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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ NO BLOG PASSARELA CULTURAL, cujas postagens, na maioria das vezes, são postadas aos sábados e domingos. Nossa trajetória começou em 02/07/2004, com o nome de Timbaconexão, como coluna sociocultural do extinto site de entretenimento Timbafest. Em 12/10/2007, Timbaconexão migrou para blog com o nome de PASSARELA CULTURAL, quando teve início a contagem de visitas. ***** Editor: DASLAN MELO LIMA - Timbaúba, Pernambuco, Brasil. ***** Contatos : (81) 9-9612.0904 (Tim / WhatsApp). E-mail: daslanlima@gmail.com

sábado, 26 de julho de 2008

SESSÃO NOSTALGIA- JULIETA STRAUSS, MISS BRASIL-BELEZA INTERNACIONAL 1962

 Daslan Melo Lima

      Julieta Strauss, uma loura linda de olhos azuis, formada em Secretariado, inteligente, culta, poliglota e cheia de personalidade, só tinha um sonho em 1962 : ser um dia capa de revista. Carioca de nascimento, nascida no Posto 2-Rio, paulista de coração, descendente de húngaros, Julieta Strauss tinha 1,67 de altura, 56 quilos, 93 cm de busto e quadris, 61 cm de cintura , 56 de coxa e 21 de tornozelo. Vestia-se com as peças elegantes e cheias de glamour de Madame Boriska e foi eleita Miss São Paulo representando o Círculo Israelita.


      Com um rosto que lembrava o da atriz Romy Schneider,a Sissi do cinema (foto em tom sépia de Ronaldo Moraes, O CRUZEIRO, 16/08/1962), Julieta Strauss pisou na passarela do Maracanãzinho naquele sábado frio de 16 de junho , véspera da final da Copa do Mundo,como uma das favoritas ao título de Miss Brasil 1962. Trinta mil pessoas viram Miss São Paulo - a mais animada de todas as concorrentes, escolhida Miss Fotogenia pelos fotógrafos - ficar com o segundo lugar, perdendo apenas para a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti. Naquela época, as segundas e terceiras colocadas recebiam a denominação de Miss Brasil nº 2 e representava o Brasil no Miss Beleza Internacional,enquanto a terceira colocada era chamada de Miss Brasil nº 3 e representava o Brasil no Miss Mundo,em Londres.

      Julieta Strauss estudou dois anos na Suíça e se comunicava em inglês tão bem com em português. Adorava colecionar peixinhos em aquários e tinha três paixões : teatro,literatura e ballet, que dançava muito bem. Adorava sorvete de chocolate, sua cor preferida era o preto e seus bichos de estimação eram um cachorro Skindô e o periquito Pancho. Quando o assunto era amor e casamento, ela dizia que amor era o do pai,da mãe e da irmã Irene, e alegava que casar era fácil, casar bem e por amor era difícil.


Uma coisa Julieta não queria: ser chamada de falsa baiana. Quando ela obteve o segundo lugar no concurso de Miss Brasil, contraindo a obrigação de representar nosso país no certame de beleza de Long Beach, ficou preocupada com a fantasia que levaria aos Estados Unidos.
Tenho a impressão - dizia – de que a baiana estilizada, superluxuosa e superenfeitada, já não atrai a atenção do público. Assim falou Julieta e, sem dúvida, com muita razão. Cismada, foi conversar com Márcio Paulete, organizador do concurso em São Paulo. Após horas de confabulações, surgiu a luminosa idéia: como ela era a miss paulista, nada mais lógico do que desfilar na passarela de Long Beach com um original traje de colhedora de café.
Da idéia à execução, foi um pulo. O costureiro Amalfi inspirou-se em gravuras de Debret e criou uma belíssima fantasia, com noventa metros de renda, oito metros de tecido branco e oito metros de surah em tonalidades café e amarela. A linda Julieta Strauss, por seu turno, bolou o toque final da roupa: usará colares e brincos feitos de grão de café.Novidade.
(Regina Helena, MANCHETE, 04/08/1962).


      Julieta Strauss chegou aos Estados Unidos como uma das favoritas ao título de Miss Beleza Internacional. Voluntariamente, atuou como intérprete das concorrentes e por isso ganhou o título de Miss Dinamismo. Dulce Damasceno de Brito, a famosa correspondente dos Diários Associados em Hollyood, que acompanhou todos os certames de beleza de Long Beach, de 1954 a 1962, conta no livro Hollywood Nua e Crua (Edições O Cruzeiro-1968, reeditado anos depois pela Edições Símbolo) que os americanos ficaram encantados com o seu inglês. Sempre alegre e simpática, ela adorou a comida doce da Califórnia, muito embora tenha passado pelo constrangimento de se engasgar com um talo de alface.

      Ninguém entendeu a sua não inclusão entre as 15 semifinalistas, inclusive Vincent Trotta, um dos membros do júri. Deão dos juizes internacionais dos concursos de beleza, ele tinha feito parte da comissão julgadora do Miss Brasil e achou Julieta Strauss com o perfil ideal para Long Beach, tanto que tinha dado a ela o segundo lugar. Para ele, os juizes latino-americanos e orientais prejudicaram Miss Brasil : Jorge Sueldo Pineyro, da Argentina: Alberto Varga,do Peru; Dirma Pardo de Carugatti, do Paraguai; Chang Key-Young,da Coréia, e a atriz japonesa Miiko Taka, que trabalhou no filme Sayonara ao lado de Marlon Brando. O título de Miss Beleza Internacional ficou com Tânia Verstak, Miss Austrália,companheira de quarto de Miss Brasil.



Decepcionada com o resultado, Julieta Strauss chegou a fugir dos repórteres brasileiros, evitou dar entrevistas e precisou de muita conversa da mãe para esquecer a ideia de não voltar ao Brasil.

      Julieta Strauss tinha um sonho naquele distante 1962 : ser um dia capa de revista. E a realidade superou seu sonho. Foi capa não apenas de uma revista, porém das mais importantes revistas brasileiras da época: MANCHETE e O CRUZEIRO. Em MANCHETE, pronta para viajar a Long Beach, posou ao lado do seu cachorrinho Skindô, em foto de Sérgio Jorge. Na revista O CRUZEIRO, de 18/08/1962, foi capa vestindo um saiote e fazendo pose de bailarina, em foto de Ronaldo Moraes. E a mesma O CRUZEIRO, de 1º/09/1962, em foto de Indalécio Wanderley, mostrou na capa Julieta Strauss e Tânia Verstak em trajes típicos.

      No ano seguinte, em São Paulo, ao dirigir seu próprio carro, foi vítima de um acidente ao bater em uma árvore. Sua beleza não foi atingida, conforme o noticiário. Há uns três anos, soube que ela tinha ficado com uma discreta seqüela e por isso claudicava um pouco. Mesmo assim, ao entrar no seu restaurante preferido acompanhada do esposo, chamava a atenção de todos pela classe, elegância e beleza, atributos que fizeram de Julieta Strauss, Miss Brasil beleza Internacional 1962, capa das mais importantes revistas brasileiras e ícone eterno dos anos 60, um mágico tempo que se foi, para sempre se foi.

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sábado, 19 de julho de 2008

SESSÃO NOSTALGIA – Cilene Aubry, Maria de Fátima Mourato e Matilde Terto, as misses da terra de Lampião

Por Daslan Melo Lima  


          Durante três anos consecutivos, 1974, 1975 e 1976, o município de Serra Talhada, terra natal de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, teve a satisfação de ver três garotas da sua cidade conquistar o cobiçado título de Miss Pernambuco:  Cilene Aubry Bezerra da Costa, Maria de Fátima Mourato de Souza e Matilde de Souza Terto.


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CILENE AUBRY  BEZERRA DA COSTA, MISS PERNAMBUCO 1974

Da esquerda para a direita, Isolda Lira Cabral, Miss Caruaru, terceiro lugar; Cilene Aubry Bezerra da Costa, Miss Serra Talhada, primeiro; e Angélica Moura Lins, Miss Gravatá, segundo lugar. ***** Foto: Diario de Pernambuco.


Cilene Aubry Bezerra da Costa, Miss Pernambuco 1974 
          Mais de 15 mil pessoas compareceram ao Ginásio de Esportes Geraldo de Magalhães Melo, o Geraldão, na grande promoção dos Diários e Emissoras Associados. Foi um grande acontecimento social, com expressivas figuras da alta sociedade pernambucana ocupando as cadeiras de pista. As atrações artísticas foram Ronnie Von, Rosemary e o conjunto MPB-4.
          Três garotas maravilhosas foram finalistas: Isolda Lira Cabral, de Caruaru, terceiro lugar; Angélica Moura Lins, de Gravatá, segundo lugar; e Cilene Aubry Bezerra da Costa, Miss Serra Talhada, primeiro lugar.


          Cilene Aubry e sua vice Angélica Moura Lins voltaram a se encontrar na disputa pelo título de Miss Brasil 1974, vencido pela paulista Sandra Guimarães, ocasião onde Angélica concorreu como Miss Fernando de Noronha. Ambas não se classificaram entre as semifinalistas do Miss Brasil 1974.



        

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  Cilene Aubry dez anos depois, ao lado do inesquecível estilista Marcílio Campos ( Foto: coluna de Fátima Bahia-Jornal do Commercio-Recife,11/05/1986).

          
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MARIA DE FÁTIMA MOURATO DE SOUZA, MISS PERNAMBUCO 1975 


As cinco finalistas do Miss Pernambuco 1975. Da esquerda para a direita: Solange Costa, , Martha Valeska, Maria de Fátima Mourato, Inês Regis e Edileide Constantino. (Foto: Diario de Pernambuco)

          Pela ordem de classificação, as cinco finalistas do Miss Pernambuco 1975 foram: Maria de Fátima Mourato, Miss Serra Talhada; Solange Costa, Miss Vitória de Santo Antão; Inês Regis de Melo; Miss Clube Internacional do Recife; Edileide Maria Vital Constantino, Miss Moreno; e Martha Valeska Vasconcelos, Miss Grupo Jovem de Boa Viagem. Kátia Marques, Miss Clube Elefantes de Olinda, recebeu a faixa de Miss Simpatia.

          Para muitos, o título deveria ter ficado com Solange Costa, considerada a grande injustiçada do Miss Paraíba, onde tinha ficado em segundo lugar. Para outros, as cinco finalistas deveriam ter sido seis, uma vez que Edileide Maria Vital Constantino , Miss Moreno, era idêntica a Edinilza Constantino, Miss Jaboatão, sua irmã gêmea. Maria de Fátima Mourato não se classificou no Miss Brasil 1975,vencido pela catarinense Ingrid Budag. Em outubro, renunciou ao título para casar com José Ferreira dos Anjos, Major da Polícia Militar de Pernambuco. Solange Costa assumiu o título, mas renunciou pouco tempo depois, também para casar. Coube então a Inês Regis de Melo, terceira colocada, a responsabilidade de ser oficialmente a Miss Pernambuco 1975 até a eleição da Miss do ano seguinte.

         








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 Maria de Fátima Mourato. (Imagem: revista Fatos & Fotos). 


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MATILDE SOUZA TERTO, MISS PERNAMBUCO 1976

Matilde Terto - Foto: revista Manchete


          Vinte e dias mil pessoas no Geraldão, um recorde, comparado ao da pregação de Frei Damião, ocorrida semanas antes, assistiram 25 candidatas disputar o Miss Pernambuco 1976. 
          Maria Aparecida Druzziane Saraiva, Miss Caruaru, semifinalista, recebeu a faixa de Miss Simpatia. Júlia Kátia de Araújo, Miss Grupo Jovem de Boa Viagem, uma das mais famosas modelos e manequins da época, arrancou aplausos e também muitas vaias por causa do seu biótipo e estilo de desfilar. Ela fugia do padrão das Misses tradicionais e sua postura era similar às modelos da atualidade. Linda, magérrima e cheia de atitude, ficou entre as semifinalistas sem se importar quando alguém gritava: Tra-ves-ti ! Maria Betânia Magalhães Albertin, Miss Pesqueira, semifinalista, com muita classe, foi a primeira concorrente a tomar a iniciativa de parabenizar Matilde Souza Terto pela conquista do título, uma vez que outras se omitiram , descontentes com o resultado.


          Para alguns, o título teria ficado melhor nas mãos de Maria Pompéia Farias, Miss Náutico, irmã de Jerusa Farias, Miss Belo Jardim e Miss Pernambuco 1969. Matilde Terto ganhou um automóvel Chevette zero km,o mesmo prêmio que foi dado às suas duas antecessoras,oferta da empresa Caxangá Veículos. Em Brasília, Matilde Terto não obteve classificação no Miss Brasil,vencido pela paulista Kátia Celestino Moretto.







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          Á direita, Maria Betânia Albertin e Julia Kátia, em fotos do Diario de Pernambuco.

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          Mais de trinta anos depois, a conquista dos três consecutivos títulos de Miss Pernambuco pelas três garotas de Serra Talhada é quase uma lenda lá pras bandas do sertão pernambucano. Constatei isso faz uns oito anos, quando passei uma semana por lá. Em um restaurante à beira da estrada de um povoado,um senhor olhou para mim e disse : 
- O senhor sabia ? Pense na beleza da mulher sertaneja ! Serra Talhada já deu três Misses Pernambuco !
Respondi : 
- Eu sei senhor,eu estava no Geraldão nos anos de 1974,1975 e 1976 e fui testemunha da vitória de Cilene,Maria de Fátima e Matilde. Parece uma lenda como a de Lampião, guardando as devidas proporções. Uma lenda que se estenderá por várias gerações.

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sábado, 12 de julho de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Akiko Kojima, Miss Universo 1959, o escândalo de um "líquido plástico"

Daslan Melo Lima


          Long Beach, Estados Unidos, julho de 1959, eleição da Miss Universo 1959. Uma modelo elegante e meiga torna-se a primeira asiática a conquistar a coroa de rainha da beleza universal. Seu nome: Akiko Kojima, vinte e dois anos de idade a completar no dia 26 de novembro, 1,67 de altura, 54 quilos, 94 cm de busto, 58,5 cm de cintura, 96,5 cm de quadris. 
           As imagens que ilustram esta matéria são reproduções das fotos feitas por Gervásio Batista, publicadas na revista Manchete, de 08/08/1959.



   























        Em agosto de 1959, o mundo foi sacudido por uma notícia escandalosa. O jornal francês France Soir, de Paris, publicou a noticia abaixo, em tradução veiculada na revista O Cruzeiro, de 05/09/1959.

ESCÂNDALO: MISS UNIVERSO 1959 aumentou o volume do seu busto, afirma um cirurgião japonês.



Hollywood – 14 de agosto (por via especial) – 
A cidade de Long Beach, onde se realizou, em 21 de julho, a eleição de Miss Universo, está agitada. Os seus habitantes solicitam que a feliz escolhida, Senhorita Akiko Kojima (Miss Japão) seja desqualificada.
A indignação desses respeitáveis cidadãos foi provocada por declarações do cirurgião nipônico Toshiro Matsui.
-Poucos antes do certame de beleza – afirmou o médico – Akiko Kojima entrou na minha clínica sob um nome falso. Como temia que as medidas de seu busto não fossem satisfatórias, pediu que lhe fosse injetado um "líquido plástico" para dar maior volume aos seus seios.

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          Quando o escândalo estourou, Akiko Kojima estava em Honolulu e declarou aos repórteres que tudo não passava de mentira e que estava disposta a submeter-se a um completo exame radiográfico. Os meses passaram, o assunto foi encerrado e Akiko Kojima continou reinando tranquilamente como Miss Universo. Naquela época, ninguém falava em silicone e muita gente achou a história fantasiosa.

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As cinco finalistas do concurso Miss Universo 1959. Da esquerda para a direita: Vera Regina Ribeiro, Miss Brasil, quinto lugar; Terry Lynn Huntingdon,Miss Estados Unidos, terceiro lugar; Akiko Kojima, Miss Japão, primeiro lugar; Jorunn Kristjansen, Miss Noruega, segundo lugar; e Pamela Anne Searle, Miss Inglaterra, quarto lugar.

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         Estou concluindo esta crônica na tarde fria pernambucana de Timbaúba, em 13 de julho de 2008. Hoje à noite, no Vietanm, oitenta  jovens vão disputar o mais cobiçado título de beleza do mundo. Abro as revistas de 1959, entro no "túnel do tempo" e fico admirando a beleza natural das cinco finalistas do Miss Universo 1959.
         Minha imaginação voa. Vejo Akiko Kojima  assistindo hoje pela televisão o Miss Universo 2008. Algumas candidatas deverão aparentar intervenções cirúrgicas e sinas de aplicações de botox e silicone. Vejo Akiko Kojima dando gargalhadas e dizendo : Não posso acreditar que por muito menos do que isso, bem menos, há 49 anos, quiseram tirar de mim o título de Miss Universo 1959.

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sábado, 5 de julho de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - MISSES DE 1961, MAIÔS, SAIOTES E PRECONCEITOS

Por Daslan Melo Lima

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UMA CARTA DA LIGA DAS SENHORAS CATÓLICAS DE CURITIBA E TODAS AS CANDIDATAS AO TÍTULO DE MISS BRASIL 1961
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          Em 03/08/1961, as senhoras Nilza Martinelli e Dalila de Castro Lacerda, respectivamente secretária e presidente da Liga das Senhoras Católicas de Curitiba, entidade que funcionava na Rua Mal. Floriano, 250, 11º andar, em Curitiba, Paraná, escreveram uma carta para D. Eloah Quadros, Primeira Dama do Brasil, nos termos abaixo. As fotos e os textos em negrito-itálico foram extraídos da revista O Cruzeiro.

A Liga das Senhoras Católicas de Curitiba, associação que representa a Mulher Cristã, solicita-lhe uma medida moralizadora sobre a maneira com que se apresentam as jovens que concorrem aos concursos de beleza, quando se expõem da maneira mais deprimente e aviltante, em diminuição ao nosso valor, para um apreciamento não do belo mais sim do ridículo comprometendo a educação das novas gerações e influindo no futuro das nossas filhas e netas.

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          As três primeiras colocadas no Miss Brasil 1961. Da esquerda para a direita : Vera Maria Brauner Menezes, Miss Rio Grande do Sul, segunda colocada; Stael Maria da Rocha Abelha, Miss Minas Gerais, primeira colocada; e Alda Maria Coutinho de Morais, Miss Guanabara, terceira colocada. 
              Stael Abelha não obteve classificação em Miami, no Miss Universo. Renunciou logo após voltar ao Brasil, por amor ao namorado Múcio Ataíde, e Vera Maria Brauner,que havia conquistado o vice-Miss Beleza Internacional, foi declarada oficialmente Miss Brasil 1961. Alda Maria participou em Londres do Miss Mundo mas não figurou entre as semifinalistas.

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Reprodução do original da carta

 
Pouca gente entendeu por que o Presidente Jânio Quadros apertou um botão no Planalto contra a ingenuidade do maiô em concurso de beleza. O certo é que o lápis dourado do Presidente, propondo-se a reformular a moral das passarelas, provocou um coral de protestos femininos. 

É massudo o livro dos argumentos pró-maiô. Também expressivo, nos setores sociais conservadores, é o apoio ao decreto presidencial que riscou as vitrinas da beleza do mapa dos concursos. Acotovelam-se as opiniões entre o maiô e o Presidente. De um lado, a Liga das Senhoras Católicas de Curitiba, sob a liderença de Dona Dalila Lacerda, que pediu e obteve do Presidente a proibição. De outro, os civis e militares de códigos morais menos ortodoxos – os que remam com a época, os compreensivos. Os que votam no maiô citam logo o exemplo americano. Pois até o hermético puritanismo de Tio Sam adota o maiô tranquilamente. 
Concurso de beleza em Miami, Long Beach e Atlanta tem prefácio de hino nacional e sermão de padre. Se Long Beach prefere o saiote – curto e transparente, provavelmente mais sex - , não o faz por desaprovação ao maiô. Mas simplesmente porque quis ser diferente dos outros concursos. Quis dar nota estridente na passarela da Califórnia. Os americanos não aprovam os biquínis e parabiquínis, porque estes não melhoram o julgamento da plástica em relação ao maiô de saia tipo Maracanãzinho.

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          Da esquerda para direita: Elza Maria Lauriano dos Santos, Miss Ceará ; Stela Maria Rocha Lima, Miss Bahia ; Filomena Maria Jorge Chaves, Miss Pará ; Maria Lúcia Santa Cruz, Miss Pernambuco; e Carmem Aurélia Rodrigues de Lima, Miss Rio Grande do Norte. Pela ordem, elas ficaram do quarto ao oitavo lugar.
          Carmen Rodrigues , Miss RN, havia tirado o segundo lugar no Miss PE. As Misses RN,PA,PE e BA estavam entre as sete mais aplaudidas pelas 25 mil pessoas presentes no Maracanãzinho naquela noite de 17/06/1961. As outras três misses mais aplaudidas foram exatamente as que ficaram no Top 3: a mineira Stael Abelha (a preferida do público), a gaúcha Vera Brauner e a carioca Alda Coutinho.

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Da esquerda para direita: Carmem Tereza Moutinho Mascarenhas Leite, Miss Alagoas; Elenita Teixeira Lobo, Miss Sergipe; Alcione Vieira Abreu, Miss Espírito Santo; Maria Madalena Aguiar, Miss Estado do Rio; e Mires de Abreu Cruz, Miss Goiás. ***** Carmem Tereza Mascarenhas, Miss Alagoas, minha conterrânea, é filha da inesquecível jornalista alagoana Nilza Mascarenhas, que atuou por muitos anos no colunismo social do Recife.

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          Ubiratan de Lemos, repórter de O Cruzeiro, ouviu 10 personalidades : Vincent Trotta, Martha Rocha, Thereza Souza Campos, Mr. Blum, Herbert Moses, Terezinha Morango, Jorge Frias de Paula, Vera Brauner, Paulo Azeredo e Adalgisa Colombo. Nenhuma delas via imoralidade nos maiôs usados nos concursos e desaprovaram a atitude do Presidente Jânio Quadros.
           Vicent Trotta, deão dos juizes de Long Beach, confessou :A beleza é pura. E inacreditável a proibição! Seria o caso de proibir, também, o uso de maiôs nas praias públicas por uma simples questão de lógica. As praias e as passarelas pertencem ao público. Que seria de uma praia sem uma bela mulher de maiô?
          Jorge Frias de Paula, Presidente do Fluminense, foi categórico : Acho que esse problema de moralidade e imoralidade é uma coisa íntima. Eu não percebo o imoral no maiô.
          Paulo Azeredo, do Botafogo, foi mais além : O público de passarela é de torcida, e não um fauno desvairado. A torcida é pura. E o entusiasmo, competitivo.

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Da esquerda para a direita: Marília de Carvalho Brício, Miss Brasília; Ana Maria Filatro, Miss São Paulo; Neuza Carmem Formighieri, Miss Santa Catarina; e Eliney de Figueirêdo, Miss Mato Grosso.

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Da esquerda pata direita: Neyla Loureiro Nery, Miss Amazonas; Sônia Maria de Souza Duailibe, Miss Maranhão; Daisy Maria Couto Boavista, Miss Piauí; e Inês Gomes Pessoa, Miss Paraíba.

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          Vera Maria Braunerdesfilando de saiote em Long Beach, no Miss Beleza Internacional. ***** 
Abaixo, as manequins Carla e Alice, usando criações do costureiro Nazareth Logo após o decreto presidencial, Nazareth criou as peças como sugestão para substituir os maiôs.

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          Jânio da Silva Quadros governou o Brasil por pouco tempo, de 31 de janeiro de 1961 a 25 de agosto de 1961. Renunciou, alegando que "forças terríveis" o obrigavam a esse ato. Assumiu o vice, João Goulart, e nossas misses poderam continuar desfilando nas passarelas com os seus maiôs.

          Alguém já afirmou que "ninguém ofereceu mais lições de esperança e desilusão aos brasileiros do que Jânio Quadros"Parodiando a frase, eu afirmo que NINGUÉM OFERECEU MAIS LIÇÕES DE BELEZA E SONHOS AOS BRASILEIROS DO QUE AS NOSSAS MISSES.

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sábado, 28 de junho de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Dione Oliveira, o perfil de consumidor da Miss Mundo Brasil 1959

Daslan Melo Lima

          Naquele distante junho de 1959, ao ser anunciado o nome da carioca Vera Ribeiro, Miss Distrito Federal, como primeira colocada no concurso Miss Brasil, um coro de milhares de vozes descontentes ecoou pelo Maracanãzinho. Para a maioria do público, o título deveria ter ficado com a  pernambucana Dione Oliveira, natural de São Bento do Una, que tinha representado o Clube Intermunicipal de Caruaru, cidade onde morava, no Miss Pernambuco. 
           Dione Oliveira, Miss Pernambuco, classificada em segundo lugar no Miss Brasil 1959, representou o Brasil no concurso Miss Mundo, em Londres. Foi a segunda Miss Mundo Brasil. A primeira foi a também pernambucana Sônia Maria Campos, no ano anterior. Ao retornar de Londres, fixou residência em São Paulo, onde foi modelo fotográfico e fez comercial para a televisão do sabonete Lever, aquele que no exterior era conhecido como Lux, preferido por 9 entre 10 estrelas do cinema. Casou e teve três filhos : Adriano, Marcelo e Gabriela. Dione Oliveira mora hoje em Leverkusen, Alemanha, ao lado do seu segundo esposo, o empresário alemão Wolfgang Brach.
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          Em setembro de 1994, em visita ao Recife, Dione foi entrevistada pelo jornalista Fernando Machado para a secção Perfil do Consumidor, do Jornal do Commercio-Recife. A matéria foi publicada na edição de 19/09/1994, trazendo uma foto sua feita por Fernando Gallotta, mostrando uma Dione de cabelos claros, mais linda do que nunca. Vamos conferir.

Uma Miss Brasil – Adalgisa Colombo
Uma Miss Universo – Ieda Maria Vargas e Luz Marina Zuluaga
Uma Miss Mundo – Não me lembro
Uma Miss Pernambuco – Nelbe Souza
Uma mulher bonita – Linda Evans
Um homem bonito – Christophe Lambert
Perfume – Magic Claire e Neystére de Rochas
Xampu – Lancôme
Creme dental – Signal
Desodorante – Lancôme
Comida preferida – Filé à Roquefort
Comida que detesta – Polvo
Restaurante que gosta de ir – Dom Curro, em São Paulo
Momento de saudade – De tudo que deixei no Brasil
Um momento emocionante – Quando meu primeiro filho ficou pela primeira vez em pé. Eu chorei.
A palavra mais bonita para uma Miss – Um elogio
E a mais feia – Ignorá-la
Personagem da história que gostaria de ter sido – Sissi, a Imperatriz da Áustria
Um artista plástico – Francisco Brennand
Quem gostaria que pintasse seu retrato – Renoir
Um homem elegante – Aquele que se veste com discrição
Uma mulher elegante – Caroline de Mônaco
Um mito na beleza – Elizabeth Taylor
Uma personalidade da moda – Dior
Um monstro sagrado dos esportes – Ayrton Senna
A quem daria o Prêmio Nobel – Gandhi
Uma cidade inesquecível – Atenas
Cidade que gostaria de voltar - Atenas
Cidade que volta com alegria – Colônia e Dusseldorf, na Alemanha. São Paulo e Recife, no Brasil
Cidade que gostaria de conhecer – Veneza
O paraíso das compras – São Paulo
Com quem gostaria de esbarrar no aeroporto de Frankfurt – Robert Redford
Bebida – Caipirinha e vinho branco
O melhor programa da TV – É muito difícil, atualmente, mas adoro o Faustão
E o pior – Sílvio Santos
Um ator de TV – Paulo Autran
Uma atriz de TV – Betariz Segal
Um cantor – Frank Sinatra
Uma cantora – Marisa Monte
Um compositor – Vinícius de Moraes
Um compositor de frevo – Capiba
Quem gostaria que compusesse uma música para você – Vinícius
Emilinha Borba ou Marlene – Marlene
Escritor – Harold Robins
Poeta – Olegário Mariano
Quem gostaria que escrevesse sua biografia - Alguém que realmente conhecesse minha vida
Quem levaria para uma ilha deserta – Meu marido, Wolfgang
E quem deixaria por lá para sempre – As pessoas que não sabem o que é realmente viver
Um dentista – Enéas Cirello
Um médico – Frederico Thiessen
Hino Musical – Fascinação e Folhas Mortas
Um político – Juscelino Kubitschek de Oliveira
Um cabeleireiro – Iranã, em São Paulo
Um figurinista – Marcílio Campos, meu grande amigo e anjo da guarda
Um filme inesquecível – Dr. Jivago e Retratos da Vida
Ator de cinema – Robert De Niro
Atriz de cinema – Merryl Streep
Marylin Monroe ou Greta Garbo – Marylin Monroe
Clark Gable ou Errol Flynn – Clark Gable, sem pensar
Richard Gere ou Tom Cruise – Gere
Julia Roberts ou Demi Moore – Julia Roberts
Animal doméstico – Gato
Revista que gosta de ler – Caras
Pensamento – Não haverá paz ao seu redor se não houver paz em seu espírito.


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          Vou contar uma verdade : Pernambuco, o Leão do Norte, continua tendo Dione Oliveira como uma das misses mais importantes da sua história. 
       Nunça esqueça disso, minha cara Dione Oliveira Brach, como consolo para as imensas saudades que você sente da sua terra amada.

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sábado, 21 de junho de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Ana Cristina e Maria Elizabeth Ridzi, as misses gêmeas de 1966

 Daslan Melo Lima



          Junho de 1966, Rio de Janeiro. Não se falava em outra coisa senão em duas irmãs louras lindíssimas, gêmeas idênticas, candidatas ao título de Miss Guanabara. Suas fotos estampavam as capas das mais famosas revistas brasileiras e o fato inédito era assunto de norte a sul do Brasil. Estou falando de dois ícones dos anos 60, as misses gêmeas Ana Cristina Ridzi e Maria Elizabeth Ridzi.

ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH, 
AS FILHAS DE UM GUERREIRO TCHECO

     Michal Ridzi, o pai das gêmeas, tinha uma história de vida que daria um espetacular filme de aventuras. Ele nasceu na Tchecoslováquia, em 1904. Sua família perdeu tudo na guerra de 1914. Era engenheiro e construiu usinas na China, Tibet, Abissínia e Israel. Em 1936, participou da guerra civil espanhola, como observador militar junto ao governo da Espanha. Seu avião foi abatido duas vezes pelos marroquinos de Franco. O avião caiu sobre um rio e depois sobre um monte de feno. Escapou ileso e voltou para a Tchecoslováquia, mas teve de abandonar seu país por causa da invasão. Chegou a Paris sem dinheiro algum e foi em seguida para a Guiana Francesa, onde acabou conseguindo visto para o Brasil. Passou dois meses em Belém do Pará e terminou indo para o Rio. Comprou um sítio; construiu um cinema, o Cine Gláucia, em Nova Iguaçu; organizou uma firma de construção e juntou dinheiro fazendo pequenas casas em cidades fluminenses, como Teresópolis e Paulo de Frontim. Em 1945, perdeu tudo, em decorrência das restrições de crédito impostas pelo governo, tendo de recomeçar vendendo hortaliças nas ruas de Teresópolis. Anita Bercet, a mãe das gêmeas, descendente de italianos, conheceu Michal num consultório de um dentista, na Cinelândia, Rio de Janeiro.

ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH, BOLÃOZINHO E MILICA

     Casa de Saúde Frau Heim, Rio Comprido, noite de 30/04/1947. Ana nasceu às 23h49min, pesando 3quilos e 100 gramas. Maria Elizabeth nasceu 10 minutos depois, faltando um minuto para a meia-noite, pesando 2 quilos e 800 gramas. Com um ano de idade, Elizabeth usava um lacinho rosa no pescoço, enquanto o de Ana Cristina era azul. Somente dessa maneira os parentes as distinguiam. Elas nasceram em Rio Comprido, cresceram no sítio Vila Gláucia, em Nova Iguaçu, estudaram em São João do Meriti e se tratavam por dois carinhosos apelidos: Ana era Bolãozinho e Maria Elizabeth era Milica.

ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH, SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS


Elas são belas e muito iguais, uma a segunda via da outra, o carbono, a repetição dos detalhes que compõem a beleza que vai ser julgada. Apenas diferem na maneira de ser em relação à vida.
Perguntamos às duas: Cristina, se Deus lhe aparecesse, o que você pediria, se fosse o caso de pedir?
- Que Ele tornasse atingível o meu amor inatingível. O homem que amo sem solução. O proprietário da minha ambição, do meu sonho.
E você, Elizabeth?
- Ora, se Deus me aparecesse, eu pediria que ele derramasse a paz no Mundo. Eu seria feliz com a felicidade dos outros, porque eu sou mais os outros do que eu mesma.
Assim são as gêmeas desiguais de idéias.
(Ubiratan de Lemos, revista O CRUZEIRO, de 23/06/1966)
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Entre elas existe apenas uma pequena diferença descoberta por F&F: uma pinta cinzenta sob o lábio inferior, lado direito, de Elizabeth, que ninguém nota.
Quando estudavam juntas, na Escola Pública de Vilar dos Teles ou no Ginásio Santa Maria de São João do Meriti, as professoras e as freiras frequentemente trocavam as notas de comportamento das duas, que eram diferentes. Ana Cristina sempre foi mais extrovertida, mais explosiva, e Maria Elizaeth mais meiga e mais quieta.
No Banco de Crédito Mercantil, onde ambas trabalham, certo cliente ameaçou fechar a conta porque não foi cumprimentado na rua por uma delas, exatamente a que não o conhecia.
(André Kallás escreveu em FATOS & FOTOS, de 09/07/1966):


ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH, 
UMA RIA E OUTRA SORRIA

     Antes do concurso Miss Guanabara, Maria Elizabeth foi eleita Miss Suéter, no concurso promovido pelo Social Clube de Meriti, em São João do Meriti. Foi ela quem primeiro recebeu o convite para se candidatar a Miss GB. Recusou. Só aceitou depois que Ana decidiu concorrer. Na época, ambas trabalhavam no Banco de Crédito Mercantil e eram concluintes do curso de contabilidade da Faculdade Cândido Mendes. Na passarela do Miss GB, Maria Elizabeth representou o Banco onde trabalhava e Ana representou o Marã Tênis Clube.

     Milhares de pessoas no Maracanãzinho. Eleição da Miss GB 1966. Pela ordem de classificação, as oito finalistas foram: Ana Cristina Ridzi (Marã Tênis Clube), Maria Elizabeth Ridzi (Banco de Crédito Mercantil), Elizabete Santos (Clube Renascença), Sandra de Araújo Duarte (Fluminense), Marina Alice Vidal (Flamengo), Vera Lúcia Diniz Cabral (Er. Mir.), Maria da Conceição e Silva (Grêmio Recreativo Cacique de Ramos) e Eliane Pio Pedro (São Cristóvão). Eram duas louras, Ana e Maria Elisabeth Ridzi. Duas mulatas, Elizabete Santos e Maria da Conceição Silva, que ficaria famosa como modelo com o nome de Marina Montini. Quatro morenas, Sandra, Marina, Vera e Eliane.

     Muitos já comentaram que alguém do júri teve a idéia de jogar uma moeda para o alto para ver se dava cara ou coroa, a fim de decidir qual das gêmeas ficaria com o primeiro lugar. Pelo que as revistas da época informam, a comissão julgadora optou por Ana Cristina pelo entusiasmo que ela passava.

Entre estas gêmeas cariocas só havia uma diferença de temperamento. Uma era mais efusiva que a outra. Quando Ana Cristina ria, Maria Elizabeth apenas sorria. Quanto ao resto, eram iguais, inseparáveis. Mas, agora, o concurso para a escolha de Miss Guanabara distinguiu Ana Cristina com sua faixa gloriosa para a disputa do titulo de Miss Brasil: Maria Elizabeth colocou-se em segundo lugar, porque era impossível eleger duas Misses GB para um só ano. No entanto, Milica não ficou triste: ela vê, em sua irmã, um reflexo de sua própria beleza. (Justino Martins, revista MANCHETE, de 25/06/1966)

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Eis o que Maria Elizabeth disse para Ana Cristina: - Eu não tinha a mínima vontade de ganhar. O que eu queria era fazer você ganhar. Eu não sentia ânimo na passarela. Confesso que sabia não estar andando com garbo, com charme. Aí o júri deve ter pensado: “Aquela ali não está mesmo com vontade de ganhar.” Eu fui andando e o júri deve ter visto que eu não estava com vontade de vencer, e sim de fazer você vencer.

     Ana Cristina obteve 97 pontos do júri, enquanto Maria Elizabeth ganhou 73 pontos, uma diferença de 24 pontos a favor de Ana. A mulata do Renascença Clube, Elizabete Santos, terceira colocada, conseguiu 57 pontos. O pai das gêmeas torceu pela vitória de Ana Cristina, “não por gostar mais de uma filha do que de outra, mas porque ela defendia o Marã, clube de gente humilde.” (MANCHETE, 25/06/1966).Dias após ter sido eleita, Ana embarcou pra Salvador-BA, onde várias misses estaduais desfilaram no estádio Antônio Albino, na noite da eleição de Miss Bahia. Foi a primeira viagem de avião de Ana.


ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH, 
CANSAÇO E COMPROMISSO

     Maracanãzinho, Rio de Janeiro, 25/06/1966. Eram 26 jovens e um sonho: suceder a loura carioca Maria Raquel Helena de Andrade no trono de Miss Brasil. As finalistas foram: Ana Cristina Ridzi, Miss Guanabara, primeiro lugar; Marluce Manvailler Rocha, Miss Mato Grosso, segundo lugar; France Carneiro Nogueira, Miss Ceará, terceiro lugar; e Virgínia Barbosa de Souza, Miss Minas Gerais, quarto lugar e Miss Simpatia. Semifinalistas: Clara Eunice da Cunha Grohmann, Miss Rio Grande do Sul; Ana Maria Façanha Gaspar, Miss Rondônia; Gláucia Marcy Zimermann, Miss Santa Catarina; e Tânia Maria Zattar, Miss São Paulo.

No final do concurso, ao sair do Maracanãzinho, Maria Elizabeth foi obrigada a dar centenas de autógrafos antes que os colecionadores entendessem que Ana Cristina ainda estava nos camarins. Na segunda-feira seguinte, Miss Brasil estava exausta, mas tinha o compromisso de comparecer a uma solenidade em sua homenagem. Maria Elizabeth, com um sorriso, mandou-a descansar e foi. Os promotores da festa não sabiam, até hoje, que foi ela quem recebeu as homenagens pela irmã. Ficam sabendo agora. (André Kallás , FATOS & FOTOS, 09/07/1966.

     Desabafo de Ana com Maria Elizabeth: - Eu não tenho esperança de ser Miss Universo. Eu acho que a Miss Universo tem quer ser uma beleza diferente. Eu não represento bem o Brasil, eu pareço mais uma estrangeira. Tanto que eu pareço mais Miss Estados Unidos do que a própria Miss Estados Unidos. Eu não sou um tipo brasileiro, apesar de ter muita vontade de ser. E saiba, Milica, que às vezes fico com raiva quando escuto certas pessoas dizerem : Ah, eu gostaria de ter nascido em tal país. Eu não, Milica, eu estou satisfeitíssima de ter nascido no Brasil. Resposta de Maria Elizabeth: - Mas o Brasil é assim mesmo, Bolãozinho. É um punhado de raças que estão se misturando. Só daqui a uns 500 anos é que tudo deverá estar bem misturado.

ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH, FAVORITISMO E MODÉSTIA

     Ao chegar aos Estados Unidos, Ana foi apontada como favorita. Antes de ir pra Miami, cumpriu com outras misses uma pequena agenda em Nova Iorque e sua hostess foi Hiett Cavalcanti, Miss Ceará 1939, milionária brasileira que vivia há 20 anos nos Estados Unidos.

Jamais uma Miss Brasil alcançou tanta popularidade - antes do início do concurso de Miss Universo – quanto a loura Ana Cristina. Dias atrás, em Nova Iorque, ao ser apresentada às concorrentes de trinta e dois países, nossa Miss ouviu a mesma pergunta, feita quase a uma só vez : “E sua irmã, não veio? Será possível que ela seja tão bonita quanto você?"
O que mais impressiona em Ana Cristina, no confronto com as demais misses, é a sua espontaneidade. Enquanto algumas candidatas não conseguem disfarçar o nervosismo e outras se esforçam em afetação, Miss Brasil conserva um sorriso franco e alegre. Todas as misses apontam Ana Cristina como provável vencedora em Miami.

O itinerário de Miss Brasil, em Nova Iorque, começou com um susto e uma corrida. Horas depois de sua chegada, Ana Cristina subiu para os aposentos que ocupa no Hotel Summit, juntamente com Miss Estados Unidos. Mal as duas começaram a desfazer as malas, viram-se envolvidas por espessa fumaça. Estridentes sirenes soaram e o quarto das duas moças foi invadido por bombeiros de mangueiras em punho. Ao barulho dos bombeiros, somou-se o de policiais armados. No aposento contíguo, gangsteres de verdade haviam ateado fogo a imensas malas que continham dólares falsos. Muitos gritos e correrias, inclusive das duas misses! “De repente!”, recorda Ana Cristina, “ tive a sensação de estar vivendo uma cena de filme de Jerry Lewis e caí na gargalhada; e também parei de correr, porque o incêndio era só nas cortinas e não apresentava perigo algum.” Ao fim do episódio tragicômico, Miss Brasil, por sua bravura, recebeu os cumprimentos de alguns policiais que haviam acorrido ao local e um deles, negro, perguntou-lhe : “ Há muitas coloreds bonitas no seu país?” E Ana respondeu: “ No Brasil, todas as raças têm seus expoentes de beleza.
( Gervásio Batista, MANCHETE,16/07/1966)
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Do diário de Ana Cristina: Nova Iorque é uma maravilha! (...) Olho para as pessoas nas ruas e tenho a impressão de estar vendo uma gente bem alimentada e esbanjando saúde. Os americanos são sorridentes e agradáveis. E também não são indiferentes, conforme se diz. Quando circulei com minha faixa de Miss em Rockefeller Center juntou gente em volta de Gervásio, que me fotografava. Daqui a pouco iremos para Washington e visitaremos a Casa Branca. Será que o Presidente Lyndon Johnson nos receberá? Seria ótimo, não acham? (...) Os jornalistas pensam que eu é que sou a Miss Alemanha, por ser loura, então ela agora brinca de ser Miss Brasil. Também Miss Suécia é linda, e está entre as favoritas aqui. Miss Suécia também tem um temperamento que combina com o meu. Sempre que a ela me dirigo quebro o galho chamando-a de YOU. E YOU é realmente um amor.

     Miami Beach, Flórida, Estados Unidos, 16/07/1966. Pela primeira vez, a escolha das semifinalistas e finalistas do Miss Universo ocorreu na mesma noite da coroação . A CBS transmitiu o evento pela televisão, em cores, alcançando 80 milhões de telespectadores. Observação de Gervásio Batista, da MANCHETE: Os repórteres americanos ficaram cativos pela modéstia de Maria Elizabeth, a gêmea número 2, que em momento algum procurou ofuscar o brilho de Ana Cristina. Sucesso à parte de Miss Brasil ao desfilar, como manequim, no Fontainebleau. As elegantes de Miami disseram que ela faria fortuna como modelo.

     Apesar do seu empenho e favoritismo, Ana Cristina ficou de fora do grupo das 15 semifinalistas do Miss Universo. Pela segunda vez em 12 anos, o Brasil foi desclassificado no famoso concurso. A primeira vez ocorreu em 1961,com a mineira Stael Rocha Abelha. Mas Ana não guardou mágoa , adorou a experiência e fez amizade com a vencedora, Margareta Arvidsson, Miss Suécia.

     Vale a pena recordar que, embora não tenham tido um assédio da mídia internacional igual ao de Ana Cristina Ridzi, coube às demais finalistas do Miss Brasil 1966 “vingar” a sua desclassificação. Marluce Manvailler Rocha foi a quarta colocada em Londres, no concurso Miss Mundo, do qual saiu vitoriosa Reita Faria, Miss Índia. O Miss Beleza Internacional 1966 não foi realizado. Caberia a Francy Carneiro Nogueira, Miss Ceará, terceira colocada no Miss Brasil, representar o país naquele certame. Como Francy renunciou ao título para casar, coube a Virginia Barbosa de Souza, Miss Minas Gerais, quarta colocada, o direito de concorrer ao Miss Beleza Internacional 1967, realizado em 29/04/1967, bem antes da eleição da Miss Brasil 1967. Virgínia ficou entre as semifinalistas e a vencedora foi a argentina Mirta Teresita Massa.

ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH, 
A MISS E A MODELO

     Ao voltar para o Brasil, Ana assumiu publicamente seu namoro com Sérgio Kattar, descendente de libaneses, produtor da TV Tupi e executor geral do Miss Brasil. O namoro tinha começado no Estádio Antônio Balbino, em Salvador. Ana casou com Sérgio na Igreja da Candelária, segundo o ritual maronita, no dia 04/07/1967, três dias após ter passado a faixa para sua sucessora, a paulista Carmen Sílvia de Barros Ramasco. Duas mil pessoas viram Ana chegar ao altar vestida num modelo de Nazaré, avaliado em 15 milhões de cruzeiros velhos ou 15 mil cruzeiros novos, em tule e zibelina, com uma cauda de 15 metros, segundo O CRUZEIRO. 35 metros, segundo FATOS & FOTOS. Ao dar à luz a primeira filha, Ana deu-lhe o nome de Margareta, em homenagem a Margareta Arvidsson.

     Maria Elizabeth fez um curso de modelo na Socila e aceitou o convite de uma empresa de propaganda e publicidade para ser o símbolo da garota jovem guarda, a cara da nova geração iê-iê-íê. Ganhou as capas de revistas e posou para outdors com o cabelo bem curto, à la Twiggy ,passando a imagem da garota brasileira moderna, esportiva e dinâmica nos comerciais da SHELL, faturando 1.200 cruzeiros novos por mês, um bom dinheiro para a época.

ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH, 
MEU RECADO PARA AS GÊMEAS

     Maria Elizabeth, eu tenho a coleção completa dos romances de A. J.Cronin, um dos meus autores prediletos. Devo a você a honra de ter descoberto a obra de Cronin, quando li em uma revista que “Noites de Vigília” era o seu livro preferido.

     Ana Cristina, falar de você e da sua irmã é reencontrar o menino e o adolescente sonhador que eu fui nos anos 60. Dentro do homem que sou ainda há um garoto que sonha ir ao Rio de Janeiro e se hospedar no Hotel Serrador, apartamento 1.301, o mesmo onde você e sua mãe se hospedaram durante o Miss Brasil 1966. E lá, no terraço do Hotel Serrador, fechar os olhos e imaginar que você e Maria Elizabeth poderão chegar a qualquer momento para me dar dois autógrafos e dois beijos. Dois beijos iguais, maravilhosamente iguais.

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Relação de todas as crônicas publicadas em PASSARELA CULTURAL focalizando as gêmas Ana e Elizabeth Ridzi:
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21/06/2008, SESSÃO NOSTALGIA - ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH RIDZI, AS MISSES GÊMEAS DE 1966,   
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25/12/2009, SESSÃO NOSTALGIA - MARIA ELIZABETH RIDZI, VICE-MISS GUANABARA 1966, E OS ROMANCES DE A.J.CRONIN , http://passarelacultural.blogspot.com.br/2009/12/sessao-nostalgia_25.html

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27/08/2011, SESSÃO NOSTALGIA – ANA CRISTINA E MARIA ELIZABETH RIDZI, ONDE O VENTO ENCONTRAVA AS ROSAS, http://passarelacultural.blogspot.com.br/2011/08/sessao-nostalgia_27.html
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12/05/2012, SESSÃO NOSTALGIA - MISSES E MÃES NA TARDE QUE MORRE , http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/05/sessao-nostalgia_12.html

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