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sábado, 13 de agosto de 2016

SESSÃO NOSTALGIA - A grande corte de Ieda Maria Vargas

Daslan Melo Lima

          Uma generosa página dupla da revista Fatos & Fotos, datada de 22/07/1963, dá uma ideia de como o Brasil valorizava suas rainhas da beleza nos anos sessenta.

Da esquerda para a direita: Teresinha Morango, Marta Rocha, Ieda Maria Vargas, Vera Ribeiro e Maria Olívia Rebouças Cavalcanti.

      FATOS & FOTOS, alguns dias antes do embarque de Ieda Vargas para os Estados Unidos, levou-a para um contato direto com cinco das mais bonitas misses brasileiras. Marta Rocha, Teresinha Morango, Adalgisa Colombo, Vera Ribeiro e Maria Olívia Rebouças, durante mais de uma hora, deram conselhos a Ieda Vargas, apontando-lhe os erros em que não deveria incorrer, atualizando-a sobre as preferências dos norte-americanos seja quanto à maneira de desfilar, seja quanto o que deveria dizer a jurados e jornalistas. Prevaleceu a beleza de Ieda. Mas os conselhos das antigas misses permitiram à atual Miss Universo caminhar para a vitória.
    
        Apesar do texto citar o nome de Adalgisa Colombo (1940-2013), a Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958 não apareceu na foto.  
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A grande corte de Ieda

Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1957.
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Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1954.
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Vera Ribeiro, Miss Distrito Federal, Miss Brasil, quinto lugar no Miss Universo 1959.
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Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Bahia, Miss Brasil, quinta colocada no Miss Universo 1962.
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E Ieda soube ouvir, aprender e ganhar


Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963.
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        No canto inferior direito da página dupla está escrito: Voz da Experiência não falhou. E Ieda soube ouvir, aprender e ganhar
         Que conselhos Ieda recebeu da sua grande corte? Seriam eles eficientes e eficazes para o mundo de hoje?  
        Obrigado, Deus, Senhor do Universo, por ter sido criança nos mágicos anos sessenta, e estar aqui resgatando histórias de um tempo que se foi, para sempre se foi.

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sábado, 2 de novembro de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - SALVADOR, OS MÁGICOS RECANTOS BAIANOS DE MARTHA ROCHA, MARIA OLÍVIA E MARTHA VASCONCELLOS

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

      “Ali morou Caetano Veloso! Estão vendo aquele prédio? Ivete Sangalo tem um apartamento ali.” Enquanto o ônibus circulava pelas ruas de Salvador, eu pouco prestava atenção a essas observações do simpático guia da minha excursão.  Meu pensamento estava no city-tour que faria no dia seguinte, ocasião onde meu amigo Roberto Macêdo haveria  de me mostrar alguns locais especiais, todos ligados à nossa paixão pelas Misses. "Daslan, tô saindo de casa. Vamos iniciar um dos dias mais inesquecíveis da sua vida. Da minha também! Abraço.” O relógio marcava 08h30min da ensolarada manhã baiana do domingo, 13 de outubro, quando acessei minha página no Facebook e li essa mensagem enviada às 08h04min por Roberto Macêdo. Meus companheiros de viagem tinham ido curtir Itaparica e eu tinha ficado aguardando o Roberto que chegaria momentos depois para me conduzir a este passeio fantástico, o qual foi devidamente documentado por ele.

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OS MÁGICOS RECANTOS BAIANOS DE MARTHA ROCHA, 
MISS BAHIA, MISS BRASIL, VICE-MISS UNIVERSO 1954

     
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Edfício Martha Rocha - No local da casa onde Martha Rocha nasceu e passou a infância e adolescência existe um edifício de apartamentos que foi construído pelo seu pai, engenheiro catedrático da Universidade Federal da Bahia. O imóvel, propriedade dos herdeiros, tem o nome de Edfício Hansa, em homenagem à mãe da Miss, mas todas as pessoas só conhecem o prédio pelo nome de Martha Rocha. 
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Alameda Martha Rocha - A eterna Miss Brasil é nome de uma alameda no Shopping Center Iguatemi.  
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Rua Chile - A Rua Chile conheceu uma das maiores movimentações da sua história quando Martha Rocha regressou dos Estados Unidos com o título de vice-Miss Universo 1954 e passou numa loja para receber um prêmio. Centenas de pessoas queriam vê-la. Houve tumulto e foi preciso reforço policial para conter a multidão. A vice-Miss Universo 1954 acabou saindo em carro aberto da Rua Chile para a Barra.

OS MÁGICOS RECANTOS BAIANOS DE MARIA OLÍVIA REBOUÇAS CAVALCANTI, MISS BAHIA, MISS BRASIL, 5º LUGAR NO MISS UNIVERSO 1962

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Casa colonial de Genaro Carvalho - Em frente da casa colonial onde morou o artista plástico Genaro Carvalho (1916-1971), Maria Olívia posou para a capa da revista Quatro Rodas,  ao lado do carro mais antigo do Brasil, um Clement 1895. 
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Igreja do Passo - A Miss Brasil 1962 também posou na escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo para a capa e reportagem na revista O Cruzeiro.


OS MÁGICOS RECANTOS BAIANOS DE MARTHA VASCONCELLOS,
MISS BAHIA, MISS BRASIL, MISS UNIVERSO 1968

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Viaduto Marta Vasconcelos  - Martha Vasconcellos, nome de viaduto, onde seu nome foi escrito sem o th e os dois ll.
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Alameda Marta Vasconcelos - Martha Vasconcellos, na placa sem o th e os dos ll, nome de alameda no Shoping Center Iguatemi.
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EPÍLOGO


No final do city-tour uma surpresa fantástica me esperava. Roberto Macêdo levou-me ao apartamento de Martha Vasconcellos, assunto abordado na minha crônica de duas semanas, e depois fomos almoçar diante do Mar sem fim do Senhor do Bonfim.

     Ao encerrar esta série de matérias sobre minha primeira viagem a Salvador, quero externar mais uma vez o meu muito obrigado ao Roberto Macêdo. As palavras de agradecimento fogem todas, pois nenhuma definiria o meu sentimento de gratidão pelas horas baianas maravilhosas que ele me proporcionou.  

      O texto desta Sessão Nostalgia será postado no caderno de turismo da próxima edição do jornal Correio de Notícias. Vou enviar este material para o guia da minha excursão, a fim de que ele, durante os city-tour, faça referência a estas mulheres maravilhosas que levaram o nome da Bahia para o mundo. Espero ser atendido, em nome da minha paixão pelas Misses, pois gosto muito de dizer que paixões são paixões, simplesmente paixões, não se explicam.

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sábado, 26 de outubro de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - UM MENINO GRANDE POR ONDE ANDOU MARIA OLÍVIA REBOUÇAS CAVALCANTI, MISS BRASIL 1962

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO


         

      Eu já comentei várias vezes que a minha paixão pelas Misses teve inicio quando criança, em São José da Laje, a cidadezinha alagoana onde nasci. Lembro-me da tia Maria da Soledade Lima e Silva absorvida com a leitura da O Cruzeiro, enquanto outras pessoas ao redor aguardavam a sua vez de ler a revista mais importante do Brasil, com tiragem semanal de 500 mil exemplares. Minha tia dizia: “Não gostei muito dela”. Alguém comentava: “Eu gostei”. Outra opinava: “A do ano passado era mais bonita”. Aproximei-me e quis saber que história era aquela. O assunto era a moça da capa, a baiana Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil, em fotos de Indalécio Wanderley, posando na escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo e no Cais dos Saveiros. A partir daí, a imagem da bela Miss Brasil 1962 passou a ocupar todos os meus pensamentos. Com Maria Olívia, minha namorada inacessível, teve início minha compulsão para acompanhar os concursos e colecionar reportagens sobre as misses. Abro um parênteses aqui para informar que conto isso com detalhes na minha primeira Sessão Nostalgia, disponível neste link: http://passarelacultural.blogspot.com.br/2012/08/sessao-nostalgia_18.html .


     Ir a Salvador e tirar uma foto na escadaria da Igreja do Passo sempre foi um dos maiores sonhos da minha vida, um presente que o Daslan-poeta poderia ter dado ao Daslan-menino há muito tempo, mas que foi deixado para depois, sempre para depois. Estive na capital da Bahia recentemente e no ensolarado domingo, 13, tendo como cicerone o meu amigo Roberto Macêdo, fiz um city-tour inesquecível. Na semana passada, abordei o nosso encontro com Martha Vasconcellos, Miss Universo 1968. Esta é a segunda e penúltima crônica inspirada no passeio com o Roberto, onde dou ênfase à visita à famosa escadaria, mas antes tem a casa colonial de Genaro de Carvalho, onde minha deusa posou para a capa de outra publicação nacional, a Quatro Rodas.
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     NA CASA DE GENARO CARVALHO

        

      

      O baiano Genaro Antônio Dantas de Carvalho (1926-1971) foi tapeceiro, pintor e  desenhista. A capa da revista Quatro Rodas de setembro de 1962 mostra Maria Olívia na frente da casa colonial onde morou o famoso artista, posando junto do carro mais antigo do Brasil, um Clement 1895. Para quem quiser saber mais detalhes sobre o veículo, solicito clicarem depois  no link    http://passarelacultural.blogspot.com.br/2011/10/sessao-nostalgia_22.html , já que agora vocês vão conferir as fotos que o Roberto Macêdo fez de mim na frente do belo imóvel e em seguida na Igreja do Passo.


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       NA ESCADARIA DA IGREJA DO PASSO

      Após caminhar por ruas tranquilas, estreitas e históricas, eu e Roberto Macêdo chegamos à escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, ou simplesmente Igreja do Passo, construída em 1736.  “Uma imagem vale mais que mil palavras”, disse Confúcio. Desnecessário colocar legendas nas fotos abaixo.

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EPÍLOGO


     
      A escadaria da Igreja do Passo foi cenário místico e mágico do filme O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte, baseado no texto de Dias Gomes, Melhor Filme do Festival Internacional de Cannes de 1962 e indicado no ano seguinte para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.  Uma placa na parede faz referência ao fato. 



      Antes de deixar o local, silenciosamente agradeci a DEUS mais uma vez pela graça de estar ali e afixei num recanto invisível uma placa imaginária com este dizeres:  Neste local, Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Bahia, Miss Brasil 1962, quinta colocada no Miss Universo, posou para a capa da revista O Cruzeiro, despertando no menino  Daslan Melo Lima sua paixão pelas Misses. Paixões são paixões, simplesmente paixões, não se explicam”.

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sábado, 18 de agosto de 2012

SESSÃO NOSTALGIA - Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, minha Miss Brasil inesquecível


Daslan Melo Lima

             Parece até que o ano de 2004 foi ontem.  O telefone tocou numa manhã ensolarada. Era a voz do meu amigo Dido Borges dizendo: “Bom dia, Daslan! O Roberto Macêdo fez contato comigo. Ele vai reunir depoimentos de missólogos para postar no seu site Miss News, dentro das homenagens aos  50 anos do concurso Miss Brasil. Indiquei o seu nome.” Dias depois, Roberto Macêdo telefonou para mim e fiquei motivado a   elaborar uma crônica falando de como começou a minha paixão pelas Misses.  Dei a ela o título de MINHA MISS INESQUECÍVEL. A matéria foi postada no site do Roberto, fez sucesso, e outras se sucederam naquele 2004, todas veiculadas no Miss News e transcritas por missólogos para outros sites especializados.
              E agora, com vocês, com alguns ajustes, aquela que foi a minha primeira crônica sobre Misses. 
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   MINHA MISS INESQUECÍVEL


     São José da Laje, interior de Alagoas, nordeste do Brasil, 1961. “Este ano parece que não vai ter misses. O Presidente Jânio Quadros quer acabar com os concursos”, dizia desconsolada e revoltada uma vizinha. Pela primeira vez eu ouvia alguém pronunciar este nome mágico: miss.

      
      São José da Laje, interior de Alagoas, nordeste do Brasil, 1962. Estou no prédio comercial da Tia Soledade e ela está absorvida com a leitura da revista O Cruzeiro. Ao seu lado, outras pessoas observam. Minha tia diz: Não gostei muito dela”. Alguém comenta: “Eu gostei”. Outra opina: “A do ano passado era mais bonita”. Aproximei-me e quis saber que história era aquela. O assunto era a moça da capa, Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil, baiana de Itabuna, 1m72cm de altura, 59 Kg, 91cm de busto e quadris, 60cm de cintura e 56cm de coxa, posando na escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo e no Cais dos Saveiros.
 
      A partir daí, a imagem da bela Miss Brasil 1962 passou a ocupar todos os meus pensamentos. Com Maria Olívia, minha namorada inacessível, teve início minha compulsão para acompanhar os concursos e colecionar reportagens sobre as misses. Inexistiam aparelhos de televisão na minha pequena cidade natal.  O tempo corria lento. As notícias vinham pelo rádio como se fossem acontecimentos ocorridos em outras dimensões. Tudo tão longe...  Tudo tão devagar... Todo um clima predispondo à introspecção, ao sonho, à fantasia, à poesia e ao romantismo. E foi com muita ansiedade envolvida em sonho, fantasia, poesia e romantismo que fiquei aguardando chegar na casa da minha tia aquela preciosidade chamada O Cruzeiro com a cobertura completa do concurso Miss Universo. E ali estava minha deusa, quinta colocada em Miami Beach, entre as mulheres mais belas do mundo: Helen Lyu (Miss República da China, quarto lugar), Aulikki Jarvinen (Miss Finlândia, terceiro lugar), Ann Geirsdottir  (Miss Islândia, segundo lugar) e Norma Beatrice Nolan (Miss Argentina, primeiro lugar).


O Top 3 do Miss Brasil 1962. Da esquerda para a direita: Julieta Strauss, Miss São Paulo, 2º lugar; Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Bahia, 1º; e Vera Lúcia Saba, Miss Guanabara, 3º lugar.
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O Top 5 do Miss Universo 1962. Da esquerda para a direita: Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil, 5º lugar; Aulikki Jarvinen, Miss Finlândia, 3º; Norma Nolan, Miss Argentina, 1º; Ann Geirsdottir, Miss Islândia, 2º; e Helen Lyu, Miss China, 4º lugar.

      No meu interesse compulsivo por tudo aquilo que se referia às misses, eu nem percebia que aquelas moças maravilhosas, de sorrisos lindos e plásticas harmoniosas emolduradas pelos maiôs Catalina, eram de carne e osso. Só caí na realidade quando despertei para três fatos envolvendo as três finalistas do Miss Brasil-62. Ei-los, pela ordem dos acontecimentos: 
1 - O casamento precipitado de Vera Lúcia Saba, Miss Guanabara, terceira colocada. Mineira de nascimento, após participar do concurso Miss Mundo em Londres (vencido por Catherine Lodders, Miss Holanda), Vera esteve no Líbano e, num típico caso de amor à primeira vista, casou-se com o cabeleireiro Georges Kour. O Brasil inteiro foi pego de surpresa com aquele repentino casamento. Ninguém conseguia entender como a Miss Brasil número 3, trocava seu cobiçado título por um estrangeiro desconhecido. 
– A notícia de que a minha paixão platônica, Maria Olívia, ia casar.Após passar a faixa de Miss Brasil para a gaúcha Ieda Maria Vargas, Olívia acompanhou sua sucessora a uma festa e lá conheceu o fazendeiro paulista Olavo de Almeida Pereira Cordis, que estudava Direito no Rio de Janeiro. Em pouco tempo, namorou e noivou. 

Maria Olívia e Olavo de Almeida Pereira Cordis
Ao casar no dia 04/12/1963, deixava para trás os assédios da mídia a fim de levar uma vida tranquila ao lado do seu amado, na Fazenda Morro Alto, Araraquara, interior de São Paulo. 
3 - O  acidente de automóvel sofrido por Julieta Strauss. Carioca de nascimento, Julieta Strauss, Miss São Paulo, que havia encantado os americanos com seu inglês no concurso Miss Beleza Internacional em Long Beach (vencido por Tânia Verstak, Miss Austrália), desconversava quando o assunto era amor. Ela dirigia seu próprio automóvel quando aconteceu o acidente, batendo em uma árvore. Machucou-se bastante, mas sua beleza não foi afetada. Com um certo ar de Romy Schneider (a “Sissi” do cinema) gostava de dizer: “Casar é fácil. Casar bem e por amor é que é difícil”





      Timbaúba, interior de Pernambuco, nordeste do Brasil, 2004. Reflexões sobre os anos 60, memórias da infância, quando eu não me dava conta de que estava sendo testemunha de uma década que deixou marcas inapagáveis: o muro de Berlim; a inauguração de Brasília; a renúncia de Jânio Quadros; o golpe militar; os títulos de Miss Universo conquistados por Ieda Maria Vargas e Martha Vasconcellos; o bicampeonato mundial de futebol; o movimento musical da Jovem Guarda; os festivais de música popular; a guerra do Vietnam; o assassinato de John Kennedy; a minissaia; o sucesso dos Beatles e dos Rolling Stones; a descoberta do vírus do câncer ;o suicídio de Marylin Monroe e os  filmes  “O Pagador de Promessas” e “A Noviça Rebelde”. 
    Nos anos 60, eu nem sonhava de que um dia estaria na frente de duas coisas fantásticas chamada computador e internet, evocando imagens tão distantes e tão presentes como a da Tia Soledade, uma missóloga que não sabia que o era, até porque naquele tempo ninguém ouvia pronunciar esta palavra. 


Maria Olívia na escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, Salvador-BA 

     Nos anos 60, eu nem tinha consciência da importância histórica de ser testemunha do tempo áureo dos concursos de misses e que daquela época conservaria como ícone a bela imagem de uma moça posando na escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo e no Cais dos Saveiros. A bela imagem da Miss Brasil 1962, Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, minha primeira deusa, minha miss inesquecível, meu primeiro referencial de glamour de um planeta (e de um universo) cujas misses dão ao mesmo um sentido especial, muito especial.
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Crédito das imagens:revistas O Cruzeiro e Manchete
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Abaixo, os links de acesso a três Sessões Nostalgia dedicadas a Maria Olívia:


16/05/2009, Sessão Nostalgia-Maria Olívia, Vale a Pena Ser Miss,


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19/06/2010, Sessão Nostalgia, Maria Olivia Rebouças Cavalcanti e Gilmar dos Santos Neves, a Miss Brasil e a “Miss” Copa do Mundo 1962.


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22/10/2011, Sessão Nostalgia, Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Brasil 1962, e o carro mais antigo do Brasil,


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sábado, 16 de maio de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Maria Olivia, vale a pena ser Miss

Daslan Melo Lima


      "Vale a pena ser Miss?" A reportagem de Ciro de Andrade, ilustrada com fotos de Maria Olívia Rebouças, Miss Bahia e Miss Brasil 1962, feitas por Geraldo Móri, no cenário bucólico da Fazenda Monte Alto, em Américo Brasiliense, São Paulo, trazia a resposta de um ícone dos anos 60 na revista Manchete, de 23/04/1966.


A história de Maria Olívia como rainha da beleza parece inverossímil, pois aos 15 anos, em Itabuna (Bahia), ela era tão magra e tão alta, para a sua idade, que todos a chamavam de Olívia Palito.
“Eu era a garota mais desengonçada do lugar”, confessa ela a sorrir.


Depois disso, foi estudar em Salvador, e, com o tempo, melhorou de tal maneira que as próprias colegas passaram a considerá-la a mais bela aluna do curso clássico.
Um dia, suas melhores amigas decidiram intimá-la a participar do concurso para a eleição da Miss Universitária.
- Mas vocês estão malucas? – disse Maria Olívia simplesmente aterrorizada. - Pois se eu fico vermelha de encabulamento quando percebo que algum rapaz está olhando insistentemente para mim!



Maria Olívia Rebouças Cavalcanti na capa da revista MANCHETE,30/06/1962


Entrou em cena seu tio, o Professor Mendonça filho, na época diretor da Escola de Belas Artes de Salvador. Ele incentivou a sobrinha, ela acabou perdendo o medo e inscreveu-se. O supervisor do desfile de Miss Universitária era Evandro de Castro Lima, campeão de fantasias do carnaval carioca. Evandro ensinou-lhe a arte de desfilar e, depois que Maria Olívia foi eleita rainha da beleza universitária, ele a foi cumprimentar e disse categoricamente:
- Você agora deve preparar-se para ser Miss Brasil. Garanto que vai ser eleita.


- Evandro, até hoje um bom amigo, nem sequer deu-se ao trabalho de falar em Miss Bahia – recorda Maria Olívia. - Foi logo pensando no Maracãnazinho. "Meu tio também concordou. Meus pais não viam a idéia com bons olhos, mas eu acabei decidindo, e eles não reclamaram. Mas foi principalmente por causa dos meus colegas universitários, que tanto haviam feito para a minha primeira eleição de beleza, que coloquei meu nome entre as candidatas ao título estadual."

Até o último momento esperava perder. E, quando recebeu a faixa,vendo a responsabilidade que assumia naquele instante, ficou morta de medo, pensando: “Meu Deus! Que é que eu vou fazer no Maracanãzinho?”



Maria Olívia em traje de gala na noite do Miss Brasil, vestido de seda branca pontilhado de águas marinhas. (MANCHETE, 30/06/1962)


A loura Christa Linder, Miss Áustria, semifinalista, candidata favorita de Maria Olívia, e a morena Norma Beatrice Nolan, Miss Argentina, eleita Miss Universo 1962.(O CRUZEIRO, 28/07/1962)

"O quinto lugar me deixou plenamente feliz, mas achei injusto, por parte dos jurados, o que fizeram com Miss Áustria deixando-a apenas entre as 15 semifinalistas, quando ela era infinitamente mais bela do que Miss Argentina, que afinal ganhou a cora de Miss Universo. Na posso afirmar nada, mas desconfio de que haja uma certa política determinando o julgamento em Miami."


Outra coisa que ela recorda é o rigor com que as candidatas são examinadas em Miami. 

"Todas ficam de maiô, e algumas senhoras tiram as medidas corporais. Qualquer artifício é logo descoberto. As européias, principalmente, costumam aumentar artificialmente o tamanho do busto, ficando encabuladas quando uma das examinadoras, sem lhes pedir para tirar a roupa, adverte: - I’m sorry... Estou desolada, senhorita, mas creio que a medida do seu busto não coincide com a realidade..."


Ao voltar dos Estados Unidos, Olívia aceitou o convite de uma fábrica paulista e rumou para a França como recepcionista brasileira no Salão do Automóvel. Nessa ocasião, conheceu o astro William Holden, que ia rodar um filme em Paris e a convidou para fazer uma boa ponta, ganhando bastante em dólares. Chegou a visitar o estúdio de filmagem e a experimentar o vestido que usaria. Mas desistiu por um motivo: havia lá uma porção de camaradas de cara esquisita, todos com um charutão na boca (certamente os chefões da produção), e que a olhavam dos pés á cabeça.

      No dia 22/06/1963, Maria Olívia passou a coroa para Ieda Maria Vargas, sua sucessora no trono de Miss Brasil. Na noite seguinte, ela e Ieda foram a uma festa e lá Maria Olívia conheceu o fazendeiro paulista Olavo de Almeida Pereira de Cordes, que estudava Direito no Rio de Janeiro. Foi amor à primeira vista. Ficaram noivos um mês depois e casaram no dia 04 /12/1963. Após o casamento, foram morar na fazenda Monte Alto, em Américo Brasiliense, a 18 km de Araraquara, São Paulo.

Confissão de Olavo de Almeida: "O destino quase me fazia perder aquele encontro supremo.Eu devia ter feito provas alguns dias antes, na Faculdade, e depois disso pretendia seguir para o Uruguai e a Argentina.. Já estava com a passagem marcada. Na última hora, a professora adiou o exame e fui obrigado a ficar no Rio. Se não fosse isso, não teria ido àquela festa. Bendita professora!"


Maria Olívia Rebouças e Olavo de Almeida Pereira de Cordes. (Foto: Geraldo Móri, Manchete, 23/04/1966)


Maria Olívia e os filhos Olavinho e Flavinho. (Foto: Geraldo Móri, Manchete, 23/04/1966)

Vale a pena ser Miss? Resposta de Maria Olívia:


"Vale a pena sim. Se o tempo voltasse atrás, eu gostaria de ser eleita novamente Miss Bahia, depois Miss Brasil, e finalmente quinta colocada em Miami. Não por vaidade, ou para ostentar estes títulos. O concurso serviu principalmente para que eu me tornasse mais desembaraçada, afirmando minha personalidade, pois sempre fui profundamente acanhada.

"Terei orgulho de contar aos meus filhos e netos que, um dia, fui Miss Brasil e quase cheguei a Miss Universo. Mas, se tiver a filha que ainda não veio, preferiria que não se candidatasse, pois estou de acordo com a opinião de meus pais no dia em que decidi concorrer a Miss Bahia: - Filha da gente em concurso de beleza - disseram eles - sempre dá preocupação. Não há nada de moralmente condenável nesses concursos, mas a preocupação dos pais é muito grande. Além do mais, já basta uma Miss Brasil na família, não acham?”


      Feliz, tranqüila, realizada, Maria Olívia Rebouças, minha Miss Brasil inesquecível, já contou repetidas vezes aos seus descendentes que um dia foi Miss Bahia, Miss Brasil e quase Miss Universo. Ela se orgulha do seu passado de rainha da beleza e não se cansa de dizer que valeu a pena ser Miss.

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