamada Gemma - Ubiratan de Lemos entrevista Miss IBC em Long Beach. Fotos de Indalécio Wanderley. ***** Á esquerda, fotos de Gemma Tereza Guerrero Cruz, a "Mimi", nascida em 30/09/1943, Miss Filipinas, Miss Beleza Internacional 1964, e de Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceira colocada no Miss Beleza Internacional 1964. ***** Á direita, Gemma Tereza Guerrero Cruz na manhã do dia 15/08/1964, após ter conquistado na noite anterior, no Long Beach Auditorium, um dos mais cobiçados títulos de beleza do mundo.  
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- É verdade que você doou os 10 mil dólares do prêmio para as crianças americanas?
- Mandei dar o dinheiro às crianças, não às americanas, que não necessitam de contribuição financeira, mas às do meu país.
-  Você só fala inglês?
- Também uso o espanhol. Com Verinha, de quem me tornei amiga desde logo, só converso na língua de Cantinflas.
- Você tinha candidata a rainha do IBC?
- Sim, Verinha. Não estou dizendo isso agora. Verinha e as outras sabem que meu voto era dela. Para mim ela é a Miss IBC, e eu a sua amiga e fã.
- Por que você escolheu Verinha? Por que não Miss Alemanha, ou a loura da Argentina?
Simplesmente porque acho Verinha completa: tem plástica, personalidade, encanto de conversa, e uma coisa muito importante que eu não sei o nome em inglês.]
 - É borogodó.
- Que é borogodó?
- Borogodó é isso que Verinha tem e você não sabe dizer. Borogodó é magia mulata. Desculpe-nos. Um repórter é um sujeito às vezes profissionalmente mal educado. Você tem costume de ler? Ler páginas de longo curso, não apenas histórias de enredo certo?
 - Ler não é um hábito. Ler é um movimento da vida. É claro que leio coisas sérias e outras sem importância. Entre as primeiras nomeio os escritores franceses, que são os da minha preferência. Cito André Gide, Camus e Mauriac.
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      Já sabíamos da educação de fino trato da charmosa Gemma. Uma doçura em tudo, educação universitária americana, financiada pelo capitalismo de seus pais.   
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- Gemma, você é religiosa?
- Sou católica apostólica romana. O meu país é católico como o Brasil.
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  Deixamos de lado Gemma e tomamos Verinha pelo braço:
- Você está satisfeita com o 3º lugar?
 - Invente outra palavra. “Satisfeita” não satisfaz. Estou explodindo de alegria. Estou que não me aguento.
- Vimos você de conversinha com Arlene Dahl. Que era aquilo?
- Ela foi me dizer que tinha votado em mim. Disse também que gostaria de conhecer o Rio.
- Os americanos trataram bem de você, Verinha? Alguma queixa deles?
- Vou falar francamente. Vou dizer, talvez, o que não deveria dizer: os americanos me tratarem em Long Beach – o povo da rua e a  plateia do estádio – melhor do que fui tratada no Maracanãzinho. E nas ruas do Rio, depois que fui Miss Brasil número 2. Achei os louros do Pacífico adoráveis. Nem por um segundo senti a tal da discriminação. Não é para botar banca não, mais fui beliscada de olho por muito bonitão de olhos azuis.
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Gemma, agosto de 1964

Gemma é abraçada por Vera Lúcia Couto dos Santos. Foto: revista Manchete, 29/08/1964, Ano 12, nº 645.
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Gemma sendo coroada pelo ator Hugh O'Brian (1925-2016). ***** Imagem: web.
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Gemma e sua mãe, a escritora Carmen Guerrero Nakpil. Imagem: web.
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Vera Lucia Couto e Gemma Tereza na capa da revista Manchete, 29/08/1964, Ano 12, nº 645.
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"A beleza pura alegra para sempre os olhos - Miss Filipinas, agora Miss Beleza Internacional de 1964, nunca fora fotografada em maiô. E pediu que não mandasse tais fotos para seu país, onde é funcionária de um museu e escreve sobre história. Mas Verinha está habituada a posar assim, como uma estátua de ébano animada por um sopro de vida." - Texto e foto de Gervásio Batista, revista Manchete, 29/08/1964, Ano 12, nº 645.
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Gemma Cruz Araneta, um orgulho das Filipinas

Gemma Cruz Araneta - alchetron.com

    A herança ancestral da Gemma Tereza Guerrero Cruz, ou simplesmente Gemma Cruz Araneta, como é mais conhecida atualmente, inclui personalidades proeminentes na história filipina. Maria Rizal, irmã de José Rizal (1861-1896), herói nacional das Filipinas, é sua bisavó. Sua mãe, Carmen Guerrero Nakpil, foi casada com o capitão Ismael Argüelles Cruz, neto de Maria Rizal e Daniel Cruz. Ele foi torturado e morto por soldados japoneses, juntamente com seu pai, Mauricio Cruz (filho de Maria Rizal) durante a "Libertação de Manila" em fevereiro de 1945.
       Gemma tem muitos primos que também são descendentes das irmãs de Rizal. Uma tia se casou com um descendente da família Laurel, que deu ao país um presidente, um vice-presidente, um senador e um presidente da universidade.  Através de seu casamento com o Dr. Antonio Sebastian Araneta, pai da sua única filha Fatimah Araneta, está vinculada a quase todas as famílias que produziram líderes filipinos até o presente, bem como clãs aristocráticos de influências regionais. Outro membro do clã Araneta é  Jorge Araneta, que se casou com a primeira vencedora do concurso Miss Beleza Internacional, a colombiana Maria Stella Márquez Zawadzky, eleita em 1960.
            Em 1968, o presidente Ferdinand Marcos (1917-1989) nomeou a Miss Beleza Internacional 1964 diretora do Museu Nacional. Gemma foi membro do Instituto Nacional de História e Secretária do Departamento de Turismo.  Em 2003, foi eleita Diretora Administradora e Presidente da Heritage Conservation Society of Philippines (HCS) e reeleita em fevereiro de 2006. A HCS tem um projeto em andamento com o Departamento de Educação - Heritage Schoolhouses Restoration Program. Até agora, três casas escolares da época colonial americana foram restauradas, aumentando o inventário nacional de escolas.
         

       Gemma é autora de vários livros, entre eles a biografia de José Rizal, herói nacional das Filipinas. 
"Eu definitivamente quero cutucar a curiosidade intelectual dos estudantes filipinos, esperando que mergulhem mais fundo, mais sérios nos estudos da história das Filipinas. Os jovens devem aprender a amar a nossa pátria e estar preparados para defendê-la em todos os momentos." Gemma Cruz Araneta.
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 Fonte: sites das Filipinas 
          
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       Timbaúba, Pernambuco, Brasil, 24 de junho de 2017. Um forró toca ao longe. É noite de São João. Acredito que não há festas juninas nas Filipinas, pelo menos da forma como nós conhecemos no Brasil. O que sei é que os filipinos adoram concursos de misses. 
        Houve um tempo em que o Maracanãzinho atraía mais de 25 mil pessoas nas noites em que jovens sonhadoras de todos os estados brasileiros disputavam o título de Miss Brasil. Nos meses de junho, por essa época. já sabíamos quem iriam representar o País nos concursos de Miss Universo, Miss Beleza Internacional e Miss Mundo.  
        Se sonho com a volta de um Maracanãzinho repleto? Sim! Sonhar não é proibido. Paixões são paixões, simplesmente paixões, não se explicam.  

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sábado, 30 de julho de 2016

SESSÃO NOSTALGIA – No tempo das Veras Lúcias do concurso Miss Guanabara

Daslan Melo Lima

          Durante três anos consecutivos, as primeiras colocadas no concurso Miss Guanabara chamaram-se Vera Lúcia, 1962, 1963 e 1964. Dois anos depois, em 1967, a vencedora tinha o mesmo nome. 
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As Veras Lúcias eleitas Miss Guanabara na década de 1960. Da esquerda para a direita: Vera Lúcia Saba (1962), Vera Lúcia Ferreira Maia (1963), Vera Lúcia Couto dos Santos (1964) e Vera Lúcia de Castro (1967).
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        Em termos de visibilidade, as misses do Estado da Guanabara alcançavam, antes da realização do concurso Miss Brasil, mais notoriedade do que as suas concorrentes de outros Estados brasileiros. Suas imagens eram capas das mais importantes publicações dos anos 60, O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos.
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O ESTADO DA GUANABARA


          A Guanabara foi um Estado do Brasil de 1960 a 1975, no território do atual município do Rio de Janeiro. A palavra guanabara tem sua origem no tupi guarani guaná-pará, e significa "o seio-mar". Com a mudança da capital para Brasília, em 21 de abril de 1960, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o Estado da Guanabara.  A Guanabara foi o único caso no Brasil de uma cidade-estado. 
     Pela Lei Complementar nº 20, de 1º de julho de 1974, durante a presidência do general Ernesto Geisel, decidiu-se realizar a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, a partir de 15 de março de 1975, mantendo a denominação de Estado do Rio de Janeiro, voltando-se à situação territorial de antes da criação do município neutro, com a cidade do Rio também voltando a ser a capital fluminense. (Wikipedia)

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VERA LÚCIA SABA
Miss Clube Monte Líbano
Miss Guanabara 1962

Manchete - Rio de Janeiro, 23 de junho de 1962 - Ano 10 - Nº 531

Antes mesmo de receber a faixa de Miss Guanabara, a morena Vera Lúcia Saba, representante do Clube Monte Líbano, viveria instantes felizes. Na véspera da grande festa do Maracanãzinho, os fotógrafos a elegeram Miss Simpatia. Na hora do concurso o público antecipou-se à decisão do júri, dedicando-lhe os maiores aplausos. A nova Miss Guanabara, forte concorrente ao título de Miss Brasil, tem dezoito anos e é bailarina clássica. Mais de 15 mil pessoas aplaudiram as 22 lindas concorrentes ao título de Miss Guanabara. No final, o público concordou com o júri. Pela primeira vez, na história do concurso, as candidatas não protestaram contra o resultado final. Alias, ainda na véspera da festa do Maracanãzinho, comentavam: “Desta vez é fácil adivinhar. A Miss Monte Líbano já ganhou. (Manchete) ***** Vera Lúcia Saba foi a terceira colocada no Miss Brasil e concorreu em Londres ao título de Miss Mundo 1962.

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VERA LÚCIA FERREIRA MAIA
Miss Fluminense Futebol Clube
Miss Guanabara 1963

Manchete-Rio de Janeiro, 29 de junho de 1963 - Ano 11 - Nº 584

Vera Lúcia Ferreira Maia, candidata do Fluminense, foi eleita Miss Guanabara no mais emocionante concurso de beleza já  realizado no Maracanãzinho, pois tanto o júri quanto o público custaram a chegar a um acordo. A primeira contagem dos votos assinalou um empate entre Vera Lúcia e Eliane Silveira (do Clube Riachuelo), ambas com 50 pontos. No desempate ganhou Vera Lúcia, embora 15 mil pessoas nas arquibancadas gritassem o nome de Aizita Nascimento, a linda mulata do Clube Renascença, que, inexplicavelmente, acabou ficando em 6º lugar. (Manchete) ***** Filha da cantora Nora Ney (1922-2003), Vera Lúcia Ferreira Maia foi a terceira colocada no Miss Brasil e uma das 15 semifinalistas do Miss Mundo 1963.  

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VERA LÚCIA COUTO DOS SANTOS
Miss Renascença Clube
Miss Guanabara 1964

O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 18 de julho de 1964 - Ano XXXVI - Nº 41

Parece que o Maracanãzinho se arrumou para aplaudir Verinha-cor quente. Ela foi a fervura do frio do estádio. A senha para as palmas. Desfilou de garça, espontânea, distração disciplinada, uma vez de vestido branco, manto ao vento; outra vez de maiô de bolinhas, corpo traçado a bico de pena. “Esta mulata vale um dicionário de Aurélio Buarque de Holanda”, disse um repórter. Ela foi antes Miss Suéter e Miss Primavera do Renascença. Vera fala inglês, francês e faz composições populares. “Zé do Violão” é samba seu, samba supimpa. Nunca um júri se reuniu tantas vezes no Miss Guanabara. Foi um recorde de medições, de tomadas de consciência. Afinal, entre tantas louras e morenas, tantos olhos verdes e azuis, havia um destaque sépia a considerar: Vera, a mulata. Por coincidência a candidata da plateia.  (O Cruzeiro) ****** Vera Lúcia Couto dos Santos  foi a segunda colocada no Miss Brasil e terceira no Miss Beleza Internacional 1964. 

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VERA LÚCIA DE CASTRO
Miss Motel Country Clube Bandeirantes
Miss Guanabra 1967

Fatos & Fotos - Brasília, 08 de julho de 1967 - Ano VII - Nº 336

Vencendo 26 candidatas, uma morena alta, de 19 anos, normalista, é a Miss Guanabara 1967. Miss Guanabara voltou a chamar-se Vera Lúcia. Em anos anteriores, Vera Lúcia Saba, Vera Lúcia Ferreira Maia e Vera Lúcia Couto dos Santos foram as mais bonitas cariocas e criaram uma espécie de clã particular que aumentou com a vinda de Vera Lúcia de Castro, a Miss Guanabara 1967. Se nenhuma das três antecessoras chegou a Miss Brasil, a morena Vera Lúcia começou vencendo fácil o teste preliminar saindo à frente de 26 candidatas, num Maracanãzinho repleto. Dez mil pessoas concordaram com o júri. Desde a fase de inscrição, ela surgia como forte candidata, chegando até´a convencer o pai Sr. Carlos Castro de que valia a pena ter uma miss entre suas três filhas. As irmãs de Vera, Glória e Leila, foram as que mais torceram e toda a família estava presente, tios, madrinhas e primos. (Fatos & Fotos) ***** Vera Lúcia de Castro ficou entre as semifinalistas do Miss Brasil 1967.

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VERAS LÚCIAS, AS LUMINOSAS VERDADEIRAS 
  
            Vera Lúcia é um nome composto pela junção de dois nomes com origem do latim, conforme o  www.dicionariodenomesproprios.com.br 

        Vera Lúcia significa “a luminosa verdadeira” ou “a luminosa que tem fé”. 
        Vera  tem origem a partir do latim verus, vera ou verum, que quer dizer literalmente “verdadeira”, “sincera” ou “franca”. Pode também ter vindo do eslavo wjera, que significa “fé”, “fidelidade”, tendo também  o mesmo significado em russo.  Para a Igreja Ortodoxa Russa, Vera (fé) é uma das filhas de Sofia (sabedoria).
       Lúcia  significa “a luminosa”, “a iluminada” ou "aquela que nasceu com a manhã". Lúcia é a variante feminina de Lúcio, nome que tem origem no latim Lucius, derivado dos elementos lyke, luc, luk, que deram origem à palavra em latim lux, que significa “luz”, por extensão “a luminosa”. De acordo com algumas fontes, originalmente o nome Lucius era traduzido como “o que pertence à aurora” ou “nascido com a manhã”. Muitas crianças que nasciam durante a madrugada ou nas primeiras horas da manhã acabavam por receber este nome.

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      Timbaúba, Pernambuco, 30 de julho de 2016. Daqui a pouco, a tarde fria pernambucana vai se despedir nos braços da noite.  Busco roubar do tempo as emoções e as passarelas de uma época que se foi. Junto as revistas lado a lado e imagino que todas as Veras Lúcias, eleitas Miss Guanabara na década de 1960, aqui estão, jovens, lindas, sonhadoras... Misses para sempre Misses. 

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sábado, 13 de dezembro de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - Solange e Vera, a mais perfeita síntese da mulher carioca

Daslan Melo Lima

       Síntese da beleza no cenário tropical, elas se harmonizam apesar do contraste”, assim começa a legenda de uma foto que ocupa duas páginas da revista Manchete, nº 681, ano 13, de 08/05/1965.  Quem são elas? A loura Solange Dutra Novelli, Rainha do IV Centenário do Rio de Janeiro, e  a mulata Vera Lúcia Couto Santos, Miss Renascença Clube, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceiro lugar no Miss Beleza Internacional 1964.


       E a legenda conclui “... lado a lado, elas formam a mais perfeita e acabada síntese de beleza da mulher carioca. Juntas, seus encantos se completam e suas graças se muliplicam. Isto porque, conforme já acentuou o poeta Drumond, ... mas as coisas findas, muito mais do que as lindas, essas ficarão.”

       Além da página dupla, Solange e Vera estão na capa em foto de Nicolau Drei.

       E para finalizar em grande estilo a antepenúltima Sessão Nostalgia de 2014, nada melhor do que essa imagem, também extraída do referido número da Manchete. Vera Lúcia Couto dos Santos vestindo um traje de Hugo Rocha, um sari  indiano confeccionado em organza dourada,  e como complemento um rubi na testa.



      O que dizer diante de tanta beleza? Gritar Amém, Assim seja,  em silêncio, e  declamar ao lado do vento o texto completo do poema Memória, de Carlos Drumond de Andrade.  

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

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