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sábado, 15 de novembro de 2014

SESSÃO NOSTALGIA - Denise Rocha de Almeida e as recordações de um tempo que se foi

Daslan Melo Lima

      A carioca Denise Rocha de Almeida representou o Flamengo no concurso Miss Distrito Federal 1959, onde era apontada como  favorita, mas perdeu  para Vera  Regina Ribeiro, Miss Vila Isabel, eleita em seguida  Miss Brasil e quinta colocada no Miss Universo 1959. Denise Rocha de Almeida voltou depois às passarelas e foi eleita Rainha dos Jogos da Primavera 1962, Miss Brasília 1963, quarta colocada no Miss Brasil 1963 e representante brasileira no Miss Nações Unidas, realizado em Majorca, Espanha.

Denise Rocha de Almeida, Miss Flamengo, vice-Miss Distrito Federal 1959. (Foto: revista O Cruzeiro, 27/06/1959)

Denise Rocha de Almeida, Miss Brasília 1963, na capa da revista Manchete.

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     Neste feriadão de 15 de novembro, desejo compartilhar com os  missólogos e pesquisadores a matéria abaixo,  objeto de chamada de capa da Intervalo, revista semanal brasileira de televisão, publicada pela Editora Abril Ltda, número 49, período de  15 a 21 de dezembro de  1963. A fim de preservar a originalidade documental de uma época, transcrevi fielmente a reportagem, obedecendo as regras gramaticais vigentes há cinquenta anos.


DENISE VAI À ONU PARA SER MISS



      Denise Rocha de Almeida, ex-“Miss” Suéter, ex-Rainha dos Jogos da Primavera e uma das Garôtas Tupi, do Canal 6, perdeu o concurso de “Miss”  Brasil mas vai levar o nome de nosso país para a Ilha de Majorca na Espanha e tentar voltar, depois do dia 26 de janeiro, com o titulo de “Miss” ONU ou “Miss” Nações Unidas, designada que foi para representar o Brasil.
      Denise – de olhos grandes, belos e tristes – adiou mais uma vez seu casamento para levar sua beleza a um concurso e também por isso hesita em aceitar o convite do produtor cinematográfico Roberto Faria para fazer o papel central de “Selva Trágica”, a ser filmado em Ponta Porã. “Môça, eu vi a senhora ontem na televisão e gostei à beça dos seus olhos”.
      Denise abaixou-se, beijou o menino que a abordou na rua e continuou andando. Cenas iguais repetem-se com a mais discutida beleza carioca, também a mais serena de todas. Discutida porque quando Denise venceu uma prova de beleza algumas das outras candidatas não se conformaram, tudo por um ressentimento sem razão de ser. Mas quando ela perde, como aconteceu com o “Miss” Brasil-63  -  continua sendo notícia, mais notícia que as outras. E isso porque os olhos grandes e belos de Denise ficam tristes.
      O mar entristece Denise, mas ela gosta dêle. Gosta mas tem medo e por isso só o olha poucas vezes, ao lado do noivo, às tardinhas. Mas a alegria de Denise – depois do noivo, o preparador físico Tomé, do Botafogo de Futebol e Regatas – é uma visita ao Colégio Coeli (onde passou oito anos internada) e conversar com as freiras e as alunas.
      Foi com 14 anos – ainda muito menininha – que Denise ganhou o primeiro título de beleza. Em Teresópolis. Fazia muito frio e inventaram um concurso para escolher a “Miss” Suéter. Denise ganhou. Depois, foi tricampeã como baliza dos Jogos da Primavera e no ano passado foi a rainha desses jogos. O “Miss” Brasil-63 – ela representou Brasília – é “um capítulo que se foi”. Agora, a meta é Majorca e voltar “Miss” ONU, concurso que começará dia 10 e terminará dia 26 de janeiro de 1964.
      Enquanto espera, Denise chega de mansinho nas nossas casas, pelo aparelho receptor, e conversa com a gente sobre os programas da TV-Tupi.
      “Sou Garôta Tupi de farra, pois de farra entrei na seleção de candidatas e quando abri os olhos estava classificada. Para mim é ótimo, pois posso conversar com os telespectadores. Antes, recebi muitos convites para ser videomoça, mas a coisa não m seduziu. Não sei vender nada. A TV é para mim um adorável passatempo. E acho que estou tomando aulas de televisão, pois, no futuro, se quiser me dedicar à carreira, já terei aprendido muito. O cinema não me fascina, por  isso não sei se aceito o convite para filmar “Selva Trágica”. De qualquer maneira, meu sonho é ser mãe de uma linda menina, moreninha, de olhos grandes, que será também Rainha dos Jogos da Primavera. Mas o meu dia está custando a chegar, porque meu casamento é adiado sempre para dar vez a uma oportunidade de representar minha cidade ou meu país num concurso de beleza. Ainda bem que meu noivo entende e não se aborrece.
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     Por onde anda Denise Rocha de Almeida? A última vez que soube notícias suas foi na década de oitenta, através de uma reportagem na revista Manchete, onde assumia ter tido um relacionamento com o policial Mariel Mariscot (1940-1981). 
       Denise não realizou o sonho de representar o Brasil no Miss Universo. Em 1959, ao perder o título de  Miss Distrito Federal para Vera Ribeiro, seu enxoval já estava pronto para o Miss Universo. Quatro anos depois, na condição de Miss Brasília, declarou que perdeu o título de Miss Brasil 1963 pelo fato de Vera Ribeiro ter feito parte da comissão julgadora.  Denise não aceitou a proposta para fazer o filme Selva Trágica, de Roberto Faria, um clássico do cinema novo brasileiro, baseado no livro de Hernâni Donato (1911-2012), prêmio Saci e destaque no Festival de Veneza.


     Como vai você Denise Rocha de Almeida? Espero que tenha realizado o sonho de ser mãe de uma linda menina, moreninha, de olhos grandes, como revelou na revista Intervalo. Acima de tudo, quero que  esteja feliz, que se sinta feliz ao ler esta Sessão Nostalgiarecordando um tempo que se foi, para sempre se foi.

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2 comentários:

Anônimo disse...

É sempre bom rever Denise Rocha de Almeida, de volta à Sessão Nostalgia. Porque foi uma miss que marcou época, revolucionava e atraía a atenção dos holofotes e da mídia. E não apenas pela beleza, mas por todo o "buxixo" , as fofocas que movimentavam as revistas e os jornais sobre os resultados obtidos por ela nos concursos. Alguns até injustos, como o da Miss Distrito Federal em 1959.

Valeu recordar, Daslan.

Muciolo Ferreira

Anônimo disse...

Quanto ao Miss DF 59,acho q merecia vencer;mas a língua ferina incendiava o noticiário;uma época,na Tupi,muitos diziam q ela mandava e desmandava.No MB60,não tinha pra ninguém!Gina McFerson é a mais linda MB.Gostei da reportagem!Tbm sinto saudades daquelas notícias dos tempos idos do MB.Abraços,Japão