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sábado, 13 de março de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - A HISTÓRIA DE MARIA HELENA LEAL LOPES, VICE-MISS GUANABARA 1970

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Daslan Melo Lima

MARIA HELENA, A REEDIÇÃO DE UMA CRÔNICA

          Há dois anos, precisamente em 02/03/2008, sob o título "Maria Helena Leal Lopes, Vice-Miss Guanabara 1970", focalizei aqui a figura de um ícone da beleza brasileira dos anos sessenta, Maria Helena Leal Lopes. Dois anos depois, volto a reeditar a secção Sessão Nostalgia daquela data, devidamente revista e ampliada, por dois motivos: Primeiro, pelo prazer de relembrar um dos símbolos dos mágicos anos sessenta. Segundo, para homenagear o meu amigo Muciolo Ferreira, que celebra idade nova no dia 17 de março, jornalista e missólogo pernambucano, o maior fã de Maria Helena Leal Lopes.

MARIA HELENA, A PRIMEIRA INSCRITA NO MISS GUANABARA 1969


Ela é a primeira candidata ao Miss GB deste ano, lançada pelo Telefônica Atlético Clube. Por extenso, Maria Helena Leal Lopes. Morena de 18 anos que mora na Tijuca, e estuda no Colégio Pedro II. Leninha entrou confiante na parada. Que vai ser das maiores - nada menos de 40 clubes já pediram inscrição – e dará um Corcel estalando à vencedora.
(“Quem é Maria Helena?” - Texto de Ubiratan de Lemos e foto de Indalécio Wanderley - Revista O Cruzeiro, 24/04/1969).



A noite de 14 de junho ainda está um pouco longe, mas há uma quase-certeza que pode tornar-se definitiva até lá: a de que a primeira candidata a Miss Guanabara não será uma das últimas. Se o júri escolher Maria Helena Leal Lopes para o lugar de Maria da Glória Carvalho, atenderá, certamente, a uma ligação privilegiada, pois a moça é candidata do Telefônica Atlético Clube, e comparece com um número privilegiado, que são as suas medidas exatas. Por enquanto, Maria Helena não sonha com o sucesso imediato: prefere conquistá-lo na passarela do Maracanãzinho.
Quando ela surge na praia, ninguém acredita, mas é verdade: Maria Helena já foi uma menina gorda. Hoje pode se dar ao luxo de ter o espaguete entre as suas paixões.
(“Os Telefones Chamam Miss Guanabara” – Texto de Renato Sérgio - Fotos de Sebastião Barbosa. Revista Manchete, 26/04/1969)

MARIA HELENA, A GRANDE AUSENTE DAS PASSARELAS DE 1969


Esta moça bonita viveu horas de suspense para tentar ser miss. Maria Helena Leal, Miss Telefônica Atlético Clube, tem um rosto lindo, é graciosa, elegante, possui medidas harmoniosas (se perder dois centímetros de quadris fica perfeita), mas ninguém esperava que ela fosse proibida de se tornar Miss Guanabara por causa de um detalhe extra-estético: a falta de quatro meses em sua idade. Com 16 anos, ela concorreu ao Senhorita Rio e ninguém criou caso. Quando suas fotos começaram a aparecer nos jornais e nas revistas, houve quem dissesse que ela iria ganhar o Miss Guanabara de barbada. Mas antes teve de lutar com advogados e muito charme para resolver um problema de tempo que, mesmo para ela, uma jovem de 17 anos e oito meses, se tornou uma coisa muitíssimo importante.
Maria Helena tem 1,69m de altura, 56 quilos de peso, 60cm de cintura, 91cm de busto, 95cm de quadris e 56cm de coxa. 
(Revista Fatos & Fotos, 03/07/1969)

          No dia 21 de junho de 1969, enquanto 32 candidatas desfilavam na passarela do Maracanãzinho disputando o título de Miss Guanabara, milhares de pessoas lamentavam o fato de ali não estar desfilando a linda morena Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Nascida no dia 17/09/1951, Maria Helena não tinha ainda 18 anos completos, idade mínima exigida para concorrer ao título. Uma determinação do Juizado de Menores, uma semana antes, proibiu sua participação no certame.


Maria Helena Leal Lopes - Revista Fatos & Fotos, 03/07/1969

          Quem denunciou que Maria Helena era menor de idade? Ninguém soube informar. O Presidente do Telefônica Atlético Clube foi notificado que deveria provar a idade dela no prazo de 24 horas. Seus advogados recorreram, pois jamais poderiam provar que ela tinha 18 anos. Apresentaram um documento dos seus pais com firma reconhecida, autorizando sua participação. A coisa serenou e Maria Helena deu continuidade aos preparativos visando a disputa do Miss Guanabara.

         Seu pai precisou resolver uns negócios pessoais nos Estados Unidos e viajou certo da vitória da filha, levando dezenas de fotografias para distribuir por lá quando ela fosse coroada Miss Guanabara. Mas aí, veio o pior. Faltando apenas uma semana para a realização do concurso, o Juizado de Menores fez prevalecer a proibição legal.


Maria Helena Leal Lopes foi a grande ausente na passarela do Maracanãzinho. A candidata do Telefônica Atlético Clube, até as vésperas do concurso, era apontada como a mais séria candidata ao título de Miss GB. Uma determinão do Juizado de Menores retirou-a da competição, por não contar com 18 anos completos. Assim, Maria Helena ficou entre os espectadores, sabendo que sua vez de concorrer foi adida para 1970.
Sem nenhuma mágoa, Miss Telefônica aplaudiu todas as colegas que passavam diante de sua mesa. Se tinha preferências, guardou-as consigo. Logo que chegou ao Maracanãzinho, foi saudada por um coro monstro vindo das arquibancadas. Com sorrisos e acenos, agradeceu a ovação. Tão logo foi encerrada a festa, fez questão de cumprimentar a colega vencedora, no estúdio de O Cruzeiro, montado nos bastidores.
(Revista O Cruzeiro)

          A vencedora do Miss Guanabara 1969 foi a loura Mara do Carvalho Ferro, Miss São Cristóvão Imperial, quarta colocada no Miss Brasil. A repercussão da proibição de Maria Helena não participar do concurso Miss Guanabara 1969 rendeu matérias na imprensa nacional, lado a lado com outros casos que marcaram o mês de junho do último ano da década de 1960:
1 - A derrota da seleção inglesa no Maracanã, que excursionava pela América Latina, diante da seleção brasileira, aumentando a esperança de que o Brasil poderia ser tricampeão mundial no ano seguinte;
2 - O encontro de Nelson Rockfeller (1908-1979), Governador de New York, com o Marechal Artur da Costa e Silva (1899-1969), Presidente do Brasil, em Brasília;
3 - A morte de Cacilda Becker (1921-1969);
4 - A eleição de Georges Pompidou (1911-1974), Presidente da França;
5 - O nascimento de Carlo Ponti Jr, o esperado primogênito de Sophia Loren e Carlo Ponti (1912-2007);
6 - A recepção a Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, o Papa Paulo VI (1897-1978), em Genebra;
7 - O sucesso do filme Buillit, de Peter Yates, estrelado por Steve McQueen (1930-1980).

MARIA HELENA, VICE-MISS GUANABARA 1970


Maria Helena Leal Lopes - Foto: revista O Cruzeiro

          Como seus sonhos de participar do Miss Guanabara 1969 foram frustrados, Maria Helena não teve dúvida de transferi-los para o ano seguinte. Em 1970, no Pavilhão de São Cristóvão, uma vez que o Maracanãzinho tinha sofrido um incêndio, lá estava Maria Helena, tranqüila, linda, disputando o Miss Guanabara, representando o Telefônica Atlético Clube. Perdeu para a loura Eliane Fialho Thompson, Miss Floresta Country Clube, eleita depois Miss Brasil e uma das 15 semifinalistas do Miss Universo 1970, vencido por Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico. 

MARIA HELENA, CERTAS COISAS SÓ ACONTECEM UMA VEZ NA VIDA

          Quando o Juizado de Menores descartou a possibilidade de Maria Helena disputar o Miss Guanabara 1969, assim ela desabafou à revista MANCHETE, de 28/06/1969 :

Não sei bem porque me candidatei a Miss Guanabara. Acho que, conscientemente, um pouco era para expandir a minha vivacidade. Admito que todas nós participamos de concursos de beleza com uma certa dose de vaidade. Mas, isso, toda mulher tem (e quase todos os homens também). A vaidade faz parte do ser humano. Mamãe é que não quer mais ouvir falar no assunto – diz que não quer ver o concurso nem pela televisão, porque acha que certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.

          Minha estimada Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube 1969/1970, vice- Miss Guanabara 1970, sua mãe tinha toda razão. Certas coisas só acontecem uma vez na vida e não se repetem nunca mais. Você poderia ter sido a sucessora perfeita de Maria da Glória Carvalho, Miss Guanabara 1968, que trouxe do Japão o nosso primeiro e único título de Miss Beleza Internacional. Você poderia ter composto um excelente Top 3 no Miss Brasil 1969, ao lado da catarinense Vera Fischer (Miss Brasil) e da paulista Maria Lúcia Alexandrino dos Santos (vice-Miss Brasil ). Você poderia ter ficado à frente de Eliane Fialho Thompson, embora alguns achassem que você estivesse acima do peso ideal, ter sido Miss Guanabara e Miss Brasil, e despontado como favorita do concurso Miss Universo 1970, ao lado da americana Debbi Shelton (vice-Miss Universo), com quem tinha um biótipo parecido. Poderia... Poderia... Poderia... Coisas do destino. Fazer o que Maria Helena Leal Lopes? Estava escrito.

          E hoje, ao sentirmos saudades daquela época, o vento sopra nos seus, nos meus e nos ouvidos do meu amigo Muciolo Ferreira a voz de sua Mãe dizendo:
Certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.
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A primeira crônica de PASSARELA CULTURAL dedicada a Maria Helena Leal Lopes poderá ser conferida neste link:
http://passarelacultural.blogspot.com/2008/03/sesso-nostalgia-maria-helena-leal-lopes.html

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sábado, 22 de novembro de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - Mara de Carvalho Ferro, "A namorada que sonhei"

Daslan Melo Lima


       Mara de Carvalho Ferro, Miss São Cristóvão Imperial, não estava na lista das favoritas ao título de Miss Guanabara 1969. Era Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica, que tinha o nome citado, de norte a sul do país, como futura Miss Guanabara, quiçá Miss Brasil, mas uma determinação do juizado de menores impediu sua participação no concurso, pelo fato de ter 18 anos incompletos. Mara de Carvalho Ferro despertou atenção ao desfilar de maiô na passarela do Miss GB, com seu tipo louro distribuído em 1,66m de altura, 86 cm de busto, 93 de quadris e 61 de cintura.



      No concurso Miss Brasil 1969, as duas primeiras colocadas agradaram em cheio: Vera Fischer, Miss Santa Catarina, primeiro lugar, e Maria Lúcia Alexandrino dos Santos, Miss São Paulo, segundo lugar. Para o terceiro e quarto lugares, outros nomes eram esperados, como Sueli Veras, Miss Amazonas, e Ana Maria Côrtes, Miss Minas Gerais. Mas a comissão julgadora decidiu contemplar Ana Maria Rodrigues, Miss Rio Grande do Sul, com o terceiro lugar, e Mara de Carvalho Ferro, Miss Guanabara, com a quarta colocação.

A contagem final dos jurados outorgou 54 pontos para Miss Santa Catarina, 32 para Miss São Paulo, 17 para Miss Rio Grande do Sul e 12 para Miss Guanabara. O quarto lugar foi, de todos, o mais duramente disputado, pois quando surgiram as oito finalistas, Miss Minas Gerais tinha 13 pontos, e Miss Amazonas empatava com a carioca. Se uma parte do público se pronunciava, a certa altura, mais pela amazonense do que pela Miss Guanabara, uma coisa deve ser dita em favor de Mara Carvalho Ferro: ela desfilou em estado de tensão, preocupada com a saúde do pai, que sofrera um enfarte há poucos dias. As demais candidatas tomaram conhecimento do ocorrido e prestigiaram-na. Como quarta classificada, ela representará o Brasil no novo concurso Maja Internacional, na Espanha(Revista Manchete)

“Olha, o mais difícil mesmo foi ser Miss Guanabara”, disse Mara Carvalho Ferro. Antes e depois de ser eleita a mais bela carioca, ela já tinha um futuro promissor à sua disposição: fazer cinema. Parafernália, sua estréia diante das câmaras, vai ser lançado em breve. Depois, fará o papel principal de Helena, Helena. (Revista Fatos & Fotos).



      Mara Carvalho atuou com Jece Valadão no filme Memórias de um Gigolô, de Alberto Pieralisi, mas não foi longe na carreira de atriz. A Miss GB 1969 também foi protagonista da fotonovela colorida A Namorada Que Sonhei, na revista Sétimo Céu, de fevereiro de 1970, ao lado do cantor Nilton César. O argumento foi inspirado na letra da música homônima, composta por Osmar Navarro e gravada por Nilton César, um dos maiores sucessos populares românticos brasileiros de todos os tempos.



      Na ficção, Mara era casada com um homem rico, uma união sem amor e mantida por interesses, a fim de evitar a ruína da família. Sua vida se cruzou com a de um jovem compositor e cantor humilde, protagonizado por Nílton César, que inscreveu a música A Namorada Que Sonhei em um concurso. No final feliz, o rapaz venceu a competição, a família da moça voltou a enriquecer, seu casamento terminou em desquite e ambos partiram para morar nos Estados Unidos.

      Nas imagens dos quadrinhos da fotonovela, conforme algumas cenas aqui reproduzidas, uma Mara Carvalho de cabelos soltos incentivava a fantasia de quem via nela a verdadeira musa da canção. Até hoje, ao ouvir a música, meu pensamento voa para Mara de Carvalho Ferro, Miss Guanabara, quarta colocada no Miss Brasil 1969, A Namorada Que Sonhei.




Receba as flores que lhe dou 

E em cada flor um beijo meu
São flores lindas que lhe dou
Rosas vermelhas com amor
Amor que por você nasceu 

Que seja assim por toda vida 
E a Deus mais nada pedirei 
Querida, mil vezes querida, 
Deusa na terra nascida 
A namorada que sonhei 

No dia consagrado aos namorados 
Sairemos abraçados por aí a passear 
Um dia, no futuro, então casados 
Mas eternos namorados 
Flores lindas eu ainda vou lhe dar 

Que seja assim por toda vida 
E a Deus mais nada pedirei 
Querida, mil vezes querida, 
Deusa na terra nascida 
A namorada que sonhei


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domingo, 2 de março de 2008

SESSÃO NOSTALGIA - MARIA HELENA LEAL LOPES , VICE-MISS GUANABARA 1970

Daslan Melo Lima
Maria Helena Leal Lopes (Revista Fatos & Fotos, 30/07/1969)
          No dia 21 de junho de 1969, enquanto 32 candidatas desfilavam na passarela do Maracanãzinho disputando o título de Miss Guanabara, milhares de pessoas lamentavam o fato de ali não estar desfilando a linda morena Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Nascida no dia 17/09/1951, Maria Helena não tinha ainda 18 anos completos, idade mínima exigida para concorrer ao título. Uma determinação do Juizado de Menores, uma semana antes, proibiu sua participação no certame.

          Maria Helena Leal Lopes foi a primeira garota a se inscrever no Miss GB 1969 , e logo passou a ser apontada como a grande favorita. Quando O CRUZEIRO divulgou suas fotos como primeira candidata ao Miss GB, a reportagem afirmava que ela tinha 18 anos. Aconteceu que no mês seguinte, alguém denunciou a sua menoridade. Comentou-se na época que a denúncia poderia ter partido de um ex-namorado. O Presidente do Telefônica Atlético Clube foi notificado que deveria provar a idade dela no prazo de 24 horas. Seus advogados recorreram, pois jamais poderiam provar que ela tinha 18 anos. Apresentaram um documento dos seus pais com firma reconhecida, autorizando sua participação. A coisa serenou e Maria Helena deu continuidade aos preparativos visando a disputa do Miss GB. Seu pai precisou resolver uns negócios pessoais nos Estados Unidos e viajou certo da vitória da filha , levando dezenas de fotografias para distribuir por lá quando ela fosse coroada Miss GB. Mas aí, veio o pior. Faltando apenas uma semana, o Juizado de Menores fez prevalecer a proibição legal. Sorridente e sem mágoas, ela compareceu ao Maracanãzinho para incentivar suas companheiras. Quando o público percebeu sua presença, os aplausos foram muitos. Tirou fotos nos estúdios das revistas ao lado da vencedora , Mara do Carvalho Ferro, uma loura de baixa estatura, representante do São Cristóvão Imperial, que não cabia em si de felicidade pelo título e pelo prêmio máximo: um volks de quatro portas. No Miss Brasil, Mara ficou com o quarto lugar.

          A repercussão da proibição de Maria Helena não participar do Miss GB 1969 rendeu matérias na imprensa nacional, lado a lado com outros casos que marcaram o mês de junho do último ano da década de 60 : 1)A derrota da seleção inglesa no Maracanã, que excursionava pela América Latina, diante da Canarinha, aumentando a esperança de que o Brasil poderia ser tricampeão mundial no ano seguinte; 2) O encontro de Nelson Rockfeller e Costa e Silva, no Palácio da Alvorada; 3)A morte de Cacilda Becker; 4) A eleição de Georges Pompidou, presidente da França; 5)O nascimento de Carlo Ponti Jr, o esperado primogênito de Sophia Loren; 6)A recepção ao Paulo VI em Genebra; 7)O sucesso do filme Buillit, estrelado por Steve McQueen, nos Estados Unidos e Europa.

          Moradora da Tijuca e aluna do 2º ano clássico do Colégio Pedro II, Maria Helena tinha participado do concurso “Senhorita Rio 1968”. Dona de um sorriso encantador, extrovertida, inteligente, adorava lasanhas e massas de todos os tipos, mas tinha a maior facilidade para emagrecer. Como seus sonhos de participar do Miss GB 1969 foram frustrados, ela não teve dúvida de transferi-los para o ano seguinte. E em 1970, no Pavilhão de São Cristóvão, uma vez que o Maracanãzinho tinha sofrido um incêndio, lá estava ela, tranqüila, linda, disputando o Miss Guanabara, representando o Telefônica Atlético Clube. Perdeu para a loura Eliane Fialho Thompson, Miss Floresta Country Clube, uma estudante de Engenharia que tinha “quase tudo da lendária Garota de Ipanema”, conforme destacou a revista MANCHETE. Logo após, Eliane Fialho Thompson foi eleita Miss Brasil e ficou entre as 15 semifinalistas do Miss Universo 1970, vencido pela porto-riquenha Marisol Malaret Contreras, uma jovem humilde, órfã de pai e mãe, secretária da Companhia Telefônica de Porto Rico. 

          Quando o Juizado de Menores descartou a possibilidade de Maria Helena disputar o Miss GB 1969, assim ela desabafou à revista MANCHETE, de 28/06/1969 :

Não sei bem porque me candidatei a Miss Guanabara. Acho que, conscientemente, um pouco era para expandir a minha vivacidade. Admito que todas nós participamos de concursos de beleza com uma certa dose de vaidade. Mas, isso, toda mulher tem ( e quase todos os homens também ). A vaidade faz parte do ser humano. Mamãe é que não quer mais ouvir falar no assunto – diz que não quer ver o concurso nem pela televisão, porque acha que certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.

          Minha cara Maria Helena Leal Lopes , Miss Telefônica Atlético Clube 1969/1970, segunda colocada no Miss Guanabara 1970, sua mãe tinha toda razão. Certas coisas só acontecem uma vez na vida e não se repetem nunca mais. Você poderia ter sido a sucessora perfeita de Maria da Glória Carvalho, Miss GB 1968, que trouxe do Japão o nosso primeiro e único título de Miss Beleza Internacional; você poderia ter composto um excelente Top 3 no Miss Brasil 1969, ao lado da catarinense Vera Fischer ( Miss Brasil.) e da paulista Maria Lúcia Alexandrino dos Santos (vice-Miss Brasil ). Para alguns, embora estivesse acima do peso ideal, poderia ter ficado à frente de Eliane Fialho Thompson , ter sido Miss GB e Miss Brasil, e despontado como favorita do concurso Miss Universo 1970, ao lado da americana Debbi Shelton (vice Miss Universo), com quem tinha um biótipo parecido. Poderia.

          Fazer o que minha Maria Helena Leal Lopes ? Estava escrito. E hoje, na sabedoria dos seus 57 anos de idade, a completar no dia 17 de setembro de 2008, ao sentir saudades daquela época, o tempo devolve aos seus ouvidos a voz de sua Mãe dizendo: 

 Certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.

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Confira o desdobramento desta matéria aqui, em PASSARELA CULTURAL, através do link: http://passarelacultural.blogspot.com/2010/03/sessao-nostalgia_13.html
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