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domingo, 21 de outubro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Vera Lúcia Couto e Martha Vasconcellos, duas Misses dos anos 60, "os melhores anos das nossas vidas"

Daslan Melo Lima


          "Os Melhores Anos das Nossas Vidas". Este é o nome do novo programa da Rede Globo, no ar às quintas-feiras, após a novela das 21 horas, sob o comando de Lázaro Ramos, redação final de Paula Miller e direção geral de Bernardo PortugalUma disputa entre as décadas de 1960, 1970, 1980, 1990 e 2000. 
              Vera Lúcia Couto dos Santos (Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil, terceira colocada e Miss Fotogenia no Miss Beleza Internacional 1964) e Martha Vasconcellos (Miss Bahia, Miss Brasil, Miss Universo 1968) gravaram participação na quarta-feira, 17, no programa que será exibido no dia 08 de novembro.

Vera Lúcia Couto dos Santos
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Martha Vasconcellos
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Tribuna da Bahia, terça-feira, 16/10/2018
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Porta do camarim de Vera Lúcia Couto e Martha Vasconcellos.
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Roberto Macêdo (jornalista, escritor, biógrafo de Martha Vasconcellos) ladeado por Vera Lúcia Couto e Martha Vasconcellos. 
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Roberto Macêdo exibindo as faixas de Vera Lúcia Couto: Miss Renascença, Miss Estado da Guanabara e Miss Brasil nº 2. ***** Nos anos 60, o Top 3 do Miss Brasil tinha a denominação de Miss Brasil n° 1, a primeira colocada; Miss Brasil  nº 2, a vice; e a Miss  Brasil nº 3, terceiro lugar. A primeira representava o Brasil no Miss Universo e as outras no Miss Beleza Internacional e Miss Mundo. ***** A faixa de Miss Brasil nº 2 foi um presente de Arnaldo das Faixas para Vera Lúcia Couto. 

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           A disputa acirrada das décadas se estenderá até a última quinta-feira do ano, 27 de dezembro, quando se saberá qual a década vencedora. Espero que seja a de 1960, quando eu não me dava conta de que estava sendo testemunha de um período que deixaria marcas eternas: o muro de Berlim; a inauguração de Brasília; a renúncia de Jânio Quadros; o golpe militar; o bicampeonato mundial de futebol; o movimento musical da Jovem Guarda; os festivais de música popular; a guerra do Vietnam; o assassinato de John Kennedy; a minissaia; o sucesso dos Beatles e dos Rolling Stones; a descoberta do vírus do câncer; o suicídio de Marylin Monroe; a chegada do homem na Lua; o filme “O Pagador de Promessas”; o título de Miss Universo 1963 conquistado por Ieda Maria Vargas; o terceiro lugar de Vera Lúcia Couto no Miss Beleza Internacional 1964 e o concurso Miss Universo 1968 vencido por Martha Vasconcellos  

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Imagens:
Agradecimentos ao Roberto Macêdo

sábado, 13 de outubro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - O céu formou as Misses de um jeito diferente

Daslan Melo Lima
          
         O calendário marcava 17 de julho de 1971. A Manchete estava nas bancas de todo o Brasil com quatro chamadas: Moscou, os funerais dos astronautas; Toda a grandeza dos Estados Unidos; Os novos carros para 1972; e Miss Brasil 71. Quem ilustrava a capa de uma das maiores revistas brasileiras de todos os tempos era uma foto feita por Antônio Rudge, cinco misses que marcaram época na história da beleza brasileira.   

Manchete, número 1.004, Ano 20, 17/07/1971

Da esquerda para a direita, em pé: 
Ana Cristina Ridzi (1947-2015), Miss Guanabara, Miss Brasil 1966; 
Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil, Miss Universo 1968; 
Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963;   
Eliane Fialho Thompson, Miss Guanabara, Miss Brasil, semifinalista (Top 15) no Miss Universo 1970. 
Sentada, Eliane Parreira Guimarães, Miss Minas Gerais, Miss Brasil, quinto lugar no Miss Universo 1971. 

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          O jornalista Justino Martins (1917-1983) disse no editorial daquela Manchete"Nos concursos de beleza, é aconselhável julgar as candidatas somente dos sapatos ao penteado, mais ou menos como se medem os peixes, da cauda à cabeça. Isto, porque, em geral, a mulher tem tudo contra ela, nossos defeitos, sua timidez, sua fraqueza. Só tem a  favor a beleza. No caso da nova Miss Brasil, a universitária Eliane Guimarães, acrescenta-se o espírito, que é o supremo recurso do sexo feminino. Quanto ao resto, só mesmo citando Mme. De La Fayette: "Seu corpo e sua pessoa tinham algo de tão admirável que parecia que o céu a formara de um jeito diferente das outras." É a nossa reportagem principal."
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          "Seu corpo e sua pessoa tinham algo de tão admirável que parecia que o céu a formara de um jeito diferente das outras."
              Nesta tarde quente da primavera pernambucana, inspiro-me na citação da escritora francesa Madame de La Fayette (1634-1693) para criar o título desta  Sessão Nostalgia: "O céu formou as Misses de um jeito diferente."

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sábado, 21 de julho de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Quintino Medeiros em entrevista exclusiva: "Marta Jussara da Costa teria sido uma maravilhosa Miss Universo. Valéria Bohn foi a Miss Rio Grande do Norte mais injustiçada da história do Miss Brasil"


Daslan Melo Lima


              Esta semana, mais uma pausa no resgate das histórias das nossas Misses, a fim de dar lugar a uma entrevista com outro leitor assíduo desta secção. Ele é Quintino Medeiros, graduado em História pela UFRN-Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Mestre em História, Cultura e Sociedade  pela UFCG-Universidade Federal de Campina Grande, pesquisador, professor universitário, natural de São João do Sabugi, Rio Grande do Norte.
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PASSARELA CULTURAL – Como começou a sua paixão pelas misses?
QUINTINO MEDEIROSPenso que algumas coincidências fortuitas contribuíram para isso. Uma delas: em 1976, a Miss Rio Grande do Norte foi Eliane Maria Rocha de Azevedo, do município de Jardim do Seridó, cuja mãe era natural da minha cidade, São João do Sabugi. 

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Eliane Maria Rocha de Azevedo, Miss Rio Grande do Norte 1976, falecida no dia 26/04/2018, data em que estaria celebrando 60 anos de idade. 
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Um primo dela era meu colega de escola e presidia o Grupo de Adolescentes vinculado à Igreja Católica, do qual eu também participava. Para arrecadar recursos para o grupo, foram feitos concursos de beleza em 1977 e 78, em que as crianças e adolescentes competiam, mas também coordenavam, tudo sendo feito por elas, sem a participação de adultos. Eu ajudava na confecção dos trajes típicos, pois tinha habilidades para a produção de adereços e, assim, fui adentrando no chamado “universo-miss”. Ainda: em 1979, quando eu tinha 13 anos de idade, Marta Jussara da Costa foi eleita Miss Brasil, o que trouxe bastante visibilidade para esses certames no Rio Grande do Norte, com muitas matérias sendo veiculadas na imprensa falada e escrita do Estado. 

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Marta Jussara da Costa, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, quarto lugar no Miss Universo 1979.
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Lembro-me que, em minha cidade, uma moça vestida com maiô, manto, cetro, faixa e coroa desfilou em carro alegórico na parada cívica de Sete de Setembro, representando Marta Jussara. Colecionei todas as reportagens sobre a Miss Brasil 1979 e passei a juntar tudo o que encontrava sobre o assunto, constituindo um considerável acervo. A partir daí, simultaneamente, passei a realizar esses eventos em minha cidade e, certo tempo depois, a conduzir representantes municipais aos concursos regionais e estaduais.
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PC – Quais as suas misses inesquecíveis?                                   
QM – Minhas misses inesquecíveis são:

Neli Cavalcanti Padilha, Miss Rio Grande do Norte, quinto lugar no Miss Brasil 1964. 
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Vera Lúcia Couto dos Santos, Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil, terceiro lugar no Miss Beleza Internacional 1964.
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Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil, Miss Universo 1968.
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Marta Jussara da Costa, Miss Rio Grande do Norte, Miss Brasil, quarto lugar no Miss Universo 1979.
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Adriana Alves de Oliveira, Miss Rio de Janeiro, Miss Brasil, quarta colocada no Miss Universo 1981. Três anos depois, Adriana foi eleita Miss Brasil Mundo e ficou entre as semifinalistas (Top 7) do Miss Mundo 1984.  
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Ilma Julieta Urrutia Chang, Miss Guatemala, semifinalista (top 10) no Miss Universo 1984, primeira colocada no Miss Beleza Internacional 1984.
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Aishwarya Rai, Miss Índia, Miss Mundo 1994.
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PC – Qual a garota mais injustiçada do Miss Rio Grande do Norte?


QMLiz Fernandes, em 2008, fez a melhor entrevista do Top 5, e tinha excelentes qualidades estéticas, mas parou no Top 3. Penso que deveria ser a Miss Rio Grande do Norte ou a sua vice naquele ano.
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PC – Uma Miss Rio Grande do Norte que teria sido uma maravilhosa Miss Brasil.

QMValéria Bohn, em 1997.  Foi vice no Miss Brasil, perdendo para Nayla Micherif, e depois fez sucesso como modelo.
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PC – Uma Miss Brasil que teria sido uma maravilhosa Miss Universo.

QM – Marta Jussara da Costa, Miss Brasil 1979.
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PC – Qual a Miss Rio Grande do Norte mais injustiçada do Miss Brasil?


QM – Valéria Bohn, Miss Rio Grande do Norte 1997.
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PC – Qual a brasileira mais injustiçada do Miss Universo?

QM – Leila Schuster, Miss Brasil 1993.
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PC – Fale um pouco da sua experiência como produtor de concursos de beleza em sua cidade.
QMEsse tem sido um hobby muito caro, porém realizador. Moro num município potiguar muito pequeno, localizado no sertão do Seridó, sem empresas e instituições interessadas em patrocinar esse tipo de efeméride. Chamo de passatempo exatamente porque a minha relação com o mundo-miss dá-se por afinidade, gosto e idealismo, sem profissionalização nem busca de rendimentos financeiros. Para a realização dos certames locais, invisto recursos meus, peço a colaboração dos amigos e conterrâneos, além de contar com o apoio de uma equipe de voluntários que sua a camisa e se doa muito. Enquanto isso, o custeio das participações de representantes locais em certames regionais e nacionais é inteiramente feito com recursos próprios, com o auxílio de um ou de outro amigo de boa vontade. De qualquer modo, apesar dos prejuízos materiais, os ganhos intangíveis têm sido consideráveis: a autoestima despertada em jovens sertanejas; a oportunidade que possibilito às mesmas; as histórias de superação que as vejo protagonizarem.
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PC – Quais as críticas construtivas que faria à coordenação do Miss Rio Grande do Norte?

QM O concurso Miss Rio Grande do Norte deu um salto de qualidade com a entrada de George Azevedo na coordenação, a ponto de obter excelentes classificações das representantes potiguares na última década, o que fez o Estado ser mais respeitado no espaço habitado por misses e missólogos. Ficou mais moderno, dialogando com o mundo da moda e obtendo maior visibilidade. Sei que isso tudo se deu com o enfrentamento de muitas dificuldades, porque o lugar dos potiguares é pobre de recursos e patrocínios para esse tipo de empreendimento. Mas, ao mesmo tempo em que louvo o êxito alcançado, creio que as fórmulas – mesmo as de sucesso – precisam ser frequentemente alteradas, balançadas, renovadas, para que as janelas abertas permitam entrar novos ares, refrescando o ambiente. Confesso que, às vezes, imagino uma reviravolta partindo de dentro do concurso, trazendo um revival inovador ou uma novidade antiga, por mais contraditórios que esses conceitos possam parecer.
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PC – Quais as críticas construtivas que faria à Bee Emotion? Que sugestões daria para que o Miss Brasil voltasse a atrair o interesse da população brasileira, tal como acontecia nos áureos tempos do concurso?
QM É muito difícil, talvez impossível, fazer com que os concursos de miss no Brasil voltem a possuir o público que atraía em seu auge, entre os anos 1950 e 1960. A sociedade brasileira mudou muito, ao mesmo tempo em que a indústria cultural orientou-se mormente para o futebol, a música, a novela, et cetera. É possível refletir que os concursos estéticos foram se engessando, à medida que o mundo pareceu avançar; quando se percebeu, as misses estavam muito mais associadas ao passado do que ao presente, incapazes de atrair a atenção de públicos mais jovens. Nas últimas décadas, com a maior visibilidade do Miss Brasil na televisão, como também com a emergência da internet, mostra-se a possibilidade de uma retomada de público e de importância para os concursos de beleza. O ideal seria que tal se desse num diálogo entre tradição e modernidade, mantendo-se certos liames e ampliando-se a vista para outros horizontes. Um ponto crucial seria, a meu ver, democratizar a participação, barateando (valor simbólico) ou extinguindo (custo zero) as taxas de inscrição nos certames de nível estadual: os concursos estaduais precisam ser bastante competitivos e representativos da diversidade brasileira, acessível a todas as moças interessadas, não somente às que dispõem de recursos pecuniários. Enquanto a beleza continuar sendo apanágio de certas regiões, de determinados Estados, deste ou daquele biótipo, deste ou daquele segmento social, o povo brasileiro – rico e diverso – não se sentirá representado nem chamado a apoiá-la.
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PC – A última brasileira eleita Miss Universo foi a baiana Martha Vasconcellos, em 1968. A que você atribui o jejum de meio século?
QM É difícil fazer uma análise desse jejum. Talvez o problema não possa ser encontrado somente nos nossos defeitos e vícios, mas ainda nas qualidades e virtudes dos outros países, nossos concorrentes. Até a década de 1960, o Miss Brasil era um dos principais concursos de beleza do mundo e as misses brasileiras eram reverenciadas em todas as competições estéticas internacionais. A década de 1970 iniciou o nosso calvário: a revista O Cruzeiro deixou de existir (reduzindo-se a divulgação do Miss Brasil), os escândalos levaram ao descrédito, outros focos de interesse apareceram na mídia. A década de 1980 foi o máximo da decadência: o concurso nacional foi bregalizado, adquirindo o formato de show de calouros, chegando ao cúmulo da decadência com a não realização do Miss Brasil em 1990, e a consequente ausência no Miss Universo. Ao mesmo tempo, nesse contexto dos anos 1970-80, apareceram no cenário mundial outras “power houses”, como Venezuela, Filipinas e Porto Rico. Penso que colhemos os frutos dessas duas décadas, mas o século XXI parece apontar que estamos próximos de uma nova consagração.
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PC – Você incentivaria uma garota da sua família para disputar um título de Miss?
QM Sim, desde que assessorada por uma boa coordenação e acompanhada por profissionais bem intencionados. Feito assim, ser miss é uma experiência como outra qualquer, rica e cheia de possibilidades.
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PC – Você tem algum problema em ser chamado de missólogo? O que nos diz desse termo? 
QMDe modo algum. Sei que, para muitos, ter o seu nome associado ao mundo-miss parece criar certo embaraço ou constrangimento, o que, sem dúvida, advém dos muitos problemas havidos nesse âmbito ao longo do tempo, em todos os níveis (municipal, estadual, nacional), mas também à pecha de prática cafona, ultrapassada e antimoderna que foi atribuída aos concursos em muitos lugares e nos últimos tempos. De minha parte, valorizo a vivência que tenho nessa área, principalmente a experiência humana de auxiliar no crescimento de outros seres humanos, aprendendo a lidar com êxitos e frustrações, e fazendo isso com honestidade e compaixão. Ao mesmo tempo, como historiador, sei que os concursos de beleza surgiram na esteira da pseudo-ciência da eugenia, que tanto mal causou à humanidade: por isso, sou um ferrenho defensor do abraço aos novos padrões, à diversidade de cores e formas das cabeças e dos corpos coroados. Como pesquisador, me interesso pelos temas ligados à moda e à beleza: em meu mestrado, estudei sobre a imitação da moda francesa no sertão potiguar dos anos 1950 e adentrei pelas narrativas dos concursos de beleza. Avento a possibilidade de investigar sobre os certames estéticos no doutorado. Eu estudo sobre isso. Sim, sou missólogo.
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PC -  A Miss Espanha que vai disputar o próximo Miss Universo é uma mulher trans. O que você tem a dizer sobre o assunto?
QM - O tema é bastante delicado, por abordar uma questão polêmica da atualidade, que é a transição entre gêneros. Acredito que se os concursos de beleza se aferrarem somente à tradição, podem se cristalizar e virar folclore, fragmento do passado em sobrevida, sempre carente de gestos de proteção. Os problemas de hoje não são os de ontem, por isso as respostas a esses desafios têm que ser atuais. Em nome de uma adequação dos certames aos novos tempos, faz-se necessário haver concessões às novas demandas, promovendo aberturas, flexibilizando os padrões, democratizando os acessos.
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PC – Deixe uma mensagem para os leitores de PASSARELA CULTURAL.
QM Foi uma satisfação atender ao convite do amigo Daslan Melo Lima e compartilhar as minhas ideias com os leitores e desfilantes desta Passarela Cultural. Este é um espaço maravilhoso de informação e diálogo, construído por um genuíno amante da estética, vertida e buscada nos concursos de misses. Que bebam, nesta página virtual, do conhecimento que se necessita para amar as coisas belas, estudando-as e procurando entendê-las sem ranço nem proselitismo. 

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São João do Sabugi, no Rio Grande do Norte, a cidade natal do nosso entrevistado, foi fundada em 1832. Fica a 293 Km de distância da capital Natal. O município foi criado em 1948, quando se deu a emancipação política. A  população é de 6.218 habitantes, pelo censo do IBGE/2015. Foto:  correiodoserido.com.br
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          Ao Quintino Medeiros,  o meu muito obrigado pelas respostas dadas, uma entrevista, sem dúvida, que enriquece os arquivos da Sessão Nostalgia de PASSARELA CULTURAL.  

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sexta-feira, 11 de maio de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Misses e Mães entre flores e reflexões


Daslan Melo Lima

          Esta secção rende um tributo a seis mães que um dia foram eleitas Miss Brasil. Entre flores e citações de personalidades famosas, elas "desfilam" com seus filhos e filhas, levando-nos a refletir sobre esta mágica e nobre palavra chamada MÃE.    
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Martha Rocha
Miss Bahia, Miss Brasil 
Vice-Miss Universo 1954



Martha Rocha com o esposo Álvaro Piano e os filhos Álvaro Luís  e Carlos Alberto. Martha ficou viúva e teve ainda a filha Claudia, fruto do seu segundo casamento com  Ronaldo Xavier de Lima.




“No momento em que uma criança nasce, a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, nunca. Uma mãe é algo absolutamente novo. ”  – Osho (1931-1990), líder espiritual indiano 
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Emília Corrêa Lima
Miss Ceará, Miss Brasil
Semifinalista (Top 15) no Miss Universo 1955



Emília Corrêa Lima e o esposo Wilson de Santa Cruz Caldas (1921-2005) com o primogênito Nelson. A Miss Brasil 1955 teve mais duas filhas, Marília e Emília.




“Toda mãe deveria se chamar maravilha.” – José Marti (1853-1895), poeta cubano
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Teresinha Morango
Miss Amazonas, Miss Brasil
 Vice-Miss Universo 1957


Alberto Pittigliani (1918-2003) com Teresinha Morango e os filhos Alberto e Andréa.


“Não tem no mundo flor em terra alguma, nem no mar e em nenhuma baía pérola tal, como um bebê no regaço de sua mãe”.  - Oscar Wilde (1854-1900), escritor irlandês.
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Adalgisa Colombo
Miss Distrito Federal, Miss Brasil
 Vice-Miss Universo 1958


Jackson Flores, Adalgisa Colombo (1940-2013) e Jackson Flores Jr. Depois de casar com Flavio Teruskin, seu segundo esposo, Adalgisa adotou dois filhos. A Miss Brasil 1958 e o filho Jackson Flores Jr morreram no mesmo ano de 2013. Ela no dia 18 de janeiro, de causa não divulgada pela família,  e ele em 29 de junho, de parada cardíaca. Jackson Flores Jr era jornalista, um dos editores  da Revista Força Aérea e autor de livros sobre aviação. 


“Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe.”  – James Joyce (1882-1941), escritor irlandês.
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Vera Ribeiro
Miss Distrito Federal, Miss Brasil
Quinto lugar no Miss Universo 1959



Vera Ribeiro e a filha única Cristiane, do seu primeiro casamento com Júlio Eduardo Secco


“O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.” – Agatha Christie (1890-1976), escritora inglesa.
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Martha Vasconcellos
Miss Bahia, Miss Brasil
Miss Universo 1968



Martha Vasconcellos e o primogênito Leonardo.  Abaixo, ladeada por Leonardo e Leilane, frutos do seu casamento com Reinaldo Loureiro




"Mãe, são três letras apenas as deste nome bendito / Também o céu tem três letras e nelas cabe o infinito." - Mário Quintana (1906-1994), poeta gaúcho 
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     Sobrou uma cesta de rosas vermelhas. Ela é sua, caro leitor, cara leitora. Feche os olhos, imagine o seu perfume e entregue para sua Mãe, independente dela estar ou não neste plano. Ou então, guarde as flores para outro momento. Todo dia é dia de agradecer a Deus pela Mãe que Ele nos deu.  
      
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sábado, 15 de julho de 2017

SESSÃO NOSTALGIA – Martha Vasconcellos, Miss Universo 1968, Miss Tia Martha

Daslan Melo Lima

          No dia 19 de junho de 1968, quatro dias após ter sido eleita Miss Bahia, no  sempre lembrado Ginásio de Esportes Antônio Balbino, o Balbininho, Martha Vasconcellos foi homenageada na Escola Nova, educandário onde lecionava o que atualmente equivale ao primeiro ano do Ensino Fundamental. Na ocasião, a baiana que seria eleita Miss Brasil no dia 29 de junho, no Rio de Janeiro; e Miss Universo em 13 de julho, em Miami Beach, recebeu da aluna Ana Cristina Castro uma faixa vermelha com letras azuis onde se lia Miss Tia Martha.



        Eu tive a satisfação de fotografar a citada faixa no meio de outras, no dia 13 de outubro de 2013, no apartamento de Martha Vasconcellos, em Salvador, Bahia, durante um encontro inesquecível promovido por Roberto Macêdo, jornalista e biógrafo da última brasileira a ser eleita Miss Universo. 
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"Me lembro de tudo. Eu a adorava"


       No dia 13 do mês passado, a ex-aluna, hoje pintora renomada, Ana Castro, postou no Facebook uma relíquia preciosa, a foto em que está colocando a faixa em Martha. “Me lembro de tudo, inclusive de como fiquei triste quando ela teve que sair da escola. Eu a adorava”, escreveu Ana.


       "Pensando que, aqui no meu estúdio, o tempo é outro, o isolamento necessário, o distanciamento, o espirito se eleva, a energia flui, isso é muito bom. Só queria dividir este sentimento, diante da dura realidade, pra relaxar." ***** Vale a pena conhecer as belas obras de Ana Castro. Vide:   http://arteanacastro.blogspot.com.br/

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       Miss Tia Martha


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Martha Vasconcellos fez parte da comissão julgadora do concurso Miss Rio Grande do Norte 2017, realizado no dia 24 de maio, no Teatro Riachuelo, em Natal, ocasião onde foi aplaudida por um público estimado em 1.600 pessoas. Com sua beleza, ela espalhou mel na terra do sal e do sol.   

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           No próximo ano, cinquentenário do título de Miss Universo conquistado por Martha Vasconcellos, várias homenagens deverão acontecer em torno de quem soube levar com tanta dignidade o nome da Bahia e do Brasil para todos os rincões do planeta Terra. 
        Imagino que em um dos eventos Ana Castro estará presente para abraçar Martha Vasconcellos, a professora que tanto adorava.

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