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domingo, 21 de outubro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Vera Lúcia Couto e Martha Vasconcellos, duas Misses dos anos 60, "os melhores anos das nossas vidas"

Daslan Melo Lima


          "Os Melhores Anos das Nossas Vidas". Este é o nome do novo programa da Rede Globo, no ar às quintas-feiras, após a novela das 21 horas, sob o comando de Lázaro Ramos, redação final de Paula Miller e direção geral de Bernardo PortugalUma disputa entre as décadas de 1960, 1970, 1980, 1990 e 2000. 
              Vera Lúcia Couto dos Santos (Miss Guanabara, Vice-Miss Brasil, terceira colocada e Miss Fotogenia no Miss Beleza Internacional 1964) e Martha Vasconcellos (Miss Bahia, Miss Brasil, Miss Universo 1968) gravaram participação na quarta-feira, 17, no programa que será exibido no dia 08 de novembro.

Vera Lúcia Couto dos Santos
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Martha Vasconcellos
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Tribuna da Bahia, terça-feira, 16/10/2018
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Porta do camarim de Vera Lúcia Couto e Martha Vasconcellos.
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Roberto Macêdo (jornalista, escritor, biógrafo de Martha Vasconcellos) ladeado por Vera Lúcia Couto e Martha Vasconcellos. 
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Roberto Macêdo exibindo as faixas de Vera Lúcia Couto: Miss Renascença, Miss Estado da Guanabara e Miss Brasil nº 2. ***** Nos anos 60, o Top 3 do Miss Brasil tinha a denominação de Miss Brasil n° 1, a primeira colocada; Miss Brasil  nº 2, a vice; e a Miss  Brasil nº 3, terceiro lugar. A primeira representava o Brasil no Miss Universo e as outras no Miss Beleza Internacional e Miss Mundo. ***** A faixa de Miss Brasil nº 2 foi um presente de Arnaldo das Faixas para Vera Lúcia Couto. 

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           A disputa acirrada das décadas se estenderá até a última quinta-feira do ano, 27 de dezembro, quando se saberá qual a década vencedora. Espero que seja a de 1960, quando eu não me dava conta de que estava sendo testemunha de um período que deixaria marcas eternas: o muro de Berlim; a inauguração de Brasília; a renúncia de Jânio Quadros; o golpe militar; o bicampeonato mundial de futebol; o movimento musical da Jovem Guarda; os festivais de música popular; a guerra do Vietnam; o assassinato de John Kennedy; a minissaia; o sucesso dos Beatles e dos Rolling Stones; a descoberta do vírus do câncer; o suicídio de Marylin Monroe; a chegada do homem na Lua; o filme “O Pagador de Promessas”; o título de Miss Universo 1963 conquistado por Ieda Maria Vargas; o terceiro lugar de Vera Lúcia Couto no Miss Beleza Internacional 1964 e o concurso Miss Universo 1968 vencido por Martha Vasconcellos  

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Imagens:
Agradecimentos ao Roberto Macêdo

sábado, 11 de agosto de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - "Miss Universo 1963", uma música de Teixeirinha para Ieda Maria Vargas


Daslan Melo Lima

        São José da Laje, Alagoas, manhã de dezembro de um tempo que se foi. Da casa de um vizinho, através do som de um rádio, vinha a voz do cantor Teixeirinha cantando uma música que enaltecia Ieda Maria Vargas, Miss Rio Grande do Sul, Miss Brasil, Miss Universo 1963. Ao contrário de "Coração de Luto", uma triste canção de três anos atrás, inspirada na mãe do artista  que havia morrido carbonizada, a música que tocava na residência ao lado era totalmente diferente. A musa tinha sido eleita a moça mais bela do universo, trinta e três anos depois da também gaúcha Yolanda Pereira, Miss Universo 1930.

Vítor Mateus Teixeira (1927-1985), Teixeirinha, o "Rei do Disco", cantor, compositor e ator gaúcho. 
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Miss Universo 1963

Letra e música de Teixeirinha

O Brasil está orgulhoso com a gaúchinha faceira
Num concurso de beleza tornou-se miss brasileira
Ieda Maria Vargas fez vibrar a nação inteira
Depois deu um show de beleza lá pela terra estrangeira.

Ieda Maria Vargas no Brasil estourou a fita
Tem só dezoito anos a mais linda senhorita
Chegou lá no estrangeiro também saiu favorita
Venceu, é Miss Universo, moça mundial mais bonita.

São duas Miss Universo que o nosso Brasil tem
O mundo inteiro já sabe de onde a beleza vem
É do Rio Grande do Sul, não é desfazer ninguém
É que estou orgulhoso por ser gaúcho também.

Com seu traje de gaúcha tornou-se a mais linda flor
Honrando os trajes dos pampas de gaúcho peleador
Alguns gaúchos do asfalto que ao traje não dá valor
Mas viu que a gauchinha honra o traje, sim senhor

Eu sei, não foi só o traje que lhe tornou vencedora,
Com qualquer traje moderno ela era merecedora.
É que a nossa gauchinha na beleza é professora,
No ginásio das mais lindas promovida à diretora

Salve a Miss Universo Ieda Maria Vargas
Quando soube que vencestes, meu revólver deu descargas
Aos teus pais e teus irmãos Deus não dê horas amargas
Ieda honraste o Rio Grande do chapéu de abas largas

Vamos dar um viva para Ieda Maria Vargas, pessoal!



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         Timbaúba, Pernambuco, tarde da última quarta-feira, 08 de dezembro de 2018. Do celular, através do som do WhatsApp, uma mensagem do meu amigo Roberto Macêdo dizia: "Você já viu isso?", acompanhada deste link


       A emoção tomou conta do menino que um dia eu fui quando cliquei no endereço e a música, na voz de Teixeirinha, graças ao milagre da tecnologia, inundou o ambiente: 
"O Brasil está orgulhoso com a gaúchinha faceira / Num concurso de beleza tornou-se miss brasileira / Ieda Maria Vargas fez vibrar a nação inteira / Depois deu um show de beleza lá pela terra estrangeira." 
       Ouvir a canção com imagens de Ieda Maria Vargas, nossa eterna Miss Brasil, Miss Universo 1963, lembrou um sonho de criança. 

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Fotos de Ieda Maria Vargas: reproduções da revista Manchete
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sábado, 10 de dezembro de 2016

SESSÃO NOSTALGIA – Eu e Roberto Macêdo, encontro em João Pessoa com Patrícia Moreira, Miss Paraíba 1985, e sua irmã Roberta Moreira, Miss Paraíba 1986


Daslan Melo Lima
     
          Desloquei-me de Timbaúba, PE, para João Pessoa, PB, às 07h30min da terça-feira, 06, menos de 100 Km, viagem tranquila, uma hora e trinta minutos de percurso. O objetivo inicial, programado há dias, era chegar na capital paraibana apenas para abraçar o Roberto Macêdo, que estaria vindo de Natal, RN, para um city tour. No entanto, o que seria um breve encontro, acabou se constituindo em horas inesquecíveis. 
        O Roberto estava na capital potiguar há poucos dias, tendo saído de Salvador, BA, para a celebração dos cinquenta anos de idade do seu amigo Clodualdo Bahia, um dos maiores nomes do segmento de decoração de eventos do Rio Grande do Norte.  
         Conhecer os principais pontos turísticos de João Pessoa e retornar ainda na terça-feira, esse era o alvo do Roberto, só que Patrícia Moreira Rabello (Miss Paraíba, semifinalista e Miss Simpatia do Miss Brasil 1985) convidou meu amigo para dois eventos nos quais minha presença também estava incluída. 
            Roberto chegou no nosso ponto de encontro, o Camarão Grill, às 13h40min, onde almoçamos, depois de ter visitado a Igreja de São Francisco e o Cabo Branco. Após a refeição, rumamos para o Hardman Praia Hotel, onde ele se hospedaria.   

Eu e Roberto Macêdo, no Hardman Praia Hotel, com as credenciais para os eventos da terça-feira, 06.

  Embalado pelo sol paraibano, de vez em quando Roberto cantarolava Maluca por Sivuca, uma música do baiano Walter Queiroz gravada pelo autor e Elba Ramalho. Walter é filho de Luz da Serra, a Relações Públicas do Hotel da Bahia que hospedou Martha Vasconcellos quando ela voltou eleita Miss Universo 1968.
             

Ó Paraíba, meu amor
Eu vim te ver
Trazendo um cheiro da Bahia
Eu vim te ver

Itapuã manda um abraço em Manaíra
Cabo Branco, Cabedelo
Jacumã e Tambaú
E pede um beijo
Um cordão de caranguejo
Uma rede preguiçosa
E um doce de caju

Se lembra o dia que você ficou maluca
Ouvindo um disco de Sivuca
E danou-se pra chorar
Eu prometi que nunca mais eu te esquecia
Que eu voltava, que eu fazia
Um cafuné pra te agradar
  
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                                    Chá Solidário no Hotel Globo  
   
              
          O Hotel Globo, construção datada de 1929, está localizado no Centro Histórico de João Pessoa e foi reaberto há quatro meses, no dia 05 de agosto, quando a capital completou 431 anos, após obra de reestruturação que custou 712 mil reais.  
           O Chá Solidário teve o objetivo de arrecadar donativos para instituições que ajudam pessoas carentes, iniciativa da primeira-dama Maísa Cartaxo, promoção da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), cujo prefeito, Luciano Cartaxo, foi reeleito nas últimas eleições.

Eu e o Roberto pisamos no tapete vermelho que dava para o pátio do imóvel, com vista privilegiadíssima para o pôr do Sol do rio Sanhauá, depois das 16 horas. Patrícia Moreira já nos aguardava e nos apresentou a várias personalidades paraibanas. 

            Com sua  simpatia, simplicidade e docilidade, nossa anfitriã nos apresentava desta forma: Este aqui é Roberto Macêdo, jornalista da Bahia, autor da biografia de Martha Vasconcellos, a última brasileira eleita Miss Universo há 48 anos. Este é Daslan, de Pernambuco. Eles são missólogos. Você sabe o que é missólogo?  

Roberto, Maísa Cartaxo, Patricia, eu e Thereza Madalena, apresentadora de televisão.
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Roberto, Patrícia Moreira, Patricia dos Anjos (Miss Paraíba 2013) e eu.
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Patricia dos Anjos é um tipo que impressiona. Moro em Nova Iorque, falo inglês com fluência e  sou modelo. Minha preparação para o Miss Brasil 2013 foi muito pouca. Só despertei para a importância e responsabilidade de uma Miss quando passei o título para minha sucessora. Agora é que me sinto  preparada e gostaria de voltar ao mundo Miss, confessou.
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O pôr do sol por testemunha. Roberto, Thereza Madalena, Patrícia Moreira e eu. 
Eu e Patricia Moreira
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Na programação, show com um conjunto folclórico e a cantora Renata Arruda.

      Na hora do pôr do sol, a música que se ouvia era Ave Maria Sertaneja, que ficou famosa na voz do inesquecível Luiz Gonzaga


 Quando batem as seis horas
De joelhos sobre o chão
O sertanejo reza a sua oração.

Ave Maria Mãe de Deus Jesus
Nos dê força e coragem
Pra carregar a nossa cruz.

Nesta hora bendita e santa
Devemos suplicar à Virgem Imaculada
Os enfermos vir curar.

Ave Maria Mãe de Deus Jesus
Nos dê força e coragem
Pra carregar a nossa cruz.

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Noitada na Pìnk Elephant



         Chegamos na boate Pink Elephant, espaço de categoria internacional, localizada no bairro Altiplano, às 21 horas, local da entrega do Chapéu de Ouro, o maior prêmio da publicidade paraibana; e do lançamento da edição número 40 da revista Premium, publicação da qual Gerardo Rabello, esposo de Patrícia Moreira, é diretor-editor.   Na ocasião, a satisfação de estarmos ao lado da nossa anfitriã e da sua irmã Roberta Moreira (Miss Paraíba e quinta colocada no Miss Brasil 1986).  

Roberto Macêdo ladeado por Patrícia Moreira, Miss Paraíba 1985, e sua irmã Roberta Moreira, Miss Paraíba 1986. *****  Patrícia e Roberta Moreira (que está viúva) possuem graduação em Odontologia pela Universidade Federal da Paraíba. Revelação de Patrícia: Durante muitos anos não dava importância quando mencionavam que eu tinha sido Miss. Focada na minha carreira, fiz Mestrado e Doutorado e nunca comentava sobre o assunto com meus alunos da Universidade. Agora, não me incomoda quando falam que sou a Miss Paraíba 1985, ao contrário, adoro.
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Roberta, eu e Patricia Moreira.
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Uma noite para recordar.
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            Enquanto no palco acontecia a entrega do Chapéu de Ouro, a jornalista Bruna Borges entrevistava Roberto e eu para a RCTV. Detalhe: gostaria de ter encontrado duas personalidades, Gina São Thiago e Luiza Rabello. Gina, Miss Amazonas 1986, estava hospedada na casa de Roberta, mas foi acometida de uma indisposição e preferiu se resguardar. Luiza, filha de Gerardo e Patrícia, famosa em todo o Brasil por conta daquele comercial de televisão que dizia “só faltou a Luiza que está no Canadá. ” 

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Eu, Bruna Borges e Roberto Macêdo.
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A revista Premium atingiu a marca dos 7 anos e de 40 edições. Na capa, Luciano Cartaxo, prefeito reeleito de João Pessoa, a primeira-dama Maísa Cartaxo e os filhos Matheus e Caio

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            O relógio marcava quase 23 horas quando retornei para Timbaúba, enquanto o Roberto Macêdo ficava para usufruir mais da noitada.  
            Foi um encontro mágico com sabor de sonho, tanto que só me dou conta que não foi sonho por causa das fotos que ilustram esta Sessão Nostalgia.

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sábado, 11 de abril de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - A biografia de Martha Vasconcellos escrita por Roberto Macêdo, o livro do ano

 Daslan Melo Lima

      
      Talvez você, leitor, leitora, esteja estranhando a expressão “o livro do ano”, já que faz apenas 100 dias que 2015 começou, mas a obra em evidência, revestida de magia, merece essa credencial. O livro fala de um ícone dos anos 60 e dos valores de um tempo que se foi.  A obra,  bem escrita,  não se trata de  ficção, e nela encontramos todos os instigantes ingredientes da vida real: sonhos, encantos, desencantos, ilusões, desilusões, amores, desamores... A protagonista é de carne e osso e levou o nome do nosso Brasil para todos os recantos do mundo.  Se levarmos em conta que a literatura brasileira tem uma divida imensa para com o resgate das trajetórias das nossas eternas rainhas da beleza, a biografia de Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968, escrita pelo jornalista baiano Roberto Macêdo, é, sim, o livro do ano. Duvido que, dentro do seu estilo, outro possa, pelo menos no meu conceito, superar sua trama.


Roberto Macêdo e Martha Vasconcellos

       Na tarde da última quinta-feira, 09, a convite do deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, estive no salão nobre do Palácio da Associação Comercial da Bahia para o lançamento da biografia de Martha Vasconcellos. A obra é o 42º livro lançado pela Assembleia Legislativa da Bahia, dentro do projeto Gente da Bahia, que homenageia personalidades baianas. São 698 páginas com quase 400 fotografias, a maioria inédita. O livro traz todos os principais acontecimentos da vida da miss, desde o seu nascimento até os dias atuais.

Pausa para um flash depois de Martha ter autografado o meu exemplar, sob os olhares de Fernando Machado e Roberto Macêdo. 

      A chuva forte que caiu sobre Salvador não tirou o brilho do evento, marcado para as 17h30min. Eu e o jornalista Fernando Machado, que viajou comigo no mesmo voo do Recife para a capital baiana, chegamos ao belo Palácio da Associação Comercial da Bahia em torno das 17 horas. Daí a pouco, outras pessoas foram chegando, inclusive missólogos que são amigos meus no Facebook e que eu não conhecia pessoalmente, Genaro Oliveira Pires (Paulo Afonso, BA), Heliana Tenuta  e Oscar Bastos Pereira (Goiana, GO), Romeu GoesWashington Wall Gomes (Salvador, BA). Mais de 500 pessoas prestigiaram a noite sociocultural. Presença de vários familiares de Martha, entre eles os filhos Leonardo e Leilane Vasconcellos Loureiro, frutos do seu casamento com Reinaldo Loureiro. Em torno das 19 horas, Renan Santana, o mestre de cerimônia, deu início à solenidade. 

Marcelo Nilo e Marcos Meirelles Fonseca
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Juliana Pina, Miss Bahia 2006 e Patrícia Godoi, Miss Brasil 1991. (Foto: Fernando Machado)
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Eu, Washington Wall Gomes, Oscar Bastos Pereira e Heliana Tenuta. (Foto: Fernando Machado)
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Romeu Goes e Genaro Oliveira Pires. (Foto: Fernando Machado)
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Irene e Beatriz, mãe e neta de Martha. Beatriz é filha de Leilane e Rodrigo.
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Karina e Leonardo Vasconcellos Loureiro e Leilane e Rodrigo Souza. (Foto: Fernando Machado). 
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     Usaram da palavra Roberto Macêdo, Martha Vasconcellos, Marcelo Nilo (presidente da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia) e Marcos Meirelles da Fonseca (presidente da Associação Comercial da Bahia).  Logo após, começou a noite de autógrafos tendo como fundo musical a flauta de Helena Rodrigues e o violão de Cleudson Passos. Entre as iguarias servidas pelo buffet de Nalva Nascimento, destaque para uma combinação deliciosa que eu não conhecia, beiju com charque.

Eu, Heliana Tenuta, Martha Vasconcellos e Oscar Bastos Pereira

      Na tarde do dia seguinte, num restaurante típico em frente ao mar de Patamares, eu estava entre as pessoas convidadas para almoçar com Martha Vasconcellos e Roberto Macêdo.  Tratavam-se de Eliana Tenuta, Genaro Oliveira Pires, Oscar Bastos Pereira e o senador Fernando Ribeiro (PMDB-PA).
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       “O que desejam como sobremesa?” Perguntou a garçonete.   “Eu quero uma cocada”, respondeu Martha Vasconcellos. “Não tem”, afirmou a funcionária. “Um restaurante típico baiano não ter cocada? Não pode!”, disse Martha com sua voz doce e firme.  A Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968 não queria nenhuma guloseima sofisticada como sobremesa, apenas uma prosaica cocada.
        Como não admirar a simplicidade de uma rainha assim? Como não apontá-la com exemplo para as misses da atualidade? Como não endeusar a protagonista do livro do ano?

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sábado, 4 de abril de 2015

SESSÃO NOSTALGIA - Quinta-feira irei abraçar Martha Vasconcellos

Daslan Melo Lima

      Na manhã da próxima quinta-feira, 09, se Deus permitir, embarcarei no Aeroporto Internacional dos Guararapes Gilberto Freyre com destino a Salvador, Bahia. A convite do deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, estarei naquele dia, às 17h30min, no salão nobre da Associação Comercial da Bahia, para o lançamento da biografia de Martha Vasconcellos, Miss Bahia, Miss Brasil e Miss Universo 1968, escrita por Roberto Macêdo. Quem estará no mesmo voo seguindo para o evento é Fernando Machado. Outro jornalista pernambucano, o Muciolo Ferreira, também convidado, deveria seguir viagem conosco, mas está impossibilitado devido aos cuidados com o estado de saúde de sua mãe.


        A obra é o 42º livro lançado pela Assembleia Legislativa da Bahia, dentro do projeto Gente da Bahia, que homenageia personalidades baianas. São 698 páginas com quase 400 fotografias, a maioria inédita. O livro traz todos os principais acontecimentos da vida da miss, desde o seu nascimento até os dias atuais.

Martha Vasconcellos, Miss Bahia 1968
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Martha Vasconcellos, Miss Brasil 1968
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Martha Vasconcellos, Miss Universo 1968
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      Eu já escrevi aqui como se deu o meu primeiro encontro com Martha Vasconcellos, mas não resisto em tocar outra vez no assunto, diante da emoção e da magia que envolve minhas recordações.  Naquele 1968, Martha Vasconcellos veio ao Recife para um desfile no Clube Português. Eu morava no bairro de Afogados e estudava à noite no Ginásio Pernambucano, na rua da Aurora, centro da cidade. Saí de casa logo após o almoço e fui direto para a praça Maciel Pinheiro, onde posicionei-me na frente do Hotel São Domingos. Eu estava frustrado pelo fato de não ter assistido pela televisão a vitória de Martha como Miss Universo. Naquela época, nem todo mundo possuía televisão, tratava-se de uma coisa de luxo, um bem de consumo inacessível para a realidade econômica da maioria dos brasileiros, inclusive para minha família. No dia da transmissão do concurso Miss Universo, uma das poucas vizinhas que possuía televisão não tinha aberto a janela, chateada com as conversas paralelas da garotada durante a exibição do Miss Brasil no mês anterior.

Praça Maciel Pinheiro. No prédio de esquina, à esquerda, funcionava o Hotel São Domingos.

          Voltando ao que eu falava sobre a praça Maciel Pinheiro, a  multidão tomava conta do lugar. De repente, por conta das sirenes dos veículos da polícia militar, todo mundo ficou sabendo que a mulher mais bela do mundo havia chegado. Dezenas e dezenas de policiais ficaram na frente do São Domingos, então um dos hotéis mais chiques de Pernambuco. Martha Vasconcellos estava com imensos óculos escuros e a multidão gritava: Tira ! Tira ! Tira !  Com muito esforço, consegui chegar próximo da porta principal do prédio, ao tempo de ver de perto Martha abrir um sorriso encantador e tirar os óculos. Depois, da sacada do seu apartamento, no segundo andar, ela jogou beijos e acenou para a multidão. Fiquei muito tempo ainda por perto, imaginando como seria fantástico ficar ao lado da Martha e ouvir sua voz falando de sua trajetória de Miss.

          Parece um sonho! Quinta-feira irei abraçar Martha Vasconcellos!”, repete a todo instante o menino alagoano de São José da Laje que um dia eu fui.
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Roberto Macêdo, o biógrafo, e Martha Vasconcelos, o ícone biografado. 
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Para ler (ou reler)  o que já escrevi sobre os meus encontros com Martha Vasconcellos, clique nos links abaixo
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SESSÃO NOSTALGIA, 29/05/2009
SESSÃO NOSTALGIA, 19/10/2013, 

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sábado, 2 de agosto de 2014

SESSÃO NOSTALGIA – Roberto Macêdo, Rachel de Queiroz e a polêmica sobre um padrão de beleza para o concurso Miss Brasil

Daslan Melo Lima                                                

                                               PRÓLOGO


      
A eleição de Anne Lima, Miss Caetité, como Miss Bahia 2014 causou celeuma na terra natal de três ícones da beleza brasileira, Martha Rocha (Miss Brasil e vice-Miss Universo 1954); Maria Olívia Rebouças Cavalcanti (Miss Bahia, Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1962);  e Martha Vasconcellos (Miss Brasil e Miss Universo 1968). Estaria Anne Lima dentro ou fora dos padrões para disputar o título de Miss Brasil?  
         Ao abrir espaço para o assunto nesta secção, não tenho outro objetivo a não ser que os debates sobre o tema desaguem num mar de tranquilidade.  Minha paixão pelas Misses vem de uma época em que, ainda menino, via o Brasil parar para saber quem seria sua rainha da beleza, num interesse similar ao da Copa do Mundo Fifa. Os valores e os objetivos de hoje são outros, mas certas coisas poderiam prevalecer acima dos egos: bom senso, respeito, coerência, gratidão, fé em Deus... Quase sempre, estou a cultuar as deusas e os concursos do passado. Vivo na ilusão de que as beldades modernas possam ser ícones como as marthas, teresinhas, adalgisas e iedas de ontem. Quase sempre, estou a fantasiar missólogos, coordenadores e organizadores em harmonia, em nome da minha paixão pelas Misses. O menino que fui tem receio de perder o encanto total por essa paixão, assim como um dia perdeu por fadas e duendes.

                   ROBERTO MACÊDO CONTRA O PADRÃO DA MAGREZA EXCESSIVA

     
No dia 28 de julho, sob o título “Contra o padrão da magreza excessiva”, o jornalista baiano Roberto Macêdo postou o artigo abaixo na sua página do Facebook. 

      A polêmica que se instaurou nas redes sociais depois da eleição da nova Miss Bahia traz de positivo a possibilidade de as pessoas discutirem padrão de beleza (será que existe?). De negativo, a troca de ofensas e as brigas sem necessidade. Fui procurado por um jornalista para dar a minha opinião, e parece que é preciso desenhar, pois alguns poucos não entenderam o que eu falei. É a figura do já conhecido analfabeto funcional – sabe ler, mas não sabe interpretar. Nada tenho contra ou a favor da garota eleita. Não a conheço pessoalmente, nunca a vi, assim como não acompanhei o concurso de Miss Bahia, não o assisti, nem me interessei em ficar a par do que acontecia. Eventualmente, vi algumas coisas aqui no Facebook.
     
      Não sei se foi justa ou se foi injusta a eleição da miss e suas princesas. O que eu coloquei, e o farei mais uma vez, é que eu sou contra essa imposição de um padrão de beleza que não condiz com a realidade. Essa magreza excessiva não é padrão em nenhum concurso de beleza mundial. Em nenhum. Nos concursos internacionais, a grande maioria das candidatas é magra. A grande maioria. Mas é uma magreza com curvas, com seios, com bumbum e com aspecto saudável. Nada que lembre a anorexia! E vejam que nem entre as top models isso é padrão. Elas são belas, magras, com curvas e aparência saudável. As de aparência anorexa são que sonham em ser top model e vivem nos castings. O que dizer de Naomi Campbell e Tyra Banks?


      Muitas garotas nem teriam passado pelo Miss Brasil se esse padrão já fosse estabelecido anos atrás. Um exemplo excelente é a atual coordenadora do Miss Bahia, Gabriela Rocha, que ganhou o concurso estadual em janeiro de 2011 visivelmente acima do peso (pesquisem no Google Images). Ela foi à luta, emagreceu, teve a mão mágica de um cirurgião plástico amigo corrigindo pequenas imperfeições e fazendo uma lipoescultura (a quem foi levada pelo irmão dele, amigo nosso, que faleceu prematuramente), chegando ao Miss Brasil na forma ideal e conquistando o segundo lugar, não trazendo a coroa por conta dos “mistérios” do concurso, dada a sua inequívoca superioridade frente à vencedora e à voz do povo (que é a voz de Deus!), gritando “Bahia, Bahia, Bahia” nos momentos finais (“Plateia vaia e reprova miss eleita”: https://www.youtube.com/watch?v=WhbMIyvzelo). Acredito que as meninas deveriam se preparar antes de entrar num concurso de beleza. Em último caso, ter tempo para se preparar para o concurso nacional.

    
Gabriella Rocha e Priscila Machado
   No Brasil está havendo um descompasso entre o padrão dos concursos de beleza e o gosto popular. O que queremos? Impor um padrão irreal e o concurso a cada dia perder mais e mais audiência? Com resultados (estaduais e o nacional) que muitas vezes são inacreditáveis, só caem no descrédito. É isso que estamos vendo a cada ano, com o Miss Brasil e seus congêneres despencando nos índices do Ibope. Sem audiência, os patrocinadores somem. E, assim, o que será dos concursos? A continuar desse jeito, não prevejo vida longa do Miss Brasil na Band.
      Outro problema são os “ispecialistas” em diversas áreas. Antes do advento da internet, para uma pessoa se especializar em algum assunto ela estudava, frequentava cursos, eventos, pesquisava, ficava atenta acompanhando o desenrolar de qualquer coisa relacionada, etc. Hoje, com a internet e o acesso fácil à informação – nem sempre correta – há muita gente que se acha “ispecialista” em muitas áreas e discute como se tivesse doutorado no IMT!!! Quando você se aprofunda, vê que é um blefe! Tem sido assim nos concursos de beleza, com gente que ninguém sabe de onde saiu e que nunca contribuiu com nada para o mundo-miss, e de repente aparece se achando o maior “ispecialista”. Tudo na base do “achismo”! Quem é você mesmo??? Rsrsrs
      Causa espanto tanta gente ser conivente com o “jeitinho brasileiro”, inclusive no mundo-miss. Reclamam tanto do país, dos políticos, e, no entanto, agem de forma bem mais inescrupulosa, aceitando e sustentando situações que deveriam ser insustentáveis. Algumas pessoas, quando têm a chance, até fazem pior o que antes reclamavam!!! Pior do que os sem caráter que pensam que têm o poder é os que se prostituem sendo serviçais dos que pensam que têm o poder.
      Aviso: Na minha página, não vou permitir porcos comendo pérolas: Se algum “ispecialista” escrever aqui alguma bobagem, será deletado!

RACHEL DE QUEIROZ CONTRA O  "REBANHO”

     
      Por incrível que pareça, ainda no auge da época de ouro do concurso Miss Brasil, a escritora Rachel de Queiroz (1910-2003) se pronunciou sobre essa questão de padrão de beleza. Encontrei no meu acervo uma matéria da famosa cearense falando de misses estereotipadas e padronização do corpo humano. Em “Última Página”, a sua coluna da O Cruzeiro, de 15/07/1961, a mais importante revista da época, ela escreveu a crônica Rebanho, abaixo transcrita, na íntegra, obedecendo à ortografia vigente naquele tempo, a fim de preservar a autenticidade documental. 

O Cruzeiro, Ano XXXIII, nº 40, 15/07/1961 - Acervo DML/PASSARELA CULTURAL

Se me perguntassem qual o aspecto mais desolante da civilização moderna, eu diria que é a sua padronização. Neste mundo em que vivemos está se acabando realmente a invenção, a originalidade, a marca pessoal ou, se não acabando, pelo menos sèriamente se comprometendo.
     De primeiro, todo provinciano que chegava ao Rio tinha o deslumbramento da novidade. Começava pelo povo na rua, pelas vitrinas das lojas, pela roupa das mulheres.  Ah, a roupa das mulheres. A provinciana mal punha o pé no cais sentia-se uma estrangeira exótica, com a sua roupa diferente  -  e o sapato, o penteado, o chapéu.
    Hoje, no mais longínquo sertão as môças se vestem pelo figurino de Hollywood – talvez com uns toques de Brigitte Bardot – tão igual, tão igual que dá bocejos, quando não dá risadas.
      Os concursos de beleza, então. As meninas são tão estereotipadas, tão decalcadas umas pelas outras, tão estandardizadas, dentro de dois ou três tipos – loura fria, morena tropical, ruiva vibrante, que parecem bonecas saídas de uma linha de montagem – onde só variam a côr dos cabelos, dos olhos, da pele – da pele não, pois todas, brancas ou morenas, procuram ficar tostadinhas como biscoitos, o que entre parênteses é muito lindo. Nem mesmo na roupa se diferenciam. Ou antes, muito menos se diferenciam na roupa, se justamente é a roupa o elemento principal da padronização. E se fôssem só as misses. Mas ande-se em Copacabana e a impressão que se tem é que um colégio soltou as suas meninas pelas ruas do bairro sul. Tudo de blusa de listra horizontal, e calça comprida colante – ou saia branca de tergal. Os penteados, os colares, a pintura, os sapatos (agora no inverno é mocassim) são também uniformes. E note-se o traço mais curioso da coisa – elas têm prazer de se sentir idênticas, fazem questão de parecer reproduções fotográficas do mesmo modêlo, adoram ser uma unidade num rebanho uniforme. Alguma que venha diferente, mesmo elegante, mesmo bem vestida, choca – só mesmo porque é diferente.    
      Parece que morreu aquela preocupação feminina da originalidade, que fazia as mulheres ricas pagarem fortunas por um “modêlo” único de grande costureiro, ou as môças pobres rasgarem a página escolhida no figurino da modista, para evitar outras cópias.
      E a uniformização vai se estendendo às mesas – ah, aquêle eterno arroz pilaff, aquêle suprême de frango, o sempiterno coquetel de camarões; parece que já passou da moda o strogonoff, meu Deus quantos strogonoffs cada um de nós não terá jantando na casa de um e de outro ou nos botequins de gente bem?
      Será que a Humanidade está marchando mesmo para a padronização geral, será que o fim próprio do aperfeiçoamento da técnica, o progresso da indústria; o avanço danado da Ciência vai nos levar a isso? Tudo parecido, como andorinhas no fio ou misses na passarela?
      Dirão os “nacionalistas” que isso é efeito da civilização americana, niveladora, sem imaginação nem originalidade. Mas, pelo que sei, os países ditos “socialistas” também adoram a padronização. Conta, até, elogiando, que na China todas as mulheres andam uniformemente de calças azuis...
      A fabricação das utilidades em série é talvez a razão principal dêsse condicionamento ao uniforme, dessa renúncia ao gôsto individual, que caracteriza a nossa idade. Acaba-se o artesão, só se obtém o produto de fábrica, lançado no mercado aos milheiros e milhões. São os móveis exatamente idênticos, nos apartamentos idênticos também. As televisões, os rádios, as geladeiras de modêlo único – ou quase único. E em tudo predominando aquêle mau gôsto inalterável – que como um gás venenoso permeia todo o mundo civilizado. Passe  por uma aldeia italiana, espie a sala da frente, de uma das casas, não tem que tirar Nilópolis ou Vigário Geral: a mobília em folheado, o caixão do rádio na sua mesinha, o quadro da parede, os paninhos bordados, o tapete do chão. É universal, é a internacional do mau-gôsto.
      A padronização chegou agora ao corpo humano. Com a dietética, a cirurgia plástica, a ginástica -  tudo vai se acomodando a um modêlo talvez ideal, sim – mas único. E as falas também se padronizam, o cordão puxado pelos locutores de rádio que desdenham as peculiaridades de pronúncia regional e recitam todos num linguajar artificial, pedante e detestável, carregado de erres, de esses, de ênfase nas tônicas.
     Sei que vejo, num pesadelo, o mundo dos nossos netos – todos belos, saudáveis, mas parecidos, parecidos como gêmeos, morando em ruas iguais, em cidades iguais, vestidos de roupa igual, falando um dialeto só, feito abelhas em colmeia, térmitas no seu cupim.
      Deus que me perdoe!

EPÍLOGO

    Vou encerrar esta secção repetindo  parte do trecho que escrevi no prólogo.
      Minha paixão pelas Misses vem de uma época em que, ainda menino, via o Brasil parar para saber quem seria sua rainha da beleza, num interesse similar ao da Copa do Mundo Fifa. Os valores e os objetivos de hoje são outros, mas certas coisas poderiam prevalecer acima dos egos: bom senso, respeito, coerência, gratidão, fé em Deus... Quase sempre, estou a cultuar as deusas e os concursos do passado. Vivo na ilusão de que as beldades modernas possam ser ícones como as marthas, teresinhas, adalgisas e iedas de ontem. Quase sempre, estou a fantasiar missólogos, coordenadores e organizadores em harmonia, em nome da minha paixão pelas Misses. O menino que fui tem receio de perder o encanto total por essa paixão, assim como um dia perdeu por fadas e duendes.

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