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SEJA BEM-VINDO ! SEJA BEM-VINDA! VOCÊ ESTÁ EM PASSARELA CULTURAL, a sua revista on-line semanal, fundada em 02/07/2004. ***** Esta é a edição nº 633, referente ao período de 20 a 26 de agosto de 2017. ***** Editor: Daslan Melo Lima ***** Timbaúba, Pernambuco, Brasil ***** Telefone: (81) 9.9612-0904 (Tim). ***** WhatsApp: +55 81 9.9612.0904 ***** E-mail: daslan@terra.com.br

sábado, 13 de março de 2010

SESSÃO NOSTALGIA - A HISTÓRIA DE MARIA HELENA LEAL LOPES, VICE-MISS GUANABARA 1970

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Daslan Melo Lima

MARIA HELENA, A REEDIÇÃO DE UMA CRÔNICA

          Há dois anos, precisamente em 02/03/2008, sob o título "Maria Helena Leal Lopes, Vice-Miss Guanabara 1970", focalizei aqui a figura de um ícone da beleza brasileira dos anos sessenta, Maria Helena Leal Lopes. Dois anos depois, volto a reeditar a secção Sessão Nostalgia daquela data, devidamente revista e ampliada, por dois motivos: Primeiro, pelo prazer de relembrar um dos símbolos dos mágicos anos sessenta. Segundo, para homenagear o meu amigo Muciolo Ferreira, que celebra idade nova no dia 17 de março, jornalista e missólogo pernambucano, o maior fã de Maria Helena Leal Lopes.

MARIA HELENA, A PRIMEIRA INSCRITA NO MISS GUANABARA 1969


Ela é a primeira candidata ao Miss GB deste ano, lançada pelo Telefônica Atlético Clube. Por extenso, Maria Helena Leal Lopes. Morena de 18 anos que mora na Tijuca, e estuda no Colégio Pedro II. Leninha entrou confiante na parada. Que vai ser das maiores - nada menos de 40 clubes já pediram inscrição – e dará um Corcel estalando à vencedora.
(“Quem é Maria Helena?” - Texto de Ubiratan de Lemos e foto de Indalécio Wanderley - Revista O Cruzeiro, 24/04/1969).



A noite de 14 de junho ainda está um pouco longe, mas há uma quase-certeza que pode tornar-se definitiva até lá: a de que a primeira candidata a Miss Guanabara não será uma das últimas. Se o júri escolher Maria Helena Leal Lopes para o lugar de Maria da Glória Carvalho, atenderá, certamente, a uma ligação privilegiada, pois a moça é candidata do Telefônica Atlético Clube, e comparece com um número privilegiado, que são as suas medidas exatas. Por enquanto, Maria Helena não sonha com o sucesso imediato: prefere conquistá-lo na passarela do Maracanãzinho.
Quando ela surge na praia, ninguém acredita, mas é verdade: Maria Helena já foi uma menina gorda. Hoje pode se dar ao luxo de ter o espaguete entre as suas paixões.
(“Os Telefones Chamam Miss Guanabara” – Texto de Renato Sérgio - Fotos de Sebastião Barbosa. Revista Manchete, 26/04/1969)

MARIA HELENA, A GRANDE AUSENTE DAS PASSARELAS DE 1969


Esta moça bonita viveu horas de suspense para tentar ser miss. Maria Helena Leal, Miss Telefônica Atlético Clube, tem um rosto lindo, é graciosa, elegante, possui medidas harmoniosas (se perder dois centímetros de quadris fica perfeita), mas ninguém esperava que ela fosse proibida de se tornar Miss Guanabara por causa de um detalhe extra-estético: a falta de quatro meses em sua idade. Com 16 anos, ela concorreu ao Senhorita Rio e ninguém criou caso. Quando suas fotos começaram a aparecer nos jornais e nas revistas, houve quem dissesse que ela iria ganhar o Miss Guanabara de barbada. Mas antes teve de lutar com advogados e muito charme para resolver um problema de tempo que, mesmo para ela, uma jovem de 17 anos e oito meses, se tornou uma coisa muitíssimo importante.
Maria Helena tem 1,69m de altura, 56 quilos de peso, 60cm de cintura, 91cm de busto, 95cm de quadris e 56cm de coxa. 
(Revista Fatos & Fotos, 03/07/1969)

          No dia 21 de junho de 1969, enquanto 32 candidatas desfilavam na passarela do Maracanãzinho disputando o título de Miss Guanabara, milhares de pessoas lamentavam o fato de ali não estar desfilando a linda morena Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube. Nascida no dia 17/09/1951, Maria Helena não tinha ainda 18 anos completos, idade mínima exigida para concorrer ao título. Uma determinação do Juizado de Menores, uma semana antes, proibiu sua participação no certame.


Maria Helena Leal Lopes - Revista Fatos & Fotos, 03/07/1969

          Quem denunciou que Maria Helena era menor de idade? Ninguém soube informar. O Presidente do Telefônica Atlético Clube foi notificado que deveria provar a idade dela no prazo de 24 horas. Seus advogados recorreram, pois jamais poderiam provar que ela tinha 18 anos. Apresentaram um documento dos seus pais com firma reconhecida, autorizando sua participação. A coisa serenou e Maria Helena deu continuidade aos preparativos visando a disputa do Miss Guanabara.

         Seu pai precisou resolver uns negócios pessoais nos Estados Unidos e viajou certo da vitória da filha, levando dezenas de fotografias para distribuir por lá quando ela fosse coroada Miss Guanabara. Mas aí, veio o pior. Faltando apenas uma semana para a realização do concurso, o Juizado de Menores fez prevalecer a proibição legal.


Maria Helena Leal Lopes foi a grande ausente na passarela do Maracanãzinho. A candidata do Telefônica Atlético Clube, até as vésperas do concurso, era apontada como a mais séria candidata ao título de Miss GB. Uma determinão do Juizado de Menores retirou-a da competição, por não contar com 18 anos completos. Assim, Maria Helena ficou entre os espectadores, sabendo que sua vez de concorrer foi adida para 1970.
Sem nenhuma mágoa, Miss Telefônica aplaudiu todas as colegas que passavam diante de sua mesa. Se tinha preferências, guardou-as consigo. Logo que chegou ao Maracanãzinho, foi saudada por um coro monstro vindo das arquibancadas. Com sorrisos e acenos, agradeceu a ovação. Tão logo foi encerrada a festa, fez questão de cumprimentar a colega vencedora, no estúdio de O Cruzeiro, montado nos bastidores.
(Revista O Cruzeiro)

          A vencedora do Miss Guanabara 1969 foi a loura Mara do Carvalho Ferro, Miss São Cristóvão Imperial, quarta colocada no Miss Brasil. A repercussão da proibição de Maria Helena não participar do concurso Miss Guanabara 1969 rendeu matérias na imprensa nacional, lado a lado com outros casos que marcaram o mês de junho do último ano da década de 1960:
1 - A derrota da seleção inglesa no Maracanã, que excursionava pela América Latina, diante da seleção brasileira, aumentando a esperança de que o Brasil poderia ser tricampeão mundial no ano seguinte;
2 - O encontro de Nelson Rockfeller (1908-1979), Governador de New York, com o Marechal Artur da Costa e Silva (1899-1969), Presidente do Brasil, em Brasília;
3 - A morte de Cacilda Becker (1921-1969);
4 - A eleição de Georges Pompidou (1911-1974), Presidente da França;
5 - O nascimento de Carlo Ponti Jr, o esperado primogênito de Sophia Loren e Carlo Ponti (1912-2007);
6 - A recepção a Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, o Papa Paulo VI (1897-1978), em Genebra;
7 - O sucesso do filme Buillit, de Peter Yates, estrelado por Steve McQueen (1930-1980).

MARIA HELENA, VICE-MISS GUANABARA 1970


Maria Helena Leal Lopes - Foto: revista O Cruzeiro

          Como seus sonhos de participar do Miss Guanabara 1969 foram frustrados, Maria Helena não teve dúvida de transferi-los para o ano seguinte. Em 1970, no Pavilhão de São Cristóvão, uma vez que o Maracanãzinho tinha sofrido um incêndio, lá estava Maria Helena, tranqüila, linda, disputando o Miss Guanabara, representando o Telefônica Atlético Clube. Perdeu para a loura Eliane Fialho Thompson, Miss Floresta Country Clube, eleita depois Miss Brasil e uma das 15 semifinalistas do Miss Universo 1970, vencido por Marisol Malaret Contreras, Miss Porto Rico. 

MARIA HELENA, CERTAS COISAS SÓ ACONTECEM UMA VEZ NA VIDA

          Quando o Juizado de Menores descartou a possibilidade de Maria Helena disputar o Miss Guanabara 1969, assim ela desabafou à revista MANCHETE, de 28/06/1969 :

Não sei bem porque me candidatei a Miss Guanabara. Acho que, conscientemente, um pouco era para expandir a minha vivacidade. Admito que todas nós participamos de concursos de beleza com uma certa dose de vaidade. Mas, isso, toda mulher tem (e quase todos os homens também). A vaidade faz parte do ser humano. Mamãe é que não quer mais ouvir falar no assunto – diz que não quer ver o concurso nem pela televisão, porque acha que certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.

          Minha estimada Maria Helena Leal Lopes, Miss Telefônica Atlético Clube 1969/1970, vice- Miss Guanabara 1970, sua mãe tinha toda razão. Certas coisas só acontecem uma vez na vida e não se repetem nunca mais. Você poderia ter sido a sucessora perfeita de Maria da Glória Carvalho, Miss Guanabara 1968, que trouxe do Japão o nosso primeiro e único título de Miss Beleza Internacional. Você poderia ter composto um excelente Top 3 no Miss Brasil 1969, ao lado da catarinense Vera Fischer (Miss Brasil) e da paulista Maria Lúcia Alexandrino dos Santos (vice-Miss Brasil ). Você poderia ter ficado à frente de Eliane Fialho Thompson, embora alguns achassem que você estivesse acima do peso ideal, ter sido Miss Guanabara e Miss Brasil, e despontado como favorita do concurso Miss Universo 1970, ao lado da americana Debbi Shelton (vice-Miss Universo), com quem tinha um biótipo parecido. Poderia... Poderia... Poderia... Coisas do destino. Fazer o que Maria Helena Leal Lopes? Estava escrito.

          E hoje, ao sentirmos saudades daquela época, o vento sopra nos seus, nos meus e nos ouvidos do meu amigo Muciolo Ferreira a voz de sua Mãe dizendo:
Certas coisas só acontecem uma vez na vida, não se repetem nunca mais.
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A primeira crônica de PASSARELA CULTURAL dedicada a Maria Helena Leal Lopes poderá ser conferida neste link:
http://passarelacultural.blogspot.com/2008/03/sesso-nostalgia-maria-helena-leal-lopes.html

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6 comentários:

DASLAN MELO LIMA disse...

Os comentários abaixo foram postados originalmente no espaço apropriado da primeira edição da Sessão Nostalgia dedicada a Maria Helena Leal Lopes.
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Raimundo Junior disse...

Sempre aguardo a sessão nostalgia, e lembrar de Maria Helena, a bela Miss Telefônica 1969 é muito bom, pois como ela não conseguiu concorrer em 1969 e perdeu em 1970, ficou só na lembrança. Memória que você expõe agora. Parabéns Daslan!

3 de março de 2008 18:46
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Gilson José disse...

Estou muito satisfeito em rever minha maninha na passarela ,fui seu acompanhante em diversos eventos ,filmagens, e ate ensaios para este concurso;carreguei comigo o apelido de misso com muito orgulho e vaidade, pois sua belesa era tanta ,que refletiu em mim .Garanto que ainda ela,, é linda em todos os sentidos ,e vencedora .Um beijo do seu irmão.
Saudaçoes fraternais Daslan.

13 de dezembro de 2008 05:44
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rogerio disse...

Lena...
Que saudade...
Voce ainda lembra de mim ??/
Eu sou o Rogerio Cesar, seu Sobrinho, Filho do Gildo...
O Tio Gilson foi que me disse sobre essas fotos...
Estou com muita saudade de voce e nao vejo a hora de estarmos juntos, para esse reencontro tao esperado por mim...
meu e-mail é:
rogeriocesarpinto@hotmail.com
mil beijos...
15 de dezembro de 2008 11:56

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DASLAN MELO LIMA disse...

Comentário de Muciolo Ferreira, jornalista, Recife, PE, via e-mail.

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Daslan,

Estou muito emocionado e feliz com sua lembrança ao evocar, mais uma vez, um ícone de beleza da mulher brasileira dos anos 60/70: Maria Helena Leal Lopes de Almeida que me inspirou o gosto e prazer de acompanhar os concursos de beleza até os dias atuais.

Fiquei duplamente feliz porque você lembrou da Miss Telefônica 1969/1970 às vésperas de meu aniversário.

Quero tornar público, Daslan, que o tenho como um 5º irmão. Os outros irmãos de sangue são: Maria Madalena, Marcos Marinho, Marcondes Luiz e Amarino Filho. Madalena e Amarino(Nino) já estão num outro plano de vida realizando novas missões delegadas a eles pelo Supremo.

Quero pedir sua permissão para dedicar essa Sessão Nostalgia a duas grandes amigas de minha adolescência que dividiam comigo as alegrias em acompanhar os concursos de miss dos anos 60 e também eram fãs e defensoras ardorosas da Maria Helena Leal: Rejane Oliveira, que reside no Recife, no bairro da Ilha do Leite, e a minha prima Rosineide Victor Di Fabritus(Rôse), casada com o francês Gilbert di Fabritus, um ex-executivo da Rhodia, e que reside há mais de 30 aos na cidade de Valence, no sul da França, entre Lyon e Marselha. As duas estavam para mim, assim como Daslan, Fernando Machado e Paulo D'Arce estão atualmente. Missólogos de carteirinha.

A cada nova revista O Cruzeiro, Manchete e Fatos & Fotos publicadas, corríamos às bancas para comprar e começar a opinar sobre as candidatas a Miss Guanabara daquele ano.

Nesse momento de retorno ao passado, gostaria de encontrar as palavras corretas para expressar meus agradecimentos ao meu amigo-irmão Daslan e poder verbalizar as emoções pela carinhosa lembrança.

Só me resta agradecer a Deus pela sua existência desejando-lhe Saúde, Paz e Amizade. E que sua Sessão Nostalgia seja bastante acessada e inspire outros missólogos espalhados por esse Brasil a fora a, também, pesquisar sobre o tema e aproximr mais as pessoas.

Que tenhas uma semana iluminada e cheia de inspiração ao lado de todas as pessoas que lhes cerca.

Com um Beijo carinhoso

Muciolo Ferreira
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Agnes disse...

Olá Daslan,
minha mãe ficou muito feliz com a homenagem. As fotos estao lindas e por ela agradeço a todos que torceram sempre!

bjs,
Agnes.

Anônimo disse...

Maria Helena Lopes poderia ter sido miss Guanabara e finalista em 1969, ganharia muitos pontos, mas em 1970 estava muito acima do peso, bem diferente...Mas guardo a admiração pela menina de 1969. Adorava abrir as paginas da revista e vê-la, exuberante, linda , linda...Bjs.

Anônimo disse...

Querido Daslan

Nunca poderia imaginar que um dia fosse lembrada com tanto carinho e amor por pessoas que nunca conheci pessoalmente(infelizmente).

Minha filha Agnes e meu irmâo agradeceram pela linda Sessâo Nostalgia que me fez recordar momentos lindos e inesqueciveis.

Desculpe não ter escrito antes mas nunca tive vontade de navegar neste mundo da informática e que ainda é tudo muito novo p mim.

Mais uma vez muito obrigada por toda esta lembrança deliciosa.

Muitos beijos

Maria Helena

Anônimo disse...

Merecia o título e seria Miss Brasil também, quiçá Miss Universo.

Sou mais um dos milhares de fãs que Maria Helena deixou.

Abraços a todos,Japão