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sábado, 9 de setembro de 2017

SESSÃO NOSTALGIA – “Nunca fiz mal a ninguém, mas a vida me castigou.” Os desabafos de Marta Rocha, a eterna Miss Brasil

Daslan Melo Lima

      Quem vai celebrar idade nova no dia 19 deste mês é Marta Rocha, a mais famosa Miss Brasil de todos os tempos. Dela já se falou incontáveis vezes, inclusive de ter perdido o título de Miss Universo por causa de duas lendárias polegadas (5,08 centímetros) a mais nos quadris. O que falar sobre ela? 

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      Encontrei algo diferenciado no meu acervo, a revista Claudia (Ano XIII, nº 153, junho de 1974), com marcas do tempo.  A publicação traz uma reportagem de quatro páginas com texto de Lea Maria Reis e fotos coloridas clicadas por Marisa de Lima, onde Marta Rocha confessava ser míope, pontual, perfeccionista, vaidosa, às vezes feia. E desabafava várias vezes.

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Marta Rocha - 20 anos depois

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        Tímida, míope, sofrida, gente. Pouca gente conhece este lado da imagem de Marta Rocha Xavier de Lima, miss celebrizada até em letra de samba, modelo de beleza – até hoje – das mulheres brasileiras e, sobretudo, namorada de um povo inteiro, com foto pregada em porta de guarda-roupa de toda uma geração. Hoje, mãe de três filhos, casada com o industrial Ronaldo Xavier de Lima – seu segundo casamento -, Marta talvez seja ainda mais bela. Mais consciente de sua pessoa humana, e não apenas de uma imagem. Um pouco triste, quando diz:
     - Ninguém nunca me perguntou se sou bonita por dentro. Olhe, minha alma não é feia, não. Nunca fiz mal a ninguém, mas a vida me castigou. No entanto, se tivesse que recomeçar, faria tudo o que fiz outra vez. Às vezes, o lendário olhar azul foge, e ela, sentada no terraço de sua cobertura da avenida Atlântica, em Copacabana, se torna um pouco como que ausente. O olhar foge para o mar, uma de suas paixões (“as outras são cachorro, cavalo, árvore, flor, natureza, tudo o que é belo e natural”), mas quase imediatamente, fração de segundo, Marta volta à conversa e me diz:  
    - Por que você não me deixa fazer algumas perguntas, eu mesma? Coisas que nunca ninguém teve ideia de me perguntar.
     - Por exemplo...
    - Ninguém nunca me perguntou como sou na realidade. Poucos são os que conhecem. Têm uma imagem muito vazia de mim. No fundo, poucos foram os que me deram realmente atenção, no sentido de indagarem quem é Marta Rocha.
    “Para começar, sou míope. Sou perfeccionista – como convém a alguém nascido sob o signo de Virgem. Nada deixo pela metade na tarefa que me proponho fazer. Sou pontual. E cansei de não procurarem saber como é meu espírito. Sou forte, Me recupero sempre. E às vezes sinto dores de cabeça fortes.”

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A excessiva emoção levou Marta à Psicanálise


          “Sofria demais com a miséria humana, hoje procuro mudar: me libertar de uma excessiva emotividade que projetava nos outros, nos desastres que aconteciam com amigos, nas tristezas deles, em seus problemas. Hoje, estou mais do que nunca preocupada em viver no nível da realidade.”
          Por isto Marta faz psicanálise. Quatro vezes por semana. Há um ano. É uma mulher ocupada em se conhecer e, justamente como diz, em “viver num nível de realidade”. Sem idealizações. Nascida num dia 17 de setembro, sétima filha entre os onze irmãos da família de Álvaro Rocha, engenheiro e professor baiano, de Salvador, e de Hansa Heckel Rocha, de origem alemã, nascida no sul, Marta sempre ouviu dizer, desde criança: “Os olhos dela são duas contas azuis; sua pele parece louça”.
        Estudante, quando mocinha, do Colégio Sofia Costa Pinto, estudava alemão, francês, inglês, espanhol. Era interessada em línguas e vivia sua vida de garota da Barra – do Farol da Barra, como ela mesmo frisa -, classe média, lindíssima, “só que o rosto era um pouco mais bochechudo”, quando pediram ao pai concorresse ao Miss Bahia. Era o ano de 1954. Em julho do mesmo ano, depois de eleita a mais linda da Bahia, Marta era coroada, no Hotel Quitandinha, Miss Brasil e, logo a seguir, em meio a uma campanha de publicidade intensa, era considerada a moça mais bonita do concurso internacional de beleza, em Miami. Apesar do segundo lugar – Miss Universo foi eleita a americana Miriam Stevenson -, e todos sabiam que Marta era o rosto e o corpo mais harmoniosos do concurso. Sua premiação foi de Miss Universo: - Lembro bem: me deram um Dodge especial, branco, forrado de vermelho, conversível, que trouxe comigo e que usei muito. – Ela diz isto rindo. – E pérolas, e presentes, quantos presentes!
          Eram dias de glória e de fama. Marta Rocha – e a célebre história de suas duas polegadas a mais (na verdade era uma só, ou seja, cerca de três centímetros) – tornava-se o primeiro ídolo nacional da sociedade brasileira prestes a entrar na sua fase de comunicação de massas.
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Corrigindo a reportagem: Marta Rocha nasceu num dia 19 de setembro. O concurso Miss Universo 1954 foi realizado em Long Beach. A história sempre foi de duas polegadas a mais nos quadris. Uma polegada equivale a 2,54 centímetros. Duas somam 5,08 centímetros.
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Todas se achavam seu namorado, mas quem venceu foi Piano

Não ganhou o título, mas ficou com a glória - A revelação em 54: Marta perde o titulo de Miss Universo, mas torna-se ídolo nacional, letra de música, exemplo, namorada de uma geração. Daí para o casamento com Piano é um passo. No carnaval é capa de revista, o ídolo de sempre.
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Marta Rocha: sempre notícia, sempre modelo - No segundo casamento, vestiu azul: as noivas do ano desistiram do branco. Marta era moda de novo. Cada filho seu se transformou em manchete, como é notícia cada fantasia que usa para realçar sua beleza. 
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          “Namorada do Brasil” era o título que mais frequentemente lhe davam. Todo brasileiro da época sentia-se assim: namorado de Marta. Então, ela conhece o português Álvaro Piano, radicado na Argentina, banqueiro. Casa aos 23 anos. Vai morar em Buenos Aires, torna-se mãe de Álvaro, hoje com 17 anos, olhos azuis iguais aos da mãe, garoto louro e bonito. Dois anos depois Piano morre em desastre de aviação em Mar del Plata. Marta, viúva, volta ao Brasil, em férias. Nova consagração. No Maracanãzinho recebe a maior homenagem à sua beleza. Vestia roupa preta, era discreta, apesar de aparecer assim, para a multidão, ao vivo. É quando conhece um dos rapazes da famosa turma da rua Miguel Lemos, de Copacabana, Ronaldo Xavier de Lima, que em companhia de amigos, visita Marta, na casa de sua maior amiga, Bebete Freitas, no Rio, pedindo seu apoio para uma campanha política de um companheiro do grupo.
        Conversa vai, conversa vem, os dois começam a sair juntos. Primeiro programa: um passeio no Itanhangá Gol Club, onde Ronaldo jogava pólo (coisa que faz até hoje, ele é um apaixonado desse esporte, e, no estúdio recém construído na cobertura do casal, várias taças, sobre uma cômoda, atestam sua habilidade). Ronaldo vai à Bahia, pede Marta em casamento. A cerimônia é realizada com pompa, em meio a uma multidão delirante, na igreja da Candelária. Marta usava um vestido azul-claro, da Casa Canadá, com uma capa por cima. A roupa faz escola, várias noivas dos próximos tempos copiam o feitio.
       Para Marta começava uma segunda etapa em sua vida. Torna-se mãe de mais dois filhos: Carlos Alberto, hoje com 16 anos, e Cláudia, de 10 anos. “Os três, observa Marta, “têm grande personalidade. São teimosos, às vezes, mas sempre sabem o que querem. Eu adoro isto, neles.” E então, chega-se a hoje. Vinte anos depois, Marta diz, enquanto é fotografada: “Estou cansada de usar penduricalhos. Quero o esporte, o descontraído, quero as calças compridas, quero o informal.”
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Corrigindo a reportagem: Álvaro e Carlos Alberto são filhos de Marta Rocha com o seu primeiro esposo, Álvaro Piano. Com Ronaldo Xavier de Lima, seu segundo esposo, ela teve apenas uma filha, Cláudia. 
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Sinto-me bem em qualquer ambiente: pobre ou grã-fino


          - Então por que frequenta com tanta assiduidade as festas formais da alta sociedade?
          - Porque gosto de frequentar lugares – sejam grã-finos ou simples e pobres – onde me sinta bem. Se estou me sentindo bem, não me importa onde estou.
             - E a solidão? Incomoda, às vezes?
          - Há momentos em que gosto de ficar sozinha. Mas, afinal, fui criada numa casa sempre cheia. Com muitos irmãos. Com muito movimento: gente entrando, gente saindo, amigos, calor. A solidão não me incomoda. Sempre que quero, tenho amigos que me aconchegam. “Mas sofri muito. Me sinto muito sensível. E sofri sem necessidade. Por pessoas que às vezes nem conhecia, que nem me diziam respeito. Há frustrações. Por exemplo: não ter estudado mais.  Agora, quero voltar à faculdade – são projetos para o ano que vem. Quero estudar línguas e me aprofundar nos estudos.”
          Marta vaidosa. Assumindo a vaidade natural da mulher. Cuidando da linha. “Sem precisar ser magérrima, como um manequim de Dior. Sem fazer disto religião. Mas me sentir bem fisicamente.” Come frutas, peixes, carnes, sempre que engorda mais um pouco. “Mas detesto alface. E adoro agrião. Como agrião todos os dias.” Verduras, legumes. Biscoitos cream crackers dietéticos. Ioga. “Faço sozinha. Aprendi. Faço ioga antes de dormir, quando estou muito tensa. É ótimo.” Para a pele – ainda uma pele de “de louça”, com um bronzeado natural, surpreendente, que não precisa de nenhum creme bronzeador – Marta usa creme hidratante. Da Revlon. Com vitamina E. E o creme Acquamarine, também da Revlon, para o corpo. Seu peso, hoje, é de 58 quilos. O manequim, 42. A altura de Marta: 1,70 m. Suas roupas são simples. Os vestidos importantes, sempre de Gérson, seu costureiro predileto, já há anos. Brancos, azuis, verdes, as cores preferidas para vestir. E de roupas esportivas, os jeans, as malhas, as peças compradas em várias boutiques. “Onde passo e vejo alguma coisa de que gosto; não há nenhuma preferida em especial.” Seu cabelo é Demoar – que faz o corte de seus cabelos louros, de um louro natural. Ou então Jambert. O seu maquiador – ela usa maquilagem – é Paulo Flores.  
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Marta se diz dinâmica, ordeira, arrogante

        Organizada, meticulosa, Marta diz que gosta de ter tudo cuidado, guardado “em caixas que sei sempre onde estão e o que contêm”. É dinâmica: “Não sei ficar parada. Sabe? Me conheço já bastante. Sei, por exemplo, que sou decidida, determinada. Arrogante, no sentido em que me protejo da curiosidade alheia, malsã”.
            - Mas dentre as perguntas que você gostaria de fazer...
          - “Você sacha que todo mundo tem a obrigação de me achar bonita?” é uma delas. Eu respondo: “Não. Entendo perfeitamente que haja gente que me ache feia. Eu mesma, quantas vezes, me acho feia”.
         Ela é muito honesta quando mostra a necessidade que sente de ser reconhecida e aceita pelo que é. Não pela beleza extraordinária. Insiste: “Minha alma não é feia. Se eu pudesse, faria todas as pessoas felizes. Se tudo dependesse de mim, tudo seria mais bonito.
          O olhar azul da “namorada do Brasil”, de até hoje ídolo, foge outra vez para o mar. Mas ela sabe que ainda hoje – porque sua amiga Bebete, está presente, e conta – é um símbolo de beleza para a alma brasileira. O jornaleiro da esquina outro dia mesmo comentava: “Dona Marta? É incrível. Depois de vinte anos, ela ainda é quem mais vende revista aqui, em Copacabana. Marta Rocha na capa esgota rapidamente". E isto pesa. Sem dúvida.

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Marta Rocha -  Foto: Mário Sérgio Costa/Divulgação


        Depois daquele julho de 1974, quando foi focalizada na Claudia, o casamento de Marta Rocha com Ronaldo Xavier de Lima, já falecido, acabou. Teve outros relacionamentos. Enfrentou aborrecimentos e conheceu dificuldades financeiras. Viajou muito pelo Brasil e recebeu lindas homenagens.
             Feliz idade nova, Marta Rocha, eterna namorada do Brasil. 

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Esta é a capa da revista ClaudiaAno XIII, nº 153, junho de 1974.
A jovem é Ângela Catramby (1952-2016), Senhorita Rio 1968.

sábado, 22 de abril de 2017

SESSÃO NOSTALGIA - Misses, retratos em branco e preto


Daslan Melo Lima

     Quase meia-noite em Timbaúba, Pernambuco. Pelo Facebook, recebo uma mensagem de Genaro Oliveira Pires, educador baiano. Ele diz que lembrou-se de mim ao encontrar em seu acervo uma foto de Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, minha Miss Brasil inesquecível. De repente, sem querer, Genaro deu-me inspiração para produzir a penúltima Sessão Nostalgia de abril, pois revendo outras mensagens suas encontrei fotos de rainhas da beleza em nostálgico branco e preto. 


Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954. O País sentindo-se injustiçado por ela ter perdido o título universal da beleza devido às lendárias duas polegadas a mais nos quadris. 
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Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1957.
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Gina Macpherson, Miss Guanabara, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1960. Acenando para o público ao lado da Rainha da Festa da Uva, no Rio Grande do Sul.

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Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Bahia, Miss Brasil e quinto lugar no Miss Universo 1962. Visitando o Banco da Bahia antes de viajar para Miami Beach.
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Vera Fischer, Miss Santa Catarina, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1969. Visitando uma indústria catarinense de abatimentos de bovinos 
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Ana Almeny, Miss Surubim, Miss Pernambuco 1970. Durante uma festa no interior pernambucano. 
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Lúcia Petterle, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e Miss Mundo 1971, em pose de modelo fotográfico.  
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Ana Maria do Rosário Lerner, Miss Alagoas 1972, e seu singelo traje típico. Singelos eram todos os trajes típicos daquele tempo.

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        Quase meia-noite em Timbaúba, Pernambuco. Antes do sono chegar, estou ouvindo "Retrato em branco e preto", uma canção de Tom Jobim (1927-1994) e Chico Buarque de Holanda, esperando sonhar com os antigos e inesquecíveis concursos de misses. 

Já conheço os passos dessa estrada

Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cór
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar



Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

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Retrato em branco e preto

sábado, 13 de agosto de 2016

SESSÃO NOSTALGIA - A grande corte de Ieda Maria Vargas

Daslan Melo Lima

          Uma generosa página dupla da revista Fatos & Fotos, datada de 22/07/1963, dá uma ideia de como o Brasil valorizava suas rainhas da beleza nos anos sessenta.

Da esquerda para a direita: Teresinha Morango, Marta Rocha, Ieda Maria Vargas, Vera Ribeiro e Maria Olívia Rebouças Cavalcanti.

      FATOS & FOTOS, alguns dias antes do embarque de Ieda Vargas para os Estados Unidos, levou-a para um contato direto com cinco das mais bonitas misses brasileiras. Marta Rocha, Teresinha Morango, Adalgisa Colombo, Vera Ribeiro e Maria Olívia Rebouças, durante mais de uma hora, deram conselhos a Ieda Vargas, apontando-lhe os erros em que não deveria incorrer, atualizando-a sobre as preferências dos norte-americanos seja quanto à maneira de desfilar, seja quanto o que deveria dizer a jurados e jornalistas. Prevaleceu a beleza de Ieda. Mas os conselhos das antigas misses permitiram à atual Miss Universo caminhar para a vitória.
    
        Apesar do texto citar o nome de Adalgisa Colombo (1940-2013), a Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958 não apareceu na foto.  
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A grande corte de Ieda

Teresinha Morango, Miss Amazonas, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1957.
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Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil, vice-Miss Universo 1954.
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Vera Ribeiro, Miss Distrito Federal, Miss Brasil, quinto lugar no Miss Universo 1959.
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Maria Olívia Rebouças Cavalcanti, Miss Bahia, Miss Brasil, quinta colocada no Miss Universo 1962.
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E Ieda soube ouvir, aprender e ganhar


Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963.
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        No canto inferior direito da página dupla está escrito: Voz da Experiência não falhou. E Ieda soube ouvir, aprender e ganhar
         Que conselhos Ieda recebeu da sua grande corte? Seriam eles eficientes e eficazes para o mundo de hoje?  
        Obrigado, Deus, Senhor do Universo, por ter sido criança nos mágicos anos sessenta, e estar aqui resgatando histórias de um tempo que se foi, para sempre se foi.

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sábado, 20 de junho de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - Julho de 1961, quando Marta Rocha estava em Sétimo Céu

Daslan Melo Lima

     Sétimo Céu, esse era o nome de uma das muitas revistas de fotonovelas dos anos sessenta, impressa e editada pela empresa Bloch Editores, que contava em quadrinhos encantadoras tramas românticas, quase todas ficção, mas algumas,  de vez em quando, inspiradas na vida real. Marta Rocha, Miss Bahia, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954, foi a protagonista da edição de julho de 1961, com sua vida narrada em mais de sessenta páginas. 
     Na tarde deste sábado pernambucano,  enquanto sopra o  vento frio, próprio da época junina, retiro a  revista do meu acervo para mais um mergulho delicioso num tempo mágico que se foi, e reencontro Marta Rocha...

... na capa;
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nas praias de Salvador;
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na passarela do Quitandinha disputando o título de Miss Brasil;
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desfilando em Long Beach, onde perdeu o título de Miss Universo 1954 por causa das lendárias duas polegadas a mais nos quadris;
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na companhia do seu primeiro esposo, o argentino Álvaro Piano, vítima fatal de um desastre de avião em Mar del Plata;  
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ao lado dos filhos; 
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casando com Ronaldo Xavier de Lima;
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voando para a Europa em lua-de-mel.
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     Leio e releio a legenda da última foto: "Quem poderá esquecer a baianinha loura, de olhos azuis, que saiu lá da Barra de Salvador para conquistar, com a sua beleza e a sua simpatia, o amor de todos os brasileiros?" 
    Fecho a revista e grito em silêncio para o vento frio o que ele já sabe há muitos anos: Ninguém! Ninguém jamais poderá esquecer a eterna Miss Brasil !

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sábado, 20 de dezembro de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - A beleza também chora

Daslan Melo Lima   

                           
"A sala está repleta. O vozerio é enorme. Impecáveis garçons servem uísque e champanha. Ela, porém, parece distante. É Marta Rocha, a mais bonita, dentre todas a mais sediada."


   Assim começa o texto da reportagem A beleza também chora, escrita por Ronaldo Bôscoli (1928-1994), com fotos de Jankiel, na revista Manchete, nº 438, Ano 8, 10/09/1960. Confissões de Marta Rocha, diz uma das chamadas da capa. 


      A foto na página dupla mostra uma mulher linda que em 1954 conquistou o segundo lugar no concurso Miss Universo e virou um ícone, um mito. Seria dela o título de mulher  mais bela do mundo se não tivesse duas polegadas a mais nos quadris, reza a lenda. Martha Rocha estava viúva do  empresário argentino Álvaro Piano, morto em um acidente aéreo. 


     "Moro a 50 anos metros do mar e não me arrisco a ir à praia com meus filhos. Faz pouco tempo tinha de entrar no cinema quando o filme já tivesse começado e, para sair tranquilamente, sem atropelos, devia fazê-lo antes do final da fita."
   "Olhe, eu não acredito em felicidade sem esforço, nem em amor sem um certo sofrimento. Mas não posso me conformar que o destino me apunhalasse tão profundamente. Tenho que proteger meus filhos e na realidade quem precisa de proteção sou eu, tenho que fazer quase tudo que não me agrada e essa constante contrariedade está minando minha vida. Tenho que ser outra pessoa quando minha vontade é ser a verdadeira Marta Rocha."

      Quem foi que disse que a beleza é um passaporte para uma vida sem problemas? Martha Rocha casou novamente, teve uma filha, descasou, ilustrou outras capas de revistas, colheu óutros aplausos, conheceu problemas financeiros,  enfrentou um câncer...

      Como será o Natal de 2015 de Martha Rocha? Seja como for, acho que ela diria hoje o que disse ao Ronaldo Bôscoli há cinquenta e quatro anos:
      "De qualquer maneira valeu a pena ser Marta Rocha. Sendo a Miss Brasil, eu fui Madame Álvaro Piano, a mulher mais feliz do mundo."

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sábado, 2 de novembro de 2013

SESSÃO NOSTALGIA - SALVADOR, OS MÁGICOS RECANTOS BAIANOS DE MARTHA ROCHA, MARIA OLÍVIA E MARTHA VASCONCELLOS

Daslan Melo Lima

PRÓLOGO

      “Ali morou Caetano Veloso! Estão vendo aquele prédio? Ivete Sangalo tem um apartamento ali.” Enquanto o ônibus circulava pelas ruas de Salvador, eu pouco prestava atenção a essas observações do simpático guia da minha excursão.  Meu pensamento estava no city-tour que faria no dia seguinte, ocasião onde meu amigo Roberto Macêdo haveria  de me mostrar alguns locais especiais, todos ligados à nossa paixão pelas Misses. "Daslan, tô saindo de casa. Vamos iniciar um dos dias mais inesquecíveis da sua vida. Da minha também! Abraço.” O relógio marcava 08h30min da ensolarada manhã baiana do domingo, 13 de outubro, quando acessei minha página no Facebook e li essa mensagem enviada às 08h04min por Roberto Macêdo. Meus companheiros de viagem tinham ido curtir Itaparica e eu tinha ficado aguardando o Roberto que chegaria momentos depois para me conduzir a este passeio fantástico, o qual foi devidamente documentado por ele.

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OS MÁGICOS RECANTOS BAIANOS DE MARTHA ROCHA, 
MISS BAHIA, MISS BRASIL, VICE-MISS UNIVERSO 1954

     
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Edfício Martha Rocha - No local da casa onde Martha Rocha nasceu e passou a infância e adolescência existe um edifício de apartamentos que foi construído pelo seu pai, engenheiro catedrático da Universidade Federal da Bahia. O imóvel, propriedade dos herdeiros, tem o nome de Edfício Hansa, em homenagem à mãe da Miss, mas todas as pessoas só conhecem o prédio pelo nome de Martha Rocha. 
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Alameda Martha Rocha - A eterna Miss Brasil é nome de uma alameda no Shopping Center Iguatemi.  
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Rua Chile - A Rua Chile conheceu uma das maiores movimentações da sua história quando Martha Rocha regressou dos Estados Unidos com o título de vice-Miss Universo 1954 e passou numa loja para receber um prêmio. Centenas de pessoas queriam vê-la. Houve tumulto e foi preciso reforço policial para conter a multidão. A vice-Miss Universo 1954 acabou saindo em carro aberto da Rua Chile para a Barra.

OS MÁGICOS RECANTOS BAIANOS DE MARIA OLÍVIA REBOUÇAS CAVALCANTI, MISS BAHIA, MISS BRASIL, 5º LUGAR NO MISS UNIVERSO 1962

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Casa colonial de Genaro Carvalho - Em frente da casa colonial onde morou o artista plástico Genaro Carvalho (1916-1971), Maria Olívia posou para a capa da revista Quatro Rodas,  ao lado do carro mais antigo do Brasil, um Clement 1895. 
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Igreja do Passo - A Miss Brasil 1962 também posou na escadaria da Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo para a capa e reportagem na revista O Cruzeiro.


OS MÁGICOS RECANTOS BAIANOS DE MARTHA VASCONCELLOS,
MISS BAHIA, MISS BRASIL, MISS UNIVERSO 1968

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Viaduto Marta Vasconcelos  - Martha Vasconcellos, nome de viaduto, onde seu nome foi escrito sem o th e os dois ll.
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Alameda Marta Vasconcelos - Martha Vasconcellos, na placa sem o th e os dos ll, nome de alameda no Shoping Center Iguatemi.
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EPÍLOGO


No final do city-tour uma surpresa fantástica me esperava. Roberto Macêdo levou-me ao apartamento de Martha Vasconcellos, assunto abordado na minha crônica de duas semanas, e depois fomos almoçar diante do Mar sem fim do Senhor do Bonfim.

     Ao encerrar esta série de matérias sobre minha primeira viagem a Salvador, quero externar mais uma vez o meu muito obrigado ao Roberto Macêdo. As palavras de agradecimento fogem todas, pois nenhuma definiria o meu sentimento de gratidão pelas horas baianas maravilhosas que ele me proporcionou.  

      O texto desta Sessão Nostalgia será postado no caderno de turismo da próxima edição do jornal Correio de Notícias. Vou enviar este material para o guia da minha excursão, a fim de que ele, durante os city-tour, faça referência a estas mulheres maravilhosas que levaram o nome da Bahia para o mundo. Espero ser atendido, em nome da minha paixão pelas Misses, pois gosto muito de dizer que paixões são paixões, simplesmente paixões, não se explicam.

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