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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

SESSÃO NOSTALGIA - Denise Rocha de Almeida e a Primavera das Adolescentes

Daslan Melo Lima


A Primavera das Adolescentes

Revista Manchete, Ano 11, número 598, 05 de outubro de 1963. ***** Reportagem de Odacir Soares - Fotos de Gervásio Batista, Juvenil de Souza e Domingos Cavalcanti.

A mais bela parada juvenil empolgou um público de 100 mil pessoas no Maracanã. 


De repente, quando chegou a primavera, 40 mil adolescentes floresceram. Eram as meninas-moças dos colégios e clubes cariocas, participantes do grandioso desfile inaugural dos XV Jogos da Primavera, no Estádio do Maracanã, diante de 100 mil espectadores. Guarnecido por 200 oficiais e soldados do corpo de paraquedistas, o desfile foi presenciado pelo Reitor Pedro Calmon, representando o presidente da República, o ministro da Educação e pelo Sr. Lopo Coelho, representando o Governador Carlos Lacerda. Apos a entrada do fogo simbólico na grande praça de esportes, o juramento do atleta foi lido pela Rainha da Primavera de 1962, Denise Rocha de Almeida, maravilhosa num maiô colante e tendo um diadema à cabeça.   
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Denise Rocha de Almeida, Vice-Miss Distrito Federal 1959; Rainha da Primavera 1962; Miss Brasília, quarto lugar no Miss Brasil 1963. 
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Criados pelo jornalista Mário Filho há quinze anos, os Jogos da Primavera são hoje comparáveis aos grandes espetáculos juvenis da Europa, congregando milhares de estudantes numa parada  de cores, acrobacia e música, e encerrando com uma Olimpíada. 
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        Quais os motivos que levaram ao fim os Jogos da Primavera?  Olho para a imagem de Denise Rocha de Almeida, um dos ícones da história do concurso Miss Brasil, e imagino que continua desfilando na memória daquela multidão estimada em cem mil pessoas. 
       Um leitor de PASSARELA CULTURAL disse-me há alguns meses que ela faleceu, mas não soube informar detalhes. Não sei realmente se a notícia procede. Seja como for, sua lembrança ainda vive nas adolescentes daquela primavera de 1963, maravilhosa num maiô colante e tendo um diadema à cabeça.  

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Mais sobre Denise Rocha de Almeida
 - Denise Rocha de Almeida e as recordações de um tempo que se foi
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 - Denise Rocha de Almeida e Vanja Nobre Jacob, belas na Quinta da Boa Vista
http://passarelacultural.blogspot.com/2016/12/sessao-nostalgia_18.html
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- Denise Rocha de Almeida e Dione Oliveira, gostos e desgostos na passarela

domingo, 18 de dezembro de 2016

SESSÃO NOSTALGIA – Denise Rocha de Almeida e Vanja Nobre Jacob, belas na Quinta da Boa Vista

Daslan Melo Lima



      Maio de 1959.  A carioca Denise Rocha de Almeida, Miss Flamengo, e Vanja Nobre Jacob, Miss Botafogo. amazonense residente há quatro anos na rua Barata Ribeiro, em Copacabana,  foram fotografadas por Indalécio Wanderley (1928-2006) na Quinta da Boa Vista. Apontadas como fortes concorrentes ao título de Miss Distrito Federal (Rio de Janeiro), Denise conquistou o segundo lugar, perdendo para Vera Ribeiro, Miss Vila Isabel, enquanto Vanja obteve o quarto lugar.

Denise Rocha de Almeida
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Vanja Nobre Jacob
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       Elas fazem parte daquelas misses inesquecíveis que desejaram muito o título de Miss Brasil. Vanja voltou às passarelas no ano seguinte, concorrendo ao Miss Brasil na condição de Miss Amazonas, onde conquistou o quarto lugar. Denise retornou em 1963, disputando o Miss Brasil como representante de Brasília, obtendo a quarta colocação.

O Cruzeiro, Ano XXI, Nº 30, 09 de maio de 1959
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       A capa de O Cruzeiro daquele 09 de maio de 1959, que circulou com a matéria sobre o encontro das duas beldades na Quinta da Boa Vista, não poderia ser mais emblemática. Mostrava Denise Rocha de Almeida na capa com o braço direito apoiado numa imagem menor de Adalgisa Colombo (1940-2013), Miss Distrito Federal, Miss Brasil e vice-Miss Universo 1958. Isso passava a impressão que a revista, uma publicação pertencente aos Diarios e Emissoras Associados, cadeia nacional de órgãos de comunicação, promotora do concurso Miss Brasil, apostava em sua vitória.

       Imagino que, de vez em quando, em alguma tarde ensolarada de domingo, Denise e Vanja conduzem seus pensamentos para a Quinta da Boa Vista, onde reencontram os sonhos e as mais doces recordações de um tempo que se foi.

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sábado, 15 de novembro de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - Denise Rocha de Almeida e as recordações de um tempo que se foi

Daslan Melo Lima

      A carioca Denise Rocha de Almeida representou o Flamengo no concurso Miss Distrito Federal 1959, onde era apontada como  favorita, mas perdeu  para Vera  Regina Ribeiro, Miss Vila Isabel, eleita em seguida  Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1959. Denise Rocha de Almeida voltou depois às passarelas e foi eleita Rainha dos Jogos da Primavera 1962, Miss Brasília 1963, quarta colocada no Miss Brasil 1963 e representante brasileira no Miss Nações Unidas, realizado em Majorca, Espanha.

Denise Rocha de Almeida, Miss Flamengo, vice-Miss Distrito Federal 1959. (Foto: revista O Cruzeiro, 27/06/1959)

Denise Rocha de Almeida, Miss Brasília 1963, na capa da revista Manchete.

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     Neste feriadão de 15 de novembro, desejo compartilhar com os  missólogos e pesquisadores a matéria abaixo,  objeto de chamada de capa da Intervalo, revista semanal brasileira de televisão, publicada pela Editora Abril Ltda, número 49, período de  15 a 21 de dezembro de  1963. A fim de preservar a originalidade documental de uma época, transcrevi fielmente a reportagem, obedecendo as regras gramaticais vigentes há cinquenta anos.


DENISE VAI À ONU PARA SER MISS



      Denise Rocha de Almeida, ex-“Miss” Suéter, ex-Rainha dos Jogos da Primavera e uma das Garôtas Tupi, do Canal 6, perdeu o concurso de “Miss”  Brasil mas vai levar o nome de nosso país para a Ilha de Majorca na Espanha e tentar voltar, depois do dia 26 de janeiro, com o titulo de “Miss” ONU ou “Miss” Nações Unidas, designada que foi para representar o Brasil.
      Denise – de olhos grandes, belos e tristes – adiou mais uma vez seu casamento para levar sua beleza a um concurso e também por isso hesita em aceitar o convite do produtor cinematográfico Roberto Faria para fazer o papel central de “Selva Trágica”, a ser filmado em Ponta Porã. “Môça, eu vi a senhora ontem na televisão e gostei à beça dos seus olhos”.
      Denise abaixou-se, beijou o menino que a abordou na rua e continuou andando. Cenas iguais repetem-se com a mais discutida beleza carioca, também a mais serena de todas. Discutida porque quando Denise venceu uma prova de beleza algumas das outras candidatas não se conformaram, tudo por um ressentimento sem razão de ser. Mas quando ela perde, como aconteceu com o “Miss” Brasil-63  -  continua sendo notícia, mais notícia que as outras. E isso porque os olhos grandes e belos de Denise ficam tristes.
      O mar entristece Denise, mas ela gosta dêle. Gosta mas tem medo e por isso só o olha poucas vezes, ao lado do noivo, às tardinhas. Mas a alegria de Denise – depois do noivo, o preparador físico Tomé, do Botafogo de Futebol e Regatas – é uma visita ao Colégio Coeli (onde passou oito anos internada) e conversar com as freiras e as alunas.
      Foi com 14 anos – ainda muito menininha – que Denise ganhou o primeiro título de beleza. Em Teresópolis. Fazia muito frio e inventaram um concurso para escolher a “Miss” Suéter. Denise ganhou. Depois, foi tricampeã como baliza dos Jogos da Primavera e no ano passado foi a rainha desses jogos. O “Miss” Brasil-63 – ela representou Brasília – é “um capítulo que se foi”. Agora, a meta é Majorca e voltar “Miss” ONU, concurso que começará dia 10 e terminará dia 26 de janeiro de 1964.
      Enquanto espera, Denise chega de mansinho nas nossas casas, pelo aparelho receptor, e conversa com a gente sobre os programas da TV-Tupi.
      “Sou Garôta Tupi de farra, pois de farra entrei na seleção de candidatas e quando abri os olhos estava classificada. Para mim é ótimo, pois posso conversar com os telespectadores. Antes, recebi muitos convites para ser videomoça, mas a coisa não m seduziu. Não sei vender nada. A TV é para mim um adorável passatempo. E acho que estou tomando aulas de televisão, pois, no futuro, se quiser me dedicar à carreira, já terei aprendido muito. O cinema não me fascina, por  isso não sei se aceito o convite para filmar “Selva Trágica”. De qualquer maneira, meu sonho é ser mãe de uma linda menina, moreninha, de olhos grandes, que será também Rainha dos Jogos da Primavera. Mas o meu dia está custando a chegar, porque meu casamento é adiado sempre para dar vez a uma oportunidade de representar minha cidade ou meu país num concurso de beleza. Ainda bem que meu noivo entende e não se aborrece.
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     Por onde anda Denise Rocha de Almeida? A última vez que soube notícias suas foi na década de oitenta, através de uma reportagem na revista Manchete, onde assumia ter tido um relacionamento com o policial Mariel Mariscot (1940-1981). 
       Denise não realizou o sonho de representar o Brasil no Miss Universo. Em 1959, ao perder o título de  Miss Distrito Federal para Vera Ribeiro, seu enxoval já estava pronto para o Miss Universo. Quatro anos depois, na condição de Miss Brasília, declarou que perdeu o título de Miss Brasil 1963 pelo fato de Vera Ribeiro ter feito parte da comissão julgadora.  Denise não aceitou a proposta para fazer o filme Selva Trágica, de Roberto Faria, um clássico do cinema novo brasileiro, baseado no livro de Hernâni Donato (1911-2012), prêmio Saci e destaque no Festival de Veneza.


     Como vai você Denise Rocha de Almeida? Espero que tenha realizado o sonho de ser mãe de uma linda menina, moreninha, de olhos grandes, como revelou na revista Intervalo. Acima de tudo, quero que  esteja feliz, que se sinta feliz ao ler esta Sessão Nostalgiarecordando um tempo que se foi, para sempre se foi.

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sábado, 22 de agosto de 2009

SESSÃO NOSTALGIA - Denise Rocha de Almeida e Dione Oliveira, gostos e desgostos na passarela

Daslan Melo Lima

      Uma era carioca e outra era pernambucana. Uma representou o Flamengo no concurso Miss Distrito Federal, onde era a favorita, e perdeu. A outra, natural de São Bento do Una, representou o Clube Intermunicipal de Caruaru no Miss Pernambuco, chegou ao Rio de Janeiro como favorita ao Miss Brasil e perdeu. Ambas perderam para Vera Ribeiro, Miss Vila Isabel, Miss Distrito Federal, Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1959.

      Denise Rocha de Almeida, a carioca, participou do Miss Distrito Federal com tamanha confiança na vitória que seu guarda roupa para se apresentar no concurso Miss Universo já estava completo.


Denise Rocha de Almeida, Miss Flamengo, vice-Miss Distrito Federal 1959. (Foto: revista O CRUZEIRO, 27/06/1959)

      Dione Brito de Oliveira, a pernambucana, levou para o Rio de Janeiro trinta e seis vestidos confeccionados pelo inesquecível Marcílio Campos.



Dione Oliveira, Miss Pernambuco, vice-Miss Brasil 1959. (Foto: O CRUZEIRO, 04/07/1959)

          Dione de Oliveira, a segunda colocada no concurso Miss Brasil, confessou que tem inveja de Vera Ribeiro, vencedora do certame. A representante pernambucana, que foi a mais festejada de todas as misses estaduais, alinhou uma enorme fieira de razões plausíveis para justificar o seu ressentimento, aliás muito mais admiração por Vera do que propriamente inveja. É que Dione deixou Caruaru, pequena cidade do interior de Pernambuco, perfeitamente equipada para enfrentar o júri, trazendo para o Rio de Janeiro cabeleireiro, massagista, costureiro, maquilador e uma acompanhante.
          Na grande noite do desfile decisivo no Maracanãzinho, Dione de Oliveira passeou no tablado o delicioso produto dos seus técnicos particulares de beleza. Entre os 36 vestidos confeccionados pelo costureiro Marcílio Campos, formado em Paris, escolheu o mais deslumbrante, um que custou nada menos de 70 mil cruzeiros. Os aplausos de 40 mil mãos encheram os ouvidos de Dione e lhe deram a certeza de um reinado conquistado. Mas, finalmente, desfilou Vera Ribeiro, candidata de Vila Isabel, sem equipe de beleza. Pouco depois, era eleita Miss Brasil. E Dione de Oliveira, mesmo recebendo como prêmio ao seu capricho o direito de concorrer ao título de Miss Mundo, em Londres, chorou no ombro de sua severa acompanhante.
(Aluízio Flôres, revista MANCHETE, 11/07/1959)


Dione Oliveira ladeada por Marcílio Campos e sua maquiladora. (Foto: Jáder Neves, MANCHETE, 11/07/1959)

      Denise Rocha de Almeida voltou depois às passarelas. Foi eleita Rainha dos Jogos da Primavera 1962, Miss Brasília 1963, quarta colocada no Miss Brasil 1963 e representante brasileira no Miss Nações Unidas, realizado em Majorca, Espanha.

      Dione Oliveira representou o Brasil no Miss Mundo, em Londres. Era uma das favoritas, mas não obteve classificação.

      A moeda brasileira mudou tanto em meio século que não temos ideia de quanto seria hoje, em reais, a importância de 70 mil cruzeiros, o valor do vestido de Dione Oliveira. Outra coisa: naquele tempo, ninguém ouvia falar na palavra estilista para designar a profissão de gênios da costura como Marcílio Campos. As palavras eram costureiro ou figurinista.

      Escrevo esta crônica na ensolarada manhã pernambucana do penúltimo sábado de agosto de 2009. Agosto, um mês estigmatizado pelas superstições, como se os desgostos só ocorressem nos meses de agosto.
      Não era agosto, mas Denise experimentou o desgosto de não ter sido eleita Miss Distrito Federal.
      Não era agosto, mas Dione experimentou o desgosto de não ter sido eleita Miss Brasil.
       Com gosto, escrevo esta crônica na ensolarada manhã pernambucana do penúltimo sábado de agosto para exaltar Denise Rocha de Almeida e Dione Oliveira, duas misses que marcaram a passarela do Miss Brasil, com gosto e desgosto.
       Assim também é a passarela da vida, feita de mil gostos e desgostos.

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