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terça-feira, 19 de novembro de 2019

SESSÃO NOSTALGIA - O Top 4 do concurso Miss Guanabara 1970

Daslan Melo Lima



As quatro finalistas do concurso Miss Guanabara 1970 - Da esquerda para a direita: 
Rejane de Rezende Simões, Miss Clube de Regatas Flamengo, quarto lugar; 
Sônia Silva, Miss Renascença Clube, terceiro; 
Eliane Fialho Thompson, Miss Floresta Country Clube, primeira colocada; 
Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube, segundo lugar. 
(Imagem: revista Fatos & Fotos, 2 de julho de 1970, Ano X, número 491).

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Rejane de Rezende Simões
Miss Clube de Regatas Flamengo
 quarto lugar


"A torcida preferia Rejane Simões, a candidata do Flamengo"
Imagem e comentário: Fatos & Fotos
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Sônia Silva
 Miss Renascença Clube
terceiro lugar



"Sem dúvida alguma, foi mais uma vez o Clube Renascença que ganhou a batalha das arquibancadas, cuja torcida não quis aceitar a decisão do júri, manifestando-se com vaias e assobios, quando o veredicto foi dado. No desfile de maiô, a mulata Sônia Silva, do Renascença, provocou um verdadeiro delírio do público, sobretudo quando rodopiou brejeiramente ao fazer o primeiro “pivot” na passarela."
 Imagem: Fatos & Fotos - Comentário: O Cruzeiro, 23/06/1970
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Maria Helena Leal Lopes
Miss Telefônica Atlético Clube
segundo lugar


·      Ela tinha alcançado grande notoriedade em todo o Brasil no ano anterior, quando foi capa das maiores revistas brasileiras da época, O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos. Era a favorita ao título de  Miss Guanabara 1969, mas o Juizado de Menores proibiu sua participação, por não ter 18 anos completos. 
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  "Miss Telefônica demonstrou vivo embaraço ao ser classificada em segundo lugar. Parecia muito nervosa ao final da festa."  
Imagem: Fatos & Fotos - Comentário: O Cruzeiro, 23/06/1970 
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Eliane Fialho Thompson
Miss Floresta Country Club
primeiro lugar



A escolha de Eliane não chegou a ser surpresa. Só mesmo ela pensava num segundo ou terceiro lugar, por um motivo que acabou não prevalecendo: o clube que ela representava não tem a força popular de um Renascença ou de um Flamengo, que acabaram em terceiro e quarto, respectivamente. Eliane estuda engenharia, fala três idiomas e pratica esporte. Detalhe: Miss Guanabara não é carioca. Nasceu em Barra do Piraí.
Imagem: Fatos & Fotos - Comentário: Manchete, 27/06/1970

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Eliane Fialho Thompson foi consagrada pelo público que compareceu ao Pavilhão de São Cristóvão. No momento em que seu nome foi pronunciado, todas as candidatas correram para abraçá-la, demonstrando a grande camaradagem entre as participantes do concurso. Depois veio a volta triunfal pela passarela, quando Eliane mereceu os aplausos de todos os presentes.
Comentário: O Cruzeiro, 23/06/1970
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          Na comissão julgadora, composta por doze pessoas, estavam cinco Misses: Patrícia Lacerda (Miss Distrito Federal 1954); Vera Lúcia Couto (Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil, terceiro lugar no Miss Beleza Internacional 1964); Maria Raquel Helena de Andrade (Miss Guanabara, Miss Brasil, semifinalista/top 15 no Miss Universo 1965); Ana Cristina Ridzi (Miss Guanabara, Miss Brasil 1966); e Vera Lúcia Castro (Miss Guanabara, semifinalista/Top 8 no Miss Brasil 1967).  
           As outras personalidades foram: Carlos Rangel (chefe de redação de O Cruzeiro); Oscar Bloch (da direção de Manchete); Henrique Pongetti (jornalista); Billy Blanco (compositor); Venâncio Igrejas (Ministro); Otacílio Braga (diretor de turismo da Guanabara) e Elba Barbosa Nogueira (coreógrafa).
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      Naquele 1970, os concursos Miss Guanabara e Miss Brasil foram realizados no Pavilhão de São Cristóvão, Rio de Janeiro, pois o Maracanãzinho tinha sofrido um incêndio e estava em reformas. Eliane Fialho Thompson foi eleita Miss Brasil e ficou entre as quinze semifinalistas do Miss Universo 1970, realizado em Miami Beach. O Brasil conquistou no México o tricampeonato brasileiro de futebol. 


        Naquele 1970, as atenções de todo o país estavam de olho na Copa do Mundo e nas misses. Futebol, Carnaval e Misses (nem sempre nessa ordem)  ainda eram as três maiores paixões do povo brasileiro. 

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sábado, 24 de maio de 2014

SESSÃO NOSTALGIA – As surpreendentes revelações de Eliane Fialho Thompson, Miss Brasil 1970, durante entrevista a Marcos Hirakawa

Daslan Melo Lima


A beleza de Eliane Fialho Thompson, quarenta e quatro anos depois de ter sido eleita Miss Brasil. ***** Foto: Arquivo Pessoal.

     O Facebook tem sido um espaço virtual fantástico para os fãs dos concursos de Misses. Opiniões, recordações e colaborações postadas nas páginas dos internautas fazem com que os experts interajam não apenas entre si, mas com vencedoras de concursos do passado e do presente. O meu amigo Marcos Hirakawa, de São Paulo, SP, entrevistou na segunda-feira, 19, Eliane Fiallho  Thompson, Miss Guanabara, Miss Brasil e semifinalista no Miss Universo 1970. 

  
Marcos conduz suas entrevistas fazendo as perguntas em três idiomas, português, inglês e espanhol, a fim de facilitar a comunicação com personalidades que não se expressam em nossa língua. A matéria com a Eliane Fialho Thompson foi uma das melhores já feitas. Agradeço ao Marcos Hirakawa  por ter me dado a devida permissão para reproduzir a entrevista nesta secção. Vale a pena conferir.
>>> Marcos Hirakawa. ***** Foto Arquivo Pessoal.
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Marcos Hirakawa - Em que cidade, estado e país você nasceu e onde vive atualmente?
Eliane Fialho Thompson - Nasci numa cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro, chamada Piraí. Atualmente moro em Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro.
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MH - Trabalha?
EFT -  Sou formada em Jornalismo e tenho vários livros a serem publicados, porém, ainda nas gavetas. Sou artista plástica com exposições no Brasil e no exterior. Sou empresária no setor de fabricação de produtos ecológicos para limpeza industrial (14 anos).
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MH - Pode nos contar um pouco de sua vida antes de ser eleita a Miss Guanabara 1970?
EFT - Em 1968, eu morava em Barra Mansa, uma cidade ao sul do Estado do Rio. Apareceu na minha casa uma comitiva da organização do concurso para que eu me candidatasse. A insistência foi grande, mas não aceitei porque tinha acabado de entrar para a Universidade de Engenharia. A pressão foi ficando cada vez maior até que não resisti e acabei aceitando no ano seguinte.
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MH  - Onde e quando foi realizado o Miss Brasil 1970? Pode nos contar alguma coisa interessante sobre os bastidores do concurso?
EFT  - O Maracanãzinho havia se incendiado e o concurso foi realizado no Pavilhão de São Cristóvão, mas o concurso não perdeu o seu brilho e o seu glamour por causa disso. O prestígio de ser uma Miss Brasil continuava em alta. Foi no mês de julho, parece-me que sim, nos bastidores me perguntavam se eu havia bebido algum calmante, tamanha era a minha tranquilidade ao encarar todo aquele público, a mídia e a passarela pela primeira vez.
>>> Eliane, Miss Guanabara, coroada Miss Brasil 1970 por Vera Fischer, Miss Santa Catarina, Miss Brasil 1969. ***** Foto:  Manchete.

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MH - A Maria Augusta atuou no Miss Brasil de 1970? Quais foram os apresentadores do Miss Brasil 1970? Foi vaiada ou muito aplaudida pelo público ao vencer o Miss Brasil 1970?
EFT - A Maria Augusta era quem instruía as misses através da Socila. Eu não me lembro de ter sido vaiada, talvez porque os jornais e revistas já me indicavam como favorita ao título. Na época, o olho clínico dos jornalistas e fotógrafos contavam muito para a análise dos jurados.
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MH - Foi recebida pelo governador da Guanabara e pelo presidente do Brasil?
EFT - Fui muito bem recebida pelo governador Negrão de Lima. O Presidente era o General Garrastazu Médici. Não fui recebida por ele por motivos que falarei adiante.
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MH - Pode nos contar como foi a sessão fotográfica na editora Bloch que editava as revistas Manchete e Fatos e Fotos onde posou de coroa e faixa ao lado da Miss Brasil 1969, Vera Fischer? O que acha da beleza da Vera Fischer? Gosta dela como atriz?
EFT -  Logo após o desfile como ganhadora, aconteceu uma avalanche de fotógrafos e flashes. Tudo muito inusitado para mim. A revista Manchete colocou uma foto em close-up na capa e no dia seguinte foi um choque ao ver grandes posters com meu rosto (sem maquiagem alguma). Lembro-me vagamente desses momentos porque somos muito solicitadas pelos jornalistas e fotógrafos. Eu a vi no ônibus que retornava com as misses. Fiquei meio decepcionada porque me dirigi a ela dizendo: "Nossa! Como você é linda!" Ela simplesmente virou o rosto. Hoje entendo o seu momento de mau humor. Eu não segui a carreira dela porque fui morar na França. Logo que retornei eu a vi atuando nas novelas. Lindíssima! Porém, eu não conseguia vê-la sob as personagens que representava. Com o tempo, acho que sua atuação piorou, também hoje sei o porquê. Pena.
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MH - Por qual companhia aérea você voou para Miami nos EUA?  Tem alguma coisa interessante para contar sobre o voo?
EFT - Tenho o nome da Cia Aérea numas fotos que não estão aqui no momento. Viajei com minha mãe, Sra. Terezinha (Maiôs Catalina) e seu marido Renato - um casal mega delicado, só guardo excelentes recordações deles!
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MH - Logo que pisou no hotel e viu as candidatas internacionais, a Miss USA, Deborah Shelton lhe chamou a atenção? Ela era a sua favorita ao título de Miss Universo 1970 ou tinha outras em mente?
EFT - Um detalhe muito importante: o atraso de minha ida me prejudicou muitíssimo. Não participei da foto oficial do poster com todas as candidatas ao Miss Universo e não participei do encontro oficial que todas as Misses têm com os jurados, um passo a mais para o self-marketing. Não tive tempo de experimentar todos os acessórios que usaria no desfile. Certos detalhes muito importantes que exponho aqui pela primeira vez. As que mais me impressionaram pela beleza foram a Debbie Shelton (ameríndia) e a Miss Suécia. Hoje vejo que a sueca tinha uma beleza bem americanizada, mais comum nos Estados Unidos. Debbie, além de belíssima, era extremamente amável, ficamos amigas.
>>> Imagem: foto da capa da revista Manchete. Em pé, da esquerda para a direita, Ana Cristina Ridzi (Miss Guanabara e Miss Brasil 1966), Martha Vasconcellos (Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968); Ieda Maria Vargas (Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil e Miss Universo 1963) e Eliane Fialho Thompson (Miss Guanabara e Miss Brasil 1970). Sentada, Eliane Guimarães, Miss Minas Gerais, Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1971).
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MH - Até os fotógrafos e editores das revistas  gostaram da Debbie Shelton chegando a colocar a Miss USA 1970 ao seu lado na capa da revista Fatos e Fotos, certo? Sabia que você , Eliane Fialho Thompson e a Miss USA, Deborah Shelton, tinham um mesmo biótipo de beleza: ambas com cabelos longos e lisos, uma loura e outra morena, certo?
EFT - Eu achava que ela seria a Miss U. Acho que fomos muito fotografadas juntas porque ficamos amigas logo que nos conhecemos.


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MH - Quais eram as suas favoritas ao top 15 de semifinalistas? Deu para perceber quais candidatas eram as favoritas dos jornalistas e fotógrafos?
EFT -  Muitas delas, porém vou confessar-lhe que a Miss Porto Rico foi uma surpresa para todos e a Miss Japão em 5º lugar também foi uma decepção para os brasileiros, mas  o juri é formado por culturas ecléticas, normalmente as escolhas trazem sempre surpresas. Com exceção das candidatas da Venezuela que se dedicam ao Concurso desde que nascem. (Risos).
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MH -  As chaperonas pegavam pesado com as candidatas no MU 1970? Qual a impressão que teve do apresentador Bob Barker nos ensaios? Lembra de algum dos jurados?
EFT - A minha "chaperonne" era a Ana Maria Cumba. Nunca vi pessoa mais doce e educada. Tornamo-nos muito amigas também. Pensando bem, acho que o apresentador Bob me prejudicou um pouco na entrevista, sem má intenção. Chamou-me e me ditou o que deveria ser dito sobre os meus irmãos. A minha entrevista ficou bem enfraquecida com o que ele me orientou. Se fosse hoje, em que as perguntas e respostas são sorteadas, talvez eu não parecesse tão ridícula.
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MH - Um jurado brasileiro chamado Edilson Cid Varela dos Diários e Emissoras Associados tinha cadeira cativa no júri do MU, certo? Chegou a ter algum contato com ele após a final?
EFT - Pela primeira vez falo sobre isso, (risos). Essa entrevista está me levando ao jogo das verdades.  O Sr. Edilson Varela , dos Diários Associados, não havia ficado muito feliz com o meu título. Mais um motivo que me deixa orgulhosa por não ter havido falcatruas na minha escolha! A noiva de um dos diretores dos Diários Associados era a Miss Goiás Nara Rúbia, liiinda por sinal. O rosto lindo, mas suas medidas eram desproporcionais. Ela ficou em 3º lugar no concurso e, pour cause, foi o único Estado que não fui recebida. Acho que o jurado Edilson Varela não votou em mim no Miss Universo! Presumo. Durante o ano, como Miss Brasil, passei por algumas "saias justas" por causa disso.
>>> Na imagem, as finalistas do Miss Brasil 1970. Maria Bernadete Heemann, Miss Rio Grande do Sul, quarto lugar; Sônia Yara Guerra, Miss São Paulo, segunda colocada; Eliane Fialho Thompson, Miss Guanabara, primeiro lugar; e Nara Rúbia Monteiro, Miss Góias, terceira colocada.***** Foto: revista O Cruzeiro.
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MH - Lembra qual o artista que se apresentou na noite final do Miss Universo?
EFT - Infelizmente não me lembro, mas tinha una voz linda!
>>> Detalhe: O cantor era John Rowe, da Nova Zelândia. 
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MH - Tinha muitos brasileiros na plateia? A torcida brasileira era a mais barulhenta de todas?
EFT - Deu uma sensação de conforto quando os brasileiros fizeram aquela barulheira toda. Deixou-me ainda mais descontraída e relax do que normalmente sou até hoje.
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MH - O Brasil tinha vencido a Copa do Mundo de Futebol no México e você homenageou a seleção usando um traje típico em sua homenagem, certo? Você gostou deste traje típico?
EFT - Foi minha mãe quem sugeriu a camisa 10 do Pelé! Ela era uma pessoa muito antenada e à frente de seu tempo devido a sua cultura. Esse traje típico fugiu à regra de todos os anos uma Miss Brasil se apresentar sempre com o traje típico de baiana!
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MH - Se tivesse o segmento de perguntas e respostas no Miss Brasil de 1970 e eu fosse um dos jurados e lhe fizesse a seguinte pergunta: Você se sentiu um objeto sexual por ter participado do Miss Guanabara e Miss Brasil?
EFT - Não havia , em hipótese nenhuma, esse espírito de "objeto sexual" num desfile de misses porque existe um glamour que transcende ao sensualismo e ao apelo sexual. Sentir-se "usada" num concurso de beleza? Jamais!
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MH - Se eu fosse um dos jurados do Miss Universo 1970 e você fosse uma das top 5 e lhe perguntasse : Você acha que o homem ter chegado à Lua foi um grande marco da humanidade em 1969? Por quê?
EFT -  Em geral analisa-se o fato do homem ter chegado à Lua. O mais importante de tudo são as pesquisas desenvolvidas até então. Sinto-me uma privilegiada por estar envolvida nesta era da informática.
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MH - O que você achava da participação americana na Guerra do Vietnam em 1970 e da presença americana?
EFT - Estou lendo o livro "História das Guerras",  de Demetrio Magnoli. Interessante porque nos dá a visão dos recuos e avanços da humanidade com relação às conquistas. A Guerra do Vietnam foi marcada por atrocidades, mas em termos de história, o tempo ainda é curto para análises mais aprofundadas sobre esse período conturbado pelas guerras frias e o poderio político que envolvia essas dicotomias entre capitalismo e  comunismo no sudeste asiático?
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MH - Você achou justo o top 5 do MU 1970? Acha que você merecia estar no lugar de algumas das finalistas? (Miss Japão, Porto Rico, USA, Austrália e Argentina )
EFT - Como citei anteriormente, o júri é formado por pessoas com conceitos e culturas ecléticas. Fica difícil prever um julgamento num concurso de beleza. Eu estava muito feliz em estar ali representando o meu país, haja vista que acabara de sair de um banco de faculdade, lugar este conseguido com muito estudo e esforço.
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MH -  Gostou do resultado da vitória da Marisol Malaret de Porto Rico como a Miss Universo 1970? Chegou a ter algum contato com a Marisol para ter uma ideia de como é a personalidade da Miss Universo de 1970?
EFT - A eleição da Marisol foi una surpresa para a maioria. O pouco contato que tive com ela aqui na extinta FENIT, não se mostrou uma pessoa de muitos amigos. Talvez pela responsabilidade do título. Claro que ela era bela, mas uma beleza mais comum.
>>> Acima, o Top 5 do Miss Universo 1970. Da esquerda para a direita, Jun Shimada, Miss Japão, quarto lugar; Deborah Dale Shelton (Debbie Shelton), Miss Estados Unidos, segunda colocada; Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico, primeiro lugar; Joan Lydia Zealand, Miss Austrália, terceira colocada; e Beatriz Marta Gros, Miss Argentina, quinto lugar. ***** Foto: sunflowerqueen-universe.
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MH - As top 5 do Miss Universo 1970 vieram ao Brasil? Você chegou a acompanhar as visitantes em seus compromissos no Brasil?
EFT - Vieram para entrevistas na extinta TV Tupi e para os desfiles da FENIT. Recepcionei as cinco aqui no Brasil.
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MH - Quando você retornou ao Brasil, como foi recebida pela imprensa e pelo povo?
EFT - Todos uns fofos. Sabe aquela fábula da coruja com os seus filhos? Eu me senti assim por onde passava, sempre muito bem acolhida por todos. Havia um espírito solidário muito forte entre os grupos que nos recebia nas ruas, avenidas, clubes, etc. Éramos tratadas como autoridades. Os valores foram se transformando, ainda bem, pois sou sempre a favor das mutações em se tratando de conceitos.
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MH - Durante o seu reinado, viajou por todo o Brasil? Ganhou muitos presentes? Foi recebida como?
EFT - Passei por quase todos os Estados brasileiros exceto Goiás, pelos motivos expostos . Nessa época éramos recebidas como autoridades máximas da beleza. Eu não sabia mais como guardar tantas joias, presentes caros, roupas, acessórios, etc. Na maioria das vezes embarcava com uma só mala e retornava com excesso de bagagens, tantos eram os presentes. Época áurea do concurso!
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MH - Em 1970 todas as candidatas do Miss Universo foram ao Japão para a EXPO 70 em Osaka, certo? Pode nos contar como foi a viagem e o que achou do Japão?
EFT - Eu fui muito boicotada pelos Diários Associados pelas razões que já expus nas respostas anteriores. Nem fiquei sabendo desse evento. Uma pena!
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MH -  O que fez depois de terminado o seu reinado como a Miss Brasil 1970?
EFT - Logo após o concurso eu fui morar em Paris, onde permaneci por quase seis anos.
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MH -  O que acha da atual situação do Brasil em comparação com o ano de 1970? O que melhorou e o que piorou?
EFT - Da década de 70 pra cá muitas coisas mudaram. Foram incontáveis as mudanças. Como jornalista, sinto de perto a guinada na comunicação com sua instantaneidade. Isso fez com que o elo cultural se aprimorasse, novos conceitos, novos paradigmas se formaram. Avanços em inúmeros setores e o homem na sua luta árdua em perpetuar a espécie através das pesquisas. A luta constante entre o bem e o mal, aspectos inerentes à capacidade de qualquer um. Comportamentos diversos que estão diretamente ligados aos que habitam nesta grande tribo.
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MH - Em 1970, o Brasil venceu a Copa do Mundo de Futebol no México e você homenageou a seleção usando um traje típico de uniforme do time brasileiro, certo? Hoje, no ano de 2014, o Brasil estará sediando a Copa do Mundo, certo? Você é a favor ou contra a realização do evento no Brasil cheio de problemas?
EFT - Essas manifestações têm sido muito ruins para a imagem do nosso país no exterior, tendo em vista que toda a mídia está voltada para cá. Eu só não entendo por quê eles não fizeram essas manifestações na época em que o Brasil foi sorteado. O brasileiro sempre entra na onda atrasado. Agora é tarde para reclamar dos estádios prontos, das frases feitas sobre os "padrões Fifa", etc. O Brasil precisa fazer gerar a máquina do turismo. O mundo inteiro se dedica a isso e nós, como sempre, na contramão da maré. Teríamos que, ao contrário, aproveitar esta oportunidade para gerar atrativos maiores, gerar coisas positivas além de país de samba, futebol, turismo sexual, etc. Enfim, os marketeiros de plantão que se safem dessa!
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MH - O que acha das candidatas do Miss Brasil e do Miss Universo nos dias de hoje em comparação com os anos 70?
EFT - São todas muito lindas, produzidas e lançam mão de tidos recursos possíveis para chegarem à quase perfeição em termos de estética. Porém, acontece um fenômeno interessante em que os tipos de beleza se padronizaram em estereótipos de modelos profissionais de moda. Elas já saem prontas para qualquer grife. Não há desmerecimento nisso, apenas os padrões de beleza mudaram.
>>> Na foto, da esquerda para a direita, Vera Lúcia Couto Santos, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e terceiro lugar no Miss Beleza Internacional 1964; Ana Cristina Ridzi, Miss Guanabara e Miss Brasl 1966; Roberto Macêdo, jornalista; Lúcia Tavares Petterle, Miss Guanabara, vice-Miss Brasil e Miss Mundo 1971; e Eliane Fialho Thompson, Miss Guanabara e Miss Brasil 1970,  convidados especiais do concurso Senhorita São Carlos 2003, em São Carlos, SP. ***** Imagem:Acervo/Roberto Macêdo. 
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MH -  Você convidaria seus amigos para vir visitar o Rio de Janeiro? Como você se sentiria se seus amigos viessem e fossem assaltados, machucados ou mortos no Rio?
EFT - Claro que sim! Temos que saber se essas pessoas estão mesmo querendo vir depois desse marketing negativo que está sendo divulgado lá fora.
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MH - O que você pode falar de positivo sobre o Rio para que os estrangeiros fiquem com vontade de visitar a Cidade Maravilhosa?
EFT - O momento está meio tenebroso com todas essas manifestações, queima de ônibus, greves, vandalismos. Ainda nem pensei numa maneira mais diplomática para refazer essa imagem negativa daqui do Rio e do Brasil em geral.
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MH  - O que você está achando do mandato da presidenta Dilma Roussef?
EFT - Ficarei lhe devendo esta (risos). Eu prefiro não falar sobre governos e desgovernos. Basta vermos as pesquisas que são feitas para se obter avaliações e índices mundiais sobre EDUCAÇÃO, QUALIDADE DE VIDA, ECONOMIA, FINANÇAS, que o Brasil sempre aparece nos cinco últimos lugares dos ranks. Que existe algo errado,  existe, Então, não dá para se ficar com retóricas e discursos demagógicos de que o país vai bem. A realidade dos índices são divulgados em vários idiomas. Gente, por favor, temos internet!
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MH - Se você fosse a presidente do Brasil, qual seria a sua primeira ação para satisfazer a população de seu país?
EFT - Eu acabaria com esses benefícios, essas esmolas sociais. Com o dinheiro dessas esmolas, eu ofereceria excelentes escolas, criaria métodos para desenvolver o raciocínio das pessoas, enfim, tudo teria que começar pela educação.
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MH - Mantem algum contato com algumas das vencedoras do Miss Brasil?
EFT- Sim. Cristina Ridzi, é uma delas.
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MH - Na sua opinião qual a Miss Brasil mais linda da história?
EFT- Eu acho a Natália Guimarães. Linda, simpática. Porém, torna-se impossível falar de uma só pessoa. Existem mulheres lindíssimas que ganharam o concurso. A Martha Rocha é de uma beleza estonteante, colorida. Enfim, muitas.
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MH - Gostou de ser entrevistada? Quer deixar uma mensagem?
EFT - É sempre muito bom se ter a oportunidade de expor pensamentos, rememorar momentos marcantes em nossas vidas. Agradeço-lhe por esta oportunidade.
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MH - Muito Obrigado Eliane Thompson, Miss Brasil 1970 pela entrevista!

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     Na época dourada do Miss Brasil, as  mais importantes revistas do país faziam as coberturas dos certames. Aquele tempo se foi e elas deixaram saudades, Mundo Ilustrado, O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos. Mas nem tudo se perdeu e hoje temos esta coisa fantástica chamada Internet, com as redes sociais e as informações do mundo inteiro com a facilidade de um simples clique. Foi logo após a entrevista que Eliane ficou surpresa, e eu também,  com a postagem de um leitor informando a morte da gaúcha Maria Bernadete Heemann, sua colega finalista no Miss Brasil 1970, ocorrida no dia 07 do mês passado,  vítima de câncer no pâncreas. 

Eliane Fialho Thompson, a simpatia da Miss Brasil 1970. ***** Foto: Arquivo Pessoal.

     Nem tudo se perdeu e hoje temos a Internet, com pessoas que adoram Misses, como o Marcos Hirakawa, a quem agradeço pela autorização que me deu para transcrever a entrevista da Miss Brasil 1970. 
      Nem tudo se perdeu e hoje temos a Internet, com Misses como a Eliane Fialho Thompson, que se orgulha do seu reinado de Miss e não hesita revelar as experiências únicas adquiridas graças a um título mágico de Miss, Miss para sempre Miss. 

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sábado, 16 de outubro de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - CONCURSO MISS GUANABARA 1970


Daslan Melo Lima 

PRÓLOGO

          O Rio estava em festa. Mas não por ser a noite da escolha da mais bela de todas as cariocas. Horas antes, o Brasil vencera o Peru e passara às semifinais da Copa do Mundo. Talvez por isso um público muito entusiasmado, mas pouco numeroso, foi até o Pavilhão de São Cristóvão (substituto eventual da passarela de beleza do Maracanãzinho, destruído por um incêndio). A não ser por isso, tudo foi como sempre. A mais loura foi a eleita, a mulata a mais aplaudida. O júri deve ter lá suas razões: Eliane Fialho Thompson, do Floresta Country Club, é a nova Miss Guanabara. (Revista Manchete, 27/06/1970)

Era tempo de Copa do Mundo. A Seleção Brasileira de Futebol brilhava no México, rumo ao tricampeonato mundial , mas quem estava na capa da importante revista O Cruzeiro era o Top 3 do Miss Guanabara 1970. Da esquerda para a direita: Maria Helena Leal Lopes (Miss Telefônica Atlético Clube, segundo lugar), Eliane Fialho Thompson (Miss Floresta Country Club, primeiro) e Sônia Silva (Miss Renascença Clube, terceiro lugar).

 
          O Pavilhão de São Cristóvão transformou-se em sede da beleza carioca, reunindo 24 candidatas que disputaram mais um título de Miss Guanabara. A festa promovida pelos Diários Associados contou com o patrocínio de Helena Rubinstein e dos maiôs Catalina, com a efetiva colaboração da Secretaria de Turismo.
          A nova Miss Guanabara tem 21 anos, longos cabelos louros e olhos verdes. Suas medidas: 1,71 de altura, 56 quilos, 90 cm de busto, 60 cm de cintura, 53 cm de coxa e 22 cm de tornozelo. Fala corretamente o francês e o inglês e entre suas diversões prediletas cita a dança como a principal. (Revista O Cruzeiro, 23/06/1970)

SÔNIA SILVA, MISS RENASCENÇA, A FAVORITA DO PÚBLICO

          Se dependesse dos aplausos da maioria do  público que estava naquela noite de junho no Pavilhão de São Cristóvão, a mulata Sônia Silva, Miss Renascença Clube, terceira colocada, teria sido eleita Miss Guanabara 1970, enquanto a loura Rejane de Rezende Simões, Miss Clube de Regatas Flamengo, quarta colocada, teria conquistado o segundo lugar.




         Miss Renascença, com um belo vestido de franjas, uma das mais aplaudidas da noite, contou com uma grande torcida, mas ficou em 3º lugar. Sem dúvida alguma, foi mais uma vez o Clube Renascença que ganhou a batalha das arquibancadas, cuja torcida não quis aceitar a decisão do júri, manifestando-se com vaias e assobios, quando o veredicto foi dado. Ao lado de Miss Renascença, Rejane de Rezende Simões, candidata do Flamengo, contou com a simpatia popular do seu clube, recebendo muitos aplausos
          Já quando desfilaram em longo, as favoritas do público se delineavam como possíveis finalistas. No desfile de maiô, a mulata Sônia Silva, do Renascença, provocou um verdadeiro delírio do público, sobretudo quando rodopiou brejeiramente ao fazer o primeiro “pivot” na passarela. 


          A torcida do Renascença exibia uma faixa gigante com os dizeres: “SÕNIA, A SUPERMULATA”. Maria Augusta, diretora da Socila e orientadora do desfile, deu uma bronca em Miss Renascença ao fim de seu desfile, por causa do exagero com que fez o “pivot” na passarela. Foram suas palavras textuais: “Não faça isso, minha filha, que você se prejudica."
(O Cruzeiro, 23/06/1970)

AS FINALISTAS E A COMISSÃO JULGADORA

As quatro finalistas do Miss GB 1970. Da esquerda para a direita, Rejane de Rezende Simões (Miss Clube de Regatas Flamengo, quarto lugar); Sônia Silva (Miss Renascença Clube, terceiro); Eliane Fialho Thompson (Miss Floresta Country Clube, primeiro); e Maria Helena Leal Lopes (Miss Telefônica Atlético Clube, segundo lugar). Foto: O Cruzeiro, 23/06/1970.
          As oito finalistas do Miss Guanabara 1970 foram: Eliane Fialho Thompson (Miss Floresta Country Club, primeiro lugar); Maria Helena Leal Lopes (Miss Telefônica Atlético Clube, segundo); Sônia Silva (Miss Renascença Clube, terceiro); Rejane de Rezende Simões  (Miss Clube de Regatas Flamengo, quarto lugar); Maria de Lourdes Veiga (Miss Botafogo); Rosa Maria de Almeida Mattos (Miss Vila Isabel); Rosária de Lima (Miss Casa do Marinheiro); e Sandra Maria Santos de Souza (Miss Marã Tênis Clube). 

          Detalhe: Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube, tinha alcançado grande notoriedade em todo o Brasil no ano anterior, quando foi capa das maiores revistas brasileiras da época, O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos. Era a favorita ao título de  Miss Guanabara 1969, mas o Juizado de Menores proibiu sua participação, por ela não ter 18 anos completos. Para muitos, Maria Helena teria sido imbatível em 1970, caso tivesse a ótima forma física que tinha em 1969.

          Miss Telefônica demonstrou vivo embaraço ao ser classificada em segundo lugar. Parecia muito nervosa ao final da festa. Os maiores e vivos protestos, quando se soube o resultado final, partiu da torcida do Vila Isabel. (O Cruzeiro, 23/06/1970) 
 
Nostalgia pura. Uma foto no mais clássico preto e branco, publicada na revista Manchete, de 27/06/1970, mostrando em outro ângulo as quatro finalistas do Miss Guanabara 1970. Da esquerda para a direita, Maria Helena Leal Lopes (Miss Telefônica Atlético Clube, segundo lugar); Eliane Fialho Thompson (Miss Floresta Country Clube, primeiro); Sônia Silva (Miss Renascença Clube, terceiro); e Rejane de Rezende Simões (Miss Clube de Regatas Flamengo, quarto lugar).
          Na comissão julgadora, composta por doze pessoas, estavam cinco Misses: Patrícia Lacerda (Miss Distrito Federal 1954); Vera Lúcia Couto (Miss Guanabara e vice-Miss Brasil 1964); Maria Raquel de Andrade (Miss Guanabara e Miss Brasil 1965); Ana Cristina Ridzi (Miss Guanabara e Miss Brasil 1966); e Vera Lúcia Castro (Miss Guanabara 1967).  As outras personalidades foram: Carlos Rangel (chefe de redação de O Cruzeiro); Oscar Bloch (da direção de Manchete); Henrique Pongetti (jornalista); Billy Blanco (compositor); Venâncio Igrejas (Ministro); Otacílio Braga (diretor de turismo da Guanabara) e Elba Barbosa Nogueira (coreógrafa).

EPÍLOGO 

A escolha de Eliane não chegou a ser surpresa. Só mesmo ela pensava num segundo ou terceiro lugar, por um motivo que acabou não prevalecendo: o clube que ela representava não tem a força popular de um Renascença ou de um Flamengo, que acabaram em terceiro e quarto, respectivamente. Eliane estuda engenharia, fala três idiomas e pratica esporte. Detalhe: Miss Guanabara não é carioca. Nasceu em Barra do Piraí. (Manchete, 27/06/1970)
Eliane Fialho Thompson foi consagrada pelo público que compareceu ao Pavilhão de São Cristóvão. No momento em que seu nome foi pronunciado, todas as candidatas correram para abraçá-la, demonstrando a grande camaradagem entre as participantes do concurso. Depois veio a volta triunfal pela passarela, quando Eliane mereceu os aplausos de todos os presentes. (O Cruzeiro, 23/06/1970)
              
          Eliane Fialho Thompson tinha vocação para Miss. Foi eleita Miss Brasil e obteve classificação entre as quinze semifinalistas do Miss Universo. Com inteligência, simpatia, disciplina, classe e categoria, a hoje internacionalmente consagrada artista plástica Eliane Thompson-Kronig, soube dar o valor devido ao seu reinado de beleza, iniciado naquela noite de junho, quando o Pavilhão de São Cristóvão, foi cenário do concurso Miss Guanabara 1970.

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sábado, 13 de março de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - A HISTÓRIA DE MARIA HELENA LEAL LOPES, VICE-MISS GUANABARA 1970

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Daslan Melo Lima

MARIA HELENA, A REEDIÇÃO DE UMA CRÔNICA

          Há dois anos, precisamente em 02/03/2008, sob o título "Maria Helena Leal Lopes, Vice-Miss Guanabara 1970", focalizei aqui a figura de um ícone da beleza brasileira dos anos sessenta, Maria Helena Leal Lopes. Dois anos depois, volto a reeditar a secção Sessão Nostalgia daquela data, devidamente revista e ampliada, por dois motivos: Primeiro, pelo prazer de relembrar um dos símbolos dos mágicos anos sessenta. Segundo, para homenagear o meu amigo Muciolo Ferreira, que celebra idade nova no dia 17 de março, jornalista e missólogo pernambucano, o maior fã de Maria Helena Leal Lopes.

MARIA HELENA, A PRIMEIRA INSCRITA NO MISS GUANABARA 1969


Ela é a primeira candidata ao Miss GB deste ano, lançada pelo Telefônica Atlético Clube. Por extenso, Maria Helena Leal Lopes. Morena de 18 anos que mora na Tijuca, e estuda no Colégio Pedro II. Leninha entrou confiante na parada. Que vai ser das maiores - nada menos de 40 clubes já pediram inscrição – e dará um Corcel estalando à vencedora.
(“Quem é Maria Helena?” - Texto de Ubiratan de Lemos e foto de Indalécio Wanderley - Revista O Cruzeiro, 24/04/1969).



A noite de 14 de junho ainda está um pouco longe, mas há uma quase-certeza que pode tornar-se definitiva até lá: a de que a primeira candidata a Miss Guanabara não será uma das últimas. Se o júri escolher Maria Helena Leal Lopes para o lugar de Maria da Glória Carvalho, atenderá, certamente, a uma ligação privilegiada, pois a moça é candidata do Telefônica Atlético Clube, e comparece com um número privilegiado, que são as suas medidas exatas. Por enquanto, Maria Helena não sonha com o sucesso imediato: prefere conquistá-lo na passarela do Maracanãzinho.
Quando ela surge na praia, ninguém acredita, mas é verdade: Maria Helena já foi uma menina gorda. Hoje pode se dar ao luxo de ter o espaguete entre as suas paixões.
(“Os Telefones Chamam Miss Guanabara” – Texto de Renato Sérgio - Fotos de Sebastião Barbosa. Revista Manchete, 26/04/1969)

MARIA HELENA, A GRANDE AUSENTE DAS PASSARELAS DE 1969


Esta moça bonita viveu horas de suspense para tentar ser miss. Maria Helena Leal, Miss Telefônica Atlético Clube, tem um rosto lindo, é graciosa, elegante, possui medidas harmoniosas (se perder dois centímetros de quadris fica perfeita), mas ninguém esperava que ela fosse proibida de se tornar Miss Guanabara por causa de um detalhe extra-estético: a falta de quatro meses em sua idade. Com 16 anos, ela concorreu ao Senhorita Rio e ninguém criou caso. Quando suas fotos começaram a aparecer nos jornais e nas revistas, houve quem dissesse que ela iria ganhar o Miss Guanabara de barbada. Mas antes teve de lutar com advogados e muito charme para resolver um problema de tempo que, mesmo para ela, uma jovem de 17 anos e oito meses, se tornou uma coisa muitíssimo importante.
Maria Helena tem 1,69m de altura, 56 quilos de peso, 60cm de cintura, 91cm de busto, 95cm de quadris e 56cm de coxa. 
(Revista Fatos & Fotos, 03/07/1969)

          No dia 21 de junho de 1969, enquanto 32 candidatas desfilavam na passarela do Maracanãzinho disputando o título de Miss Guanabara, milhares de pessoas lamentavam o fato de ali não estar desfilando a linda morena Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Nascida no dia 17/09/1951, Maria Helena não tinha ainda 18 anos completos, idade mínima exigida para concorrer ao título. Uma determinação do Juizado de Menores, uma semana antes, proibiu sua participação no certame.


Maria Helena Leal Lopes - Revista Fatos & Fotos, 03/07/1969

          Quem denunciou que Maria Helena era menor de idade? Ninguém soube informar. O Presidente do Telefônica Atlético Clube foi notificado que deveria provar a idade dela no prazo de 24 horas. Seus advogados recorreram, pois jamais poderiam provar que ela tinha 18 anos. Apresentaram um documento dos seus pais com firma reconhecida, autorizando sua participação. A coisa serenou e Maria Helena deu continuidade aos preparativos visando a disputa do Miss Guanabara.

         Seu pai precisou resolver uns negócios pessoais nos Estados Unidos e viajou certo da vitória da filha, levando dezenas de fotografias para distribuir por lá quando ela fosse coroada Miss Guanabara. Mas aí, veio o pior. Faltando apenas uma semana para a realização do concurso, o Juizado de Menores fez prevalecer a proibição legal.


Maria Helena Leal Lopes foi a grande ausente na passarela do Maracanãzinho. A candidata do Telefônica Atlético Clube, até as vésperas do concurso, era apontada como a mais séria candidata ao título de Miss GB. Uma determinão do Juizado de Menores retirou-a da competição, por não contar com 18 anos completos. Assim, Maria Helena ficou entre os espectadores, sabendo que sua vez de concorrer foi adida para 1970.
Sem nenhuma mágoa, Miss Telefônica aplaudiu todas as colegas que passavam diante de sua mesa. Se tinha preferências, guardou-as consigo. Logo que chegou ao Maracanãzinho, foi saudada por um coro monstro vindo das arquibancadas. Com sorrisos e acenos, agradeceu a ovação. Tão logo foi encerrada a festa, fez questão de cumprimentar a colega vencedora, no estúdio de O Cruzeiro, montado nos bastidores.
(Revista O Cruzeiro)

          A vencedora do Miss Guanabara 1969 foi a loura Mara do Carvalho Ferro, Miss São Cristóvão Imperial, quarta colocada no Miss Brasil. A repercussão da proibição de Maria Helena não participar do concurso Miss Guanabara 1969 rendeu matérias na imprensa nacional, lado a lado com outros casos que marcaram o mês de junho do último ano da década de 1960:
1 - A derrota da seleção inglesa no Maracanã, que excursionava pela América Latina, diante da seleção brasileira, aumentando a esperança de que o Brasil poderia ser tricampeão mundial no ano seguinte;
2 - O encontro de Nelson Rockfeller (1908-1979), Governador de New York, com o Marechal Artur da Costa e Silva (1899-1969), Presidente do Brasil, em Brasília;
3 - A morte de Cacilda Becker (1921-1969);
4 - A eleição de Georges Pompidou (1911-1974), Presidente da França;
5 - O nascimento de Carlo Ponti Jr, o esperado primogênito de Sophia Loren e Carlo Ponti (1912-2007);
6 - A recepção a Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, o Papa Paulo VI (1897-1978), em Genebra;
7 - O sucesso do filme Buillit, de Peter Yates, estrelado por Steve McQueen (1930-1980).

MARIA HELENA, VICE-MISS GUANABARA 1970


Maria Helena Leal Lopes - Foto: revista O Cruzeiro

          Como seus sonhos de participar do Miss Guanabara 1969 foram frustrados, Maria Helena não teve dúvida de transferi-los para o ano seguinte. Em 1970, no Pavilhão de São Cristóvão, uma vez que o Maracanãzinho tinha sofrido um incêndio, lá estava Maria Helena, tranqüila, linda, disputando o Miss Guanabara, representando o Telefônica Atlético Clube. Perdeu para a loura Eliane Fialho Thompson, Miss Floresta Country Clube, eleita depois Miss Brasil e uma das 15 semifinalistas do Miss Universo 1970, vencido por Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico. 

MARIA HELENA, CERTAS COISAS SÓ ACONTECEM UMA VEZ NA VIDA

          Quando o Juizado de Menores descartou a possibilidade de Maria Helena disputar o Miss Guanabara 1969, assim ela desabafou à revista MANCHETE, de 28/06/1969 :

Não sei bem porque me candidatei a Miss Guanabara. Acho que, conscientemente, um pouco era para expandir a minha vivacidade. Admito que todas nós participamos de concursos de beleza com uma certa dose de vaidade. Mas, isso, toda mulher tem (e quase todos os homens também). A vaidade faz parte do ser humano. Mamãe é que não quer mais ouvir falar no assunto – diz que não quer ver o concurso nem pela televisão, porque acha que certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.

          Minha estimada Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube 1969/1970, vice- Miss Guanabara 1970, sua mãe tinha toda razão. Certas coisas só acontecem uma vez na vida e não se repetem nunca mais. Você poderia ter sido a sucessora perfeita de Maria da Glória Carvalho, Miss Guanabara 1968, que trouxe do Japão o nosso primeiro e único título de Miss Beleza Internacional. Você poderia ter composto um excelente Top 3 no Miss Brasil 1969, ao lado da catarinense Vera Fischer (Miss Brasil) e da paulista Maria Lúcia Alexandrino dos Santos (vice-Miss Brasil ). Você poderia ter ficado à frente de Eliane Fialho Thompson, embora alguns achassem que você estivesse acima do peso ideal, ter sido Miss Guanabara e Miss Brasil, e despontado como favorita do concurso Miss Universo 1970, ao lado da americana Debbi Shelton (vice-Miss Universo), com quem tinha um biótipo parecido. Poderia... Poderia... Poderia... Coisas do destino. Fazer o que Maria Helena Leal Lopes? Estava escrito.

          E hoje, ao sentirmos saudades daquela época, o vento sopra nos seus, nos meus e nos ouvidos do meu amigo Muciolo Ferreira a voz de sua Mãe dizendo:
Certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.
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A primeira crônica de PASSARELA CULTURAL dedicada a Maria Helena Leal Lopes poderá ser conferida neste link:
http://passarelacultural.blogspot.com/2008/03/sesso-nostalgia-maria-helena-leal-lopes.html

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